Poemas neste tema

Esperança e Otimismo

Cristina Lacerda

Cristina Lacerda

Sobrevida

A terra não sorri
mas ampara meus passos

de hoje sofrer
me lembro do que é cíclico

os dias de chumbo
a lama do fundo
lamber a lembrança
de pequenos relâmpagos

sofrer sofreguidão
- só isso?

reinventar o mesmo
em tudo o que se ama

lembrar feridas
e perfumes dos momentos

essa minha curta longa vida
involuntária

é assim aos tropeços

e se há esquinas onde
às vezes me firo tanto

é porque é preciso
e se tateia na dor
o despertar da ânsia viva
vislumbre de algum
futuro encanto

o resto é concreto muro
cinza, rachado e duro

que o sonho

não está onde é sonhado
mas onde é pensado
com insistência e arte

esse o rito

içar a dor sombria
e se fazer ao mar

como alguém que ao ficar
finge que parte

922
Angela Santos

Angela Santos

Celebração

O
dia virá
ao dobrar duma esquina
onde a espera se fez longa
e os dias escritos correram
sem se cumprir

O dia virá
e longe as incertezas plenas nossas vidas
beberão da luz que as inundará

Esse dia virá
como um dia de festa para que o mundo saiba
do querer que emergiu e nos faz sentir
que a alma a par anda
e que a um só compasso
bate o coração que nos comanda

1 180
Almeida Garrett

Almeida Garrett

A Tempestade (1828)

Virgílio,
Coeco carpitur igni
I

Sobre um rochedo
Que o mar batia,
Triste gemia
Um desgraçado,
Terno amador.
Já nem lhe caem
Dos olhos lágrimas,
Suspiros férvidos
Apenas contam
Seu triste amor.

II

Ondas, clamava o mísero,
Ondas que assim bramais,
Ouvi meus tristes ais!
Horrível tempestade,
Medonho furacão,
Não é mais agitado
Do que o meu coração,
O vosso despregado,
Horrisonoo bramar!
Ancia que atropela
Meu lânguido peito,
É mais violenta
Que o tempo desfeito,
Que a onda encapela,
Que a agita a tormenta
No seio do mar.

III

Mas, ah! se o negrume
O sol dissipara
Calmara
Seu nume,
O horror do tufão.
Assim à minha alma
A calma
Daria
De Armia
Um sorriso:
Um raio de esprança
Do paraíso
Traria
A bonança
Ao meu coração.

2 376
Angela Santos

Angela Santos

Utopia

O
sonho mais longínquo
ou a mais utópica meta
se alcançam à força de tanto querer

o longe de mim se acerca
e o sonho irrompe em verdade
se for o querer bastante,
se minha alma crescer
e derrubar os limites
da mais crua realidade

Uma estrela pode então
não ser apenas o ponto
que brilha distante no espaço sideral
mas essa coisa bonita
que colho na luz dos teus olhos
ou o calor de hélio puro
que explode no meu coração.

1 010
Susana Thénon

Susana Thénon

Mundo

Este é o mundo em que vivemos
os mendigos buenos aires século vinte
junto ao fumo descalço
flutuando sem asas sobre os tetos
efêmeros como pedacinhos de chocolate
inúteis como pássaros ocos.
Estes são nossos rostos que caem aos pedaços
enquanto o sol migra cansado de nos olhar
e o frio nos celebra com sua festa de morte.
Mas eu não quero esta sina de espantalho:
meu olfato busca ávido o cheiro da alegria
e minha pele se expande quando digo amor.
710
Angela Santos

Angela Santos

Alma-Gémea

Tu
que não oiço, não vejo
só pressinto
és o pedaço que pode refazer
minha alma mutilada

Tu por quem desfio esperas
Deus sabe,
se a este encontro virás.

Deus sabe
se um dia ao acordar,
tua alma sentirá o frémito
de um outro pedaço,
o meu
gémea-alma
nela a vibrar.

1 081
Gláucia Lemos

Gláucia Lemos

Poema ao Amor Recém-Nascido

Vê, é crescente,
quarto de lua crescente.
No universo inteiro
tudo chegou ao tempo de crescer.

Deixa que cresça
deixa que amadureça
como o sol faz crescerem os trigais.
Deixa que nasça o pão
das espigas crescidas
e o alimente qual se nutre um corpo
na bandeja da emoção.

Deixa que cresça indomável.
Seja rebentação nos quebra-mares
das marés de enchente.
Faça-se grande qual só é grande a vida
invencível como só assim a morte.
Que seja um deus nos concedendo a graça
de escrevermos nós, nosso destino.

Deixa que cresça.
Que cresça e se mature
e multiplique qual no ventre térreo
planetário de sementes.
E depois, como chuva,
deixa que se esparrame
no universo
dos universos aonde possa ir,
maravilhado da própria grandeza.

Deixa que cresça e nos cubra.
E nos proteja como anjo-de-guarda
e nos leve pelas mãos
nas mãos da vida
que ele faz ressuscitar.

Deixa em silêncio,
deixa em canto suave,
deixa no toque de ternura nova,
deixa crescer em ti
que não deixaste
perder-se sem razão nossa verdade.

Vê. é crescente.
Quarto de lua crescente!
Doce criança, deixa-o crescer!

Em uma lua crescente de 1996.

1 957
Alex Bartalotti

Alex Bartalotti

Pensamentos esquecidos

Deixa eu poder te mostrar
os lindos castelos do lado de lá
os sonhos mais belos que o mar vai banhar
abraçados aos braços da luz do luar

Deixa eu poder lamentar
os pensamentos esquecidos que me fez faltar
os momentos deixados para o tempo gastar
os seus beijos derradeiros de tanto te amar

Deixa eu poder chorar
as lágrimas, harmonias e poesias
todas que um dia aspiravam te encantar
e que no dia você viu sem mesmo notar

Deixa eu poder reviver
aquele seu jeito mais lindo de ser
e quando no final mal pode se conter
as lágrimas que falam o que se vai sofrer

Mas vai garota, saibas esperar
fazes de tua beleza uma estrela a brilhar
enquanto esperas o mundo te mostrar
a constância do dia que você vai raiar

Vai, levante o rosto pois da vida é curto
o tempo de sorrir, e não há de chorar
A vida não perdoa e não olha pra trás
nos convence em destruir a nossa que jáz

Mas vai em frente, saiba se orgulhar
nossas águas já correram até o mais belo mar
nossas mágoas já merreram ao último olhar
mas nosso amor jamais merecia se separar

Pôr isso se um dia seu coração se emocionar
por alguma semente trazida pelo vento
anseies de um dia ela desabrochar
legado de meu contentamento.

916
Adão José Pereira

Adão José Pereira

A Vida

A vida é um poema mui lindo
Que o Pai Celeste assinou,
E com habilidade infinda
Afeto e ternura expressou.

Porém ela é veloz e passageira,
Corre tão rapidamente!
E qual uma águia ligeira,
Passa e nos leva de repente.

Ma enquanto existe há esperança
De que melhores dias virão!
Trazendo paz, amor e bonança,
Fartura, prosperidade e realização.
939
Carlos Nejar

Carlos Nejar

Cântico

Limarás tua esperança
até que a mó se desgaste;
mesmo sem mó, limarás
contra a sorte e o desespero.

Até que tudo te seja
mais doloroso e profundo.
Limarás sem mãos ou braços,
com o coração resoluto.

Conhecerás a esperança,
após a morte de tudo.


Publicado no livro Canga: Jesualdo Monte (1971). Poema integrante da série Demarcação.

In: NEJAR, Carlos. Obra poética I. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980. p.353. (Poiesis
1 048
Carlos Nejar

Carlos Nejar

Carta de Guia

Viver é um trato de esperança
que não estanca nos passos ou valores;
corta-se ao viver o baraço dos meses,
a varanda de clausuras,
para sermos o silencioso sulco,
a clareira de dons.

Viver são rédeas soltas
onde a memória destrança
o tropel dos símbolos.
Não tem contradança.

Viver no mundo é casa alugada,
onde dispomos, por instantes,
a cadeira na sacada,
retendo o rosto da amada
em nosso canto,
a refazer as cordas de seu leito.

Viver é soldar o esquecimento.


Publicado no livro Casa dos Arreios (1973).

In: NEJAR, Carlos. Obra poética I. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980. p.376-377. (Poiesis
1 003
Lindolf Bell

Lindolf Bell

Exercício para Garcia Lorca

Quando o vento das primaveras anuncia as florações
anuncia os girassóis, os araçás, as madressilvas, teus
versos tuas granadas abrindo as veredas de meu país
livre quando não sei, tu és a lua clara obscura lua
clara, as noites que maduram o coração da terra, os
líricos olhos dos touros da saudade, o mar vejo as
estrelas os limões, és tessitura das manhãs, o amado
guia do reino no bosque das virgílias, floresces e
perduras onde o amor perdura, é frágil a terra do
esquecimento, os ventos da primavera voltam sempre
e as palavras tecem teu canto e teu corpo e tua viagem,
e os híbridos frutos de meu país livre quando não sei
esplendem nos olhos do pássaro teu irmão, para sempre
os cardos os pomos, os selvagens rosais dos invernos e
as novas estações dos povos da coragem, as embiras as
timboranas o vento sul as auroras, abriga-me em tua
paisagem onde tudo se anuncia, tu és o dia tu és o dia,
a fava, o fauno, a fala, a festa não fixa de viver e
conviver, o móvel calendário de amar para sempre, tu
és a samambaia nas varandas, o seixo dentro do rio de dentro
o sangue, o fuzil das guerrilhas interiores, e se nos
montes e nos pantanais e nos corações agitas as ervas e
os navios de verdades largas, tu Federico Garcia Lorca,
eu te chamo uma vez só, e isto basta para quem tem
antenas e ouvidos e sabe que o mundo está aqui dentro
mas está lá fora de meu país livre quando não sei, tu
és o gravatá do campo, a flor verde, a bravura de meu
país livre quando não sei, guarida onde me abrigo, rio
dos minérios das minas da manhã, argila das florescências,
espiga dos tempos claros, fruto aberto no esquema
silvestre dos corações, há um solução na garganta
de meu país livre quando não sei.


Poema integrante da série Incorporação.

In: BELL, Lindolf. Incorporação: doze anos de poesia, 1962/1973. São Paulo: Quíron, 1974. (Sélesis, 3)
1 950
Juscelino Vieira Mendes

Juscelino Vieira Mendes

Tormento

Para Maristela Mendes
Porque, enquanto um homem permanece
entre os vivos, há esperança.
Eclesiastes, IX, 4

Há essa angústia de ser humano
E os répteis
se entrincheiram no hospital
E os vermes
se preparam para devorar uma linda criança
Indecorosa orgia da dor
Cruel da degenerescência humana...

E há essa indiferença de ser humano
que transcende as raias do absurdo
Insensatez:
"Onde está o teu crachá?"
"Não tem ninguém para examinar o sangue!"
"Já estou no meu horário de saída..."

E há essa alegria de ser humano
De ter com quem contar
Ter a quem buscar
Que paira sobre todos
E a todos domina
E ama

E há essa esperança de ser humano
Na manhã que vem suave e forte
sobre a embriaguez sonora do vento
apavorando vermes e répteis

E entre a angústia, alegria e esperança
um trilho imenso de leito ao lar
onde enfermeiras e médicos
crachás e pessoas; vozes e braços
harmonizam o cântico singelo e belo:
"Ela está salva — vai!...
Maristela vive — vem!."
Domingo, 29 de julho de 1990.

Notas:
1.Conquista - município baiano de Vitória da Conquista, lugar de nascimento do autor deste poema.
2. "Em Busca do Tempo Perdido" - (parte inicial: "No Caminho de Swann") - obra máxima de Marcel Proust, tradução de Mário Quintana - Editor Victor Civita.
3.Logradouros públicos e estabelecimentos citados: permanecem com seus nomes inalterados.
4.As expressões: "cérebro emocional" e as palavras: "amígdala" e "hipocampo" são usadas no mesmo sentido na obra "Inteligência Emocional" de Daniel Goleman, tradução de Marcos Santarrita - Editora Objetiva Ltda.
5.Clemente: pai do autor deste poema, falecido em acidente de automóvel aos 37 anos de idade chegando em Vit. da Conquista.

1 033
Luís Amaro

Luís Amaro

A Um Poeta

(memorando Manuel Ribeiro de Pavia)

Não reveleis o sono. A luz do dia
Fere de mais a alma; e, oculta,
A face esquece a sua chaga rubra.

A dor, amordaçando, purifica:
Que ela te dê, no sangue, o novo alento
Para outros voos de que sairás vencido

(Mas entretanto vives…) E procura
Haurir na solidão a graça, o prémio
Daquele instante puro, essencial

A que não chega o vão rumor do tempo
Desfigurado e vil. E, já liberto,
Conhecerás tua verdade inteira

Ouvindo alguém, sem corpo nem memória,
Segredar-te as palavras invisíveis
De que é tecida a Noite — tua esperança!

(in Antologia de Poetas Alentejanos)

1 005
João Rui de Sousa

João Rui de Sousa

Roteiro

Meu jeito visionário — meu astrolábio.
Meu ser mirabolante — um alcatruz.
De variadas coisas fiz a minha esperança
e sempre em várias coisas vi a minha cruz.

Aos padrões que em vários pontos encontrei
na rota íntima de vestes tropicais
eu dei as mãos, serenas e intactas,
as minhas dores mais certas e reais.

Nos vários sítios que — abismos —
toldaram minha voz por um olhar,
eu evitei o perigo e os prejuízos
à voz feita de calma, meu cantar.

Aos rasgos que, de outrora, evocados
foram sempre pelo seu valor,
eu dei a minha tez de dúvida e de espanto,
o meu silêncio amargo, o meu calor,

E aos pontos cardeais que em volta, vacilantes,
desalentavam já meu ser cativo,
parei o gesto, roubei o pólo sul da esperança
como lembrança para um dia altivo.

1 203
Heliodoro Baptista

Heliodoro Baptista

Como um cão

Como um cão curvo-me
e procuro ler nas marcas
que a noite não pôde
recolher o tempo.

Anima-me a superfície fabulária
onde o olhar do dia revolve
o que foi alvoroço vida
ou sinal te'nue.

Detenho-me na pegada junto à cama
e a mão precavida incha a memo'ria
nenhuma sensação acende
o que já está perdido.

(Perdidos os meus passos? A minha voz?
é assim tão terrível o amor ao homem?
a justiça foi calcinada em que ritual?)

Pouso então devagarinho
o ouvido na parede húmida
e eis que uma sombra volta-se
num largo aceno de simpatia.

Na paz indizível sopra
a fina aragem desanoitecida
a leve impressão
de um cochichar
uma porta entreaberta
onde pulsa uma esperança.

(Ontem já foi passado
e o minuto que vem
já é futuro).
1 165
Armando Artur

Armando Artur

Pelo dever

PELO DEVER

de resistir e caminhar
pelos destroços da nossa utopia,
eis-nos aqui de novo, acocorados,
aqui onde o tempo pára
e as coisas mudam.

E PARA QUE O NOSSO SONHO RENASÇA

com a levitação do vento e do grão,
eis-nos aqui de novo,
passivos como os espelhos,
no tear da nossa existência.

ESTE SEMPRE SERÁ

O nosso amanhecer.
E a nossa perseverança
é como a da erva daninha
que lentamente desponta na pedra nua
1 563
Oswaldo Osório

Oswaldo Osório

Holanda

Holanda companheiros
chegámos
chegámos com barcos guildas nos olhos e desejo de vencer

chegámos intermináveis e actuais às docas
betão aço cargueiros e braços precisados
chegámos numa dimensão nova
(ah as roças de S.Tomé serviçal meu irmão)
e pusemos todo o nosso esforço
lubrificámos máquinas
alimentámos caldeiras
navegámos por oceanos de fogo e fiordes de gelo
mas foi nos mares da terra nova
no tempo em que de Boston a América mandava seus barcos baleeiros
para nos contratar
que ganhámos o bronze da nossa pele

The Best Sailors of the World

sob bandeiras estrangeiras brigámos guerras que não eram nossas
para agora amarmos ao ritmo de torno novo
e múltiplas bocas ao nos verem dizem

Let them get by

chegámos às docas companheiros
nas docas com barcos guildas nos olhos e nossa terra nos nossos sonhos
chegámos intermináveis para o match
e pusemos todo o nosso esforço na luta
pusemos esperança na nossa força de trabalho
e quando nos vêem chegar dizem

Let them get by

aqui ou ali passaremos sempre porque chegámos companheiros
a esperança transformada em actos nos nossos punhos

a seca o sol o sal o mar a morna a morte a luta o luto
ao nos verem passar dizem que ultrapassaremos os sonhos
e o match é em nossa terra que vai terminar
1 346
Orlando Mendes

Orlando Mendes

Para um fabulário

Fazei as medições convencionais
Por esbatido que seja o horizonte

Declarai que existe uma fronteira
Onde a dor já não possa calar-se

Guardai incontaminada a esperança
Pelo desespero de um e outro lado

Apagai na vossa terra bem amada
Os vestígios de passos paralelos

Deixai envelhecer nos rostos viris
As rugas impregnadas de silêncio

Escutai a noite que o vento possui
Com a sedução das palavras matinais

Escolhei um dia claro e fecundo
De flores abertas, amor consumado

E contai a todas as crianças, contai
Que se fundou o pais das maravilhas.
1 051
Emiliano Perneta

Emiliano Perneta

Metamorfoses

A Mme. Georgine Mongruel.


Sei que há muita nudez e sei que há muito frio,
E uma voracidade horrível, um furor
Tão desmedido que, quando eu acaso rio,
Quantos não estarão torcendo-se de dor.

Conheço tudo, sim, apalpo, indago, espio...
Tenho a certeza que vá eu para onde for,
Como o escaravelho, hei de o ódio sombrio
Ver enodoar até o seio de uma flor.

Mas sei também que há mil aspirações estranhas,
Que havemos de subir montanhas e montanhas,
Que a Natureza avança e o Homem faz-se luz...

Que a Vida, como o sol, um alquimista louro,
Tem o dom de poder mudar a lama em ouro,
E em límpidos cristais esses rochedos nus!


Publicado no livro Ilusão (1911).

In: PERNETA, Emiliano. Poesias completas. Biogr. Andrade Muricy. Est. crít. Tasso da Silveira. Rio de Janeiro: Z. Valverde, 1945. v.
2 614
Marta Gonçalves

Marta Gonçalves

Juízo Final

Segurando em minhas mãos

olhos prisioneiros, mudarei

o mundo, antes de um anjo de palha

anunciar o fim.

937
Renata Trocoli

Renata Trocoli

Teu Amor

Como uma luz aquecida e suave

Senti teu amor chegando para me presentear.

Teus olhos transmitem carinho.

Tua boca me fala de mansinho

tudo que eu sempre quis escutar.

Tuas m2os me tocam com ternura,

meu rosto, meus cabelos, minhas m2os.

Teu doce beijo acaricia meus l5bios

com teus olhos fixos aos meus.

Esse amor 0 novo e puro.

Chegou devagar, me conquistou com ternura.

Tu me envolves com teus abraTos

apertados e amorosos.

E me enche de medo de perder-te ainda mais uma vez.

Perder teus carinhos,

teus olhares,

tua boca,

tuas palavras

e teu amor ...

Amor este que me renova a alma,

e me d5 esperanTas de viver alegre

e sonhando sempre com tua doce presenTa.

A vida nem sempre atende nossos pedidos

de amor e felicidade.

Mas peTo com todo coraT2o que ela me abenToe

com tua presenTa a meu lado sempre.

Me dando carinho e um amor t2o puro

e doce que sentimentos juntos dentro de nossos coraTes.

Este amor vem de longe,

vem do alto e 0 benT2o dos c0us.

+ perfeito e verdadeiro,

0 sentimento que n2o se sente por qualquer um,

que n2o brinca com o coraT2o

mas que envolve a alma e o corpo

como brisa suave e morna que sopra do mar.

974
Carlos Nejar

Carlos Nejar

Cântico

Limarás
tua esperança
Até que a mó se desgaste;
Mesmo sem mó, limarás
Contra a sorte e o desespero.

Até que tudo te seja
Mais doloroso e profundo
Limarás sem mãos ou braços,
Com o coração resoluto.

Conhecerás a esperança,
Após a morte de tudo.

1 154
Cruz e Sousa

Cruz e Sousa

Visionários

Amam batalhas
pelo mundo adiante
Os que vagam no mundo visionários
Abrindo as áureas portas de sacrários
Do mistério soturno e palpitante

O coração flameja a cada instante
Com brilho estranho, com fervores vários,
Sente a febre dos bons missionários
Da ardente catequese fecundante

Os visionários vão buscar frescura
De água celeste na cisterna pura
Da esperança por horas nebulosas...

Buscam frescura, um outro novo encanto...
E livres , belos através do pranto,
Falam baixo com as almas misteriosas!

1 510