Amor
Poemas neste tema
Marcelo Almeida de Oliveira
Chega! De novo
Desculpa, amor, mas hoje não vou te amar,
nem vou deixar minha cabeça se encher de você,
segurem as garrafas porque não vou tomar,
seda e veludo também pode esquecer.
Porque hoje quero saber a verdade.
Já estou cançado de rir sem saber o porquê.
Que o ópio que pelos meus ouvidos entra
só me deixe entorpecido quando permitir;
e que a cobra que encanta da caixa
não me enfeitice com seus olhos argibi.
Mais um bufão vai tirar a fantasia,
mais uma vaia na pequena platéia descontente.
nem vou deixar minha cabeça se encher de você,
segurem as garrafas porque não vou tomar,
seda e veludo também pode esquecer.
Porque hoje quero saber a verdade.
Já estou cançado de rir sem saber o porquê.
Que o ópio que pelos meus ouvidos entra
só me deixe entorpecido quando permitir;
e que a cobra que encanta da caixa
não me enfeitice com seus olhos argibi.
Mais um bufão vai tirar a fantasia,
mais uma vaia na pequena platéia descontente.
573
Mariana Angélica de Andrade
Já Não!
Desse amor por ti quebrado,
Desse amor nem eu já sei!
L.M. Palmeirim
Amei-te muito! Que importa
Dizê-lo agora, se morta
É a chama que senti?…
Sendo tu quea a apagaste…
Podes ver quanto eu sofri!…
Mas já não sofro; se ainda
A essa loucura finda
Alguma lembrança dou,
É bendizendo o destino
Que ao errante peregrino
Melhor apontou!…
Saudades, que tive outrora,
Murcharam todas; agora
Jazem desfeitas em pó!…
Bem sabes que nunca minto;
Pois olha que por ti sinto…
Ódio não! Desprezo só!…
Sentir ódio era mesquinho!
Segue pois o teu caminho,
Segue-o, triste, até ao fim ;
Tê-lo-ás amargurado…
Mas, feliz, ou desgraçado,
Não te recordes de mim!
Desse amor nem eu já sei!
L.M. Palmeirim
Amei-te muito! Que importa
Dizê-lo agora, se morta
É a chama que senti?…
Sendo tu quea a apagaste…
Podes ver quanto eu sofri!…
Mas já não sofro; se ainda
A essa loucura finda
Alguma lembrança dou,
É bendizendo o destino
Que ao errante peregrino
Melhor apontou!…
Saudades, que tive outrora,
Murcharam todas; agora
Jazem desfeitas em pó!…
Bem sabes que nunca minto;
Pois olha que por ti sinto…
Ódio não! Desprezo só!…
Sentir ódio era mesquinho!
Segue pois o teu caminho,
Segue-o, triste, até ao fim ;
Tê-lo-ás amargurado…
Mas, feliz, ou desgraçado,
Não te recordes de mim!
1 061
Marco Antônio de Souza
Instrumentos de Trabalho
Brota a broca da tua mão
como a caneta da minha;
você faz versos com diamante,
eu me restauro com palavras...
Tuas rimas são de ouro,
a tristeza é o metal que liga meus motes !
Tua métrica é tão funda
quanto a profundidade da cárie;
Minha cárie é este destino,
que me fez poeta, antes de homem...
Teus sonetos são esculturas protéticas,
artísticamente lavradas e adaptadas;
minha prótese mais separa do que une
pois às vezes vergasta e fere...
Por ironia,
se é com a caneta que você ganha a vida,
eu também com a caneta
vivo arriscado a perder a minha...
Que dirão os astros
da união de um poeta com uma dentista ?
como a caneta da minha;
você faz versos com diamante,
eu me restauro com palavras...
Tuas rimas são de ouro,
a tristeza é o metal que liga meus motes !
Tua métrica é tão funda
quanto a profundidade da cárie;
Minha cárie é este destino,
que me fez poeta, antes de homem...
Teus sonetos são esculturas protéticas,
artísticamente lavradas e adaptadas;
minha prótese mais separa do que une
pois às vezes vergasta e fere...
Por ironia,
se é com a caneta que você ganha a vida,
eu também com a caneta
vivo arriscado a perder a minha...
Que dirão os astros
da união de um poeta com uma dentista ?
785
Mário Hélio
7- VII (Confidência)
tua sombra persegue-me a todo instante,
visita-me no instante da demora.
não sabe que é sombra e breve o instante
e a eternidade é só uma demora.
mas tua sombra não descansa
e dança mansa e inquieta sobre mim,
mas avança tão sutil e tanto avança
que eu pressinto que voa sobre mim.
o meu protesto enfim é de esperar-te
por amar-te talvez? não sei se o amor
não é pura paixão de esperar-te
ou desespero de amar-te sem amor.
não sei talvez em que profundo abismo
lancei-me, enlacei-me, doido cego já sem asas,
mas o sonho de tê-las já é o abismo,
as tuas garras, águia, arrancaram-me as asas.
visita-me no instante da demora.
não sabe que é sombra e breve o instante
e a eternidade é só uma demora.
mas tua sombra não descansa
e dança mansa e inquieta sobre mim,
mas avança tão sutil e tanto avança
que eu pressinto que voa sobre mim.
o meu protesto enfim é de esperar-te
por amar-te talvez? não sei se o amor
não é pura paixão de esperar-te
ou desespero de amar-te sem amor.
não sei talvez em que profundo abismo
lancei-me, enlacei-me, doido cego já sem asas,
mas o sonho de tê-las já é o abismo,
as tuas garras, águia, arrancaram-me as asas.
879
Mário Hélio
10- X- (Orfeurídice)
o corpo ardente.
tuas curvas tuas mãos
se perderam na vertigem
dos que quiseram dizer sim
ao amor que já não pulsa
à canção que já não vibra.
teu hálito perdeu-se
entre flores, calores e perfumes.
nós nos perdemos no caminho onde não há volta
porque não se pode olhar atrás.
atrás ficaram todos os carinhos.
atrás ficou a sede desmedida,
atrás ficaram todos os caminhos.
tuas curvas tuas mãos
se perderam na vertigem
dos que quiseram dizer sim
ao amor que já não pulsa
à canção que já não vibra.
teu hálito perdeu-se
entre flores, calores e perfumes.
nós nos perdemos no caminho onde não há volta
porque não se pode olhar atrás.
atrás ficaram todos os carinhos.
atrás ficou a sede desmedida,
atrás ficaram todos os caminhos.
894
Mário Hélio
3 - III- (Mensagem)
palavra,
eu te conheci em palavras,
eu te aprendi em palavras
eu te beijei em palavras
eu te amei por fim em palavras
num dia em que as palavras
substituem gestos e palavras.
eu te conheci em palavras,
eu te aprendi em palavras
eu te beijei em palavras
eu te amei por fim em palavras
num dia em que as palavras
substituem gestos e palavras.
727
Mário Hélio
5 - V (Cais sombrio)
eu te reparo nos olhos:
possuem um brilho intensamente mágico
e trágico
eu amo tua pele, cada traço,
cab:elos do mais fino fio
que desfio impulsivamente
tragicomicamente
em toda a extensão do teu ser
porque és maior do que a imaginação.
possuem um brilho intensamente mágico
e trágico
eu amo tua pele, cada traço,
cab:elos do mais fino fio
que desfio impulsivamente
tragicomicamente
em toda a extensão do teu ser
porque és maior do que a imaginação.
833
Mário Hélio
19-IX(Impulso)
o algo hediondo que as mulheres abominavam
era a pureza
oculta e incolor.
tudo cede um certo impulso ao nada,
todas as palavrasestãosoltas
por isso seguindo um autoimpulso peço-te
que não anoiteças mais
-- a última vez não me senti feliz
em ver-te estrelada e enluarada
te negavas o fio da razão.
o chão que pisas talvez um dia sejardim.
tu não choras choves, teus olhos são sóis enfurnados,
tua bocaverna úmida, teu sexo cratera mágica.
sigo a um certo impulso de amar-te,
não te amo por amor sigo a um impulso,
se te amodeio a medo e por mais que fantasies
este ódioamor contínuo continuo dizendo
que trovejas trevas retrocedendo torrentes
constantes espaços que se movem
és uma miniatura do exterior que absorvo,
átomos seguindo determinadas pulsações,
sóis e não olhos, cratera arguta não sexo
e o resto em ti são espasmos convulsos
meros impulsos
era a pureza
oculta e incolor.
tudo cede um certo impulso ao nada,
todas as palavrasestãosoltas
por isso seguindo um autoimpulso peço-te
que não anoiteças mais
-- a última vez não me senti feliz
em ver-te estrelada e enluarada
te negavas o fio da razão.
o chão que pisas talvez um dia sejardim.
tu não choras choves, teus olhos são sóis enfurnados,
tua bocaverna úmida, teu sexo cratera mágica.
sigo a um certo impulso de amar-te,
não te amo por amor sigo a um impulso,
se te amodeio a medo e por mais que fantasies
este ódioamor contínuo continuo dizendo
que trovejas trevas retrocedendo torrentes
constantes espaços que se movem
és uma miniatura do exterior que absorvo,
átomos seguindo determinadas pulsações,
sóis e não olhos, cratera arguta não sexo
e o resto em ti são espasmos convulsos
meros impulsos
672
Luiz Guimarães
Metamorfose
Meu coração repleto de esplendores
Como as grutas fantásticas do Oriente,
Será digno de ti. Por ti somente
Foi que eu junquei meu coração de flores.
Por ti despi-o das passadas cores,
Por ti sequei a lágrima pungente,
Que gotejava como o orvalho ardente,
Silenciosa sobre as minhas dores!
Entra. Percorre estes vergéis risonhos,
Calca a sorrir a terra umedecida
Onde palpita o mundo dos meus sonhos.
Fica, porém, atenta e prevenida;
Hás-de ouvir, muitas vezes, os medonhos
E surdos ais de uma ilusão perdida.
Como as grutas fantásticas do Oriente,
Será digno de ti. Por ti somente
Foi que eu junquei meu coração de flores.
Por ti despi-o das passadas cores,
Por ti sequei a lágrima pungente,
Que gotejava como o orvalho ardente,
Silenciosa sobre as minhas dores!
Entra. Percorre estes vergéis risonhos,
Calca a sorrir a terra umedecida
Onde palpita o mundo dos meus sonhos.
Fica, porém, atenta e prevenida;
Hás-de ouvir, muitas vezes, os medonhos
E surdos ais de uma ilusão perdida.
733
Luiz de Aquino
Clave de Lua
Clave de Lua
Cantar é tão longe
como o encontro efêmero
num verso travesso
acontecido infeliz.
Cantar é tão doce
como o encontro esperado
e demorado
num pentagrama, dois por dois.
Cantar é a clave
de sol crescente
em fundo de lua
cheia de amor
perfeito pra nós.
Cantar é te ver
cantando esperanças
pros meus sentidos.
Cantar é tão longe
como o encontro efêmero
num verso travesso
acontecido infeliz.
Cantar é tão doce
como o encontro esperado
e demorado
num pentagrama, dois por dois.
Cantar é a clave
de sol crescente
em fundo de lua
cheia de amor
perfeito pra nós.
Cantar é te ver
cantando esperanças
pros meus sentidos.
1 172
Lourdes Cabral
Pensamentos
Meus pensamentos se estendem
além do espaço, além do tempo,
em outros caminhos abertos e luminosos.
E nesses caminhos percorrem
ciclos intensos, ilimitados.
Aproximam-se
do cicio da beleza, fascínio
do artista,
No universo colorido, vislumbram
o efeito do amor
e a sutileza da renúncia,
do sacrifício,
do heroísmo.
E, na libertação dos sentimentos,
atingem a complexidade da Vida,
a riqueza dos sonhos,
a potencialidade do Tempo...
além do espaço, além do tempo,
em outros caminhos abertos e luminosos.
E nesses caminhos percorrem
ciclos intensos, ilimitados.
Aproximam-se
do cicio da beleza, fascínio
do artista,
No universo colorido, vislumbram
o efeito do amor
e a sutileza da renúncia,
do sacrifício,
do heroísmo.
E, na libertação dos sentimentos,
atingem a complexidade da Vida,
a riqueza dos sonhos,
a potencialidade do Tempo...
748
Luiz Pimenta
Nós
Nós
à minha namorada
Quando eu te vejo criança
e me vejo-
também criança-
nós dois brincamos
de viver a vida.
Teus olhos brilham
e eu te beijo,
profundamente,
apaixonado.
Belo Horizonte, natal de 93
à minha namorada
Quando eu te vejo criança
e me vejo-
também criança-
nós dois brincamos
de viver a vida.
Teus olhos brilham
e eu te beijo,
profundamente,
apaixonado.
Belo Horizonte, natal de 93
1 008
Luiz Nogueira Barros
O cavalo branco
Eu queria agora o meu cavalo branco
que tenho procurado pelos brados.
Seria bom qu ’ ele tivesse asas e cascos afiados.
Eu o montaria:
e de crinas erectas aos ventos da eternidade
ele deixaria, na partida, marcas sobre a terra !...
que tenho procurado pelos brados.
Seria bom qu ’ ele tivesse asas e cascos afiados.
Eu o montaria:
e de crinas erectas aos ventos da eternidade
ele deixaria, na partida, marcas sobre a terra !...
936
Luiz Pinto d Albuquerque Bello
Mulher
Sussurros na sala
Perfume no ar
Mulher chegando
Farfalhar de roupas,
Brincos na mesinha
Mulher deitando
Beijo no rosto
Mãos viajando
Mulher amando
Chuveiro aberto
Escova de dentes
Mulher acordando
Perfume no ar
Sussurros na sala
Mulher saindo
Perfume no ar
Mulher chegando
Farfalhar de roupas,
Brincos na mesinha
Mulher deitando
Beijo no rosto
Mãos viajando
Mulher amando
Chuveiro aberto
Escova de dentes
Mulher acordando
Perfume no ar
Sussurros na sala
Mulher saindo
952
Lucília Cândida Sobrinho
Tempo de Ilusões
As nuvens passam
Como passam as desilusões.
Na vida há marcas do tempo
E o tempo acelera seu passo,
Levando consigo as doces ilusões —
Quimeras navegam
No mar revolto
Do meu ardente desejo.
Vejo quimeras e nuvens
Envolvendo a lembrança
Da volúpia do teu beijo.
Como passam as desilusões.
Na vida há marcas do tempo
E o tempo acelera seu passo,
Levando consigo as doces ilusões —
Quimeras navegam
No mar revolto
Do meu ardente desejo.
Vejo quimeras e nuvens
Envolvendo a lembrança
Da volúpia do teu beijo.
829
Lya Luft
Tão sutilmente em tantos breves anos
do livro Mulher no Palco
Tão sutilmente em tantos breves anos
foram se trocando sobre os muros
mais que desigualdades, semelhanças,
que aos poucos dois são um, sem que no entanto
deixem de ser plurais:
talvez as asas de um só anjo, inseparáveis.
Presenças, solidões que vão tecendo a vida,
o filho que se faz, uma árvore plantada,
o tempo gotejando do telhado.
Beleza perseguida a cada hora, para que não baixe
o pó de um cotidiano desencanto.
Tão fielmente adaptam-se as almas destes corpos
que uma em outra pode se trocar,
sem que alguém de fora o percebesse nunca.
Tão sutilmente em tantos breves anos
foram se trocando sobre os muros
mais que desigualdades, semelhanças,
que aos poucos dois são um, sem que no entanto
deixem de ser plurais:
talvez as asas de um só anjo, inseparáveis.
Presenças, solidões que vão tecendo a vida,
o filho que se faz, uma árvore plantada,
o tempo gotejando do telhado.
Beleza perseguida a cada hora, para que não baixe
o pó de um cotidiano desencanto.
Tão fielmente adaptam-se as almas destes corpos
que uma em outra pode se trocar,
sem que alguém de fora o percebesse nunca.
1 285
Machado de Assis
A um Legista
Tu foges à cidade?
Feliz amigo! Vão
Contigo a liberdade,
A vida e o coração.
A estância que te espera
É feita para o amor
Do sol com a primavera,
No seio de uma flor.
Do paço de verdura
Transpõe-me esses umbrais;
Contempla a arquitetura
Dos verdes palmeirais.
Esquece o ardor funesto
Da vida cortesã;
Mais val que o teu Digesto
A rosa da manhã.
Rosa . . . que se enamora
Do amante colibri,
E desde a luz da aurora
Os seios lhe abre e ri.
Mas Zéfiro brejeiro
Opõe ao beija-flor
Embargos de terceiro
Senhor e possuidor.
Quer este possuí-la,
Também o outro a quer.
A pobre flor vacila,
Não sabe a que atender.
O sol, juiz tão grave
Como o melhor doutor,
Condena a brisa e a ave
Aos ósculos da flor.
Zéfiro ouve e apela.
Apela o colibri.
No entanto, a flor singela
Com ambos folga e ri.
Tal a formosa dama
Entre dois fogos, quer
Aproveitar a chama . . .
Rosa, tu és mulher!
Respira aqueles ares,
Amigo. Deita ao chão
Os tédios e os pesares.
Revive. O coração
É como o passarinho,
Que deixa sem cessar
A maciez do ninho
Pela amplidão do ar.
Pudesse eu ir contigo,
Gozar contigo a luz;
Sorver ao pé do amigo
Vida melhor e a flux!
Ir escrever nos campos,
Nas folhas dos rosais,
E à luz dos pirilampos,
Ó Flora, os teus jornais!
Da estrela que mais brilha
Tirar um raio, e então
Fazer a gazetilha
Da imensa solidão.
Vai tu, que podes. Deixa
Os que não podem ir,
Soltar a inútil queixa.
Mudar é reflorir.
Feliz amigo! Vão
Contigo a liberdade,
A vida e o coração.
A estância que te espera
É feita para o amor
Do sol com a primavera,
No seio de uma flor.
Do paço de verdura
Transpõe-me esses umbrais;
Contempla a arquitetura
Dos verdes palmeirais.
Esquece o ardor funesto
Da vida cortesã;
Mais val que o teu Digesto
A rosa da manhã.
Rosa . . . que se enamora
Do amante colibri,
E desde a luz da aurora
Os seios lhe abre e ri.
Mas Zéfiro brejeiro
Opõe ao beija-flor
Embargos de terceiro
Senhor e possuidor.
Quer este possuí-la,
Também o outro a quer.
A pobre flor vacila,
Não sabe a que atender.
O sol, juiz tão grave
Como o melhor doutor,
Condena a brisa e a ave
Aos ósculos da flor.
Zéfiro ouve e apela.
Apela o colibri.
No entanto, a flor singela
Com ambos folga e ri.
Tal a formosa dama
Entre dois fogos, quer
Aproveitar a chama . . .
Rosa, tu és mulher!
Respira aqueles ares,
Amigo. Deita ao chão
Os tédios e os pesares.
Revive. O coração
É como o passarinho,
Que deixa sem cessar
A maciez do ninho
Pela amplidão do ar.
Pudesse eu ir contigo,
Gozar contigo a luz;
Sorver ao pé do amigo
Vida melhor e a flux!
Ir escrever nos campos,
Nas folhas dos rosais,
E à luz dos pirilampos,
Ó Flora, os teus jornais!
Da estrela que mais brilha
Tirar um raio, e então
Fazer a gazetilha
Da imensa solidão.
Vai tu, que podes. Deixa
Os que não podem ir,
Soltar a inútil queixa.
Mudar é reflorir.
2 193
Luciano Matheus Tamiozzo
Amar
Amar, amar, amar...
Porque amamos
O mundo se destruindo
E nós no mundo da Lua.
Amar, amar, amar...
O mundo inteiro mudando
E nós permanecendo sempre
Com o mesmo pensamento.
Não amar...
A morte de tudo,
O fim da vida.
Então o que fazer
Se tudo o que quero
É amar você.
Porque amamos
O mundo se destruindo
E nós no mundo da Lua.
Amar, amar, amar...
O mundo inteiro mudando
E nós permanecendo sempre
Com o mesmo pensamento.
Não amar...
A morte de tudo,
O fim da vida.
Então o que fazer
Se tudo o que quero
É amar você.
780
Lúcio José Gusman
Sabor
E depois do amor,
muito tempo depois do amor,
não sinto apenas a saudade,
nem lembro apenas o teu perfume,
nem sigo ouvindo apenas a tua voz,
e os teus ais, e os meus te-amo.
Continuo sentindo o teu sabor,
depois do amor,
muito tempo depois do amor...
muito tempo depois do amor,
não sinto apenas a saudade,
nem lembro apenas o teu perfume,
nem sigo ouvindo apenas a tua voz,
e os teus ais, e os meus te-amo.
Continuo sentindo o teu sabor,
depois do amor,
muito tempo depois do amor...
814
Linhares Filho
Reencontro
Fiel ao amor e à arte entre proteus,
encontro a luz aquém do terremoto.
A arte e o amor são em mim síntese, foto
do Ser e a fotossíntese que os meus
respiros pedem. No imo é que devoto
o culto mais leal a encantos seus.
E, na luta, assemelho-me aos Ateus:
contactando o meu chão, de novo broto.
Quanto mais acho, tanto mais procuro
o bem de amar e criar no tempo e espaço
da vigília e do sonho dos Orfeus.
Reencontro-me, autêntico misturo
Poesia e Amada num grandioso abraço,
imagens do infinito amor de Deus!
encontro a luz aquém do terremoto.
A arte e o amor são em mim síntese, foto
do Ser e a fotossíntese que os meus
respiros pedem. No imo é que devoto
o culto mais leal a encantos seus.
E, na luta, assemelho-me aos Ateus:
contactando o meu chão, de novo broto.
Quanto mais acho, tanto mais procuro
o bem de amar e criar no tempo e espaço
da vigília e do sonho dos Orfeus.
Reencontro-me, autêntico misturo
Poesia e Amada num grandioso abraço,
imagens do infinito amor de Deus!
658
Lúcia Helena de Andrade
Retrato de um Homem
Eu quero um homem
Que no olhar expresse seus desejos,
Imersos em uma profusão doce de ternura,
Que passe a mão pelos meus cabelos,
Acalentando minhas amarguras,
Que me beije suavemente,
Que busque a minha lingua
Confundindo-a com a sua,
Que segure a mão
Sentindo paixão,
Que goste de abraçar
E ofereça um ombro para aconchegar,
Que seja sensível
E não tenha medo de mostrar-se frágil,
Que seja um homem,
Mas não deixe de ser menino,
Que viage pelo meu corpo e
Norteie minha viagem pelo seu,
Que saiba sorrir,
Que fique à vontade para chorar ao meu lado.
Eu quero um homem,
Que antes seja meu amigo,
De coração aberto, LEVE E FLORIDO...
Que no olhar expresse seus desejos,
Imersos em uma profusão doce de ternura,
Que passe a mão pelos meus cabelos,
Acalentando minhas amarguras,
Que me beije suavemente,
Que busque a minha lingua
Confundindo-a com a sua,
Que segure a mão
Sentindo paixão,
Que goste de abraçar
E ofereça um ombro para aconchegar,
Que seja sensível
E não tenha medo de mostrar-se frágil,
Que seja um homem,
Mas não deixe de ser menino,
Que viage pelo meu corpo e
Norteie minha viagem pelo seu,
Que saiba sorrir,
Que fique à vontade para chorar ao meu lado.
Eu quero um homem,
Que antes seja meu amigo,
De coração aberto, LEVE E FLORIDO...
731
Luiz Lopes Sobrinho
Ciúmes
Não é que o amor que nos meus olhos vista,
Tão cheio de ternura, ardendo em chamas,
Que inda implora, aos céus, num pranto triste,
O teu amor, ao ver que me não amas,
Já se tenha acabado! Ainda existe!
Desgraçado de mim... Tu mais me inflamas,
Com tua indiferença, pois partiste,
Deixando o meu amor, envolto em tramas!
E se hoje, acabrunhado, ando fugindo
De tua doce presença — agora amarga,
Pela tristeza que me vai ferindo,
É só porque, já não suporto ver-te
Passar, da vida, pela estrada larga
Unida àquele que me fez perder-te!
Tão cheio de ternura, ardendo em chamas,
Que inda implora, aos céus, num pranto triste,
O teu amor, ao ver que me não amas,
Já se tenha acabado! Ainda existe!
Desgraçado de mim... Tu mais me inflamas,
Com tua indiferença, pois partiste,
Deixando o meu amor, envolto em tramas!
E se hoje, acabrunhado, ando fugindo
De tua doce presença — agora amarga,
Pela tristeza que me vai ferindo,
É só porque, já não suporto ver-te
Passar, da vida, pela estrada larga
Unida àquele que me fez perder-te!
824
João Linneu
Em seu leito, finda a velha
Em seu leito, finda a velha.Ao seu lado, fito a cena.Num átimo, sou seus sentidos.Por olhos turvoslímpidas visões;nos flácidos braços,íntimos abraçosNo silencio dos ouvidossussurros de paixão;br>no mutismo dos lábios,murmurando, disse não.Sofre pelo não feito...o beijo negado e tanto querido;o bilhete escrito e logo rasgado;o abraço sonhado e nunca dado;a palavra não dita, e que a sós gritava;amores ocultos, noites insones;um pouco mais e seria feliz...
690
Luciano Matheus Tamiozzo
Já Falei
Já falei tanto de amor,
De sonhos e palavras,
Já falei tanto de lágrimas,
Tritezas e sons.
Já falei de mim,
De ti e de nós,
Já falei de pensamentos
Luzes e sóis.
Já falei sobre tudo,
Mas o mais importante
Ainda não falei.
Pois as palavras
Para isto não achei.
De sonhos e palavras,
Já falei tanto de lágrimas,
Tritezas e sons.
Já falei de mim,
De ti e de nós,
Já falei de pensamentos
Luzes e sóis.
Já falei sobre tudo,
Mas o mais importante
Ainda não falei.
Pois as palavras
Para isto não achei.
962
Português
English
Español