Poemas neste tema

Felicidade e Alegria

Edgar Allan Poe

Edgar Allan Poe

Eulalie

I dwelt alone
In a world of moan,
And my soul was a stagnant tide,
Till the fair and gentle Eulalie became my blushing bride—
Till the yellow-haired young Eulalie became my smiling bride.

Ah, less— less bright
The stars of the night
Than the eyes of the radiant girl!
That the vapor can make
With the moon-tints of purple and pearl,
Can vie with the modest Eulalie's most unregarded curl—
Can compare with the bright-eyed Eulalie's most humble and careless curl.

Now Doubt- now Pain
Come never again,
For her soul gives me sigh for sigh,
And all day long
Shines, bright and strong,
Astarte within the sky,
While ever to her dear Eulalie upturns her matron eye—
While ever to her young Eulalie upturns her violet eye.


1850

2 190
Jorge Luis Borges

Jorge Luis Borges

Alguien

Un hombre trabajado por el tiempo,
un hombre que ni siquiera espera la muerte
(las pruebas de la muerte son estadísticas
y nadie hay que no corra el albur
de ser el primer inmortal),
un hombre que ha aprendido a agradecer
las modestas limosnas de los días:
el sueño, la rutina, el sabor del agua,
una no sospechada etimología,
un verso latino o sajón,
la memoria de una mujer que lo ha abandonado
hace ya tantos años
que hoy puede recordarla sin amargura,
un hombre que no ignora que el presente
ya es el porvenir y el olvido,
un hombre que ha sido desleal
y con el que fueron desleales,
puede sentir de pronto, al cruzar la calle,
una misteriosa felicidad
que no viene del lado de la esperanza
sino de una antigua inocencia,
de su propia raíz o de un dios disperso.

Sabe que no debe mirarla de cerca,
porque hay razones más terribles que tigres
que le demostrarán su obligación
de ser un desdichado,
pero humildemente recibe
esa felicidad, esa ráfaga.

Quizá en la muerte para siempre seremos,
cuando el polvo sea polvo,
esa indescifrable raíz,
de la cual para siempre crecerá,
ecuánime o atroz,
nuestro solitario cielo o infierno.



Jorge Luis Borges | "Poesia Completa", págs 238 e 239 | Debolsillo, 3ª. edição, 2016
976
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Cantemos que a vida

Cantemos que a vida
De nada nos serve
Que em nós a garrida
Canção desmedida
De vinho referve!

Cantemos, cantemos,
É medrosa a dor
E pegando em remos,
Buscando-as iremos
Às praias do amor!

Cantemos as belas
Que sabem amar,
Vamos que as estrelas,
Sem pudor ou cautelas
Nos vêm escutar!
1 462
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

FAUSTO— Viva a vida! Te digo, amigo, viva!

Viva a vida! Te digo, amigo, viva!
Viva a vida, que é tudo, e mais não há!
1 532
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

A DAY OF SUN

I love the things that children love
        Yet with a comprehension deep
That lifts my pining soul above
        Those in which life as yet doth sleep.

All things that simple are and bright,
        Unnoticed unto keen‑worn wit,
With a child's natural delight
        That makes me proudly weep at it.

I love the sun with personal glee,
        The air as if I could embrace
Its wideness with my soul and be
        A drunkard by expense of gaze.

I love the heavens with a joy
        That makes me wonder at my soul,
It is a pleasure nought can cloy,
        A thrilling I cannot control.

So stretched out here let me lie
        Before the sun that soaks me up,
And let me gloriously die
        Drinking too deep of living's cup;

Be swallowed of the sun and spread
        Over the infinite expanse,
Dissolved, like a drop of dew dead
        Lost in a super‑normal trance;

Lost in impersonal consciousness
        And mingling in all life become
A selfless part of Force and Stress
        And have a universal home;

And in a strange way undefined
Lose in the one and living Whole
The limit that I call my mind,
The bounded thing I call my soul.
1 726
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

O que é haver ser

O que é haver ser, o que é haver seres, o que é haver coisas,
O que é haver vida em plantas e nas gentes,
E coisas que a gente constrói —
Maravilhosa alegria de coisas e de seres —
Perante a ignorância em que estamos de como isto tudo pode ser.
1 032
Raul de Leoni

Raul de Leoni

Cristianismo

Sonho um cristianismo singular
Cheio de amor divino e de prazer humano;
O Horto de Mágoas sob um céu virgiliano,
A beatitude com mais luz e com mais ar...

Um pequeno mosteiro em meio de um pomar,
Entre loureiros-rosa e vinhas de todo o ano.
Num misticismo lírico, a sonhar
Na orla florida e azul de um lago italiano...

Um cristianismo sem renúncia e sem martírios,
Sem a pureza melancólica dos lírios.
Temperado na graça natural...

Cristianismo de bom humor, que não existe,
Onde a Tristeza fosse um pecado venial,
Onde a Virtude não precisasse ser triste...


Publicado no livro Luz Mediterrânea (1928). Poema integrante da série Poemas Inacabados.

In: LEONI, Raul de. Luz mediterrânea. Pref. Rodrigo Mello Franco de Andrade. 10.ed. São Paulo: Liv. Martins, 195
1 684
Vicente de Carvalho

Vicente de Carvalho

Fugindo ao Cativeiro

III

(...)

A caravana trôpega e ansiosa
Chega ao tope da Serra...
O olhar dos fugitivos
Descansa enfim na terra milagrosa
Na abençoada terra
Onde não há cativos.

Embaixo da montanha, logo adiante,
Quase a seus pés, uma planície imensa,
Clara, risonha, aberta, verdejante:

E ao fundo do horizonte, ao fim da extensa
Macia várzea que se lhes depara
Ali, próxima, em frente,
Esfumadas na luz do sol nascente,
As colinas azuis do Jabaquara...

O dia de ser livre, tão sonhado
Lá do fundo do escuro cativeiro,
Amanhece por fim, leve e dourado,
Enchendo o céu inteiro.

Uma explosão de júbilo rebenta
Desses peitos que arquejam, dessas bocas
Famintas, dessa turba macilenta:

Um borborinho de palavras loucas,
De frases soltas que ninguém escuta
Na vasta solidão se ergue e se espalha,
E em pleno seio da floresta bruta
Canta vitória a meio da batalha.

(...)

Descem rindo, a cantar... Seguem, felizes,
Sem reparar que os pés lhes vão sangrando
Pelos espinhos e pelas raízes;
Sem reparar que atrás, pelo caminho
Por onde fogem como alegre bando
De passarinhos da gaiola escapo
— Fica um pouco de trapo em cada espinho
E uma gota de sangue em cada trapo.

Descem rindo e cantando, em vozeria
E em confusão. Toda a floresta, cheia
Do murmúrio das fontes, da alegria
Deles, da voz dos pássaros, gorjeia.
Tudo é festa. Severos e calados,
Os velhos troncos, plácidos ermitas,
Os próprios troncos velhos, remoçados,
Riem no riso em flor das parasitas.

Varando acaso às árvores a sombra
Da folhagem que à brisa arfa e revoa,
Na verde ondulação da úmida alfombra
O ouro leve do sol bubuia à-toa;
A água das cachoeiras, clara e pura,
Salta de pedra em pedra, aos solavancos;
E a flor de S. João se dependura
Festivamente à beira dos barrancos...

(...)

Imagem - 00160007


Publicado no livro Poemas e Canções (1908).

In: CARVALHO, Vicente de. Poemas e canções. 17.ed. São Paulo: Saraiva, 1965

NOTA: Poema composto de 4 parte
1 885
Olegário Mariano

Olegário Mariano

Arco-Íris

Choveu tanto esta tarde
Que as árvores estão pingando de contentes.
As crianças pobres, em grande alarde,
Molham os pés nas poças reluzentes.

A alegria da luz ainda não veio toda.
Mas há raios de sol brincando nos rosais.
As crianças cantam fazendo roda,
Fazendo roda como os tangarás:

"Chuva com sol!
Casa a raposa com o rouxinol."

De repente, no céu desfraldado em bandeira,
Quase ao alcance da nossa mão,
O Arco-da-Velha abre na tarde brasileira
A cauda em sete cores, de pavão.


Publicado no livro Canto da Minha Terra (1930).

In: MARIANO, Olegário. Toda uma vida de poesia: poesias completas, 1911/1955. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1957. v.
2 214
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

THE GAME

Come, let us play a game, little boy,
        To while the world away.
What shall be - tell me - our harmless toy?
        At what shall we play?

Shall we play - shall we? - at being great?
        No, nor at being grand
Shall we believe that we are Fate
        And make up lives out of sand?

No, little boy, we will play that we are
        Happy, and that we are gay;
Let us pretend we are dreams, very far
        From the world in which we play.
1 536
Jorge Luis Borges

Jorge Luis Borges

Nostalgia del presente

En aquel preciso momento el hombre se dijo:
Qué no daría yo por la dicha
de estar a tu lado en Islandia
bajo el gran día inmóvil
y de compartir el ahora
como se comparte la música
o el sabor de la fruta.
En aquel preciso momento
el hombre estaba junto a ella en Islandia.


Jorge Luis Borges | "Poesia Completa", pág. 552 | Debolsillo, 3ª. edição, 2016
2 598
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Dos montes, dos vales,

Dos montes, dos vales,
Das luzes, das flores
O prazer vem;
Que importa, pois, Tempo, que te resvales?
Riamos, que amores pra outros amores,
        São o Além!

Há risos e beijos
E olhares e abraços
        De amor,

E risos e olhares acendem desejos,
E dizem matar-me em corpos e braços
        Num estertor.

E como a verdade
E a existência
É o prazer nu,
Dancemos
1 453
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Tudo se funde no movimento

Tudo se funde no movimento
(...)
E cada arbusto fitado
Nem é o terceiro que está a seguir.

A bondade da chama nocturna em casas distantes,
Os lares dos outros meras estrelas humanas na noite
A indefinida felicidade para nós de ver outros a distância.
1 454
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