Escritas

Transcendência

Poemas neste tema

Sophia de Mello Breyner Andresen

Sophia de Mello Breyner Andresen

Dança de Junho

Em silêncio nas coisas embaladas
Vão dançando ao sabor dos seus segredos.
Nos seus vestidos brancos e bordados
Raios de lua poisam como dedos,
E em seu redor baloiçam arvoredos
Escuros entre os céus atormentados.
2 117
Sophia de Mello Breyner Andresen

Sophia de Mello Breyner Andresen

A Estátua

Nas suas mãos a voz do mar dormia
Nos seus cabelos o vento se esculpia

A luz rolava entre os seus braços frios
E nos seus olhos cegos e vazios
Boiava o rastro branco dos navios.
2 454
Sophia de Mello Breyner Andresen

Sophia de Mello Breyner Andresen

Nocturno da Graça

Há um rumor de bosque no pequeno jardim
Um rumor de bosque no canto dos cedros
Sob o íman azul da lua cheia
O rio cheio de escamas brilha.
Negra cheia de luzes brilha a cidade alheia.

Brilha a cidade dos anúncios luminosos
Com espiritismo bares cinemas
Com torvas janelas e seus torvos gozos
Brilha a cidade alheia.

Com seus bairros de becos e de escadas
De candeeiros tristes e nostálgicas
Mulheres lavando a loiça em frente das janelas
Ruas densas de gritos abafados
Castanholas de passos pelas esquinas
Viragens chiadas dos carros
Vultos atrás das cortinas
Cíclopes alucinados.

De igreja em igreja batem a hora os sinos
E uma paz de convento ali perdura
Como se a antiga cidade se erguesse das ruínas
Com sua noite trémula de velas
Cheia de aventurança e de sossego.

Mas a cidade alheia brilha
Numa noite insone
De luzes fluorescentes
Numa noite cega surda presa
Onde soluça uma queixa cortada.

Sozinha estou contra a cidade alheia.
Comigo
Sobre o cais sobre o bordel e sobre a rua
Límpido e aceso
O silêncio dos astros continua.
2 089
Sophia de Mello Breyner Andresen

Sophia de Mello Breyner Andresen

Os Dias de Verão

Os dias de verão vastos como um reino
Cintilantes de areia e maré lisa
Os quartos apuram seu fresco de penumbra
Irmão do lírio e da concha é nosso corpo
Tempo é de repouso e festa
O instante é completo como um fruto
Irmão do universo é nosso corpo
O destino torna-se próximo e legível
Enquanto no terraço fitamos o alto enigma familiar dos astros
Que em sua imóvel mobilidade nos conduzem
Como se em tudo aflorasse eternidade
Justa é a forma do nosso corpo
3 156
Nuno Júdice

Nuno Júdice

Hino

Reconheço a voz errante e longínqua, o sopro
mergulhado na volúpia da sombra, o castanho claro
dos cabelos estéreis num retrato de epílogo. Re-
conheço o frio número da água, a noite perdida
num hálito de anjos, no fontanário grito do ganso.
Essa noite suspensa de um desmaio de nebulosas,
imobilizada pelo tremor dos prelúdios, apressada
amante na descida do abismo, avançou, breve maré,
submergindo a obscura nudez das estrelas no
finito oriente do olhar. Reconheço a falésia
do dormente desejo de eternidade, um flutuar
de precipitações no ritmo das pálpebras, o si-
lêncio, vago íman da impaciência. Murmúrio
de génesis num pousar de dedos, rebordo de limites
na abdicação do gesto. Mágico círculo divino.



Nuno Júdice | "A partilha dos mitos", pág. 17 | Na regra do jogo, 1982
1 188
Nuno Júdice

Nuno Júdice

Soneto 1

Nos horizontes azulados onde gemem os pássaros
há um murmúrio de mastros, longo como o pescoço
de uma estátua de virgem. Trá-lo até mim o vento
e bebo-o de um trago, numa secura ardente de poço.

No cais onde tu, sombra ausente sob os painéis
litorais, bocejas um tédio de suis, estendo os braços,
ergo-me num só pé, e todo o corpo se levanta
no êxtase dos guindastes, numa fuga de batéis.

A ilha está próxima. Desembarco. O promontório
vago acolhe o barco numa vibração de lago. Corro
entre alas de gaivotas, perdido do meu próprio

corpo; e caio em mim. Esqueci-me das malas;
deixei-me no molhe. Quem sou? Dos céus o eco inglório
me persegue. Nas valas gritam deuses por socorro.



Nuno Júdice | "A partilha dos mitos", pág. 50 | Na regra do jogo, 1982
1 013
Sophia de Mello Breyner Andresen

Sophia de Mello Breyner Andresen

As Cidades

Estavam no poente luzidias,
Acesas e magnéticas chamando
Sob o infinito céu das tardes frias.
1 874
Susana Thénon

Susana Thénon

Oração

Quando deixará a lua
de preferir a esses poucos
que tanto à meia-noite
como ao amanhecer
gritam seu ardor sem freio.
Quando será definitivo
o direito a sonhar
sem verificar números
papéis rasgados, sexos,
velocidade sem pressa do sangue.
Quando morrerá o céu
- seus castigos -
e o raio será um menino
entre as folhas.
Quando arderão os ventos
sepultados.
680
Manuel António Pina

Manuel António Pina

Palavras

Palavras perpetradas em silêncio

na cama, lugar de assassinos.

Escondo-me para morrer. Nenhuma lógica é mais mortal

que esta estúpida perversão, esta morte.

Estúpidos lençóis; escrita de

corpos grosseiros; crimes passionais.

Falta-me uma palavra essencial,

um som perverso para morrer; um sonho.


Contraem-se os músculos na vigília.

Preciso do sono e do movimento dos corpos

para dirigir devidamente o pequeno crime

da tua morte. Agora calo-me um pouco.



Manuel António Pina | "Todas as palavras - poesia reunida 1974-2011", pág. 27 | Assírio & Alvim, 2012

1 123
Raquel Nobre Guerra

Raquel Nobre Guerra

Não foi preciso muito

Não foi preciso muito para que a cidade
começasse a tomar o veneno do milho
e fechasse tudo. A Palmeira, o Estádio,
a Barateira, até os grandes candidatos
à última cadeira ficaram por sua conta.
Lisboa é uma azinhaga tristíssima.

Talvez queiram acabar com a música
as doenças tropicais, os sonhadores.
Fechá-los no foyer servir-lhes faisão
e orquídeas negras, preveni-los de que
no sopé da lixeira haverá sempre lugar
para mais uma mantinha.

Que dias estes em que o amor passou
para um tempo que não mexe.
Vida em troca de indícios
de que apenas depois percebemos
a dimensão furiosa do vazio.

Grandes clássicos da vida para quem acha
que por ter lido a Rayuela foi ao cu ao profeta.

Homem, se tiveres sorte saberás
que nunca foi preciso namorar Platão
para saber que o cocheiro vai louco e num só pé.

É importante esta narrativa agigantada de referências
para que tudo feche literalmente com o porteiro da discoteca.

E que não sejamos menos aqui, que ninguém nos ouve,
contra o jogo de não termos conseguido melhor:

I want to fuck everyone in the world
I want to do something that matters

Ficas a dever-me uma.
551
Nuno Júdice

Nuno Júdice

Receita para fazer o azul

Se quiseres fazer azul,
pega num pedaço de céu e mete-o numa panela grande,
que possas levar ao lume do horizonte;
depois mexe o azul com um resto de vermelho
da madrugada, até que ele se desfaça;
despeja tudo num bacio bem limpo,
para que nada reste das impurezas da tarde.
Por fim, peneira um resto de ouro da areia
do meio-dia, até que a cor pegue ao fundo de metal.
Se quiseres, para que as cores se não desprendam
com o tempo, deita no líquido um caroço de pêssego queimado.
Vê-lo-ás desfazer-se, sem deixar sinais de que alguma vez
ali o puseste; e nem o negro da cinza deixará um resto de ocre
na superfície dourada. Podes, então, levantar a cor
até à altura dos olhos, e compare-la com o azul autêntico.
Ambas as cores te parecerão semelhantes, sem que
possas distinguir entre uma e outra.
Assim o fiz - eu, Abraão bem Judá Ibn Haim,
iluminador de Loulé - e deixei a receita a quem quiser,
algum dia, imitar o céu.



Nuno Júdice | "Meditação sobre Ruínas", 1994
1 595
Nuno Júdice

Nuno Júdice

O amor

Deus - talvez esteja aqui, neste
pedaço de mim e de ti, ou naquilo que,
de ti, em mim ficou. Está nos teus
lábios, na tua voz, nos teus olhos,
e talvez ande por entre os teus cabelos,
ou nesses fios abstratos que desfolho,
com os dedos da memória, quando os
evoco.

Existe: é o que sei quando
me lembro de ti. Uma relação pode durar
o que se quiser; será, no entanto, essa
impressão divina que faz a sua permanência? Ou
impõe-se devagar, como as coisas a que o
tempo nos habitua, sem se dar por isso, com
a pressão subtil da vida?

Um deus não precisa do tempo para
existir: nós, sim. E o tempo corre por entre
estas ausências, mete-se no próprio
instante em que estamos juntos, foge
por entre as palavras que trocamos, eu
e tu, para que um e outro as levemos
conosco, e com elas o que somos,
a ânsia efêmera dos corpos, o
mais fundo desejo das almas.

Aqui, um deus não vive sozinho,
quando o amor nos junta. Desce dos confins
da eternidade, abandona o mais remoto dos
infinitos, e senta-se aos pés da cama, como
um cão, ouvindo a música da noite. Um
deus só existe enquanto o dia não chega; por
isso adiamos a madrugada, para que não
nos abandone, como se um deus
não pudesse existir para lá do amor, ou
o amor não se pudesse fazer sem um deus.


1 945
Stela do Patrocínio

Stela do Patrocínio

Não deu tempo

não deu tempo
eu estava tomando claridade e luz
quando a luz apagou
a claridade apagou
tudo ficou nas trevas
na madrugada mundial
sem luz
1 597
Nuno Júdice

Nuno Júdice

Requiem por muitos maios

Conheci tipos que viveram muito. Estão
mortos, quase todos: de suicídio, de cansaço.
de álcool, da obrigação de viver
que os consumia. Que ficou das suas vidas? Que
mulheres os lembram com a nostalgia
de um abraço? Que amigos falam ainda, por vezes,
para o lado, como se eles estivessem à sua
beira?

No entanto, invejo-os. Acompanhei-os
em noites de bares e insônia até ao fundo
da madrugada; despejei o fundo dos seus copos,
onde só os restos de vinho manchavam
o vidro; respirei o fumo dessas salas onde as suas
vozes se amontoavam como cadeiras num fim
de festa. Vi-os partir, um a um, na secura
das despedidas.

E ouvi os queixumes dessas a quem
roubaram a vida. Recolhi as suas palavras em versos
feitos de lágrimas e silêncios. Encostei-me
à palidez dos seus rostos, perguntando por eles - os
amantes luminosos da noite. O sol limpava-lhes
as olheiras; uma saudade marítima caía-lhes
dos ombros nus. Amei-as sem nada lhes dizer - nem do amor,
nem do destino desses que elas amaram.

Conheci tipos que viveram muito - os
que nunca souberam nada da própria vida.


Nuno Júdice | "Teoria geral do sentimento", 1999

517
José Tolentino Mendonça

José Tolentino Mendonça

Arte Americana do Século XX

Há um telefone que toca
O homem levanta-se e fala por longo tempo
condescendente a cada repetição

Podia ser um cônsul errante
podia forçar a memória a soltar
a enseada, a estação ou o trilho
mas para entregar-se à luz
é preciso ser devorado por ela
e aparentemente ele depende disto
que vai repetindo:
«não que não te deseje boa sorte
para resolveres este sarilho.»

Duas horas depois está à janela
sem conseguir dormir
Há uns miúdos em algazarra mesmo ao seu lado
e dá-lhes tempo para se afastarem
pois falharia à primeira pergunta
que alguém fizesse

O luar apanha o rebentar da onda
quando ela se aproxima
e durante esses instantes
é como se a natureza ficasse ao contrário
e o tempo com ela
1 073
José Miguel Silva

José Miguel Silva

Penélope escreve

É mais que certo: não sinto a tua falta.
Fiquei a tarde toda a arrumar os teus papéis,
a reler as cinco cartas que me foste endereçando
na semana que perdemos: tu no Alentejo,
eu debaixo de água. Fui depois regar as rosas
que deixaste no quintal. Sempre só e sem
carpir o meu estado (porque não me fazes falta),
pus o disco da Chavela que me deste no Natal
e comecei a preparar o teu prato preferido.
Cozinhar fez-me perder o apetite; por isso
abri uma garrafa de maduro e não me custa
confessar-te que não sinto a tua falta.
Por volta das dez horas, obriguei-me a recusar
dois convites pra sair (aleguei androfobia)
e estou neste momento a recortar a tua imagem
(não me fazes falta) nas fotos que possuo de nós dois,
de maneira a castigar com o cesto dos papéis
a inábil idiota que deixou que tu te fosses.
1 344
José Miguel Silva

José Miguel Silva

5

Há quem olhe para as coisas e veja formas,
cores, colmeias de melífluo sentido.
Eu nunca vi senão prefácios à destruição.
Nas linhas dum rosto via medo farpado,
na curva dum ombro, o peso que suporta.
Encarava com descrença o sorriso das praças,
na cabeça dum menino lia o mapa do inferno
e no amor o combustível da ganância.
Não sei como foi, eu nunca soube fechar
os olhos e dormir como os demais.
E se olhava para dentro de mim, era ainda
pior: uma paisagem abjecta entre colunas
de mercúrio, de enxofre, de metais pesados
como a consciência. Fui, em suma, um triste,
um homem estacado na fronteira entre
verdade e pânico, e desconfiado, sempre,
de qualquer ideia de consolação. Retirado,
no final, para um respiro de montanha,
esforcei-me por manter a ilusão de ser
o último elo na cadeia antropológica,
o nec plus ultra da insanidade.
915
José Miguel Silva

José Miguel Silva

Resposta possível à pergunta anterior

Os amigos, a família mais próxima,
esta língua que nos coube, a timidez
alcandorada em cerimónia, o SG,
o vinho bom, a francesinha, os varandins
da burguesia duriense, o Alentejo,
a tradição arquitectónica da pedra,
da modéstia, do adobe, a cortesia
de ser pobre. A quietude remissiva
dos lugares frequentados p'la renúncia.
1 212
Nuno Júdice

Nuno Júdice

Apenas

Apenas uma coisa inteiramente transparente:
o céu, e por baixo dele a linha obscura do horizonte
nos teus olhos, que pude ver ainda
através de pálpebras semicerradas, pestanas húmidas
da geada matinal, uma névoa de palavras murmuradas
num silêncio de hesitações. Há quanto tempo,
tudo isto? Abro o armário onde o tempo antigo
se enche de bolor e fungos; limpo os papéis,
cartas que talvez nunca tenha lido até ao fim, foto-
grafias cuja cor desaparece, substituindo os corpos
por manchas vagas como aparições; e sinto, eu
próprio, que uma parte da minha vida se apaga
com esses restos.
1 005
Nuno Júdice

Nuno Júdice

Eco

Hoje, perguntando onde estás, e o
que fazes, ouço as palavras tristes
da solidão que me responde, sem
nada me dizer, ao dizer-me tudo.

O que fazes e onde estás, pergunto
ao silêncio que me deixaste; e ouço
em mim a resposta, num eco que
vem de ti, perguntando por mim.

E neste espelho que entre mim e ti
a ausência constrói, outro espelho
reflecte o vazio da sua imagem, até

esse infinito em que a minha pergunta
te responde, para que me devolvas
o eco em que as nossas vozes se juntam.
1 993
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

NOTAS SOBRE TAVIRA

NOTAS SOBRE TAVIRA

Cheguei finalmente à vila da minha infância.
Desci do comboio, recordei-me, olhei, vi, comparei.
(Tudo isto levou o espaço de tempo de um olhar cansado).
Tudo é velho onde fui novo.
Desde já — outras lojas, e outras frontarias de pinturas nos mesmos prédios —
Um automóvel que nunca vi (não os havia antes)
Estagna amarelo escuro ante uma porta entreaberta.
Tudo é velho onde fui novo.
Sim, porque até o mais novo que eu é ser velho o resto.
A casa que pintaram de novo é mais velha porque a pintaram de novo.
Paro diante da paisagem, e o que vejo sou eu.
Outrora aqui antevi-me esplendoroso aos 40 anos — Senhor do mundo —
É aos 41 que desembarco do comboio [indolentão?].
O que conquistei? Nada.
Nada, aliás, tenho a valer conquistado.
Trago o meu tédio e a minha falência fisicamente no pesar-me mais a mala...
De repente avanço seguro, resolutamente.
Passou roda a minha hesitação
Esta vila da minha infância é afinal uma cidade estrangeira.
(Estou à vontade, como sempre, perante o estranho, o que me não é nada)
Sou forasteiro tourist, transeunte.
E claro: é isso que sou.
Até em mim, meu Deus, até em mim.
990
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Toda a noite ouvi no tanque

Toda a noite ouvi no tanque
A pouca água a pingar.
Toda a noite ouvi na alma
Que não me podes amar.
1 272
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Aqui, sem outro Apolo do que Apolo,

Aqui, sem outro Apolo do que Apolo,
Sem um suspiro abandonemos Cristo
        E a febre de buscarmos
        Um deus dos dualismos.

E longe da cristã sensualidade
Que a casta calma da beleza antiga
        Nos restitua o antigo
        Sentimento da vida.
1 384
Nuno Júdice

Nuno Júdice

Sétimo dia

Nada mexe. As recordações pastam nos prados
da memória. Ao fundo, a janela abre-se
para deixar entrar a luz do dia: e só uma névoa
branca invade o quarto, salta para o corredor,
avança até às escadas que alguém desceu, outrora,
sabendo que nenhum patamar o esperava.

Encontro um esquecimento cego nos bolsos;
Um fogo consumiu o horizonte; um desejo de absurdo
percorre as cinzas, com brilhos de chama. Porem,
se nada me traz o cheiro de um bosque primaveril,
quando o ar esta seco e uma transparência inicial
invoca o mistério da manha, dou comigo
a desfazer a folha ressequida que caiu do livro
há muito fechado: e um pó abstrato junta-se
a estes restos que o tempo me trouxe.

Tu, imóvel aparição, interpões-te
entre os vultos matinais da casa. A tua sombra
confunde-se com os contornos de um atlas
familiar, conduzindo-me no rumo de um amor
antigo - como se essa navegação tivesse portos
e ilhas...

Chamo-te. Um murmúrio de luz,
por instantes, coincide na ilusão de uma
resposta.
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