Sonhos e Imaginação
Poemas neste tema
Lucila Issa
Beyond the Invisible
Os olhos
sentem e distinguem:
real ou outro sonho
você, você e eu.
Neste lado,
remoto é aprender a voar:
se cair vai crer e ver,
mudar a noite,
além da realidade.
sentem e distinguem:
real ou outro sonho
você, você e eu.
Neste lado,
remoto é aprender a voar:
se cair vai crer e ver,
mudar a noite,
além da realidade.
649
Gabriel Archanjo de Mendonça
Desencanto
O sonho realizado
acomodou-se preguiçosamente
na lua da rede
e foi cuidar
por tempo de sesta
na digestão burguesa.
Que o sonho futuro
por mais que sonhado
não passe de sonho.
acomodou-se preguiçosamente
na lua da rede
e foi cuidar
por tempo de sesta
na digestão burguesa.
Que o sonho futuro
por mais que sonhado
não passe de sonho.
811
Gabriel Archanjo de Mendonça
Segredo
Eu quis depositar o meu segredo
nas tuas mãos de brasa
e desnudar minha alma ressequida
ante a crepitação de teus olhos.
Mas o vento
que me embalava o sonho
e que me trouxe a teus pés
soprou o sol
que forrava a tua imagem
e a noite se fez.
Que o vento
vomite as cinzas de meu sonho
por sobre a realidade
do meu leito.
nas tuas mãos de brasa
e desnudar minha alma ressequida
ante a crepitação de teus olhos.
Mas o vento
que me embalava o sonho
e que me trouxe a teus pés
soprou o sol
que forrava a tua imagem
e a noite se fez.
Que o vento
vomite as cinzas de meu sonho
por sobre a realidade
do meu leito.
851
Francisco Orban
Um homem
Um homem
não trai seu sonho
nem o deixa
sem o abrigo
da tarde
Assim o tem
como vestimenta
que não o deixa
mentir
que o desnuda
e o abate
Um homem traduz
seu sonho
na sua forma
de cumprir a tarde
como se sonhar
fosse só um ato
e não
um difícil encargo
não trai seu sonho
nem o deixa
sem o abrigo
da tarde
Assim o tem
como vestimenta
que não o deixa
mentir
que o desnuda
e o abate
Um homem traduz
seu sonho
na sua forma
de cumprir a tarde
como se sonhar
fosse só um ato
e não
um difícil encargo
853
Flávio Sátiro Fernandes
Rei do mar
Mar.
Mar de areia.
Areia do mar.
Sereia do mar.
Dois seres
na areia do mar.
(Ou no mar de areia?)
Sou eu a amar
a sereia do mar.
Serei rei do mar.
Mar de areia.
Areia do mar.
Sereia do mar.
Dois seres
na areia do mar.
(Ou no mar de areia?)
Sou eu a amar
a sereia do mar.
Serei rei do mar.
1 065
Fernando Fábio Fiorese Furtado
Mulher Dormindo
apenas a alma dorme
o corpo insone
trabalha
os minérios do sono
sustenta o pânico
o naufrágio
na penumbra
fogo e relva
os músculos dançam
debruçados sobre o nada
os olhos não
os olhos sonham
à sombra da alma
- e sobrevivem
ao dilúvio
o corpo insone
trabalha
os minérios do sono
sustenta o pânico
o naufrágio
na penumbra
fogo e relva
os músculos dançam
debruçados sobre o nada
os olhos não
os olhos sonham
à sombra da alma
- e sobrevivem
ao dilúvio
958
Fernanda Benevides
Afagando Sonhos
Meu coração afaga sonhos.
Sonhos despedaçados.
Coisas do passado
acariciam o presente.
Abraço ilusões vãs.
Lembranças fazem cócegas na
memória,
até quando, não sei...
Afagando sonhos, alimento a alma.
Sacio a sede das madrugadas...
Sonhos despedaçados.
Coisas do passado
acariciam o presente.
Abraço ilusões vãs.
Lembranças fazem cócegas na
memória,
até quando, não sei...
Afagando sonhos, alimento a alma.
Sacio a sede das madrugadas...
708
Fernanda Benevides
Das Escadarias do Templo
Um dia fincarei,
qual astronauta, em altos píncaros
o marco do mais puro,
do mais sublime do mais...,
o ideal acalentado.
Assim,
lanço-me nos degraus do templo...!
(Inédito)
qual astronauta, em altos píncaros
o marco do mais puro,
do mais sublime do mais...,
o ideal acalentado.
Assim,
lanço-me nos degraus do templo...!
(Inédito)
880
Ernani Sátyro
As Dunas
(Nos céus da Bahia)
As dunas não são dunas.
Só mesmo imaginando elas são dunas,
Que vistas do avião, ao sol,
Apenas são espelhos.
É preciso que à terra nós baixemos
Para que sejam dunas.
Baixemos, pois, mas não por muito tempo.
Deixemos que elas sejam o que do alto são.
As dunas não são dunas.
Só mesmo imaginando elas são dunas,
Que vistas do avião, ao sol,
Apenas são espelhos.
É preciso que à terra nós baixemos
Para que sejam dunas.
Baixemos, pois, mas não por muito tempo.
Deixemos que elas sejam o que do alto são.
817
Débora Novaes de Castro
Haicai
concha perolada
descoberta pelos ventos
soprar das areias
varando nuvens,
levando sonhos d’ouro
cavalo alado
descoberta pelos ventos
soprar das areias
varando nuvens,
levando sonhos d’ouro
cavalo alado
887
Camilo Mota
Alegorias de roda
Olhos infantis
na roda gigante fitos
nada investigam:
quiçá uma vertigem sentem.
que mais sentiriam
se a orquestra em peso
derramasse giros coloridos
sobre a cidade em chamas?
o uivo da ex-secretária
desprende-se alado
sobre túmulos concêntricos.
na roda gigante fitos
nada investigam:
quiçá uma vertigem sentem.
que mais sentiriam
se a orquestra em peso
derramasse giros coloridos
sobre a cidade em chamas?
o uivo da ex-secretária
desprende-se alado
sobre túmulos concêntricos.
854
Cleonice Rainho
Astronauta
Entrar num satélite,
mergulhar no horizonte
pela azul distância.
Encontrar as estrelas
na esfera imensa,
dando adeusinho
aos corpos celestes.
Com a velocidade da luz,
tomar o rumo de Saturno
e ficar na órbita
do planeta fascinante:
as palmas bailando,
os anéis luminosos
nos dedos de minhas mãos.
mergulhar no horizonte
pela azul distância.
Encontrar as estrelas
na esfera imensa,
dando adeusinho
aos corpos celestes.
Com a velocidade da luz,
tomar o rumo de Saturno
e ficar na órbita
do planeta fascinante:
as palmas bailando,
os anéis luminosos
nos dedos de minhas mãos.
1 220
Carlos Nóbrega
O Sonho
o cão dorme.
Seus ossos
estão cheios de lua
Seus ossos
estão cheios de lua
806
Carlos Nóbrega
Terceiro Exemplo
Exemplo de coisa líquida
o sono.
Um rio que não se explica
correndo com a lua em cima
o sono.
Um rio que não se explica
correndo com a lua em cima
831
José Maria de Barros Pinho
Aviso Prévio
o sonho
uma borboleta
quando menos
se espera
a gente acorda
e vai-se
embora
sem deixar
aviso prévio
uma borboleta
quando menos
se espera
a gente acorda
e vai-se
embora
sem deixar
aviso prévio
1 273
Barroso Gomes
A Cascata
Decerto uma fada
(ou a lua?) perdeu a sua
mantilha prateada.
(ou a lua?) perdeu a sua
mantilha prateada.
874
Beatriz Alcântara
Réveillon
A noite feita de copos
encontrou-a virgem pura
distribuindo uvas
gritando imprudente:
— Feliz Ano Novo!
Depois desejou uma nuvem
caminhou na esteira da lua
ouviu o canto da pedra
bebeu o hálito do orvalho
chorou o anil do branco
e ao desprender-se da janela
contraiu núpcias com o ano que findou.
encontrou-a virgem pura
distribuindo uvas
gritando imprudente:
— Feliz Ano Novo!
Depois desejou uma nuvem
caminhou na esteira da lua
ouviu o canto da pedra
bebeu o hálito do orvalho
chorou o anil do branco
e ao desprender-se da janela
contraiu núpcias com o ano que findou.
919
Aída Godinho
Haicai
Sabiás não cantam
nos ramos cheios de flor.
Onde está, amor?
No céu cintilante
mil vaga-lumes brincando:
Mil sonhos vagando.
nos ramos cheios de flor.
Onde está, amor?
No céu cintilante
mil vaga-lumes brincando:
Mil sonhos vagando.
1 008
André Ricardo Aguiar
Futuro
hão de vir
os indenominados
em uma seta ina-
cabada
Narciso será julgado
com mais freqüência
com asas fartas de temor
a cadência virá primeiro
os passos raros no coração
ninguém sabe este tempo
o sonhar do pêndulo
os indenominados
em uma seta ina-
cabada
Narciso será julgado
com mais freqüência
com asas fartas de temor
a cadência virá primeiro
os passos raros no coração
ninguém sabe este tempo
o sonhar do pêndulo
873
Emily Dickinson
NUNCA VI UM CAMPO DE URZES
Nunca vi um campo de urzes.
Também nunca vi o mar.
No entanto sei o urze como é,
Posso a onda imaginar.
Nunca estive no Céu.
Nem vi Deus. Todavia
Conheço o sítio como se
Tivesse em mãos um guia.
Também nunca vi o mar.
No entanto sei o urze como é,
Posso a onda imaginar.
Nunca estive no Céu.
Nem vi Deus. Todavia
Conheço o sítio como se
Tivesse em mãos um guia.
2 115
Antonio Machado
DESDE EL UMBRAL DEL SUEÑO
DESDE EL UMBRAL DEL SUEÑO...
Lá dos umbrais de um sonho me chamaram...
Era aquela voz boa, voz querida.
- Diz-me: virás comigo visitar a alma?...
No coração me entrava uma carícia.
- Contigo, sempre... E avancei no sonho
por uma longa e recta galeria,
sentindo o só roçar da veste pura
e o suave palpitar da mão amiga.
Lá dos umbrais de um sonho me chamaram...
Era aquela voz boa, voz querida.
- Diz-me: virás comigo visitar a alma?...
No coração me entrava uma carícia.
- Contigo, sempre... E avancei no sonho
por uma longa e recta galeria,
sentindo o só roçar da veste pura
e o suave palpitar da mão amiga.
1 493
Goulart Gomes
Ensaio 5
sonho
sobre a cama
um monte assoma
gigante
perfeito, reto
relva baixa
cerrada
gramíneas negro-ruivas
paralelas;
ao meio o mar
vermelho
pernas, peitos
hipérboles em profusão
inexatas
com o colchão
a reta
irá se perder
no infinito
ao último grito
afogado em leite e mal
duvido que haja
travesseiros mais bonitos
sobre a cama
um monte assoma
gigante
perfeito, reto
relva baixa
cerrada
gramíneas negro-ruivas
paralelas;
ao meio o mar
vermelho
pernas, peitos
hipérboles em profusão
inexatas
com o colchão
a reta
irá se perder
no infinito
ao último grito
afogado em leite e mal
duvido que haja
travesseiros mais bonitos
824
Jean Cocteau
DORSO DE ANJO
Em sonhos rua que encanta
e uma trombeta irreal
mentiras são que levanta
um anjo celestial.
Que seja sonho ou não seja,
logo a mentira se afunda,
se a gente de cima o veja,
que todo o anjo é corcunda.
Pelo menos é-o a sombra
na parede do meu quarto.
e uma trombeta irreal
mentiras são que levanta
um anjo celestial.
Que seja sonho ou não seja,
logo a mentira se afunda,
se a gente de cima o veja,
que todo o anjo é corcunda.
Pelo menos é-o a sombra
na parede do meu quarto.
2 008
Maria Carlos Loureiro
Primeiro foram os dedos
Primeiro foram os dedos
que travaram conhecimento.
Depois os olhos pousaram-me
na mão e levaram-na a percorrer
a curva da cintura. E a sua boca
procurou a minha boca
sem sobressaltos e deixou-a depois
para percorrer o meu corpo.
É assim a descoberta do poeta,
apesar de tudo se passar na sua cabeça,
dando origem a mais um poema.
que travaram conhecimento.
Depois os olhos pousaram-me
na mão e levaram-na a percorrer
a curva da cintura. E a sua boca
procurou a minha boca
sem sobressaltos e deixou-a depois
para percorrer o meu corpo.
É assim a descoberta do poeta,
apesar de tudo se passar na sua cabeça,
dando origem a mais um poema.
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