Poemas neste tema

Amor Romântico

José Saramago

José Saramago

Nesta Esquina do Tempo

Nesta esquina do tempo é que te encontro,
Ó nocturna ribeira de águas vivas
Onde os lírios abertos adormecem
A mordência das horas corrosivas.

Entre as margens dos braços navegando,
Os olhos nas estrelas do teu peito,
Dobro a esquina do tempo que ressurge
Da corrente do corpo em que me deito

Na secreta matriz que te modela,
Um peixe de cristal solta delírios
E como um outro sol paira, brilhando,
Sobre as águas, as margens e os lírios
1 668
João Airas de Santiago

João Airas de Santiago

Amigo, Quando Me Levou

Amigo, quando me levou
mia madr', [a] meu pesar, daqui,
nom soubestes novas de mi,
e por maravilha tenho
por nom saberdes quando vou
nem saberdes quando venho.

Pero que vos [ch]amades meu
amigo, nom soubestes rem
quando me levarom daquém,
e maravilho-me ende
por nom saberdes quando m'eu
venh'ou quando vou daquende.

Catei por vós quand'a partir-
-m'houve daqui e pero nom
vos vi nem veestes entom,
e mui queixosa vos ando
por nom saberdes quando m'ir
quer'ou se verrei já quando.

E por amigo nom tenho
o que nom sabe quando vou
nem sabe quando me venho.
520
João Airas de Santiago

João Airas de Santiago

O Meu Amigo Novas Sabe Já

O meu amigo novas sabe já
daquestas cortes que s'ora fará[m],
ricas e nobres dizem que serám,
e meu amigo bem sei que fará
       um cantar em que dirá de mim bem;
       ou o fará ou já o feito tem.

Loar-mi-á muito e chamar-mi-á senhor,
ca muit'há gram sabor de me loar;
a muitas donas fará gram pesar,
mais el fará, com'é mui trobador,
       um cantar em que dirá de mim bem;
       ou o fará ou já o feito tem.

En'aquestas cortes que faz el-rei
loará mim e meu [bom] parecer
e dirá quanto bem poder dizer
de mim, amigas, e fará, bem sei,
       um cantar em que dirá de mim bem;
       ou o fará ou já o feito tem.

Ca o virom cuidar, e sei eu bem
que nom cuidava já em outra rem.
487
Essex Hemphill

Essex Hemphill

Casamento americano

Na América,
eu ponho meu anel
no seu pau
que é o lugar dele.
Nenhum cavaleiro
trazendo o terror
ou soldado apocalíptico
há de chegar
e chagar nossa união.
Eles estão ocupados
demais pilhando
a terra para nos ver.
Eles não sabem
que nos precisamos
criticamente.
Esperam que tiremos licença médica,
fiquemos a noite toda perante a TV,
morramos por nossas próprias mãos.
Eles não sabem
que estamos reunindo forças.
A cada beijo
confirmamos o novo mundo.
O que a rosa sussurra
antes de abrir
prometo a você.
Eu dou a você meu coração,
uma casa segura.
Eu dou a você promessas outras que
leite, mel, liberdade.
Eu presumo que você sempre
será um homem livre com um sonho.
Na América,
eu coloco o seu anel
no meu pau
que é o lugar dele.
Que vivamos muito
para libertar este sonho.
(tradução de Ricardo Domeneck)
:
American Wedding
Essex Hemphill
In America,
I place my ring
on your cock
where it belongs.
No horsemen
bearing terror,
no soldiers of doom
will swoop in
and sweep us apart.
They’re too busy
looting the land
to watch us.
They don’t know
we need each other
critically.
They expect us to call in sick,
watch television all night,
die by our own hands.
They don’t know
we are becoming powerful.
Every time we kiss
we confirm the new world coming.
What the rose whispers
before blooming
I vow to you.
I give you my heart,
a safe house.
I give you promises other than
milk, honey, liberty.
I assume you will always
be a free man with a dream.
In America,
place your ring
on my cock
where it belongs.
Long may we live
to free this dream.
.
.
.
835
José Saramago

José Saramago

Medusas

Tentaculada e branca, morta já,
A medusa apodrece,
Veio na onda maior que se espraiou.
Na areia, onde ficou,
A gelatinosa massa fosforesce.

O orgasmo funde dois corpos ali perto,
E do comum suor,
Do brilho fosco que da pele lhes irradia,
A noite faz, recria,
Medusa viva, renovado amor.
1 088
João Airas de Santiago

João Airas de Santiago

Meu Amigo, Vós Morredes

Meu amigo, vós morredes
porque vos nom leixam migo
falar e moir'eu, amigo,
por vós e, fé que devedes,
       algum conselh'i hajamos
       ante que assi moiramos.

Ambos morremos, sem falha,
por quanto nós nom podemos
falar e, pois que morremos,
amigo, se Deus vos valha,
       algum conselh'i hajamos
       ante que assi moiramos.

De mia madr'hei gram queixume
porque nos anda guardando
e morremos i cuidando;
ai meu amig'e meu lume,
       algum conselh'i hajamos
       ante que assi moiramos.

E por que o nom guisamos,
pois nós tant'o desejamos?
638
José Saramago

José Saramago

Labirinto

Em mim te perco, aparição nocturna,
Neste bosque de enganos, nesta ausência,
Na cinza nevoenta da distância,
No longo corredor de portas falsas.

De tudo se faz nada, e esse nada
De um corpo vivo logo se povoa,
Como as ilhas do sonho que flutuam,
Brumosas, na memória regressada.

Em mim te perco, digo, quando a noite
Vem sobre a boca colocar o selo
Do enigma que, dito, ressuscita
E se envolve nos fumos do segredo.

Nas voltas e revoltas que me ensombram,
No cego tactear de olhos abertos,
Qual é do labirinto a porta máxima,
Onde a réstia de sol, os passos certos?

Em mim te perco, insisto, em mim te fujo,
Em mim cristais se fundem, se estilhaçam,
Mas quando o corpo quebra de cansado
Em ti me venço e salvo, me encontro em ti.
2 180
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

Amor da Palavra, Amor do Corpo

a Maria Aliete Galhoz


A nudez da palavra que te despe.
Que treme, esquiva.
Com os olhos dela te quero ver,
que te não vejo.
Boca na boca através de que boca
posso eu abrir-te e ver-te?
É meu receio que escreve e não o gosto
do sol de ver-te?
Todo o espaço dou ao espelho vivo
e do vazio te escuto.
Silêncio de vertigem, pausa, côncavo
de onde nasces, morres, brilhas, branca?
És palavra ou és corpo unido em nada?
É de mim que nasces ou do mundo solta?
Amorosa confusão, te perco e te acho,
à beira de nasceres tua boca toco
e o beijo é já perder-te.
714
Vasko Popa

Vasko Popa

- Sob o sol

É maravilhoso tomar sol nu
Nunca liguei para a carne
Esses trapos tampouco me envolveram
Enlouqueço por ti assim nu
Não deixes que o sol te acaricie
É melhor que nós nos amemos
Não aqui não aqui sob o sol
Aqui tudo se vê osso querido
726
João Airas de Santiago

João Airas de Santiago

O Voss'amig'há de Vós Gram Pavor

O voss'amig'há de vós gram pavor,
ca sab'el que vos fazem entender
que foi, amiga, de vós mal dizer;
mais voss'amigo diz end'o melhor:
       que, de quanto disse de vós e diz,
vó'lo julgad'assi come senhor;
       ca diz que nom quer i outro juiz.

Queixades-vos del, mais, se Deus quiser,
saberedes, a pouca de sazom,
que nunca disse de vós se bem nom,
nem dirá, mais diz quant'i há mester:
       que, de quanto disse de vós e diz,
vó'lo julgade como vos prouguer;
       ca diz que nom quer i outro juiz.

Rogou-m'el muito que vos jurass'eu
que nunca disse de vós senom bem,
nen'o dirá, e ar diz outra rem,
e nom há mais que diga, cuido-m'eu:
       que, de quanto disse de vós e diz,
vós julgad'i o voss[o] e o seu;
       ca diz que nom quer i outro juiz.

Filhad'o seu preito, como [el] diz,
sobre vós, e conselho-vo-lo eu,
e nom ponhades i outro juiz.
305
João Airas de Santiago

João Airas de Santiago

O Meu Amigo, Que Xi M'assanhou

O meu amigo, que xi m'assanhou
e que nom quer já comigo falar,
se cuidou el que o foss'eu rogar,
se lh'eu souber que o assi cuidou,
       farei que em tal coita o tenha
       por mi amor que rogar me venha.

E pois que o meu amigo souber
que lh'esto farei, nom atenderá
que o eu rogue, mais logo verrá
el rogar a mi e, se end'al fezer,
       farei que em tal coita o tenha
       por mi amor que rogar me venha.

Nem haverá meu amigo poder
de nulha sanha filhar contra mi
mais que eu nom quiser que seja assi,
ca, se doutra guisa quiser fazer,
       farei que em tal coita o tenha
       por mi amor que rogar me venha.
580
Herberto Helder

Herberto Helder

I B

Nas mãos um ramo de lâminas.
Cada palavra tem mais à frente o lado escuro,
mais noutra posição armada, as suas
zonas últimas
— ofertas do amor: a morte
e a homenagem.
1 044
João Airas de Santiago

João Airas de Santiago

Entend'eu, Amiga, Per Boa Fé

Entend'eu, amiga, per boa fé,
que havedes queixum', u al nom há,
de voss'amigo, que aqui está,
e el de vós, [e] nom sei por que é,
       mais quero-vos ora bem conselhar:
       fazed'i ambos o que eu mandar.

E, amiga, de pram, u nom jaz al,
este preito deve-se de fazer,
ca vos vejo del gram queixum'haver
e el de vós, e tenho que é mal;
       mais quero-vos ora bem conselhar:
       fazed'i ambos o que eu mandar.

Sanha d'amigos é, nom será bem,
e sei que faredes end'o melhor,
pero vejo-vos haver desamor
del, amiga, e esto nom convém;
       mais quero-vos ora bem conselhar:
       fazed'i ambos o que eu mandar.

E mal [l]h'en venh'a quem nom outorgar
antre vós ambos o que eu mandar.
650
João Airas de Santiago

João Airas de Santiago

Meu Amigo, Quero-Vos Preguntar

- Meu amigo, quero-vos preguntar.
- Preguntade, senhor, ca m'[é] en bem.
- Nom vos há mester de mi rem negar.
- Nunca vos eu, senhor, negarei rem.
       - Tantos cantares por que fazedes?
       - Senhor, ca nunca mi escaecedes.

- Preguntar-vos quero, per bõa fé.
- Preguntade, ca hei en gram sabor.
- Nom mi neguedes rem, pois assi é.
- Nunca vos rem negarei, mia senhor.
       - Tantos cantares por que fazedes?
       - Senhor, ca nunca mi escaecedes.

- Nom vos pês de qual pregunta fez[er].
- Nom, senhor, ante vo-lo gracirei.
- Nem m'ar neguedes o que vos disser.
- Nunca vos eu, senhor, rem negarei.
       - Tantos cantares por que fazedes?
       - Senhor, ca nunca mi escaecedes.

- [E] este bem por mi o fazedes?
- Por vós, mia senhor, que o valedes.
608
Cândido Rolim

Cândido Rolim

Resíduos

a lágrima é um ápice
a réstia um âmbito

a morte é um ritmo
o corpo uma oferenda

o beijo é uma núpcia
efêmera

962
Carlos Drummond de Andrade

Carlos Drummond de Andrade

A Língua Girava No Céu da Boca

A língua girava no céu da boca. Girava! Eram duas bocas, no céu único.
O sexo desprendera-se de sua fundação, errante imprimia-nos seus traços de cobre. Eu, ela, elaeu.
Os dois nos movíamos possuídos, trespassados, eleu. A posse não resultava de ação e doação, nem nos somava. Consumia-nos em piscina de aniquilamento. Soltos, fálus e vulva no espaço cristalino, vulva e fálus em fogo, em núpcia, emancipados de nós.
A custo nossos corpos, içados do gelatinoso jazigo, se restituíram à consciência. O sexo reintegrou-se. A vida repontou: a vida menor.
1 323
Cid Teixeira de Abreu

Cid Teixeira de Abreu

Soneto de Amor

o meu amor é só. como as gaivotas,
criei-o na aurora dos rochedos,
acima da impotência dos enredos,
na trilha insondável de outras rotas.

meu amor é meu ser e meus segredos,
a virtude trincada de revoltas.
se não há o querer de eras remotas,
ausência também há de velhos medos...

e cibório de nervos e memória
tensa, coberta de sangue — oh granito!
dólmans brancos nas páginas da história.

o meu amor... quem sabe compreendê-lo,
se a própria alma, na angústia do infinito,
é chama e cinza, é ternura e gelo?!...

1 073
Carlos Drummond de Andrade

Carlos Drummond de Andrade

Adeus, Camisa de Xanto

Pobre camisa, chora...
Eugénio de Castro, “A camisa de Xanto”


Adeus, camisa de Xanto!
Adeus, camisa de Vênus!
O sêmen fluiu. Nem pranto
nem riso. Estamos serenos.
Baixou a noite seu manto
sobre a cansada virilha.
(Sexo e noite formam ilha.)
Adeus, camisa de Vênus,
adeus, camisa de Xanto!
Já gozamos. Já morremos.
E o tempo masca, em seu canto,
a garupa da novilha.
Que graça mais andarilha
tinhas na cama. Eram fenos
roçados num acalanto.
Era a fava da baunilha
que se abria num momento
e que se cerrava: trilha
do demônio ao lugar santo.
Era um desmaio na orilha
da praia de gozo e espanto.
Adeus, camisa de Xanto,
renda de calça, presilha.
Adeus, peiticos morenos,
e o que brilhava e não brilha
no mais úmido recanto.
Adeus, camisa de Vênus,
amargo caucho, pastilha,
que de tudo nem ao menos
(seria tão bom, no entanto)
ficou um filho, uma filha.
Adeus, camisa de Xanto!
1 265
João Airas de Santiago

João Airas de Santiago

Que Mui Leda Que Eu Mia Madre Vi

Que mui leda que eu mia madre vi
quando se foi meu amigo daqui,
e eu nunca fui leda nem dormi,
       amiga, depois que s'el foi daquém;
       e ora já dizem-mi del que vem,
       e mal grad'haja mia madre por en.

Ela foi [mui] leda, poilo viu ir,
e eu mui triste, poilo vi partir
de mi, ca nunca mais pudi dormir,
       amiga, depois que s'el foi daquém;
       e ora já dizem-mi del que vem
       e mal grad'haja mia madre por en.

De[s] quando s'el foi daqui a [e]l- rei,
foi mia madre mui led[a], e[u] o sei,
[e] eu fui [mui] triste sempr'e chorei,
       amiga, depois que s'el foi daquém;
       e ora já dizem-mi del que vem
       e mal grad'haja mia madre por en.
550
João Airas de Santiago

João Airas de Santiago

Diz Meu Amigo Tanto Bem de Mi

Diz meu amigo tanto bem de mi
quant'el mais pod'e de meu parecer,
e os que sabem que o diz assi
têm que hei eu que lhi gradecer;
       em quant'el diz, nom lhi gradesc'eu rem,
       ca mi sei eu que mi paresco bem.

Diz-mi fremosa e diz-mi senhor,
e fremosa mi dirá quem me vir,
e têm que mi faz mui grand'amor
e que [eu] hei muito que lhi gracir;
       em quant'el diz, nom lhi gradesc'eu rem,
       ca mi sei eu que mi paresco bem.

Diz muito bem de mim em seu trobar
com gram dereit', e al vos en direi:
têm bem quantos me lh'oem loar
que eu muito que [lhi] gradecer hei;
       em quant'el diz, nom lhi gradesc'eu rem,
       ca mi sei eu que mi paresco bem.

Ca, se eu nom parecesse mui bem,
de quant'el diz non'[o] diria rem.
304
Herberto Helder

Herberto Helder

I H

Beleza ou ciência: uma nova maneira súbita
— os frutos unidos à sua árvore,
precipícios,
as mãos embriagadas.
E os animais aprofundam-se, encurvam-se os dias,
as pêras brilham,
o teu vestido é grande se te olho devagar.
O teu corpo transmite-se ao vestido.
Penso na glória do teu corpo.
E inclina-se a luz até os dias caírem dentro dos dias invisíveis.
Aterra move-se sobre os lados, ensinas-me
o que não saberei nunca:
a água ronda.
Dentro de uma zona aberta com muita força:
música,
o exercício de uma palavra maior que as outras todas,
e a minha idade — ciência tão mortal onde és
absoluta.
1 064
Carlos Drummond de Andrade

Carlos Drummond de Andrade

Sem Que Eu Pedisse, Fizeste-Me a Graça

Sem que eu pedisse, fizeste-me a graça
de magnificar meu membro.
Sem que eu esperasse, ficaste de joelhos
em posição devota.
O que passou não é passado morto.
Para sempre e um dia
o pênis recolhe a piedade osculante de tua boca.

Hoje não estás nem sei onde estarás,
na total impossibilidade de gesto ou comunicação.
Não te vejo não te escuto não te aperto
mas tua boca está presente, adorando.

Adorando.

Nunca pensei ter entre as coxas um deus.
1 391
João Airas de Santiago

João Airas de Santiago

Amigo, Veestes-M'um Di'aqui

Amigo, veestes-m'um di'aqui
rogar dum preit'e nom vos fig'en rem
porque cuidava que nom era bem;
mais, pois vos já tant'aficades i,
       fazê-lo quer'e nom farei end'al,
       mais vós guardade mi e vós de mal.

Vós dizedes que o que meu mal for
nom queredes, e bem pode seer,
pero nom quix vosso rogo fazer;
mais, pois end'havedes tam gram sabor,
       fazê-lo quer'e nom farei end'al,
       mais vós guardade-mi e vós de mal.

Bem sabedes como falámos nós
e me vós rogastes o que m'eu sei
e non'o fiz, mais com pavor que hei
de perder eu, amigo, contra vós,
       fazê-lo quer'e nom farei end'al,
       mais vós guardade-mi e vós de mal.

E se vós fordes amigo leal,
guardaredes vossa senhor de mal.
565
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

Árvore Aberta

Dobrei os teus pulsos a dura aranha
do teu corpo
a tua árvore
a faca rasgou a barreira do ventre
a tua face abriu-se como um barco
amei-te tempestade de ossos e de nervos
contra ti
contra ti

exílio
pátria            sobre o chão
e fuga

furiosa e suave lâmina animada
bebida a jactos
aranha alta e linda
enclavinhada
destilando o suor a baba o vinho a seiva
o estrépito da primavera
de uma árvore que se abre
no silêncio
1 107