Animais e Natureza
Poemas neste tema
Cleonice Rainho
Eu e a Maçã
A maçã é redonda,
vermelha,
lisinha
e na haste seca
tem uma folhinha.
É tão linda
que nem quero comê-la
e vou guardá-la,
enquanto puder,
pois, ao vê-la,
fico alegre
e sinto meu rosto
parecido com ela.
vermelha,
lisinha
e na haste seca
tem uma folhinha.
É tão linda
que nem quero comê-la
e vou guardá-la,
enquanto puder,
pois, ao vê-la,
fico alegre
e sinto meu rosto
parecido com ela.
1 248
Cleonice Rainho
Angorás
Coelhinhos brancos,
no parque,
correm e brincam.
Ágeis patas,
orelhas alertas,
pontilhando o ar.
Alvíssimos, fofos,
olhos de contas,
sutilizam-se
no verde, veja-os:
Dois coelhinhos
de carícia
e Paz.
no parque,
correm e brincam.
Ágeis patas,
orelhas alertas,
pontilhando o ar.
Alvíssimos, fofos,
olhos de contas,
sutilizam-se
no verde, veja-os:
Dois coelhinhos
de carícia
e Paz.
975
Cláudio Feldman
Haicai
Seca
Corvos
Nos galhos curvos:
Únicas folhas.
Dia Lento
Dia lento:
Um velho cavalo
Subindo a encosta.
Corvos
Nos galhos curvos:
Únicas folhas.
Dia Lento
Dia lento:
Um velho cavalo
Subindo a encosta.
1 035
Cleonice Rainho
Vaivém
Sobe a água,
em vapor tão leve,
que a gente não vê.
Reúne-se em gotinhas,
formando nuvens
que ornam o espaço.
Depois desce e cai,
como chuva ou neve,
e de novo sobe leve
ao alto, ao céu,
pelo mistério
desse vaivém.
em vapor tão leve,
que a gente não vê.
Reúne-se em gotinhas,
formando nuvens
que ornam o espaço.
Depois desce e cai,
como chuva ou neve,
e de novo sobe leve
ao alto, ao céu,
pelo mistério
desse vaivém.
1 544
Cleonice Rainho
Dúvida
Pelo alegre bosque,
como Chapeuzinho Vermelho,
vou seguindo...
embora meus cabelos soltos
esvoacem à brisa da manhã.
Estou feliz:
passarinhos cantam,
zumbem insetos,
florezinhas exalam
doces perfumes.
Não sei como o lobo mau
pôde aparecer num lugar assim.
como Chapeuzinho Vermelho,
vou seguindo...
embora meus cabelos soltos
esvoacem à brisa da manhã.
Estou feliz:
passarinhos cantam,
zumbem insetos,
florezinhas exalam
doces perfumes.
Não sei como o lobo mau
pôde aparecer num lugar assim.
1 041
Carlos Nóbrega
Da Estação Nordeste
A paisagem era uma lixa.
Mas uma chuva cheia de listras
foi cobrindo de veludo
as ossadas as pedras tudo
Mas uma chuva cheia de listras
foi cobrindo de veludo
as ossadas as pedras tudo
779
Geraldo Carneiro
bilacmania
livre espaço a ave aurora
as asas cantando climas céus
nuvens agora o sol o vôo
a vida o olhar (re)volta
tempo alegria de novo
as asas cantando climas céus
nuvens agora o sol o vôo
a vida o olhar (re)volta
tempo alegria de novo
934
Carlos Nóbrega
Os Pioneiros
os dois primeiros pardais
ainda estavam melados de sono
- chovia ainda com lua -
E já todo listrado de luz
passou suspenso esse gato
ainda estavam melados de sono
- chovia ainda com lua -
E já todo listrado de luz
passou suspenso esse gato
950
Carlos Nóbrega
O Sonho
o cão dorme.
Seus ossos
estão cheios de lua
Seus ossos
estão cheios de lua
806
Carlos Nóbrega
Bichinho
Desmontei
as 11 peças
de um siri.
Sua alminha
toda branca
saiu de banda
por aí.
as 11 peças
de um siri.
Sua alminha
toda branca
saiu de banda
por aí.
613
Carlos Nóbrega
Os relógios
1 galo que é feito de sol
canta sua canção de sangue
canta com sua voz de sonho,
com seu olho de cor e sal
para as sombras que estão por vir
canta sua canção de sangue
canta com sua voz de sonho,
com seu olho de cor e sal
para as sombras que estão por vir
887
Birão Santana
Ri Dentes
Assim como as plantas
a borboleta sorria.
Eu sorria
e o vento sorria.
Simples,
o quadro.
Profundo,
o momento.
Intraduzível
o que se passou.
Com as plantas,
a borboleta,
eu
e o vento,
ridentes.
a borboleta sorria.
Eu sorria
e o vento sorria.
Simples,
o quadro.
Profundo,
o momento.
Intraduzível
o que se passou.
Com as plantas,
a borboleta,
eu
e o vento,
ridentes.
1 082
Barroso Gomes
Arrebatamento
O cão uiva ou canta?
Eu penso que morre: o imenso
lua na garganta.
Eu penso que morre: o imenso
lua na garganta.
694
Barroso Gomes
Vanitas
Na teia de aranha
de tosca urdidura a mosca
azul se emaranha.
de tosca urdidura a mosca
azul se emaranha.
993
Barroso Gomes
Amanhecer
Do dia, lá fora,
a nuança: é o galo que lança
borrifos de aurora.
a nuança: é o galo que lança
borrifos de aurora.
902
Barroso Gomes
Narcisismo
Uma deusa nua
no vago espelho do lago
mirando-se. A lua.
no vago espelho do lago
mirando-se. A lua.
902
Barroso Gomes
Réquiem
A cigarra enquanto
fenece a mortalha tece
com os fios do canto.
fenece a mortalha tece
com os fios do canto.
935
Aymar Mendonça
Prismático
Toca o mistério da cumeeira
o bico da gralha azul
Ali a casa de fogo
o riso desvairado
o céu aquecido de astracã
A gralha azulando o tempo
a cumeeira se desmistificando
e os olhos contemplando
os segredos da casa que sorri
Prelúdio de aurora.
o bico da gralha azul
Ali a casa de fogo
o riso desvairado
o céu aquecido de astracã
A gralha azulando o tempo
a cumeeira se desmistificando
e os olhos contemplando
os segredos da casa que sorri
Prelúdio de aurora.
780
Ricardo Akira Kokado
Inverno
Neste imenso azul
nenhuma nuvem no céu
somente urubus
nenhuma nuvem no céu
somente urubus
825
Ricardo Akira Kokado
Verão
Dama-da-noite
sob o céu sem lume
argh, que perfume!
Mariposa entra
pousa perto da candeia
triângulo gris.
sob o céu sem lume
argh, que perfume!
Mariposa entra
pousa perto da candeia
triângulo gris.
1 068
António Osório
Haicai
Corte
Crepitou o fogo
E rubro cortou o vôo
da Fidalga palmeira.
Viagem
Pássaro a voar
Na manhã recém-nascida
Rumo à canção.
Crepitou o fogo
E rubro cortou o vôo
da Fidalga palmeira.
Viagem
Pássaro a voar
Na manhã recém-nascida
Rumo à canção.
1 273
Adailton Medeiros
Cucu
(No maranhão: faz tanto tempo
— E como dói meu pensamento)
Com estria preta
tal debrum de fita
em redor do olho
lá vai voando —
no bico preto
se debate a lagarta
de jasmim ou de palmeira
( — Colorida?)
— a vela avezinha
que presente
guardo
na memória — hoje descontente
— E como dói meu pensamento)
Com estria preta
tal debrum de fita
em redor do olho
lá vai voando —
no bico preto
se debate a lagarta
de jasmim ou de palmeira
( — Colorida?)
— a vela avezinha
que presente
guardo
na memória — hoje descontente
1 126
Poemas Sânscritos
SOBRE AS VACAS SAGRADAS
1
Não é uma besta de carga,
não sabe a terra lavrar,
esta do templo uma vaca.
Mas temos de confessar
que é boa frita ou assada.
Não é uma besta de carga,
não sabe a terra lavrar,
esta do templo uma vaca.
Mas temos de confessar
que é boa frita ou assada.
948
Augusto de Campos
Rodeio
De repente
estruge ao lado um
estrídulo tropel de cascos sobre pedras,
um
estrépito de galhos estralando,
tufa nos ares, em novelos,
uma nuvem de pó;
rompe, a súbitas, na clareira,
embolada,
uma ponta de gado e logo após,
sobre o cavalo que estaca esbarrado,
o vaqueiro,
teso nos estribos...
estruge ao lado um
estrídulo tropel de cascos sobre pedras,
um
estrépito de galhos estralando,
tufa nos ares, em novelos,
uma nuvem de pó;
rompe, a súbitas, na clareira,
embolada,
uma ponta de gado e logo após,
sobre o cavalo que estaca esbarrado,
o vaqueiro,
teso nos estribos...
1 316
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