Escritas

Amor

Poemas neste tema

Carlos Seabra

Carlos Seabra

Beijo

mãos que se tocam
olhos que se encontram
beijo na boca

1 021
Patrícia Clemente

Patrícia Clemente

Luto

Você me ama mas nunca me disse
No tempo em que eu ainda te queria
Se agora eu me aconchego junto a outro
Me chama fria?

E fez que pelo meio eu me sentisse
Pediu-me mãe mas não tornou-me filha
Se agora ao ser completa me comovo
Me insulta, tia?

Mandou que à sua lente me despisse
Mas não desnuda sua alma à minha
Se vejo em meu espelho que sou ouro,
Me ofende.
Mas como eu poderia?

Diz: velha, fraca, feia, bruxa, puta.
Diz que sou falsa, acusa hipocrisia,
Mas não recuse ao morto amor seu luto
Posso ser tudo, mas por ser Sofia.

Porque o desejo seu me atormenta
Mas seu desejo é só me ver sentida
Se vivo ao sobressaltos seus quereres,
É vida?

E sei que o meu carinho só te tenta
Se nego-te favores, decidida.
E não me entrego à dor dos seus prazeres,
Vencida.

887
Rodrigo de Souza Leão

Rodrigo de Souza Leão

Os segredos de Raimunda Toada

Desnudou-se toda a realidade,
Posso vê-la desnuda flor,
Tão intensa a flor do amor.
Digo-te isso sem maldade.

Minha paixão feminina.
Dos prazeres é sacerdotisa,
Toca em mim feito brisa.
Me banha tal água cristalina.

Ó sublime paz que me devora,
Ao vê-la cavalgando corcunda.
Beleza em seu corpo mora.

Mas prefiro, sincero sua bunda.
Por isso Raimunda Toada.
Empina, mostra a bundinha danada.

713
Sérgio Godinho

Sérgio Godinho

Aos amores!

Aos amores!

A vida que tudo arrasta os amores também
uns dão à costa, exaustos, outros vao mais além
navegadores só solitários dois a dois
heróis sem nome e até por isso heróis

Desde que o John partiu a Rosinha passa mal
vive na Loneley Street, Heartbreak Hotel, Portugal
ainda em si mora a doce mentira do amor
tomou-lhe o gosto ao provar-lhe o sabor

Os amores são facas de dois gumes
têem de um lado a paixão, do outro os ciúmes
são desencantos que vivem encantados
como velas que ardem por dois lados

Aos amores!

No convento as noviças cantam as madrugadas
e a bela monja escreve cartas arrebatadas
"é por virtude tua que tu és o meu vício
por ti eu lanço os ventos ao precipício"

O Rui da Casa Pia sabe que sabe amar
sopra na franja, maneira de se pentear
vai à posta restante para ver quem lhe escreveu
foi uma bela monja que nunca conheceu

Aos amores!
(desordeiros irresistíveis deleituosos entranhantes
verdadeiros evitáveis buliçosos como dantes
bicolores transgressores impostores cantadores)

A Marta, quinze anos, vê na televisão
um beijo igual ao que ontem deu junto do vulcão
faz baby-sitting à espera de parecer mulher
quando é que o amor lhe explica o que dela quer?

Depois da dor, como conservar a inocência?
leia um bom livro, legue as lágrimas à ciência
e parta o vidro em caso de necessidade
deixe o seu coração ir em liberdade

Aos amores!

1 260
Leila Mícollis

Leila Mícollis

Confissão

Dizem que o amor é cego,
não nego,
por isso te abro os olhos:
não tenho bens nem alqueires,
eu não sou flor que se cheire,
nem tão boa cozinheira,
(bem capaz que ainda me piches
por só comer sanduíches),
minha poesia é fuleira,
tenho idéias de jerico,
um cio meio impudico
como as cadelase as gatas,
às vezes me torno chata
por me opor ao que comtemplo,
sei que sou péssimo exemplo,
por pouca coisa me grilo,
talvez por mim percas quilos,
eu não sei se valho a pena,
iguais a mim, há centenas,
desejo te ser sincera.
Mas no fundo o amor espera
que grudes qual carrapicho:
são tão grandes meu rabicho
e minha paixão por ti,
que não estão no gibi...
Ao te ver, viro pamonha,
sem ação, e sem vergonha
o meu ser inteiro goza.
Por isso, pra encurtar prosa,
do teu corpo, cada poro
eu adoro adoro adoro...

1 129
Ondina Castilho

Ondina Castilho

Sou sua pálida amante vaporosa

Sou sua pálida amante vaporosa,
Na volúpia das noites andaluzas.
Meu sangue ardente em minhas veias rolas...
Minha alma é uma fonte sonhadora.
Longe de ti bebo teus perfumes
Sonho com Você e me sinto seminua.

897
Manuela Amaral

Manuela Amaral

Auto de fé

Não me arrependo dos amores que tive
dos corpos de mulher por quem passei
a todos fui fiel
a todos eu amei

Não me arrependo dos dias e das noites
em que o meu corpo herói ganhou batalhas
A um palmo do umbigo eu fui primeira
a divina
a deusa

a verdadeira mulher – sem rival.

Amei tantas mulheres de que nem sei o nome
eu só me lembro apenas
de abraços
de pernas
de beijos
e orgasmos

E no amor que dei
e no Amor que tive
eu fui toda mulher – fui vertical

Eu fui mulher em espanto
fui mulher em espasmo
fui o canto proibido e solitário

Só tenho um itinerário: Amor-Mulher.

1 839
Chico Buarque

Chico Buarque

Mar e lua

Amaram o amor urgente
As bocas salgadas pela maresia
As costas lanhadas pela tempestade
Naquela cidade
Distante do mar
Amaram o amor serenado
Das noturnas praias
Levantavam as saias
E se enluaravam de felicidade
Naquela cidade
Que não tem luar
Amavam o amor proibido
Pois hoje é sabido
Todo mundo conta
Que uma andava tonta
Grávida de lua
E outra andava nua
Ávida de mar

E foram ficando marcadas
Ouvindo risadas, sentindo arrepios
Olhando pro rio tão cheio de lua
E que continua
Correndo pro mar
E foram correnteza abaixo
Rolando no leito
Engolindo água
Boiando com as algas
Arrastando folhas
Carregando flores
E a se desmanchar
E foram virando peixes
Virando conchas
Virando seixos
Virando areia
Prateada areia
Com lua cheia
e à beira-mar

1 891
Vicent Andrés Estellés

Vicent Andrés Estellés

Tot açò que ja no pot ser

Et besaria lentament,
et soltaria els cabells,
tacariciaria els muscles,
tagafaria el cap
per a besar-te dolçament,
estimada meua, dolça meua,
i sentir-te, encara més nina,
més nina encara sota les mans,
dessota els pèls del meu pit
i sota els pèls de lengonal,
i sentir-te sota el meu cos,
amb els grans ulls oberts,
més que entregada confiada,
feliç dins els meus abraços.
Et veuria anar, tota nua,
anant i tornant per la casa,
tot açò que ja no pot ser.
Sóc a punt de dir el teu nom,
sóc a punt de plorar-lo
i descriurel per les parets,
adorada meua, petita.
Si em desperte, a les nits,
em desperte pensant en tu,
en el teu daurat i petit cos.
Testimaria, tadoraria
fins a emplenar la teua pell,
fins a emplenar tot el teu cos
de petites besades cremants.
És un amor total i trist
el que sent per tu, criatura,
un amor que memplena les hores
totalement amb el record
de la teua figura alegre i àgil.
No deixe de pensar en tu,
em pregunte on estaràs,
voldria saber què fas,
i arribe a la desesperació.
Com testime! Em destrosses,
tacariciaria lentament,
amb una infinita tendresa,
i no deixaria al teu cos
cap lloc sense la meua carícia,
petita meua, dolça meua,
aliena probablement
a lamor que jo sent per tu,
tan adorable! Timagine
tèbia i nua, encara innocent,
vacil.lant, i ja decidida,
amb les meues mans als teus muscles,
revoltant-te els cabells,
agafant-te per la cintura
o obrint-te les cames,
fins a fer-te arribar, alhora,
amb gemecs i retrocessos,
a lespasme lent del vici;
fins a sentir-te enfollir,
una instantània follia:
tot açò que ja no pot ser,
petita meua, dolça meua.
Et recorde i estic plorant
i sent una tristesa enorme,
voldria ésser ara al llit,
sentir el teu cos prop del meu,
el cos teu, dolç i fredolic,
amb un fred de col.legiala,
encollida, espantada; vull
estar amb tu mentre dorms,
el teu cul graciós i dur,
la teua adorable proximitat,
fregar-te a penes, despertar-te,
despertar-me damunt el teu cos,
tot açò que ja no pot ser.
Et mire, i sense que tu ho sàpies,
mentre et tinc al meu davant
i testrenyc, potser, la mà,
tevoque en altres territoris
on mai havem estat;
contestant les teues paraules,
visc una ègloga dolcíssima,
amb el teu cos damunt una catifa,
damunt els taulells del pis,
a la butaca dun saló
de reestrena, amb la teua mà
petita dintre la meua,
infinitament feliç,
contemplant-te en lobscuritat,
dos punts de llum als teus ulls,
fins que al final em sorprens
i sens dubte em ruboritzes,
i ja no mires la pantalla,
abaixes llargament els ulls.
No és possible seguir així,
jo bé ho comprenc, però ocorre,
tot açò que ja no pot ser.
Revisc els dolços instants
de la meua vida, però amb tu.
És una flama, és una mort,
una llarga mort, aquesta vida,
no sé per què the conegut,
jo no volia conèixer-te...
A qualsevol part de la terra,
a qualsevol part de la nit,
mor un home damor per tu
mentre cuses, mentre contemples
un serial de televisió,
mentre parles amb una amiga,
per telèfon, dalgun amic;
mentre que et fiques al llit,
mentre compres en el mercat,
mentre veus, al teu mirall,
el desenvolupament dels teus pits,
mentre vas en motocicleta,
mentre laire et despentina,
mentre dorms, mentre orines,
mentre mires la primavera,
mentre espoles les estovalles,
mor un home damor per tu,
tot açò que ja no pot ser.
Que jo me muir damor per tu.

1 659
William Dumbar

William Dumbar

Xi! fez ela com alegre gargalhada

Seja meu bezerro e minha mamada
Meu pequeno chorão com gana
E toda alegria que meu corpo reclama
Meu doce rapaz, solitária ceia
Homem algum amei esta semana
Como é bom ver sua cara feia.

Ele disse: minha alegria e minha queixa
minha sopa de carneiro, meu doce de ameixa
Não seja dura com seu Joãozinho
Tenha coração quente e não mauzinho
Seu pescoço branco como osso de baleia
faz uma ereção no meu pintinho
Você quebre meu coração e meus ossos incendeia.

648
Urhacy Faustino

Urhacy Faustino

De boca aberta

Em nossas brigas não voam televisões,
nem há corporais agressões:
o verbo é a flecha que nos perfura
mesmo nos tempos e modos que a gente se censura.
Trocamos o costumeiro texto sacana
por verborrágica luta insana
e, se alguém se sente em desvantagem,
apela pra figuras de linguagem,
misturando metáforas, pleonasmos,
com licenças poéticas, no orgasmo
ao medirem forças dois titãs.
Até que já sem fala, de manhã,
mais sedentos que famintos, como taças
nos bebemos um ao outro, extasiados
de repente sem palavras, embrigados,
(eis que a língua se enrola, a gramática falha),
nos lambemos em nossa cama de batalha,
onde desejos e tesões explodem atômicos
em delírios guturais, gozando afônicos.

742
Chico Buarque

Chico Buarque

Folhetim

Se acaso me quiseres
Sou dessas mulheres
Que só dizem sim
Por uma coisa à toa
Uma noitada boa
Um cinema, um botequim

E, se tiveres renda
Aceito uma prenda
Qualquer coisa assim
Como uma pedra falso
Um sonho de valsa
Ou um corte de cetim

E eu te farei as vontades
Direi meias verdades
Sempre à meia luz
E te farei, vaidoso, supor
Que és o maior e que me possuis

Mas na manhã seguinte
Não conta até vinte
Te afasta de mim
Pois já não vales nada
És página virada
Descartada do meu folhetim

3 240
Marisa Monte

Marisa Monte

Beija eu

Seja eu,
Seja eu,
Deixa que eu seja eu.
E aceita
o que seja seu.
Então deira e aceita eu.

Molha eu,
Seca eu,
Deixa que eu seja o céu.
E receba
o que seja seu.
Anoiteça e amanheça eu.

Beija eu,
Beija eu,
Beija eu, me beija.
Deixa
o que seja ser.
Então beba e receba
Meu corpo no seu corpo,
Eu no meu corpo.
Deixa,
Eu me deixo.
Anoiteça e amanheça.

1 999
Chico Buarque

Chico Buarque

Amando sobre os jornais

Amando noite afora
Fazendo a cama sobre os jornais
Um pouco jogados fora
Um pouco sábios demais
Esparramados no mundo
Molhamos o mundo com delícias
As nossas peles retintas
De notícias

Amando noites a fio
Tramando coisas sobre os jornais
Fazendo entornar um rio
E arder os canaviais
Das páginas flageladas
Sorrimos mãos dadas e, inocentes
Lavamos os nossos sexos
Nas enchentes

Amando noites a fundo
Tendo jornais como cobertor
Podendo abalar
o mundo
No embalo do nosso amor
No ardor de tantos abraços
Caíram palácios
Ruiu um império
Os nosso olhos vidrados
De mistério

1 430
Ylia Kazama

Ylia Kazama

Tesitura

1

Hoy tengo un deseo que me hace nueva...
Mi intención "hombre de agua" es:
obsesionarte con mi beso;
amarte con fascinación,
con adoración ferviente.
Haremos el amor... delicadamente.

2

Cuando tu boca apenas me roza
me convierte en una parcela llena de humedad.
Me seduces a la liviandad.

3

Mi liviandad tu la provocas, con tu mirada de beso
con tu beso de ... quiero!.

4

Tu cuerpo cálido es una invitación abierta al amor.
No sólo a la demostración física...
Hablo del sentimiento vasto e infinito.
De la pasión que no decrece con la presencia,
de la que se intensifica con la ausencia.
Hablo de lo que me inspira
tu esencia y contexto.
Lleno de defectos, que bien claro miro
y no me asusta; que asumo como algo tuyo.
Hablo de algo muy sencillo:
del amor que por ti siento.

5

Me encanta como suenas,
tu sabor, olor
y textura.
Me fascina como piensas,
tu manera de mirar
y locura.

6

A qué sabrá tu boca en la mañana?
A membrillo?, a durazno?... a limón!.
Cómo se oirá tu corazón en la mañana?
Cómo un tambor?... cómo trombón?... cómo canción!.
Cómo despertaras después de "eso", en la mañana?
Humanamente?... amantemente?... Amadamente!.

7

La noche es un milagro.
Transitar por ella me hace vasta.
La obscuridad es vulnerabilidad
en espacio impenetrable.
Vulnerabilidad es la obscuridad.
Vasta me hace transitar por ella.
Es un milagro la noche

8

Mientras despierta sueño,
que soy tu sueño.
Que sueñas
que te sueño
y así... no duermo.

9

Pienso que estoy en tu pensamiento
que piensas que te pienso
y así.... me duerme.

10

La noche ya llego... estoy dispuesta al amor.
Dispuesta a tu amor... amanezco.

11

Acontece que amanece cuando el amor llega.

12

Vengo a descubrir que la inspiración
algo te la da.
Sólo falta un beso... te besan y ya!.

13

No sé sí estoy inspirada o sólo enamorada.

14

Entre el amor, la noche, el sueño,
la realidad, el deseo;
la pasión y la ternura
está la tesitura.

1 011
Li Shang-Yin

Li Shang-Yin

São

tão difíceis os encontros, mais difícil a separação.

O vento leste perdeu a força, murcharam todas as flores.
Na Primavera, os bichos-da-seda tecem, até morrer, os fios do coração;

As lágrimas da vela não secam até o pavio ser cinza.
De manhã vendo-se ao espelho: ficará grisalho o cabelo?
Repetindo um poema durante a noite, sentirá o arrepio do luar?
Não é longe, daqui até ao Rio Escuro —
Pássaro Azul, depressa, vigia-me a estrada.

842
Amparo Jimenez

Amparo Jimenez

Obsequio

(A Rosamaría)

Este orgasmo,
tan celosamente
guardado
para tí,
hoy,
amorosa,
lo entregué a mi mano.

1 182
Bocage

Bocage

Cante a guerra quem for arrenegado

Cante a guerra quem for arrenegado,
Que eu nem palavra gastarei com ele;
Minha Musa será sem par canela
Coum felpudo coninho abraseado:

Aqui descreverei com arreitado
Num mar de bimbas navegando à vela,
Cheguei, propício o vento, à doce, àquela
Enseada dAmor, rei coroado:

Direi também os beijos sussurrantes,
Os intrincados nós das línguas ternas,
E o aturado fungar de dois amantes :

Estas glórias serão na fama eternas;
Às minhas cinzas me farão descantes
Fêmeos vindouros, alargando as pernas.

1 491
Luís Filipe Castro Mendes

Luís Filipe Castro Mendes

Numa praia

Em cada corpo recomeça o mundo,
mas onde então acaba este começo?
Amor não sabe mais o que é profundo,
vem da pele e respira só no verso.

Passamos a toalha pelo corpo,
com o suor a enxugar a morte:
há gotas de água fria no teu rosto,
em ti meus dedos lêem sua sorte.

Um riso nos chamou,fulgor ou seta,
e o dia se refez sem mais promessa.
Nos meus dedos ficou a ferida aberta:
só no teu corpo o mundo recomeça.
1 733
Natália Correia

Natália Correia

Escrito numa ânfora grega

É o teu amor que espalha a tinta
Na minha tela da cor da sede:
Paisagem que a tua paixão pinta
Para eu pendurar numa parede.
Candidatura a bem-amado
Das minhas núpcias de aracnídeo,
Contigo a ver-me de um telhado,
altura própria para um suicídio.
Mas prometida a um olhar marujoNa lenda de um Fáon que nunca chega
Quanto mais me amas,mais eu te fujo.
Falta cumprir a sina grega.

de Inéditos(1966/68)

2 098
José Tolentino Mendonça

José Tolentino Mendonça

Da verdade do amor

Da verdade do amor se meditam
relatos de viagens confissões
e sempre excede a vida
esse segredo que tanto desdém
guarda de ser dito
pouco importa em quantas derrotas
te lançou
as dores os naufrágios escondidos
com eles aprendeste a navegação
dos oceanos gelados
não se deve explicar demasiado cedo
atrás das coisas
o seu brilho cresce sem rumor
2 396
Amílcar Dória

Amílcar Dória

When You are Old

When You are Old

When you are old and grey and full of sleep,

And nodding by the fire, take down this book,

And slowly read, and dream of the soft look

Your eyes had once, and of their shadows deep;

How many loved your moments of glad grace,

And loved your beauty with love false or true,

But one man loved the pilgrim soul in you,

And loved the sorrows of your changing face;

And bending down beside the glowing bars,

Murmur, a little sadly, how Love fled

And paced upon the mountains overhead

And hid his face amid a crowd of stars.

923
Juan-Eduardo

Juan-Eduardo

Vivir es carecer Del gran desastre

brota una luz de amor sin redención,
un color de violetas y de rosas
cayendo en um abismo sin final.

Mi corazón se alarga hacia la muerte,
crece con este nudo de dolor.
Y las negras hogueras del no ser
consumen mis azules construcciones.

Boca de mi esplendor,¿dónde tu forma;
dónde la fundación del sufrimiento?
La vacilante mano de la sombra
me cruza las palabras sobre el pecho.

881
Juan-Eduardo

Juan-Eduardo

Canto de

la vida muerta

Atado a mi temblor,alto cultivo,
huésped amargo de mi sol furioso,
caí de mis glaciares interiores
a las rosas praderasque lamento.
Resido en estos campos encendidos
y toco con mis dedos de paloma
el tibio corazón del horizonte.

Desnudos arrasados,blancos valles
desdicen el celeste clamor.Altos
árboles que soportan mi esperanza
demoran su cristal de fiel ceniza
y,altares de este fuego momentáneo,
invaden el espacio con sus himnos.

Crepúsculos inmensos,tristes pájaros
acuden a las costas derribadas.
El lirio y la violeta no repiten
ya sus rondas azules y dulcíssimas.
Arcángeles sin armas,sombras puras
recorren las veredas extinguidas.
Asciende por las blancas oquedades
un obscuro dolor.Van sin orillas
las músicas,las islas.Iniciales
suplicios cierran círculos,anillos,
ciñendo mi pasión con su secreto.

¡No es la muerte!La muerte era la vida.
La muerte era este beso exasperado,
la muerte era este muro deslumbrante,
la muerte era este almendro florecido,
la muerte era mi voz enamorada,
la muerte era el recuerdo,era la mano,
la muerte era mi verde golondrina,
no este cisne sin luz,deshabitado,
no este absorto fulgor que no varía,
no esta forma perpetuamente sola,
no este sangre sin sangre y sin latido.

Ruinas celestes cavan mi dulzura,
los pórticos del mundo están abiertos.
Nada espera al estéril infortunio
más allá de las rotas mansedumbres.
La noche es el esplejo tembloroso.
¡Qué pérdida parcila nos arrebata
gota a gota,solemnes,lejanísimos!
¡Qué espada indestructible,qué planeta
vigila nuestra sed y nuestro abrazo!

Surgen,arden,destruyen,se propagan
los órdenes profundos,los ocultos.
Una calma inmutable pace nubes,
islas,sienes eternamente aisladas.
Allá no se comprende la amapola,
los sollozos carecen de sentido.
Inútiles la flor y el pensamiento
un mar de lisa piedra los domina.

Sin tocar con los labios esta inmensa
ternura que traspasa mis estrañas
transito por los campos derramados.
Unas alas caídas,un paisaje
impasible,de cerca o de platino,
un grito sin final y sin comienzo
existen,sin saber,sin conocerse.

Astros negados;verdes esmeraldas,
grandes zafiros de luz transparente,
lentos invaden el jardin dormido.
El día era una senda repetida,
una rueda de lívidos metales,
sobre las blandas cúpulas del muerto
del desolado mundo compartido.
Rubís exasperados flotan,suben,
rosas naranjas de rumor caliente.
La noche ha terminado;no es la vida.
La vida era aquel raso desgarrado
aquella disonancia innumerable
era el árbol perdido en el océano.
La vida era aquel mármol corrompido,
aquel sistema intenso de cadenas,
aquel monte de sangre,aquellas dulces
columnas de luz dulce,ya reseca:
un ciego debatirse junto al río
infinito de soles cementerios.
La vida era como un pañuelo blanco
agitado entre cumbres y gemidos,
era como fragancia infranqueable,
como yerma doncella visitada.

¡Virginales batallas!¡Albas cimas!
Un éxtasis de rosa o de martirio
desciende a mi silencio arrodillado.
Circundado por horas absolutas,
por severas murallas desposadas,
caída rama,resplandor incólume,
insisto em mi oración sin esperanza.

Llueven plumas de fuego,nievan llamas
y pétalos que encienden mis cabellos,
mis hombros graves,mi vestido blanco.
Huésped amargo de este sol furioso,
del demente laurel de mi presencia,
resido en estos cantos.La palabra
abre vivas ventanas en mi frente.
Ave del Paraíso me visitan,
espumas me acarician.Esta tierra
que yo amo me contempla con mis ojos
que sólo durarán lo que el relámpago.
En sus labios yo entono este Misterio,
yo niego,yo sollozo,yo bendigo,
y muero cada instante mientras ardo,
vencido por un hierro irresistible,
atado a mi temblor,alto cautivo.

1 013