Consciência e autoconhecimento

Poemas neste tema

António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

Mediadora Árida

Que pedra de música
subsiste
na argila cega?
Que navios no subsolo?

Ouço a sombra árida
do corpo, ouço os animais
sem água
nas caves clandestinas.

Onde as vogais do fogo
no fulgor do vento?
979
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

Mediadora da Lucidez Espacial

Principia por
uma inclinação
leve
coincidência frágil

rumor aceso
de que silêncio outro?
entrar
escutar

onde não se erguem perguntas
em abandono límpido
num impulso de terra
em espacial lucidez.
993
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

O Que Eu Digo Vacila, o Que Vejo Treme.

O que eu digo vacila, o que vejo treme.
O que eu não posso dizer ou ver é o que eu digo,
é o que eu vejo, a transparência.
1 218
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

Igualando-Me Ao Fundo Sem Saber

Igualando-me ao fundo sem saber
num acorde último, insondável,
vejo um muro e o nada em que ele se ergue
no excesso de uma evidência inicial.
1 061
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

Mediadora do Inicial Constante

Fuga que restitui: ritmo
de cinzas. Obscuro
destino na aragem
das artérias.

O longínquo respira num corpo
de penumbra.
No alento se abre
o labirinto.

Visão do ilimite compacto.
Surge
o inicial constante.
Unidade vertical de um convertido abismo.
934
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

Mediadora da Página

Desaparece. Renasce.
É um corpo ou um nome?
Florescência sem raízes. Cada imagem
gera outra imagem. Partículas

intermitentes. Tempestade
silenciosa. Como reencontrar
o negro e as raízes?
Algo tão pobre no silêncio

requer uma linguagem nua.
Surpreendente júbilo quando
na estrita área branca
a nudez profunda repercute.
958
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

Jardim Sol

A lucidez é uma música da água
a respiração compreende sem imagens

Estamos dentro do incessante enigma
Somos a claridade do enigma

A facilidade é um rio
e um silêncio animal

Luz fácil
luz feliz
sol sem ruído            jardim
sol

O caminho é uma pausa
o silêncio sem caminho
1 046
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

Não Há Termo Sobre

Não há termo sobre
o suporte diáfano.
Só a evidência nua do que sou
sem resistência quase, fluindo.
1 073
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

Deixar Sem Caminho Até Ao Alcance

Deixar sem caminho até ao alcance
de não querer possuir
à deriva do silêncio
na súbita tranquilidade do vazio
em que a abertura nos abre e nos sustém.
917
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

Mediadora da Presença

E continua o fogo aqui
o fogo tácito
no seu som de espaço abrindo.
Aqui tão só aqui

o prodígio verde de um início
inesperado. Que frágil
a folhagem
e como abriga a veemência

da vigília. O simples
estar aqui
deixa livre a ausência.
A presença confunde-se com o vazio exacto.
964
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

Nas Artérias da Atenção, o Rumor

Nas artérias da atenção, o rumor
do ínfimo, um tufo transparente
forma-se do que se perde
em atmosfera soberana e leve.
1 004
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

Saborear a Lenta Emanação

Saborear a lenta emanação
do limiar. Sorver a alteridade.
Abrir a luz com deslumbradas mãos.
Traçar a fugidia figura da origem.
1 017
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

Mais Que Superfície a Urdidura

Mais que superfície a urdidura
que se levanta e cai
e é cinza e sol no seu múltiplo limite.
485
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

No Abrigo Idêntico Ao Intacto Aceso,

No abrigo idêntico ao intacto aceso,
habitando o esplendor
da nudez material. Sentir
a morada íntegra, primeira
sobre o suporte imprescrutável.
999
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

No Vislumbre da Visão

No vislumbre da visão
o tacto do repouso a dispersão
do acaso e os campos de abandono
onde a nudez habita.
1 038
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

O Que Súbito No Vértice Reconhece

O que súbito no vértice reconhece
o vazio navegável do instante.
1 071
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

No Côncavo da Sombra Sem Domínio

No côncavo da sombra sem domínio
aderindo ao integral inominado
a inocência flui apagando o seu fluxo
na igualdade do incontido fundo.
991
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

Tu Existes Na Lentidão de Um Círculo

Tu existes na lentidão de um círculo
numa latência imóvel. És uma
lâmpada que ilumina o início.
O ar rodeia-te e sulcas o inominado.
1 017
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

Meditar a Pausa do Acaso Feliz

Meditar a pausa do acaso feliz.
Uma ordem dócil, subterrânea, fiel.
As formas ondulam na morada simples.
Uma efusão nasce do emergir de um mundo.
918
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

É Um Rumor Apagado Talvez

É um rumor apagado talvez
a esquiva expansão de um corpo.
Viver seguindo este impulso ténue
através do esquecimento.
553
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

Não Querer Na Espera

Não querer na espera
até ao tácito oculto que interroga.
Arquear-se entre os arcos de água
até ao fundo e nascer flexível signo.
947
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

A Distância Que Nasce Na Frescura

A distância que nasce na frescura
da distorção fluida
todos os sinais são pontes para
o implantado segredo da espessura.
1 026
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

O Que Desperta E É Um Reino Suave

O que desperta e é um reino suave
já sem máscaras vazio sombrio ainda
não há escolha para ser ali há a leveza
do que não existe a semelhança nasce.
1 074
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

Generosa É a Lentidão Que Rasga

Generosa é a lentidão que rasga
o gesto que suporta de frente
a dimensão propícia do vazio.
O fundo pronuncia um animal de ternura.
897