Poemas neste tema

Tristeza e Melancolia

Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Não sei que grande tristeza

Não sei que grande tristeza
Me fez só gostar de ti
Quando já tinha a certeza
De te amar porque te vi.
1 338
Manuel Bandeira

Manuel Bandeira

Peregrinação

O córrego é o mesmo.
Mesma, aquela árvore,
A casa, o jardim.

Meus passos a esmo
(Os passos e o espírito)
Vão pelo passado,
Ai tão devastado,
Recolhendo triste
Tudo quanto existe
Ainda ali de mim
— Mim daqueles tempos!

Petrópolis, 12.3.1943
1 271
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Por um púcaro de barro

Por um púcaro de barro
Bebe-se a água mais fria.
Quem tem tristezas não dorme,
Vela para ter alegria.
1 587
Jorge Nascimento

Jorge Nascimento

Auto-retrato

Cresce dentro de mim, doloroso, humilde pranto;
Alma surda e esquizofrênica, inútil de tristezas,
Desertei da vida pela aspiração do amargo canto
E mesmo assim ainda tive que banhar-me de torpezas;

Quem agora irá prover a insanidade do meu sonho,
Eu, que sempre tive o bem ajustado e negro desvario
De nunca permanecer nas proporções onde me ponho,
Errante e só, comandado pela minha bússola de desvio

Sempre a refulgir, nos oceanos de uma sinistra paz;
Meu reino imbecil, descoberto por defeituoso impostor,
Repetente de todas as classes da infâmia sempre audaz;

Minha terra sombria de obscenidade, na voz de um homem
A quem determinaram inteira sujeição ao destino opressor,
Abençoado, enquanto vida tiver, as horas que me consomem!

1 019
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Mother, my cheeks are wet.

Mother, my cheeks are wet.
        Let down my hair and kiss
My brow. I seem to forget
        Even if I think of this.

Lullaby to me, mother,
        Lullaby to me.
I loved and was not loved, mother.
        Kiss me and let me be.

Let me sleep as of old, thy hand
        On my brow, so calm and so deep,
That I feel't on my soul, my soul fanned
        By thy breath on the face of my sleep.

I am but a little ship, mother,
        Lost out in the sea.
Lullaby to me, mother,
        Lullaby to me.
1 360
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

OPIARY

Life tastes to me like golden tobacco.
I have never done anything but smoke life.

After all of what use was it to me to have
Gone to the East and seen India and China?
The earth is similar and little
And there is only one way of living.

I pretended to study engineering.
I lived in Scotland. I visited Ireland.
My heart is a poor grandmother who goes about
Begging at the doors of Joy.

I am unfortunate by primogeniture.
The gipsies stole my luck.
Perhaps I shall not even find near death
A place to shelter me from my cold.

And I was a child like other people.
I was born in a Portuguese province,
And have met English people
Who say I speak English perfectly.
1 704
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Bem sei que tudo é natural

Bem sei que tudo é natural
Mas ainda tenho coração...

Boa noite e merda!...
(Estala, meu coração!)
(Merda para a humanidade inteira!)

Na casa da mãe do filho que foi atropelado,
Tudo ri, tudo brinca.
E há um grande ruído de buzinas sem conta a lembrar

Receberam a compensação:
Bebé igual a X,
Gozam o X neste momento,
Comem e bebem o bebé morto,
Bravo! São gente!
Bravo! São a humanidade!
Bravo: são todos os pais e todas as mães
Que têm filhos atropeláveis!
Como tudo esquece quando há dinheiro.
Bebé igual a X.

Com isso se forrou a papel uma casa.
Com isso se pagou a última prestação da mobília.
Coitadito do Bebé.
Mas, se não tivesse sido morto por atropelamento, que seria das contas?
Sim, era amado.
Sim, era querido
Mas morreu.
Paciência, morreu!
Que pena, morreu!
Mas deixou o com que pagar contas
E isso é qualquer coisa.
(É claro que foi uma desgraça)
Mas agora pagam-se as contas.
(É claro que aquele pobre corpinho
Ficou triturado)
Mas agora, ao menos, não se deve na mercearia.
(É pena sim, mas há sempre um alívio.)

O bebé morreu, mas o que existe são dez contos.
Isso, dez contos.
Pode fazer-se muito (pobre bebé) com dez contos.
Pagar muitas dívidas (bebezinho querido)
Com dez contos.
Pôr muita coisa em ordem
(Lindo bebé que morreste) com dez contos.

Bem se sabe é triste
(Dez contos)
Uma criancinha nossa atropelada
(Dez contos)
Mas a visão da casa remodelada
(Dez contos)
De um lar reconstituído
(Dez contos)
Faz esquecer muitas coisas (como o choramos!)
Dez contos!
Parece que foi por Deus que os recebeu
(Esses dez contos).
Pobre bebé trucidado!
Dez contos.
1 404
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

I. - Take me up in thine arms, oh some mother.

[I.]
Take me up in thine arms, oh some mother.
Take me up in thine arms, make me a child.
An endless lack of joy every joy doth smother
That rises in me, sudden or great or mild.

Take me up in thine arms, rock me to sleep.
Rock me to sleep in a great meaningless way.
And may I hear, like one who sleeps in a house by a bay,
A great loud wind rise like a life from the deep
And cease as I fall asleep like a life that passes away.

II.
All I have wished to do, mother, I have not done.
Even what I wish to feel makes mistakes within me.
I grow tired, dimly tired, of the calm and constant sun,
And restless beside the happier restlessness of the sea.

Oh for a boat to believe I might sail in it and go,
Beyond the walls of my sensations' world and become
A floating absence from my worn self, a discarded woe
Trailing behind me likes a ship's trail, shining through
My consciousness of having dropt my life like a lamp in a home.

III.
Mother, my cheeks grow thin with cares I forget to know.
With things I forget to feel, nor know how to think, I pine.
Mine envy, mother, is with the figure of the sturdy man at the wheel,
That does his duty in storms and is salt at soul with good brine.

My heart is lost to a perillous life full of achievement and breath.
My thoughts are given like gifts to a life I could never live.
Teach me how to myself my own life I can forgive.
Teach me how to love life, at least how not to fear death,
And be all that you teach in the sense of a mute kiss you give.


IV.
Rock me to and fro in your arms, mother. It is night.
There is something of endless motion, of final ceasing of care,
In your rocking of me now from now into the light
That the cottage lamp sheds on your rocking fire with the same yellow flare.

Let me sleep, let me sleep, outsleep the ages and Time.
Drift far away from space like a hulk away from shore.
Be your arms around me like a land or a day or a clime,
Be your casual lips on my brow like forgiveness of crime.
Rock me till I lose being, mother, rock me still more.

V.
My pain outgrows my power to feel pain. I am numb. I am faint.
I sicken from having lived no life, but all dreams, dreams, dreams,
My soul is poisoned, mother, with an old and mysterious tai[nt]
And now that you have stopped rocking full on my brow the lamp gleams.

Hide me, mother, from the light for it seems that it sees.
Hide me, make me be blurred against your breast and the night.
Lo! outside the great swell of the dim and eternal seas!
Mother, whom do we wait, to return from beyond the seas?
Is it for anyone at sea that the joy of our lamp we light.

VI.
The wind hath risen, the wind hath risen. Something is colder and truer.
Something of life and its mystery creeps into the room.
Mother, stop the window chinks, make the door fast and sure.
We never know what horror it is that out of the Night may come.

We know not whom we await. It may be worse than the dark.
It may be shapeless unto our thought and dread as God if he be...
Mother, new sounds are creeping like snakes through the darkness. Hark!
Is it the wind you fear? Is it the sea you remark?
Mother, make me to sleep at once, ere I may hear or see.

VII.
When will it born. Mother, this fear and this smart,
This ache as of something lost or something near to be found,
Coils like a viscous impossible manner of snake round the heart
And the night, mother, the night without being nor bound!...
Put your arms so much around me, so much, so close so fast
That they cover the eyes of my fancy and cling round my thought's quick ear.
Mother, let us not see if the night will pass or last.
Let us not think nor be... Let life be as if past.
Let our total and infinite death be the day and the ceasing of fear.
1 422
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

DILUENTE

DILUENTE

A vizinha do número quatorze ria hoje da porta
De onde há um mês saiu o enterro do filho pequeno.
Ria naturalmente com a alma na cara.
Está certo: é a vida.
A dor não dura porque a dor não dura.
Está certo.
Repito: está certo.
Mas o meu coração não está certo.
O meu coração romântico faz enigmas do egoísmo da vida.

Cá está a lição, ó alma da gente!
Se a mãe esquece o filho que saiu dela e morreu,
Quem se vai dar ao trabalho de se lembrar de mim?
Estou só no mundo, como um peão de cair.
Posso morrer como o orvalho seca.
Por uma arte natural de natureza solar,
Posso morrer à vontade da deslembrança,
Posso morrer como ninguém...
Mas isto dói,
Isto é indecente para quem tem coração...
Isto...
Sim, isto fica-me nas goelas como uma sanduíche com lágrimas...
Gloria? Amor? O anseio de uma alma humana?
Apoteose ás avessas...
Dêem-me Agua de Vidago, que eu quero esquecer a Vida!
1 339
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

III - Só quem puder obter a estupidez

III

Só quem puder obter a estupidez
Ou a loucura pode ser feliz.
Buscar, querer, amar... tudo isto diz
Perder, chorar, sofrer, vez após vez.

A estupidez achou sempre o que quis
Do círculo banal — da sua avidez;
Nunca aos loucos o engano se desfez
Com quem um falso mundo seu condiz.

Há dois males: verdade e aspiração,
E há uma forma só de os saber males:
É conhecê-los bem, saber que são

Um o horror real, o outro o vazio —
Horror não menos — dois como que vales
Duma montanha que ninguém subiu.
841
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

There is no peace save where I am not,

There is no peace save where I am not,
The woods are gay where I never pass,
Nothing but shadows are where my thought
Plunges its feet in the moist dead grass.

Nothing save shadows and day elsewhere
Waiting for those that await and hope.
A horror lays its wind on my hair,
And a cold hand does for my cold hand grope.

Yet nothing in me save pain merits this,
Nothing in me save this merits pain.
Oh, Mother of Shadows, whose ice-dead kiss
Is madness, hasten towards my brain!
1 045
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Eu no tempo não choro que me leve

Eu no tempo não choro que me leve
A juventude, o já encanecer
A cabeça que pouco ainda esteve
Sob o Sol solto e a tarde a arrefecer.

Nem choro que não me ames, que faleça
O amor que vi em ti, que também haja
Uma tarde do amar, que desfaleça
E a noite fique, (...)

Mais que tudo choro já não te amar,
Sim, choro a tragédia de não ser o mesmo na alma,
De te ser infiel sem infidelidade,
De me ter esquecido de ti sem propriamente te aborrecer.

Não é o tempo ido em que te amei que choro.
Choro não te amar já por isso ser natural.
Choro ter-te esquecido, choro não me poder lembrar
Com saudade do tempo em que te amei.

Isso é que choro, sim, com as verdadeiras lágrimas
Que contém em si os piores mistérios —
A morte essencial das coisas,
O acabar das almas, mais grave que o dos corpos,
O abismo onde a única esperança é poder haver Deus
E um outro sentido desconhecido a tudo que se teve e se foi
Um outro lado, nem côncavo nem convexo à curva da vida.
1 578
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Toda a noite ouvi os cães

Toda a noite ouvi os cães
P’ra manhã ouvi os galos.
Tristeza — vem ter connosco.
Prazeres — é ir achá-los.
1 337
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

I have wished so oft this mockery might end

I have wished so oft this mockery might end
Of love between us! And it's ended now.
Yet I cannot even to myself pretend
That the wished thing achieved gives joy enow.

Every going is a parting too.
Our happiest day doth make us one day older.
To get stars we must have darkness also,
The fresher hour is likewise the colder.

I dare not hesitate not to accept
Thy separating letter, yet I wish
With some vague jealousy I scarce reject
That things were fitted for a different stretch.

Farewell! Yet do I smile at this or not?
My feeling now is lost in thought.
1 379
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

NOCTURNO DE DIA

NOCTURNO DE DIA

...Não: o que tenho é sono.
O quê? Tanto cansaço por causa das responsabilidades,
Tanta amargura por causa de talvez se não ser célebre
Tanto desenvolvimento de opiniões sobre a imortalidade...
O que tenho é sono, meu velho, sono...
Deixem-me ao menos ter sono; quem sabe que mais terei?
1 441
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

O CARRO DE PAU

O carro de pau
Que bebé deixou...
Bebé já morreu
O carro ficou...

O carro de pau
Tombado de lado...
Depois do enterro
Foi ali achado...

Guardaram o carro
Guardaram bebé.
A vida e os brinquedos
Cada um é o que é.

Está o carro guardado.
Bebé vai esquecendo.
A vida é p'ra quem
Continua vivendo...

E o carro de pau
É um carro que está
Guardado num sótão
Onde nada há...
2 422
Levi Bucalem Ferrari

Levi Bucalem Ferrari

Afeto

Como demonstrar afeto no espaço contido?
É preciso muita sutileza
Olhares vagos
Palavras tímidas
Gestos quase gestos

E no entanto
Há um intenso
Por enquanto tenso
Olhar imenso
Infelizmente imerso
No universo
Do contido

O grito litro de sangue do afeto perdido
O leite derramado no leito solitário

A pele atrai a pele
Como o olhar o olhar
Enquanto desce o decote
Lentamente
Discretamente
Infelizmente

A vida é mente
A vida mente
Avidamente
E a morte vence

No espaço do contido
Obviamente

828
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Meu coração, mistério batido pelas lonas dos ventos...

Meu coração, mistério batido pelas lonas dos ventos...
Bandeira a estralejar desfraldadamente ao alto,
Árvore misturada, curvada, sacudida pelo vendaval,
Agitada como uma espuma verde pegada a si mesma,
(...)
Para sempre condenada à raiz de não se poder exprimir!
Queria gritar alto com uma voz que dissesse!
Queria levar ao menos a um outro coração a consciência do meu!
Queria ser lá fora...
Mas o que Sou? O trapo que foi bandeira,
As folhas varridas para o canto que foram ramos,
As palavras socialmente desentendidas, até por quem as aprecia,
Eu que quis fora a minha alma inteira,
E ficou só a chapéu do mendigo debaixo do automóvel,
Estragado estragado,
E o riso dos rápidos Soou para trás na estrada dos felizes...
1 173
Manuel Bandeira

Manuel Bandeira

Soneto Inglês Nº 2

Aceitar O castigo imerecido,
Não por fraqueza, mas por altivez.
No tormento mais fundo o teu gemido
Trocar num grito de ódio a quem o fez.
As delícias da carne e pensamento
Com que o instinto da espécie nos engana
Sobpor ao generoso sentimento
De uma afeição mais simplesmente humana.
Não tremer de esperança nem de espanto.
Nada pedir nem desejar senão
A coragem de ser um novo santo
Sem fé num mundo além do mundo. E então
Morrer sem uma lágrima, que a vida
Não vale a pena e a dor de ser vivida.
1 287
Manuel Bandeira

Manuel Bandeira

Dedicatória

Estou triste estou triste
Estou desinfeliz
Ó maninha Ó maninha

Ó maninha te ofereço
Com muita vergonha
Um presente de pobre
Estes versos que fiz
Ó maninha Ó maninha.
725
Manuel Bandeira

Manuel Bandeira

Soneto em Louvor de Augusto Frederico Schmidt

Nos teus poemas de cadências bíblicas
Recolheste o som das coisas mais efêmeras:
O vento que enternece as praias desertas,
O desfolhar das rosas cansadas de viver,

As vozes mais longínquas da infância,
Os risos emudecidos das amadas mortas:
Matilde, Esmeralda, a misteriosa Luciana,
E Josefina, complicado ser que é mulher e é também o Brasil.

A tudo que é transitório soubeste
Dar, com a tua grave melancolia,
A densidade do eterno.

Mais de uma vez fizeste aos homens advertências terríveis.
Mas tua glória maior é ser aquele
Que soube falar a Deus nos ritmos de sua palavra.

10 de setembro de 1940
SONETO PLAGIADO
DE AUGUSTO FREDERICO SCHMIDT
E de súbito n'alma incompreendida
Esta mágoa, esta pena, esta agonia;
Nos olhos ressequidos a sombria
Fonte de pranto, quente e irreprimida.

No espírito deserto a impressentida
Misteriosa presença que não via;
A consciência do mal que não sabia,
Aparecida, desaparecida...

Até bem pouco, era uma imagem baça.
Agora, neste instante de certeza,
Surgindo claro, como nunca o vi!

E nesse olhar tocado pela graça
Do céu, não sei que angélica pureza,
— Pureza que não tenho, que perdi.
1 194
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Não ter deveres, nem horas certas, nem realidades...

Não ter deveres, nem horas certas, nem realidades...
Ser uma ave humana
Que passe haleyonica sobre a intransigência do mundo —
Ganhando o pão da sua noite com o suor da fronte dos outros —
Faz-tudo triste
No coliseu com lágrimas,
E compère antigo, um pouco mais cheio que Vénus de Milo,
Na insubsistência dos acasos.
E um pouco de sol, ao menos, para os sonhos onde não vivo.
1 466
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Que fútil toda essa tristeza

Que fútil toda essa tristeza
Que uns vagos versos vácuos dão,
Num modo de nem sim nem não,
A quente e abstracta singeleza
De se sentir o coração!
931
Manuel Bandeira

Manuel Bandeira

Cantar de Amor

Quer'eu en maneyra de proençal
Fazer agora hum cantar d'amor...
D. Dinís

Mha senhor, com'oje dia son,
Atan cuitad'e sen cor assi!
E par Deus non sei que farei,
Ca non dormho á mui gran sazon.
Mha senhor, ai meu lum'e meu ben,
Meu coraçon non sei o que ten.

Noit'e dia no meu coraçon
Nulha ren se non a morte vi,
E pois tal coita non mereci,
Moir'eu logo, se Deus mi perdon.
- Mha senhor, ai meu lum'e meu ben,
Meu coraçon non sei o que ten.

Des oimais o viver m'é prison:
Grave di'aquel en que naci!
Mha senhor, ai rezade por mi,
Ca per'ço sen e per'ça razon.
Mha senhor, ai meu lum'e meu ben,
Meu coraçon non sei o que ten.
1 751