Namoro e Paixão
Poemas neste tema
Gustavo Adolfo Bécquer
Hoje sorriem-me a terra e os céus
Hoje sorriem-me a terra e os céus;
sinto no fundo da minha alma o sol;
eu hoje vi-a..., vi-a e ela olhou-me...
Creio hoje em Deus!
sinto no fundo da minha alma o sol;
eu hoje vi-a..., vi-a e ela olhou-me...
Creio hoje em Deus!
10 755
25
Eugénio de Andrade
O Pequeno Sismo
Há um pequeno sismo em qualquer parte
ao dizeres o meu nome.
Elevas-me à altura da tua boca
lentamente
para não me desfolhares.
Tremo como se tivera
quinze anos e toda a terra
fosse leve.
Ó indizível primavera.
ao dizeres o meu nome.
Elevas-me à altura da tua boca
lentamente
para não me desfolhares.
Tremo como se tivera
quinze anos e toda a terra
fosse leve.
Ó indizível primavera.
8 373
14
Paulo Leminski
AMOR BASTANTE
quando eu vi você
tive uma idéia brilhante
foi como se eu olhasse
de dentro de um diamante
e meu olho ganhasse
mil faces num só instante
basta um instante
e você tem amor bastante
tive uma idéia brilhante
foi como se eu olhasse
de dentro de um diamante
e meu olho ganhasse
mil faces num só instante
basta um instante
e você tem amor bastante
7 310
8
Florbela Espanca
Li um dia
Li um dia, não sei onde,
Que em todos os namorados
Uns amam muito, e os outros
Contentam-se em ser amados.
Neste mistério encantado...
Digo para mim: de nós dois
Quem ama e quem é amado?...
Que em todos os namorados
Uns amam muito, e os outros
Contentam-se em ser amados.
Neste mistério encantado...
Digo para mim: de nós dois
Quem ama e quem é amado?...
6 232
6
Jairo de Raguna Cabral
Haicai
O Perigo
Dois olhos cerrados.
Dois lábios suaves e sábios,
tremendo, calados...
Abandono
A jovem sentada
na ponta da rede tonta
e a poeira na estrada...
Dois olhos cerrados.
Dois lábios suaves e sábios,
tremendo, calados...
Abandono
A jovem sentada
na ponta da rede tonta
e a poeira na estrada...
1 079
2
Manuel Botelho de Oliveira
Cravo na Boca de Anarda
Quando a púrpura formosa
desse cravo, Anarda bela,
em teu céu se jacta estrela,
senão luzente, olorosa;
equivoca-se lustrosa,
(por não receber o agravo
de ser nessa boca escravo)
pois é, quando o cravo a toca
o cravo, cravo da boca,
a boca, boca de cravo.
desse cravo, Anarda bela,
em teu céu se jacta estrela,
senão luzente, olorosa;
equivoca-se lustrosa,
(por não receber o agravo
de ser nessa boca escravo)
pois é, quando o cravo a toca
o cravo, cravo da boca,
a boca, boca de cravo.
2 525
2
Martim Codax
Quantas Sabedes Amar Amigo
Quantas sabedes amar amigo,
treides comig'a lo mar de Vigo
e banhar-nos-emos nas ondas.
Quantas sabedes amar amado,
treides comig' a lo mar levado
e banhar-nos-emos nas ondas.
Treides comig' a lo mar de Vigo
e veeremo' lo meu amigo
e banhar-nos-emos nas ondas.
Treides comig' a lo mar levado
e veeremo' lo meu amado
e banhar-nos-emos nas ondas.
treides comig'a lo mar de Vigo
e banhar-nos-emos nas ondas.
Quantas sabedes amar amado,
treides comig' a lo mar levado
e banhar-nos-emos nas ondas.
Treides comig' a lo mar de Vigo
e veeremo' lo meu amigo
e banhar-nos-emos nas ondas.
Treides comig' a lo mar levado
e veeremo' lo meu amado
e banhar-nos-emos nas ondas.
993
1
Manuel Bandeira
Poema de Duas Magdas
Uma é Magda Becker Soares;
A outra, Magda Araújo.
Ah vida de caramujo
A minha,
Em que entram moças aos pares,
Mais noivas do que convinha!
Se por uma bebo os ares
— E essa é Magda Becker Soares —
Por sua xará babujo
— Scilicet Magda Araújo.
A outra, Magda Araújo.
Ah vida de caramujo
A minha,
Em que entram moças aos pares,
Mais noivas do que convinha!
Se por uma bebo os ares
— E essa é Magda Becker Soares —
Por sua xará babujo
— Scilicet Magda Araújo.
667
1
Fernando Pessoa
Dei-lhe um beijo ao pé da boca
Dei-lhe um beijo ao pé da boca
Por a boca se esquivar.
A ideia talvez foi louca,
O mal foi não acertar.
Por a boca se esquivar.
A ideia talvez foi louca,
O mal foi não acertar.
2 697
1
Fernando Pessoa
Quando vieste da festa,
Quando vieste da festa,
Vinhas cansada e contente.
A minha pergunta é esta:
Foi da festa ou foi da gente?
Vinhas cansada e contente.
A minha pergunta é esta:
Foi da festa ou foi da gente?
2 175
1
Reinaldo Ferreira
Dos prazeres no céu
Dos prazeres no céu
Que Mahomet promete,
Não trocava sete
Só por este meu.
Ver, enquanto ceio,
Teu olhar, Suzette,
Como se reflecte
No meu copo cheio.
Assim, com certeza,
Por mais que a desdenhe,
Na vida há beleza
Enquanto há champagne.
Que Mahomet promete,
Não trocava sete
Só por este meu.
Ver, enquanto ceio,
Teu olhar, Suzette,
Como se reflecte
No meu copo cheio.
Assim, com certeza,
Por mais que a desdenhe,
Na vida há beleza
Enquanto há champagne.
1 938
1
Sérgio Mattos
Beijo
Teu beijo
mm sabor de vida
e cheiro de madrugada.
Teu beijo é terno,
me aquece.
Teu beijo é inspiração,
me enlouquece.
Teu beijo é descoberta
e criação.
Teu beijo merece
muito mais que uma simples poesia.
mm sabor de vida
e cheiro de madrugada.
Teu beijo é terno,
me aquece.
Teu beijo é inspiração,
me enlouquece.
Teu beijo é descoberta
e criação.
Teu beijo merece
muito mais que uma simples poesia.
1 104
1
Filinto Elísio
Madrigal
Dormias Márcia, e eu vi Cupidoansioso
Já dum, já do outro lado
Querer furtar-te um beijo gracioso,
Que tu, a cada arquejo descansado,
Na linda boca urdias.
Graciosíssimo, oh! Márcia!... Não sabias
Como o nume girava de alvoroço.
Escondendo-lhe o jeito
De o dar do melhor lado. Eu vim, e dei-to
Bem na boca, e logrei o esperto moço.
Já dum, já do outro lado
Querer furtar-te um beijo gracioso,
Que tu, a cada arquejo descansado,
Na linda boca urdias.
Graciosíssimo, oh! Márcia!... Não sabias
Como o nume girava de alvoroço.
Escondendo-lhe o jeito
De o dar do melhor lado. Eu vim, e dei-to
Bem na boca, e logrei o esperto moço.
1 095
1
Gerimaldo Nunes
Colapso Intectual
Antes
quando o meu amor
me despia
com seus olhos,
eu nu e feliz
esperava o instante
do beijo inicial
João Pessoa, 1981
quando o meu amor
me despia
com seus olhos,
eu nu e feliz
esperava o instante
do beijo inicial
João Pessoa, 1981
644
1
Marilena Gomes Ribeiro
Acaso
Teus lábios sem querer
roçaram os meus
na hora da despedida.
Não houve o beijo;
apenas o rubor
das nossas faces,
o coração
pulando como um louco
por tão pouco
roçaram os meus
na hora da despedida.
Não houve o beijo;
apenas o rubor
das nossas faces,
o coração
pulando como um louco
por tão pouco
852
1
Nuno Fernandes Torneol
Dizede-M'ora, Filha, Por Santa Maria
- Dizede-m'ora, filha, por Santa Maria,
qual est o voss'amigo, que mi vos pedia?
- Madr', eu amostrar-vo-lo-ei.
- Qual e[st o] voss'amigo que mi vos pedia?
se mi o vós mostrássedes, gracir-vo-lo-ia.
- Madr', eu amostrar-vo-lo-ei.
- [S]e mi o vós amostrardes, gracir-vo-lo-ia,
e direi-vo-l'eu logo em que s'atrevia.
- Madr', eu amostrar-vo-lo-ei.
qual est o voss'amigo, que mi vos pedia?
- Madr', eu amostrar-vo-lo-ei.
- Qual e[st o] voss'amigo que mi vos pedia?
se mi o vós mostrássedes, gracir-vo-lo-ia.
- Madr', eu amostrar-vo-lo-ei.
- [S]e mi o vós amostrardes, gracir-vo-lo-ia,
e direi-vo-l'eu logo em que s'atrevia.
- Madr', eu amostrar-vo-lo-ei.
627
João Soares Coelho
Fui Eu, Madre, Lavar Meus Cabelos
Fui eu, madre, lavar meus cabelos
a la fonte e paguei-m'eu delos
e de mi, louçana.
Fui eu, madre, lavar mias garcetas
a la fonte e paguei-m'eu delas
e de mi, louçana.
A la fonte [e] paguei-m'eu deles;
aló achei, madr', o senhor deles
e de mi, louçana.
[E], ante que m'eu d'ali partisse,
fui pagada do que m'el[e] disse
e de mi louçana.
a la fonte e paguei-m'eu delos
e de mi, louçana.
Fui eu, madre, lavar mias garcetas
a la fonte e paguei-m'eu delas
e de mi, louçana.
A la fonte [e] paguei-m'eu deles;
aló achei, madr', o senhor deles
e de mi, louçana.
[E], ante que m'eu d'ali partisse,
fui pagada do que m'el[e] disse
e de mi louçana.
703
Estêvão da Guarda
Dizede-M'ora, Filha, Por Santa Maria
- Dizede-m'ora, filha, por Santa Maria,
qual est o voss'amigo, que mi vos pedia?
- Madr', eu amostrar-vo-lo-ei.
- Qual e[st o] voss'amigo que mi vos pedia?
se mi o vós mostrássedes, gracir-vo-lo-ia.
- Madr', eu amostrar-vo-lo-ei.
- [S]e mi o vós amostrardes, gracir-vo-lo-ia,
e direi-vo-l'eu logo em que s'atrevia.
- Madr', eu amostrar-vo-lo-ei.
qual est o voss'amigo, que mi vos pedia?
- Madr', eu amostrar-vo-lo-ei.
- Qual e[st o] voss'amigo que mi vos pedia?
se mi o vós mostrássedes, gracir-vo-lo-ia.
- Madr', eu amostrar-vo-lo-ei.
- [S]e mi o vós amostrardes, gracir-vo-lo-ia,
e direi-vo-l'eu logo em que s'atrevia.
- Madr', eu amostrar-vo-lo-ei.
660
D. Dinis
Pois Que Diz Meu Amigo
Pois que diz meu amigo
que se quer ir comigo,
pois que a el praz,
praz a mi, bem vos digo,
est'é o meu solaz.
Pois diz que todavia
nos imos nossa via,
pois que a el praz,
praz-m'e vej'i bom dia,
est'é o meu solaz.
Pois m'e[n]de levar vejo
que est'é o seu desejo,
pois que a el praz,
praz-mi muito sobejo,
est'é o meu solaz.
que se quer ir comigo,
pois que a el praz,
praz a mi, bem vos digo,
est'é o meu solaz.
Pois diz que todavia
nos imos nossa via,
pois que a el praz,
praz-m'e vej'i bom dia,
est'é o meu solaz.
Pois m'e[n]de levar vejo
que est'é o seu desejo,
pois que a el praz,
praz-mi muito sobejo,
est'é o meu solaz.
600
D. Dinis
Amiga, Bom Grad'haja Deus
Amiga, bom grad'haja Deus
do meu amigo que a mi vem,
mais podedes creer mui bem,
quando o vir dos olhos meus,
que possa aquel dia veer
que nunca vi maior prazer.
Haja Deus ende bom grado
porque o faz viir aqui,
mais podedes creer per mim,
quand'eu vir o namorado,
que possa aquel dia veer
que nunca vi maior prazer.
do meu amigo que a mi vem,
mais podedes creer mui bem,
quando o vir dos olhos meus,
que possa aquel dia veer
que nunca vi maior prazer.
Haja Deus ende bom grado
porque o faz viir aqui,
mais podedes creer per mim,
quand'eu vir o namorado,
que possa aquel dia veer
que nunca vi maior prazer.
743
D. Dinis
Pera Veer Meu Amigo,
Pera veer meu amigo,
que talhou preito comigo,
alá vou, madre.
Pera veer meu amado,
que mig'há preito talhado,
alá vou, madre.
Que talhou preito comigo;
é por esto que vos digo:
alá vou, madre.
Que mig'há preito talhado;
é por esto que vos falo:
alá vou, madre.
que talhou preito comigo,
alá vou, madre.
Pera veer meu amado,
que mig'há preito talhado,
alá vou, madre.
Que talhou preito comigo;
é por esto que vos digo:
alá vou, madre.
Que mig'há preito talhado;
é por esto que vos falo:
alá vou, madre.
504
Bernal de Bonaval
Filha Fremosa, Vedes Que Vos Digo
Filha fremosa, vedes que vos digo:
que nom faledes ao voss'amigo
sem mi, ai filha fremosa.
E se vós, filha, meu amor queredes,
rogo-vos eu que nunca lhi faledes
sem mi, ai filha fremosa.
E al há i de que vos nom guardades:
perdedes i de quanto lhi falades
sem mi, ai filha fremosa.
que nom faledes ao voss'amigo
sem mi, ai filha fremosa.
E se vós, filha, meu amor queredes,
rogo-vos eu que nunca lhi faledes
sem mi, ai filha fremosa.
E al há i de que vos nom guardades:
perdedes i de quanto lhi falades
sem mi, ai filha fremosa.
665
Bernal de Bonaval
Rogar-Vos Quero EU, Mia Madr'e Mia Senhor
Rogar-vos quero [e]u, mia madr'e mia senhor,
que mi nom digades hoje mal, se eu for
a Bonaval, pois meu amig'i vem.
Se vos nom pesar, mia madre, rogar-vos-ei,
por Deus, que mi nom digades mal, e irei
a Bonaval, pois meu amig'i vem.
que mi nom digades hoje mal, se eu for
a Bonaval, pois meu amig'i vem.
Se vos nom pesar, mia madre, rogar-vos-ei,
por Deus, que mi nom digades mal, e irei
a Bonaval, pois meu amig'i vem.
699
Renato Rezende
Cupido
Quando te vi
deixei cair minhas asas.
Caí como uma pluma
de pedra.
Flecha
presa na carne.
Nova York, maio 1994
deixei cair minhas asas.
Caí como uma pluma
de pedra.
Flecha
presa na carne.
Nova York, maio 1994
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