Poemas neste tema
Saudade e Ausência
Rosani Abou Adal
Código Morse
Bolhas de espuma boiam sobre a água,
código morse da espécie Beta
comunicando que é adulto
e precisa uma fêmea para acasalar.
Olhos tristes e pequenos
protestam a solidão aquática.
No fundo do aquário, sem mover nadadeiras,
sonha com a azulzinha, a vermelhinha
para compartilhar carinho e afeto.
Seu coração vazio e infeliz.
Fala português e portunhol
com suas guelras.
Ninguém entende a mensagem.
Tenta outra vez,
o código sem tradução.
O Beta codifica a solidão oculta
- a companheira invisível
surge do outro lado do aquário.
código morse da espécie Beta
comunicando que é adulto
e precisa uma fêmea para acasalar.
Olhos tristes e pequenos
protestam a solidão aquática.
No fundo do aquário, sem mover nadadeiras,
sonha com a azulzinha, a vermelhinha
para compartilhar carinho e afeto.
Seu coração vazio e infeliz.
Fala português e portunhol
com suas guelras.
Ninguém entende a mensagem.
Tenta outra vez,
o código sem tradução.
O Beta codifica a solidão oculta
- a companheira invisível
surge do outro lado do aquário.
1 008
Rosani Abou Adal
Carência na Noite
Procurei-te por todos os cantos e bares.
Nas mesas vazias, nem sinal de tua sombra.
No céu, a estrela solitária.
O silêncio das ruas, a minha inquietude.
Do outro lado da calçada
ninguém me acompanha os passos.
Uma gata mia no cio,
abraça muros e portões
com unhas afiadas.
Os olhos verdes brilham
para encontrar aconchego
na próxima esquina, debaixo de um automóvel,
num casarão de luzes apagadas.
Brilham tanto que parecem
gerar sete gatinhos em cinco minutos.
Com passos lentos, caminho
seguindo teus rastros,
tuas marcas felinas invisíveis.
A calçada sem pegadas.
Em casa, um ombro amigo,
a coberta fria me aquece e me acolhe.
Sem vestes, abraço a espuma e durmo.
Nas mesas vazias, nem sinal de tua sombra.
No céu, a estrela solitária.
O silêncio das ruas, a minha inquietude.
Do outro lado da calçada
ninguém me acompanha os passos.
Uma gata mia no cio,
abraça muros e portões
com unhas afiadas.
Os olhos verdes brilham
para encontrar aconchego
na próxima esquina, debaixo de um automóvel,
num casarão de luzes apagadas.
Brilham tanto que parecem
gerar sete gatinhos em cinco minutos.
Com passos lentos, caminho
seguindo teus rastros,
tuas marcas felinas invisíveis.
A calçada sem pegadas.
Em casa, um ombro amigo,
a coberta fria me aquece e me acolhe.
Sem vestes, abraço a espuma e durmo.
983
Raniere Rodrigues dos Santos
Onde Estás?
Eu te amo,
Não sei se te amo.
Eu te desejo,
Não sei se te desejo.
Eu te conheço,
Não sei se te conheço.
Apenas sei que em algum momento
Estiveste perto de mim.
Isso demonstra o prcsente
E este talvez inexistente
Demonstra lembranças,
O passado, por sua vez, compensou,
Compensou meu coração inesquecivelmente.
Saudade, esta está
A te procurar
E vê que não há como encontrar
A não ser desencadear
E peregrinar
A procura
De onde estás.
Não sei se te amo.
Eu te desejo,
Não sei se te desejo.
Eu te conheço,
Não sei se te conheço.
Apenas sei que em algum momento
Estiveste perto de mim.
Isso demonstra o prcsente
E este talvez inexistente
Demonstra lembranças,
O passado, por sua vez, compensou,
Compensou meu coração inesquecivelmente.
Saudade, esta está
A te procurar
E vê que não há como encontrar
A não ser desencadear
E peregrinar
A procura
De onde estás.
850
Rosani Abou Adal
Passáro-Concorde
Trilhar caminhos e sentir teu cheiro
nas plantas, florestas, flores,
campos e no ar.
Voar o céu como um pássaro-concorde
e encontrar-te, passageiro
de minhas asas perdidas.
Navegar mares e oceanos
e avistar-te, comandante
deste barco sem
bússola.
nas plantas, florestas, flores,
campos e no ar.
Voar o céu como um pássaro-concorde
e encontrar-te, passageiro
de minhas asas perdidas.
Navegar mares e oceanos
e avistar-te, comandante
deste barco sem
bússola.
892
Rosani Abou Adal
Brahma
O piano tocava notas melodiosas
que vibravam das mãos suaves.
O chope e o bolinho de bacalhau sobre a mesa.
Vozes murmuravam nos bancos rubros.
Abajures solitários iluminavam
a expressão sem sorriso das lâmpadas.
O zunzum do happy-hour,
a falação dos corpos cansados,
as gargalhadas que se equilibravam
no ambiente ébrio como plumas,
deslizavam no vácuo sem fronteiras.
O piano não parava de sussurrar
notas e mais notas harmoniosas.
Dont Cry for me Argentina
gritavam as teclas brancas e pretas.
Gravatas borboletas conduziam
copos de levedura e tira-gosto
para acalentar as peles vermelhas,
brancas, amarelas e negras que se apoiavam
na privacidade de um assento frio/quente.
Homens de negócios, secretárias,
profissionais liberais, poetas e artistas
compartilhavam o do-re-mi-fá-sol-lá-si-do,
falavam de suas tristezas, angústias, felicidades,
frustrações, alegrias, de mais um dia de trabalho,
de negócios satisfatórios ou sem frutos,
de prazeres, desamores, de...
Eu acompanhada da esferográfica
esperava teus passos ofegantes
pousarem sobre os pelos gastos do tapete.
que vibravam das mãos suaves.
O chope e o bolinho de bacalhau sobre a mesa.
Vozes murmuravam nos bancos rubros.
Abajures solitários iluminavam
a expressão sem sorriso das lâmpadas.
O zunzum do happy-hour,
a falação dos corpos cansados,
as gargalhadas que se equilibravam
no ambiente ébrio como plumas,
deslizavam no vácuo sem fronteiras.
O piano não parava de sussurrar
notas e mais notas harmoniosas.
Dont Cry for me Argentina
gritavam as teclas brancas e pretas.
Gravatas borboletas conduziam
copos de levedura e tira-gosto
para acalentar as peles vermelhas,
brancas, amarelas e negras que se apoiavam
na privacidade de um assento frio/quente.
Homens de negócios, secretárias,
profissionais liberais, poetas e artistas
compartilhavam o do-re-mi-fá-sol-lá-si-do,
falavam de suas tristezas, angústias, felicidades,
frustrações, alegrias, de mais um dia de trabalho,
de negócios satisfatórios ou sem frutos,
de prazeres, desamores, de...
Eu acompanhada da esferográfica
esperava teus passos ofegantes
pousarem sobre os pelos gastos do tapete.
833
Rosani Abou Adal
Templo de Zeus
A solidão invade a noite do sábado,
o silêncio toma conta das ruas.
Não escuto cachorros latindo,
apenas o escapamento solto da motocicleta
voando sobre o asfalto como um relâmpago.
Aguardo uma eternidade teu chamado mudo,
o telefax e secretária eletrônica se calaram.
Tento me comunicar contigo por telepatia,
não entendes meus códigos.
Viajo pelo túnel do tempo rumo à terra de Homero
para ouvir tua voz e codificar meus sinais.
Percorro o Bosque Sagrado do Olimpo,
Parthenon, Palácio Cnosso, Pórtico de Cariátides,
Acrópole de Lindos, Templo de Apolo,
Templo de Posêidon, o Templo de Zeus,
e assumo formas de touro, cisne, anfitrião,
chuva de ouro para me aproximar de ti
como fizera Zeus com Europa, Leda, Danae e Alcmene.
Zeus mais feliz que eu com as mortais,
de suas aproximações surgiram Perseu, Pólux e Helena.
A máquina do tempo me traz de volta
ao silêncio do fim de semana.
Nada valeu me transformar em cisne,
touro branco, chuva de ouro e anfitrião.
O aparelho de Graham Bell se calou no tempo.
o silêncio toma conta das ruas.
Não escuto cachorros latindo,
apenas o escapamento solto da motocicleta
voando sobre o asfalto como um relâmpago.
Aguardo uma eternidade teu chamado mudo,
o telefax e secretária eletrônica se calaram.
Tento me comunicar contigo por telepatia,
não entendes meus códigos.
Viajo pelo túnel do tempo rumo à terra de Homero
para ouvir tua voz e codificar meus sinais.
Percorro o Bosque Sagrado do Olimpo,
Parthenon, Palácio Cnosso, Pórtico de Cariátides,
Acrópole de Lindos, Templo de Apolo,
Templo de Posêidon, o Templo de Zeus,
e assumo formas de touro, cisne, anfitrião,
chuva de ouro para me aproximar de ti
como fizera Zeus com Europa, Leda, Danae e Alcmene.
Zeus mais feliz que eu com as mortais,
de suas aproximações surgiram Perseu, Pólux e Helena.
A máquina do tempo me traz de volta
ao silêncio do fim de semana.
Nada valeu me transformar em cisne,
touro branco, chuva de ouro e anfitrião.
O aparelho de Graham Bell se calou no tempo.
923
Rosani Abou Adal
Fragilidade
Teu corpo ausente do meu corpo,
sou tão frágil como um instante,
uma onda que se quebra no ninho de ostras.
Tuas mãos não repousam sobre meu ventre,
sou tão pequena como um segundo.
Tuas mãos não aquecem meu coração,
sou tão fria quanto a neve.
Sou uma camponesa colhendo
tâmaras, pistache, misk e snôbar.
Não sinto frio, teu corpo me aquece.
És sementes florescendo nos campos.
sou tão frágil como um instante,
uma onda que se quebra no ninho de ostras.
Tuas mãos não repousam sobre meu ventre,
sou tão pequena como um segundo.
Tuas mãos não aquecem meu coração,
sou tão fria quanto a neve.
Sou uma camponesa colhendo
tâmaras, pistache, misk e snôbar.
Não sinto frio, teu corpo me aquece.
És sementes florescendo nos campos.
809
Renata Trocoli
Sem Título
Sem Título
A saudade de teus meigos olhos a olhar-me com tanto amor
doe em meu peito com aguda tristeza, meu grande amor.
Tuas macias, delicadas e pequeninas mãos tocavam meu rosto
com tanto carinho e amor que não podia deixar-te
um minuto sem meus abraços e doces palavras de amor.
Quando sentávamos debaixo das estrelas nas noites mornas
da bela primavera da Pérsia, me abraçavas com tanto medo
e chorava baixinho escondendo teu lindo rostinho delicado em meu
peito, e me fazia jura-te amor eterno.
Este amor que jurei e sinto sempre por ti minha linda princesa.
Sinto saudades de tuas palavras e teu carinho ao ver-me zangado e
preocupado, e como me acalmava com teu belo olhar sobre o meu,
sorrindo com doçura e colocando minha cabeça em teus delicados
ombros para fazer com que a calma tomasse conta de meu coração.
Por tantos dias fiquei a admirar tua beleza
enquanto dormias um sono tranqüilo e
quantas vezes tocava teus lindos cabelos negros, macios e perfumados
sem ter vontade de fechar os olhos para não perder tão bela visão.
Quantas vezes ainda dormi cansado em teus pequeninos braços
sentindo cada vez mais um amor puro e leal por ti.
Me abraçavas com doce saudade e com lágrimas nos olhos
depois de dias de batalha sem ver-me.
E cuidava de mim com tanto carinho e me amava com tanta saudade
que meus dias pareciam um doce sonho que não poderia nunca ter fim.
O mais triste meu amor foi perder-te.
Foi perceber que teu amor não mais me envolveria o corpo,
que não mais teria tua presença a cuidar de mim
nas noites de cansaço após uma batalha.
Com uma linda e dolorosa promessa nos despedimos.
Tu me abraçaste chorosa e amedrontada,
e prometemos um amor eterno
por todos os lugares onde passássemos, aonde estivéssemos.
Hoje a saudade de teus doces olhinhos
a olhar-me com amor cegam meus dias.
Mas pelo menos ainda posso sentir teus perfume
e teus abraços a me envolver...
A saudade de teus meigos olhos a olhar-me com tanto amor
doe em meu peito com aguda tristeza, meu grande amor.
Tuas macias, delicadas e pequeninas mãos tocavam meu rosto
com tanto carinho e amor que não podia deixar-te
um minuto sem meus abraços e doces palavras de amor.
Quando sentávamos debaixo das estrelas nas noites mornas
da bela primavera da Pérsia, me abraçavas com tanto medo
e chorava baixinho escondendo teu lindo rostinho delicado em meu
peito, e me fazia jura-te amor eterno.
Este amor que jurei e sinto sempre por ti minha linda princesa.
Sinto saudades de tuas palavras e teu carinho ao ver-me zangado e
preocupado, e como me acalmava com teu belo olhar sobre o meu,
sorrindo com doçura e colocando minha cabeça em teus delicados
ombros para fazer com que a calma tomasse conta de meu coração.
Por tantos dias fiquei a admirar tua beleza
enquanto dormias um sono tranqüilo e
quantas vezes tocava teus lindos cabelos negros, macios e perfumados
sem ter vontade de fechar os olhos para não perder tão bela visão.
Quantas vezes ainda dormi cansado em teus pequeninos braços
sentindo cada vez mais um amor puro e leal por ti.
Me abraçavas com doce saudade e com lágrimas nos olhos
depois de dias de batalha sem ver-me.
E cuidava de mim com tanto carinho e me amava com tanta saudade
que meus dias pareciam um doce sonho que não poderia nunca ter fim.
O mais triste meu amor foi perder-te.
Foi perceber que teu amor não mais me envolveria o corpo,
que não mais teria tua presença a cuidar de mim
nas noites de cansaço após uma batalha.
Com uma linda e dolorosa promessa nos despedimos.
Tu me abraçaste chorosa e amedrontada,
e prometemos um amor eterno
por todos os lugares onde passássemos, aonde estivéssemos.
Hoje a saudade de teus doces olhinhos
a olhar-me com amor cegam meus dias.
Mas pelo menos ainda posso sentir teus perfume
e teus abraços a me envolver...
985
Ricardo Madeira
Memórias Perdidas de Tempos Esquecidos
Tudo o que tenho para te recordar
Está a meu lado: o teu vazio lugar
Que ninguém parece poder ocupar.
Que alternativa existe, para além de morrer,
Quando a única razão que temos para viver
É exactamente aquela que tentamos esquecer?
E o mais belo sonho que podemos sonhar
(O teu sorriso... Os teus olhos a brilhar...)
É aquele que temos de matar e enterrar...
As memórias perdidas de tempos esquecidos
Saem das sombras, voltam para me assombrar,
São os ecos das palavras que não te pude dizer,
Todos os sonhos que geram pesadelos ao acordar.
Um corredor sem sentido, nenhuma porta se abre,
Uma vida sem destino, a fechadura recusa a chave.
"Vem muerte tan escondida,
Que no te sienta venir,
Porque el plazer del morrir
No me torne á dar la vida."
-Miguel De Cervantes
Está a meu lado: o teu vazio lugar
Que ninguém parece poder ocupar.
Que alternativa existe, para além de morrer,
Quando a única razão que temos para viver
É exactamente aquela que tentamos esquecer?
E o mais belo sonho que podemos sonhar
(O teu sorriso... Os teus olhos a brilhar...)
É aquele que temos de matar e enterrar...
As memórias perdidas de tempos esquecidos
Saem das sombras, voltam para me assombrar,
São os ecos das palavras que não te pude dizer,
Todos os sonhos que geram pesadelos ao acordar.
Um corredor sem sentido, nenhuma porta se abre,
Uma vida sem destino, a fechadura recusa a chave.
"Vem muerte tan escondida,
Que no te sienta venir,
Porque el plazer del morrir
No me torne á dar la vida."
-Miguel De Cervantes
1 034
Ricardo Madeira
O Mosteiro Abandonado
Murmúrios no vento...
Na mais alta montanha: mosteiro abandonado,
Perdido no tempo...
Neve (algodão?)
Cobre bela a paisagem (apenas imagem?)
Sob sol de Verão...
E ela chora, naquela janela aberta,
Aguardando, etérea, a altura certa:
Um só instante,
Tão distante...
Mas, um dia, o dia chegará,
Hora a hora, por essa hora esperará...
Um dia...
Talvez um dia...
E o vento trará nos braços alegria...
Na mais alta montanha: mosteiro abandonado,
Perdido no tempo...
Neve (algodão?)
Cobre bela a paisagem (apenas imagem?)
Sob sol de Verão...
E ela chora, naquela janela aberta,
Aguardando, etérea, a altura certa:
Um só instante,
Tão distante...
Mas, um dia, o dia chegará,
Hora a hora, por essa hora esperará...
Um dia...
Talvez um dia...
E o vento trará nos braços alegria...
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