Poemas neste tema
Serenidade e Paz Interior
Bráulio de Abreu
Volta da Pesca
A tarde vai morrendo mansa e boa...
Tudo é recolhimento, nostalgia.
Lá ma torre da Ajuda um sino soa,
Enche o espaço de sons da Ave Maria.
A sombra cai. Um Pássaro não voa.
Vão-se os violáceos tons do fim do dia.
Sobre, singrando o rio, uma canoa:
Volta Manuel Monção da pescaria.
Com seus oitenta esplêndidos janeiros,
Frente à casa da rua dos coqueiros,
Fundeia, apanha o cofo, o remo, a vela
E à noite, após o cafezinho quente,
Fuma e cochila, sossegadamente,
Sentado no sofá, junto à janela.
Tudo é recolhimento, nostalgia.
Lá ma torre da Ajuda um sino soa,
Enche o espaço de sons da Ave Maria.
A sombra cai. Um Pássaro não voa.
Vão-se os violáceos tons do fim do dia.
Sobre, singrando o rio, uma canoa:
Volta Manuel Monção da pescaria.
Com seus oitenta esplêndidos janeiros,
Frente à casa da rua dos coqueiros,
Fundeia, apanha o cofo, o remo, a vela
E à noite, após o cafezinho quente,
Fuma e cochila, sossegadamente,
Sentado no sofá, junto à janela.
806
1
Sophia de Mello Breyner Andresen
Intervalo Ii
Dai-me um dia branco, um mar de beladona
Um movimento
Inteiro, unido, adormecido
Como um só momento.
Eu quero caminhar como quem dorme
Entre países sem nome que flutuam.
Imagens tão mudas
Que ao olhá-las me pareça
Que fechei os olhos.
Um dia em que se possa não saber.
Um movimento
Inteiro, unido, adormecido
Como um só momento.
Eu quero caminhar como quem dorme
Entre países sem nome que flutuam.
Imagens tão mudas
Que ao olhá-las me pareça
Que fechei os olhos.
Um dia em que se possa não saber.
2 731
1
Sophia de Mello Breyner Andresen
Iremos Juntos Sozinhos Pela Areia
Iremos juntos sozinhos pela areia
Embalados no dia
Colhendo as algas roxas e os corais
Que na praia deixou a maré cheia.
As palavras que disseres e que eu disser
Serão somente as palavras que há nas coisas
Virás comigo desumanamente
Como vêm as ondas com o vento.
O belo dia liso como um linho
Interminável será sem um defeito
Cheio de imagens e conhecimento.
Embalados no dia
Colhendo as algas roxas e os corais
Que na praia deixou a maré cheia.
As palavras que disseres e que eu disser
Serão somente as palavras que há nas coisas
Virás comigo desumanamente
Como vêm as ondas com o vento.
O belo dia liso como um linho
Interminável será sem um defeito
Cheio de imagens e conhecimento.
2 822
1
Marta Gonçalves
Escurecer o Quarto
Quero fechar as janelas, estancar o vento,
esconder o sol em anéis de nuvens cinza
escurecer paredes onde mora o corpo.
Anoitecer a respiração dos móveis
guardar os relógios no mar.
- Meu espírito precisa de silêncio -
esconder o sol em anéis de nuvens cinza
escurecer paredes onde mora o corpo.
Anoitecer a respiração dos móveis
guardar os relógios no mar.
- Meu espírito precisa de silêncio -
1 144
1
António Franco Alexandre
Já lentamente sofro a tua água,o sopro
da memória nas colinas.
deste-me um corpo,a casa
onde acordar o vento,e a terra,e a paz
desconhecida.
nesta cave de pele te implorei os dias
o óleo da manhã nas mãos desertas.
a cada instante me devora o gume
embotado da tua
luz sonora.
afasta do meu rosto a tua vã promessa.deixa
que seja brando o sono sem lembrança,
um chão de terra nua.
do teu jardim de chamas me despeço.
de Visitação
deste-me um corpo,a casa
onde acordar o vento,e a terra,e a paz
desconhecida.
nesta cave de pele te implorei os dias
o óleo da manhã nas mãos desertas.
a cada instante me devora o gume
embotado da tua
luz sonora.
afasta do meu rosto a tua vã promessa.deixa
que seja brando o sono sem lembrança,
um chão de terra nua.
do teu jardim de chamas me despeço.
de Visitação
1 474
1
Alberto Augusto Miranda
Saída
Saída
mulher a fazer vento espantada
da falta do mesmo
assim não se pranteando
em ligeiros indícios com a mão lenta
e um pé semovente um pouco à frente
do que antes
ter uma fé em suave detérmino
devagar abandonando abandonos
finíssima brisa nascendo em si
sobrecalando rugidos, pancadas em rumor, gritos
por detrás de onde a vemos sair agora
em todos os lados o luar se faz divino
sopro.
mulher a fazer vento espantada
da falta do mesmo
assim não se pranteando
em ligeiros indícios com a mão lenta
e um pé semovente um pouco à frente
do que antes
ter uma fé em suave detérmino
devagar abandonando abandonos
finíssima brisa nascendo em si
sobrecalando rugidos, pancadas em rumor, gritos
por detrás de onde a vemos sair agora
em todos os lados o luar se faz divino
sopro.
723
1
Hélio Pellegrino
Plenitude
A pedra, o vento, a luz alteada,
o salso mar eterno, o grito
do mergulhão, sob o infinito
azul:
— Deus não me deve nada.
o salso mar eterno, o grito
do mergulhão, sob o infinito
azul:
— Deus não me deve nada.
1 670
1
Carlos Saraiva Pinto
as coisas complexas
são inimigas de Deus
torna-me pois simples
como os bois e os cavalos
que no abandono da névoa
das montanhas são almas
que cumprem
dolorosas promessas a santuários
que estão para além do mundo.
de Escrever Foi um Engano(2000)
torna-me pois simples
como os bois e os cavalos
que no abandono da névoa
das montanhas são almas
que cumprem
dolorosas promessas a santuários
que estão para além do mundo.
de Escrever Foi um Engano(2000)
1 453
1
Pedro Homem de Mello
Obrigado
Por teu sorriso anônimo, discreto,
(O meu país é um reino sossegado...)
Pela ausência da carne em teu afeto,
Obrigado!
Pelo perdão que o teu olhar resume,
Por tua formosura sem pecado,
Por teu amor sem ódio e sem ciúme,
Obrigado!
Por no jardim da noite, a horas más,
A tua aparição não ter faltado,
Pelo teu braço de silêncio e paz,
Obrigado!
Por não passar um dia em que eu não diga
— Existo, sem futuro e sem passado.
Por toda a sonolência que me abriga...
Obrigado!
E tu, que hoje és meu íntimo contraste,
Ó mão que beijo por me haver cegado!
Ai! Pelo sonho intato que salvaste,
Obrigado! Obrigado! Obrigado!
(O meu país é um reino sossegado...)
Pela ausência da carne em teu afeto,
Obrigado!
Pelo perdão que o teu olhar resume,
Por tua formosura sem pecado,
Por teu amor sem ódio e sem ciúme,
Obrigado!
Por no jardim da noite, a horas más,
A tua aparição não ter faltado,
Pelo teu braço de silêncio e paz,
Obrigado!
Por não passar um dia em que eu não diga
— Existo, sem futuro e sem passado.
Por toda a sonolência que me abriga...
Obrigado!
E tu, que hoje és meu íntimo contraste,
Ó mão que beijo por me haver cegado!
Ai! Pelo sonho intato que salvaste,
Obrigado! Obrigado! Obrigado!
4 243
1
Marly Vasconcelos
Silêncio
Atenta para a água que ressoa nos aquários,
o caminhar de passos harmoniosos,
pálpebras que baixam lentamente.
Tudo prenuncia o silêncio.
o caminhar de passos harmoniosos,
pálpebras que baixam lentamente.
Tudo prenuncia o silêncio.
1 006
1
Sophia de Mello Breyner Andresen
O Anjo
O Anjo que em meu redor passa e me espia
E cruel me combate, nesse dia
Veio sentar-se ao lado do meu leito
E embalou-me, cantando, no seu peito.
Ele que indiferente olha e me escuta
Sofrer, ou que feroz comigo luta,
Ele que me entregara à solidão,
Poisava a sua mão na minha mão.
E foi como se tudo se extinguisse,
Como se o mundo inteiro se calasse,
E o meu ser liberto enfim florisse,
E um perfeito silêncio me embalasse.
E cruel me combate, nesse dia
Veio sentar-se ao lado do meu leito
E embalou-me, cantando, no seu peito.
Ele que indiferente olha e me escuta
Sofrer, ou que feroz comigo luta,
Ele que me entregara à solidão,
Poisava a sua mão na minha mão.
E foi como se tudo se extinguisse,
Como se o mundo inteiro se calasse,
E o meu ser liberto enfim florisse,
E um perfeito silêncio me embalasse.
4 246
1
José Afonso
PELA QUIETUDE DAS TUAS MÃOS UNIDAS
Pela quietude das tuas mãos unidas.
Desce o eterno e a paz.
Nada perturba o silêncio posto nas tuas pálpebras.
É a morte o templo, a plenitude infinda.
Abatem-se os contornos, teu vulto esfuma a rigidez das coisas,
a exactidão concreta.
Nenhuma dor descerrará nossas bocas profanas
para pronunciar o césamo que te abrirá os céus,
pobre silhueta humana, já pertença neutral,
informe barro
Inalterável mistério, subsistência.
Entre o vivo e o morto o abismo sa incomunicação,
A distância absurda da intemporalidade.
O entrar na origem, menos existência
Que companhia apenas de todas as coisas que ali estão
Em frente além.
Só contemplar-te para penetrar teu mistério
E apressar a corrida para a petrificação.
Depois sim: vossa presença pura
Entre Impronunciáveis e Inconcebíveis-Nada..Que coisa o amor! Pobre balbucie
Gérmen do primeiro estrebuchar da primeira forma.
Embrião latejando o que quer persistir e continuar-se-Assim
Desce o eterno e a paz.
Nada perturba o silêncio posto nas tuas pálpebras.
É a morte o templo, a plenitude infinda.
Abatem-se os contornos, teu vulto esfuma a rigidez das coisas,
a exactidão concreta.
Nenhuma dor descerrará nossas bocas profanas
para pronunciar o césamo que te abrirá os céus,
pobre silhueta humana, já pertença neutral,
informe barro
Inalterável mistério, subsistência.
Entre o vivo e o morto o abismo sa incomunicação,
A distância absurda da intemporalidade.
O entrar na origem, menos existência
Que companhia apenas de todas as coisas que ali estão
Em frente além.
Só contemplar-te para penetrar teu mistério
E apressar a corrida para a petrificação.
Depois sim: vossa presença pura
Entre Impronunciáveis e Inconcebíveis-Nada..Que coisa o amor! Pobre balbucie
Gérmen do primeiro estrebuchar da primeira forma.
Embrião latejando o que quer persistir e continuar-se-Assim
1 336
1
Ruy Belo
Poema quase apostólico
Está sereno o poeta
Desprende-se-lhe dos ombros e cai
depois em pregas por ele abaixo a manhã
Não pertencem ao dia os gestos que ele tem
não morrerão na noite seus assombrosos passos
Dizem que ele volta a pôr em movimento a roda
de crianças de atitudes desmedidas
que o vento varreu e parque algum queria
E abre os braços para deixar cair na cidade
um ano favorável ao senhor
E põe o rosto do senhor por trás das suas palavras
Elas decerto o hão-de dar a quem as demandar
Desprende-se-lhe dos ombros e cai
depois em pregas por ele abaixo a manhã
Não pertencem ao dia os gestos que ele tem
não morrerão na noite seus assombrosos passos
Dizem que ele volta a pôr em movimento a roda
de crianças de atitudes desmedidas
que o vento varreu e parque algum queria
E abre os braços para deixar cair na cidade
um ano favorável ao senhor
E põe o rosto do senhor por trás das suas palavras
Elas decerto o hão-de dar a quem as demandar
3 622
1
Sophia de Mello Breyner Andresen
Madrugada
Um leve tremor precede a madrugada
Quando mar e céu na mesma cor se azulam
E são mais claras as luzes dos barcos pescadores
E para além de insânias e rumores
A nossa vida se vê extasiada
Quando mar e céu na mesma cor se azulam
E são mais claras as luzes dos barcos pescadores
E para além de insânias e rumores
A nossa vida se vê extasiada
3 060
1
Angela Melim
Um navio
"Quanta paz aqui em baixo, na raiz do mundo...”
(V. Woolf)
A solidão é um navio.
Só o que me move é a pá da solidão
o leme.
Se não gozo
suspiro
cristas suspensas
pedras de sal
fiapos de mar –
a maior boca
a mais
voraz.
Mas no seu fundo longínquo
âncora
os leitos de areia e seus lençóis limpíssimos
os peixes cegos
a paz.
(V. Woolf)
A solidão é um navio.
Só o que me move é a pá da solidão
o leme.
Se não gozo
suspiro
cristas suspensas
pedras de sal
fiapos de mar –
a maior boca
a mais
voraz.
Mas no seu fundo longínquo
âncora
os leitos de areia e seus lençóis limpíssimos
os peixes cegos
a paz.
1 171
1
Florbela Espanca
A Noite Desce...
Como pálpebras roxas que tombassem
Sobre uns olhos cansados, carinhosas,
A noite desce... Ah! doces mãos piedosas
Que os meus olhos tristíssimos fechassem!
Assim mãos de bondade me beijassem!
Assim me adormecessem! Caridosas
Em braçados de lírios, de mimosas,
No crepúsculo que desce me enterrassem!
A noite em sombra e fumo se desfaz...
Perfume de baunilha ou de lilás,
A noite põe-me embriagada, louca!
E a noite vai descendo, sempre calma...
Meu doce Amor tu beijas a minh’alma
Beijando nesta hora a minha boca!
Sobre uns olhos cansados, carinhosas,
A noite desce... Ah! doces mãos piedosas
Que os meus olhos tristíssimos fechassem!
Assim mãos de bondade me beijassem!
Assim me adormecessem! Caridosas
Em braçados de lírios, de mimosas,
No crepúsculo que desce me enterrassem!
A noite em sombra e fumo se desfaz...
Perfume de baunilha ou de lilás,
A noite põe-me embriagada, louca!
E a noite vai descendo, sempre calma...
Meu doce Amor tu beijas a minh’alma
Beijando nesta hora a minha boca!
6 885
1
Lígia Diniz
Livre
Fechei a porta
Finalmente o vento parou de bater
O monstro alado parou de lutar
Fechei a porta no último minuto
Nem precisei usar força
Talvez nem mesmo a tenha fechado
Ela se fechou sozinha
Como quando o vento muda de direção.
Saí para ver o céu
Finalmente a chuva parou de cair
As gotas grossas pararam de me machucar
Saí para ver o céu no último dia
Nem precisei esperar
Talvez nem mesmo tenha saído
O céu entrou em mim
Como quando fechamos os olhos e ainda vemos a luz.
Finalmente o vento parou de bater
O monstro alado parou de lutar
Fechei a porta no último minuto
Nem precisei usar força
Talvez nem mesmo a tenha fechado
Ela se fechou sozinha
Como quando o vento muda de direção.
Saí para ver o céu
Finalmente a chuva parou de cair
As gotas grossas pararam de me machucar
Saí para ver o céu no último dia
Nem precisei esperar
Talvez nem mesmo tenha saído
O céu entrou em mim
Como quando fechamos os olhos e ainda vemos a luz.
888
1
Deborah Brennand
Abril
Quem me dera voltar
ao primeiro jardim!
Conduzida por leões
mansos leões em volta
indo e vindo sem as patas
esmagarem as madressilvas.
Depois,
recostada em tronco antigo
da árvore que não existe,
ficar alheia. Esquecida,
até as estrelas surgirem
tal um enxame de abelhas
douradas, picando a sombra.
ao primeiro jardim!
Conduzida por leões
mansos leões em volta
indo e vindo sem as patas
esmagarem as madressilvas.
Depois,
recostada em tronco antigo
da árvore que não existe,
ficar alheia. Esquecida,
até as estrelas surgirem
tal um enxame de abelhas
douradas, picando a sombra.
1 129
1
Ana C. Pozza
Lua alta
Lua alta
E por trás
De tantas nuvens
Brilham estrelas...
Aqui,
Por trás desta neblina,
Brilho também...
Sozinha
E acompanhada
De mim
E de mais ninguém...
Não direi mais nada
É o silêncio que mais convém...
Agradecida,
A Lua
Sussurra:
Amém...
E por trás
De tantas nuvens
Brilham estrelas...
Aqui,
Por trás desta neblina,
Brilho também...
Sozinha
E acompanhada
De mim
E de mais ninguém...
Não direi mais nada
É o silêncio que mais convém...
Agradecida,
A Lua
Sussurra:
Amém...
1 109
1
Flora Figueiredo
Flutuações
O sonho aprendeu a pairar bem alto,
lá onde o sobressalto nem sequer nasceu.
Namorou a trôpega ilusão,
até que trêfego e desajeitado,
desprendeu-se de seu reino idealizado,
veio pousar tamborilante em minha mão.
Assim, aquecido e aconchegado,
parece que se esqueceu de ir embora.
Na hora em que ressona distraído,
eu lhe pingo malemolências ao ouvido,
à sua inquietação eu me sujeito.
Eis que o sonho dorme agora aqui comigo,
seu corpo repousa no meu peito.
lá onde o sobressalto nem sequer nasceu.
Namorou a trôpega ilusão,
até que trêfego e desajeitado,
desprendeu-se de seu reino idealizado,
veio pousar tamborilante em minha mão.
Assim, aquecido e aconchegado,
parece que se esqueceu de ir embora.
Na hora em que ressona distraído,
eu lhe pingo malemolências ao ouvido,
à sua inquietação eu me sujeito.
Eis que o sonho dorme agora aqui comigo,
seu corpo repousa no meu peito.
1 543
1
Mário Dionísio
Saber apagar e apagar-se
Saber apagar e apagar-se
penosa necessidade
Acender o cachimbo lentamente
fingir que não se ouve não se sente
Em silêncio dizer com os olhos muito longe
Felicidade felicidade
penosa necessidade
Acender o cachimbo lentamente
fingir que não se ouve não se sente
Em silêncio dizer com os olhos muito longe
Felicidade felicidade
1 611
1
Ada Ciocci
Minha casa
Minha casa hoje,
tem janelas abertas para o nascente,
para o poente,
e,
também para a larga estrada,
aquela que conduz ao limite,
pela frente.
Minha casa solitária,
Branca e alta,
embora esteja plantada em estéril campo,
é toda circundada de verde, paz e silêncio.
Nova e antiga casa,
onde o Amor e a Esperança,
ainda são uma constante.
tem janelas abertas para o nascente,
para o poente,
e,
também para a larga estrada,
aquela que conduz ao limite,
pela frente.
Minha casa solitária,
Branca e alta,
embora esteja plantada em estéril campo,
é toda circundada de verde, paz e silêncio.
Nova e antiga casa,
onde o Amor e a Esperança,
ainda são uma constante.
1 211
1
Leda Costa Lima
Meu Nome é Esperança
Eu sou aquela que afasta
a sombra que passa
para dar luz ao teu sonho.
Sou a mão que te conduz,
nos momentos mais sombrios,
em que se delineia
o quadro do desalento.
Sou a voz que te soergue
e faz assomar o teu riso.
Sou sussurro aos teus ouvidos,
murmurando a palavra mágica
no momento preciso.
Eu sou a taça
transbordante de vinho
de sabor inebriante.
Eu sou o bálsamo
para os corações vazios,
pobres de amor,
carentes de afeto,
de sonhos e de ilusões.
Eu sou o vitral translúcido,
música em compassos uníssonis.
Por onde passo
as luzes se acendem
e surge um arco-íris.
Expulso o desânimo
para os longes do infinito.
Sou o sopro vital energizante.
Enquanto há vida
estou sempre presente.
Meu nome é esperança!
a sombra que passa
para dar luz ao teu sonho.
Sou a mão que te conduz,
nos momentos mais sombrios,
em que se delineia
o quadro do desalento.
Sou a voz que te soergue
e faz assomar o teu riso.
Sou sussurro aos teus ouvidos,
murmurando a palavra mágica
no momento preciso.
Eu sou a taça
transbordante de vinho
de sabor inebriante.
Eu sou o bálsamo
para os corações vazios,
pobres de amor,
carentes de afeto,
de sonhos e de ilusões.
Eu sou o vitral translúcido,
música em compassos uníssonis.
Por onde passo
as luzes se acendem
e surge um arco-íris.
Expulso o desânimo
para os longes do infinito.
Sou o sopro vital energizante.
Enquanto há vida
estou sempre presente.
Meu nome é esperança!
985
1
Nelson Motta
barato zen
louco de fumo diante da tv
contemplo a tela iluminada e penso
na ânsia de criar, de ir adiante
que tantome consome e angustia
e sinto que a vida não se faz
somente pela ação e movimento
enquantome abrigo em meu silêncio
e deixo que a tv me hipnotize
nesse momento tonto e inativo
nada é urgente, nada é necessário
além de aceitar serenamente
a hora de não ser
e de ser nada.
não tendo mais
tempo nem saco
para tanto papo
o príncipe de saudades
do tempo em que era sapo.
contemplo a tela iluminada e penso
na ânsia de criar, de ir adiante
que tantome consome e angustia
e sinto que a vida não se faz
somente pela ação e movimento
enquantome abrigo em meu silêncio
e deixo que a tv me hipnotize
nesse momento tonto e inativo
nada é urgente, nada é necessário
além de aceitar serenamente
a hora de não ser
e de ser nada.
não tendo mais
tempo nem saco
para tanto papo
o príncipe de saudades
do tempo em que era sapo.
1 002
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