Fé Espiritualidade e Religião

Poemas neste tema

Clarice Lispector

Clarice Lispector

De Ulisses ela aprendera a

De Ulisses ela aprendera a ter coragem de ter coragem de ter fé - muita coragem, fé em quê ? Na própria fé, que a fé pode ser um grande susto, pode significar cair no abismo, Lóri tinha medo de cair no abismo e segurava-se numa das mãos de Ulisses enquanto a outra mão de Ulisses empurrava-a para o abismo - em breve ela teria que soltar a mão menos forte do que a que a empurrava, e cair, '''a vida não é de se brincar porque em pleno dia se morre.''' A mais premente necessidade de um ser humano era tornar-se um humano.
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Provérbios em Português

Provérbios em Português

Não há sábado sem sol,

Não há sábado sem sol, domingo sem missa nem segunda sem preguiça.
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Provérbios em Português

Provérbios em Português

Se Nossa Senhora das candeias

Se Nossa Senhora das candeias vier a rir, o Inverno está para vir, se a Senhora vier a chorar o Inverno está a acabar.
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Tupac Shakur

Tupac Shakur

Only God Can Judge Me

Only God Can Judge Me
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Voltaire

Voltaire

Que Deus me proteja dos

Que Deus me proteja dos meus amigos. Dos inimigos, cuido eu.
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Voltaire

Voltaire

Acredito no Deus que criou

Acredito no Deus que criou os homens, e não no Deus que os homens criaram.
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Fiódor Dostoiévski

Fiódor Dostoiévski

A beleza é terrível! Terrível,

A beleza é terrível! Terrível, porque indefinível. Deus só nos deixou enigmas. Os extremos se tocam e todas as contradições se misturam.
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Daisaku Ikeda

Daisaku Ikeda

O Nam-myoho-rengue-kyo incorpora o nome

O Nam-myoho-rengue-kyo incorpora o nome e a vida de Nitiren Daishonin. Aquele que recita Daimoku consegue evidenciar o estado de vida do Buda em sua própria vida. Não existem budas que ficam sofrendo eternamente na pobreza. Também não existem budas cruéis ou malvados como não existem budas fracos ou derrotados na vida. Buda é um outro nome para uma pessoa que está determinada a vencer não importa o que aconteça.
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Oscar Wilde

Oscar Wilde

Acreditar é aborrecido, duvidar é

Acreditar é aborrecido, duvidar é apaixonante
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Edgar Allan Poe

Edgar Allan Poe

Um sonho num sonho

Este beijo em tua fronte deponho!
Vou partir. E bem pode, quem parte,
francamente aqui vir confessar-te
que bastante razão tinhas, quando
comparaste meus dias a um sonho.
Se a esperança se vai, esvoaçando,
que me importa se é noite ou se é dia...
ente real ou visão fugidia?
De maneira qualquer fugiria.
O que vejo, o que sou e suponho
não é mais do que um sonho num sonho.

Fico em meio ao clamor, que se alteia
de uma praia, que a vaga tortura.
Minha mão grãos de areia segura
com bem força, que é de ouro essa areia.
São tão poucos! Mas, fogem-me, pelos
dedos, para a profunda água escura.
Os meus olhos se inundam de pranto.
Oh! meu Deus! E não posso retê-los,
se os aperto na mão, tanto e tanto?
Ah! meu Deus! E não posso salvar
um ao menos da fúria do mar?
O que vejo, o que sou e suponho
será apenas um sonho num sonho?
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Ruy Belo

Ruy Belo

Poema quase apostólico

Está sereno o poeta
Desprende-se-lhe dos ombros e cai
depois em pregas por ele abaixo a manhã
Não pertencem ao dia os gestos que ele tem
não morrerão na noite seus assombrosos passos
Dizem que ele volta a pôr em movimento a roda
de crianças de atitudes desmedidas
que o vento varreu e parque algum queria
E abre os braços para deixar cair na cidade
um ano favorável ao senhor
E põe o rosto do senhor por trás das suas palavras
Elas decerto o hão-de dar a quem as demandar
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José Afonso

José Afonso

PELA QUIETUDE DAS TUAS MÃOS UNIDAS

Pela quietude das tuas mãos unidas.
Desce o eterno e a paz.
Nada perturba o silêncio posto nas tuas pálpebras.
É a morte o templo, a plenitude infinda.
Abatem-se os contornos, teu vulto esfuma a rigidez das coisas,
a exactidão concreta.
Nenhuma dor descerrará nossas bocas profanas
para pronunciar o césamo que te abrirá os céus,
pobre silhueta humana, já pertença neutral,
informe barro
Inalterável mistério, subsistência.
Entre o vivo e o morto o abismo sa incomunicação,
A distância absurda da intemporalidade.
O entrar na origem, menos existência
Que companhia apenas de todas as coisas que ali estão
Em frente além.
Só contemplar-te para penetrar teu mistério
E apressar a corrida para a petrificação.
Depois sim: vossa presença pura
Entre Impronunciáveis e Inconcebíveis-Nada..Que coisa o amor! Pobre balbucie
Gérmen do primeiro estrebuchar da primeira forma.
Embrião latejando o que quer persistir e continuar-se-Assim
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Diego Pezelho

Diego Pezelho

Meu senhor arcebispo, and’eu escomungado

Meu senhor arcebispo, and’eu escomungado
porque fiz lealdade; enganou-me o pecado!
Soltade-m’, ai, senhor, e jurarei, mandado
que seja traedor.

Se traiçon fezesse, nunca vo-la diria;
mais pois fiz lealdade, vel por Santa Maria,
soltade-m’, ai, senhor, e jurarei, mandado
que seja traedor.

Per mia maleventura tive hun en Sousa
e dei-o a seu don’ e tenho que fiz gran cousa.
Soltade-m’ ai, senhor, e jurarei, mandado
que seja traedor.

Por meus negros pecados tive hun castelo forte
e dei-o a seu don’, e hei medo da morte.
Soltad-m’, ai, senhor, mandado
que seja traedor.
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Cruz e Sousa

Cruz e Sousa

Monja

Ó Lua, Lua triste, amargurada,
fantasma de brancuras vaporosas,
a tua nívea luz ciliciada
faz murchecer e congelar as rosas.

Nas flóridas searas ondulosas,
cuja folhagem brilha fosforeada,
passam sombras angélicas, nivosas,
lua, Monja da cela constelada.

Filtros dormentes dão aos lagos quietos,
ao mar, ao campo, os sonhos mais secretos,
que vão pelo ar, noctâmbulos, pairando...

Então, ó Monja branca dos espaços,
parece que abres para mim os braços,
fria, de joelhos, trêmula, rezando...


Publicado no livro Broquéis (1893).

In: SOUSA, Cruz e. Poesia completa. Introd. Maria Helena Camargo Régis. Florianópolis: Fundação Catarinense de Cultura, 198
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Geraldo Bessa-Victor

Geraldo Bessa-Victor

Ode à avó Capinha

Minha avó Capinha, minha avó Capinha,
hoje que morreste (que tristeza a minha!),
relembro as histórias que tu me contavas
em manhãs de chuva, nas noites de lua...
(E meu ser, magoado, perde-se, flutua
como o sonho errante das almas escravas).

Minha avó Capinha, sou eu que te peço,
conta-me o romance, conta-me o sucesso
dos teus dezoito anos (ai, onde eu estou!),
quando tu dançavas belas batucadas,
pelas noites quentes de febris queimadas,
na velha sanzala que se incendiou...

Minha avó Capinha, minha avó Capinha,
conta-me essa lenda daquela mocinha
negra, tão formosa, que numa manhã
engoliu um bago de feijão macunde
e ficou (que mágoa no meu ser se funde!)
para todo o sempre pequenina, anã.

Minha avó Capinha, hoje que morreste,
manda-me notícias da mansão celeste:
se também há ódios ou há só amor
(a descrença enorme do teu pobre neto!),
se há um Deus que é branco e outro Deus que é preto,
ou um Deus existe sem raça nem cor.
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Geraldo Bessa-Victor

Geraldo Bessa-Victor

Dia de Chuva no Mato

Chove,

E a trovoada
é um batuque incessante,
uma estranha batucada.

Os raios são setas de fogo
que mesteriosamente, em tom de guerra,
espíritos do mal lançam da Altura
para incendiar a Terra.

O vento
Ora violento, ora brando,
o vento é o cazumbi dos cazumbis
-o deus do mar, do rio e da floresta-
que vai cantando e dançando,
em tragicómica festa,
o seu coro de mil vozes,
os seus bailados febris.

As nuvens negras são virgens tontas,
quais almas do outro mundo,
errando como sonambulas
pelo céu negro e profundo...
E a chuva, constante e forte,
é o pranto (parece eterno)
dos deuses negros que a Morte
sacrificou no Inferno.
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José de Anchieta

José de Anchieta

Na Festa de São Lourenço

2o. ATO

No 2o. ato entram três diabos, que querem destruir a aldeia com
pecados, aos quais resistem São Lourenço e São Sebastião e o Anjo
da Guarda, livrando a aldeia e prendendo os diabos, cujos nomes
são: Guaixará, que é o rei; Aimbirê e Saravaia, seus criados.

Guaixará — (...)
Abá, serã, xe jabé? Quem, como eu?
Ixé serobiaripyra, Eu sou conceituado,
xe anangusú mixyra, sou o diabão assado,
Guaixará serímbae, Guaixará chamado,
Kuépe imoerapoanimbyra. por aí afamado.

(...)

Moraséia e ikatú, É bom dançar,
jeguáka, jemopiránga, adornar-se, tingir-se de
vermelho,
samongy, jetymanguánga, empenar o corpo, pintar as
pernas,
jemoúna, petymbú, fazer-se negro, fumar,
karaí moñamomoñánga... curandeirar...
Jemoyrõ, morapití, De enfurecer-se, andar
matando,
joú, tapúia rára, comer um ao outro, prender
tapuias,
aguasá, moropotára; amancebar-se, ser desonesto,
mañána, syguarajy espião, adúltero
— naipotári abá sejára. — não quero que o gentio
deixe.

Angarí Para isso
ajosúb abá koty, convivo com os índios,
texerorobiár, ujábo. induzindo-os a acreditarem em
mim.
Oú teñé xe peábo Vêm inutilmente afastar-me
"abaré" jába, kori, os tais "padres", agora,
Tupã rekó mombeguábo. apregoando a lei de Deus.
(...)
Saravaia — (...)

Chama quatro companheiros, que ajudem:
Tataurána, Tataurana,
erú ke nde mosurána! traze a tua muçurana!
Urubú, Jaguarusú, Urubu, Jaguaruçu,
ingapéma be perú! trazei também a ingapema!
Kaburé, jorí eñána Caborê, vem correndo
tobajára tiaú! comer os inimigos!

Acodem todos quatro, com suas armas, e dizem:

Tataurana — Ko xe musuranusú. Aqui está a minha muçurana
grossa.
Taú korí ijybapuéra, Eu lhe comerei os braços,
Jaguarusú juguéra, Jaguaruçu o pescoço,
iakanguéra Urubú, Urubu sua caveira,
Kaburé setymambuéra. Caborê as suas pernas.

Urubu — Ko aikó, Aqui estou,
syguepuéra tarasó vou levar as suas tripas e
bofes
iñyambebúia abé, para minha velha sogra.
xe raixó guaibi supé. Veio também a panela,
Oubé senaempepó, cozerão à minha vista.
tomoji xe renondé.

Jaguaruçu — Kobé ingape koatiára, Aqui está também a ingapema
listrada,
tajakáng mombúk murú. para quebrar-lhes as cabeças.
Iaputuúma taú. Comerei os seus miolos.
Xe aguaraguasú, jaguára. Sou o guará, a onça.
Xe jaguareté iporú! Sou jaguaretê antropófago!
Caborê — Kueisé ko aporapití, Andei por aqui derrotando,
ajurujúba jukábo, matando franceses,
uiñemoerapoangatuábo. para tornar-me famoso.
Tasó nde pyri, korí, Irei a teu lado, agora,
aipó tubixába guábo. devorar estes chefes.

(...)

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In: ANCHIETA. Poesias: manuscrito do século XVI, em português, castelhano, latim e tupi. Transcrições, trad. e notas M. de L. de Paula Martins. São Paulo: Comissão do IV Centenário da Cidade, 1954.

NOTA: Tradução da parte em tupi, por M. de L. de Paula Martin
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Alphonsus de Guimaraens

Alphonsus de Guimaraens

XII - A Passiflora

A Passiflora, flor da Paixão de Jesus,
Conserva em si, piedosa, os divinos Tormentos:
Tem cores roxas, tons magoados e sangrentos
Das Chagas Santas, onde o sangue é como luz.

Quantas mãos a colhê-la, e quantos seios nus
Vêm, suaves, aninhá-la em queixas e lamentos!
Ao tristonho clarão dos poentes sonolentos,
Sangram dentro da flor os emblemas da Cruz...

Nas noites brancas, quando a lua é toda círios,
O seu cálice é como entristecido altar
Onde se adora a dor dos eternos Martírios...

Dizem que então Jesus, como em tempos de outrora,
Entre as pétalas pousa, inundado de luar...
Ah! Senhor, a minha alma é como a passiflora!


Publicado no livro Poesias (1938). Poema integrante da série Caminho do Céu / Estrada de Jacó.

In: GUIMARAENS, Alphonsus de. Obra completa. Organização de Alphonsus de Guimaraens Filho. Introdução de Eduardo Portella. Notas biográficas de João Alphonsus. Rio de Janeiro: J. Aguilar, 1960. p. 311. (Biblioteca luso-brasileira. Série brasileira, 20).
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Raul de Leoni

Raul de Leoni

Unidade

Deitando os olhos sobre a perspectiva
Das cousas, surpreendo em cada qual
Uma simples imagem fugitiva
Da infinita harmonia universal

Uma revelação vaga e parcial
De tudo existe em cada coisa viva:
Na corrente do Bem ou na do Mal
Tudo tem uma vida evocativa.

Nada é inútil; dos homens aos insetos
Vão-se estendendo todos os aspectos
Que a idéia da existência pode ter;

E o que deslumbra o olhar é perceber
Em todos esses seres incompletos
A completa noção de um mesmo ser...


Publicado no livro Luz Mediterrânea (1922). Poema integrante da série Felicidade.

In: LEONI, Raul de. Luz mediterrânea. Pref. Rodrigo Mello Franco de Andrade. 10.ed. São Paulo: Liv. Martins, 195
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Paulo Bomfim

Paulo Bomfim

Poema das Grandes Catedrais

As grandes catedrais ressurgirão das águas,
E as aves da floresta conhecerão
A linguagem dos peixes noturnos...
As grandes catedrais ressurgirão das ondas,
Trazendo para o mundo das nuvens
As princesas sem reino coroadas de coral...
As grandes catedrais ressurgirão dos tempos,
E os homens serão crianças,
Contemplando o mar pela primeira vez!


Publicado no livro Poema do Silêncio (1954).

In: BOMFIM, Paulo. Antologia poética. São Paulo: Martins, 1962. p.3
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Eduardo Alves da Costa

Eduardo Alves da Costa

Sete Anos de Cordeiro

Sete anos de cordeiro já servia
Jacó a Lobão, pastor cruento,
que, em troca apenas do sustento
e das promessas doces que fazia,
numeroso rebanho apascentava.

E após tanto servir, dia após dia,
viu Jacó a esperança de uma vida,
nédia Raquel, a ele prometida
pelo astuto Lobão, tornar-se Lia,
num ardil mesquinho e odioso.

Fez-lhe então o pastor singela oferta:
servir mais sete anos sem protesto,
após os quais — tempo modesto —
a porteira lhe seria enfim aberta
para gozar Raquel em liberdade.

Por mui simples e também por mui cordeiro,
acedeu Jacó sem um balido.
Mas antes do prazo transcorrido,
percebeu o rebanho tão ordeiro
que Raquel era um Lobão melhor vestido.


In: COSTA, Eduardo Alves da. No caminho, com Maiakóvski. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985. (Poesia brasileira).
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Junqueira Freire

Junqueira Freire

O Remorso da Inocente

III

Cisma a virgem mansamente
Em pensamentos do céu,
Mais cândida que as rolinhas,
Mais cândida que seu véu.

E cismava: — Ai! que eu não seja
Tão pura no meu amor:
Tão pura — como este raio
Da lâmpada do Senhor! —

E cismava: — Ai! que eu não seja
Já para Deus menos bela,
Como a bonina que murcha,
Que eu arranco da capela! —

E cismava: — Ai! que eu não tenha
Um crime, sem eu saber!
Qual será? — Ontem de noite
Eu não pude adormecer! —

E cismava: — Ai! que eu não seja
Menos linda ao meu Senhor!
Já hoje eu corri do claustro:
Dos mortos tive temor... —

E cismava: — Ai! que eu não seja
Ré de um crime que eu não sei,
Bem como o inseto escondido
Na rosa qu'ontem cortei! —

Ei-la, a cisma da donzela,
Da filha da solidão.
Ei-lo, o remorso que esconde
Nas dobras do coração.


Publicado no livro Inspirações do Claustro (1855).

In: GRANDES poetas românticos do Brasil. Pref. e notas biogr. Antônio Soares Amora. Introd. Frederico José da Silva Ramos. São Paulo: LEP, 1959. v.2, p.11

NOTA: Poema composto de quatro parte
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Junqueira Freire

Junqueira Freire

A Freira

Eu jovem freira, bem triste choro
Aqui cosida co'a cruz de Deus.
Aqui sozinha, ninguém não sabe
Dos meus desejos, dos males meus.

Qual no deserto se praz a rola,
Cuidam que a freira seja feliz.
E a pobre freira, dentro da cela,
Ninguém não sabe que se maldiz.

Enquanto a vida não se desdobra,
E apenas rompe, róseo botão,
A freira insone prateia de astros,
Povoa de anjos sua solidão.

Uma palavra que ela profere
É sempre um ente que ela criou.
Uma florzinha que colhe acaso
É uma amiga que ela encontrou.

Conversa à noite co'a estrela vésper,
Ama o opaco de seu clarão.
E sente chamas que julga dores,
E o peito aperta co'a nívea mão.

Ela não sabe que a estrela vésper
Influi nas almas lascivo ardor:
Que, não sem causa, no tempo antigo,
A estrela vésper chamou-se — Amor.

A estrela vésper produz nas virgens
Estranho incêndio, vulcão fatal:
Quer seja freira — do Cristo filha,
Quer seja antiga pagã vestal.

A estrela vésper... Fugi, meninas,
Fugi dos raios do seu candor.
A estrela vésper influi volúpia,
A estrela vésper chama-se — Amor.

(...)


Publicado no livro Inspirações do Claustro (1855).

In: GRANDES poetas românticos do Brasil. Pref. e notas biogr. Antônio Soares Amora. Introd. Frederico José da Silva Ramos. São Paulo: LEP, 1959. v.2, p.25-2
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Colombina

Colombina

Espírito

Não! A verdade és tu! A tua flama pura
sobre a matéria e além dos séculos cintila!
Plasmas o sonho e dás à humana criatura
forças para vencer a própria triste argila.

Conduzes ao saber; a ti pertence a altura;
tudo que é belo vem da tua luz tranquila.
Sem ti seria o mundo uma caverna escura;
nem a morte cruel te vence ou te aniquila.

Revelação de Deus, de toda a sua imensa
sabedoria, que dizendo ao homem "Pensa!"
no cérebro lhe pôs a forja das idéias.

Sim, a verdade és tu, espírito que elevas
as criaturas; tu, que enches de luz as trevas,
transformando a miséria e a dor em epopéias!


Publicado no livro Distância: poemas de amor e de renúncia (1948). Poema integrante da série Luzes na Neblina.

In: CAVALHEIRO, Maria Thereza. Colombina e sua poesia romântica e erótica: esboço biográfico e seleção de poemas. São Paulo: J. Scortecci, 1987. p.33-10
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