Poemas neste tema

Infância

Rogério Bessa

Rogério Bessa

Do Canto VIII:

O Cabo das Tormentas:
Minúsculos Adamastores e um Mundo Coberto de Pó

nesses olhos me revejo
na eterna insônia das noites,
giz me descreve letárgico
mundo coberto de pó.

povoe-me sonhos em sono,
mas não constitua herança,
pavana, espelho ou ocaso
aos olhos dessa criança.

momentos tredos e ledos
apascentam o giz nutriz
que me seduz como fora
trevo enredo ou flor-de-lis.

854
Paulo Véras

Paulo Véras

Marujo

Dentro da minha casa
acolho uma velhice
que me acompanha desde que nasci

O copo de prata de vovó
com seus lábios bordados na borda
Os olhos de uma tia morta
a vigiar-me da moldura oval
A bengala de meu avô
incentivando-me o passeio na calçada
A fruteira de vidro verde
(com frutas de cera)
a decepar-me o apetite
O aparelho de jantar azul
a fornecer-me a penumbra e a sopa
das seis da tarde

Na beira do rio
tem quermesse e eu não posso ir
tem bingo e leilão de peru assado
tem barquinho e rolete de cana

Estou vestido de marinheiro
e só posso navegar no jardim

1 106
João Quental

João Quental

A Idade Exigida

Sim, o barro vermelho das estradas que não sei...
Havia um tempo em que todos os vãos das portas
das casas, do mundo, de nada,
eram repletos de olhos de meninos
a espiar
a obscuridade.
Hoje não.
Ja não há mais casas,
nem meninos
nem vãos
obscuros...
Hoje é um dia em que me descubro sumido
na boca dos homens que perderam a vida a partir
tornar
seguir
rosnar
não quero que os dias sejam assim.
Pois não quero, nunca,
ter a idade exigida
para morrer, só, na poeira
do barro vermelho das estradas que não segui...

(1984)

904
João Quental

João Quental

Certa Vez de Manhã Cedo

Certa vez, de manhã cedo, o verão é um inseto morto
no parapeito, buscava entrar? Não havia entre ti e o mundo
nada além do mundo. Ruas tranqüilas, nada pretendia acabar,
mesmo as cidades eram seguras naquele tempo tão seu,
mesmo os sete anos de leituras não podiam conter seu nome.
Nós, não.

Certa vez de manhã cedo, com as janelas abertas a vento nenhum,
no sono púnhamos a dormir a palidez cristalina, tarefa
inacabada, crianças diligentes e contornadas, voltando
da escolha noturna, os compromissos, fome vigiada,
não porque precisassem dormir, mas nunca mais voltar a sonhar.

Se nossas vidas abrissem os olhos no escuro, se agora
não compreendemos o que é velejar pela morte,
se os muros das casas estão quentes e já consentimos,
na verdade não importa. É manhã. E, desta vez pelo menos,
estamos certos.

(1989)

800
Hardi Filho

Hardi Filho

Esdrúxulo

A prata, o caviar, a mesa elástica,
riem do pobre
e lhe pesam no vazio estômago.

O lustre, o veludo, o mármore,
esbofeteiam
a face do menino pálido.

Dói no seu corpo o sacrifício
da ingênua espera:
aberta mão ao desviado prêmio

De tanto conviver com áscaris
morre o menino
de alma e coração imáculos.

Uma paixão antiga, hoje única,
domina o mundo.
É torturante a dor sem número.

1 318
Ribamar Feitosa

Ribamar Feitosa

Cantiga de Ninar Mamãe

Dorme, mamãe,
do meu coração,
o bicho papão
não vem te comer.

Dorme, mamãe,
que eu vou vigiar
e a cuca
maluca
não vem te pegar.

Dorme, mamãe,
não tenhas mais medo
de tudo e de nada,
de bruxa malvada
que faz a careta,
de bois perigosos
de cara bem preta.

Dorme, mamãe,
é tão bom ver você
nesta cama deitada.
Eu sou pequenina,
mas posso ficar
um instante acordada.

Dorme, mamãe,
um anjo chegou
e, devagar,
nos beijou.
E você, mamãezinha,
mais bonita ficou.

683
Taumaturgo Vaz

Taumaturgo Vaz

Ri

Não conheces da vida o negro drama...
Não conheces a dor jamais vencida...
Viver rindo?! cuidado que na lida
Não te queime do amor a ardente chama.

Nunca sintas o fel que nos derrama
Dentro do peito essa ilusão perdida...
Ai! nunca saibas como dói a vida
Quando a gente é distante de quem ama.

Nunca saibas que o mundo é feito apenas
De amarguras cruéis, de duras penas
E de espinhos que a gente vão ferindo...

Sim! que a vida te corra sempre mansa!
Que tu sejas assim, sempre criança
E passes neste mundo sempre rindo!...

1 019
Audre Lorde

Audre Lorde

Encarando

chove há cinco dias
sem parar
o mundo é
uma poça redonda
de água nublada
onde pequenas ilhas
estão só começando
a encarar
um menino pequeno
está liberando água
do seu canteiro
quando eu pergunto por quê
ele me diz
que sementes novas que nunca viram o sol
esquecem-se
e afogam-se fácil

(tradução de Ricardo Domeneck)

:

Coping
Audre Lorde

It has rained for five days
running
the world is
a round puddle
of sunless water
where small islands
are only beginning
to cope
a young boy
in my garden
is bailing out water
from his flower patch
when I ask him why
he tells me
young seeds that have not seen sun
forget
and drown easily.

.
.
.
1 021
Sousa Caldas

Sousa Caldas

Soneto I [Oito anos apenas eu contava

Oito anos apenas eu contava,
Quando a fúria do mar, abandonando
A vida, em frágil lenho e demandando
Novos climas, da Pátria me ausentava.

Desde então à tristeza começava
O tenro peito a ir acostumando;
E mais tirana sorte adivinhando
Em lágrimas o Pai, e a Mãe deixava.

Entre ferros, pobreza, enfermidade
Eu vejo, ó Céus! que dor! que iníqua sorte!
O começo da mais risonha idade.

A velhice cruel, (ó dura Morte!)
Que faz temer tão triste mocidade,
Para poupar-me, descarrega o corte.


Publicado no livro Obras Poéticas: Poesias Sacras e Profanas (1821).

In: VARNHAGEN, F.A. Florilégio da poesia brasileira. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras, 1987. t.2, p.124. (Coleção Afrânio Peixoto, 5)

NOTA: Texto corrigido conforme a 1.ed. das OBRAS POÉTICAS, 182
982
Mafalda Veiga

Mafalda Veiga

O menino do piano (um sonho do Tomás)

vi um menino com um piano
no céu da minha cabeça
veio de tão longe só para me pedir
que nunca o esqueça
vinha a tocar o seu piano
como só nos sonhos pode ser
por entre as nuvens e as estrelas
apareceu quando me viu adormecer

ficou sentado perto de mim
onde mora a fantasia
quis-lhe tocar mas não se pode ter
a noite a iluminar o dia
soprou devagarinho uma estrela
que se acendeu na sua mão
disse-me: podes sempre vê-la
se souberes soprá-la no teu coração

vi um menino com um piano
a despedir-se de mim
com uma nuvem fez o mar e partiu
(nos sonhos pode ser assim)
disse-me: está a nascer o dia
vou pra onde a noite se esconder
volto com a primeira estrela
para tu nunca teres medo ao escurecer
1 199
Mafalda Veiga

Mafalda Veiga

Me Escapé Con Mi Guitarra

Me escapé con mi guitarra
Camino de un lugar lejos de aqui
Recuerdo el romancero de otra soledad
Que se me acerca

Me escapé con mis canciones
Y el alma transbordando de sentir
La guitarra en las manos compañera
Buscando alguna paz, algun lugar adonde ir

Puedo contarte mil histórias
Pedirte que me escondas en tus brazos
Como a un niño
Puedo contarte mis secretos
Hablarte, mi guitarra, de la niñez

Me escapé con mis recuerdos
Momentos de añoranza y soledad
Y aunque sé que estás conmigo mi voz tiembla
Al encuentro de tu voz

Me escapé con mis temores
De que un final asome su mirada
Se los llevan y no puedo conservar
Nada más que lo intocable, en el alma

Puedo contarte mil historias
Pedirte que me ayudes a ser fuerte
Como el árbol
Puedo contarte mis secretos
Cogerte, mi guitarra, y cantar

Antes que acabe la hora
Y quedes tu dormida en mi lugar
Ayudame a soltar mis sentimentos
Y a pasar al otro lado del cristal

Sabré contarte mil histórias
Crear las melodias confundidas en mi adentro
Sabré contarte mis secretos
Tocarte, mi guitarra, y enfín lloar
936
Jorge Luis Borges

Jorge Luis Borges

La vuelta

Al cabo de los años del destierro
volví a la casa de mi infancia
y todavía me es ajeno su ámbito.

mis manos han tocado los árboles
como quien acaricia a alguien que duerme
y he repetido antiguos caminos
como si recobrara un verso olvidado
y vi al desparramarse la tarde
la frágil luna nueva
que se arrimó al amparo sombrío
de la palmera de hojas altas,
como a su nido el pájaro.

¡Qué caterva de cielos
abarcará entre sus paredes el patio,
cuánto heroico poniente
militará en la hondura de la calle
y cuánta quebradiza luna nueva
infundirá al jardín su ternura,
antes que vuelva a reconocerme la casa
y de nuevo sea un hábito!



Jorge Luis Borges | "Poesia Completa", pág. 38 | Debolsillo, 3ª. edição, 2016
1 498
Iacyr Anderson Freitas

Iacyr Anderson Freitas

Elegia

o inverno quer ficar contigo
neste jardim,
onde um velho dorme.
ainda não são seis horas
e a nuvem
que outrora te acusava
some no azul, desfeita
por teu brilho
que envelhece,
é certo,
sem o alarde
dos ventos mesmos
de outrora.

o que procura estar contigo
não te envolve:
espera, agudo, neste jardim
inaugural
entre formigas,
jornais
e o que resta de setembro.

vives uma infância transitória
e teus cabelos cingem,
na cintura, o esboço
de um adeus
que a tua própria ausência configura.

820
Jorge Luis Borges

Jorge Luis Borges

Sala vacía

Los muebles de caoba perpetúan
entre la indecisión del brocado
su tertulia de siempre.
Los daguerrotipos
mienten su falsa cercanía
de tiempo detenido en un espejo
y ante nuestro examen se pierden
como fechas inútiles
de borrosos aniversarios.
Desde hace largo tiempo
sus angustiadas voces nos buscan
y ahora apenas están
en las mañanas iniciales de nuestra infancia.
La luz del día de hoy
exalta los cristales de la ventana
desde la calle de clamor y de vértigo
y arrincona y apaga la voz lacia
de los antepasados.


"Fervor de Buenos Aires" (1963)



Jorge Luis Borges | "Poesia Completa", pág. 29 | Debolsillo, 3ª. edição, 2016
1 344
Idalina de Carvalho

Idalina de Carvalho

Sem Título

Quando a tarde
caía sobre nós
enegrecendo o céu
era como se a vida
nos fosse tirada
por momentos
que a crueldade
fazia eternos.

Mas amanhecia
sempre
e tínhamos o sol
o quintal
recheado de cenouras
e o balanço
na goiabeira
insistentes em nos
fazer crer que
sobrevivíamos.

897
Jorge Luis Borges

Jorge Luis Borges

Curso de los recuerdos

Recuerdo mío del jardín de casa:
vida benigna de las plantas,
vida cortés de misteriosa
y lisonjeada por los hombres.

Palmera la más alta de aquel cielo
y conventillo de gorriones;
parra firmamental de uva negra,
los días del verano dormían a tu sombra.

Molino colorado:
remota rueda laboriosa en el viento,
honor de nuestra casa, porque a las otras
iba el río bajo la campanita del aguatero.

Sótano circular de la base
que hacías vertiginoso el jardín,
daba miedo entrever por una hendija
tu calabozo de agua sutil.

Jardín, frente a la verja cumplieron
sus caminos los sufridos carreros
y el charro carnaval aturdió
con insolentes murgas.

El almacén, padrino del malevo,
dominaba la esquina;
pero tenía cañaverales para hacer lanzas
y gorriones para la oración.

El sueño de tus árboles y el mío
todavía en la noche se confunden
y la devastación de la urraca
dejó un antiguo miedo en mi sangre.

Tus contadas varas de fondo
se nos volvieron geografía;
un alto era «la montaña de tierra»
y una temeridad su declive.

Jardín, yo cortaré mi oración
para seguir siempre acordándome:
voluntad o azar de dar sombra
fueron tus árboles.




Jorge Luis Borges | "Poesia Completa", págs. 91 e 92 | Debolsillo, 3ª. edição, 2016
1 668
Cida Jappe

Cida Jappe

Poeminha de Raíssa

O meu primeiro dentinho caiu
você colocou lá na plantinha
Bem-vindo dentinho novo
ao castelihno dos dentes

766
Isabel Vilhena

Isabel Vilhena

A Borboleta

Na transparência viva e luminosa
Dessa manhã de sol, passou fugindo
A borboleta azul, silenciosa,
Ligeira, breve, qual um sonho lindo,

Cabelo ao sol e face cor-de-rosa,
Dedinhos frágeis, gracioso unindo,
Atrás da flor aérea, vaporosa,
O garotinho ansioso vai seguindo.

A borboleta pousa numa flor,
Devagarinho, mudo, cauteloso,
Quase a prendeu! Fugiu... Que dissabor!

Garoto lindo! Borboleta esquiva!
— Coração moço, crente, esperançoso,
Em busca da ventura fugitiva!

1 127
Iracema de Camargo Aranha

Iracema de Camargo Aranha

Primavera

Menino chora
Pipa sumiu no espaço
Linha partida.

Galhos curvados
como a pedir perdão
Nobre chorão.

Finados... Mortos
Presença dos ausentes
Quanta saudade...

953
Edgar Allan Poe

Edgar Allan Poe

Alone

From childhood's hour I have not been
As others were; I have not seen
As others saw; I could not bring
My passions from a common spring.
From the same source I have not taken
My sorrow; I could not awaken
My heart to joy at the same tone;
And all I loved, I loved alone.
Then- in my childhood, in the dawn
Of a most stormy life- was drawn
From every depth of good and ill
The mystery which binds me still:
From the torrent, or the fountain,
From the red cliff of the mountain,
From the sun that round me rolled
In its autumn tint of gold,
From the lightning in the sky
As it passed me flying by,
From the thunder and the storm,
And the cloud that took the form
(When the rest of Heaven was blue)
Of a demon in my view.


1829

1 952
Ives Gandra da Silva Martins

Ives Gandra da Silva Martins

Elegia do Tempo e da Saudade

"Os espinhos de roseira contavam
histórias medievais
e não faltava ao menino
a nítida imagem do que é uma princesa".
ALEXANDRE GRAVINAS

"Ele sabe que rondas indiferente
O muro do seu jardim
.............
Ele está preso no jardim. Crê no jardim".
MÁRIO CHAMIE
I
Ah! não poder antecipar manhãs,
Circundado pelas noites do impossível...
Erguer as mãos inúteis para o céu,
Em súplica sincera,
E os olhos, para o inferno dirigidos,
Em lagoas de azul desesperado,
No silêncio, navegar...

Ó dunas transatlânticas,
desérticas,
Que o calor de teu contato, perdoe-me!

Destino sem destino. Meu destino.

II
Mistério do anterior. Pouco mais e nada.
O passado inexistia.
Futuro manchado de desejos,
Colorido de cores irreais.

Presente suspeitante foi a véspera,
Presente suspeitante, mas contente.
Era o sonho do calmo da existência,
Concretizado na falta de tormenta.

(Vivência da vida!
Quanta angústia refletida nas lembranças!
Ó arrependimento, que não cria
O quando inatural das coisas nuas,
Povoadas de mundos diferentes!)

E a marcha, não sentida, desvendava
Jardins adormecidos, sem princesa,
Na fragrância envitativa do repouso,
Para os que tinham sonhos a sonhar.

Era tudo irreal como o futuro,
Que o cerco do deserto circundante
Nunca veio a penetrar.

E, assim, embriagado,
O menino fez-se, ao toque da ambiência,
Poeta e descoberta,
Até que certa vez,
Sorridente, com a lira,
Partiu para o deserto conhecer.

III
Nasceu quando o tempo era da lua
E foi aurora sempre.

Imagem feita coração cansado,
Na invasão da filha do deserto.

(Pobre jardim intemporal da ingenuidade,
Fenecido, à distância,
Por onde o teu espectro silente!)

E o menino espantado percebeu
A sensação agonizante do infindável
Prender-lhe a alma sem resguardo
E levaram-lhe do peito a própria imagem,
Era o tempo da lua. A lua grande, no entretanto,
Trazia a lividez materna indissolúvel
Dos momentos da perda irreparável.
Ah! Morte no jardim.

Aurora de fogo surgida em tempo novo.
Dois mares de azul desesperado.
Montanhas sanguíneas entreabertas
A pedirem o sangue das irmãs,
Por que teus vultos pela areia quente?

Tudo longínquo e tudo perto do menino.
E o menino sentindo, então,
A sede da ilusão insaciável.
Ilusão, não mais que isto.
Todo o mal foi excesso de ilusão
E a pouca realidade das areias quentes.
Areias quentes, onde o menino
Veio a esquecer-se
Que foi poeta no jardim.
E o jardim dos tempos idos
Era mais descoberta que aventura!

Para que a nova descoberta?

Marinheiro sem viagem,
Tragado na viagem da tortura...

Foi aurora quando o tempo era da lua
E o brilho de seu rapto fugaz
Fez o ódio do menino no deserto,
Esquecido o jardim.

767
Murillo Mendes

Murillo Mendes

Tempos sombrios

Servida a sinfonia
poderíamos nos sentar.
Cruel é o azul: de um buquê
de vidas
Surge a guerra.
Panejamento sinistro...
Todos pisam em crianças que
fôram.
610
João Ferry

João Ferry

Fim de Escola

Na escola toda vez, quando aparece
O exame final do fim do ano,
Nervoso cada qual faz uma prece,
Receando sofrer um desengano.

Boas notas só tem quem as merece,
E quem as obtém vaidoso e ufano,
Muitas vezes até depressa esquece,
Da professora e seu trabalho insano.

E o aluno fica alegre e mui contente,
Para gozar as férias bem feliz,
No lar para onde volta sorridente.

Mas acontece que o aluno mau,
Que de vadio estudar não quis,
Volta pra casa, mas só leva pau!...

904
Edgar Allan Poe

Edgar Allan Poe

The Lake

In youth's spring, it was my lot
To haunt of the wide earth a spot
The which I could not love the less;
So lovely was the loneliness
Of a wild lake, with black rock bound.
And the tall pines that tower'd around.
But when the night had thrown her pall
Upon that spot — as upon all,
And the wind would pass me by
In its stilly melody,
My infant spirit would awake
To the terror of the lone lake.
Yet that terror was not fright —
But a tremulous delight,
And a feeling undefin'd,
Springing from a darken'd mind.
Death was in that poison'd wave
And in its gulf a fitting grave
For him who thence could solace bring
To his dark imagining;
Whose wild'ring thought could even make
An Eden of that dim lake.


1827

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