Paixão
Poemas neste tema
Rose Rosas
Viver corpos de outros
Viver corpos de outros
abrir-me
em espreguiçar de ostras
ser solta
decifrar diálogos
de golfinhos
prender calcinhas em
pontas de estrelas
me virar pelo avesso
ser o reverso do
poema
e assim
alcançar você...
meu desejo
meu todo prazer!
abrir-me
em espreguiçar de ostras
ser solta
decifrar diálogos
de golfinhos
prender calcinhas em
pontas de estrelas
me virar pelo avesso
ser o reverso do
poema
e assim
alcançar você...
meu desejo
meu todo prazer!
804
Eunice Arruda
Tema
Deliberadamente
utilizamos
todas as zonas erógenas
submissos
aos animais
que transitavam a pele
submissos
a nossa disponibilidade
imerecida
sacudida
por buzinas
chuvas repentinas confundindo
as marcas de um caminho já
percorrido
Deliberadamente
entre suor e grunhido
molhado
o ritual foi cumprido
Só então nos devolvemos
utilizamos
todas as zonas erógenas
submissos
aos animais
que transitavam a pele
submissos
a nossa disponibilidade
imerecida
sacudida
por buzinas
chuvas repentinas confundindo
as marcas de um caminho já
percorrido
Deliberadamente
entre suor e grunhido
molhado
o ritual foi cumprido
Só então nos devolvemos
869
Artur Gomes
Galope
com espada
em riste
galopamos
pradarias
e lutamos
ferozmente
por dois segundos
e meio
tua fúria era louca
que agarrei-me
em tuas crinas
pra não cair na lama
mas o amor era tanto
e tanto era o prazer
que quando fomos pra cama
não tinha mais o que fazer.
em riste
galopamos
pradarias
e lutamos
ferozmente
por dois segundos
e meio
tua fúria era louca
que agarrei-me
em tuas crinas
pra não cair na lama
mas o amor era tanto
e tanto era o prazer
que quando fomos pra cama
não tinha mais o que fazer.
646
Ana C. Pozza
Palpitando alucinado
Não bateu inspiração...
O que me move
É esta enlouquecida paixão
Que dispara o coração
A cada suspiro de saudade
Quando aumenta a vontade
De encontrar os doces lábios teus...
E todo o meu corpo,
Palpitando alucinado,
Volta-se a esta saudade
Espreguiçando-se num cansaço
Só pra ter o teu abraço
Enlaçando apertado
Todo o desejo meu...
O que me move
É esta enlouquecida paixão
Que dispara o coração
A cada suspiro de saudade
Quando aumenta a vontade
De encontrar os doces lábios teus...
E todo o meu corpo,
Palpitando alucinado,
Volta-se a esta saudade
Espreguiçando-se num cansaço
Só pra ter o teu abraço
Enlaçando apertado
Todo o desejo meu...
1 169
Manuela Amaral
Teu corpo de agosto
Teu corpo é agosto
Tu cheiras a verão
por baixo das veias
Tu cheiras a quente
Tu cheiras à febre
do sangue maduro
Teu ventre de orgia
teu cheiro a sodoma
aroma-mulher
Teu corpo de agosto
tem cheiro a setembro
Tu cheiras a verão
por baixo das veias
Tu cheiras a quente
Tu cheiras à febre
do sangue maduro
Teu ventre de orgia
teu cheiro a sodoma
aroma-mulher
Teu corpo de agosto
tem cheiro a setembro
1 767
José Eduardo Mendes Camargo
Prazer
Não sei o que é mais gostoso:
E expectativa e a ansiedade
da ante-véspera do amor,
O colorido e o abandono
do momento cósmico do orgasmo
ou a lassidão e os espasmos de prazer
no repouso de teus braços.
E expectativa e a ansiedade
da ante-véspera do amor,
O colorido e o abandono
do momento cósmico do orgasmo
ou a lassidão e os espasmos de prazer
no repouso de teus braços.
921
Manuela Amaral
Sexo-cama
Fui ordinária
requintada
tímida
Misturei poesia com vários palavrões
Gritei
Uivei
Gemi
Rasguei almofadas e lençóis
Fui carnaval de amor
no circo de uma cama.
requintada
tímida
Misturei poesia com vários palavrões
Gritei
Uivei
Gemi
Rasguei almofadas e lençóis
Fui carnaval de amor
no circo de uma cama.
2 561
Ondina Castilho
Sou sua pálida amante vaporosa
Sou sua pálida amante vaporosa,
Na volúpia das noites andaluzas.
Meu sangue ardente em minhas veias rolas...
Minha alma é uma fonte sonhadora.
Longe de ti bebo teus perfumes
Sonho com Você e me sinto seminua.
Na volúpia das noites andaluzas.
Meu sangue ardente em minhas veias rolas...
Minha alma é uma fonte sonhadora.
Longe de ti bebo teus perfumes
Sonho com Você e me sinto seminua.
900
Octavio Paz
Tu Nombre
Tu Nombre
Nace de mí,de mi sombra,
amanece por mi piel,
alba de luz somnolienta.
Paloma brava tu nombre,
tímida sobre mi hombro.
Nace de mí,de mi sombra,
amanece por mi piel,
alba de luz somnolienta.
Paloma brava tu nombre,
tímida sobre mi hombro.
1 617
E. M. de Melo e Castro
Colhe os colhões a boca
colhe os colhões a boca
o barco a flor o mastro
a língua louca louca
o astro glande monstro
que a água que mostro
laiva o sabor do ouro
álcool que vem do mosto
leite que sabe a louro
pêlo de pele colhida
jeito informe que pica
alga onda comprida
que treme e foge e fica
colhe no ar e foge
a árvore da vida
o barco a flor o mastro
a língua louca louca
o astro glande monstro
que a água que mostro
laiva o sabor do ouro
álcool que vem do mosto
leite que sabe a louro
pêlo de pele colhida
jeito informe que pica
alga onda comprida
que treme e foge e fica
colhe no ar e foge
a árvore da vida
1 444
Gloria Sartore
Cio
Entre as pernas te prendo
serpente e presa em duelo
Instintivos golpes
em oscena estratégia
– despudorada arma
Vitoriosa
bebo em teu cálice
o sêmen
...chove sobre o cio.
serpente e presa em duelo
Instintivos golpes
em oscena estratégia
– despudorada arma
Vitoriosa
bebo em teu cálice
o sêmen
...chove sobre o cio.
1 155
Natália Correia
Pusemos tanto azul nessa distância
ancorada em incerta claridade
e ficamos nas paredes do vento
a escorrer para tudo o que ele invade.
Pusemos tantas flores nas horas breves
que secam folhas nas árvores dos dedos.
E ficámos cingidos nas estátuas
a morder-nos na carne dum segredo.
de Poemas (1955)
e ficamos nas paredes do vento
a escorrer para tudo o que ele invade.
Pusemos tantas flores nas horas breves
que secam folhas nas árvores dos dedos.
E ficámos cingidos nas estátuas
a morder-nos na carne dum segredo.
de Poemas (1955)
2 429
Almeida Garrett
Não te amo
Não te amo, quero-te: o amor vem dalma.
E eu nalma tenho a calma,
A calma do jazigo.
Ai! Não te amo, não.
Não te amo, quero-te: o amor é vida.
E a vida - nem sentida
A trago eu já comigo.
Ai, não te amo, não!
Ai! Não te amo, não; e só te quero
De um querer bruto e fero
Que o sangue me devora,
Não chega ao coração.
E eu nalma tenho a calma,
A calma do jazigo.
Ai! Não te amo, não.
Não te amo, quero-te: o amor é vida.
E a vida - nem sentida
A trago eu já comigo.
Ai, não te amo, não!
Ai! Não te amo, não; e só te quero
De um querer bruto e fero
Que o sangue me devora,
Não chega ao coração.
3 119
Ângelo de Lima
Eu ontem vi-te…
Andava a luz
Do teu olhar,
Que me seduz
A divagar
Em torno a mim.
E então pedi-te,
Não que me olhasses,
Mas que afastasses,
Um poucochinho,
Do meu caminho,
Um tal fulgor
De medo, amor,
Que me cegasse,
Me deslumbrasse,
Fulgor assim.
Do teu olhar,
Que me seduz
A divagar
Em torno a mim.
E então pedi-te,
Não que me olhasses,
Mas que afastasses,
Um poucochinho,
Do meu caminho,
Um tal fulgor
De medo, amor,
Que me cegasse,
Me deslumbrasse,
Fulgor assim.
1 710
Giselda Medeiros
Foz
Faze-me a embocadura
da turbulência de tuas águas
de semeadura,
que eu te mostrarei
onde se escondem
gritos e sussurros,
gestos e ânsias
à espera da correnteza.
da turbulência de tuas águas
de semeadura,
que eu te mostrarei
onde se escondem
gritos e sussurros,
gestos e ânsias
à espera da correnteza.
1 018
Carlos Eduardo Bandeira de Mello Gomes
A Centelha do Absurdo
A centelha do absurdo
O grito do centeio
O horizonte de vidro surdo
Ama-me? Sei-o
Sei que o perfil das araras
Dobra-se sobre o espaço das noites claras
Aquelas em que nos beijamos
Com o gás azul-lilás
Que eu respiro com olhares de sempre jamais
O grito do centeio
O horizonte de vidro surdo
Ama-me? Sei-o
Sei que o perfil das araras
Dobra-se sobre o espaço das noites claras
Aquelas em que nos beijamos
Com o gás azul-lilás
Que eu respiro com olhares de sempre jamais
910
Aldir Blanc
Clima-X
Quando, agonizantes, gozamos,
transcendemos
essa históriade ser mulher
ou ser marido:
É como se você fosse terra
e eu tivesse chovido.
transcendemos
essa históriade ser mulher
ou ser marido:
É como se você fosse terra
e eu tivesse chovido.
1 209
Amália de Alarcão Ribeiro Martins
Amanhecer
Hoje o dia amanheceu mais florido,
porque mais amor tenho por você.
Hoje amanheci mais feliz,
porque sei que estarás
constantemente ao meu lado.
Hoje amanheci te querendo
mais do que a própria vida.
Amo e farei tudo
o que tu quiseres
para estar
sempre e eternamente
ao teu lado.
porque mais amor tenho por você.
Hoje amanheci mais feliz,
porque sei que estarás
constantemente ao meu lado.
Hoje amanheci te querendo
mais do que a própria vida.
Amo e farei tudo
o que tu quiseres
para estar
sempre e eternamente
ao teu lado.
480
Noel Ferreira
ABC erótico
Abre-te!
Beija-me!
Cobre-me!
Amar-te é volúpia
Brincar é malicia
Carícia é pingo de mel.
Ai!
Basta!
Cala-te!
Abraço-te, queres?
Belisco-te, gostas?
Colo-me a ti, einh?
Ah!
Biscoito
Crocante!
Às nuvens subi
Bebendo o teu néctar
Crescendo-me em ti!
Ata-me!
Bebe-me!
Come-me!
Agora imparável
Brutalmente bom
Cada vez melhor!
Beija-me!
Cobre-me!
Amar-te é volúpia
Brincar é malicia
Carícia é pingo de mel.
Ai!
Basta!
Cala-te!
Abraço-te, queres?
Belisco-te, gostas?
Colo-me a ti, einh?
Ah!
Biscoito
Crocante!
Às nuvens subi
Bebendo o teu néctar
Crescendo-me em ti!
Ata-me!
Bebe-me!
Come-me!
Agora imparável
Brutalmente bom
Cada vez melhor!
1 306
Noel Ferreira
Nossos corpos
Nossos corpos
se cruzam e descruzam
como serpentes
cálidas
se enroscam
e se apertam
atarracham
num crescendo
sem limite.
Há gemidos delirantes
há percussões arrítmicas
respirações ofegantes
empastadas em suor
até ao êxtase
e ao torpor.
Não há discurso
erótico
que resista
à mudez
desta nudez
tumultuosamente
sinfónica.
se cruzam e descruzam
como serpentes
cálidas
se enroscam
e se apertam
atarracham
num crescendo
sem limite.
Há gemidos delirantes
há percussões arrítmicas
respirações ofegantes
empastadas em suor
até ao êxtase
e ao torpor.
Não há discurso
erótico
que resista
à mudez
desta nudez
tumultuosamente
sinfónica.
1 159
Carlos Nogueira Fino
umas vezes falavas-me dos rios
umas vezes falavas-me dos rios
e densas cicatrizes
e o sangue
procedia
outras vezes velava-te uma lâmpada
de faias e de enigmas
e a sombra
repousava
outras vezes o barro
originava
uma erupção de insónia recidiva
no gume do incêndio onde jazias
nessas vezes a água do teu riso
abria nos meus pulsos uma rosa
e eu entontecia
e densas cicatrizes
e o sangue
procedia
outras vezes velava-te uma lâmpada
de faias e de enigmas
e a sombra
repousava
outras vezes o barro
originava
uma erupção de insónia recidiva
no gume do incêndio onde jazias
nessas vezes a água do teu riso
abria nos meus pulsos uma rosa
e eu entontecia
864
Fernando Pessoa
O que o seu jeito revela
O que o seu jeito revela
Sabe à vista como um gomo,
E a vida tem fome dela
Nos dentes do seu assomo.
E nele mesmo, vibrante
A esse corpo de amor,
Espreita, próximo e distante,
O seu tigre interior.
1932
Sabe à vista como um gomo,
E a vida tem fome dela
Nos dentes do seu assomo.
E nele mesmo, vibrante
A esse corpo de amor,
Espreita, próximo e distante,
O seu tigre interior.
1932
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