Poemas neste tema

Namoro e Paixão

José Carlos Souza Santos

José Carlos Souza Santos

Cavalgada I

Cavalgada I

Ontem
te encontrei
nas minhas veredas anfíbias
de encantos e descaminhos
e de relance
vi o rosto
de trezentas rosas morenas
brincando de recordar

foi fugaz e relancino
o tempo meu inimigo
escondeu-a numa curva
e por mais que galopasse
a crina azul do meu cavalo
a distância ciumenta me roubava de você

mandei dizer pelo vento
velho companheiro
de brincar nos teus cabelos
te espero na guirlanda do meu verso
vamos cobrar do tempo
o saldo que ele nos deve
vamos no verde do musgo
brincar de cama macia
e o canto dos meus galos
em quatro corpetes cingidos
farão círios e dosséis
na roca do meu tear.

(do livro Estrelas Ausentes)

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Inês Romano

Inês Romano

Encanto

Tu me fascinas e encantas
como o fazem as sereias
com navegantes intrépidos
de incauta inocência
incrédulos dos perigos.

Me atraem teus mistérios
e teu canto me seduz
para mergulhar em teus domínios
me esquecer do que sou, do que fui,
para somente — ser — em ti.

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José Eduardo Mendes Camargo

José Eduardo Mendes Camargo

Fada

Foste a fada que me fez
representar a plenitude de meu ser.
no charme de teu sorriso,
Me iluminaste o corpo.
Na transparência de teus olhos,
me despiste a alma.
Na suavidade de tua voz,
me hipnotizaste o espírito.
Na leveza de teus gestos,
me fascinaste os olhos.
Na beleza e sensualidade da mulher-fêmea,
me seduziste.

885
José Eduardo Mendes Camargo

José Eduardo Mendes Camargo

Nuestra Atracción

No sé si es cósmica
o es química.
No sé si es admiración
o comprensión.
No sé si es afinidad
o continuidad.
No se si és ternura
o locura.
Hasta siento que es deseo
sazonado de pasión.

Leia Nuestra Atracción em Português

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Bocage

Bocage

A Macaca

Em verso alexandrino

Nos serros do Brasil diz certo autor que
havia
Uma namoradeira, uma sagaz bugia.
Milhões de chichisbéus pela tafulguinchavam,
E por não terem asa, o rabo lhe arrastavam.
Qual, caindo-lhe aos pés de amores cego e
louco,
Nas cabeludas mãos lhe apresentava umcoco;
Qual do açúcar brilhante a sumarenta cana;
E qual um ananás, e qual uma banana.
Ela com riso astuto, ela com mil caretas,
Lhe entretinha a paixão, lhe ia doirando as
petas;
Os olhos requebrava ao som de um
suspirinho:
A todos prometia o mais fiel carinho,
E, se algum lhe rogava especial favor,
À terna petição dizia: "Sim, senhor."
Mas com muita esperança o fruto eranenhum,
E os pobres animais ficavam em jejum.
Leitores, há mulher tão destra e tão velhaca,
Que nisto não ganha inda a melhor macaca.

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