Saudade e Ausência

Poemas neste tema

Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Se ontem à tua porta

Se ontem à tua porta
Mais triste o vento passou —
Olha: levava um suspiro...
Bem sabes quem to mandou...
1 503
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

A terra é sem vida, e nada

A terra é sem vida, e nada
Vive mais que o coração...
E envolve-te a terra fria
E a minha saudade não!
2 395
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

O som contínuo da chuva

O som contínuo da chuva
A se ouvir lá fora bem
Deixa-nos a alma viúva
Daquilo que já não tem.

[...]
1 473
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Amanhã estas letras em que te amo

Amanhã estas letras em que te amo.
        Serão vistas, tu morta.
Corpo, eras vida para que o não foras,
        Tão bela! Versos restam.
Quem o (...)
1 324
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Linda noite a desta lua,

Linda noite a desta lua,
Lindo luar o que está
A fazer sombra na rua,
Por onde ela não virá.
1 602
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

O vaso de manjerico

O vaso de manjerico
Caiu da janela abaixo.
Vai buscá-lo, que aqui fico
A ver se sem ti te acho.
1 513
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

«Vesti-me toda de novo

«Vesti-me toda de novo
E calcei sapato baixo
Para passar entre o povo
E procurar quem não acho.»
1 290
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Vai longe, na serra alta,

Vai longe, na serra alta,
A nuvem que nela toca...
Dá-me aquilo que me falta —
Os beijos da tua boca.
878
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Andei sozinho na praia

Andei sozinho na praia
Andei na praia a pensar
No jeito da tua saia
Quando lá estiveste a andar.
2 047
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

O guardanapo dobrado

O guardanapo dobrado
Quer dizer que se não volta.
Tenho o coração atado:
Vê se a tua mão mo solta.
1 411
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Há dois dias que não vejo

Há dois dias que não vejo
Modo de tornar-te a ver.
Se outros também te não vissem,
Desejava sem sofrer.
1 217
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

SUNSET SONG

Leaning my chin on my hands,
        I looked far away to sea
Where the dying sunset a sense commands
        Of half‑mystical majesty.
And I felt a strange sorrow, a fear,
        A desire like a sudden love
        For something that is not here
        And that I can never have.
2 005
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Navio que partes para longe,

Navio que partes para longe,
Porque é que, ao contrário dos outros,
Não fico, depois de desapareceres, com saudades de ti?
Porque quando te não vejo, deixaste de existir.
E se se tem saudades do que não existe,
Sente-se em relação a coisa nenhuma,
Não é do navio, é de nós, que sentimos saudades.
1 790
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Depois do dia vem noite,

Depois do dia vem noite,
Depois da noite vem dia
E depois de ter saudades
Vêm as saudades que havia.
2 208
Florbela Espanca

Florbela Espanca

Com a doçura

Com a doçura de urna linda ave
Bateu as asas brancas e voou.
Era meiga, era pura, era suave
Não viveu! Foi um anjo que passou.
1 503
Florbela Espanca

Florbela Espanca

Anda o luar

Anda o luar adormecido e triste
Cantando urna canção ás doces águas...
Assim eu ando á tua imagem doce
Cantando a oração das minhas mágoas...
1 468
Florbela Espanca

Florbela Espanca

Pus-me a colher

Pus-me a colher ’mas saudades,
Do campo, singelos bens,
Quando as ouvi: «Não nos leves,
Não te bastam as que tens?!»
1 433
Florbela Espanca

Florbela Espanca

O que mais me comove

O que mais me comove e me contrista
Neste pesar que se apossou de mim
E não saber (que tenebrosa egoísta!)
se te lembras de mim!

Qualquer pesar em que a memoria insista
Recorda a nossa angustia. É uma aflição.
E eu vivo a repetir. Longe da vista...
longe do coração...
1 497
Vasko Popa

Vasko Popa

Musgo

Sonho amarelo da ausência
Do alto das telhas ingênuas
Aguarda

Aguarda para descer
Sobre as pálpebras fechadas da terra
Sobre as faces apagadas das casas
Sobre as mãos apaziguadas das árvores

Aguarda imperceptível
Para a mobília enviuvada
Abaixo no quarto
Revestir cuidadoso
De uma capa amarela


850
Walter de la Mare

Walter de la Mare

Napoleão

O que é o mundo, ah! soldados?
.......Sou eu:
Eu, esta neve inextinguível,
Este norte, este céu;
Soldados, esta saudade
Que nos cerca como túnel
.......Sou eu.
(tradução de Ricardo Domeneck)
549
Frank O'Hara

Frank O'Hara

Poema

Há dias em que sinto exalar uma fina poeira
como aquela atribuída a Pilades na famosa
Chronica nera areopagitica ao ser descoberta

e é porque um arqueólogo
adentrou a câmara secreta do meu peito
e chacoalhou o papel que carrega seu nome

Não gosto deste estranho espirrando sobre nosso amor.
935
Idea Vilariño

Idea Vilariño

Escrevo, penso, leio

Escrevo
penso
leio
traduzo vinte páginas
ouço o noticiário
escrevo
escrevo
leio.
Onde estás
onde estás.
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Lois Pereiro

Lois Pereiro

Luz e sombras de amor resucitado

Tristemente convivo coa túa ausencia
sobrevivo á distancia que nos nega
mentres bordeo a fronteira entre dous mundos
sen decidir cal deles pode darme
a calma que me esixo para amarte
sen sufrir pola túa indiferencia
a miña retirada preventiva
dunha batalla que xa sei perdida
resolto a non entrar xamais en ti
pero non á tortura de evitarte.



1 257
Lalla Romano

Lalla Romano

Tua voz distante

Tua voz distante
é solidão
mais do que ausência

Assim vêem o céu
os sepultados
céu branco dos prisioneiros
céu interdito dos cegos
recusado à memória


:


La tua voce lontana
è solitudine
più che l'assenza

Così vedono il cielo
i sepolti
cielo bianco delle prigioni
cielo vietato dei ciechi
negato alla memoria



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