Amor Romântico

Poemas neste tema

Ruy Belo

Ruy Belo

Pôr do Sol na Boa-Nova

Mar alma na tarde morta
que cortas dedos na luz
abro-me todo: sou porta
que só contigo transpus


Ruy Belo | "Obra Poética de Ruy Belo" - Vol. 1, pág. 49 | Editorial Presença Lda., 1984
1 136
Jorge Luis Borges

Jorge Luis Borges

Gunnar Thorgilsson (1816-1879)

La memoria del tiempo
está llena de espadas y de naves
y de polvo de imperios
y de rumor de hexámetros
y de altos caballos de guerra
y de clamores y de Shakespeare.
Yo quiero recordar aquel beso
con el que me besabas en Islandia.


"Historia de la noche" (1977)


Jorge Luis Borges | "Poesía Completa", pág. 491 | Debolsillo, 3ª. edição, 2016
1 409
Sophia de Mello Breyner Andresen

Sophia de Mello Breyner Andresen

O Rei de Chipre

Se não fosse o amor que tudo esconde
Sob o excessivo tumulto do seu corpo
Nem fosse a solidão que tudo esfria
Como pequena pedra que irradia

Mas antes um lugar de transparência
E o rei de Chipre tão só a companhia
E a clareza do trigo em sua face
Como quem só em ilhas habitasse
1 896
Sophia de Mello Breyner Andresen

Sophia de Mello Breyner Andresen

Os Nossos Dedos Abriram Mãos Fechadas

Os nossos dedos abriram mãos fechadas
Cheias de perfume
Partimos à aventura através de vozes e de gestos
Pressentimos paixões como paisagens
E cada corpo era um caminho.
Mas um se ergueu tomando tudo
E escorreram asas dos seus braços.

Florestas, pântanos e rios,
Viajámos imóveis debruçados,
Enquanto o céu brilhava nas janelas.

E a cidade partiu como um navio
Através da noite.
2 007
Sophia de Mello Breyner Andresen

Sophia de Mello Breyner Andresen

No Mais Secreto

No mais secreto de Junho e de folhagens
Ou interior de flor secretamente
Rosto sob o choupo à luz das luas
Rosto do meu rosto exactamente
Espelho quasi onde me vi de frente
E deslizamos pelo rio como um barco
2 094
Sophia de Mello Breyner Andresen

Sophia de Mello Breyner Andresen

Poema de Amor de António E de Cleópatra

Pelas tuas mãos medi o mundo
E na balança pura dos teus ombros
Pesei o ouro do Sol e a palidez da Lua.
3 370
Susana Thénon

Susana Thénon

Ser

Morder teu significado
Nesta escala de magnitudes
Inateráveis.
Ser, ao extremo
de teu meridiano,
um ponto,
um breve sinal
peregrino por tuas fronteiras.
Desfazer teu limite,
afundar em tua sonora latitude,
reconhecer um por um teus portos
e nomeá-los por seus nomes.
874
Susana Thénon

Susana Thénon

Inferno

Acredita no ódio
que joga veneno em seu lábio?
Acredita no rancor
que te morde até diluir seu inferno?
Acredita na lenda
dos polos opostos
e nesta adorável mentira
da inimizade entre água e azeite?
Hoje?
quando o amor se disfarça de ódio
para sobreviver,
quando o carrasco chora
atrás da morte
e deus descansa?
783
Manuel António Pina

Manuel António Pina

Os joelhos

Os teus joelhos dedicados como bichos

Tão exactamente debaixo da mesa guardas os joelhos!



Manuel António Pina | "Todas as palavras - poesia reunida 1974-2011", pág. 50 | Assírio & Alvim, 2012

1 463
Susana Thénon

Susana Thénon

Hoje

Falo, corneta, rosa
do anjo-barro: o amor
selou
seus vasos comunicantes.
Guardemos o incenso
para os verões públicos.
Deus não funciona.
758
Nuno Júdice

Nuno Júdice

Epigrama gastronómico

Há mil e cem anos
de poesia num só dia
mil e cem palavras
numa só sílaba,
mil e cem páginas
numa linha
-quando abro o livro
do teu corpo, e provo mil
e cem receitas num só
amor.
1 324
Manuel António Pina

Manuel António Pina

Agora é diferente

Agora é diferente
Tenho o teu nome o teu cheiro
A minha roupa de repente
ficou com o teu cheiro
Agora estamos misturados
No meio de nós já não cabe o amor
Já não arranjamos
lugar para o amor
Já não arranjamos vagar
para o amor agora
isto vai devagar
isto agora demora
1 951
Nuno Júdice

Nuno Júdice

Definição

O amor: as têmporas de uma nuvem
roçando a cabeça do oceano.
1 404
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Ouvi-te cantar de dia.

Ouvi-te cantar de dia.
De noite te ouvi cantar.
Ai de mim, se é de alegria!
Ai de mim, se é de penar!
1 373
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Quando a manhã aparece

Quando a manhã aparece
Dizem que nasce alegria.
Isso era se Ela viesse.
Até de noite era dia.
1 921
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Tens o leque desdobrado

Tens o leque desdobrado
Sem que estejas a abanar.
Amor que pensa e que pensa
Começa ou vai acabar.
1 231
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Trazes a rosa na mão

Trazes a rosa na mão
E colheste-a distraída...
E que é do meu coração
Que colheste mais sabida?
786
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Não sei que grande tristeza

Não sei que grande tristeza
Me fez só gostar de ti
Quando já tinha a certeza
De te amar porque te vi.
1 285
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Trazes já aquele cinto

Trazes já aquele cinto
Que compraste no outro dia.
Eu trago o que sempre sinto
E que é contigo, Maria.
1 371
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Tenho um segredo comigo

Tenho um segredo comigo
Que me faz sempre cismar.
É se quero estar contigo
Ou quero contigo estar.
1 874
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

A luva que retiraste

A luva que retiraste
Deixou livre a tua mão.
Foi com ela que tocaste,
Sem tocar, meu coração.
1 504
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

My soul is like a painted boat

My soul is like a painted boat
That like a sleeping swan doth float
Upon the silver waves of thy sweet
                                singing.
1 192
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Dá-me um sorriso a brincar,

Dá-me um sorriso a brincar,
Dá-me uma palavra a rir,
Eu me tenho por feliz
Só de te ver e te ouvir.
2 350
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

O avental, que à gaveta

O avental, que à gaveta
Foste buscar, não terá
Algibeira em que me meta
Para estar contigo já?
2 321