Arte
Poemas neste tema
Rogério Bessa
Do Canto IX:
O Mundo Encontrado:
Inércia Calada e Mudez Falante do Sol
no impacto do cacto intacto,
o olho de intáctil tacto,
viaduto da em sol ação;
no pacto do cacto intacto,
o sol de olho por olho
no tacto incacto da mão.
no pacto, o cacto e o tacto
contrátil do contratante,
chão por chantão malsão.
Inércia Calada e Mudez Falante do Sol
no impacto do cacto intacto,
o olho de intáctil tacto,
viaduto da em sol ação;
no pacto do cacto intacto,
o sol de olho por olho
no tacto incacto da mão.
no pacto, o cacto e o tacto
contrátil do contratante,
chão por chantão malsão.
898
Rogério Bessa
Redescoberta de Orfeu ou O Mundo Nunca Encontrado
Do Canto I:
Prólogo Menos
lhe envio meu canto órfico
com o encanto de meu povo,
fala a lira em lira mor,
diz de orfeu o seu encanto.
sede e fome fomentaram
sua música, seu ritmo,
a queimar-lhe o sol a pele,
nasceu-lhe a redescoberta.
grande estalo resultou
num mundo nunca encontrado
e embora o canto doesse,
entremente não choveu.
Prólogo Menos
lhe envio meu canto órfico
com o encanto de meu povo,
fala a lira em lira mor,
diz de orfeu o seu encanto.
sede e fome fomentaram
sua música, seu ritmo,
a queimar-lhe o sol a pele,
nasceu-lhe a redescoberta.
grande estalo resultou
num mundo nunca encontrado
e embora o canto doesse,
entremente não choveu.
793
Moranno Portela
Poethomem
É pouco o peito do homem
para o poeta guardar:
ele está como represa
Quando vai arrebentar.
É pouco o peito do homem
para o rio que dentro dele
quer, sôfrego, navegar.
Mas o homem é necessário,
dele o poeta precisa:
um é uno — o outro vário,
um voa — o outro pisa.
para o poeta guardar:
ele está como represa
Quando vai arrebentar.
É pouco o peito do homem
para o rio que dentro dele
quer, sôfrego, navegar.
Mas o homem é necessário,
dele o poeta precisa:
um é uno — o outro vário,
um voa — o outro pisa.
895
Ieda Estergilda
Anúncio Urgente
Procura-se um poeta
com estrela na testa
e voz de profeta.
Apareça, poeta
enxergarei a estrela
entenderei a parábola.
Precisa-se de um poeta
do tamanho do seu tempo
pode vir de marte, do mato
ou no vento.
Precisa-se de um poeta
dispensa-se currículo
o nome do barco é poesia.
com estrela na testa
e voz de profeta.
Apareça, poeta
enxergarei a estrela
entenderei a parábola.
Precisa-se de um poeta
do tamanho do seu tempo
pode vir de marte, do mato
ou no vento.
Precisa-se de um poeta
dispensa-se currículo
o nome do barco é poesia.
800
Francisco Tribuzi
Poetando
Eu faço versos como quem
conserta sapatos
não como quem comanda uma empresa.
São tão simples os meus atos
como simples é a natureza.
Eu faço versos com pureza
não vou além da surpresa
que me inspiram os relatos
mas vou além do que sinto
eu faço versos não minto
e fazer versos é amar.
conserta sapatos
não como quem comanda uma empresa.
São tão simples os meus atos
como simples é a natureza.
Eu faço versos com pureza
não vou além da surpresa
que me inspiram os relatos
mas vou além do que sinto
eu faço versos não minto
e fazer versos é amar.
904
Francisco Tribuzi
O Museu e a Ponte
Lá dentro guardam-se histórias...
Aqui fora a ponte guarda em segredo
os vultos que adentraram as glórias
e as memórias dos gestos sem medo.
De cada ângulo vista
como que a jorrar passado
a ponte em si despista
o conteúdo sonhado.
E o que ela inspira:
estética e formusura
traduz o belo que delira
em gesto e arquitetura.
Aqui fora a ponte guarda em segredo
os vultos que adentraram as glórias
e as memórias dos gestos sem medo.
De cada ângulo vista
como que a jorrar passado
a ponte em si despista
o conteúdo sonhado.
E o que ela inspira:
estética e formusura
traduz o belo que delira
em gesto e arquitetura.
798
Batista de Lima
O Doce de Vitalina
Vitalina faz cocada
com mais alma do que coco
Uma semana de criação
onde leite açúcar e coco
não têm importância
como não têm importância
tição fogo e brasa
O mais importante
é que Vitalina
se ponha no caco
e vá na cocada
e que o sétimo dia
seja para descanso
como fez Deus na criação
com mais alma do que coco
Uma semana de criação
onde leite açúcar e coco
não têm importância
como não têm importância
tição fogo e brasa
O mais importante
é que Vitalina
se ponha no caco
e vá na cocada
e que o sétimo dia
seja para descanso
como fez Deus na criação
967
Yolandino Maia
Haicai
Simplicidade
Sim... fechei o livro
e li durante a viagem
anúncios no bonde.
No teatro
Na platéia escura
nossa vida adormeceu.
No palco, ela sonha
Sim... fechei o livro
e li durante a viagem
anúncios no bonde.
No teatro
Na platéia escura
nossa vida adormeceu.
No palco, ela sonha
765
Carlos Vogt
Obsesssäo
Outra vez o poema sonâmbulo
o sonho do poeta outra vez
agora perto
os pés
näo a forma
a mesma
ardente lisa fugidia pronta:
um ângulo reto
uma estrela de sombras
um poema ao revés.
(1991)
o sonho do poeta outra vez
agora perto
os pés
näo a forma
a mesma
ardente lisa fugidia pronta:
um ângulo reto
uma estrela de sombras
um poema ao revés.
(1991)
1 098
Vitor Casimiro
Quem Mais Poderia Ser?
Lembro-me bem
Das primeiras palavras
Que sussurraste junto a mim:
"Acorda, abre bem os olhos,
E grita, o mais alto...
Não resta dúvidas: É você!"
Lembro-me, foste tu,
Poesia.
Das primeiras palavras
Que sussurraste junto a mim:
"Acorda, abre bem os olhos,
E grita, o mais alto...
Não resta dúvidas: É você!"
Lembro-me, foste tu,
Poesia.
961
Carlos Vogt
Pragmatismo Estético
A disciplina é quase tudo
menos o dia-a-dia
o poema é quase nada
mais a inspiraçäo
na falta solidária do mesmo quase
faz-se o poema
vive a poesia
(1991)
menos o dia-a-dia
o poema é quase nada
mais a inspiraçäo
na falta solidária do mesmo quase
faz-se o poema
vive a poesia
(1991)
914
Sérgio Milliet
Paris
Crepúsculos longos impressionistas
A luz não cai
escorrega
sobre os patins das nuvens
O Sena foge
levando o gosto da posse.
A luz não cai
escorrega
sobre os patins das nuvens
O Sena foge
levando o gosto da posse.
1 473
Rodrigo Carvalho
Livro
à Soares Feitosa,
sobre o seu espantoso
"Requiem em Sol da Tarde"
Quem ao ler um livro,
chora,
como à morte de um querido ente,
sente,
o peso e a dor das palavras,
e cada gota de sangue e lágrimas,
como manchas,
em cada página.
E tem a alma leve, pura,
voando livremente...
Salvador, 12 de novembro de 1996
sobre o seu espantoso
"Requiem em Sol da Tarde"
Quem ao ler um livro,
chora,
como à morte de um querido ente,
sente,
o peso e a dor das palavras,
e cada gota de sangue e lágrimas,
como manchas,
em cada página.
E tem a alma leve, pura,
voando livremente...
Salvador, 12 de novembro de 1996
871
Roberto Pontes
Quântica 5
a nebulosa no olho
arroio de prata e leite
fusão amarelo ocre
na tocha fosforejante
zeus no carrossel coral
a nebulosa no olho
esverdosilosidades
vermelhofuscolizantes
lantejoulinhas no ar
(De Lições de Espaço: teletipos, módulos e quânticas.
Fortaleza: Imprensa Universitária, 1971)
arroio de prata e leite
fusão amarelo ocre
na tocha fosforejante
zeus no carrossel coral
a nebulosa no olho
esverdosilosidades
vermelhofuscolizantes
lantejoulinhas no ar
(De Lições de Espaço: teletipos, módulos e quânticas.
Fortaleza: Imprensa Universitária, 1971)
901
Roberto Pontes
Contracanto
Estou em meu poema
como os amantes se estão.
Moro nas vogais e consoantes
circunflexos
ós e xizes cantantes.
Estou nos casebres tristes
da imaginação.
Sou nas quase
vírgulas de ouro
que faço sem porquês.
O alfabeto habito
como me moram
muitas vezes muitas
meu coração.
como os amantes se estão.
Moro nas vogais e consoantes
circunflexos
ós e xizes cantantes.
Estou nos casebres tristes
da imaginação.
Sou nas quase
vírgulas de ouro
que faço sem porquês.
O alfabeto habito
como me moram
muitas vezes muitas
meu coração.
1 175
Raniere Rodrigues dos Santos
Sou Poeta
Para provar que sou poeta
Tenho que poetizar.
Para poetizar,
Tenho que inspirar-me.
Para inspirar-me,
Tenho que amar,
Para amar,
Tenho que sentir.
Para sentir,
Tenho que ver.
Para ver,
Tenho que crer.
Para crer,
Tenho que viver
Para viver,
Tenho que ser.
Ser Poeta.
Tenho que poetizar.
Para poetizar,
Tenho que inspirar-me.
Para inspirar-me,
Tenho que amar,
Para amar,
Tenho que sentir.
Para sentir,
Tenho que ver.
Para ver,
Tenho que crer.
Para crer,
Tenho que viver
Para viver,
Tenho que ser.
Ser Poeta.
795
Pedro Paulo de Sena Madureira
Affonso Romano de Sant’ana
Entre escolhos e rombos
sem temer os tombos
narras a exata fúria de teus versos.
Professas um carvão implacável
que me queima e não hesita, aceso,
ante a cinza provável
que o anula.
No fundo e fim de teus poemas
devassas o tempo, seus casulos e traves.
Rezas, e não sabes.
sem temer os tombos
narras a exata fúria de teus versos.
Professas um carvão implacável
que me queima e não hesita, aceso,
ante a cinza provável
que o anula.
No fundo e fim de teus poemas
devassas o tempo, seus casulos e traves.
Rezas, e não sabes.
730
Olga Savary
David
Não sendo bicho nem deus
nem da raiz tendo a força
ou a eternidade da pedra,
o poeta nas palavras
põe essa força de nada:
sua funda é o poema.
nem da raiz tendo a força
ou a eternidade da pedra,
o poeta nas palavras
põe essa força de nada:
sua funda é o poema.
1 264
Myriam Fraga
Barragem
Estrutura de cal
Subitamente o rio
(argila e metal)
Se recompõe
E pára.
Somente a fúria
Calma do gesto
Que se disfarça.
Barragem ou poço
(argamassa)
Simetria de iludidos
Nas linhas duras
Do cais.
Talvez a sombra
íris-pupila
Que se adelgaça.
Recua e passa.
Subitamente o rio
(argila e metal)
Se recompõe
E pára.
Somente a fúria
Calma do gesto
Que se disfarça.
Barragem ou poço
(argamassa)
Simetria de iludidos
Nas linhas duras
Do cais.
Talvez a sombra
íris-pupila
Que se adelgaça.
Recua e passa.
1 013
Neide Archanjo
Da Poesia
Esculpo a página a lápis
e um cheiro de bosque
então me aparece.
Que a poesia é feita de romãs
daquilo que é eterno
e de tudo que apodrece.
e um cheiro de bosque
então me aparece.
Que a poesia é feita de romãs
daquilo que é eterno
e de tudo que apodrece.
1 246
Marcelo Penido Silva
O que é a Poesia?
Poesia é como pó
que num sôpro é
o que não sopro
e que jamais seria.
Poesia é
sem ser
meu querer, meu dis ser
e cobre
de prata e ouro
a mais preciosa linha.
Meu veio de Vida
nas mãos de outro.
que num sôpro é
o que não sopro
e que jamais seria.
Poesia é
sem ser
meu querer, meu dis ser
e cobre
de prata e ouro
a mais preciosa linha.
Meu veio de Vida
nas mãos de outro.
930
Marly de Oliveira
Minha felicidade vem de quando estou só
Minha felicidade vem de quando estou só
e ninguém me interrompe no poema,
essa espécie de transfusão
do sangue para a palavra,
sem qualquer estratagema.
A palavra é meu rito, minha forma
de celebrar, investir, reivindicar:
a palavra é a minha verdade,
minha pena exposta sem humilhação
à leitura do outro,
hypocrite lecteur, mon semblable.
e ninguém me interrompe no poema,
essa espécie de transfusão
do sangue para a palavra,
sem qualquer estratagema.
A palavra é meu rito, minha forma
de celebrar, investir, reivindicar:
a palavra é a minha verdade,
minha pena exposta sem humilhação
à leitura do outro,
hypocrite lecteur, mon semblable.
1 198
Mário Donizete Massari
Moeda
A moeda
rola no ar
vil metal a delinear
destinos.
A fome no olhar
sentimento vendido
a moeda seduz
e oprime.
Que importa a
poesia,
se a fome ronda a
esquina?
O que importa
a poesia,
se a moeda é pobre
sendo rica?
Na cara a coroa
de ouro
duas faces
moeda e poesia
Pobre moeda
Rica poesia
rola no ar
vil metal a delinear
destinos.
A fome no olhar
sentimento vendido
a moeda seduz
e oprime.
Que importa a
poesia,
se a fome ronda a
esquina?
O que importa
a poesia,
se a moeda é pobre
sendo rica?
Na cara a coroa
de ouro
duas faces
moeda e poesia
Pobre moeda
Rica poesia
1 011
Mário Donizete Massari
O sonho do poeta
Sonhou o poeta
ser uma estrela
e brilhou em seus versos
Sonhou o poeta
ser o dono do mundo
e este era tão pequeno
que coube em suas mãos
e ele o tornou lindo
És poeta a estrela do mundo
ser uma estrela
e brilhou em seus versos
Sonhou o poeta
ser o dono do mundo
e este era tão pequeno
que coube em suas mãos
e ele o tornou lindo
És poeta a estrela do mundo
875
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