Poemas neste tema

Paixão

Fernando José dos Santos Oliveira

Fernando José dos Santos Oliveira

Despedida

Despedida

Prometi separar
lápis do papel
mas, derradeiro,
fui fel.
No meu traço
usei feia cor.

Permita deixar
este canto,
este hino:
sou homem,
menino,
e se desafino...
é coisas do amor.

Um dia te pego
te arrasto prum canto
(não venhas com pranto
de medo ou de dor).
Te encosto à parede,
aplaco esta sede,
e, em lágrimas, confesso
o apaixonado que sou.

Amigos só?! Não
(se bem que assim
retorno à paz)
Mas pensa, concede,
um tantinho assim,
um pouquinho só,
ser só um pouquinho mais.

883
Adélia Prado

Adélia Prado

Branco E Branco

Fervor, afoiteza, beco estreito,
menino com menina,
flores chamadas lírios,
dente novo mordendo talo verde,
como se o sangue deles fosse branco.
1 169
Asta Vonzodas

Asta Vonzodas

Som de mulher

Os olhos são o espelho da alma.
E se isso, verdade é,
deixe-os serem a janela,
e veja por um instante
minha alma de mulher.

Vê a borboleta
que em doces volteios
acaricia suave, seus cabelos?

São meus dedos.

Feche os olhos e sinta.
Ao som suave da brisa,
minhas carícias que
vão lhe envolvendo.

Sinta o toque na pele,
que traçando seu rosto
vai descendo mansinho
em direção ao seu peito.

São meus beijos.

Sente o roçar pela cintura,
como asas de libélula voejando?
É minha língua.
Vou adentrando.

Das vestes, já liberto,
sinta o tempo de agosto
que vai molhando seu corpo.

Estou provando seu gosto.

Segure de leve, pressionando,
minhas ancas
transformadas em rédeas,
enquanto vou cavalgando.

Fica assim...
Parado a sentir
o veludo úmido lhe envolvendo.

Você está dentro de mim.

Rápido...
Vem comigo!
Vamos chegar ao fim...

Agora abra lentamente seus olhos.
Sinta a vida transformada
em seiva que de seu corpo flui.

Não me procure.
Como a tarde dessa primavera

Eu já fui...

1 143
Paulo Netho

Paulo Netho

Olhos nus

Seu corpo nu
meus olhos vestidos
seu corpo nu
meus olhos enlouquecidos
seu corpo vestido
meus olhos nus.

1 073
Liz Christine

Liz Christine

Chuva

chove
lá fora
me fode
agora
com amor
sem pudor
barulho que cai
a gota me atrai
molhados
chovendo
pelo prazer
apaixonados
continue a fazer

e chove
trovão
e fode
paixão
e chove
na rua
me fode
estou nua

e chove
tira a meia
e fode
me despenteia
e chove molhado
seu pé está gelado
chega de prosa
você me aquece
vai, enlouquece
vem e goza

1 301
Adélia Prado

Adélia Prado

Jejum Quaresmal

O relógio bate, meu Deus,
como quem sabe o que faz.
Está com fome o relógio.
Eu também, querendo comer do prato
onde comem os santos
Vossa vontade esdrúxula e desumana,
eu que, só em tendo feijão e batatas,
me sinto no Vosso colo.
Fantasias de privação me atrasam a santidade,
pois a via que entendo é oferecer-Vos
à cruenta paixão minha colher de açúcar.
1 255
Jorge de Sousa Braga

Jorge de Sousa Braga

Escalada

Chamar-te colibri sussurrar-te
ao ouvido coisas acidas e ternas
Morder-te no pescoço, nos ombros, nas nadegas
Sentir a humidade entre as tuas pernas

Selar-te as palpebras com saliva
enquanto gritas que me odeias e me amas
as minhas mãos numa roda viva
entre as tuas nádegas e as tuas mamas

A minha língua, a tua língua o meu
pénis, o teu clitóris, a minha língua
o teu clitóris, o meu pénis, a tua língua

De joelhos como se implorasse
Enterra-lo bem fundo entre as tuas pernas
Deixar que um raio nos trespasse.

2 223
Nálu Nogueira

Nálu Nogueira

Duplar

eu e você
deixar a boca
resvalar para
a outra boca
no beijo úmido
intenso, ávido

duplar
eu e você
em par
em perna
em mão
em coração batendo
lírico, lúcido
ímpeto
de estar
de entrar
sair
ficar
entrar
gozar
em par

duplar
em voz
em beijo sôfrego
em língua úmida
nos seios túrgidos
duplos
pêssegos
bicos tépidos

duplar
em olhos cúmplices
em mãos de artífice
na pele ardente
nas mucosas cálidas
límpidas, púrpuras
em pernas escancaradas
envolventes
sobre
as costas pálidas

duplar
eu em você
em secreções, saliva
você em mim
em contrações
espamos
múltiplos
nós dois
como um barco
à deriva
sem hora ou
lugar
para chegar

duplar
eu em você
você em mim
ávidos
máximos
gozar
em par
de modo ímpar
até ficarmos
fartos
cansados
tontos
de orgasmos
múltiplos
tantos
únicos

duplar
eu em você
dormir
e nem perceber
o corpo
sorrir.

940
Isabel Machado

Isabel Machado

Diz

Sim... pode falar...
fale de paixão
fale de tesão
fale do teu jeito
que não é maldito
fale sussurrando tudo
ao meu ouvido
como um zumbido
de prazer...

Diga... diga que está apaixonado
diga que és o meu amado
desde outra vida
e que nada será violado
além da paixão
e que sempre haverá o cuidado
de nos pertencer...
... proteção...

Diz... diz que desejas o meu último sorriso
diz tudo aquilo que eu preciso
diga o que quer
e o que não quer
teu coração...
é tudo permitido
êxtase de emoção.

1 098
Isabel Machado

Isabel Machado

Secundário

No círculo
dos quatro cantos
no meio, nós
somos dois ou um?
Abrimos os corpos
as pernas, a vida
adentram os poros
a seiva
a cada subida
e cada entrega
rega
o suor de orgasmos
múltiplos
sem clímax...
O poder do toque
nas mãos
não qualquer um
mas aquele
não qualquer língua
mas a sua
não qualquer sexo
mas o tanto
possante que me adentra
saliva que alimenta
o gozo
extraordinário
que torna o auge
do ato
um ato
secundário

1 064
Isabel Machado

Isabel Machado

Bis

Da base ao topo
deslizantes areias
uma cama de teias
de aranhas
e manhas.
E a manhã escondida
por detrás da cortina
permitiu meia-luz
ante dois corpos nus.
Despidos do dia
entregues à euforia
de fazer chorar
Imersos em bocas
sussurros e roucas
palavras de amar
A língua percorre
o habitat natural
em doses perfeitas
de açúcar e sal
Adentra profundo
arromba as entranhas
teu sexo um mundo
fecundo...

Cravada em teu corpo
como em sonhos te quis
pensamento segreda:
- quero bis...

1 132
Newton de Lucca

Newton de Lucca

No rimar da sedução

Os meus medos –
perdidos nas delícias
de tua fruta

Os meus dedos –
nas carícias envolvendo
teus receios

Meu desejo firme
como rocha
no pleonasmo sem fim
de tua gruta

E ainda por cima
de sobra a minha língua
depositada sempre nas últimas sílabas
de teus anseios...

1 185
Isabel Machado

Isabel Machado

Inevitável

Inevitável foi o toque
a procura
a consumação da loucura
a transformar nós dois
em um.
Nada foi comum
Tudo foi vital
anormal...
dentro da normalidade contida
no ato.
Inevitável foi o tato
e meus seios foram teus
... tudo... o corpo todo
sentiu-te em gula
nas entranhas
nas loucas manhas
da manhã-festim...

Inevitável
tatear-me em falso
pra sentir-te pleno
em mim...

939
Levi Bucalem Ferrari

Levi Bucalem Ferrari

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Vera tira a blusa atira a tiara na cara vira abusa da bunda deveras abundante paraíso vem para isso virada vem sem anda devora vara vera de tantas taras odaras que adoras por isso para com isso deusmônio atômico me veja atônito vera tônico tonico apara os cabelos de vera viagem astronteante neón de galáxias sem órbitas senhora de oras bolas argolas colchões de molas viche viajantes nas eras errantes teus lábios teus dentes por lares nunca dantes novelados se eras distante hera do húmus do hímem da terra do homem navegante pelos pelos de vera gata vera mata maltrata na terra na mata no anúncio da lata vera deusa latejante de tantas e várias varas vorazes e vídeos cacetes e ais austrais ai de quem jaz atrás de retos atrozes elegantes retro escavadeiras elefantes toda tua nudez será lambida gigantemente lambuzada vai irmão toma esse avião no chão no meio do salão dentro do seu coração na mão na mente ilusão panta fatal fantasia ponta cruel de ir ou não ia ai nave do sonho vera fraulein antes que algum verdureiro alface faça na face da vera no meio do seio de fada faminta aventura vício ventura virtude fortuna delícia de cio ciciando eine kleine fishermusik de pé de ré sem dó vera devoramifasolasi.

822
Fernando Correia Pina

Fernando Correia Pina

A um peido durante o coito

Cagou-se a mulher que eu mais amava
quando a paixão se estava a consumar,
Cupido largou setas e aljava,
recolheu-se ao Olimpo a praguejar.

Sobre o leito do Amor quis o destino,
vibrando um golpe baixo e imoral,
que mais pudesse o fétido intestino
que o vigoroso instinto sexual.

Fez-se o chouriço então em farinheira,
onde havia suspiros houve risada,
a cona se fechou muito fagueira,

o caralho murchou à gargalhada
e a seus males juntou mais um achaque -
a impotência que lhe deu um traque.

1 545
Djalma Filho

Djalma Filho

Entre lençóis

Envoltos pela névoa de linho
os amantes se olham
indescobertos...

Envoltos por sins e temores
os amantes se tocam
cautelosamente...

Envoltos por olhos ardentes...
os amantes se desejam
misteriosamente...

Envoltos... no quarto fechado
há um não sobrar de
espaço para dois

As palavras sussurram delicadamente
prazeres inconfessáveis e não ditos
Mãos espalmadas em busca de espaço
desafiando as leis da física...
Pernas, ora trançadas ora retesadas...
querendo quebrar todos os limites
Bocas em beijos, em cada milímetro...
engolindo toda a possível resistência

Entre lençóis,
os amantes se esquecem
eternamente do tempo ...

Para quê tempo?
se, entre lençóis, eles
vivem tão intensamente?...

E... bem cá entre nós
- Para quê mais os lençóis?...

926
Djalma Filho

Djalma Filho

Eclipse

Vem
menina vadia
te darei o meu dia
te farei sol nascer

Vem
menina moleca
te farei uma festa
te darei meu prazer

Vem
menina dengosa
te encantarei formosa
te enfeitarei com meu ser

Vem em ti
todas as meninas carentes
todas as mulheres santas
todos os amores proibidos
todas amantes desvairadas

Dispa
em definitivo teus pudores
deflore toda tua nudez
que arde... agora afoita
em avalanche de néctar

Abrace-me
sem culpas nem escrúpulos
penetre nessa loucura
que arde... agora ereto
vermelho a te querer

Fique-me
em eclipse... em
superposições de sóis
querendo e ardendo
definitivamente nós!!!

1 006
Norival Vieira da Silva

Norival Vieira da Silva

Gatinha

Toda ela encantadora produzida,
de seda coberta aos pés todo encoberta,
nas sem calcinha muito sedutora
com a camisola entreaberta.
Dos olhos saem chispas de desejo,
os lábios úmidos odor a exalar
de fêmea sedutora e carinhosa,
mas com a alma de mulher a excitar.
Coloca-se de quatro, qual gatinha
meiga, carinhosa, toda de desejo,
ela me chama e diz que é toda minha.
E no seu lugarzinho tão querido
ela pede que estocada seja dada
e se desmancha num doce gemido.

975
Djalma Filho

Djalma Filho

Ainda os lençóis

Lençóis abaixo
Lençóis acima
Trocentas diversões
Meu traço risca teu
espaço em voz e direção
Meu corpo encurva
e te submete a mais
uma exploração...

Lençóis abaixo
Lençóis acima
Perco o diapasão
Há um afinar de
corpos pelo ouvido
Quero te ouvir sempre
em movimentos entônicos
de orgasmos

Lençóis abaixo
Lençóis acima
Caio de quatro
Percebo no ato o
penetrar manso
Estou alucinado
pelos movimentos sutis
de descobertas

Lençóis abaixo
e acima...
estou em ti...
como voraz os pés
da cama...
e a teus pés eu
declamo
harmonias loucas
perdidas e lúcidas
já sem lençóis,
sanidade
ou sensatez.

808
João Silva Maia

João Silva Maia

Virtualidade

"Rends-moi fou, mon amour",
dizia o ardente gaulês
contemplando a lasciva nudez
da opulenta e enfática morena.
"Te quiero todo ahora mismo",
clamava ela olhando de perfil
e sem pudor a postura viril
daquele homem que valia a pena.

Foi-se abaixo a luz na rede de repente,
o que quando a paixão é carnal
costuma ser augúrio de bom sinal.
Só que neste caso infelizmente
ficou tudo errado, tudo mal,
porque os amantes eram de realidade virtual.

791
Fernando Mendes Vianna

Fernando Mendes Vianna

Iniciação

Teu fígado certo
inundarei de álcool.
Tua unha clara
sujarei de sangue.

No teu ventre puro
plantarei dez árvores.
No teu peito liso
agitarei as águas.

Em teu olhar gramado
cavarei uma vala,
e nesse longo sulco
sepultarei teu príncipe.

Rasgarás tuas sedas
e vestirás teu corpo.
Esquecerás tua mãe,
tua melhor amiga
e a oração ao anjo da guarda.

E me adorarás.

1 046
Ernesto de Melo e Castro

Ernesto de Melo e Castro

Hermafrodita

De Hermes e de Afrodite o filho esbelto e amado,
de Salmacis oscula o corpo melodioso,
e a ninfa treme e ondeia o moço deslumbrado,
com um prazer que chega até a ser doloroso...

Ela – dócil, a arfar, como, ao vento, as searas...
Ele – forte, a arquejar, como, com cio, um touro...
O cabelo da ninfa inunda as duas caras,
e há beijos musicais sob essa chuva de ouro...

Enleandos um ao outro, a asa de uma mosca
não caberia não! entre esses corpos belos,
que se enroscam, sensuais, febris, como se enrosca
no tronco a vide em flor, e a hera nos castelos.

Dos dois corpos a união, entre lascivos ais,
cada vez, cada vez se torna mais completa,
e aquelas coxas cada vez se agitam mais:
uma brancas, de luar, outras rijas, de atleta...

Num doido frenesi, entrar parecem querer
ela – no corpo dele, ele – no corpo dela!
Choram, gemem, dão ais... e no auge do prazer,
começam a gritar para o céu que se estrela:

– «Ó deuses! atendei esta súplica ardente:
se é verdade que ouvis as vozes que vos chamam,
os nossos corações, fundi-os num somente,
fundi num corpo só nossos corpos que se amam!»

Chegou ao vasto Olimpo a rogativa louca;
e Zeus, o grande Zeus, cuja força é infinita,
as duas bocas transformou numa só boca,
e dos dois corpos fez um só: HERMAFRODITA!

1 784
Francisco Moniz Barreto

Francisco Moniz Barreto

Improviso

Ver... e do que se vê logo abrasado,
Sentir o coração de um fogo ardente,
De prazer um suspiro de repente
Exalar, e após ele um ai magoado!

Aquilo que não foi ainda logrado,
Nem o será talvez, lograr na mente;
Do rosto a cor mudar constantemente,
Ser feliz e ser logo desgraçado;

Desejar tanto mais quão mais se prive,
Calmar o ardor que pelas veias corre,
Já querer, já buscar que ele se ative;

O que isto é, a todos nós ocorre:
—Isto é amor, e deste amor se vive!
—Isto é amor, e deste amor se morre!

527
Fausto Costa

Fausto Costa

Poluição Noturna

Ela corre sóbria
no meu corpo ébrio,
Enquanto cambaleio excitado
no seu ventre molhado. Sonho.

Calmo momento, desse amor a mil
silhueta estampada na cortina.
Essa menina, furacão e mulher,
ondula as águas serenas do meu fogo.

O inesgotável prazer não nos
assusta e sim completa-nos.
Tudo lindo nesse instante,
Onde os amantes se procuram.

Quando os beijos se completam,
Nossas mãos se entrelaçam,
nossas línguas se enroscam.
No ápice do amor,
Eu acordo para a realidade de nossa
distância.

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