Poemas neste tema

Tempo e Passagem

Sandro Penna

Sandro Penna

Se passa uma beleza que se apressa

Se passa uma beleza que se apressa
não te ensombra a alma não tê-la estreitado.
Voltas o rosto para o verde ocaso.
Numa bicicleta passou a Beleza.

:


Se passa una bellezza che va in fretta
non hai l'anima nera, per non averla stretta.
Tu guardi al cielo verde nella prima
sera. Passata è la Bellezza in bicicletta.



de Croce e delizia (1958)



854
Sandro Penna

Sandro Penna

Juventude, amor, belas palavras,

Juventude, amor, belas palavras,
que coisa brilha em vós e vos resseca?
Resta apenas um odor de merda seca
ao longo do caminho ensolarado.

:


Amore, gioventù, liete parole,
cosa splende su voi e vi dissecca?
Resta un odore come merda secca
lungo le siepe cariche di sole.



de Croce e delizia (1958)


971
Barbara Guest

Barbara Guest

Perdendo pessoas

para Ira Morris

Os dias em que você tenta recompor
as ideias são dias perdidos
porém simples como sanduíche
de três camadas a mordida
isto é fácil

Perda
"pura" perda
você comparece à sua reconstrução
na qual você é três pessoas e também
um sanduíche

Perda
não ouvir uma voz
outra vez como trenodia

Perda
você começa a rimá-la com paredes
ou graxa de sapato

Perda
da sua presença com um trote
e matizes

a superfície de pessoas
em restaurantes comendo sanduíches
elas sabem que há um carro estacionado lá fora

Ó imagens viscosas e audazes com o apertão
de um garfo dentro de suas coxas que se deleitam
de atmosfera e clima real

missões
por sobre as curvas contrárias bem como a água
que passa este dia
por debaixo da ponte:

você resolveu
a pedra
não mais sustenta a ponte
bom. Ira morreu.

:

Losing people (in Moscow Mansions, 1973)

for Ira Morris

The days when you try to recover
your wits are lost days
yet simple as sandwich
of three layers the crunch
that’s easy

Loss
“pure” loss
you attend its reconstruction
where you are three persons also
a sandwich

Loss
not hearing a voice
again as threnody

Loss
you begin to rhyme it with walls
or shoeshine

Loss
of your presence with a gait
and hues

the surface of persons
in restaurants eating sandwiches
they know there is a car parked outside

O images viscous and daring with the squeeze
of a fork inside your thighs that are delighted
with atmosphere and real weather

missions
over the backward curves rather like water
that moves this day
under the bridge:

you decided
the stone
no longer supports the bridge
well. Ira died.

728
Guillermo Fernández

Guillermo Fernández

Discurso em homenagem a Heráclito

I
Tudo preenche o instante
que virá
que passa
que passou
II
Cogito, ergo, fuit
III
Ninguém se banha duas vezes
em algo que foi um rio
IV
Vamos fazer amor
nesta cama
encontraremos
ainda frouxos
nossos cadáveres
V
Deixem que as crianças
lancem a primeira pedra
porque dos velhos
foi o reino dos céus
(tradução de Ricardo Domeneck)
:
Discurso en homenaje a Heráclito
Guillermo Fernández
I
Todo lo llena el instante
que vendrá
que pasa
que pasó
II
Cogito, ergo, fuit
III
Nadie se baña dos veces
en algo que fue un río
IV
Hagamos el amor
en esta cama
encontraremos
tibios aún
nuestros cadáveres
V
Dejad que los niños
arrojen la primera piedra
porque de los ancianos fue
el reino de los cielos
.
.
.
570
Alberto da Costa e Silva

Alberto da Costa e Silva

Triste Vida Corporal

Se houvesse o eterno instante e a ave
ficasse em cada bater d'asas para sempre,
se cada som de flauta, sussurro de samambaia,
mover, sopro e sombra das menores cousas
não fossem a intuição da morte,
salsa que se parte... Os grilos devorados
não fossem, no riso da relva, a mesma certeza
de que é leve a nossa carne e triste a nossa vida
corporal, faríamos do sonho e do amor
não apenas esta renda serena de espera,
mas um sol sobre dunas e limpo mar, imóvel,
alto, completo, eterno,
e não o pranto humano.


Publicado no livro Alberto da Costa e Silva carda, fia, doba e tece (1962).

In: SILVA, Alberto da Costa e. As linhas da mão. Pref. Antônio Carlos Villaça. Rio de Janeiro: Difel; Brasília: INL, 1978. p.7
1 516
Mário de Sá-Carneiro

Mário de Sá-Carneiro

Torniquete

A tômbola anda depressa,
Nem sei quando irá parar ---
Aonde, pouco me importa;
O importante é que pare...
--- A minha vida não cessa
De ser sempre a mesma porta
Eternamente a abanar...

Abriu-se agora o salão
Onde há gente a conversar.
Entrei sem hesitação ---
Somente o que se vai dar?
A meio da reunião,
Pela certa disparato,
Volvo a mim a todo o pano:

Às cambalhotas desato,
E salto sobre o piano...
--- Vai ser bonita a função!
Esfrangalho as partituras,
Quebro toda a caqueirada,
Arrebento à gargalhada,
E fujo pelo saguão...

Meses depois, as gazetas
Darão críticas completas,
Indecentes e patetas,
Da minha última obra...
E eu --- prà cama outra vez,
Curtindo febre e revés,
Tocado de Estrela e Cobra...

4 388
Lila Ripoll

Lila Ripoll

Canção de Agora

Ontem meu peito chorava.
Hoje, não.
Também cansa a desventura.
Também o sol gasta o chão.

Estava ontem sozinha,
tendo a meu lado, sombria,
minha própria companhia.
Hoje, não.

Morreu de tanto morrer
a pena que em mim vivia.
Morreu de tanto esperar.
Eu não.

Relógios do tempo andaram
marcando o tempo em meu rosto.
A vida perdeu seu tempo.
Eu não.

Também cansa a desventura.
Também o sol gasta o chão.


Publicado no livro O Coração Descoberto (1961).

In: RIPOLL, Lila. Antologia poética. Rio de Janeiro: Leitura; Brasília: INL, 1968. p.91-9
2 328
Carlos Nogueira Fino

Carlos Nogueira Fino

como a água meu amor

como a água
meu amor
também as asas nos sacodem
no final do beijo

quantas páginas faltam?

se a fronteira é a das águas quem reprime a espuma
onde começa a praia?

no meu espelho o que via
era um homem de rosto voltado
de rosto voltado
para sempre
e uma linha de ombros onde as águas
e os teus lábios de espuma meu amor
me embaciavam

também ouvi chamar a isso
entardecer
idade
inclinação do sol

mas também cicatrizes ou sulcos como preferires
essa teia onde os dias marcam os seus signos
como as águas no solo meu amor
até furarem

999
da Costa e Silva

da Costa e Silva

As Horas

As Horas cismam no ar parado:
— Passado.

As Horas bailam no ar fremente:
— Presente.

As Horas sonham no ar obscuro:
— Futuro.


Publicado no livro Verônica (1927). Poema integrante da série Imagens da Vida e do Sonho.

In: SILVA, Da Costa e. Poesias completas. Org. Alberto da Costa e Silva. 3.ed. rev. e anot. Rio de Janeiro: Nova Fronteira; Brasília: INL, 1985. p.24
1 901
Ronald de Carvalho

Ronald de Carvalho

Anoitece

Anoitece...
Venho sofrer contigo a hora dolente que erra,
Sob a lâmpada amiga, entre um vaso com rosas,
Um festão de jasmins, e a penumbra que desce...
Hora em que há mais distância e mágoa pela terra;
Quando, sobre os chorões e as águas silenciosas,
Redonda, a lua calma e sutil, aparece...

O rumor de uma voz sobe no espaço, ecoando,
Mais um dia se foi, menos uma ilusão!
E assim corre, igualmente, a ampulheta da vida.
Senhor! depois de mim, como folhas em bando,
Num crepúsculo triste, outros homens virão
Para recomeçar a rota interrompida,
E a amargura sem fim de um mesmo sonho vão...

Nos dormentes jardins bolem asas incautas,
Sobre os campos a bruma ondeia, devagar.
Estremecem no céu estrelas sonolentas
E os rebanhos, que vão na neblina lunar,
Agitam molemente, ao longe, as curvas lentas
Das estradas de esmalte, ao rudo som das frautas.

Anoitece...
Tremula ainda, no poente, a luz de alguns clarões,
E, enquanto sobre o meu teu olhar adormece,
Entre o perfil sombrio e vago dos chorões,
Redonda, a lua calma e distante, aparece...


Publicado no livro Poemas e Sonetos (1919).

In: MURICY, Andrade. Panorama do movimento simbolista brasileiro. 2.ed. Brasília: INL, 1973. v.2, p.1056. (Literatura brasileira, 12
2 016
Luís António Cajazeira Ramos

Luís António Cajazeira Ramos

Fado de contas

Eu não quero chegar em casa nunca,
a caminho, no abrigo do teu colo,
sonhando... no balanço do automóvel,
que nos leva a um destino inalcançável.

O tempo pára, o espaço cristaliza-se,
e o carro é lar, e leito, e colo, e beijo...
No ocaso de teu beijo, eu me infinito
e esqueço da procura em que me perco.

De encontro aos vidros, saltam fachos vários,
como se objetos de desejos vastos,
onde meus gestos não se satisfaçam.

Aproxima-se o instante em que me apeio,
vai a carruagem, dobra a esquina, e sigo
noctívago das horas --- a teus passos.

1 013
Antônio Brasileiro

Antônio Brasileiro

Resquício

As horas feitas de flandre
ressoam dentro de mim:
gigante metálico
devorando o tempo.

Na outra sala há um álbum
de retratos tão antigos:
os homens parecem idênticos.

No outro lado da rua
um ancião anda
à semelhança de um
ponto de interrogação.

990
Alcides Villaça

Alcides Villaça

Viagem Antiga

Havia vezes eu me via
como um menino não se vê.
A água na nuvem se adivinha,
a sede vem antes de sua vez.

Havia vezes eu me renascia
sem nunca ter saído além de mim:
emprestava-me espelhos e outras vias
de ver tocar sentir o fundo o si.

Era um segundo inteiro ou todo um dia
quando lançava o olhar além de mim
e me via em tudo o que não via?
Que trem cortava o tempo desse abril?

Em que viagem eu era o meu caminho?
Às vezes os meninos pousam olhos
no fim das paralelas, e descansam
o corpo de seus pesos e medidas.

Se nesta noite fixo a luz da esquina
e torno lento o sangue em seu caminho,
nem sombra apanho da viagem antiga
que, quando eu não queria, me fazia.


In VILLAÇA, Alcides. Viagem de Trem. Il. Alberto A. Martins. São Paulo: Duas Cidades, 1988. (Claro enigma). Poema integrante da série Estação Anterior
1 526
Antônio Brasileiro

Antônio Brasileiro

Estudo 30

1.
Uma cidade não é feita de sonhos,
mas de remorsos. E doem.
Não contarei pois um tempo onde
cavalos marinhos, tramas da noite.

Nosso tempo é assim: seco e compulsório.

2.
A morte dos dias nos
rastros que os olhos cultivam
as lições do acrílico.

O acrílico:
brando golpe de morte
colorido.

3.
Os homens não falam: blablam.
(a boca livre de qualquer minério
ou pedra traumatória —
não há mais bridas, houve. Agora:
hábito)

Nenhuma palavra esquerza: elas ardem.
(não, agora não ardem mais —
a boca livre: o hábito
adocicado)

873
Sebastião Uchoa Leite

Sebastião Uchoa Leite

Depois de Borges Filológico

Amarelo amarillo amariello
yellow
As flores amarelas
Os amores amarelos
Os sorrisos amarelos
As desculpas amarelas
Inveja
Ciúmes
Melancolia
Bílis
O pó das coisas
Que amarelecem com o tempo:
Papéis
Folhas
Líquidos
Humores
O próprio pó do tempo.

1984


Poema integrante da série Cortes/Toques, 1983-1988.

In: LEITE, Sebastião Uchoa. Obra em dobras, 1960/1988. São Paulo: Duas Cidades, 1988. (Claro enigma)
1 128
Joaquim Cardozo

Joaquim Cardozo

Aves de Rapina

Há muitos anos que os caminhos se arrastavam
Subindo para as montanhas.
Percorriam as florestas perseguindo a distância,
Lentos e longos deslizavam nas planícies.

Passaram chuvas, passaram ventos,
Passaram sombras aladas...

Um dia os aviões surgiram e libertaram a distância,
Os aviões desceram e levaram os caminhos.


Publicado no livro Poemas (1947).

In: CARDOZO, Joaquim. Poesias completas. 2.ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1979. p.1
2 922
Umberto Saba

Umberto Saba

Prelúdio

Voltai a mim, ó vozes de outro tempo,
caras vozes discordes!
Quem sabe se em tristíssimos acordes
eu não vos faço ainda ressoar?

O dealbar
de mim está longe e as noites chegam plenas.
Poucas horas serenas
a dor me deixa, a minha e a de quantos
seres tenho em torno.
Oh, sêde retorno,
vozes quase esquecidas!

Talvez última vez que em qualquer seio
- o meu - sereis ouvidas.
Como os meus pais me deram duas vidas,
e de as fundir em uma fui capaz,
em paz
vos comporeis em extremo acorde,
ó vozear em vão discorde.
E luz e sombra e alegria e dor
se amam em vós.
Oh, regressai a nós,
caras vozes de outro tempo!
1 034
Carlos Tê

Carlos Tê

Do meu vagar

Já não há mais o vagar
de quando se comia sentado
e devagar se caminhava
até chegar a qualquer lado
agora vai toda a gente
sempre de mão na buzina
sempre na linha da frente
a tremer de adrenalina

Do meu vagar não traço rotas
não tenho trilho que me prenda
não tiro dados nem notas
não encho uma linha de agenda
do meu vagar não chego a Meca
não faço nada num só dia
não corto a fita da meta
não vejo Roma nem Pavia

Do meu vagar
sei que nunca hei-de ir longe
vou aonde for preciso
vou indo do meu vagar
em busca do tempo perdido
e se um dia o encontrar
o longe não faz sentido

Do meu vagar há um nicho
um pico de ilha insubmersa
onde há lugar para o capricho
que dá pelo nome de conversa
do meu vagar a paisagem
ainda tem beleza em bruto
e vale mais uma palavra
que mil imagens por minuto

Do meu vagar
sei que nunca hei-de ir longe
vou aonde for preciso
vou indo do meu vagar
em busca do tempo perdido
e se um dia o encontrar
o longe não faz sentido

2 073
Carlos Felipe Moisés

Carlos Felipe Moisés

O Sol Quando

O sol quando amanhece
lembra o dia quando esquece
a noite dentro do dia

quando anoitece
brilho errante quando a noite
dentro da noite adormece

o sol quando escurece
a noite devora o dia que
devora a noite que

um dia tudo será repouso
no horizonte guardado
pelo sol que não aquece.

(São Paulo 1976)


Poema integrante da série I. Natural.

In: MOISÉS, Carlos Felipe. Círculo imperfeito: poemas. Salvador: Fundação Cultural do Estado da Bahia, 1978. (Coleção Ilha de Maré, 2)
1 067
João Airas

João Airas

Toda-las cousas eu vejo partir

Toda-las cousas eu vejo partir
do modo en como soiam seer,
e vejo as gentes partir de fazer
ben que soiam (tal tempo non ven!)
mais non se pode o coraçon partir
do meu amigo de mi querer ben.

Pero que ome parte o coraçon
das cousas que ama, per bõa fé,
e parte-se ome da terra onde é,
e parte-se ome du [mui] gran prol ten,
non se pode parti-lo coraçon
do meu amigo de mi querer ben.

Toda-las cousas eu vejo mudar:
mudam-se os tempos e muda-se o al,
muda-se a gente en fazer ben ou mal,
mudam-se os ventos e toda outra ren,
mais non se pode o coraçon mudar
do meu amigo de mi querer ben.

1 437
Fernando Paixão

Fernando Paixão

91 [Não se revê a imagem

Não se revê a imagem
do espelho
na mesma lâmina.
Não se vê a mulher
duas vezes
com o mesmo espanto.
Não se vê o outro
em si próprio:
à procura do mesmo.


In: PAIXÃO, Fernando. Fogo dos rios. 2.ed. São Paulo: Brasiliense, 1991. p.60

NOTA: Poema concebido a partir do fragmento 91 do filósofo Heráclito: "Em rio não se pode entrar duas vezes no mesmo, segundo Heráclito, nem substância mortal tocar duas vezes na mesma condição; mas pela intensidade e rapidez da mudança dispersa e de novo reúne (ou melhor, nem mesmo de novo nem depois, mas ao mesmo tempo) compõe-se e desiste, aproxima-se e afasta-se
1 434
Hilda Hilst

Hilda Hilst

Do amor XXXV

Soergo meu passado e meu futuro
E digo à boca do Tempo que os devore.
E degustando o êxito do Agora
A cada instante me vejo renascendo

E no teu rosto. Túlio, faz-se um Tempo

Imperecível, justo
Igual à hora primeira, nova, hora-menina
Quando se morde o fruto. Faz-se o Presente.
Translúcida me vejo na tua vida
Sem olhar para trás nem para frente:
Indescritível, recortada, fixa.

1 380
Ilka Brunhilde Laurito

Ilka Brunhilde Laurito

Folclírica 3

O mundo tem
entrada e saída.

Eu:
estou de visita.

(Quem pôs
a vassoura
atrás da porta
do invisível?)

1975


Poema integrante da série Inéditos, 1971/1977.

In: LAURITO, Ilka Brunhilde. Sal do lírico: antologia poética. São Paulo: Quíron, 1978. p.111. (Sélesis, 13
1 241
Cassiano Ricardo

Cassiano Ricardo

Morte em Câmara de Gás

1

Tão certa a morte
que inútil marcar-lhe
uma hora exata.
Gosto da lei em ser
exata
não
apenas certa.

Nenhuma razão
pra tanto amor
ao relógio, ao
necrológio.
A data é que lhe põe
(felina) uma gota
de fel em cada
minuto.
E o mata com uma
lentidão de faca.

A justiça, olhos
fechados como os
da noite.
A câmara de gás
talvez
menos vil
se à noite.

Na cela em que o
condenado
dorme
sem data
olhos fechados
como os da justiça.

2

Ao carr'asco
se evitaria
o asco
do seu nome.


In: RICARDO, Cassiano. Os sobreviventes: acompanhados de um poema circunstancial e de uma tradução. Pref. Eduardo Portella. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1971. p.67-68. Poema integrante da série Xilogravuras
2 368