Escritas

Amor

Poemas neste tema

Arita Damasceno Pettená

Arita Damasceno Pettená

Tarde demais

Tarde demais

Era frio, muito frio .
Frio na tarde, frio em mim..
Olhos em pranto,
Alma em desencanto,
Parti a caminhar .
E no melancólico crepúsculo,
Ouvi uma voz que dizia :
Esqueça !

ConTinuei a caminhada .
Era noite, muito noite então .
Estrelas perfilavam o firmamento,
Num brilho nostálgico o solitário .
E dentro da noite vazia,
Rosto banhado em luar,
Ouvi outra voz que dizia :
Perdoa !

Prossegui a cavalgada .
E já não havia mágoa
E nem mais ressentimento .
Foi quando então o coração falou :
Volta !
Voltei .
Mas era tarde,
Muito tarde então .
Nunca mais o encontrei!

1 069
Antonio Ferreira dos Santos Júnior

Antonio Ferreira dos Santos Júnior

Pressentida Saudade

Pressentida saudade
Deste presente
Nos longes do meu futuro.

Corpo que apalpo
E que enlaço
E que prevejo a perda.

A saudade futura
Me oprime o presente
Que vivo.

913
Antonio de Deus Teles Filho

Antonio de Deus Teles Filho

Olhos

Nos seus olhos,
a beleza de sua serenidade,
sua sensibilidade.
Na sua face,
o encanto cativante
e sedutor do seu sorriso.
Os movimentos do seu corpo,
despertando em mim
um sentimento forte
e bom como a luz que você irradia.
Nos nossos passos,
o rítmo de nossas vidas,
querendo durar acima do tempo
e eternizar-se na quietude da noite.

865
Adriana Lustosa

Adriana Lustosa

Linguística

Um ponto
eu pensei que fosse o fim de tudo.
Depois do hiato,
vi romper a intercalação do desejo,
essa vírgula e a surpresa.
Você me beijou
ficou no ar aquela imensa interrogação,
efeito da linguística
Apenas começavamos um novo parágrafo
mas eu não sabia,
imaginei coisas tolas sobre a língua.
Não tive palavras para disfarçar
meu falso cognato
ao invés de gritar
quase silencio de uma vez por todas
A poesia fez as vozes do meu coração
Apertei a gramática
com alguns métodos pouco ortodoxos
consegui um ponto final
que não terminou com o q já existia.
Daí, então, fiz a vez de poeta romântico,
num português impecável;
entre um beijo e outro
consegui dizer: eu te amo.
E outras tantas coisas
Depois esqueci do ponto e da vírgula:
resolvi ser professor de matemática.

909
Torquato Tasso

Torquato Tasso

VITA DE LA MIA VITA

Vida da minha vida,
tu me pareces azeitona pálida,
ou bem uma rosa esquálida,
mas de beleza és diva,
e em qualquer modo sempre me és querida,
ou anelante, ou esquiva;
e quer fujas, quer sigas,
suavemente me destróis e obrigas.

1 432
Poemas Sânscritos

Poemas Sânscritos

DE AMARU

1
- Aonde vais pela alta noite dentro?
- Encontrar-me com quem me é vida e morte.
- E não tens medo de sair tão só?
- Sozinha? Eu? Se vai comigo o amor!

835
Marcial

Marcial

VI, 8 - A SEVERO

Pretores dois, e mais tribunos quatro,
Advogados sete, e poetas dez,
Todos à mão da filha se fizeram
De certo velho. E ele ao pregoeiro
Eulogo foi que a mão da jovem deu.
Não foi, Severo, sábia a decisão?

498
Maurice Scève

Maurice Scève

COMO DOS RAIOS DESTE SOL FORMOSO

Como dos raios deste Sol formoso
Toma alimento a flor na Primavera
Me sinto bem à luz dos olhos teus,
E longe e perto deles, persevero.
De modo que, gentil, meu Coração
Me deixa vê-la nesta mesma essência,
Como o Olhar me faria, ela presente,
Cuja beleza, perseguindo, adoro:
Por isso, em nada afeta a sua ausência,
Pois, sem querer, eu vou sempre a seu lado.

1 002
Marcial

Marcial

V, 83-A DÍNDIMO

Persegues-me, te fujo. Foges, te persigo.
O que tu quers não quero, o que não quers eu quero.

588
Max Jacob

Max Jacob

NOITE INFERNAL

Qualquer coisa de horrivelmente frio cai
nos meus ombros. Qualquer coisa de pegajoso agarra-se-me ao pescoço. Urna voz vem do céu
e grita: Monstro! sem que eu saiba se é de mim e dos meus vícios que se
trata ou se quer significar afinal o ser viscoso que se agarra a mim.

1 062
Gaio Petrónio Árbitro

Gaio Petrónio Árbitro

FOEDA EST IN COITUS

Brutal na posse e é breve uma volúpia,
Quanto a que a Vénus a exaustão persegue.
Não bestas somos, ao precipitá-la,
Na rapidez final a que corremos
(O amor se queima em sua própria chama).
Mas lá, oh, lá, nas férias sempiternas,
Nos possuiremos de oscular perene.
Lá cansaço não há, nem carne triste.
Lá só de gozo o gozo gozará.
Lá não acaba o que começa sempre.

936
Alfred Edward Housman

Alfred Edward Housman

THE SIGTH THAT HEAVES

O suspiro que erva ondula
Onde jamais te hás-de erguer,
É só do ar que ali passa
Sem de suspiros saber.

As lágrimas de diamante
Que adornam teu leito ali
São por certo da manhã -
Que chora, mas não por ti.

1 029
T. S. Eliot

T. S. Eliot

UMA DEDICATÓRIA A MINHA ESPOSA

A quem devo o súbito prazer
Que me estimula os sentidos nas horas acordadas
E o ritmo que nos governa o repouso nas horas dormidas,
A respiração em uníssono

Dos amantes cujos corpos cheiram um ao outro
Que pensam os mesmo pensamentos sem precisar de palavras
E balbuciam as mesmas palavras sem precisar de sentido.

Nenhum vento de inverno impertinente vai gelar
Nenhum sol de trópico rabugento vai fazer murchar
As rosas no rosal que é nosso que é só nosso

Mas esta dedicatória é para outros lerem:
São palavras reservadas dirigidas a você em público.

2 949
Gaio Petrónio Árbitro

Gaio Petrónio Árbitro

LECTO COMPOSITUS

Alongado no leito, e a noite silenciosa,
Mal eu cansados olhos ao repouso dava,
Quando o cruel Amor me agarra plos cabelos,
Me acorda e manda que em su honra eu vele.
Ó escravo meu, me diz, ó tu que a mil amaste,
Sozinho jazes só, ó duro peito, aqui?
Descalço e semi-nu, atiro-me pra fora,
Pelos caminhos vou, sem que caminho encontre.
E sigo sempre, e paro, e no parar hesito
Entre a vergonha de ir e o tédio de voltar.
Calam-se humanas vozes, e da rua os ruídos,
Ave nenhuma canta, e sequer ladram cães.
De tudo, apenas eu me atrevo a estar desperto,
Obedecendo ao império, Grande Amor, de ti.

785
Thomas Hardy

Thomas Hardy

I NEED NOT GO

Porque ainda irei
por neve sem lei
aonde bem sei
que espera silente?
Há-de aguardar
possa eu poupar
o tempo a gastar
com outra gente.

Quando eu me farte
do mundo a ser parte,
e quando mais arte
já sobre ao que sei,
tempo é de ir aonde
o cipreste a esconde,
como quem responde:
Enfim, cá voltei.

Se o dia chegar
de ninguém negar
o que eu procurar,
e ainda eu não for
(com boa medida
ao ócio atribuída
no prazer sem brida),
paciente é o amor.

Não venham ralhar-me
por meu demorar-me
e nem perguntar-me
porque me fiquei.
Cuidados me chamam,
amores me inflamam,
Ela é dos que não clamam:
atura-me, eu sei.

1 386
Marcial

Marcial

V, 55 - SOBRE UMA ÁGUIA TRANSPORTANDO JÚPITER

- Diz-me quem tu transportas, ó rainha das aves?
- Transporto o Deus Tonante. - E como El não detém
Na mão os raios seus? - Apaixonado está.
- Por quem é que o deus arde? - Por uma criança. -
E porque docemente, entreaberto o bico,
Te voltas para EI? - De Ganimedes falo.

928
Alfred Edward Housman

Alfred Edward Housman

IN THE MORNING

De manhã, pela manhã,
No feliz campo de feno,
Oh, fitaram-se um ao outro
À luz do dia sereno.

Na manhã de azul e prata
Sobre o feno se deitavam,
Oh, fitaram-se um ao outro,
E seus olhares desviavam.

1 343
Konstantínos Kaváfis

Konstantínos Kaváfis

CINZENTOS

CINZENTOS

Ao olhar uma opala meio cinzenta
lembrei-me de dois belos olhos cinzentos
que vi; haverá uns vinte anos...
.........................
Durante um mês amámo-nos.
Foi-se embora depois creio que para Esmirna,
para lá trabalhar, e nunca mais nos vimos.

Ter-se-ão desfeado - se vive - os olhos cinzentos;
ter-se-á estragado o belo rosto.

Memória minha, guarda-os tu tais como eram.
E, memória, o que podes deste meu amor,
o que podes traz-me de volta esta noite.

1 585
Jean de La Fontaine

Jean de La Fontaine

Invocação à volúpia

Sem ti, doce Volúpia, o viver e o morrer
Teriam, desde o berço, idêntico valor:
De toda a criação, universal pendor,
Com que força fatal, tu consegues prender!
Tudo, por ti,
aqui se passa.
Por tua causa e
tua graça,
A duras penas
todos vão:
Não há soldado,
capitão,
Nem fidalgo, plebeu, nem Ministro de Estado,
Que em ti não
tenha o olhar pregado
Das Musas na afeição, se, de serões nascido,
Um agradável som não nos encanta o ouvido,
E se ele não nos traz amena sensação,
Tentamos nós uma
canção?
O que, pomposamente, é chamado de glória
E, nos jogos dOlimpo, exalçava a vitória,
Precisamente, és tu, Volúpia divinal.
E seu preço não tem o prazer sensual?
E então por que
os dons de Flora,
O pôr-do-sol, a
linda Aurora,
Pomona e seus
finos manjares,
Baco, razão dos
bons jantares,
Florestas,
fontes, pradarias,
Mães de
fagueiras fantasias?
Belas artes, por quê? de quem és a nascente,
Por que tanta beldade, amável, atraente,
Se não pra vires, até nós, sempre morar?
Eis o meu parecer, por mais procure alguém
O seu desejo
castigar,
Algum prazer inda
lhe vem.

Ó Volúpia gentil, que, na Grécia de outrora,
De um pensador
foste senhora,
Não me desprezes não: vem à minha morada,
Não ficarás sem
fazer nada:
Amo os livros, o amor, música e diversão,
Cidade, campo, enfim; o mundo nada tem
Que não me seja
enorme bem,
Mesmo o aflito prazer de um triste coração.
Vem, pois, e desse bem, ó Volúpia querida,
Queres então saber a medida acertada?
Pelo menos preciso uns cem anos de vida,
Pois trinta só
é quase nada...

 

1 589
Alfred Edward Housman

Alfred Edward Housman

IF TRUTH IN HEARTS

Se o vero em peitos mortais
Movesse os altos poderes,
O grande amor que te tenho
Não deixara tu morreres.

Sim: que se um firme sentido
Um pensar puro salvara,
Podia o mundo acabar,
Que a ti ninguém enterrara.

Este longo e fundo querer
Tal desejo de agradar-te
- Ai para sempre vivias,
Se pudesse isto salvar-te.

Mas porque nada é assim,
Sê gentil ainda comigo,
Antes que partas pra onde
Não terás melhor amigo.

888
Ivaldo Gomes

Ivaldo Gomes

Sexo virtual

Como que se possível fosse...
Como se possível é
Assim te deixar louca
Rouca de desejos
Beijos.

Se a imaginação não existisse..
O coração não sentiria
O pulso não pulsaria
E os dedos, ávidos de desejos
Delineasse as curvas,
Os gestos, no teclado
Noite a dentro.

Vadios de nós...
Nos lençóis virtuais
Amar o não visto
Dos gemidos dados
Ouvidos ao longe
Oceanos a dentro.

E nós, desse jeito...
Sem jeito algum
Procurando um jeito de
Se conquistar
Conquistar-se.

E nós reinventando a roda.....
Nos beijos, desejos,
Vontades sem fim.
Como que se fosse possível
Matar todas as sedes
Desse nosso sentir.

Sexo Virtual?
Onde?

1 765
Caio Valério Catulo

Caio Valério Catulo

85

Odeio e amo. Quiçá queiras saber por que:
ignoro, mas sinto que acontece, e sofro.

1 276
Simone Barbariz

Simone Barbariz

Crime

Testemunhas: as quatro paredes.
Local do crime: a cama.
Réus: eu e você.
Crime cometido: amor louco e desenfreado,
Amor sem limites,
Amor em todas suas formas possíveis,
Em todas as formas em que éramos compatíveis.

Acoplados com a perfeição de dois módulos espaciais,
Onde qualquer erro milimétrico,
Compromete o sucesso da missão...

Missão cumprida...

A missão foi um sucesso total,
Pois dois corpos tornaram-se um!
Não mais existia eu e você,
Mas, sim, eu-você...

Cometemos um crime perfeito!

871
Caio Valério Catulo

Caio Valério Catulo

LXX

Minha mulher diz que prefere ninguém mais
Do que eu para se casar, caso o próprio
Júpiter não se imponha. Assim ela tem dito:
Mas o que uma mulher diz ao amante
Apaixonado deveria ser escrito
Sobre o vento e na água torrencial.

1 280