Arte
Poemas neste tema
Mário Donizete Massari
Fácil
É tão fácil ser poeta,
falar da noite,
falar do dia.
É tão fácil ser poeta,
imaginar amores,
viver ilusões.
Difícil é ser poema
e versos brancos
de rima triste.
falar da noite,
falar do dia.
É tão fácil ser poeta,
imaginar amores,
viver ilusões.
Difícil é ser poema
e versos brancos
de rima triste.
853
António Manuel Couto Viana
Poesia
Com a mão alada procuroO emocional desenho puro:A linha é frágil; o verso é duro.
A claridade dos cimos!Por alcançar nos desmedimos:Turvam a fonte os humanos limos.
Fique meu gesto suspensoComo o branco sinal dum lençoPor sobre o mundo noturno e imenso.
A claridade dos cimos!Por alcançar nos desmedimos:Turvam a fonte os humanos limos.
Fique meu gesto suspensoComo o branco sinal dum lençoPor sobre o mundo noturno e imenso.
1 414
Mário Donizete Massari
Primeira Vez
Um dia João
resolveu sair
do seu silêncio
e em frente à fábrica
pôs-se a recitar poesias
era hora do almoço . . .
barriga vazia
Todos olhavam-no
admirados
negavam-se a acreditar
que aquele fosse
"o joão de todos os dias"
Foi alvo das atenções
pela primeira vez na vida
resolveu sair
do seu silêncio
e em frente à fábrica
pôs-se a recitar poesias
era hora do almoço . . .
barriga vazia
Todos olhavam-no
admirados
negavam-se a acreditar
que aquele fosse
"o joão de todos os dias"
Foi alvo das atenções
pela primeira vez na vida
885
Mário Donizete Massari
A voz do louco I
Ao amigo e artista plástico Laudo
A minha loucura
é sã
brota das feridas
de uma vida consumida.
A minha loucura
é mágoa,
de ver uma terra fértil
sem ser partida.
A minha loucura
é viva,
germina a cada momento,
na lucidez do dia a dia.
A minha loucura
é sã
brota das feridas
de uma vida consumida.
A minha loucura
é mágoa,
de ver uma terra fértil
sem ser partida.
A minha loucura
é viva,
germina a cada momento,
na lucidez do dia a dia.
887
Mário Donizete Massari
Muito pouco
Todo sonho é pouco
Todo esforço é pouco
— para vivermos esta vida.
O poeta
derrama seus versos
na avenida,
São versos tristes.
Ele (como qualquer pessoa)
sabe
que o nada é tudo
perante o povo
e que o pouco é tudo
que se consegue.
E ele grita seus versos
para um mundo
louco e sem ouvidos.
Todo esforço é pouco
— para vivermos esta vida.
O poeta
derrama seus versos
na avenida,
São versos tristes.
Ele (como qualquer pessoa)
sabe
que o nada é tudo
perante o povo
e que o pouco é tudo
que se consegue.
E ele grita seus versos
para um mundo
louco e sem ouvidos.
887
Mário Dionísio
As Solicitações e Emboscadas
Pode-se pintar com óleo
com petróleo
ou aguarrás
Mas pode-se também pintar com lágrimas
silenciosas
No desprezo das horas odiosas
tanto faz
com petróleo
ou aguarrás
Mas pode-se também pintar com lágrimas
silenciosas
No desprezo das horas odiosas
tanto faz
1 817
Maurício B. Moisés
Fotografia
A natureza sendo uma fotografia viva
Torna a fotografia uma natureza morta.
Mesmo assim ambas são belas,
Pois uma é a nossa vida,
E a outra a lembrança dela.
Torna a fotografia uma natureza morta.
Mesmo assim ambas são belas,
Pois uma é a nossa vida,
E a outra a lembrança dela.
522
Sérgio Mattos
Independência
O sonho do poeta
não pode ser vendido
nem o amor, comprado.
O meu sonho e o meu amor
sobrevivem nesta sociedade artificial,
regida pela economia de mercado,
cheia de inflação e corrupção,
porque não precisam de autorização oficial.
não pode ser vendido
nem o amor, comprado.
O meu sonho e o meu amor
sobrevivem nesta sociedade artificial,
regida pela economia de mercado,
cheia de inflação e corrupção,
porque não precisam de autorização oficial.
843
Marta Gonçalves
Nuvens Brancas
Cavalos vermelhos voam no espaço
nuvens brancas desenham carneiros
o perfume da terra espera o homem
o homem quer sementes adubadas
plasmando o ar.
O poeta, de sandália azul, cobre a alma
com penas de pássaros.
nuvens brancas desenham carneiros
o perfume da terra espera o homem
o homem quer sementes adubadas
plasmando o ar.
O poeta, de sandália azul, cobre a alma
com penas de pássaros.
946
Mário Hélio
26-VI(Expássaro)
ícaro sem asa
pássaro sem casa
trovador
trova
dor
a
caro em as
ássaro em asa
rovador
rova
or
a v
aro ma
ssaro m sa
ovador
ova
r
a vi
ros
saro as
vador
va
a v id
o s
aro s
a dor
a
a v id a
o
aro
a or
a vida a
a
a
a vida a v
a
a vida a vi
a vida: ávida ave do ar
pássaro sem casa
trovador
trova
dor
a
caro em as
ássaro em asa
rovador
rova
or
a v
aro ma
ssaro m sa
ovador
ova
r
a vi
ros
saro as
vador
va
a v id
o s
aro s
a dor
a
a v id a
o
aro
a or
a vida a
a
a
a vida a v
a
a vida a vi
a vida: ávida ave do ar
859
Leão Moysés Zagury
Nascimento
O poema debate-se por existir.
Existir!
Inicia-se um sonho, uma luta.
O herói das palavras,
a poetar burila-o.
.................................................
A caneta àvida,
desvirginando o papel,
imprime traços
vigor,
forma,
vida!
Existir!
Inicia-se um sonho, uma luta.
O herói das palavras,
a poetar burila-o.
.................................................
A caneta àvida,
desvirginando o papel,
imprime traços
vigor,
forma,
vida!
774
Laura Amélia Damous
Quiromancia
A mão do poema
é a que me cabe
inteira
A outra,
eu a carrego,
pesada e alheia.
é a que me cabe
inteira
A outra,
eu a carrego,
pesada e alheia.
1 103
Laura Amélia Damous
Circo
Avanço e recuo
ao estalido da dor
Me curvo
para os aplausos da platéia
Alguém pede bis
Sangro até morrer
ao estalido da dor
Me curvo
para os aplausos da platéia
Alguém pede bis
Sangro até morrer
815
José de Oliveira Falcon
Sonata Urbana
a flauta mesmo em silêncio
fabrica seu mel de fábula;
o míssil mamom e a massa
carvão diurno de praga
modula a flauta no asfalto
onde um bêbado declama
seu lirismo contra a lama
e esse luar contra o salto
ou se achas mais sensato
e tua raiva reclama
cospe o lirismo na lama
atira a flauta no asfalto
fabrica seu mel de fábula;
o míssil mamom e a massa
carvão diurno de praga
modula a flauta no asfalto
onde um bêbado declama
seu lirismo contra a lama
e esse luar contra o salto
ou se achas mais sensato
e tua raiva reclama
cospe o lirismo na lama
atira a flauta no asfalto
1 022
J.Cardia
Comendo pedras
Comendo pedras
mascando ervas
danou-se cão.
Ladrou e mordeu.
Poetas
vivem assim ação.
mascando ervas
danou-se cão.
Ladrou e mordeu.
Poetas
vivem assim ação.
874
J.Cardia
Bailarinos
Bailarinos
rodopiam
nus,
à brisa do lago
Nenúfares
rodopiam
nus,
à brisa do lago
Nenúfares
923
J.Cardia
Busco musgos
Busco musgos
nos bosques noturnos.
Olvidei o Carnaval. Não sei.
Louca fantasia
esta de poeta
no mero confete
da palavra.
Bailam serpentinas.
Desatino.
nos bosques noturnos.
Olvidei o Carnaval. Não sei.
Louca fantasia
esta de poeta
no mero confete
da palavra.
Bailam serpentinas.
Desatino.
819
João Dummar
Travessia
A poesia é generosa
e deve ser proclamada
sem medos
quebrando o silêncio
ecoando na solidão
deve ser vela enfunada
na embarcação da existência
nos conduzindo pelos mares
pelos riscos e perigos
na direção do porto
ponto distante
que a vista começa a desvendar.
e deve ser proclamada
sem medos
quebrando o silêncio
ecoando na solidão
deve ser vela enfunada
na embarcação da existência
nos conduzindo pelos mares
pelos riscos e perigos
na direção do porto
ponto distante
que a vista começa a desvendar.
1 001
João Bosco da Encarnação
O poema!
O poema!
O poema!
O que aconteceu
que ninguém leu,
nem mesmo eu?
O poema!
O que aconteceu
que ninguém leu,
nem mesmo eu?
929
José Eduardo Mendes Camargo
Coisas Minhas
As minhas palavras, por
vezes, quando amealhadas,
os amigos chamam de poesia.
As minhas emoções, quando
se refletem em expressão, alguns
dizem: é poeta ou é homem de paixão.
Mas, na realidade, é com palavras
e emoção que, de inspiração em
inspiração, faço da vida uma canção.
vezes, quando amealhadas,
os amigos chamam de poesia.
As minhas emoções, quando
se refletem em expressão, alguns
dizem: é poeta ou é homem de paixão.
Mas, na realidade, é com palavras
e emoção que, de inspiração em
inspiração, faço da vida uma canção.
618
Heitor C. Gonçalves
Menestréis
Quão enfadonho
Seria
Todo o trabalho
Da formiga
Não fosse
O canto
da cigarra
Seria
Todo o trabalho
Da formiga
Não fosse
O canto
da cigarra
826
Fernando Cereja
Poesiar
poesiar
é beber
das
palavras
sentindo
o gosto
do copo.
é beber
das
palavras
sentindo
o gosto
do copo.
977
Urhacy Faustino
exposição de desmotivos ou imposição de motivos
Não há porque amar Dante
se é Rilke quem me seduz.
Não há porque amar Michelangelo
se são Monet, Miró e Van Gogh
que fascinam as meninas
— dos meus olhos.
Não há porque amar Charllote
se é Emily que me tem por horas.
Não há porque explicar a obra de arte.
Muito menos o amor.
se é Rilke quem me seduz.
Não há porque amar Michelangelo
se são Monet, Miró e Van Gogh
que fascinam as meninas
— dos meus olhos.
Não há porque amar Charllote
se é Emily que me tem por horas.
Não há porque explicar a obra de arte.
Muito menos o amor.
736
Eolo Yberê Líbera
Barroco de Minas
O espírito de Bach sobre Ouro Preto
Vivaldi pairando sobre o portal do Carmo
(os três anjos do Aleijadinho saem correndo
chamando o mestre)
Vivaldi pairando sobre o portal do Carmo
(os três anjos do Aleijadinho saem correndo
chamando o mestre)
903
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