Beleza
Poemas neste tema
Neide Archanjo
A gota
A gota
se desloca do rio de gotas
e antes de mergulhar
ávida
na minha mão
recolhe um momento
de diamante ou de cristal.
Poema integrante da série Fragmentos.
In: ARCHANJO, Neide. Escavações. Pref. Carlos Felipe Moisés. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980. (Poiesis)
se desloca do rio de gotas
e antes de mergulhar
ávida
na minha mão
recolhe um momento
de diamante ou de cristal.
Poema integrante da série Fragmentos.
In: ARCHANJO, Neide. Escavações. Pref. Carlos Felipe Moisés. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980. (Poiesis)
1 082
Afrânio Peixoto
Anch'io
Na poça de lama
Como no divino céu,
Também passa a lua.
In: PEIXOTO, Afrânio. Miçangas: poesia e folclore. São Paulo: Ed. Nacional, 1931. p. 24
Como no divino céu,
Também passa a lua.
In: PEIXOTO, Afrânio. Miçangas: poesia e folclore. São Paulo: Ed. Nacional, 1931. p. 24
1 174
Paulo Bomfim
XXVI [As flores falam perfumes
As flores falam perfumes
E pensam cor...
Poema integrante da série Prelúdios de Inverno.
In: BOMFIM, Paulo. Sinfonia branca. São Paulo: Martins, 1955
E pensam cor...
Poema integrante da série Prelúdios de Inverno.
In: BOMFIM, Paulo. Sinfonia branca. São Paulo: Martins, 1955
1 626
Capinan
Bandeira de Brasil
Terra
Vê a cana verde,
o nascer do céu, ô.
Verde mar,
Maracanã,
onde há progresso
fica o mato em paz.
Campo
Verde, bananeira,
amarela fruta
do Brasil azul, ô.
Ouro
Vê em cada estrela
brilha a nossa terra,
terra brasileira.
In: RÁ TIM BUM. São Paulo: Estúdio Eldorado, s.d. 1 CD
NOTA: Letra tirada do encarte que acompanha o C
Vê a cana verde,
o nascer do céu, ô.
Verde mar,
Maracanã,
onde há progresso
fica o mato em paz.
Campo
Verde, bananeira,
amarela fruta
do Brasil azul, ô.
Ouro
Vê em cada estrela
brilha a nossa terra,
terra brasileira.
In: RÁ TIM BUM. São Paulo: Estúdio Eldorado, s.d. 1 CD
NOTA: Letra tirada do encarte que acompanha o C
1 340
Edgar Allan Poe
To Elizabeth
Would'st thou be loved? — then let thy heart
From its present pathway part not —
Be every thing which now thou art
And nothing which thou art not:
So with the world thy gentle ways,
And unassuming beauty
Shall be a constant theme of praise,
And love — a duty.
From its present pathway part not —
Be every thing which now thou art
And nothing which thou art not:
So with the world thy gentle ways,
And unassuming beauty
Shall be a constant theme of praise,
And love — a duty.
1 147
Edgar Allan Poe
Lines Written in an Album
Eliza! — let thy generous heart
From its present pathway part not!
Being every thing which now thou art,
Be nothing which thou art not.
So with the world thy gentle ways,
Thy unassuming beauty,
And truth shall be a theme of praise,
Forever — and love a duty.
1835
From its present pathway part not!
Being every thing which now thou art,
Be nothing which thou art not.
So with the world thy gentle ways,
Thy unassuming beauty,
And truth shall be a theme of praise,
Forever — and love a duty.
1835
1 070
Edgar Allan Poe
To
Fair maiden, let thy generous heart
From its present pathway part not!
Being every thing which now thou art,
Be nothing which thou art not.
So with the world thy gentle ways,
Thy unassuming beauty,
Thy truth — shall be a theme of praise,
Forever — and love a duty.
1839
From its present pathway part not!
Being every thing which now thou art,
Be nothing which thou art not.
So with the world thy gentle ways,
Thy unassuming beauty,
Thy truth — shall be a theme of praise,
Forever — and love a duty.
1839
1 000
Edgar Allan Poe
Impromptu To Kate Carol
When from your gems of thought I turn
To those pure orbs, your heart to learn,
I scarce know which to prize most high —
The bright i-dea, or the bright dear-eye.
1845
To those pure orbs, your heart to learn,
I scarce know which to prize most high —
The bright i-dea, or the bright dear-eye.
1845
1 081
Paulo Leminski
nada que o sol
nada que o sol
não explique
tudo que a lua
mais chique
não tem chuva
que desbote essa flor
não explique
tudo que a lua
mais chique
não tem chuva
que desbote essa flor
4 152
Paulo Leminski
Aço e Flor
Quem nunca viu
que a flor, a faca e a fera
tanto fez como tanto faz,
e a forte flor que a faca faz
na fraca carne,
um pouco menos, um pouco mais,
quem nunca viu
a ternura que vai
no fio da lâmina samurai,
esse, nunca vai ser capaz.
que a flor, a faca e a fera
tanto fez como tanto faz,
e a forte flor que a faca faz
na fraca carne,
um pouco menos, um pouco mais,
quem nunca viu
a ternura que vai
no fio da lâmina samurai,
esse, nunca vai ser capaz.
4 178
Paulo Leminski
Haicai
a estrela cadente
me caiu ainda quente
na palma da mão
cortinas de seda
o vento entra
sem pedir licença
me caiu ainda quente
na palma da mão
cortinas de seda
o vento entra
sem pedir licença
3 115
Luís Vianna
À MULHER FEIA
Mulher exótica
É aquela
Que em sua fealdade
É bela.
Tão Magricela
Que encanta,
Quase quebra
Enquanto anda.
Não tem barriga,
Nem seios.
Dou-lhe uma chance,
Belos cabelos.
Nariz pontudo,
Rosto quadrado;
E o quadril?
Maracujá chupado.
10/10/2000
É aquela
Que em sua fealdade
É bela.
Tão Magricela
Que encanta,
Quase quebra
Enquanto anda.
Não tem barriga,
Nem seios.
Dou-lhe uma chance,
Belos cabelos.
Nariz pontudo,
Rosto quadrado;
E o quadril?
Maracujá chupado.
10/10/2000
1 301
Carlos Seabra
O amar do mar
boca do mar
beijo de sal
lábios da praia
pele de areia
língua de rio
decote de dunas
seios de ilhas
abraço do sol
correntes de desejo
cheiro de algas
ondas de prazer
espuma que rebenta
gemidos das gaivotas
gozo das nuvens
céu que se funde
no azul do mar
beijo de sal
lábios da praia
pele de areia
língua de rio
decote de dunas
seios de ilhas
abraço do sol
correntes de desejo
cheiro de algas
ondas de prazer
espuma que rebenta
gemidos das gaivotas
gozo das nuvens
céu que se funde
no azul do mar
1 213
Rafael Alberti
Pregão
Vendo nuvens de cores!
as redondas, vermelhas,
para suavizar os calores!
Vendo os cirros arroxeados
e rosas, as alvoradas,
os crepúsculos dourados!
O amarelo astro,
colhido o verde ramo
do celeste pessegueiro!
Vendo a neve, a chama
e o canto do pregoeiro!
as redondas, vermelhas,
para suavizar os calores!
Vendo os cirros arroxeados
e rosas, as alvoradas,
os crepúsculos dourados!
O amarelo astro,
colhido o verde ramo
do celeste pessegueiro!
Vendo a neve, a chama
e o canto do pregoeiro!
1 286
Maria Ângela Alvim
Há uma rosa caída
Há uma rosa caída
Morta
há uma rosa caída
Bela
Há uma rosa caída
Rosa
Morta
há uma rosa caída
Bela
Há uma rosa caída
Rosa
4 071
Angela Santos
Serenidade
Sobre
areias finas
a deusa adormecida
lembra uma esfinge viva
serenamente abandonada
em seu sono
Indiferente
às tempestades de luz
que o seu sonho assaltam
a deusa toda se ilumina
com as odes de sol que
da alma emanam
E deitada
sobre areias brancas
serena, despertará
iluminada
areias finas
a deusa adormecida
lembra uma esfinge viva
serenamente abandonada
em seu sono
Indiferente
às tempestades de luz
que o seu sonho assaltam
a deusa toda se ilumina
com as odes de sol que
da alma emanam
E deitada
sobre areias brancas
serena, despertará
iluminada
1 282
Sylvia Plath
Criança
O olho claro é a coisa mais bonita em você.
Quem dera enchê-lo de patos e cores,
Zôo do novo,
Nomes em que você pensa –
Campânula-de-abril, Cachimbo-de-índio,
Pequenino
Caule sem espinhos,
Lago em cujas margens, imagens
Pudessem ser clássicas e imensas
Não esse tenso
Torcer de mãos, esse teto
Escuro e sem estrela.
Quem dera enchê-lo de patos e cores,
Zôo do novo,
Nomes em que você pensa –
Campânula-de-abril, Cachimbo-de-índio,
Pequenino
Caule sem espinhos,
Lago em cujas margens, imagens
Pudessem ser clássicas e imensas
Não esse tenso
Torcer de mãos, esse teto
Escuro e sem estrela.
1 181
Angela Santos
De Profundis
Diante
da Beleza, do Amor, de Deus
emudecemos
As palavras são excrescências
e despropositadas vêm
invadir a densa profundidade do silêncio
onde se vive a dimensão do essencial.
da Beleza, do Amor, de Deus
emudecemos
As palavras são excrescências
e despropositadas vêm
invadir a densa profundidade do silêncio
onde se vive a dimensão do essencial.
926
Angela Santos
Epifania
Des-obliterando uma palavra
corre, expande-se significante
invade as horas e os murmúrios
enquanto o mundo
no inquietante da sua
fácies
se revela
Azuís
imensamente azuís
os olhos da menina
o quotidiano lodo atravessam
e um instante... um instante único
o imundo lava
nas águas do perfeito azul
de uns olhos de criança
corre, expande-se significante
invade as horas e os murmúrios
enquanto o mundo
no inquietante da sua
fácies
se revela
Azuís
imensamente azuís
os olhos da menina
o quotidiano lodo atravessam
e um instante... um instante único
o imundo lava
nas águas do perfeito azul
de uns olhos de criança
1 032
Almandrade
IV
O umbigo transborda
o éter
alva, lisa
sem marca
de cansaço
epiderme de mulher
o mar do nome
doce, leve
peixe
a dança refresca
o belo namora
a boca e as pernas.
o éter
alva, lisa
sem marca
de cansaço
epiderme de mulher
o mar do nome
doce, leve
peixe
a dança refresca
o belo namora
a boca e as pernas.
916
Reinaldo Ferreira
Tractor, Deus desta Idade
Tractor, Deus desta Idade,
Não poupa as rosas inúteis.
E esmaga nelas, tão fúteis,
A outra finalidade
Das coisas, desde o início
Criadas para que houvesse
Horas de paz no bulício
Em que a existência acontece.
Não poupa as rosas inúteis.
E esmaga nelas, tão fúteis,
A outra finalidade
Das coisas, desde o início
Criadas para que houvesse
Horas de paz no bulício
Em que a existência acontece.
1 733
Nelson Motta
Fetixe
axo um luxo
essa sua vox de bruxa
nesa cara de fada safada
e xic.
essa sua vox de bruxa
nesa cara de fada safada
e xic.
1 143
Nana Corrêa de Lima
São Tomé das Letras
São Tomé das Letras
Me calo frente ao teu verde.
Pedra ramada verde-amarela.
Fonte telúrica,
No seio da serra.
Me calo frente ao teu verde.
Pedra ramada verde-amarela.
Fonte telúrica,
No seio da serra.
1 390
Francisco Tribuzi
O Museu e a Ponte
Lá dentro guardam-se histórias...
Aqui fora a ponte guarda em segredo
os vultos que adentraram as glórias
e as memórias dos gestos sem medo.
De cada ângulo vista
como que a jorrar passado
a ponte em si despista
o conteúdo sonhado.
E o que ela inspira:
estética e formusura
traduz o belo que delira
em gesto e arquitetura.
Aqui fora a ponte guarda em segredo
os vultos que adentraram as glórias
e as memórias dos gestos sem medo.
De cada ângulo vista
como que a jorrar passado
a ponte em si despista
o conteúdo sonhado.
E o que ela inspira:
estética e formusura
traduz o belo que delira
em gesto e arquitetura.
798
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