Poemas neste tema

Sonhos e Imaginação

Edmir Domingues

Edmir Domingues

soneto XXIII - Asas quebradas

As vozes vêm do inferno e me atormentam
porque falam de sangue, angústia, morte,
e a valsa lenta, agora sepultada,
singularmente lenta, não se escuta.

Eu que fiquei tão só falo por ela,
de meigas esperanças, meigos sonhos,
que em tempo de passado estão dormindo,
inevitavelmente desmanchados.

E a valsa se desfaz que a flauta é névoa
como se o som distante regressara
aos fagotes e aos velhos contrabaixos.

Minhas asas quebradas me atrapalham.
Dolorosas e inúteis que se encontram
já não servem ao voo e à inocência.
690
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Talvez não seja mais do que o meu sonho...

Talvez não seja mais do que o meu sonho...
Esse sorriso será para outro, ou a propósito de outro,
Loura débil...
Esse olhar para mim casual como um calendário...
Esse agradecer-me quando a não deixei cair do eléctrico
Um agradecimento...
Perfeitamente...
Gosto de lhe ouvir em sonho o seguimento que não houve
De coisas que não chegou a haver,
Há gente que nunca é adulta sem [...]!
Creio mesmo que pouca gente chega a ser adulta — pouca —
E a que chega a ser adulta de facto morre sem dar por nada.

Loura débil, figura de inglesa absolutamente portuguesa,
Cada vez que te encontro lembro-me dos versos que esqueci...
É claro que não me importo nada contigo
Nem me lembro de te ter esquecido senão quando te vejo,
Mas o encontrar-te dá som ao dia e ao desleixo
Uma poesia de superfície,
Uma coisa a mais no a menos da improficuidade da vida...
Loura débil, feliz porque não és inteiramente real,
Porque nada que vale a pena ser lembrado é inteiramente real,
E nada que vale a pena ser real vale a pena.
1 347
Edmir Domingues

Edmir Domingues

Soneto feito com água do mar

Hoje que o barco é nosso, e no recôncavo
desmancha-se a ternura em mãos de vento,
pressinto as vibrações contidas entre
lavarinto o cordão nas verdes ondas.

Pois somos como as coisas de silêncio
deixadas no outro dia, em céus de longe,
pelas angras sem fim de velhos sonhos,
quanto mais velhos tanto mais idênticos.

Que a vida volta, e as noites antiquíssimas
nunca serão passados e absolutos
mas tornarão nas íntimas carícias.

Levagantes e polvos não são tudo.
Há mistério nos mares e nos vícios
e mundos abissais nos cantos surdos.
746
Edmir Domingues

Edmir Domingues

soneto XXIX - Olhos de espantalho

E então fez-se de trunfo um sonho falho
gerado sob os ventos das bonanças,
mas foi tema das novas contradanças
toda a idéia de morno e de agasalho.

De nada então valeram neve e orvalho
em peso sobre as velhas esperanças,
quando toda a ternura das crianças
dançava em nossos olhos de espantalho.

E anjos verdes, e arcanjos amarelos,
foram buscar o canto em violoncelos
e atabaques até de mitos mestos.

E assim foram milagre as nossas túnicas
feitas de palha e luz, tornadas únicas
por nossas invenções e nossos gestos.
500
Edmir Domingues

Edmir Domingues

Onde se põe na lua as mágoas íntimas


Quando as asas do espanto, desfolhadas
sobre os muros do sono e do silêncio
foscas de tanto musgo que as invade
imergirem das pétalas do tempo,
noite, profunda e vasta como o sono,
como a névoa do chão, vasta e profunda,
se alongue sobre a prata dessas ondas
que guardam nossa fronte e nosso mundo.
E os sentimentos mudos, no silêncio,
tornando para o frêmito das salas,
sejam novos por fim, quando os idênticos
forem mortos da tanta antiguidade.
Noite de vozes roucas, precipícios
disfarçados no chão que não se espera,
onde deverá haver leve carícia
e mãos de carne em vez de mãos de pedra.

A luz resvala e é pouca, das esquinas
vem um vento sem cores e sem ritmos,
o junco nos espera e nós não vamos
quando nada nos prende à nossa cama.
Das nossas mãos, inermes da procura,
o sentido do tempo se desprende,
das viagens não viajadas por descuido
vêm tímidos fantasmas nesse vento,
e em tudo noite, e vasta e sem limite,
sem piscina e sem Lua e sem cantiga,
que o sentido do tempo se desprende
quando faltam sussurro e confidência.

Quando fosse vedado dizer Lua
nós diríamos Lua, com veemência,
que em mundo de aparência a face pura
(nos lagos em que dorme o nosso sangue)
Lua será na treva, sobre as águas,
o refúgio do parco pensamento,
cansado da suposta eternidade
que não resiste ao sopro inconsistente.
760
Sophia de Mello Breyner Andresen

Sophia de Mello Breyner Andresen

Saltimbancos

Acenderam a luz dentro da casa
E as árvores tomaram vida humana.

Passado o muro, para além dos campos,
Ressoou o tambor dos saltimbancos.

Corpo de escamas como o de um peixe
Nas águas da noite cheias de correntes

Tem dois búzios do mar sobre os ouvidos,
Ouve, só para si, uma canção.
1 246
Sophia de Mello Breyner Andresen

Sophia de Mello Breyner Andresen

V. Ali Vimos a Veemência do Visível

Ali vimos a veemência do visível
O aparecer total exposto inteiro
E aquilo que nem sequer ousáramos sonhar
Era o verdadeiro
1977
1 119
Toni Montesinos Gilbert

Toni Montesinos Gilbert

Vida de areia

Quem dera que fosse feito de pó azul
para me diluir em todas as almas.
Se o meu corpo fosse pó a voar
passagens de céu, com um pouco
de frialdade, mereceria as mortes
irrecuperáveis, para sempre já
empoeirados pela sua ausência histórica.

Perderam-se, ficaram sem sangue.
E foi porque ninguém voltou a chamá-las.
E começaram a sonhar com montanhas,
e mais tarde com pedras, depois com areia
do tempo deserto. E por fim, com pó.
O sonho solitário conduziu-as
a cavar o amor numa estrela,
junto do que nunca puderam ter.

Eu quero chegar a todas as almas,
ser azul para distender o tempo,
ser um horizonte entre vida e morte,
esperar os amanheceres lento,
como se voltasse a nascer, azulado.

Quem dera que estivesse fora do século,
sem correspondência com nenhum espaço
concreto, sentir-me livre como pó
diluído em qualquer das ruas
conhecidas por onde caminhei.
Ser a presença total e absoluta.
Possuir o olhar omnipresente…

Mas apenas sou de carne e osso.
Um dia morrerei e não poderei pensar,
nunca mais, como construir um relógio
para sentir a vida mais extensa.
886
Carlos Drummond de Andrade

Carlos Drummond de Andrade

Água-Cor

O país da cor é líquido e revela-se
na anilina dos vasos da farmácia.
Basta olhar, e flutuo sobre o verde
não verde-mata, o verde-além-do-verde.

E o azul é uma enseada na redoma.
Quisera nascer lá, estou nascendo.
Varo a laguna do ouro do amarelo.
A cor é o existente; o mais, falácia.
1 686
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Deram-me, para se rirem,

Deram-me, para se rirem,
Uma corneta de barro,
Para eu tocar à entrada
Do Castelo do Diabo.
1 280
Mário-Henrique Leiria

Mário-Henrique Leiria

claridade dada pelo tempo

I

Deixa-me sentar numa nuvem
a mais alta
e dar pontapés na Lua
que era como eu devia ter vivido
a vida toda
dar pontapés
até sentir um tal cansaço nas pernas
que elas pudessem voar
mas não é possível
que tenho tonturas e quando
olho para baixo
vejo sempre planícies muito brancas
intermináveis
povoadas por uma enorme quantidade
de sombras
dá-me um cão ou uma bola
ou qualquer coisa que eu possa olhar
dá-me os teus braços exaustivamente
longos
dá-me o sono que me pediste uma vez
e que transformaste apenas para
teu prazer
nos nossos encontros e nos nossos
dias perdidos e achados logo em
seguida
depois de terem passado
por uma ponte feita por nós dois
em qualquer sítio me serve
encontrar o teu cabelo
em qualquer lugar me bastam
os teus olhos
porque
sentado numa nuvem
na lua
ou em qualquer precipício
eu sei
que as minhas pernas
feitas pássaros
voam para ti
e as tonturas que a planície me dá
são feitas por nós
de propósito
para irritar aqueles que não sabem
subir e descer as montanhas geladas
são feitas por nós
para nunca nos esquecermos
da beleza dum corpo
cintilando fulgurantemente
para nunca nos esquecermos
do abraço que nos foi dado
por um braço desconhecido
nós sabemos
tu e eu
que depois de tudo
apenas existem os nossos corpos
rutilantes
até se perderem no
limite do olhar
dá-me um cigarro
mesmo que seja só um
já me basta
desde que seja dado por ti
mas não me leves
não me tires
as tonturas que eu teria
que eu terei
sempre que penso cá de cima
duma altura vertiginosa
onde a própria águia
nada mais é que um minúsculo
objecto perdido
onde a nuvem
mais alta de todas
se agasalha como um cão de caça
leva-me a recordação
apenas a recordação
da vida martelada
que em mim tem ficado
como herança dada há mil e
duzentos anos

deixa que eu fique
muito afastado
silencioso
e único
no alto daquela nuvem
que escolhi
ainda antes de existir
641
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

III - Adagas cujas jóias velhas galas...

III

Adagas cujas jóias velhas galas...
Opalesci amar-me entre mãos raras,
E, fluido a febres entre um lembrar de aras,
O convés sem ninguém cheio de malas...

O íntimo silêncio das opalas
Conduz orientes até jóias caras,
E o meu anseio vai nas rotas claras
De um grande sonho cheio de ócio e salas...

Passa o cortejo imperial, e ao longe
O povo só pelo cessar das lanças
Sabe que passa o seu tirano, e estruge

Sua ovação, e erguem as crianças...
Mas no teclado as tuas mãos pararam
E indefinidamente repousaram...
1 040
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

IV - Ó tocadora de harpa, se eu beijasse

IV

Ó tocadora de harpa, se eu beijasse
Teu gesto, sem beijar as tuas mãos!,
E, beijando-o, descesse pelos desvãos
Do sonho, até que enfim eu o encontrasse

Tornado Puro Gesto, gesto-face
Da medalha sinistra — reis cristãos
Ajoelhando, inimigos e irmãos,
Quando processional o andor passasse!...

Teu gesto que arrepanha e se extasia...
O teu gesto completo, lua fria
Subindo, e em baixo, negros, os juncais...

Caverna em estalactites o teu gesto...
Não poder eu prendê-lo, fazer mais
Que vê-lo e que perdê-lo!... E o sonho é o resto...
1 479
Mário-Henrique Leiria

Mário-Henrique Leiria

Triângulo cabalístico

Eu sei que as túlipas
são os olhos de todos os aviões perdidos

Eu sei que as cidades
são os esqueletos das aves de rapina

Eu sei que os candeeiros ardendo de noite
são os pulmões dos peixes-voadores

Eu sei que o mistério
é uma dentadura abandonada

Eu sei que a loucura
é um braço solitário sorrindo eternamente

Eu sei que os meus olhos
são as tuas pernas frementes

Eu sei que os teus cabelos
são o meu acendedor de pirilampos

Eu sei que a tua boca
é o meu uivo solar

Eu sei que o teu peito e o teu sexo
são a minha água profundamente azul
onde se encontram todos os fantasmas
já perdidos há séculos.
681
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

XII - Ela ia, tranquila pastorinha,

XII

Ela ia, tranquila pastorinha,
Pela estrada da minha imperfeição.
Seguia-a, como um gesto de perdão,
O seu rebanho, a saudade minha...

«Em longes terras hás-de ser rainha»
Um dia lhe disseram, mas em vão...
Seu vulto perde-se na escuridão...
Só sua sombra ante meus pés caminha...

Deus te dê lírios em vez desta hora,
E em terras longe do que eu hoje sinto
Serás, rainha não, mas só pastora —

Só sempre a mesma pastorinha a ir,
E eu serei teu regresso, esse indistinto
Abismo entre o meu sonho e o meu porvir...
1 583
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

IX - Meu coração é um pórtico partido

IX

Meu coração é um pórtico partido
Dando excessivamente sobre o mar
Vejo em minha alma as velas vãs passar
E cada vela passa num sentido.

Um soslaio de sombras e ruído
Na transparente solidão do ar
Evoca estrelas sobre a noite estar
Em afastados céus o pórtico ido...

E em palmares de Antilhas entrevistas
Através de, com mãos eis apartados
Os sonhos, cortinados de ametistas,

Imperfeito o sabor de compensando
O grande espaço entre os troféus alçados
Ao centro do triunfo em ruído e bando...
1 644
José Saramago

José Saramago

Science-Fiction I

Talvez o nosso mundo se convexe
Na matriz positiva doutra esfera.

Talvez no interspaço que medeia
Se permutem secretas migrações.

Talvez a cotovia, quando sobe,
Outros ninhos procure, ou outro sol.

Talvez a cerva branca do meu sonho
Do côncavo rebanho se perdesse.

Talvez do eco dum distante canto
Nascesse a poesia que fazemos.

Talvez só amor seja o que temos,
Talvez a nossa coroa, o nosso manto.
640
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Nuvem do céu, que pareces

Nuvem do céu, que pareces
Tudo quanto a gente quer,
Se tu, ao menos, me desses
O que se não pode ter!
803
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

V - HIEMAL

V

HIEMAL

Baladas de uma outra terra, aliadas
Às saudades das fadas, amadas por gnomos idos,
Retinem lívidas ainda aos ouvidos

Dos luares das altas noites aladas...
Pelos canais barcas erradas
Segredam-se rumos descridos...

E tresloucadas ou casadas com o som das baladas,
As fadas são belas, e as estrelas
São delas... Ei-las alheadas...

E são fumos os rumos das barcas sonhadas,
Nos canais fatais iguais de erradas,
As barcas parcas das fadas,
Das fadas aladas e hiemais
E caladas...

Toadas afastadas, irreais, de baladas...
Ais...
1 349
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Rosa verde, rosa verde...

Rosa verde, rosa verde...
Rosa verde é coisa que há?
É uma coisa que se perde
Quando a gente não está lá.
1 937
Ruy Belo

Ruy Belo

Homeoptoto

Soubesse eu que me aceitas
Sentisse eu nos meus passos a firmeza que tem
nos seus a criança que vai para a escola
levada pelos olhos imensos da mãe
tivesse todo o meu ser a configuração
bastante pra caber na tua longa mão
e lá morrer essa mão onde todas as loucuras são
possíveis fosse a tua presença mais do que eu não ter
mais ninguém a meu lado
Não estivesse eu sujeito ao inverno que vem
mais carregado de memórias do que ninguém
E eu não procuraria este meu nome em vão
na folha que descreve o vento
nesta fronte onde vêm repousar as moscas
fronteira do meu pensamento
nas crianças de gestos decisivos
ou noutros pobres seres transitórios
(Nem tanta servidão precisaria para libertar
umas simples palavras do tempo)

Viesses tu beleza sempre antiga e sempre nova
encher aquela mão que abre
dentro de mim a inquietação
e a minha humilde prece tomaria a forma
do mais agudo ângulo das tuas duas mãos
onde toda a paisagem triangular termina
O teu silêncio ondularia menos que qualquer planície
tão pouco ambíguo como não sei que nuvem

Colhesses um por um os meus passos dispersos
achasses-me nos meus perdidos versos
e eu não repousaria nas ideias que estendo como mantas
nalgum pinhal à hora da sesta perto do mar
O teu lugar
seria sempre no côncavo do sonho
eu não me esqueceria
de agora ou logo ir-te lá buscar
E nestas tardes que sobre nós desdobras
passariam as dobras dos cuidados
Em nós quaisquer outonos morreriam


Ruy Belo | "Obra Poética de Ruy Belo" - Vol. 1, págs. 35 e 36 | Editorial Presença Lda., 1984
1 217
Charles Bukowski

Charles Bukowski

O Principal

aí vem a cabeça de peixe cantante
aí vem a batata assada em sua roupa bizarra

aí vem nada para fazer o dia todo
aí vem outra noite sem conciliar o sono

aí vem o telefone e sua campainha errada

aí vem um cupim com um banjo
aí vem um mastro com olhos vazios
aí vem um gato e um cachorro usando meias de náilon

aí vem uma metralhadora em cantoria
aí vem o bacon numa frigideira
aí vem uma voz dizendo qualquer coisa tola

aí vem um jornal recheado com pequenos pássaros
[vermelhos
com bicos marrons e retos

aí vem uma boceta carregando uma tocha
uma granada
um amor fatal

aí vem a vitória carregando
um balde de sangue
e tropeçando num arbusto

e os lençóis pendurados nas janelas

e os bombardeiros em direção a leste oeste norte sul
se perdem
se reviram como salada
enquanto todos os peixes no mar se alinham em fila
única

uma longa fila
muito longa e fina
a linha mais longa que você puder imaginar

e nós nos perdemos
cruzando montanhas púrpuras

caminhamos a esmo
por fim nus como a faca

tendo desistido
tendo posto tudo pra fora como uma inesperada semente de
azeitona
enquanto a garota da central telefônica
grita ao telefone:
“não retorne a ligação! você parece um cretino!”
1 107
Alice Ruiz

Alice Ruiz

Projesombras (Nós)

por causa de
Regina Silveira

no mundo das sombras
os objetos incham
grávidos de outras formas

silhuetas dissimulando similaridades
paródias e paradoxos
linearidades em desalinho

aqui
armas são a alma das louças
ali
projesombras milimetricamente
calculadas

inauguram com humor
o outro lado do rigor

o primeiro plano
passa a pano de fundo
o que é o fundo?
o que é a figura?
o que é a coisa?
o que é a sombra?

em toda arte
as coisas sonham sombras


In: RUIZ, Alice. Vice-versos. São Paulo: Brasiliense, 1988. (Cantadas literárias
1 478
José Bonifácio, o Moço

José Bonifácio, o Moço

A Camões

Entre dois sonhos — lida mal sonhada —
De fantasias mil a fantasia
Viveu, como sua alma desvivia
De seus fundos cuidados mal cuidada.

Em lembrança da pátria deslembrada
A glória sua e a glória dela erguia;
Escura noite lhe surgira um dia
Na viva luz da formosura amada.

Partido o coração, a alma partida
Naqueles sonhos, vasta imensidade,
Era-lhe a vida morte e a morte, vida!

Hoje renasce a imortal saudade:
Tem nos versos a pátria aos céus erguida,
E o seu amor num templo — a eternidade.


In: BONIFÁCIO, José, o moço. Poesias. Org. e apres. Alfredo Bosi e Nilo Scalzo. São Paulo: Conselho Estadual de Cultura, 1962. (Poesia, 5).

NOTA: Poema publicado na Revista Brasileira, 10 jun. 188
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