Criatividade e Inspiração
Poemas neste tema
Marcelo Penido Silva
O que é a Poesia?
Poesia é como pó
que num sôpro é
o que não sopro
e que jamais seria.
Poesia é
sem ser
meu querer, meu dis ser
e cobre
de prata e ouro
a mais preciosa linha.
Meu veio de Vida
nas mãos de outro.
que num sôpro é
o que não sopro
e que jamais seria.
Poesia é
sem ser
meu querer, meu dis ser
e cobre
de prata e ouro
a mais preciosa linha.
Meu veio de Vida
nas mãos de outro.
928
Marly de Oliveira
Minha felicidade vem de quando estou só
Minha felicidade vem de quando estou só
e ninguém me interrompe no poema,
essa espécie de transfusão
do sangue para a palavra,
sem qualquer estratagema.
A palavra é meu rito, minha forma
de celebrar, investir, reivindicar:
a palavra é a minha verdade,
minha pena exposta sem humilhação
à leitura do outro,
hypocrite lecteur, mon semblable.
e ninguém me interrompe no poema,
essa espécie de transfusão
do sangue para a palavra,
sem qualquer estratagema.
A palavra é meu rito, minha forma
de celebrar, investir, reivindicar:
a palavra é a minha verdade,
minha pena exposta sem humilhação
à leitura do outro,
hypocrite lecteur, mon semblable.
1 197
Mário Donizete Massari
Fácil
É tão fácil ser poeta,
falar da noite,
falar do dia.
É tão fácil ser poeta,
imaginar amores,
viver ilusões.
Difícil é ser poema
e versos brancos
de rima triste.
falar da noite,
falar do dia.
É tão fácil ser poeta,
imaginar amores,
viver ilusões.
Difícil é ser poema
e versos brancos
de rima triste.
853
Mário Donizete Massari
O sonho do poeta
Sonhou o poeta
ser uma estrela
e brilhou em seus versos
Sonhou o poeta
ser o dono do mundo
e este era tão pequeno
que coube em suas mãos
e ele o tornou lindo
És poeta a estrela do mundo
ser uma estrela
e brilhou em seus versos
Sonhou o poeta
ser o dono do mundo
e este era tão pequeno
que coube em suas mãos
e ele o tornou lindo
És poeta a estrela do mundo
872
Mário Donizete Massari
A voz do louco I
Ao amigo e artista plástico Laudo
A minha loucura
é sã
brota das feridas
de uma vida consumida.
A minha loucura
é mágoa,
de ver uma terra fértil
sem ser partida.
A minha loucura
é viva,
germina a cada momento,
na lucidez do dia a dia.
A minha loucura
é sã
brota das feridas
de uma vida consumida.
A minha loucura
é mágoa,
de ver uma terra fértil
sem ser partida.
A minha loucura
é viva,
germina a cada momento,
na lucidez do dia a dia.
886
Mário Donizete Massari
O Poeta
Olhou para o céu
Brincou com a lua
Apalpou as estrelas
Subiu nos montes
Alcançou o horizonte
Emergiu na loucura
Saciou a sede
na mais linda e pura
fonte da vida
Esperou amanhecer
e para o orvalho gelado
Disse bom dia
"Nasceu a poesia"
Brincou com a lua
Apalpou as estrelas
Subiu nos montes
Alcançou o horizonte
Emergiu na loucura
Saciou a sede
na mais linda e pura
fonte da vida
Esperou amanhecer
e para o orvalho gelado
Disse bom dia
"Nasceu a poesia"
865
António Manuel Couto Viana
Poesia
Com a mão alada procuroO emocional desenho puro:A linha é frágil; o verso é duro.
A claridade dos cimos!Por alcançar nos desmedimos:Turvam a fonte os humanos limos.
Fique meu gesto suspensoComo o branco sinal dum lençoPor sobre o mundo noturno e imenso.
A claridade dos cimos!Por alcançar nos desmedimos:Turvam a fonte os humanos limos.
Fique meu gesto suspensoComo o branco sinal dum lençoPor sobre o mundo noturno e imenso.
1 412
Sérgio Mattos
Palavra Animada
Um dia animarei
meus sonhos com um sopro
criador.
Um dia moldarei
as palavras e os poemas
só vão tratar de amor.
meus sonhos com um sopro
criador.
Um dia moldarei
as palavras e os poemas
só vão tratar de amor.
988
Marta Gonçalves
Lições de Vida
Nos lábios, secura de fome espera
o rio manso das palavras. Ando
soltando pássaros verdes e descubro
nos ninhos lições de vida. O galho
do salgueiro conversa com o vento.
No corpo, marcas de ferro. Nas cavernas,
lembranças embalsamadas.
Tudo o que escrevo está em mim.
o rio manso das palavras. Ando
soltando pássaros verdes e descubro
nos ninhos lições de vida. O galho
do salgueiro conversa com o vento.
No corpo, marcas de ferro. Nas cavernas,
lembranças embalsamadas.
Tudo o que escrevo está em mim.
966
Marta Gonçalves
Nuvens Brancas
Cavalos vermelhos voam no espaço
nuvens brancas desenham carneiros
o perfume da terra espera o homem
o homem quer sementes adubadas
plasmando o ar.
O poeta, de sandália azul, cobre a alma
com penas de pássaros.
nuvens brancas desenham carneiros
o perfume da terra espera o homem
o homem quer sementes adubadas
plasmando o ar.
O poeta, de sandália azul, cobre a alma
com penas de pássaros.
945
Marco Antônio de Souza
O Som do Poeta
O que foi feito das palavras ?
Quando voltarão a ser versos ?
O poeta perdeu a razão,
ou passou a não usá-la ?
Um ano, ou quase, do último texto !
Último texto ?
Ou último riso ?
Ou último gemido ?
Se a alegria pode ser som
porque não a tristeza... silêncio
Quando voltarão a ser versos ?
O poeta perdeu a razão,
ou passou a não usá-la ?
Um ano, ou quase, do último texto !
Último texto ?
Ou último riso ?
Ou último gemido ?
Se a alegria pode ser som
porque não a tristeza... silêncio
997
Mário Hélio
45-II-(Cero C C Prevaricator)
ele pensava que era poeta
e o fogo inspirador
comia-lhe as entranhas
e o fogo inspirador
comia-lhe as entranhas
813
Leão Moysés Zagury
Nascimento
O poema debate-se por existir.
Existir!
Inicia-se um sonho, uma luta.
O herói das palavras,
a poetar burila-o.
.................................................
A caneta àvida,
desvirginando o papel,
imprime traços
vigor,
forma,
vida!
Existir!
Inicia-se um sonho, uma luta.
O herói das palavras,
a poetar burila-o.
.................................................
A caneta àvida,
desvirginando o papel,
imprime traços
vigor,
forma,
vida!
774
Luis Alberto Costa Guedes
Ofertório
Antes de começares ler
Estes pedaços de vida,
Estas lágrimas de saudade,
Estes soluços de agonia,
Estes sorrisos de esperanças
Estas ironias existenciais
que te dedico,
quero fazer meu "OFERTÓRIO"
aos entes que me inspiraram...
Estes pedaços de vida,
Estas lágrimas de saudade,
Estes soluços de agonia,
Estes sorrisos de esperanças
Estas ironias existenciais
que te dedico,
quero fazer meu "OFERTÓRIO"
aos entes que me inspiraram...
1 025
J.Cardia
Busco musgos
Busco musgos
nos bosques noturnos.
Olvidei o Carnaval. Não sei.
Louca fantasia
esta de poeta
no mero confete
da palavra.
Bailam serpentinas.
Desatino.
nos bosques noturnos.
Olvidei o Carnaval. Não sei.
Louca fantasia
esta de poeta
no mero confete
da palavra.
Bailam serpentinas.
Desatino.
819
José Eduardo Mendes Camargo
Coisas Minhas
As minhas palavras, por
vezes, quando amealhadas,
os amigos chamam de poesia.
As minhas emoções, quando
se refletem em expressão, alguns
dizem: é poeta ou é homem de paixão.
Mas, na realidade, é com palavras
e emoção que, de inspiração em
inspiração, faço da vida uma canção.
vezes, quando amealhadas,
os amigos chamam de poesia.
As minhas emoções, quando
se refletem em expressão, alguns
dizem: é poeta ou é homem de paixão.
Mas, na realidade, é com palavras
e emoção que, de inspiração em
inspiração, faço da vida uma canção.
617
Fernanda Benevides
Eu e Brisa
Eis que o ciciar da brisa matinal
acariciou-me o ouvido
- acordou em mim uma melodia.
Ecos vibrantes eclodiram,
plenetraram-me,
invadiram-me...
Ah! Essa brisa matinal
me trouxe um viço,
uma inquietação,
um rebuliço!...
acariciou-me o ouvido
- acordou em mim uma melodia.
Ecos vibrantes eclodiram,
plenetraram-me,
invadiram-me...
Ah! Essa brisa matinal
me trouxe um viço,
uma inquietação,
um rebuliço!...
866
Fernando Batinga de Mendonça
Infância
(fragmento)
e rompo de repente
o tenso véu e denso
emerjo à flor do lixo:
e luto com os mendigos
na luta envelhecida
das coisas esquecidas
ferrugem pó e vidro.
e assim pelos monturos
recolho e participo
pedaços de objetos
brinquedos que fabrico
reinando neste reino
que faço e me detrito.
e rompo de repente
o tenso véu e denso
emerjo à flor do lixo:
e luto com os mendigos
na luta envelhecida
das coisas esquecidas
ferrugem pó e vidro.
e assim pelos monturos
recolho e participo
pedaços de objetos
brinquedos que fabrico
reinando neste reino
que faço e me detrito.
921
Elisabeth Veiga
A Tinta Seca
Escrevo e a tinta seca,
seca, exacerbada rasga o papel.
Continuo escrevendo embora,
nem eu mesma leia.
Premindo, a caneta
rasga o que já está rasgado.
Continuo escrevendo sem uma palavra,
escrevendo, escrevendo à sombra
da minha mão sobre o papel.
O branco, afinal, me rasga.
seca, exacerbada rasga o papel.
Continuo escrevendo embora,
nem eu mesma leia.
Premindo, a caneta
rasga o que já está rasgado.
Continuo escrevendo sem uma palavra,
escrevendo, escrevendo à sombra
da minha mão sobre o papel.
O branco, afinal, me rasga.
910
Fernando Batinga de Mendonça
As Palavras
1.
nas pedras gerais
no centro da praça,
reúno as palavras
sentado no chão.
procuro um sentido
de ferro e cimento,
na mesma palavra
um outro vestido:
2.
um novo momento.
nas pedras gerais
no centro da praça,
reúno as palavras
sentado no chão.
procuro um sentido
de ferro e cimento,
na mesma palavra
um outro vestido:
2.
um novo momento.
806
Eunice Arruda
Um Visitante
Quem escreve
é
um visitante
Chega nas horas da noite
e toma o lugar do
sono
Chega à mesa do almoço
come a minha fome
Escreve
o que eu nem supunha
Assina o meu nome
é
um visitante
Chega nas horas da noite
e toma o lugar do
sono
Chega à mesa do almoço
come a minha fome
Escreve
o que eu nem supunha
Assina o meu nome
1 110
Antônio Massa
Gozo
o poetasonhaabsorveamadespeama de novoadornae eterniza a palavra com o suor do seu íntimo
1 006
Adailton Medeiros
Pré-texto para Cassiano Ricardo
amanhã o bom dia
na difícil manhã
chão romã
clã reipã
no reVerSo SIGno
EU mEU poemachão
poemapa poemassa
fada fica
riso rico
falo fala
sobre / vivEntes e
ternos amigos do
peito ó Jeremias
sem choro
nem velas
canto RICo ARDOr
sabiá-do-rosa-mente
na difícil manhã
chão romã
clã reipã
no reVerSo SIGno
EU mEU poemachão
poemapa poemassa
fada fica
riso rico
falo fala
sobre / vivEntes e
ternos amigos do
peito ó Jeremias
sem choro
nem velas
canto RICo ARDOr
sabiá-do-rosa-mente
904
Nicanor Parra
JOVENS
Escrevam o que queiram.
No estilo que lhes pareça melhor.
Passou demasiado sangue sob as pontes
para continuar-se a crer
que possa seguir-se um só caminho.
Em poesia tudo é permitido.
Com a condição expressa
é evidente
de superar-se o papel em branco.
No estilo que lhes pareça melhor.
Passou demasiado sangue sob as pontes
para continuar-se a crer
que possa seguir-se um só caminho.
Em poesia tudo é permitido.
Com a condição expressa
é evidente
de superar-se o papel em branco.
1 163
Português
English
Español