Poemas neste tema

Angústia

Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Não sei que desgosta

Não sei o que desgosta
A minha alma doente.
Uma dor suposta
Dói‑me realmente.

Como um barco absorto
Em se naufragar
1 381
Vinicius de Moraes

Vinicius de Moraes

Revolta

Alma que sofres pavorosamente
A dor de seres privilegiada
Abandona o teu pranto, sê contente
Antes que o horror da solidão te invada.

Deixa que a vida te possua ardente
Ó alma supremamente desgraçada.
Abandona, águia, a inóspita morada
Vem rastejar no chão como a serpente.

De que te vale o espaço se te cansa?
Quanto mais sobes mais o espaço avança...
Desce ao chão, águia audaz, que a noite é fria.

V olta, ó alma, ao lugar de onde partiste
O mundo é bom, o espaço é muito triste...
Talvez tu possas ser feliz um dia.
1 082
Vinicius de Moraes

Vinicius de Moraes

Tarde

Na hora dolorosa e roxa das emoções silenciosas
Meu espírito te sentiu.
Ele te sentiu imensamente triste
Imensamente sem Deus
Na tragédia da carne desfeita.

Ele te quis, hora sem tempo
Porque tu eras a sua imagem, sem Deus e sem tempo.
Ele te amou
E te plasmou na visão da manhã e do dia
Na visão de todas as horas
Ó hora dolorosa e roxa das emoções silenciosas.
1 112
Vinicius de Moraes

Vinicius de Moraes

Rua da Amargura

A minha rua é longa e silenciosa como um caminho que foge
E tem casas baixas que ficam me espiando de noite
Quando a minha angústia passa olhando o alto.
A minha rua tem avenidas escuras e feias
De onde saem papéis velhos correndo com medo do vento
E gemidos de pessoas que estão eternamente à morte.
A minha rua tem gatos que não fogem e cães que não ladram
Tem árvores grandes que tremem na noite silente
Fugindo as grandes sombras dos pés aterrados.
A minha rua é soturna...
Na capela da igreja há sempre uma voz que murmura louvemos
Sozinha e prostrada diante da imagem
Sem medo das costas que a vaga penumbra apunhala.

A minha rua tem um lampião apagado
Na frente da casa onde a filha matou o pai
Porque não queria ser dele.
No escuro da casa só brilha uma chapa gritando quarenta.

A minha rua é a expiação de grandes pecados
De homens ferozes perdendo meninas pequenas
De meninas pequenas levando ventres inchados
De ventres inchados que vão perder meninas pequenas.
É a rua da gata louca que mia buscando os filhinhos nas portas das casas.

É a impossibilidade de fuga diante da vida
É o pecado e a desolação do pecado
É a aceitação da tragédia e a indiferença ao degredo
Como negação do aniquilamento.

É uma rua como tantas outras
Com o mesmo ar feliz de dia e o mesmo desencontro de noite.
É a rua por onde eu passo a minha angústia
Ouvindo os ruídos subterrâneos como ecos de prazeres inacabados.
É a longa rua que me leva ao horror do meu quarto
Pelo desejo de fugir à sua murmuração tenebrosa
Que me leva à solidão gelada do meu quarto...

Rua da amargura...
1 190
Vinicius de Moraes

Vinicius de Moraes

O Poeta

A vida do poeta tem um ritmo diferente
É um contínuo de dor angustiante.
O poeta é o destinado do sofrimento
Do sofrimento que lhe clareia a visão de beleza
E a sua alma é uma parcela do infinito distante
O infinito que ninguém sonda e ninguém compreende.

Ele é o eterno errante dos caminhos
Que vai, pisando a terra e olhando o céu
Preso pelos extremos intangíveis
Clareando como um raio de sol a paisagem da vida.
O poeta tem o coração claro das aves
E a sensibilidade das crianças.
O poeta chora.
Chora de manso, com lágrimas doces, com lágrimas tristes
Olhando o espaço imenso da sua alma.
O poeta sorri.
Sorri à vida e à beleza e à amizade
Sorri com a sua mocidade a todas as mulheres que passam.
O poeta é bom.
Ele ama as mulheres castas e as mulheres impuras
Sua alma as compreende na luz e na lama
Ele é cheio de amor para as coisas da vida
E é cheio de respeito para as coisas da morte.
O poeta não teme a morte.
Seu espírito penetra a sua visão silenciosa
E a sua alma de artista possui-a cheia de um novo mistério.
A sua poesia é a razão da sua existência
Ela o faz puro e grande e nobre
E o consola da dor e o consola da angústia.

A vida do poeta tem um ritmo diferente
Ela o conduz errante pelos caminhos, pisando a terra e olhando o céu
Preso, eternamente preso pelos extremos intangíveis.
1 184
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

A TEMPLE

I have built my temple — wall and face —
Outside the idea of space,
Complex — built as a full-rigged ship;
I made its walls of my fears,
Its turrets many of weird thoughts and tears —
And that strange temple thus unfurled
Like a death's-head flag, that like a whip
Stinging around my soul is curled,
Is far more real than the world.
1 415
Carlos Figueiredo

Carlos Figueiredo

Eu, da Morte, quase não morro

Eu, da Morte, quase não morro.
Morro mais de mim que morro dela.

E em cada encruzilhada que me tem acontecido
eu me tenho visto
escolher caminho sempre aquele que a ela
torna mais fácil o mister que tem comigo.

1 188
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

A vida é triste. O céu é sempre o mesmo. A hora

A vida é triste. O céu é sempre o mesmo. A hora
Passa segundo nossa estéril, tímida maneira.
Ah não haver terraços sobre o impossível.
837
Carlos Figueiredo

Carlos Figueiredo

Cais é oferta da alma

Cais é oferta da alma
na noite.
Busca
ao estertor cavo
de navio
em ânsia de atracação.

1 058
Charles Bukowski

Charles Bukowski

O Que Estou Fazendo?

preciso parar de enfrentar esses corredores enlouquecidos na autoestrada enquanto
rugimos por aberturas estreitíssimas com estéreo ribombando sem parar
ao meio-dia e no entardecer e na escuridão
quando na verdade tudo que queremos é sentar em frescos jardins verdes
conversando calmamente com bebidas na mão.
o que nos faz ficar desse jeito? – unhas encravadas? – ou o fato de que as mulheres
não são suficientes? – que tolice nos faz beliscar o nariz da
Morte
continuamente?
será que temos medo do lento urinol? – ou de babar sobre ervilhas
malcozidas trazidas por uma enfermeira entediada com estúpidas
pernas grossas?
que temerário impulso estouvado nos faz pisar fundo com
uma só mão na direção?
não temos noção da paz de envelhecer
suavemente?
que maldito grito de guerra é esse?

nós somos os mais doentes da espécie – enquanto bons museus – a grande arte –
gerações de conhecimento – são todos esquecidos
enquanto vemos profundidade no fato de sermos
babacas –
vamos acabar virando
fotografias – quase em tamanho natural – penduradas
como advertência na
parede do Tribunal de Trânsito
e as pessoas vão estremecer só um pouquinho e
virar o rosto

sabendo que
ego demais não é
suficiente.
1 011
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Crer é errar. Não crer de nada serve.

Crer é errar. Não crer de nada serve.
1 580
Carlos Figueiredo

Carlos Figueiredo

Fosse o hálito dos tigres

Fosse o hálito dos tigres
bálsamo

e reconciliasse
a carne pântana
que recobre como fios de amianto
esse interior em que vive
estrangeiro de si mesmo
isso que parece ser o ser humano

E findasse esse exílio

799
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Pequena vida consciente, sempre

Pequena vida consciente, sempre
Da repetida imagem perseguida
Do fim inevitável, a cada hora
        Sentindo-se mudada,
E, como Orfeu volvendo à vinda esposa
O olhar algoz, para o passado erguendo
A memória pra em mágoas o apagar
        No baratro da mente.
1 367
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

THE WOMAN IN BLACK

I

My tale is simple, sad and brief -
As simple as all tales of grief,
As brief as all that is ours, though
It seem eternal to its woe;
No tale of glorious deeds or fair,
But one short poem of despair;
Dark as all things where man is caught
In the fine‑poisoned nets of thought.
Here is no flame of love's old fire,
Nor song of pent or free desire,
No thousand herses [?] fill its plan,
But it is centred round one man.
A man? A boy, if boyhood be
That where is sober misery.
About a boy all moves, an elf
Careless of happiness or pelf,
But fated to sing but himself.

I was not born to joy nor love.
The earth below, the sky above
Compel a sense within my soul
That deeply, heavily doth roll,
Like a tremendous, mystic sea
In lands where dreams alone can be;
A feeling that a sadness is,
Weeping in broken‑hearted bliss;
A sense that is a deep despair -
I know not why I should feel this
Before the things that are most fair.

Beauty is more than pleasure's joy:
That which must please is made to cloy,
And Nature cloys not with distaste
But gives a sorrow [?], as of past
Things whence the Present does inherit
Something where [...] is and deep
Beauty delicious in a sleep
That is half‑sadness to the spirit.

For Pleasure is not Joy - we know
Joy lives as sorrow in the heart;
One or the other lives; the dart
That Sorrow kills comes from Joy's bow.
Pleasure and distaste are not so.
Sorrow and Joy are as the strange
And unknown forms of life and change
That are ignored in depths of ocean:
Pure is the depth of their emotion.
Pleasure and Pain are not like these,
But as on surfaces of seas
The alternation of their motion
And shows of shifting without end.
Joy may like the sun's light transcend
The clouds of Pain; Pleasure may be
The face and look of Misery.

III

Ay, Nature chills me with deep fear,
For Nature, to my seeing, spent
With looking on my woes too near,
It is but Mystery eloquent.
The plainest stone, the simplest flower -
All have a meaning deep and vast,
Mocking their living of an hour.
But this significance, that hath past
So oft to poet’s song and word,
Makes them but madmen, even as I,
Speaking in outline [?] sense absurd
Strange thoughts for beings that must die.
But Man to me is dreader still,
The thing of thought, feeling and will,
Which is so dark unto mine eyes
That of the sense he calls his soul
- Let not of seeing speak the mole [?] -
I cannot dream to theorize.

For men, who have wrought creeds and codes
And guided nations by the roads
Of feeling and of speculation,
Have seen as much - nothing - as I
Into the world. All could perceive
That Nature aught doth signify:
Beyond this they could stop or rave.
Most raved and therefore could believe.

Yet I, naturally wrapt about,
Normally, as in feathers the bird,
With hesitation and with doubt,
Find all the world a thing absurd.
Because myself, a part of it,
Am an absurdity unfit.

Too young I learnt to reason coldly
And draw conclusions firmly, boldly,
From thoughts and facts to shatter creeds,
Careless of man's mendacious needs.
Preciseness cast in me the seeds
Of madness, and the soil was good
For that abnormal growth of pain
Whose flowers are red, colour of blood.

Too soon I learned to see too clear,
And therefore nothing now can capture
My heart, to which reasoning is rapture,
That sees night where most poets say
«'Tis day - I see it all - ­'tis day.ª
They sing of joy, T sing of fear.

Alas! Why should I stop thus long
Over the illness of my life,
That has Insanity for wife?
Turn I back with an impulse strong.
Leave I this shallowness and sing.
The deeper sorrow of my song.
1 635
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Pequena vida consciente

Pequena vida consciente
A quem outra persegue
A imagem repetida
Do abismo onde perdê-la.
1 404
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Tão pouco heráldica a vida!

Tão pouco heráldica a vida!
Tão sem tronos e ouropéis quotidianos!
Tão de si própria oca, tão do sentir-se despida
Afogai-me, ó ruído da acção, no som dos vossos oceanos!

Sede abençoados, (...) carros, comboios e trens
Respirar regular de fábricas, motores trementes a atroar
Com vossa crónica (...)
Sede abençoados, vós ocultais-me a mim...

Vós ocultais o silêncio real e inteiro da Hora
Vós despis de seu murmúrio o mistério
Aquele que dentro de mim quase grita, quase, quase chora
Dorme em vosso embalar férreo,

Levai-me para longe de eu saber que vida é que sinto
Enchei de banal e de material o meu ouvido vosso
A vida que eu vivo — ó (...) - é a vida que me minto
Só tenho aquilo que (...); só quero o que ter não posso.
938
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

FLASHES OF MADNESS — III

III.

        Eyes are strange things.
Meaning in them becomes life,
        Life in them has wings.

Look at me thus. Thy glance is mad and rare.
Thine eyes show deep and wild an inner strife.
        How they are more than Horror fair!
1 164
Carlos Drummond de Andrade

Carlos Drummond de Andrade

Pacto

Que união floral existe
entre as mulheres e Di Cavalcanti?
Se o que há nelas de fero ou triste
a ele se entrega, confiante?

Que chave lhe deram, em São Cristóvão,
para abrir a porta dos olhos,
— e no labirinto escuro se acendem
lumes de paixão, ignotos?

Quem lhe soprou a ciência plástica
de resumir em cor o travo
das mais ácidas, o mel intenso
das suburbanas, o peso imenso
de corpos que sonham dar-se?

E o que ele aprendeu do corpo
sem alma, porque toda a alma,
como uma víbora calma,
coleia na pele do rosto?

E essa pegajosa linguagem
de desejo a surdir da gruta,
e esse suspiro, ai Deus, telúrico,
de sangue moreno-sulfúrico?

É o Rio que, feito rio
de vivências, lhe flui nas tintas
de um calor pedindo nudez?
O engenho de cana avoengo,
a mastigar doçuras de vez?

São os instintos em grinalda,
num movimento lento e grave,
tão majestoso que a pintura antiga
explode nos jogos modernos
da angústia?

Tudo é pergunta, na criação,
e tudo canta, é boca,
no belveder dos sessenta anos,
entre nuvens escravas.
Multiamante,
Di Cavalcanti fez pacto com a mulher.
1 062
Gilka Machado

Gilka Machado

Chuva de Cinzas

Chuva de Cinzas

Chuva de cinzas...Cai a tarde lá por fora
na estática mudez da Terra triste e viúva;
e, da tarde ao cair, sinto, minha alma, agora,
embuça-se na cisma e no torpor se enluva.

Hora crepuscular, hora de névoas, hora
em que de bem ignoto o humano ser enviúva;
e, enquanto em cinza todo o espaço se colora,
o tédio, em nós, é como uma cinérea chuva.

Hora crepuscular - concepção e agonia,
hora em que tudo sente uma incerteza imensa,
sem saber se desponta ou se fenece o dia;

hora em que a alma, a pensar na inconstância da sorte,
fica dentro de nós oscilando, suspensa
entre o ser e o não ser, entre a existência e a morte.
(Velha Poesia, Ed.Baptista de Souza, Rio, 18965, pag.15)

2 397
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Ser feliz é um jugo, o ser grande

Ser feliz é um jugo, o ser grande
É uma servidão: tudo repugno
        Salvo esta majestade.
1 409
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

APOLLO UNTO NEPTUNE

Apollo unto Neptune said:
        «Come, I shall drink the sea!»
But Neptune laughed out like a lad
        In his boyish jollity,
And cried: «You would drink the earth, if you could,
        And infinity.»
And the poet the symbol who understood
        Felt his misery.
1 439
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Nem vã esperança vem, não anos vão,

Nem vã esperança vem, não anos vão,
Desesperança, Lídia, nos governa
        A consumanda vida.
Só espera ou desespera quem conhece
Que há que esperar. Nós, no labento curso
        Do ser, só ignoramos.
Breves no triste gozo desfolhamos
Rosas. Mais breves que nós fingem legar
        A comparada vida.
1 444
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

E eu que estou bêbado de toda a injustiça do mundo...

E eu que estou bêbado de toda a injustiça do mundo...
— O dilúvio de Deus e o bebé loirinho boiando morto à tona de água,
Eu, em cujo coração a angústia dos outros é raiva,
E a vasta humilhação de existir um amor taciturno —
Eu, o lírico que faz frases porque não pode fazer sorte,
Eu, o fantasma do meu desejo redentor, névoa fria —

Eu não sei se devo fazer poemas, escrever palavras, porque a alma —
A alma inúmera dos outros sofre sempre fora de mim.

Meus versos são a minha impotência.
O que não consigo, escrevo-o;
E os ritmos diversos que faço aliviam a minha cobardia.

A costureira estúpida violada por sedução,
O marçano rato preso sempre pelo rabo,
O comerciante próspero escravo da sua prosperidade
— Não distingo, não louvo, não (...) —
São todos bichos humanos, estupidamente sofrentes.

Ao sentir isto tudo, ao pensar isto tudo, ao raivar isto tudo,
Quebro o meu coração fatidicamente como um espelho,
E toda a injustiça do mundo é um mundo dentro de mim.

Meu coração esquife, meu coração (...), meu coração cadafalso —
Todos os crimes se deram e se pagaram dentro de mim.

Lacrimejância inútil, pieguice humana dos nervos,
Bebedeira da servilidade altruísta,
Voz com papelotes chorando no deserto de um quarto andar esquerdo...
1 575
Fiama Hasse Pais Brandão

Fiama Hasse Pais Brandão

Nada tão silencioso como o tempo

Nada tão silencioso como o tempo
no interior do corpo. Porque ele passa
com um rumor nas pedras que nos cobrem,
e pelo sonoro desalinho de algumas árvores
que são os nossos cabelos imaginários.
Até nas íris dos olhos o tempo
faz estalar faíscas de luz breve.

Só no interior sem nome do nosso corpo
ou esfera húmida de algum astro
ignoto, numa órbita apartada,
o tempo caladamente persegue
o sangue que se esvai sem som.
Entre o princípio e o fim vem corroer
as vísceras, que ocultamos como a Terra.

Trilam os lábios nossos, à semelhança
das musicais manhãs dos pássaros.
Mesmo os ouvidos cantam até à noite
ouvindo o amor de cada dia.
A pele escorre pelo corpo, com o seu correr
de água, e as lágrimas da angústia
são estridentes quando buscam o eco.

Mas não sentimos dentro do coração que somos
filhos dilectos do tempo e que, se hoje amamos,
foi depois de termos amado ontem.
O tempo é silencioso e enigmático
imerso no denso calor do ventre.
Guardado no silêncio mais espesso,
o tempo faz e desfaz a vida.
2 200