Poemas

Traição e Desilusão

Poemas neste tema

João Airas de Santiago

João Airas de Santiago

Joan'airas, Ora Vej'eu Que Há

- Joan'Airas, ora vej'eu que há
Deus mui gram sabor de vos destroir,
pois vós tal cousa fostes comedir:
que, de quantas molheres no mund'há,
de todas vós gram mal fostes dizer,
cativ', e nom soubestes entender
o mui gram mal que vos sempr'en verrá.

- Joam Vaásquiz, sempr'eu direi já
de molheres moito mal, u as vir;
ca, porque eu foi end'ũa servir,
sempre mi gram mal quis e querrá já;
por gram bem que lh'eu sabia querer,
casou-s'ora, por mi pesar fazer,
com quen'a nunca amou nem amará.

- Joan'Airas, nom tenh'eu por razom
d'as molheres todas caerem mal
por end'ũa sóo, que a vós fal,
ca Deu'lo sabe que é sem razom;
por end'a vós ũa tolher o sem
e dizerdes das outras mal por en,
errades vós, assi Deus mi perdom.

- Joam Vaásquiz, todas taes som
que, pois virem que nom amades al
senom elas, logo vos faram tal
qual fez a mim ũa; e todas som
aleivosas; e quem lhis desto bem
disser, atal prazer veja de quem
[quer] que mais amar no seu coraçom.

- Joan'Airas, vós perdestes o sem,
ca enas molheres sempr'houve bem
e haverá já, mais pera vós nom.

- Joam Vaásquiz, nom dizedes rem,
ca todos se queixam delas por en,
senom vós, que filhastes por en dom.
724
João Baveca

João Baveca

Os Que Nom Amam Nem Sabem D'amor

Os que nom amam nem sabem d'amor
fazem perder aos que amor ham,
vedes porquê: quand'ant'as donas vam,
juram que morrem por elas d'amor,
e elas sabem pois que nom é 'ssi;
       e por esto perç'eu e os que bem
       lealmente amam, segundo meu sem.

Ca se elas soubessem os que ham
bem verdadeiramente grand'amor,
d'alguém se doeria sa senhor;
mais, por aqueles que o jurad'ham,
cuidam-s'elas que todos taes som;
       e por esto perç'eu e os que bem
       lealmente amam, segundo meu sem.

E aqueles que já medo nom ham
que lhis faça coita sofrer amor,
vêm ant'elas e juram melhor
ou tam bem come os que amor ham,
e elas nom sabem quaes creer;
       e por esto perç'eu e os que bem
       lealmente amam, segundo meu sem.

E os bem desamparados d'amor
juram que morrem com amor que ham,
seend'ant'elas, e mentem de pram;
mais, quand'ar vêm os que ham amor,
já elas cuidam que vêm mentir;
       e por esto perç'eu e os que bem
       lealmente amam, segundo meu sem.
385
Sophia de Mello Breyner Andresen

Sophia de Mello Breyner Andresen

A Veste Dos Fariseus

Era um Cristo sem poder
Sem espada e sem riqueza
Seus amigos o negavam
Antes do galo cantar
A polícia o perseguia
Guiada por Fariseus
O poder lavou as mãos
Daquele sangue inocente
Crucificai-o depressa
Lhe pedia toda a gente
Guiada por Fariseus
Foi cuspido e foi julgado
No centro duma cidade
Insultos o perseguiam
E morreu desfigurado
O templo rasgou seus véus
E Pilatos seus vestidos
Rasgaram seu coração
Maria Mãe de João
João Filho de Maria
A treva caiu dos céus
Sobre a terra em pleno dia
Nem uma nódoa se via
Na veste dos Fariseus
1 008
João Garcia de Guilhade

João Garcia de Guilhade

Fez Meu Amigo Gram Pesar a Mi

Fez meu amigo gram pesar a mi,
e, pero m'el fez tamanho pesar,
fezestes-me-lh', amigas, perdoar,
e chegou hoj'e dixi-lh'eu assi:
       "Viinde já, ca já vos perdoei,
       mais pero nunca vos já bem querrei".

Perdoei-lh'eu, mais nom já com sabor
que [eu] houvesse de lhi bem fazer,
e el quis hoj'os seus olhos m'erger
e dixi-lh'eu: "Olhos de traedor,
       viinde já, ca já vos perdoei,
       mais pero nunca vos já bem querrei".

Este perdom foi de guisa, de pram,
que jamais nunca mig'houvess'amor,
e nom ousava viir com pavor,
e dixi-lh'eu: "Ai cabeça de cam!,
       viinde já, ca já vos perdoei,
       mais pero nunca vos já bem querrei".
597
Carlos Drummond de Andrade

Carlos Drummond de Andrade

Sociedade

O homem disse para o amigo:
— Breve irei a tua casa
e levarei minha mulher.

O amigo enfeitou a casa
e quando o homem chegou com a mulher,
soltou uma dúzia de foguetes.

O homem comeu e bebeu.
A mulher bebeu e cantou.
Os dois dançaram.
O amigo estava muito satisfeito.

Quando foi hora de sair,
o amigo disse para o homem:
— Breve irei a tua casa.
E apertou a mão dos dois.

No caminho o homem resmunga:
— Ora essa, era o que faltava.
E a mulher a junta: — Que idiota.

— A casa é um ninho de pulgas.
— Reparaste o bife queimado?
O piano ruim e a comida pouca.

E todas as quintas-feiras
eles voltam à casa do amigo
que ainda não pôde retribuir a visita.
1 248
João Garcia de Guilhade

João Garcia de Guilhade

Foi-S'ora Daqui Sanhudo

- Foi-s'ora daqui sanhud[o],
amiga, o voss'amigo.
- Amiga, perdud'é migo,
e, pero migu'é perdudo,
o traedor conhoçudo
       acá verrá,
       ca verrá,
       acá verrá.

- Amiga, desemparado
era de vós e morria.
- Sodes, amiga, sandia:
ora fogiu mui coitado,
mais ele, mao seu grado,
       acá verrá,
       ca verrá,
       acá verrá.

- Amiga, com lealdade
dizem que anda morrendo.
- Vó'lo andades dizendo,
amiga, éste verdade,
mailo que chufa, 'n Guilhade,
       acá verrá,
       ca verrá,
       acá verrá.
688
João Garcia de Guilhade

João Garcia de Guilhade

Veestes-Me, Amigas, Rogar

Veestes-me, amigas, rogar
que fale com meu amigo
e que o avenha migo;
mais quero-m'eu dele quitar:
ca, se com el algũa rem falar,
       quant'eu falar com cabeça de cam,
       logo o todas saberám.

Cabeça de cam perdudo
é, pois nom há lealdad'e
com outra fala, En Guilhade
é traedor conhoçudo;
e por est', amiga[s], é s[a]budo:
       quant'eu falar com cabeça de cam,
       logo o todas saberám.

E, se lh'eu mias dõas desse,
amigas, como soía,
a toda[s] lo el diria,
e al quanto lh'eu dissesse,
e fala, se a com el fezesse:
       quant'eu falar com cabeça de cam,
       logo o todas saberám.
498
Vinicius de Moraes

Vinicius de Moraes

Trecho

Quem foi, perguntou o Celo
Que me desobedeceu?

Quem foi que entrou no meu reino
E em meu ouro remexeu?
Quem foi que pulou meu muro
E minhas rosas colheu?
Quem foi, perguntou o Celo
E a Flauta falou: Fui eu.


Mas quem foi, a Flauta disse
Que no meu quarto surgiu?
Quem foi que me deu um beijo
E em minha cama dormiu?
Quem foi que me fez perdida
E que me desiludiu?
Quem foi, perguntou a Flauta
E o velho Celo sorriu.
1 239
João Garcia de Guilhade

João Garcia de Guilhade

Elvira López, Aqui Noutro Dia

Elvira López, aqui noutro dia,
se Deus mi valha, prendeu um cajom:
deitou na casa sigo um peom,
e sa maeta e quanto tragia
pôs cabo de si e adormeceu;
e o peom levantou-s'e fodeu,
e nunca ar soube contra u s'i ia.

Ante lh'eu dixi que mal sem faria
que se nom queria del a guardar
[e] sigo na casa o ia jeitar;
e dixi-lh'eu quanto lh'end'averria;
ca vos direi do peom como fez:
abriu a porta e fodeu ũa vez,
[e] nunca soube del sabedoria.

Mal se guardou e perdeu quant'havia,
ca se nom soub'a cativa guardar:
leixou-o sigo na casa albergar,
e o peom [logo] fez que dormia;
e levantou-s'o peom traedor
e, como x'era de mal sabedor,
fodeu-a tost'e foi logo sa via.

E o peom virom em Santarém;
e nom se avanta nem dá por en rem,
mais lev'o Demo quant[o] en tragia!
665
João Garcia de Guilhade

João Garcia de Guilhade

Nunca [A]Tam Gram Torto Vi

Nunca [a]tam gram torto vi
com'eu prendo d'um infançom,
e quantos ena terra som,
todo'lo têm por assi:
o infançom, cada que quer,
vai-se deitar com sa molher
e nulha rem nom dá por mi.

E já me nunca temerá,
ca sempre me tev'em desdém,
des i ar quer sa molher bem
e já sempr'i filhos fará
- siquer três filhos que fiz i,
filha-os todos pera si:
o Demo lev'o que m'en dá!

Em tam gram coita viv'hoj'eu
que nom poderia maior:
vai-se deitar com mia senhor
e diz do leito que é seu
e deita-se a dormir em paz;
des i, se filh'ou filha faz,
nõn'o quer outorgar por meu!
548
Sophia de Mello Breyner Andresen

Sophia de Mello Breyner Andresen

Cânon

Sombrios profetas do exílio abandonai vosso vestido de cinza
Pois o Filho do Homem na véspera da sua morte
Se sentou à mesa entre os homens
E abençoou o pão e o vinho e os repartiu
E aquele que pôs com ele a mão no prato o traiu
E uma noite inteira no horto agonizou sozinho
Pois os seus amigos tinham adormecido
E no tribunal esteve só como todos os acusados da terra
E muitos o renegaram
E à hora do suplício ouviu o silêncio do Pai
Porém ao terceiro dia ergueu-se do túmulo
E partilhou a sua ressurreição com todos os homens
1993
1 259
João Soares Coelho

João Soares Coelho

Joam Fernándiz, Mentr'eu Vosc'houver

Joam Fernándiz, mentr'eu vosc'houver
aquest'amor que hoj'eu com vosc'hei,
nunca vos eu tal cousa negarei
qual hoj'eu ouço pela terra dizer:
dizem que fode quanto mais foder
pod'o vosso mouro a vossa molher.

[E] pero que foss'este mouro meu
já me terria eu por desleal,
Joam Fernándiz, se vos negass'eu
atal cousa qual dizem que vos faz:
ladinho como vós jazedes, jaz
com vossa molher, e m'end'é mal.

E direi-vos eu quant'en vimos nós:
vimos ao vosso mouro filhar
a vossa molher e foi-a deitar
no vosso leit'; e mais vos en direi
quant'eu do mour[o] aprendi e sei:
fode-a como a fodedes vós.
664
Junqueira Freire

Junqueira Freire

Vai

Vai, maldita, vai, víbora sangrenta,
Mulher impura, e ávida de infâmias!
O mundo é amplo: arroja-te em seu gúrgite.
Mereces bem seu lodo.

(...)

Vai, desgraçada, vai. Farta-te em crimes,
Sacia as garras, cobre-te de sangue
É esse o gênio teu. Corre, — que eu vejo
Teu exemplar castigo.

Vai, desgraçada, vai. Riso da plebe,
Indigna até de maldições severas,
Hei de ver-te amanhã pedindo um óbolo,
Errando pelas praças.

E adornada de fétidos andrajos,
A mão leprosa estenderás, ao ver-me,
E a boca túmida abrirás mendiga,
Pedindo-me uma esmola.

E eu com o nobre olhar que já receias,
Hei de talvez passar sereno e alegre,
Ou, tremendo tocar-te as mãos imundas,
Jogar-te algum dinheiro.

Tal é minha vingança. A ouvir-me agora,
Um riso, um riso estólido desprendes.
Ah! tu não crês ainda na justiça
Do Deus que nos escuta!

Ri-te outra vez de minhas frases duras!
Sim: tens razão, incrédula. — Mas corre,
Corre depressa, — que amanhã teu riso
Já não será tão grande.

Vai, maldita, vai, víbora sangrenta,
Mulher impura, e ávida de infâmias!
O mundo é amplo, arroja-te em seu gúrgite,
Mereces bem seu lodo.


Publicado no livro Obras Póstumas (1868*). Poema integrante da série Contradições Poéticas.

In: GRANDES poetas românticos do Brasil. Pref. e notas biogr. Antônio Soares Amora. Introd. Frederico José da Silva Ramos. São Paulo: LEP, 1959. v.2, p.6
5 382
Manoel Herzog

Manoel Herzog

O HOMEM QUE VIROU SAMBA

Altino vive na rua
Não bebe, não fuma pedra
Só vive na rua, mendigo.
Às vezes toma chuva e nem liga
Dorme atrás do cemitério
E seu cobertor fede a mijo.

Dizem que Altino tinha casa
Era mecânico da Volks, ganhava bem
Tudo na vida dele ia.

Um dia a mulher de Altino
Largou ele e foi morar na rua
Com um velho mendigo
Que não tinha merda nenhuma pra oferecer pra ela.

Depois dessa desilusão Altino agarrou de ser mendigo
Talvez na esperança que ela volte pra ele
Já que ela gosta é disso.
716
Juião Bolseiro

Juião Bolseiro

Que Olhos Som Que Vergonha Nom Ham

Que olhos som que vergonha nom ham,
dized', amigo, doutra, ca meu nom,
e dized'ora, se Deus vos perdom:
pois que vos já com outra preço dam,
       com[o] ousastes viir ant'os meus
       olhos, amigo, por amor de Deus?

Ca vós bem vos devía[des] nembrar
em qual coita vos eu já por mi vi,
fals', e nembra[r]-vos qual vos fui eu i;
mais, pois com outra fostes começar,
       com[o] ousastes viir ant'os meus
       olhos, amigo, por amor de Deus?

Par Deus, falso, mal se mi gradeceu,
quando vós houvérades de morrer
se eu nom fosse, que vos fui veer;
mais, pois vos outra já de mim venceu,
       com[o] ousastes viir ant'os meus
       olhos, amigo, por amor de Deus?

Nom mi há mais vosso preito mester,
e ide-vos já, por Nostro Senhor,
e nom venhades nunca u eu for;
pois começastes com outra molher,
       com[o] ousastes viir ant'os meus
       olhos, amigo, por amor de Deus?
772
Juião Bolseiro

Juião Bolseiro

Buscastes-M', Ai Amigo, Muito Mal

Buscastes-m', ai amigo, muito mal
ali u vos enfengistes de mi,
e rog'a Deus que mi perçades i;
e dized'ora, falso, desleal:
       se vos eu fiz no mund'algum prazer,
       que coita houvestes vós de o dizer?

E nom vos presta, fals', em mi o negar
nem mi o neguedes, ca vos nom tem prol,
nem juredes, ca sempr'o falso sol
jurar muit', e dizede sem jurar:
       se vos eu fiz no mund'algum prazer,
       que coita houvestes vós de o dizer?

O que dissestes, se vos eu ar vir
por mi coitado, como vos vi já,
vedes, fals', acoomiar-xi-vos-á;
mais dized'ora, sem todo mentir:
       se vos eu fiz no mund'algum prazer,
       que coita houvestes vós de o dizer?
470
Manuel António Pina

Manuel António Pina

Silêncio e escuridão e nada mais

(Amor cidade aberta; lugar comum;)

Edificarei a minha igreja sobre as tuas ruínas

Tenho um coração mortal um coração

fora de si como um marido irado

Dentro da casa se instala

a descomunal traição.

Eu sou aquele que rouba, o marido,

o caluniador, abri-vos portas de ouro...

Que deus me perdoará os meus erros humanistas?

Quebrada a espada já, rota

a Armadura, a Beleza, a Regra (Ó Ciência! Ó Cólera!)

Como escreverei? Sem que palavras? Quem? Qual?



Manuel António Pina | "Todas as palavras - poesia reunida 1974-2011", pág. 20 | Assírio & Alvim, 2012

1 239
Martha Medeiros

Martha Medeiros

não me traia

não me traia
nessas noites nupciais
em que sais com outras mulheres sem
que eu saiba
1 167
Charles Bukowski

Charles Bukowski

Eu

mulheres não sabem como amar,
ela me disse.
você sabe como amar
mas mulheres só querem
parasitar.
sei disso porque sou
mulher.

hahaha, eu ri.

por isso não se preocupe por ter terminado
com Susan
porque ela apenas irá parasitar
outro homem.

falamos um pouco mais
então eu me despedi
desliguei o telefone
fui ao banheiro
e mandei uma boa merda de cerveja
basicamente pensando, bem,
continuo vivo
e tenho a capacidade de expelir
sobras do meu corpo.
e poemas.
e enquanto isso acontecer
serei capaz de lidar com
traição
solidão
unhas encravadas
gonorreia
e o boletim econômico do
caderno de finanças.
com isso
me levantei
me limpei
dei a descarga
e então pensei:
é verdade:
eu sei como
amar.

ergui minhas calças e caminhei
para a outra peça.
1 200
Charles Bukowski

Charles Bukowski

Lamentando E Se Queixando

ela escreve: você vai
se lamentar e se queixar
em seus poemas
sobre como eu trepei
com 2 caras na semana passada.
eu te conheço.
ela escreve para me
dizer que meu sensor
estava certo –
ela recém tinha trepado
com um terceiro cara
mas ela sabe que não
quero saber com quem, nem por que
nem como. ela encerra sua
carta, “com amor”.

ratos e baratas
triunfaram novamente.
aí vem ele correndo
com uma lesma em sua
boca, entoando
velhas canções de amor.
feche as janelas
lamente
feche as portas
queixe-se.
1 107
Martha Medeiros

Martha Medeiros

eu perguntava quantas foram

eu perguntava quantas foram
e você falava sobre o tempo
eu indagava quantas vezes
e você acendia outro cigarro
eu suplicava quantas mais
e você não respondia
pedia pra mudar de assunto
pra que pudesse mentir sobre outra coisa
1 214
Martha Medeiros

Martha Medeiros

começou com uma troca de olhares

começou com uma troca de olhares
uns ares de sedução
se quiseres, se puderes
uns plurais de romantismo
não me beijes, me namores
não fujas, não partas
já não podes me deixar
uns apelos singulares
eu te amo, tu me amas
uns acordes provençais
se não podes, não me iludas
uns traquejos familiares
tu és minha, de quem mais
uns que tais, uns nem venhas
uns não posso nunca mais
uns poderes andaluzes
não me traias, oh meu deus
uns adeuses prematuros
uns que outros absurdos
uns sinais de fim de linha
atitudes passionais
tragédias seculares
suicídios, ameaças
promessas indevidas
e tudo terminou
com uma troca de facadas
noticiaram dois jornais
535
Martha Medeiros

Martha Medeiros

não quero saber quantas namoradas

não quero saber quantas namoradas
que eu não descobri
silêncios e desvios que não percebi
nem quero saber
sobre aquele fim de semana que não te vi
do teu pouco caso com o meu sofrimento
de nenhum movimento a meu favor
de nenhum amor que eu me lembre


não quero saber
quantas mentiras pra me acalmar
quantos mares a navegar sem mim
que fim deram aqueles retratos
se aquele abraço era mesmo assim


não quero saber
quantos meses você me deixou
a delirar e quantos presentes me deu
sem escolher e quantos beijos foram dados
por dar


não quero saber dos requintes
de crueldade nem do momento
fatal


o que não se sabe
não faz mal
1 094
Martha Medeiros

Martha Medeiros

agora eu sei como se sente

agora eu sei como se sente
uma noiva abandonada no altar
você podia tudo na minha vida
menos faltar
1 119