Dor e Desespero
Poemas neste tema
Renato Russo
Love Song
Pois nasci nunca vi Amor
e ouço del sempre falar
Pero sei que me quer matar
mais rogarei a mia senhor
que me mostr aquel matador
ou que m ampare del melhor
e ouço del sempre falar
Pero sei que me quer matar
mais rogarei a mia senhor
que me mostr aquel matador
ou que m ampare del melhor
879
Orlando Neves
1954
Este rosto de hoje,
assim triste, assim magro,
é a memória.
Estas mãos de hoje,
assim vãs, asssssim frias,
são o silêncio.
Esta boca de hoje,
assim branca, assim breve,
é a ausência.
Este olhar de hoje,
assim ágil, assim mudo,
é o cansaço.
Este corpo de hoje,
assim remoto, assim seco,
é apenas um grito
de socorro.
assim triste, assim magro,
é a memória.
Estas mãos de hoje,
assim vãs, asssssim frias,
são o silêncio.
Esta boca de hoje,
assim branca, assim breve,
é a ausência.
Este olhar de hoje,
assim ágil, assim mudo,
é o cansaço.
Este corpo de hoje,
assim remoto, assim seco,
é apenas um grito
de socorro.
989
Noel de Arriaga
Circuito Fechado
Já regressei da viagem
Que me deixou no peito
Estranha tatuagem.
Marcada a ferro e fogo,
Mal que ma destinaram
Eu aceitei-a logo.
É glorioso sentir
A carne trespassada
Sem Missão a cumprir.
Sofrer só por sofrer,
Negando a covardia
Dum pretexto qualquer.
Que me deixou no peito
Estranha tatuagem.
Marcada a ferro e fogo,
Mal que ma destinaram
Eu aceitei-a logo.
É glorioso sentir
A carne trespassada
Sem Missão a cumprir.
Sofrer só por sofrer,
Negando a covardia
Dum pretexto qualquer.
992
Maria de Lourdes Hortas
Fado Noturno
Cala-te porque não sabes
dos comboios que passaram
nos carris do mar sem naves
onde os sonhos se mataram.
Cala-te porque insone
nas noites adormecidas
tecelã teci teu nome
de estrelas destecidas.
Sobre o mar morto contemplo
minha vida em agonia
minha saudade é um templo
onde rezo cada dia.
dos comboios que passaram
nos carris do mar sem naves
onde os sonhos se mataram.
Cala-te porque insone
nas noites adormecidas
tecelã teci teu nome
de estrelas destecidas.
Sobre o mar morto contemplo
minha vida em agonia
minha saudade é um templo
onde rezo cada dia.
906
Maria de Lourdes Hortas
Estações
Poderia afogar-me
na silente cisterna de lágrimas
léguas de um longo tempo extraviado
quando o mar recua
para ermo horizonte
de incompletude e inesperança.
Todavia há marés que me resgatam
réstia de luz por instantes ferindo
a silente espessura da lembrança.
na silente cisterna de lágrimas
léguas de um longo tempo extraviado
quando o mar recua
para ermo horizonte
de incompletude e inesperança.
Todavia há marés que me resgatam
réstia de luz por instantes ferindo
a silente espessura da lembrança.
969
Manuel J. Reis
sem título
Havia
um menino
que procurava
a estrela
mais clara da noite.
E encontrou
na noite
a forma mais clara
da dor.
um menino
que procurava
a estrela
mais clara da noite.
E encontrou
na noite
a forma mais clara
da dor.
710
Mário Dionísio
As Solicitações e Emboscadas
Pode-se pintar com óleo
com petróleo
ou aguarrás
Mas pode-se também pintar com lágrimas
silenciosas
No desprezo das horas odiosas
tanto faz
com petróleo
ou aguarrás
Mas pode-se também pintar com lágrimas
silenciosas
No desprezo das horas odiosas
tanto faz
1 815
Mário Donizete Massari
Sinos
Os sinos batem
e bate em meu peito
uma dor profunda
Outrora, este sinos
me pareciam amigos
anunciando com a morte
o nascimento do mundo
Mas hoje, eles batem
E a minha dor é profunda
a dor de perder,
parte do meu mundo.
e bate em meu peito
uma dor profunda
Outrora, este sinos
me pareciam amigos
anunciando com a morte
o nascimento do mundo
Mas hoje, eles batem
E a minha dor é profunda
a dor de perder,
parte do meu mundo.
865
Maria Aparecida Reis Araújo
Passos
Do exílio à execração
o tempo se extingue
abrindo caminho de urzes.
do lenho à caída, holocausto
sangra sudário suor e sede.
E desde a profecia sem limites, o amor.
o tempo se extingue
abrindo caminho de urzes.
do lenho à caída, holocausto
sangra sudário suor e sede.
E desde a profecia sem limites, o amor.
893
Marcelo Almeida de Oliveira
Adormecendo
O cansaço é tanto
que as lágrimas saem da pena
em camera lenta.
.
.
.
Tudo é turvo
até o estorvo.
.
.
.
Não tenho mais forças
para fingir.
que as lágrimas saem da pena
em camera lenta.
.
.
.
Tudo é turvo
até o estorvo.
.
.
.
Não tenho mais forças
para fingir.
861
Mário Hélio
46-III-(Feitura)
criança magra e feia
homem brabo e feio
mulher velha e feia
criança inesperança
homem sem ânsia
mulher sem crença
e tudo horrendo e feio
alma feia deus feio
homem brabo e feio
mulher velha e feia
criança inesperança
homem sem ânsia
mulher sem crença
e tudo horrendo e feio
alma feia deus feio
1 008
Mário Hélio
26-VI(Expássaro)
ícaro sem asa
pássaro sem casa
trovador
trova
dor
a
caro em as
ássaro em asa
rovador
rova
or
a v
aro ma
ssaro m sa
ovador
ova
r
a vi
ros
saro as
vador
va
a v id
o s
aro s
a dor
a
a v id a
o
aro
a or
a vida a
a
a
a vida a v
a
a vida a vi
a vida: ávida ave do ar
pássaro sem casa
trovador
trova
dor
a
caro em as
ássaro em asa
rovador
rova
or
a v
aro ma
ssaro m sa
ovador
ova
r
a vi
ros
saro as
vador
va
a v id
o s
aro s
a dor
a
a v id a
o
aro
a or
a vida a
a
a
a vida a v
a
a vida a vi
a vida: ávida ave do ar
859
Mário Hélio
33-III-(Bird)
a fragata espera na porta do circo
lábicos tão fechados
bocas entreabertas a ponto de gritar
a fraca esperança espera na porta do coração
lábios tão fechados
bocas entreabertas a ponto de gritar
mas não há gritos
nem haverá
lábicos tão fechados
bocas entreabertas a ponto de gritar
a fraca esperança espera na porta do coração
lábios tão fechados
bocas entreabertas a ponto de gritar
mas não há gritos
nem haverá
951
Mário Hélio
21-I-(As fezes da festa)
hoje derramamos
o líquido e a lágrima,
amanhã beberemos
o sangue e o suor de sempre.
o líquido e a lágrima,
amanhã beberemos
o sangue e o suor de sempre.
939
Jorge Lescano
Inverno
Ao amanhecer
grita o quero-quero
sobre a geada.
A mulher abraça
a garrafa de cachaça.
Miserável casaco.
grita o quero-quero
sobre a geada.
A mulher abraça
a garrafa de cachaça.
Miserável casaco.
968
Laura Amélia Damous
Horto das Oliveiras
As feras estão insones
Tigres espreitam a certeza
do sangue fresco.
Quieto, irmão,
esta é a hora da agonia
Tigres espreitam a certeza
do sangue fresco.
Quieto, irmão,
esta é a hora da agonia
977
Laura Amélia Damous
Papagaio
Trituro esta dor
socada em pilão
como tia Ana do grão
gerava o café
Trituro esta dor
e faço cerol
para untar a linha
que nos partirá
socada em pilão
como tia Ana do grão
gerava o café
Trituro esta dor
e faço cerol
para untar a linha
que nos partirá
870
Laura Amélia Damous
Circo
Avanço e recuo
ao estalido da dor
Me curvo
para os aplausos da platéia
Alguém pede bis
Sangro até morrer
ao estalido da dor
Me curvo
para os aplausos da platéia
Alguém pede bis
Sangro até morrer
815
Valéry Larbaud
Descuido
Mergulhei por descuido teus olhos
Em outros mares, em outros vinhos:
Perigosas paisagens, proibidas,
Que desfazem seus próprios caminhos.
Hoje, mais nada sabemos, loucos
E bêbados náufragos de um sonho.
Os nossos silêncios estão roucos
De tanto nos ferirmos. Choramos.
Que outros céus acolham nossos corpos.
Em outros mares, em outros vinhos:
Perigosas paisagens, proibidas,
Que desfazem seus próprios caminhos.
Hoje, mais nada sabemos, loucos
E bêbados náufragos de um sonho.
Os nossos silêncios estão roucos
De tanto nos ferirmos. Choramos.
Que outros céus acolham nossos corpos.
752
Luiz Ademir Souza
Favilla 2
ASSALTO. Droga de poder?
Nos ministérios
fervilha
a febre de poder
Favilla é o Brasil.
Nobrasil
mágoa de quebranto se instala.
Fervilham o homem
a guerrilha urbana
A DOR
Onde está o homem?
-claro,no Brasil.
Nos ministérios
fervilha
a febre de poder
Favilla é o Brasil.
Nobrasil
mágoa de quebranto se instala.
Fervilham o homem
a guerrilha urbana
A DOR
Onde está o homem?
-claro,no Brasil.
955
Myriam Fraga
Inquisição
Costuraram sua boca
Com alfinetes
E ele dizia que NÃO
E perguntavam.
E cortaram seus dedos
E o lançaram
Bem no fundo do poço
E ele dizia que não, que não, que não
E seus cabelos cresciam como chamas.
Com alfinetes
E ele dizia que NÃO
E perguntavam.
E cortaram seus dedos
E o lançaram
Bem no fundo do poço
E ele dizia que não, que não, que não
E seus cabelos cresciam como chamas.
1 338
Isabel Machado
Constantemente
Será constante
esta dor navegante
assolada no peito
que impede a entrega a um beijo
qualquer
que sufoca a loucura mais louca
de uma mulher?!
Será constante
o impedimento inquietante
de qualquer entrega mais ardente
ou provocante?!
Serás constantemente
constante?!
esta dor navegante
assolada no peito
que impede a entrega a um beijo
qualquer
que sufoca a loucura mais louca
de uma mulher?!
Será constante
o impedimento inquietante
de qualquer entrega mais ardente
ou provocante?!
Serás constantemente
constante?!
786
Helena Ortiz
Soco
essa lágrima que dói
esse sufoco
essa boca seca
sempre esse eco
no espaço chumbo
esse galho
que escurece
e cai
esse sufoco
essa boca seca
sempre esse eco
no espaço chumbo
esse galho
que escurece
e cai
943
Helena Ortiz
Esperando a Hora
não ouço mais teus gritos
não corro mais atrás de ti
não te abraço
não gozo teu riso
não me espanto
trago em mim esse grito
que não rompe
esse tédio de sala de espera
quieta
onde minha ficha é a última
e talvez não haja tempo para hoje
não corro mais atrás de ti
não te abraço
não gozo teu riso
não me espanto
trago em mim esse grito
que não rompe
esse tédio de sala de espera
quieta
onde minha ficha é a última
e talvez não haja tempo para hoje
1 028
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