Estações do Ano (Primavera, Verão, Outono, Inverno)
Poemas neste tema
Ruy Belo
Mesmo que não conheças
Mesmo que não conheças nem o mês nem o lugar
caminha para o mar pelo verão
caminha para o mar pelo verão
15 510
31
Sophia de Mello Breyner Andresen
Promessa
És tu a Primavera que eu esperava,
A vida multiplicada e brilhante,
Em que é pleno e perfeito cada instante.
A vida multiplicada e brilhante,
Em que é pleno e perfeito cada instante.
7 666
5
Sophia de Mello Breyner Andresen
Novembro
A respiração de Novembro verde e fria
Incha os cedros azuis e as trepadeiras
E o vento inquieta com longínquos desastres
A folhagem cerrada das roseiras
Incha os cedros azuis e as trepadeiras
E o vento inquieta com longínquos desastres
A folhagem cerrada das roseiras
4 980
3
Luis Antônio Pimentel
Haicai
Velho caquizeiro
pinta seus frutos maduros
com o sol do outono...
Pesados de cana
rangem os carros de boi
moendo as estradas...
pinta seus frutos maduros
com o sol do outono...
Pesados de cana
rangem os carros de boi
moendo as estradas...
1 265
2
Clicie Pontes
Inverno
De braços abertos
Enfrentando a geada
Um espantalho
A árvore no inverno
Não consegue mais
Esconder a lua...
Ao pé da lareira
Uma pausa na conversa:
Lua na vidraça!
Enfrentando a geada
Um espantalho
A árvore no inverno
Não consegue mais
Esconder a lua...
Ao pé da lareira
Uma pausa na conversa:
Lua na vidraça!
1 009
2
Ricardo Akira Kokado
Primavera
Nuvens de chuva
a brisa enruga os espelhos
na primavera
a brisa enruga os espelhos
na primavera
811
2
William Carlos Williams
ALFARROBEIRA EM FLOR
Entre
de
verde
teso
velho
claro
quebrado
ramo
vem
branco
doce
Maio
outra vez.
de
verde
teso
velho
claro
quebrado
ramo
vem
branco
doce
Maio
outra vez.
1 244
2
Marina Colasanti
PASSADO E COLHER DE PAU
Ameixas fervem no açúcar.
geléia cor de sangue
que borbulha
deitando um cheiro rubro pela casa.
Eu remexo a panela
sobre o fogo
mas no redemoinho que se abre
não é o ponto que busco.
É o sabor primeiro da palavra
ameixa
aquele que me beijava a lingua
e me dizia:
o verão chegou.
geléia cor de sangue
que borbulha
deitando um cheiro rubro pela casa.
Eu remexo a panela
sobre o fogo
mas no redemoinho que se abre
não é o ponto que busco.
É o sabor primeiro da palavra
ameixa
aquele que me beijava a lingua
e me dizia:
o verão chegou.
1 248
1
Paul Verlaine
Canção de outono
Estes lamentos
Dos violões lentos
Do outono
Enchem minha alma
De uma onda calma
De sono.
E soluçando,
Pálido, quando
Soa a hora,
Recordo todos
Os dias doidos
De outrora.
E vou à toa
No ar mau que voa.
Que importa?
Vou pela vida,
Folha caída
E morta.
(Paul Verlaine, 1866, trad. Guilherme de Almeida)
Dos violões lentos
Do outono
Enchem minha alma
De uma onda calma
De sono.
E soluçando,
Pálido, quando
Soa a hora,
Recordo todos
Os dias doidos
De outrora.
E vou à toa
No ar mau que voa.
Que importa?
Vou pela vida,
Folha caída
E morta.
(Paul Verlaine, 1866, trad. Guilherme de Almeida)
1 797
1
Sophia de Mello Breyner Andresen
O Jardim
O jardim está brilhante e florido.
Sobre as ervas, entre as folhagens,
O vento passa, sonhador e distraído,
Peregrino de mil romagens.
É Maio ácido e multicolor,
Devorado pelo próprio ardor,
Que nesta clara tarde de cristal
Avança pelos caminhos
Até os fantásticos desalinhos
Do meu bem e do meu mal.
E no seu bailado levada
Pelo jardim deliro e divago,
Ora espreitando debruçada
Os jardins do fundo do lago,
Ora perdendo o meu olhar
Na indizível verdura
Das folhas novas e tenras
Onde eu queria saciar
A minha longa sede de frescura.
Sobre as ervas, entre as folhagens,
O vento passa, sonhador e distraído,
Peregrino de mil romagens.
É Maio ácido e multicolor,
Devorado pelo próprio ardor,
Que nesta clara tarde de cristal
Avança pelos caminhos
Até os fantásticos desalinhos
Do meu bem e do meu mal.
E no seu bailado levada
Pelo jardim deliro e divago,
Ora espreitando debruçada
Os jardins do fundo do lago,
Ora perdendo o meu olhar
Na indizível verdura
Das folhas novas e tenras
Onde eu queria saciar
A minha longa sede de frescura.
7 101
1
Sophia de Mello Breyner Andresen
É Por Ti Que Se Enfeita E Se Consome
É por ti que se enfeita e se consome,
Desgrenhada e florida, a Primavera.
É por ti que a noite chama e espera.
És tu quem anuncia o poente nas estradas.
E o vento torcendo as árvores desfolhadas
Canta e grita que tu vais chegar.
Desgrenhada e florida, a Primavera.
É por ti que a noite chama e espera.
És tu quem anuncia o poente nas estradas.
E o vento torcendo as árvores desfolhadas
Canta e grita que tu vais chegar.
2 284
1
Paulo Leminski
duas folhas na sandália
o outono
também quer andar
também quer andar
2 116
1
Alice Ruiz
Haicai
primavera
até a cadeira
olha pela janela
luzes acesas
vozes amigas
chove melhor
até a cadeira
olha pela janela
luzes acesas
vozes amigas
chove melhor
2 919
1
Teruko Oda
Verão
Verão tropical
Na árvore de Natal
Neve de algodão.
Noite de verão
Na janela envidraçada
Cabe a lua cheia.
Na árvore de Natal
Neve de algodão.
Noite de verão
Na janela envidraçada
Cabe a lua cheia.
1 015
1
J.Cardia
Neste sol de sempre
Neste sol de sempre
folhas se acastanham
e chegam ao chão.
Todo instante, toda estação.
Eu não. Outono.
folhas se acastanham
e chegam ao chão.
Todo instante, toda estação.
Eu não. Outono.
691
1
Douglas Eden Brotto
Outono
Abaixem os Ramos!
pedia o padre, aos fiéis
na igreja apinhada...
Vale do Rio do Peixe:
confins do mês de março,
colheita de uvas...
pedia o padre, aos fiéis
na igreja apinhada...
Vale do Rio do Peixe:
confins do mês de março,
colheita de uvas...
943
1
Albano Dias Martins
Nem sempre
a neve
cai do céu: às vezes,
explode numa flor.
cai do céu: às vezes,
explode numa flor.
1 177
1
Herberto Helder
Poemas Arabico-Andaluzes - a Açucena
As mãos da Primavera edificaram, no cimo dos caules, os castelos da
açucena;
castelos com ameias de prata onde, em volta do Príncipe, os guerreiros
empunham espadas de oiro.
açucena;
castelos com ameias de prata onde, em volta do Príncipe, os guerreiros
empunham espadas de oiro.
1 097
Herberto Helder
Ao Vento Deste Outono
d’après Issa
ao vento deste outono
avanço
para que inferno?
ao vento deste outono
avanço
para que inferno?
588
Matilde Campilho
Sagetrieb
Inverno que queres matar-me ao chapadão
encher-me a cabeça de domingos
e alinhar meu olho aos escaparates
desenhados pelo maldito imperador
que abandonou os sorvetes e os 5 sóis
Vais ver se eu não dou cabo te ti primeiro
encher-me a cabeça de domingos
e alinhar meu olho aos escaparates
desenhados pelo maldito imperador
que abandonou os sorvetes e os 5 sóis
Vais ver se eu não dou cabo te ti primeiro
1 075
José Bento
Das Quatro Estações - O Outono
Novembro apagou nas buganvílias
seus nomes brancos, roxos, escarlates.
É mais difícil regressar a casa:
o caminho disfarçou, emudeceu
seu rosto nos muros e nas grades.
— Por onde seguiremos
sem que o outono espesso nos trespasse?
seus nomes brancos, roxos, escarlates.
É mais difícil regressar a casa:
o caminho disfarçou, emudeceu
seu rosto nos muros e nas grades.
— Por onde seguiremos
sem que o outono espesso nos trespasse?
586
Tomas Tranströmer
A ÁRVORE E A NUVEM
Uma árvore anda de aqui para ali sob a chuva,
com pressa, ante nós, derramando-se na cinza.
Leva um recado. Da chuva arranca vida
como um melro ante um jardim de fruta.
Quando a chuva cessa, detém-se a árvore.
Vislumbramo-la direita, quieta em noites claras,
à espera, como nós, do instante
em que flocos de neve floresçam no espaço.
com pressa, ante nós, derramando-se na cinza.
Leva um recado. Da chuva arranca vida
como um melro ante um jardim de fruta.
Quando a chuva cessa, detém-se a árvore.
Vislumbramo-la direita, quieta em noites claras,
à espera, como nós, do instante
em que flocos de neve floresçam no espaço.
671
Mário Cláudio
Feles
Por todo um Inverno,
O amor lhe dilacerou o ventre,
Com fundas garras de gelo.
E a Primavera zumbiu,
Sobre sua cabeça,
Numa vertigem de pólen.
Senta-se agora,
Junto à lareira do Outono,
E é um bule de porcelana.
O amor lhe dilacerou o ventre,
Com fundas garras de gelo.
E a Primavera zumbiu,
Sobre sua cabeça,
Numa vertigem de pólen.
Senta-se agora,
Junto à lareira do Outono,
E é um bule de porcelana.
1 179
Grazia Deledda
A Primavera
O inverno arrefeceu também
a cor das rochas. Da montanha desciam
veias de prata, mil riachos silenciosos,
brilhando no verde vivo da erva.
Um sobressalto de torrente no fundo do vale
entre pêssegos e amendoeiras em flor, e tudo era puro,
jovem, fresco, sob a luz prateada do céu.
a cor das rochas. Da montanha desciam
veias de prata, mil riachos silenciosos,
brilhando no verde vivo da erva.
Um sobressalto de torrente no fundo do vale
entre pêssegos e amendoeiras em flor, e tudo era puro,
jovem, fresco, sob a luz prateada do céu.
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