Estações do Ano (Primavera, Verão, Outono, Inverno)

Poemas neste tema

Ruy Belo

Ruy Belo

Mesmo que não conheças

Mesmo que não conheças nem o mês nem o lugar
caminha para o mar pelo verão
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Sophia de Mello Breyner Andresen

Sophia de Mello Breyner Andresen

Promessa

És tu a Primavera que eu esperava,
A vida multiplicada e brilhante,
Em que é pleno e perfeito cada instante.
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Sophia de Mello Breyner Andresen

Sophia de Mello Breyner Andresen

Novembro

A respiração de Novembro verde e fria
Incha os cedros azuis e as trepadeiras
E o vento inquieta com longínquos desastres
A folhagem cerrada das roseiras
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Luis Antônio Pimentel

Luis Antônio Pimentel

Haicai

Velho caquizeiro
pinta seus frutos maduros
com o sol do outono...

Pesados de cana
rangem os carros de boi
moendo as estradas...

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Clicie Pontes

Clicie Pontes

Inverno

De braços abertos
Enfrentando a geada
Um espantalho

A árvore no inverno
Não consegue mais
Esconder a lua...

Ao pé da lareira
Uma pausa na conversa:
Lua na vidraça!

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Ricardo Akira Kokado

Ricardo Akira Kokado

Primavera

Nuvens de chuva
a brisa enruga os espelhos
na primavera

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William Carlos Williams

William Carlos Williams

ALFARROBEIRA EM FLOR

Entre
de
verde

teso
velho
claro

quebrado
ramo
vem

branco
doce
Maio

outra vez.

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Marina Colasanti

Marina Colasanti

PASSADO E COLHER DE PAU

Ameixas fervem no açúcar.
geléia cor de sangue
que borbulha
deitando um cheiro rubro pela casa.
Eu remexo a panela
sobre o fogo
mas no redemoinho que se abre
não é o ponto que busco.
É o sabor primeiro da palavra
ameixa
aquele que me beijava a lingua
e me dizia:
o verão chegou.
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Paul Verlaine

Paul Verlaine

Canção de outono

Estes lamentos
Dos violões lentos
Do outono
Enchem minha alma
De uma onda calma
De sono.

E soluçando,
Pálido, quando
Soa a hora,
Recordo todos
Os dias doidos
De outrora.

E vou à toa
No ar mau que voa.
Que importa?
Vou pela vida,
Folha caída
E morta.

(Paul Verlaine, 1866, trad. Guilherme de Almeida)
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Sophia de Mello Breyner Andresen

Sophia de Mello Breyner Andresen

O Jardim

O jardim está brilhante e florido.
Sobre as ervas, entre as folhagens,
O vento passa, sonhador e distraído,
Peregrino de mil romagens.

É Maio ácido e multicolor,
Devorado pelo próprio ardor,
Que nesta clara tarde de cristal
Avança pelos caminhos
Até os fantásticos desalinhos
Do meu bem e do meu mal.

E no seu bailado levada
Pelo jardim deliro e divago,
Ora espreitando debruçada
Os jardins do fundo do lago,
Ora perdendo o meu olhar
Na indizível verdura
Das folhas novas e tenras
Onde eu queria saciar
A minha longa sede de frescura.
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Sophia de Mello Breyner Andresen

Sophia de Mello Breyner Andresen

É Por Ti Que Se Enfeita E Se Consome

É por ti que se enfeita e se consome,
Desgrenhada e florida, a Primavera.
É por ti que a noite chama e espera.

És tu quem anuncia o poente nas estradas.
E o vento torcendo as árvores desfolhadas
Canta e grita que tu vais chegar.
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Paulo Leminski

Paulo Leminski

duas folhas na sandália

o outono
também quer andar

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Alice Ruiz

Alice Ruiz

Haicai

primavera
até a cadeira
olha pela janela

luzes acesas
vozes amigas
chove melhor

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Teruko Oda

Teruko Oda

Verão

Verão tropical
Na árvore de Natal
Neve de algodão.

Noite de verão
Na janela envidraçada
Cabe a lua cheia.

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J.Cardia

J.Cardia

Neste sol de sempre

Neste sol de sempre
folhas se acastanham
e chegam ao chão.
Todo instante, toda estação.
Eu não. Outono.

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Douglas Eden Brotto

Douglas Eden Brotto

Outono

Abaixem os Ramos!
pedia o padre, aos fiéis
na igreja apinhada...

Vale do Rio do Peixe:
confins do mês de março,
colheita de uvas...

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Albano Dias Martins

Albano Dias Martins

Nem sempre

a neve
cai do céu: às vezes,
explode numa flor.
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Herberto Helder

Herberto Helder

Poemas Arabico-Andaluzes - a Açucena

As mãos da Primavera edificaram, no cimo dos caules, os castelos da
açucena;
castelos com ameias de prata onde, em volta do Príncipe, os guerreiros
empunham espadas de oiro.
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Herberto Helder

Herberto Helder

Ao Vento Deste Outono

d’après Issa

ao vento deste outono
avanço
para que inferno?
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Matilde Campilho

Matilde Campilho

Sagetrieb

Inverno que queres matar-me ao chapadão
encher-me a cabeça de domingos
e alinhar meu olho aos escaparates
desenhados pelo maldito imperador
que abandonou os sorvetes e os 5 sóis
Vais ver se eu não dou cabo te ti primeiro
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José Bento

José Bento

Das Quatro Estações - O Outono

Novembro apagou nas buganvílias
seus nomes brancos, roxos, escarlates.

É mais difícil regressar a casa:
o caminho disfarçou, emudeceu
seu rosto nos muros e nas grades.

— Por onde seguiremos
sem que o outono espesso nos trespasse?
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Tomas Tranströmer

Tomas Tranströmer

A ÁRVORE E A NUVEM

Uma árvore anda de aqui para ali sob a chuva,
com pressa, ante nós, derramando-se na cinza.
Leva um recado. Da chuva arranca vida
como um melro ante um jardim de fruta.

Quando a chuva cessa, detém-se a árvore.
Vislumbramo-la direita, quieta em noites claras,
à espera, como nós, do instante
em que flocos de neve floresçam no espaço.
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Mário Cláudio

Mário Cláudio

Feles

Por todo um Inverno,
O amor lhe dilacerou o ventre,
Com fundas garras de gelo.

E a Primavera zumbiu,
Sobre sua cabeça,
Numa vertigem de pólen.

Senta-se agora,
Junto à lareira do Outono,
E é um bule de porcelana.
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Grazia Deledda

Grazia Deledda

A Primavera

O inverno arrefeceu também
a cor das rochas. Da montanha desciam
veias de prata, mil riachos silenciosos,
brilhando no verde vivo da erva.
Um sobressalto de torrente no fundo do vale
entre pêssegos e amendoeiras em flor, e tudo era puro,
jovem, fresco, sob a luz prateada do céu.
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