Poemas neste tema

Sonhos e Imaginação

António Osório

António Osório

O Sítio

O mundo sitiou o sonho, e o tem preso
em débeis cidadelas
— suas últimas guaridas.

Os soldados oníricos têm medo
sem armas
e suas caravelas
não têm velas.

Inúteis seus desvelos desarmados
até os sentinelas
fatigados
já estão cedendo ao peso das vigílias.

Vai longo o sítio, e já vão se esgotando
as frágeis provisões
dos sitiados.

O mundo tem seus ásperos soldados
nos dias
pontuais
que na luta não cedem nem recuam.
E nunca erram as duras cimitarras
os seus golpes
diretos e fatais.

O assédio continua, já inúteis os galopes
dos bravos cavaleiros sitiados.

Têm cavalos de mar
e o sítio é em terra.
Têm cavalos de paz
e sítio é guerra.

Fácil de prever o resultado
dos combates travados
desiguais.
Já se aprestam os dias, bons guerreiros
aos ataques certeiros
e finais.

1 978
Angela Santos

Angela Santos

Flores Orvalhadas

De
toques suaves
são feitos os momentos
em que olho o corpo que amo
e desnudo

Vibrações, vozes, sussurros
os dias e as noites se enchem
feitos em clarões que abrasam
inteiros o corpo e a alma…

e são pétalas orvalhadas que embelezam
nossos corpos e perfumam como essências
a alma límpida que emerge em nós
depois do amor

Do querer que em nós é grito
cúmplice é o silêncio e a noite
que nos abriga em seu seio
e nos segreda em murmúrio
que o sonho é esse lugar que não é longe nem perto
e dentro de nós está
como o caminho mais certo.

1 138
Lêdo Ivo

Lêdo Ivo

O Portão

O portão fica aberto o dia inteiro
mas à noite eu mesmo vou fechá-lo.
Não espero nenhum visitante noturno
a não ser o ladrão que salta o muro dos sonhos.
A noite é tão silenciosa que me faz escutar
o nascimento dos mananciais nas florestas.
Minha cama branca como a via-láctea
é breve para mim na noite negra.
Ocupo todo o espaço da mundo. Minha mão
desatenta
derruba uma estrela e enxota um morcego.
O bater de meu coração intriga as corujas
que, nos ramos dos cedros, ruminam o enigma
do dia e da noite paridos pelas águas.
No meu sonho de pedra fico imóvel e viajo.
Sou o vento que apalpa as alcachofras
e enferruja os arreios pendurados no estábulo.
Sou a formiga que, guiada pelas constelações,
respira os perfumes da terra e do oceano.
Um homem que sonha é tudo o que não é:
o mar que os navios avariaram,
o silvo negro do trem entre fogueiras,
a mancha que escurece o tambor de querosene.
Se antes de dormir fecho o meu portão
no sonho ele se abre. E quem não veio de dia
pisando as folhas secas dos eucaliptos
vem de noite e conhece o caminho, igual aos mortos
que todavia jamais vieram, mas sabem onde estou
— coberto por uma mortalha, como todos os que
sonham
e se agitam na escuridão, e gritam as palavras
que fugiram do dicionário e foram respirar o ar da
noite que cheira a jasmim
e ao doce esterco fermentado.
os visitantes indesejáveis atravessam as portas
trancadas
e as persianas que filtram a passagem da brisa
e me rodeiam.
Ó mistério do mundo, nenhum cadeado fecha o
portão da noite.
Foi em vão que ao anoitecer pensei em dormir
sozinho
protegido pelo arame farpado que cerca as minhas
terras
e pelos meus cães que sonham de olhos abertos.
À noite, uma simples aragem destrói os muros dos
homens.
Embora o meu portão vá amanhecer fechado
sei que alguém o abriu, no silêncio da noite,
e assistiu no escuro ao meu sono inquieto.

The Gate Poema em Inglês

2 252
Cláudio Alex

Cláudio Alex

Quem é aquela mulher?

Deixe que eu te leve no sonho.
No sonho que meu corpo embala,
que a palavra cala,
que o pensamento voa.
Deixe que o calor te chegue
infiltre em teus poros,
erice teus pelos.
Escute meus apelos,
afague meus cabelos.
Arranhe minha pele.
Deixe essa fera,
esse fogo aberto,
essa mulher oculta,
renasça em carne viva.

Viva meu esforço,
minha luta.
Como me contorço,
como me refaço,
como que renasço.
É que para mim existe algo
diante do sonho.
Existe uma mulher real,
uma mulher que toco e que amo.
Existe uma força suavemente macia
que comprime meu peito,
que me engole a boca
que é meu próprio sangue,
na minha própria magia.

Existe uma mulher oculta,
renegada, calada
que me agarra e se integra comigo
num único momento,
num único organismo ofegante.
Depois se cala e me renega.
E já é outra que fala,
que me expulsa do leito,
que nega, que isola,
que repudia.

Quem é aquela nos momentos de entrega?
Quem é aquela que comigo revira os lençóis?
Quem é aquela mulher?

852
Alberico Carneiro

Alberico Carneiro

As Damas Negras em Noite de Núpcias

1
talvez um poema seja
simples sobra de palavras
impronunciadas por pessoas
na inútil Babel da fala
mas impressas como em tábuas
da sarça do Verbo em chamas
nessa partida de Damas
Negras em Noite de Núpcias
que num lance de dados e de dedos
o acaso não abolirá

2
talvez um poema seja
simples poeira de palavras
projetadas de pessoas
imprimidas como trevas
bem no coração da névoa
que acaso num lance de dedos e dados
como silhuetas que se projetam
como penumbra esfumada
que o acaso não abolirá

3
talvez um poema seja
simples sombras de pessoas
transformadas em palavras
silhuetas tatuagendadas
por invisíveis carimbos
que explodem na claridade
a pista de rastros e restos
de cacos caos e resíduos
do simulacro das lágrimas
mumificadas em larvas
de adeuses e últimos gestos
salvo após o rescaldo
em caligramas e símbolos
que de súbito num lance de dedos e de dados
o acaso não abolirá

4
talvez um poema seja
simples escombros de palavras
projetadas de pessoas
balbuciados pedaços
de silêncios e silícios
de gritos amordaçados
silenciosos ideogramas
gritos dos olhos dos mudos
barulho de dedos dos surdos
o supertato dos cegos
na visão dos surdomudos
aprisionados em páginas
imagens anônimas das almas
mensagens psicografadas
na comunhão dos sentidos
que num lance de dados e de dedos
o acaso não abolirá

5
talvez um poema seja
simples sobra de palavras
projeção de suas sombras
ou o espectro de suas auras
que da escassez ou da falta
ingressam na noite e tombam
no elíptico canto deságuam
no despenhadeiro da ascensão
que por um lance de dados e de dedos
o acaso não abolirá

6
talvez um poema seja
simples sobras de palavras
impronunciadas por pessoas
projetadas como sombras
tatuagendadas na pele
tangenciadas na neve
com impressões digitais
silhuetas que despreendem
oscilam dos corpos e tombam
num lance de dados e dedos
que o acaso não abolirá

7
talvez um poema seja
simples sobras de pessoas
encantadas em palavras
projetadas como sombras
tatuagendadas incisões
como impressões digitais
de cicatrizes em ronda
que se despreendem da pele
oscilam dos corpos e tombam
num lance de dedos e dados
que o acaso não apagará

8
talvez um poema seja
somente sombras de palavras
pó que despreende dos corpos
como poeira de estrelas
que viola a gravidade
do Cosmo e telescópios
e foge de apelos celestes
viaja a mil anos-luz
e à noite poleniza as folhas
em suas densas corolas
e no coração das trevas
inscreve-se em simples larva
e deixa aí manuscrito
todo o poema da Terra
que nos charcos enfim enfloresce
como num lance de dedos e de dados
que o acaso não abolirá

9
talvez um poema assim
seja simples
como sombras de palavras
simples silhuetas ímpares
de simples pessoas pares
anônimo canto dos párias
que no caminho meio desta vida
entre lances de dedos e de dados
como as Damas súbitas da partida
o acaso não abolirá

talvez o poema assim seja

715
Angela Santos

Angela Santos

Em Suspenso

Deixo-me
ficar quieta e absorta
a olhar a linha que rasga
o horizonte...
e os sonhos flutuam
ao som da toada e embalo do mar

há vozes suspensas
que chegam de longe
e com elas chegam
traços e contornos…

descubro teus olhos
na ave que o céu risca
e sinto tua mão
na leve brisa que passa

As cores de um Arco Íris
inundam meu olhar
e eu deixo-me ir
nas cores desenhadas
por uma mão qualquer
que naquele instante
ligou terra e mar

Um navio ao longe
sereno atravessa
a linha longínqua
onde o azul se afunda…

o navio passa
e acorda o tempo
que eu não vi passar.

1 063
Angela Santos

Angela Santos

Noite

Do
fundo da noite
se erguem meus olhos
alucinados……
salto do sonho.. e vivo

meus braços estendem-se
à transparência azul
que se acerca e julgo-me
tocada pelo infinito

Néon rasgando os meus olhos,
metamorfose de luz em mim…

Noite, noite..
teu fogo sou meu cio extingues
noite, dentro de ti
o meu sonho vive.

1 062
Angela Santos

Angela Santos

Utopia

O
sonho mais longínquo
ou a mais utópica meta
se alcançam à força de tanto querer

o longe de mim se acerca
e o sonho irrompe em verdade
se for o querer bastante,
se minha alma crescer
e derrubar os limites
da mais crua realidade

Uma estrela pode então
não ser apenas o ponto
que brilha distante no espaço sideral
mas essa coisa bonita
que colho na luz dos teus olhos
ou o calor de hélio puro
que explode no meu coração.

1 011
Alberto de Lacerda

Alberto de Lacerda

Ilha de Moçambique

Desfeitos um por um os nós sombrios,
Anulada a distancia entre o desejo
E o sonho coincidente como um beijo,
Exalei mapas que exalaram rios.

Terra secreta, continentes frios,
Ardei à luz dum sol que é rumorejo
Para lá do que eu sou, do que eu invejo
Aos elementos, aos altos navios!

Trouxe de longe o palácio sepulto,
A cobra semimorta, a bandarilha,
E esqueci poços, prossegui oculto.

Desdém que envolve por completo a quilha,
Sou bem o rei saudoso do seu vulto,
Vulto que existe infante numa ilha.

1 664
André Ricardo Aguiar

André Ricardo Aguiar

Futuro

hão de vir
os indenominados
em uma seta ina-
cabada

Narciso será julgado
com mais freqüência
com asas fartas de temor

a cadência virá primeiro
os passos raros no coração

ninguém sabe este tempo
o sonhar do pêndulo

906
Aída Godinho

Aída Godinho

Haicai

Sabiás não cantam
nos ramos cheios de flor.
Onde está, amor?

No céu cintilante
mil vaga-lumes brincando:
Mil sonhos vagando.

1 051
Susana Thénon

Susana Thénon

Oração

Quando deixará a lua
de preferir a esses poucos
que tanto à meia-noite
como ao amanhecer
gritam seu ardor sem freio.
Quando será definitivo
o direito a sonhar
sem verificar números
papéis rasgados, sexos,
velocidade sem pressa do sangue.
Quando morrerá o céu
- seus castigos -
e o raio será um menino
entre as folhas.
Quando arderão os ventos
sepultados.
733
Susana Thénon

Susana Thénon

Mediador Dei

O contrabandista dos medos antigos
o malabarista delirante em sua varanda vermelha
(com pequenos pés enferrujados)
lava as mãos no peito das nuvens
e se cobre de azul para não ver sangue.
759
Angela Santos

Angela Santos

Sagração

Contigo
quero ir
ao fundo de um sonho-guia
perder-me nas veredas do teu ser
fundir nos teus os meus sentidos

Em ti beber o secreto aroma
que ao corpo aflora
no instante em que o amor
sem prévio-aviso
nos toca

Cumprir-me contigo,
viagem adiada à raiz de mim,
nascente e foz do meu desejo
desaguando em ti.

Provar-te, inteira,
ao jeito da Eva subversiva
perder-me e encontrar-me
no que regresso ao que sou
na limpidez da alma que se olha
no instante maior da sagração do corpo
que se doa.

1 056
Nuno Júdice

Nuno Júdice

Zoologia: o porco

O porco vive como os homens
na caverna de Platão: o seu mundo
é o mundo das sombras.

Quando olha para o chão,
vê o paraíso; quando olha para o céu, está
com a faca na garganta.

Mas o porco também sonha que
tem asas como um anjo, e que a sua pocilga
fica nas nuvens.

Nos seus sonhos, deus guincha
como um porco, e a árvore do paraíso
está cheia de bolotas.
Por isso o porco não tira o focinho
da terra, em busca de uma abertura
para o céu.


Nuno Júdice | "A Matéria do Poema" | Publicações Dom Quixote, 2008
1 628
Américo Falcão

Américo Falcão

Náufragos

Eu, timoneiro audaz, parti, cantando,
Na galera de sonhos, pela vida.
O lindo e imenso mar atravessando...
Vento largo... bonança indefinida...

Do mar a superfície adormecida
Que o sol beijava rútilo, raiando,
Era uma veiga azul toda florida
De espuma leve em flóculos boiando.

Fazendo rumo ao porto da ventura,
Mostrou-se o céu de plúmbea face adunca
E a galera perdeu-se em noite escura...

Ai que momentos lúgubres, medonhos!
Nautas da crença, eu não me esqueço nunca,
Do naufrágio sinistro dos meus sonhos.

1 902
Juscelino Vieira Mendes

Juscelino Vieira Mendes

Paris

"As an artist, a man has no home in europe save in Paris"

Vi-a de relance
de soslaio, como um triz
Visão de um romance,
em sonho, era Paris

Aprazível é ver exposição no Petit Palais
É caminhar por montparnasse
Sentir Les Fleurs Du Mal, Baudelaire
Bom seria se não passasse!

Como definir? Se quimeras
Se real
Se teus bulevares, deveras
te engalanam de modo abissal?

És o próprio sonho, Paris
cuja fragrância lembra a do anis.

1 062
Domingos Carvalho da Silva

Domingos Carvalho da Silva

Soneto Ocasional

Nas fronteiras do sonho eu te esperava,
aurora de olhos rubros e mãos frias.
Para o meu canto volatilizado,
eras um tema azul de águas marítimas.

Tinha estrela nas mãos. E surpreendia
pelo ruivo cabelo algas de encanto.
Em viagens sempre breves percorria
o cais das nuvens junto a um mar de palmas.

E quando aos poucos se despetalou
no ocaso o sonho, e a noite se tornou
realidade solitária e nua.

surgiu sobre as estrelas hesitantes,
como um lírio ofuscando diamantes,
a rosa do teu sexo em meia lua.


Publicado no livro Praia oculta: poemas (1949).

In: SILVA, Domingos Carvalho da. Poemas escolhidos. Introd. Adolfo Casais Monteiro. São Paulo: Clube de Poesia, 195
1 615
Eloise Petter

Eloise Petter

Egos-branon

Nas profundas mistificações de minha alma sangrando
Entrementes as vertentes do Rio Poseidon
Na longínqua galáxia imaginária de Egos-branon
Encontrei o que sou:
Viajante indelével de alguém que sonhou

Viajante indelével por entre mundos vazios
Flutuações cosmológicas e novembros frios

Viajante do estranho mito
Amálgama de caveiras sorridentes
Supercordas de um violino
E astronautas amarelos

Amálgama de partículas e desejos
Visões esculpidas em buracos negros
Cérebros falantes e macacos pequenos
Universos perdidos como bolhas ao vento

Em genes partidos
Em quantuns vendidos
Em ondas corpóreas
Que andam paradas
Viajante indelével da terra alada

Para além das estrelas
De várias dimensões
De ofuscantes teatros
E flamejantes paixões
Onde elétrons e prótons
Se beijam em atos
E as belas comédias
São homens que falam

Viajante indelével
Andarilho de corpos
Quarks de quasares
Que explodem e saltam
Nesta boca vermelha
Que toca meus lábios

Na longínqua galáxia imaginária de Egos-branon
Entrementes as vertentes do Rio Poseidon
Encontrei o que sou:
Espectro holográfico de alguém que sonhou



832
Leonardo Aires Araujo

Leonardo Aires Araujo

Rostos,restos de roda vão mochilando

Rostos,restos de roda vão mochilando

Rostos,restos de roda vão mochilando
Vagas rasas de uma paixão catedrática
Contidas,minhas vozes estão cadeirando.
Temo papéis de uma relva drástica.
Não há sentido nas rosas que um dia nunca flutuou

861
Luís Amaro

Luís Amaro

Poema dos 20 Anos aReinaldo Ferreira

Uma sombra passou na noite morta,
Ausente, indefenida,
Vindo passar depois à minha porta,
Dentro da minha vida.

É a lembrança dum sonho que sonhei
Lá muito longe, incerto,
Envolto em brumas que chorando, amei
Perdido no deserto.

No deserto perdido, entre fantasmas, só,
Na noite antiga e fria…
Nada mais resta do que cinza e pó
Da sua melodia.

Que lembrança triste me trouxeste,
Ò sombra vaga…
Confunde o teu perfil na noite agreste,
A ver se enfim a minha dor se apaga!

(in Antologia de Poetas Alentejanos)

1 053
Florbela Espanca

Florbela Espanca

A Flor do Sonho

A Flor do Sonho alvíssima, divina
Miraculosamente abriu em mim,
Como se uma magnólia de cetim
Fosse florir num muro todo em ruína.

Pende em meu seio a haste branda e fina.
E não posso entender como é que, enfim,
Essa tão rara flor abriu assim!...
Milagre... fantasia... ou talvez, sina...

Ó Flor, que em mim nasceste sem abrolhos,
Que tem que sejam tristes os meus olhos
Se eles são tristes pelo amor de ti?!...

Desde que em mim nasceste em noite calma,
Voou ao longe a asa da minh’alma
E nunca, nunca mais eu me entendi...
3 501
Janete Rodrigues Ribeiro

Janete Rodrigues Ribeiro

Busca

Ah! Quisera me perder na noite dos tempos
Correndo ligeira e leve como os ventos
Procurando a linha do horizonte
Buscando do amor, a verdadeira fonte!

Ah! Quisera doar-me assim, por inteira,
E apresentar-me doce, suave,
como a lua, faceira,
Ao meu amor primeiro, amor emoção,
Que fizesse vibrar todas as fibras do meu coração!

Ah! Quisera num abraço final
De tua vida, ser a medida do sal,
E num beijo, jurando eterna paixão,
Entregar-me em teus braços,
de alma e coração!

865
Raymond Federman

Raymond Federman

Diga-lhes

Diga-lhes

àqueles de viagem
com você agora
milhas a-
dentro
do imperdoável
como fomos nós
(que sempre os
acompanhamos)
que com força
os afundamos
ainda mais longe
nas funduras
onde encontraram
nossos amaríssimos
sonhos
e também os
dulcíssimos
e como mais tarde
mais tarde
de um lado a outro
de um lado a outro
no oco de nossos
nomes inextinguíveis
aprendemos juntos
a voar de novo
juntos
em nosso nome

(tradução de Ricardo Domeneck)
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