Poemas neste tema

Sabedoria

José Eduardo Mendes Camargo

José Eduardo Mendes Camargo

Ouça

Quem silenciosamente
Provou o fel da dúvida,
Derramou lágrimas de tristeza,
Amargou longas esperas,
Sentiu-se só e abandonado,
Teve o descrédito de quase todos
E a tudo superou,
Hoje, nada assombra,
Tudo encanta,
Até mesmo os desencantos.

935
Cleómenes Campos

Cleómenes Campos

Fábula

No começo do mundo,
quando tudo falava, um Monte, certo dia,
interrogou a um Vale, a quem mal conhecia:
— "Quem é mais alto de nós dois?"

O Vale respondeu-lhe admirado, depois:
— "Eu só te sei dizer quem é o mais profundo. . .

1 051
José Saramago

José Saramago

Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.

Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.
1 517
Paulo Leminski

Paulo Leminski

DONNA MI PRIEGA 88

se amor é troca
ou entrega louca
discutem os sábios
entre os pequenos
e os grandes lábios

no primeiro caso
onde começa o acaso
e onde acaba o propósito
se tudo o que fazemos
é menos que amor
mas ainda não é ódio?

a tese segunda
evapora em pergunta
que entrega é tão louca
que toda espera é pouca?
qual dos cindo mil sentidos
está livre de mal-entendidos?

2 344
Paulo Leminski

Paulo Leminski

saber é pouco

saber é pouco
como é que a água do mar
entra dentro do coco?

2 663
Paulo Leminski

Paulo Leminski

MALLARMÉ BASHÔ

um salto de sapo
jamais abolirá
o velho poço

3 116
Jorge Luis Borges

Jorge Luis Borges

El alquimista

Lento en el alba un joven que han gastado
la larga reflexión y las avaras
vigilias considera ensimismado
los insomnes braseros y alquitaras.

Sabe que el oro, ese Proteo, acecha
bajo cualquier azar, como el destino;
sabe que está en el polvo del camino,
en el arco, en el brazo y en la flecha.

En su oscura visión de un ser secreto
que se oculta en el astro y en el lodo,
late aquel otro sueño de que todo
es agua, que vio Tales de Mileto.

Otra visión habrá; la de un eterno
Dios cuya ubicua faz es cada cosa,
que explicará el geométrico Spinoza
en un libro más arduo que el Averno...

En los vastos confines orientales
del azul palidecen los planetas,
el alquimista piensa en las secretas
leyes que unen planetas y metales.

Y mientras cree tocar enardecido
el oro aquel que matará la Muerte,
Dios, que sabe de alquimia, lo convierte
en polvo, en nadie, en nada y en olvido.



Jorge Luis Borges | "Poesia Completa", pág. 237 | Debolsillo, 3ª. edição, 2016
1 399
Stela do Patrocínio

Stela do Patrocínio

Não trabalho com a inteligência

Não trabalho com a inteligência
Nem com o pensamento
Mas também não uso a ignorância
554
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Quisera ter

Quisera ter
Isso que escuramente em mim aspiro:
O pensamento abrangedor de tudo
Numa compreensão única e funda.
Todo o contido em artes, letras, todas
As leis no fundo do universo nadas
Que regem       (...)       até a história
Em modalizações(...)

Era isto que eu, num pensamento único,
Abrangedor, quisera compreender.
966
Bocage

Bocage

O Macaco Declamando

Um mono, vendo-se um dia
Entre brutal multidão,
Dizem que lhe deu na cabeça
Fazer uma pregação.

Creio que seria o tema
Indigno de se tratar;
Mas isto pouco importava,
Porque o ponto era gritar.

Teve mil vivas, mil palmas,
Proferindo à boca cheia
Sentenças de quinze arrobas,
Palavras de légua e meia.

Isto acontece ao poeta,
Orador, e outros que tais;
Néscios o que entendem menos
É o que celebram mais.

2 055
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Ver as coisas até ao fundo...

Ver as coisas até ao fundo...
E se as coisas não tiverem fundo?

Ah, que bela a superfície!
Talvez a superfície seja a essência
E o mais que a superfície seja o mais que tudo
E o mais que tudo não é nada.

Ó face do mundo, só tu, de todas as faces,
És a própria alma que reflectes
1 435
Jorge Luis Borges

Jorge Luis Borges

El golem

Si (como afirma el griego en el Cratilo)
el nombre es arquetipo de la cosa
en las letras de 'rosa' está la rosa
y todo el Nilo en la palabra 'Nilo'.

Y, hecho de consonantes y vocales,
habrá un terrible Nombre, que la esencia
cifre de Dios y que la Omnipotencia
guarde en letras y sílabas cabales.

Adán y las estrellas lo supieron
en el Jardín. La herrumbre del pecado
(dicen los cabalistas) lo ha borrado
y las generaciones lo perdieron.

Los artificios y el candor del hombre
no tienen fin. Sabemos que hubo un día
en que el pueblo de Dios buscaba el Nombre
en las vigilias de la judería.

No a la manera de otras que una vaga
sombra insinúan en la vaga historia,
aún está verde y viva la memoria
de Judá León, que era rabino en Praga.

Sediento de saber lo que Dios sabe,
Judá León se dio a permutaciones
de letras y a complejas variaciones
y al fin pronunció el Nombre que es la Clave,

la Puerta, el Eco, el Huésped y el Palacio,
sobre un muñeco que con torpes manos
labró, para enseñarle los arcanos
de las Letras, del Tiempo y del Espacio.

El simulacro alzó los soñolientos
párpados y vio formas y colores
que no entendió, perdidos en rumores
y ensayó temerosos movimientos.

Gradualmente se vio (como nosotros)
aprisionado en esta red sonora
de Antes, Después, Ayer, Mientras, Ahora,
Derecha, Izquierda, Yo, Tú, Aquellos, Otros.

(El cabalista que ofició de numen
a la vasta criatura apodó Golem;
estas verdades las refiere Scholem
en un docto lugar de su volumen.)

El rabí le explicaba el universo
"esto es mi pie; esto el tuyo, esto la soga."
y logró, al cabo de años, que el perverso
barriera bien o mal la sinagoga.

Tal vez hubo un error en la grafía
o en la articulación del Sacro Nombre;
a pesar de tan alta hechicería,
no aprendió a hablar el aprendiz de hombre.

Sus ojos, menos de hombre que de perro
y harto menos de perro que de cosa,
seguían al rabí por la dudosa
penumbra de las piezas del encierro.

Algo anormal y tosco hubo en el Golem,
ya que a su paso el gato del rabino
se escondía. (Ese gato no está en Scholem
pero, a través del tiempo, lo adivino.)

Elevando a su Dios manos filiales,
las devociones de su Dios copiaba
o, estúpido y sonriente, se ahuecaba
en cóncavas zalemas orientales.

El rabí lo miraba con ternura
y con algún horror. '¿Cómo' (se dijo)
'pude engendrar este penoso hijo
y la inacción dejé, que es la cordura?'

'¿Por qué di en agregar a la infinita
serie un símbolo más? ¿Por qué a la vana
madeja que en lo eterno se devana,
di otra causa, otro efecto y otra cuita?'

En la hora de angustia y de luz vaga,
en su Golem los ojos detenía.
¿Quién nos dirá las cosas que sentía
Dios, al mirar a su rabino en Praga?



Jorge Luis Borges | "Poesia Completa", págs. 193, 194 e 195 | Debolsillo, 3ª. edição, 2016
1 700
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

15a Estas quatro canções, escrevi-as estando doente.

[XVa]

Estas quatro canções, escrevi-as estando doente.
Agora ficaram escritas e não penso mais nelas.
Gozemos, se pudermos, a nossa doença,
Mas nunca a achemos saúde,
Como os homens fazem.

O defeito dos homens não é serem doentes:
É chamarem saúde à sua doença,
E por isso não buscarem a cura
Nem realmente saberem o que é saúde e doença.
1 397
Raul de Leoni

Raul de Leoni

Pórtico

Alma de origem ática, pagã,
Nascida sob aquele firmamento
Que azulou as divinas epopéias,
Sou irmão de Epicuro e de Renan,
Tenho o prazer sutil do pensamento
E a serena elegância das idéias...

Há no meu ser crepúsculos e auroras,
Todas as seleções do gênio ariano,
E a minha sombra amável e macia
Passa na fuga universal das horas,
Colhendo as flores do destino humano
Nos jardins atenienses da Ironia...

(...)

Meu pensamento livre, que se achega
De ideologias claras e espontâneas,
É uma suavíssima cidade grega,
Cuja memória
É uma visão esplêndida na história
Das civilizações mediterrâneas.

Cidade da Ironia e da Beleza,
Fica na dobra azul de um golfo pensativo,
Entre cintas de praias cristalinas,
Rasgando iluminuras de colinas,
Com a graça ornamental de um cromo vivo:
Banham-na antigas águas delirantes,
Azuis, caleidoscópicas, amenas,
Onde se espelha, em refrações distantes,
O vulto panorâmico de Atenas...

Entre os deuses e Sócrates assoma
E envolve na amplitude do seu gênio
Toda a grandeza grega a que remonto;
Da Hélade dos heróis ao fim de Roma,
Das cidades ilustres do Tirreno
Ao mistério das ilhas do Helesponto...

Cidade de virtudes indulgentes,
Filha da Natureza e da Razão,
— Já eivada da luxúria oriental, —
Ela sorri ao Bem, não crê no Mal,
Confia na verdade da Ilusão
E vive na volúpia e na sabedoria,
Brincando com as idéias e com as formas...

(...)

Revendo-se num século submerso.
Meu pensamento, sempre muito humano,
É uma cidade grega decadente,
Do tempo de Luciano,
Que, gloriosa e serena,
Sorrindo da palavra nazarena,
Foi desaparecendo lentamente,
No mais suave crepúsculo das coisas...

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Publicado no livro Luz Mediterrânea (1922). Poema integrante da série Luz Mediterrânea.

In: LEONI, Raul de. Luz mediterrânea. Pref. Rodrigo Mello Franco de Andrade. 10.ed. São Paulo: Liv. Martins, 195
2 237
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Quanto mais fundamente penso, mais

Quanto mais fundamente penso, mais
Profundamente me descompreendo.
O saber é a inconsciência de ignorar,
Mesmo quem sabe muito nada sabe.

Quanto mais fundamente penso, sim,
Mais fundamente me sinto ignorar,
Mais fundamente sinto alguma coisa
Além do que profundamente penso.
E é isto que dizer me faz: eu penso
Profundamente.
1 756
Inácio José de Alvarenga Peixoto

Inácio José de Alvarenga Peixoto

Amada filha, é já chegado o dia

Amada filha, é já chegado o dia,
em que a luz da razão, qual tocha acesa
vem conduzir a simples natureza,
é hoje que o teu mundo principia.

A mão que te gerou teus passos guia,
despreza ofertas de uma vã beleza,
e sacrifica as honras e a riqueza
às santas leis do filho de Maria.

Estampa na tua alma a caridade,
que amar a Deus, amar aos semelhantes,
são eternos preceitos da verdade.

Tudo o mais são idéias delirantes;
procura ser feliz na eternidade,
que o mundo são brevíssimos instantes.


In: LAPA, M. Rodrigues. Vida e obra de Alvarenga Peixoto. Rio de Janeiro: INL, 1960
3 977
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

THE GIANT’S REPLY

I met a giant upon my way;
        He looked more wise than Nature.
«Tell me some truth», thus my tongue did betray
        My soul so that more than creature.
- «There is but one's, in an old voice strange
        He cried: «things are more, I say,
Than Time in which they seem to change
And than Space that seems more than they».
1 273
Jorge Luis Borges

Jorge Luis Borges

Poema anverso

Dormías. Te despierto.
La gran mañana depara la ilusión de un principio.
Te habías olvidado de Virgilio. Ahí están los hexámetros.
Te traigo muchas cosas.
Las cuatro raíces del griego: la tierra, el agua, el fuego, el aire.
Un solo nombre de mujer.
La amistad de la luna.
Los claros colores del atlas.
El olvido, que purifica.
La memoria que elige y que reescribe.
El hábito que nos ayuda a sentir que somos inmortales.
La esfera y las agujas que parcelan el inasible tiempo.
La fragancia del sándalo.
Las dudas que llamamos, no sin alguna vanidad, metafísica.
La curva del bastón que tu mano espera.
El sabor de las uvas y de la miel.


"La cifra", 1981



Jorge Luis Borges | "Poesia Completa", pág. 554 | Debolsillo, 3ª. edição, 2016
1 444
Jorge Luis Borges

Jorge Luis Borges

El Go

Hoy, nueve de setiembre de 1978,
tuve en la palma de la mano un pequeño disco
de los trescientos sesenta y uno que se requieren
para el juego astrológico del go,
ese otro ajedrez del Oriente.
Es más antiguo que la más antigua escritura
y el tablero es un mapa del universo.
Sus variaciones negras y blancas
agotarán el tiempo.
En él pueden perderse los hombres
como en el amor y en el día.
Hoy nueve de setiembre de 1978,
yo, que soy ignorante de tantas cosas,
sé que ignoro una más,
y agradezco a mis númenes
esta revelación de un laberinto
que nunca será mío.



Jorge Luis Borges | "Poesia Completa", pág. 569 | Debolsillo, 3ª. edição, 2016
1 442
Jorge Luis Borges

Jorge Luis Borges

El ángel

Que el hombre no sea indigno del Ángel
cuya espada lo guarda
desde que lo engendró aquel Amor
que mueve el sol y las estrellas
hasta el Último Día en que retumbe
el trueno en la trompeta.
Que no lo arrastre a rojos lupanares
ni a los palacios que erigió la soberbia
ni a las tabernas insensatas.
Que no se rebaje a la súplica
ni al oprobio del llanto
ni a la fabulosa esperanza
ni a las pequeñas magias del miedo
ni al simulacro del histrión;
el Otro lo mira.
Que recuerde que nunca estará solo.
En el público día o en la sombra
el incesante espero lo atestigua;
que no macule su cristal una lágrima.

Señor, que al cabo de mis días en la Tierra
yo no deshonre al Ángel.



Jorge Luis Borges | "Poesia Completa", pág. 556 | Debolsillo, 3ª. edição, 2016
1 377
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

I - We pass and dream. Earth smiles. Virtue is rare.

I

We pass and dream. Earth smiles. Virtue is rare.
Age, duty, gods weigh on our conscious bliss.
Hope for the best and for the worst prepare.
The sum of purposed wisdom speaks in this.
1 272
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