Fé, Espiritualidade e Religião
Poemas neste tema
Fernando Pessoa
EPITAPH OF THE CATHOLIC CHURCH
Friends, tread in peace, here lies the devil;
The world hath now but little evil.
The world hath now but little evil.
1 289
Fernando Pessoa
TRIFLES
They wear no real greatness who have faith
In God: or Matter, in Life's In or Out.
Only perpetual doubt is truly great,
And the pain of perpetual doubt.
In God: or Matter, in Life's In or Out.
Only perpetual doubt is truly great,
And the pain of perpetual doubt.
1 305
Fernando Pessoa
Crer é errar. Não crer de nada serve.
Crer é errar. Não crer de nada serve.
1 530
Fernando Pessoa
Lá vem o homem da capa
Lá vem o homem da capa
Que ninguém sabe quem é...
Se o lenço os olhos te tapa
Vejo os teus olhos por fé.
Que ninguém sabe quem é...
Se o lenço os olhos te tapa
Vejo os teus olhos por fé.
2 559
Fernando Pessoa
Quando te vais a deitar
Quando te vais a deitar
Não sei se rezas se não.
Devias sempre rezar
E sempre a pedir perdão.
Não sei se rezas se não.
Devias sempre rezar
E sempre a pedir perdão.
1 234
Fernando Pessoa
53 - THE END
God knows. Lie we to sleep
Contentedly somehow,
Smiling that we did weep,
As at an overthrow
Of kingdoms the stars, deep
In silence, smile nor know.
God knows. And an He knew not
And were not, what of it?
No matter that we do not
Our life with living fit.
Glad to have sleep and tears,
Lullaby to our fears!
Contentedly somehow,
Smiling that we did weep,
As at an overthrow
Of kingdoms the stars, deep
In silence, smile nor know.
God knows. And an He knew not
And were not, what of it?
No matter that we do not
Our life with living fit.
Glad to have sleep and tears,
Lullaby to our fears!
1 528
Fernando Pessoa
Mas Deus não terá Deus? Não haverá
Mas Deus não terá Deus? Não haverá
Como dos brutos até o homem, uma
Ladeira ou escadaria entre os supremos?
Como dos brutos até o homem, uma
Ladeira ou escadaria entre os supremos?
1 008
Fernando Pessoa
Talvez que Deus não seja real e exista
Talvez que Deus não seja real e exista
Talvez não seja Deus e exista, e seja
Como nós o pensamos Deus p'ra nós.
Talvez não seja Deus e exista, e seja
Como nós o pensamos Deus p'ra nós.
1 293
Fernando Pessoa
Desejava querer fugir de mim.
ali. ali. ali
e...e...e...
Palavras, não sois nada!
O que é Deus?
Uma palavra,
Pouco mais que um som.
E um som?
Nada.
e...e...e...
Palavras, não sois nada!
O que é Deus?
Uma palavra,
Pouco mais que um som.
E um som?
Nada.
1 442
Fernando Pessoa
Nos vastos céus estrelados
Nos vastos céus estrelados
Que além de espaços estão,
Sob a regência de fados
Que ninguém sabe o que são,
Há sistemas infinitos,
Sóis centros de mundos seus,
E cada sol é um Deus.
Eternamente excluídos
Uns dos outros, cada um
É universo.
Mundo dentro de mundos
Infinidades variadas,
Abismos muitos, sem fundo
(...)
Que além de espaços estão,
Sob a regência de fados
Que ninguém sabe o que são,
Há sistemas infinitos,
Sóis centros de mundos seus,
E cada sol é um Deus.
Eternamente excluídos
Uns dos outros, cada um
É universo.
Mundo dentro de mundos
Infinidades variadas,
Abismos muitos, sem fundo
(...)
1 785
Fernando Pessoa
SUSPIRO DO MUNDO: Tremo de medo:
Tremo de medo:
Eis o segredo aberto.
Além de ti
Nada há, decerto
Nem pode haver:
Além de ti
Que não tens essência
Nem tens existência
E te chamas só SER.
Oh
Nada pode haver!
Eis o segredo aberto.
Além de ti
Nada há, decerto
Nem pode haver:
Além de ti
Que não tens essência
Nem tens existência
E te chamas só SER.
Oh
Nada pode haver!
1 529
Fernando Pessoa
O segredo da Busca é que não se acha.
O segredo da Busca é que não se acha.
Eternos mundos infinitamente,
Uns dentro de outros, sem cessar decorrem
Inúteis; Sóis, Deuses, Deus dos Deuses,
Neles intercalados e perdidos
Nem a nós encontramos no infinito.
Tudo é sempre diverso, e sempre adiante
De [Deus] e deuses vai a luz incerta
Da suprema verdade.
Eternos mundos infinitamente,
Uns dentro de outros, sem cessar decorrem
Inúteis; Sóis, Deuses, Deus dos Deuses,
Neles intercalados e perdidos
Nem a nós encontramos no infinito.
Tudo é sempre diverso, e sempre adiante
De [Deus] e deuses vai a luz incerta
Da suprema verdade.
1 408
Fernando Pessoa
Não morreram, Neera, os velhos deuses.
Não morreram, Neera, os velhos deuses.
Sempre que a humana alegria
Renasce, eles se voltam
Para a nossa saudade.
Sempre que a humana alegria
Renasce, eles se voltam
Para a nossa saudade.
1 280
Fernando Pessoa
Me concedam os deuses lá do alto
Me concedam os deuses lá do alto
Da sua calma que não custa ou serve
Ter uma vida tal qual eles
Se fossem homens a teriam...
Dominando desejos e esperanças
Não para ser comprado pelas ínguas
A maldizer da (...)…
Da sua calma que não custa ou serve
Ter uma vida tal qual eles
Se fossem homens a teriam...
Dominando desejos e esperanças
Não para ser comprado pelas ínguas
A maldizer da (...)…
1 320
Fernando Pessoa
O mistério supremo do Universo
O mistério supremo do Universo
O único mistério, tudo e em tudo
É haver um mistério do universo,
É haver o universo, qualquer cousa,
É haver haver. Ó forma abstracta e vaga
Que tão corrente haver em mim demora
Que pensar isto é-me no corpo um frio
Que sopra d'além terra e d'além-túmulo
E vai da alma a Deus.
O único mistério, tudo e em tudo
É haver um mistério do universo,
É haver o universo, qualquer cousa,
É haver haver. Ó forma abstracta e vaga
Que tão corrente haver em mim demora
Que pensar isto é-me no corpo um frio
Que sopra d'além terra e d'além-túmulo
E vai da alma a Deus.
1 222
Fernando Pessoa
Rezas a Deus ao deitar-te
Rezas a Deus ao deitar-te
Pedindo não sei o quê.
Se rezasses ao demónio,
Eu saberia o que é.
Pedindo não sei o quê.
Se rezasses ao demónio,
Eu saberia o que é.
1 255
Fernando Pessoa
Out of a great nebula of Night and Storm
Out of a great nebula of Night and Storm
Borne upon a great void within our Space,
My soul was formed and stares God in the face
Out of that silence where there is no Form.
The empty carcase of Place
The silent ecstasy of Hours,
Life, like abandoned flowers,
Thought, like a forlorn grace.
Borne upon a great void within our Space,
My soul was formed and stares God in the face
Out of that silence where there is no Form.
The empty carcase of Place
The silent ecstasy of Hours,
Life, like abandoned flowers,
Thought, like a forlorn grace.
1 242
Fernando Pessoa
Trazes uma cruz no peito.
Trazes uma cruz no peito.
Não sei se é por devoção.
Antes tivesse o jeito
De ter lá um coração.
Não sei se é por devoção.
Antes tivesse o jeito
De ter lá um coração.
917
Fernando Pessoa
Sorrow came and wept
Sorrow came and wept
By my side.
Slow and light she stept
As I walked towards God
By my side.
But I can never find that Great Abode,
And there is darkness in Descried.
By my side.
Slow and light she stept
As I walked towards God
By my side.
But I can never find that Great Abode,
And there is darkness in Descried.
1 207
Fernando Pessoa
GOD’S WORK
«God's work ‑ how great his power!» said he
As we gazed out upon the sea
Beating the beach tumultuously
Round the land-head.
The vessel then strikes with a crash,
Over her deck the waters rash
Make horror deep in rent and gash.
«God's work» , I said.
As we gazed out upon the sea
Beating the beach tumultuously
Round the land-head.
The vessel then strikes with a crash,
Over her deck the waters rash
Make horror deep in rent and gash.
«God's work» , I said.
1 262
Fernando Pessoa
ODE TO A WOMAN'S BODY
For thou art two — thy woman's self and God
Thy Presence is a (...) mystery
Thy flesh is spirit looked on as eyes should
When they inquire of thought what is't to see?
Every limit is the visible road
To an invisible infinity
Thy Presence is a (...) mystery
Thy flesh is spirit looked on as eyes should
When they inquire of thought what is't to see?
Every limit is the visible road
To an invisible infinity
1 444
Fernando Pessoa
II - PASSOU
II
PASSOU
Passou, fora de Quando,
De Porquê, e de Passando...,
Turbilhão de Ignorado,
Sem ter turbilhonado...,
Vasto por fora do Vasto
Sem ser, que a si se assombra...,
O universo é o seu rasto...
Deus é a sua sombra.
PASSOU
Passou, fora de Quando,
De Porquê, e de Passando...,
Turbilhão de Ignorado,
Sem ter turbilhonado...,
Vasto por fora do Vasto
Sem ser, que a si se assombra...,
O universo é o seu rasto...
Deus é a sua sombra.
1 382
Fernando Pessoa
III - A VOZ DE DEUS
III
A VOZ DE DEUS
Brilha uma voz na noite...
De dentro de Fora ouvi-a...
Oh Universo, eu sou‑te...
Oh, o horror da alegria
Deste pavor, do archote
Se apagar, que me guia!
Cinzas de ideia e de nome
Em mim, e a voz: Oh mundo, Sermente em ti eu sou-me...
Mero eco de mim, me inundo
De ondas de negro lume
Em que para Deus me afundo.
A VOZ DE DEUS
Brilha uma voz na noite...
De dentro de Fora ouvi-a...
Oh Universo, eu sou‑te...
Oh, o horror da alegria
Deste pavor, do archote
Se apagar, que me guia!
Cinzas de ideia e de nome
Em mim, e a voz: Oh mundo, Sermente em ti eu sou-me...
Mero eco de mim, me inundo
De ondas de negro lume
Em que para Deus me afundo.
1 256
Fernando Pessoa
EPIGRAMA
A um entendedor...
Um dia, tendo comichões
De nos fazer maior partida
A Asneira fez as religiões.
Tempos depois, estando de vê-las
Um tanto ou quanto aborrecida,
A Asneira pôs-se a desfazê-las.
Um dia, tendo comichões
De nos fazer maior partida
A Asneira fez as religiões.
Tempos depois, estando de vê-las
Um tanto ou quanto aborrecida,
A Asneira pôs-se a desfazê-las.
1 595
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