Amor
Poemas neste tema
Arita Damasceno Pettená
Tarde demais
Era frio, muito frio .
Frio na tarde, frio em mim..
Olhos em pranto,
Alma em desencanto,
Parti a caminhar .
E no melancólico crepúsculo,
Ouvi uma voz que dizia :
Esqueça !
ConTinuei a caminhada .
Era noite, muito noite então .
Estrelas perfilavam o firmamento,
Num brilho nostálgico o solitário .
E dentro da noite vazia,
Rosto banhado em luar,
Ouvi outra voz que dizia :
Perdoa !
Prossegui a cavalgada .
E já não havia mágoa
E nem mais ressentimento .
Foi quando então o coração falou :
Volta !
Voltei .
Mas era tarde,
Muito tarde então .
Nunca mais o encontrei!
Antonio Ferreira dos Santos Júnior
Pressentida Saudade
Deste presente
Nos longes do meu futuro.
Corpo que apalpo
E que enlaço
E que prevejo a perda.
A saudade futura
Me oprime o presente
Que vivo.
Antonio de Deus Teles Filho
Olhos
a beleza de sua serenidade,
sua sensibilidade.
Na sua face,
o encanto cativante
e sedutor do seu sorriso.
Os movimentos do seu corpo,
despertando em mim
um sentimento forte
e bom como a luz que você irradia.
Nos nossos passos,
o rítmo de nossas vidas,
querendo durar acima do tempo
e eternizar-se na quietude da noite.
Adriana Lustosa
Linguística
eu pensei que fosse o fim de tudo.
Depois do hiato,
vi romper a intercalação do desejo,
essa vírgula e a surpresa.
Você me beijou
ficou no ar aquela imensa interrogação,
efeito da linguística
Apenas começavamos um novo parágrafo
mas eu não sabia,
imaginei coisas tolas sobre a língua.
Não tive palavras para disfarçar
meu falso cognato
ao invés de gritar
quase silencio de uma vez por todas
A poesia fez as vozes do meu coração
Apertei a gramática
com alguns métodos pouco ortodoxos
consegui um ponto final
que não terminou com o q já existia.
Daí, então, fiz a vez de poeta romântico,
num português impecável;
entre um beijo e outro
consegui dizer: eu te amo.
E outras tantas coisas
Depois esqueci do ponto e da vírgula:
resolvi ser professor de matemática.
Torquato Tasso
VITA DE LA MIA VITA
tu me pareces azeitona pálida,
ou bem uma rosa esquálida,
mas de beleza és diva,
e em qualquer modo sempre me és querida,
ou anelante, ou esquiva;
e quer fujas, quer sigas,
suavemente me destróis e obrigas.
Poemas Sânscritos
DE AMARU
- Aonde vais pela alta noite dentro?
- Encontrar-me com quem me é vida e morte.
- E não tens medo de sair tão só?
- Sozinha? Eu? Se vai comigo o amor!
Marcial
VI, 8 - A SEVERO
Advogados sete, e poetas dez,
Todos à mão da filha se fizeram
De certo velho. E ele ao pregoeiro
Eulogo foi que a mão da jovem deu.
Não foi, Severo, sábia a decisão?
Maurice Scève
COMO DOS RAIOS DESTE SOL FORMOSO
Toma alimento a flor na Primavera
Me sinto bem à luz dos olhos teus,
E longe e perto deles, persevero.
De modo que, gentil, meu Coração
Me deixa vê-la nesta mesma essência,
Como o Olhar me faria, ela presente,
Cuja beleza, perseguindo, adoro:
Por isso, em nada afeta a sua ausência,
Pois, sem querer, eu vou sempre a seu lado.
Marcial
V, 83-A DÍNDIMO
O que tu quers não quero, o que não quers eu quero.
Max Jacob
NOITE INFERNAL
nos meus ombros. Qualquer coisa de pegajoso agarra-se-me ao pescoço. Urna voz vem do céu
e grita: Monstro! sem que eu saiba se é de mim e dos meus vícios que se
trata ou se quer significar afinal o ser viscoso que se agarra a mim.
Gaio Petrónio Árbitro
FOEDA EST IN COITUS
Quanto a que a Vénus a exaustão persegue.
Não bestas somos, ao precipitá-la,
Na rapidez final a que corremos
(O amor se queima em sua própria chama).
Mas lá, oh, lá, nas férias sempiternas,
Nos possuiremos de oscular perene.
Lá cansaço não há, nem carne triste.
Lá só de gozo o gozo gozará.
Lá não acaba o que começa sempre.
Alfred Edward Housman
THE SIGTH THAT HEAVES
Onde jamais te hás-de erguer,
É só do ar que ali passa
Sem de suspiros saber.
As lágrimas de diamante
Que adornam teu leito ali
São por certo da manhã -
Que chora, mas não por ti.
T. S. Eliot
UMA DEDICATÓRIA A MINHA ESPOSA
Que me estimula os sentidos nas horas acordadas
E o ritmo que nos governa o repouso nas horas dormidas,
A respiração em uníssono
Dos amantes cujos corpos cheiram um ao outro
Que pensam os mesmo pensamentos sem precisar de palavras
E balbuciam as mesmas palavras sem precisar de sentido.
Nenhum vento de inverno impertinente vai gelar
Nenhum sol de trópico rabugento vai fazer murchar
As rosas no rosal que é nosso que é só nosso
Mas esta dedicatória é para outros lerem:
São palavras reservadas dirigidas a você em público.
Gaio Petrónio Árbitro
LECTO COMPOSITUS
Mal eu cansados olhos ao repouso dava,
Quando o cruel Amor me agarra plos cabelos,
Me acorda e manda que em su honra eu vele.
Ó escravo meu, me diz, ó tu que a mil amaste,
Sozinho jazes só, ó duro peito, aqui?
Descalço e semi-nu, atiro-me pra fora,
Pelos caminhos vou, sem que caminho encontre.
E sigo sempre, e paro, e no parar hesito
Entre a vergonha de ir e o tédio de voltar.
Calam-se humanas vozes, e da rua os ruídos,
Ave nenhuma canta, e sequer ladram cães.
De tudo, apenas eu me atrevo a estar desperto,
Obedecendo ao império, Grande Amor, de ti.
Thomas Hardy
I NEED NOT GO
por neve sem lei
aonde bem sei
que espera silente?
Há-de aguardar
possa eu poupar
o tempo a gastar
com outra gente.
Quando eu me farte
do mundo a ser parte,
e quando mais arte
já sobre ao que sei,
tempo é de ir aonde
o cipreste a esconde,
como quem responde:
Enfim, cá voltei.
Se o dia chegar
de ninguém negar
o que eu procurar,
e ainda eu não for
(com boa medida
ao ócio atribuída
no prazer sem brida),
paciente é o amor.
Não venham ralhar-me
por meu demorar-me
e nem perguntar-me
porque me fiquei.
Cuidados me chamam,
amores me inflamam,
Ela é dos que não clamam:
atura-me, eu sei.
Marcial
V, 55 - SOBRE UMA ÁGUIA TRANSPORTANDO JÚPITER
- Transporto o Deus Tonante. - E como El não detém
Na mão os raios seus? - Apaixonado está.
- Por quem é que o deus arde? - Por uma criança. -
E porque docemente, entreaberto o bico,
Te voltas para EI? - De Ganimedes falo.
Alfred Edward Housman
IN THE MORNING
No feliz campo de feno,
Oh, fitaram-se um ao outro
À luz do dia sereno.
Na manhã de azul e prata
Sobre o feno se deitavam,
Oh, fitaram-se um ao outro,
E seus olhares desviavam.
Konstantínos Kaváfis
CINZENTOS
Ao olhar uma opala meio cinzenta
lembrei-me de dois belos olhos cinzentos
que vi; haverá uns vinte anos...
.........................
Durante um mês amámo-nos.
Foi-se embora depois creio que para Esmirna,
para lá trabalhar, e nunca mais nos vimos.
Ter-se-ão desfeado - se vive - os olhos cinzentos;
ter-se-á estragado o belo rosto.
Memória minha, guarda-os tu tais como eram.
E, memória, o que podes deste meu amor,
o que podes traz-me de volta esta noite.
Jean de La Fontaine
Invocação à volúpia
Sem ti, doce Volúpia, o viver e o morrer
Teriam, desde o berço, idêntico valor:
De toda a criação, universal pendor,
Com que força fatal, tu consegues prender!
Tudo, por ti,
aqui se passa.
Por tua causa e
tua graça,
A duras penas
todos vão:
Não há soldado,
capitão,
Nem fidalgo, plebeu, nem Ministro de Estado,
Que em ti não
tenha o olhar pregado
Das Musas na afeição, se, de serões nascido,
Um agradável som não nos encanta o ouvido,
E se ele não nos traz amena sensação,
Tentamos nós uma
canção?
O que, pomposamente, é chamado de glória
E, nos jogos dOlimpo, exalçava a vitória,
Precisamente, és tu, Volúpia divinal.
E seu preço não tem o prazer sensual?
E então por que
os dons de Flora,
O pôr-do-sol, a
linda Aurora,
Pomona e seus
finos manjares,
Baco, razão dos
bons jantares,
Florestas,
fontes, pradarias,
Mães de
fagueiras fantasias?
Belas artes, por quê? de quem és a nascente,
Por que tanta beldade, amável, atraente,
Se não pra vires, até nós, sempre morar?
Eis o meu parecer, por mais procure alguém
O seu desejo
castigar,
Algum prazer inda
lhe vem.
Ó Volúpia gentil, que, na Grécia de outrora,
De um pensador
foste senhora,
Não me desprezes não: vem à minha morada,
Não ficarás sem
fazer nada:
Amo os livros, o amor, música e diversão,
Cidade, campo, enfim; o mundo nada tem
Que não me seja
enorme bem,
Mesmo o aflito prazer de um triste coração.
Vem, pois, e desse bem, ó Volúpia querida,
Queres então saber a medida acertada?
Pelo menos preciso uns cem anos de vida,
Pois trinta só
é quase nada...
Alfred Edward Housman
IF TRUTH IN HEARTS
Movesse os altos poderes,
O grande amor que te tenho
Não deixara tu morreres.
Sim: que se um firme sentido
Um pensar puro salvara,
Podia o mundo acabar,
Que a ti ninguém enterrara.
Este longo e fundo querer
Tal desejo de agradar-te
- Ai para sempre vivias,
Se pudesse isto salvar-te.
Mas porque nada é assim,
Sê gentil ainda comigo,
Antes que partas pra onde
Não terás melhor amigo.
Ivaldo Gomes
Sexo virtual
Como se possível é
Assim te deixar louca
Rouca de desejos
Beijos.
Se a imaginação não existisse..
O coração não sentiria
O pulso não pulsaria
E os dedos, ávidos de desejos
Delineasse as curvas,
Os gestos, no teclado
Noite a dentro.
Vadios de nós...
Nos lençóis virtuais
Amar o não visto
Dos gemidos dados
Ouvidos ao longe
Oceanos a dentro.
E nós, desse jeito...
Sem jeito algum
Procurando um jeito de
Se conquistar
Conquistar-se.
E nós reinventando a roda.....
Nos beijos, desejos,
Vontades sem fim.
Como que se fosse possível
Matar todas as sedes
Desse nosso sentir.
Sexo Virtual?
Onde?
Caio Valério Catulo
85
ignoro, mas sinto que acontece, e sofro.
Simone Barbariz
Crime
Local do crime: a cama.
Réus: eu e você.
Crime cometido: amor louco e desenfreado,
Amor sem limites,
Amor em todas suas formas possíveis,
Em todas as formas em que éramos compatíveis.
Acoplados com a perfeição de dois módulos espaciais,
Onde qualquer erro milimétrico,
Compromete o sucesso da missão...
Missão cumprida...
A missão foi um sucesso total,
Pois dois corpos tornaram-se um!
Não mais existia eu e você,
Mas, sim, eu-você...
Cometemos um crime perfeito!
Caio Valério Catulo
LXX
Do que eu para se casar, caso o próprio
Júpiter não se imponha. Assim ela tem dito:
Mas o que uma mulher diz ao amante
Apaixonado deveria ser escrito
Sobre o vento e na água torrencial.
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