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Poemas neste tema

E. E. Cummings

E. E. Cummings

somewhere i have never travelled, gladly beyond

somewhere i have never travelled, gladly beyond

any experience,your eyes have their silence:

in your most frail gesture are things which enclose me,

or which i cannot touch because they are too near

your slightest look will easily unclose me

though i have closed myself as fingers,

you open always petal by petal myself as Spring opens

(touching skilfully,mysteriously)her first rose

or if your wish be to close me, i and

my life will shut very beautifully ,suddenly,

as when the heart of this flower imagines

the snow carefully everywhere descending;

nothing which we are to perceive in this world equals

the power of your intense fragility:whose texture

compels me with the color of its countries,

rendering death and forever with each breathing

(i do not know what it is about you that closes

and opens;only something in me understands

the voice of your eyes is deeper than all roses)

nobody,not even the rain,has such small hands

1 145
Amílcar Dória

Amílcar Dória

The white birds

I would that we were, my beloved, white birds on the

foam of the sea!

We tire of the flame of the meteor, before it can fade

and flee;

And the flame of the blue star of twilight, hung low

on the rim of the sky,

Has awaked in our hearts, my beloved, a sadness that

may not die.

A weariness comes from those dreamers, dew-dabbled,

the lily and rose;

Ah, dream not of them, my beloved, the flame of the

meteor that goes,

Or the flame of the blue star that lingers hung low in

the fall of the dew:

For I would we were changed to white birds on the

wandering foam: I and you!

I am haunted by numberless islands, and many a

Danaan shore,

Where Time would surely forget us, and Sorrow come

near us no more;

Soon far from the rose and the lily and fret of the

flames would we be,

Were we only white birds, my beloved, buoyed out on

the foam of the sea!

1 010
Alfred de Musset

Alfred de Musset

Venise

Venise

Dans Venise la rouge,

Pas un bateau qui bouge,

Pas un pêcheur dans leau,

Pas un falot.

Seul, assis à la grève,

Le grand lion soulève,

Sur lhorizon serein,

Son pied dairain.

Autour de lui, par groupes,

Navires et chaloupes,

Pareils à des hérons

Couchés en ronds,

Dorment sur leau qui fume,

Et croisent dans la brume,

En légers tourbillons,

Leurs pavillons.

La lune qui sefface

Couvre son front qui passe

Dun nuage étoilé

Demi-voilé.

Ainsi, la dame abbesse

De Sainte-Croix rabaisse

Sa cape aux larges plis

Sur son surplis.

Et les palais antiques,

Et les graves portiques,

Et les blancs escaliers

Des chevaliers,

Et les ponts, et les rues,

Et les mornes statues,

Et le golfe mouvant

Qui tremble au vent,

Tout se tait, fors les gardes

Aux longues hallebardes,

Qui veillent aux créneaux

Des arsenaux.

- Ah ! maintenant plus dune

Attend, au clair de lune,

Quelque jeune muguet,

Loreille au guet.

Pour le bal quon prépare,

Plus dune qui se pare,

Met devant son miroir

Le masque noir.

Sur sa couche embaumée,

La Vanina pâmée

Presse encor son amant,

En sendormant;

Et Narcisa, la folle,

Au fond de sa gondole,

Soublie en un festin

Jusquau matin.

Et qui, dans lItalie,

Na son grain de folie ?

Qui ne garde aux amours

Ses plus beaux jours ?

Laissons la vieille horloge,

Au palais du vieux doge,

Lui compter de ses nuits

Les longs ennuis.

Comptons plutôt, ma belle,

Sur ta bouche rebelle

Tant de baisers donnés...

Ou pardonnés.

Comptons plutôt tes charmes,

Comptons les douces larmes,

Quà nos yeux a coûté

La volupté !

1 722
W. H. Auden

W. H. Auden

Funeral Blues

Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.
Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He Is Dead,
Put crepe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.
He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last for ever; I was wrong.
The stars are not wanted now: put out every one;
Pack up the moon and dismantle the sun;
Pour away the ocean and sweep up the wood,
For nothing now can ever come to any good.
2 904
Juan-Eduardo

Juan-Eduardo

Regresa

Usaré mi ternura
contra ese muro muerto que persiste,
mientras pasan los días y los cielos
que te alejan de mí.

¿No lo recuerdas?

Hay un lugar lejano
donde las lilas crecen,
donde crecen las rosas,
y en tu amor sobrevivo.

Restablece mi noche,
regresa por aquel sendero yerto.
Oigo el mar que golpea.
Oigo el mar en mi puerta.

978
E. E. Cummings

E. E. Cummings

Since feeling is first,

Since feeling is first,

who pays any attention

to the syntax of things

will never wholly kiss you;

wholly to be a fool

while spring is in the world

my blood approves,

and kisses are a better fate

than wisdom

lady i swear by all flowers. Dont cry

-the best gesture of my brain is less than

your eyelids flutter which says

we are for each other: then

laugh, leaning back in my arms

for lifes not a paragraph

and death i think is no parenthesis
1 339
Isabel Cristina Pires

Isabel Cristina Pires

A raposa de Saint-Éxupery

A raposa de Saint-Éxupery

Do alto da
colina desenhada a raposa profereo seu
apprivoise-moi, mata-me o olhar, o pensamento,mata-me por
dentro, arranca de mim o respirarde todos os azuis e
o tempo anterior em que eu não soube.Envenena
os trigais com a tua ausênciae eu morrerei
também se os habitares.Seguir-te-ei no vermelho do
desertoonde as serpentes sonham e se escondem,nas colinas
amargas da cidade, no verde tardiodas marés. Não
existo senão no fim do mundo,não existo senão nesta
cadência que soa pelo are desce os montes e inunda com
força a terra planaaté que nada exista. Não tenho
coraçãosenão para que tu o apunhales e vires a lâmina para o
sole digas, ei-lo, o escarlate inútil deste amor
apprivoisé,a imensa distância da paixão, o desprezoda
morte que apodrece. Cresço de repente e sem
traição.E tudo começou pela tua ausência.

921
Walt Whitman

Walt Whitman

Sometimes with One I Love

Sometimes with One I Love

Sometimes with one I love I fill myself with rage for fear I

effuse unreturnd love,

But now I think there is no unreturnd love, the pay is

certain one way or another,

(I loved a certain person ardently and my love was not

returnd,

Yet out of that I have written these songs.)

1 658
Luis Cernuda

Luis Cernuda

La Libertad tú la conoces

La libertad tú la conoces

La libertad no la conoces

La libertad es un deseo

La libertad es estar preso

Preso en un cuerpo que no es mío

En unos brazos, una boca,

Una boca que bebe nuestra vida,

Lentamente, una muerte.

La libertad es una muerte,

Una muerte es nacer en otro espíritu,

Un espíritu, un hombre, es un deseo,

Un deseo es amor por libertarse.

La libertad, la libertad,

La libertad es un olvido,

En otro cuerpo, es un olvido,

Es un amor la libertad.

Libértame o me muero.

1 860
Ângelo de Lima

Ângelo de Lima

Epitáfio

Aqui Dorme e Descansa um Coração!
Palpito outrora...
- qual Dorme Agora...
- Vivo na História...
- Vibrou d"Amor e comovente Glória
Mas - Algum Dia...
- Veio afinal...
- Fatal!...
- Aquela Fata Místera e Sombria...
- Que os Homens chamam Morte e Despiedade...
- E é invencível...Místera e Sagrada!...
- Talvez Piedosa...
- ou Al Descoroada...!
- E o Palpitar do Coração Parou!
- E assim - Pois...ora
- Palpito outrora...
- Qual Dorme agora!
- Transe Emmorte de Efémera Ilusão...
- Aqui dorme e Descansa um Coração!
1 521
Jamerson Lemos

Jamerson Lemos

Soneto da Terça

quando você se entristece
uma coisa qualquer se me entrista.
um gole de rum a mais que eu insista
é coisa pouca e você não esquece.

quando, porém, se nada teça
vida minha e pobre de artista
você me toca e me diz: desista
meu bom amor, amo-te na terça.

muito bem, tento-te de novo
alma de pombo, espírito de corvo,
sobras-te-me na estação.

volvo-me a ti amor em praia,
soluço de sol, sal de caia —
da casa. só a luz e verão.

817
José Afonso

José Afonso

Trovas antigas

O que mais me prende à vida
Não é amor de ninguém.
É que a morte de esquecida
Deixa o mal e leva o bem.

Olha a triste viuvinha
que anda na roca a fiar
É bem feito, é bem feito
que não tem com quem casar

Quem se vai casar ao longe
Ao perto tendo com quem
Alva flor da laranjeira
Não a dará a ninguém

No cimo daquela serra
Está um lenço de mil cores
Está dizendo Viva, Viva
Morra quem não tem amores

1 832
Ana Cristina Cesar

Ana Cristina Cesar

Um Beijo

que tivesse um blue.

isto é

imitasse feliz

a delicadeza, a sua,

assim como um tropeço

que mergulha surdamente

no reino expresso

do prazer

Espio sem um ai

as evoluções do teu confronto

à minha sombra

desde a escolha

debruçada no menu;

um peixe grelhado

um namorado

uma água

sem gás

de decolagem:

leitor ensurdecido

talvez embevecido

"ao sucesso"

diria meu censor

"à escuta"

diria meu amor

sempre em blue

mas era um blue

feliz

indagando só

"whats new"

uma questão

matriz

desenhada a giz

entre um beijo

e a renúncia intuída

de outro beijo.

2 875
Jaques Mario Brand

Jaques Mario Brand

Soneto à maneira do décimo-sétimo século

Dê-me tua mão, Amiga, e ao meu lado
venha dos campos ver as verdes lindes
- ainda mais lindas se por elas vindes
e mais ainda se vindes ao meu lado.

Ouçamos da floresta que os margeia
a brisa perpassar o chão florido
e num transporte breve o leve Ar ido
nos leve em seu alento ao léu, à Aléia.

Das sendas derivadas, e à deriva,
à Suma alcemos juntos, às alturas
de um Saber bom que eu sei, musa lasciva.

Enquanto achas levo à labareda
e achas leve em teus quadris meu gesto,
as Artes eu direi, de Amor, que enleva.

§ As Artes eu direi, de Amor, que enreda.

946
Almeida Garrett

Almeida Garrett

Não te amo

Não te amo, quero-te: o amor vem dalma.
E eu nalma tenho a calma,
A calma do jazigo.
Ai! Não te amo, não.

Não te amo, quero-te: o amor é vida.
E a vida - nem sentida
A trago eu já comigo.
Ai, não te amo, não!

Ai! Não te amo, não; e só te quero
De um querer bruto e fero
Que o sangue me devora,
Não chega ao coração.

3 107
Ângelo de Lima

Ângelo de Lima

Eu ontem vi-te…

Andava a luz
Do teu olhar,
Que me seduz
A divagar
Em torno a mim.
E então pedi-te,
Não que me olhasses,
Mas que afastasses,
Um poucochinho,
Do meu caminho,
Um tal fulgor
De medo, amor,
Que me cegasse,
Me deslumbrasse,
Fulgor assim.
1 707
João Marcio Furtado Costa

João Marcio Furtado Costa

Ingenuidade

Ingenuidade

(07/86)
Sei que és como um rio
Que possui águas turvas,
Mas prefiro na estrada
A surpresa das curvas,
À certeza das retas.

Certas coisas são certas,
Assim como os segredos,
Que existem em seus olhos,
E que só dentro deles
É que se pode ver:
Que eu não posso ser tudo,
Muito menos ser nada
Que eu não posso ser sonho,
Nem felicidade,
Que eu não posso ser vida,
Assim sem você.

963
João Marcio Furtado Costa

João Marcio Furtado Costa

Utopia e Paixão

Utopia e Paixão

(10/92)
Poderia ser longa a minha espera,
Não estivesses sendo tu, a esperada.
Me encheria, quem sabe, o peito, a ansiedade,
De ser teu sonho e, também, realidade.

Preferia no entanto, por mais efêmera,
Que fosse a tua, igual a minha vontade,
De estares em meu tato e na minha visão,
Na audição, no paladar e no olfato.
Pois em meus sentidos, não serias utopia.
Por mais fugaz que fosse o sentimento,
Certamente seria uma paixão.

808
Giselda Medeiros

Giselda Medeiros

Parábola do Amor Recém-Nascido

E disse-me a Noite:
"Cairá sobre ti o indizível da minha boca,
e as canções de ninar, que eu não tive, e
embalarão todos os teus medos
que dormirão na paz infinda dos segredos.
E não temas: serei a tua bússola
no frenesi afoito dos ocasos;
serei a mão de trevas que há de te guiar nos longes
dos meus domínios de negra majestade.
Carrego as chaves que abrem as alvoradas
onde as estrelas, precursoras de caminhos,
semeiam seus momentos de saudade.
Acordarei, de um sono milenar,
o deus dos deuses — o supremo Amor
e ordenarei que ele te alcance
com um só raio do seu olhar.
E tu, analfabeta diante das procuras,
hás de ser sábia na busca dos prazeres
e, no teu ventre estéril de esperança,
fecundarei a tua própria vida,
e nascerás do Amor em tuas próprias mãos."

1 081
Carlos Felipe Moisés

Carlos Felipe Moisés

Retrato

Ah quem viu? Quem vê?
Onde se esconde a pátina invisível
que cobrindo está
eu sei
estas palavras
estas mãos
o sono
e quando olho é brisa?
O mundo exíguo aumenta
no soluço reticente.
Ponte rio estrada
o céu a casa
e o corpo descontente.
Mulher? Criança? Não foi.
É o sol
que lentamente se levanta
e grava a solitária imagem
em pálpebras reclusas.
Absurdo, o amor desliza.
Oferta sonho recusa
repto sudário:
o amor é vário
e as vozes obtusas.
Foi? Não foi?
Palácio ou cornamusa
o mundo nítido é fatal ausência.
O céu — destino
a intenção — certeza
e a incerteza se desnuda
na moldura breve do meu riso.

825
Carlos Felipe Moisés

Carlos Felipe Moisés

A Paixão Segundo Camões

Transforma-se o amador em coisa alguma,
sem dolo, sem virtude, sem razão.
Por muito amar, dispersa o coração
e rói daquilo que é a alma nenhuma.

As esperanças perde, uma a uma,
de decifrar o rosto da paixão.
Sem rumo, ilhado entre o sim e o não,
perde-se no amor de um mar sem espuma.

Transforma-se o amador em coisa errante,
atira ao vento um grito enrouquecido,
buscando encontrar-se na coisa amada.

A pele rota, o gesto vacilante,
transforma-se, de amar como um perdido,
em sombra de si mesmo, ausência, nada.

(Subsolo, São Paulo, Massao Ohno, 1989)

983
Giselda Medeiros

Giselda Medeiros

Foz

Faze-me a embocadura
da turbulência de tuas águas
de semeadura,
que eu te mostrarei
onde se escondem
gritos e sussurros,
gestos e ânsias
à espera da correnteza.

1 013
Gustavo Luz

Gustavo Luz

Vamos Torcer

O amor é palavra doentia.
É isso mesmo doentia!
Que enlouquece os jovens
Jovens ficam doentes de amor.
É um mal sem cura.
Mas quem quer ser curado?
Quem nunca enlouqueceu,
Nunca viveu de verdade!
Como são bons esses momentos.
Eu tô maluco!
É engraçado,
Esse verso faz parte de uma melodia.
É de outro poeta.
Mas que diz tudo.
Resume a minha dor,
Os meus pensamentos.
Como não pensei nisso antes?
Estou louco!
Louco de amor.
Estou confuso!
Confuso por estar louco.
Estou inseguro!
Inseguro por estar confuso.
Estou com medo!
Medo que um dia tudo acabe.
E agora?
Será que um dia vai tudo acabar?
Será que um dia vou me curar?
Quantas perguntas.
Não, não quero mais pensar nisso.
Vou deixar acontecer.
E torcer para que Deus,
Não tenha se esquecido,
Como se escreve certo,
Pelas linhas tortas.
Tomara que não!!!

898
Gilson Nascimento

Gilson Nascimento

Beijo injeitado

Cabôca, si tu subesse
O tamãin do meu amô
Tu nunca mais rifugava
Meus beijo, minha fulô

Tu sabe donde eles vem?
Num duvida de eu não!
Vem dum cantim resguardado
Todo de seda forrado
No fundo do coração

E feito pomba-de-bando
Eles de lá vão fugindo
E no sangue margúiando
Devagarim vão subindo.

Pelo sangue trafegando
Me dando febre e tremô
Sem avexame si pranta
Nos beiço-ôi dágua de amô

Mas quando eles se arrelia
Mode tua boca incontrá
Valei-me, Vige Maria!
Tu inventa de rejeitá

Tem dó de eu, meu pecado
Adocica meu sofrê
Vivo cos peito arroxado
De tanto beijo injeitado
É grande o meu padecê

Si hoje tu dé um não
Com a verdade machucado
Me imbrenho por esses mato
À moda boi desgarrado
Mas levo no coração
Cum afeto, cum devoção
Qual jóia de estimação
Todo esses beijo injeitado.

937