Estações do Ano (Primavera, Verão, Outono, Inverno)
Barroso Gomes
Esperança
Na hera da primavera,
a espera, ânsia pura.
Renato Rezende
Odysseus
Surprised, he saw the book was written on his native language. He brought it to the kitchen and
tried to read while working. But he didn't have a chance. At the end of the day he took the book
home. He was excited.
It was the story of Odysseus and during the night, reading it in his room, he felt his heart
being overwhelmed by beauty. He read all night long and the next day he didn't show up for work.
Instead, he went for a walk with no directions. It was the beginning of spring and everything was
beautiful, everyone looked happy. He was surprised he hadn't really noticed the spring before. He
walked to a park in the top of a hill and sat down.
He stayed there for a long time. From there he could see the whole city and the suburbs. He
remembered some passages of the book; the beauty of it had remained with him. He had a strange
feeling; he felt his heart was so big he could fit the whole world in it. Suddenly he stood up and
shouted: I'm Odysseus!
Poderia ser em sueco: En dag under en kaffepaus lade han marke till en bok som någon hade glömt på ett bord. Till
sin förvåning såg han att boken var skriven på hans eget modersmål. Han tog den med sig till köket och försökte läsa
medan han arbetade. Men det gick inte alls. När dagen var slut tog han med sig boken hem. Han var entusiastisk. Det
var berättelsen om Odysseus och under natten medan han läste boken i sitt rum, kände han att hans hjärta var
överväldigat av dess skönhet. Han läste hela natten och nästa dag gick han inte till sitt arbete. Istället tog han en
promenad utan mål. Våren hade just börjat och allt var väckert, alla såg lyckliga ut. Det förvånade honom att han inte
lagt märke till våren tidigare. Han gick till en park på en kulle och satte sig ned. Han stannade där länge. Därifrån
kunde han se hela staden och förstäderna. Han erinrade sig några avsnitt ur boken, dess skönhet hade förblivit hos
honom. Han hade en underlig känsla, han kände att hans hjärta var så stort att det rymde hela världen. Plötsligt reste
han sig upp och skrek: Jag är Odysseus!
Beatriz Alcântara
Morbidez
triste e sombria
correndo solitária e cruel
nos áridos campos do cinza.
Encontramo-nos na destimidez
dos teus passos gélidos
tingidos de fel
a confundirem-se na traça
com os anjos da noite.
Encontrei-te morbidez
uivando verdades e volúpia
ao ritmo irreprimível
das outonias rajadas de vento
a volatilizarem célula após célula.
Encontramo-nos sobre a palidez
tenebrosa e jovem
em boda só compatível
de celebração na crueldade
de teu frio tumular.
Encontrei-te morte
e não era ainda minha vez.
Friedrich Hölderlin
Ás parcas
Dai-me, Potestades, mais um verão apenas,
Apenas um outono de maduro canto,
Que de bom grado, o coração já farto
Do suave jogo, morrerei então.
.
A alma que em vida nunca desfrutou os seus
Direitos divinos nem no Orco acha repouso;
Mas se eu lograr o que é sagrado, o que
Trago em meu coração, a Poesia,
.
Serás bem-vinda então, paz do mundo das sombras!
Contente ficarei, mesmo que a minha lira
Não leve comigo; uma vez, ao menos,
Vivi como os deuses, e é quanto basta.
An die parzen
Nur Einen Sommer gönnt, ihr Gewaltigen!
Und einen Herbst zu reifem Gesange mir,
Daß williger mein Herz, vom süßen
Spiele gesättiget, dann mir sterbe.
.
Die Seele, der im Leben ihr göttlich Recht
Nicht ward, sie ruht auch drunten im Orkus nicht;
Doch ist mir einst das Heilige, das am
Herzen mir liegt, das Gedicht, gelungen,
.
Willkommen dann, o Stille der Schattenwelt!
Zufrieden bin ich, wenn auch mein Saitenspiel
Mich nicht hinabgeleitet; Einmal
Lebt ich, wie Götter, und mehr bedarfs nicht.
– Friedrich Hölderlin. “An die Parzen”/”Ás parcas”, [tradução José Paulo Paes]. in: in: HÖLDERLIN, Friedrich. Poemas. [seleção, tradução, introdução e notas José Paulo Paes]. São Paulo: Companhia das Letras, 1991. p.87.
Sebastião Alba
No meu país
dardejado do sol e da caca dos gaios
só há estâncias
(de veraneio) na poesia.
Nossos lábios
a um metro e sessenta e tal
do chão amarelecido
dos símbolos
abrem para fora
por dois gomos de frio.
Nossos lábios outonais, digo,
outonais doze meses.
No entanto
o equilíbrio jacente
faz florir as acácias;
a terra incha;
na derme da possível
geografia,
um frémito cinde
as estações do ano.
Friedrich Hölderlin
Metade da vida
Peras amarelas
E rosas silvestres
Da paisagem sobre a Lagoa.
Ó cisnes graciosos,
Bêbedos de beijos,
Enfiando a cabeça
Na água santa e sóbria!
Ai de mim, aonde, se
É inverno agora, achar as
Flores? E aonde
O calor do sol
E a sombra da terra?
Os muros avultam
Mudos e frios; à fria nortada
Rangem os cata-ventos.
Hälfte des lebens
Mit gelben Birnen hänget
Und voll mit wilden Rosen
Das Land in den See,
Ihr holden Schwäne,
Und trunken von Küssen
Tunkt ihr das Haupt
Ins heilignüchterne Wasser.
Weh mir, wo nehm ich, wenn
Es Winter ist, die Blumen, und wo
Den Sonnenschein,
Und Schatten der Erde?
Die Mauern stehn
Sprachlos und kalt, im Winde
Klirren die Fahnen.
– Friedrich Hölderlin. “Hälfte des Lebens”/”Metade da vida”, [tradução Manuel Bandeira]. in: BANDEIRA, Manuel. Estrela da vida inteira. Rio de Janeiro: José Olympio, 1966.
António Arnaut
Portugal
de uma saudade celular.
A imagem que me vem é de um pinheiro
numa fraga batida pelo mar.
Marinheiro
caminheiro
entre pélagos de noite e de luar.
Praia de vento à espera.
Ermas colinas, rugas do teu rosto,
cortadas por um longo veio de mosto
que traz em cada outono a primavera.
Trovador
lavrador
de um chão de saibro e quimera.
Akiko Yosano
Tanka VI
pelo portão da perfumaria
numa noite de luar na primavera
na Kyoto de baixo
penso: que meigo!
Angela Santos
Anunciação
que tudo
foi o inverno ter chegado
assim de repente,
quando ansiava ainda
manhãs de estio
Pior que tudo, este vento
varrendo dos sentidos
toda a volúpia
Pior que tudo
é este sentir-me estrangeira,
estar dentro e fora da festa…
Lá ao longe eu oiço
musica.. rufares.. alarido
e os convivas chamando
a entrar na dança
e a beber da taça
que colheu o dia.
Samarone Lima de Oliveira
Intenção
De dizer adeus
De batizar as coisas simples
Com nome e sobrenome.
A intenção de morrer calado
De desfazer os pactos antigos
Dos que vieram antes.
A saudade morna e calma
Arrebenta os dias.
Desvãos sazonais entre os ossos
Em qualquer primavera
O mais triste nas privações do inverno.
A intenção de catalogar uma por uma
As folhas que caem
Como partes da família.
A certeza de que o chão descobre
Sua chance de amanhã.
Na esquina distante
Que sempre chega.
Francesca Angiolillo
Balada
quando ele nasceu era outono
e seu pai já havia morrido
quando ele nasceu
sua mãe morreu
quando ele nasceu
sua mãe e seu pai estavam mortos
quando ele nasceu estava órfão
era dia de mortos quando ele nasceu
e ele foi chamado Ferdinando
era novembro então
quando ele nasceu
não um novembro qualquer
era novembro de um ano
e dezoito anos depois havia guerra
Ferdinando foi à guerra
Ferdinando foi ferido
Ferdinando foi levado no colo por um colega até a trincheira
o colega voltou
o colega buscou
outro ferido
e com ele no colo pisou numa mina
era dia de São Fernando
e ele nasceu
era dois de dezembro quando seu filho nasceu
era um mês depois do dia de mortos
quando seu filho nasceu
era um dia de outono, era um dia de vivos
lá fora nevava quando seu filho nasceu
Ferdinando brincava
nasci um mês antes de meu filho
nasci no dia de mortos
nasci no dia do santo
era dia de mortos
era um dia de outono
era novembro de um ano
era São Fernando
era um dia de outono
era dois de dezembro
era um dia de outono
era seis de janeiro
quando Antonio morreu
quando Antonio morreu
seu pai já havia morrido
quando Antonio morreu
era dia de reis
era dia de reis
Giuseppe Ungaretti
Campo
A terra
se cobriu
de tenra
leveza
Como uma esposa
nova
oferece
atônita
ao filho
o pudor
sorridente
de mãe
(tradução de Geraldo Holanda Cavalcanti)
:
Prato
Villa di Garda aprile 1918
La terra
s'è velata
di tenera
leggerezza
Come una sposa
novella
offre
allibita
alla sua creatura
il pudore
sorridente
di madre
Maura Lopes Cançado
Era outono - não mudou de estação.
Angela Santos
Spring Cleaning
dias em que se acorda com o ímpeto da limpeza e ordenação
do espaço que nos rodeia. De repente nos damos conta do que ao
longo do tempo sem têm acumulado ao nosso redor, silenciosamente
e já sem utilidade, papeis e objetos.
E sem saber
como nem porquê, despertamos para as coisas mais ou menos inúteis
que por esquecimento, preguiça, ou pelo simples hábito
de as ver naquele lugar, fomos deixando invadir o nosso espaço,
isso que agora só vemos como lixo.
Até
as idéias viram lixo e nesses momentos em que a irreprimível
vontade de colocar as coisas no seu lugar reaparece, sentimos que é
necessário agendar, priorizar, limpar os gavetões mesmo
os da memória e da vida.
Abrindo
os armários, damos conta de que aquele vestido já não
condiz com a cor que trazemos por dentro, e aquele amontoado de papeis
com informação, só foi útil num determinado
momento; aquele outro objeto que alguém nos ofereceu, juntamente
com outros que fomos acumulando, ao longo do tempo, hoje os olhamos
e sentimos estarem somente ocupando espaço, fora da gente.
Até
o odor de coisas velhas assoma, e no ambiente que nos rodeia parece
estar faltando alguma coisa. Dá vontade de queimar incenso, colocar
flores por toda a casa.
E olhando
as estantes onde repousam meus livros, meus velhos discos de vinil e
os modernos Cds, me pareceu não ser aquele o local ideal para
os deixar e logo ali imaginei o espaço ideal para onde gostaria
de transladá-los. Assim acontece a quem compartilhando o espaço
onde vive, precisa se habituar a todos esses objetos que não
chegam pela sua própria mão ou escolha. Conviver é
ceder e a partilha de espaço nos obriga a respeitar a forma como
os outros o ocupam também.
Organizar
o espaço...ordenar a vida. Naquele momento isso me pareceu importante
movida pela vontade de refrescar e renovar. Aqui onde estou a desorganização,
é um estado quase permanente. Me incomoda a organização
excessiva. É como se um certo "fora de ordem" se tenha tornado
imprescindível ao meu equilíbrio. A organização
rígida é algo que afronto dentro de mim. Inconscientemente
vejo nessa excessiva ordenação das coisas, um modo de
ficar presa aos lugares, e eu sei que ainda não piso o lugar
onde quero criar raízes. Vivo numa dimensão "inter-espacial",
entre o lugar real e o lugar das projeções. Entre os dois
procuro lançar a ponte que torne o espaço da projeção
nesse outro o lugar : o da realidade vivida.
E porque
de limpeza, de ordenação de refrescar, se pretendia aludir,
me vem á memória a muito comum frase entre os ingleses
: "Spring Cleaning", a refrescada geral a dar a tudo com o anuncio
da Primavera. Tudo isto vem ao caso, porque neste lado do mundo, já
se sente que a Primavera em breve se anunciará e com ela chegará
o emergir silencioso das coisas em germinação, aguardando
o momento de irromperem.
"Spring
Cleaning", poderia ser esse o nome a dar a esse ímpeto que
despertou comigo, hoje: refrescar, renovar, retirar do caminho objetos
que nos prendem ao ontem, sobretudo ao ontem que murchou, desimpedir
o caminho de impecilhos que nos tolhem o caminhar , mudar atitudes,
romper com indecisões, olhar as pessoas nos olhos, colocar os
pingos nos "is", escrever preto no branco e mais importante que tudo
: cumprir o inadiável, com a mesma força misteriosa com
que irrompem as coisas acoitadas no seio da terra, que explodem com
a chegada da Primavera.
Jean-Baptiste Tati Loutard
Notícias de minha mãe
Bertran de Born
30
Xue Tao
Canção contemplando a primavera
Lila Ripoll
Neve
fria e fina.
A neve cresce
e há neblina.
Neva na rua,
neva em meu peito.
Cai neve da lua
no mar,
e em meu leito.
A neve gela
meu pensamento.
Cai neve, neve
nos fios do vento.
A neve desce
pelo meu leito.
A neve cresce
sobre meu peito.
Cai neve, neve
cai e se adensa.
Cai neve, leve,
sobre quem pensa.
Publicado no livro Poemas e Canções (1957)
In: RIPOLL, Lila. Ilha difícil: antologia poética. Sel. e apres. Maria da Glória Bordini. Porto Alegre: Ed. da Universidade/UFRGS, 1987. p.5
Bocage
Já o Inverno, expremendo as cãs nevosas
Geme, de horrendas nuvens carregado;
Luz o aéreo fuzil, e o mar inchado
Investe ao pólo em serras escumosas;
Ó benignas manhãs!, tardes saudosas,
Em que folga o pastor, medrando o gado,
Em que brincam no ervoso e fértil prado
Ninfas e Amores, Zéfiros e Rosas!
Voltai, retrocedei, formosos dias:
Ou antes vem, vem tu, doce beleza
Que noutros campos mil prazeres crias;
E ao ver-te sentirá minha alma acesa
Os perfumes, o encanto, as alegrias,
Da estação que remoça a natureza.
Lila Ripoll
Primavera
com um puro frescor de primavera.
Inunda-se de luz toda a paisagem
e o meu canto transborda à tua espera.
A doçura da tarde é uma carícia.
Entreabrem-se flores docemente.
As nuvens estão nítidas e imóveis
no céu azul aberto à minha frente.
Há murmúrios e vozes pela rua.
Frescos risos distraem meus ouvidos
e ficam borbulhando como fonte
ou como choque de cristais partidos.
A ternura contida de meu peito
ameaça transbordar dentro da tarde.
como um rio fugindo de seu leito.
Minha pobre ternura ignorada,
minha heróica ternura impressentida,
teima em mostrar-se como a primavera,
pensa em tocar de leve a tua vida.
É difícil ser poeta e ser mulher.
É difícil cantar sem revelar.
Pode o poeta contar o seu segredo,
mas a mulher o seu deve guardar.
A ternura contida de meu peito
ameaça transbordar dentro da tarde,
como um rio fugindo de seu leito.
Fecharei a janela à primavera
e calarei o poeta nesta tarde,
para que o sonho em nada me perturbe,
nem meu canto transborde à tua espera.
In: RIPOLL, Lila. Poemas e Canções. Porto Alegre: Horizonte, 1957. (Cadernos da Horizonte)
Carlos Frydman
Nós
Quando nos deparamos
meu outono era imenso
— um descampado queimado
um vazio sem ventos.
Tua afogada primavera trazia
brisas ao meu íntimo naufrágio.
Fertilizaste minha estiagem
numa repentina sementeira.
Havia um sol adormecido
em teu olhar distante, perdido,
abrandando minhas quimeras.
Nossos beijos foram temerosos
envoltos de incertezas.
Éramos cativos de tempos amargos,
fugidos de encontros vagos.
Despertamos um clamor de desejos sufocados,
e nos bebemos... e nos buscamos...
Nossas feições turvas e solitárias,
nossos peitos, campo fértil abandonado
— duas almas fugitivas enlaçaram-se.
Mas,
por sermos cativos inconformados
de longos tempos contritos,
nossos braços vacilaram nos abraços
e cruzamos nossos caminhos desencontrados.
Nossos primeiros atos,
com poucas palavras, harmonizaram-se.
Cresceu uma crença buscada,
e nossos corpos se confluíram
como dois rios incendiados
em nosso amor secreto e profundo,
onde no amor serenamos.
In: FRYDMAN, Carlos. Sintonia: poesia. Pref. Fábio Lucas. Apres. Henrique L. Alves. Campinas: Pontes, 1990
Emily Dickinson
Algo existe
No lento apagar de suas chamas,
Que me implele a ser solene.
Algo, num meio-dia de verão,
Uma fundura - um azul - uma fragrância,
Que o êxtase transcende.
Há, também, numa noite de verão,
Algo tão brilhante e arrebatador
Que só para ver aplaudo -
E escondo minha face inquisidora
Receando que um encanto assim tão trêmulo
E sutil, de mim se escape.
Carla Dias
Ausência
de gole em gole, refrescou-se o silêncio
com a balbúrdia
da tua sofisticada
ausência.
Enveredou-se
pela trilha estreita,
Gritando,
voluptuosidade
ao inverno
e ao sol que gela.
Pouco a pouco,
reviram-se papéis
sobre a mesa
na hora do jantar.
Palavras sobrevoam
a fome latente.
Parece bonito,
mas quase arde.
Lentamente,
sedas se arrastam
pelo chão
da tua ausência.
Assim como meu corpo,
cravado em dúvidas,
no sofá,
retrata nosso momento fatal.
Não me traga
um rosto
quase pálido
de vida.
Traga-me
o perfume
engarrafado
no teu sorriso.
Assim
a ausência passa
e com ela
o grande perigo.
Perder...
Afonso Duarte
Canção de El-Rei Dinis
Em plena florescência,
É um zumbido de ouro
No pasto em flor da abelha,
E temos o inverno até lá Março.
Um lindo Sol doente,
Como um poeta lírico,
Abre ao Inverno a Primavera:
E, ao néctar da abelha
Que é cor na corola
E música sutil do pólen,
Apetece cantar com Dom Dinis:
"Ai, flores, ai, flores do verde ramo".
El-rei Dinis esteve no Castelo
Onde eu existo a uma distância pouca,
Troveiro como um choupo à beira-rio
Ó Maria,
Apetece cantar com Dom Dinis:
"Ai, flores, ai, flores do verde pinho",
Com ritmo que leva olhos e tudo,
Filhas de lavradores
Começam a cavar o chão pousio:
Margaridas e crucíferas,
Lírios brancos e roxos,
Maria, há muitas flores para as abelhas.
A terra é graciosa,
Cá mesmo na prisão, descalço e nu,
Na derrota dos anos.
— Cantar velho, Maria,
Com tanta flor de hastes eretas
Toucando o verde prado?