Poemas

Encontros e Desencontros

Poemas neste tema

Corrêa de Araújo

Corrêa de Araújo

Adeus

É assim que eu te digo adeus:
como uma menina que mora na beira
da estrada e abana a mão para o trem.

Apenas te vi.
E te digo adeus porque não
apanho rosas.


In: ARAÚJO, Laís Corrêa de. Caderno de poesia. Sel. e org. Affonso Ávila e Wilson de Figueiredo. Il. Washington Junior. Belo Horizonte: Santelmo Poesia, 1951
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Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Sorriso audível das folhas,

Sorriso audível das folhas,
Não és mais que a brisa ali.
Se eu te olho e tu me olhas,
Quem primeiro é que sorri?
O primeiro a sorrir ri.

Ri, e olha de repente,
Para fins de não olhar,
Para onde nas folhas sente
O som do vento passar.
Tudo é vento e disfarçar.

Mas o olhar, de estar olhando
Onde não olha, voltou;
E estamos os dois falando
O que se não conversou.
Isto acaba ou começou?


27/11/1932
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Nuno Júdice

Nuno Júdice

Quando era o amor que definia o cânone da beleza

Era esse o tempo em que nenhum rosto se parecia
com o teu, a mais bela mulher do mundo, quando
era o amor que definia o cânone da beleza, e
só tu entravas nesse patamar em que a respiração
fica suspensa, os olhos não se desprendem de
outros olhos, e mesmo que tenhas partido são eles
ainda que guardo em mim, como se o olhar que nos
prendia um ao outro tivesse apagado o mundo
do meu horizonte, em que só tu cabias, mesmo que
não to tivesse dito, e só não sabia era se tu sentias
por mim o mesmo que eu sentia por ti, que de tal forma
me oprimia que nem queria saber o que tu, na verdade,
sentias, porque a verdade eram os teus olhos,
e os lábios que, ao abrirem-se, abriam o sorriso
que me abria a vida onde só tu cabias, até ao
dia em que desapareceste, para que eu não mais
te visse, até esse dia em que passaste por mim, e
só os olhos eram os mesmos, fazendo com que
anos, cidades, dias e noites, insónias e dores,
se tivessem apagado entre mim e ti, nesse breve
instante em que revi os teus olhos, e não mais te vi.
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Fernanda Benevides

Fernanda Benevides

Mensagem

Não sei se o vento te levou o recado;
o sol te envolveu com o calor do meu abraço
ou a lua falou do amor,
daquele amor que ainda que ainda guardo...
Reclamo-te nos horizontes em que, em vão, te busco.
Caminhos falam de desencontro.
O mar chora o argonauta que se afastou do cais...
Muitas pontes. Rios.
Nenhuma travessia...
Triste paisagem.
Apelos transcendentais não são ouvidos...
Telepatia não responde.
Como mandar-te uma mensagem? Em verso?
E o reverso?
Penso em out door ... Classificados dos jornais...
Como falar-te? Difícil encontrar-te...

... e fico assim, sem saber-te,
a sonhar-te...

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Al Berto

Al Berto

A paisagem prolonga-se

a paisagem prolonga-se num S de flores azuladas
ela entra nas ruínas
junto ao ângulo penumbroso da casa destruída
está vestida de branco quando ele lhe fala
ambos têm o olhar vago
ela recorta-se sobre um fundo de árvores nuas
ele está de pé encostado a um muro de pedra
ouve-se alguém dizer: não tenhas medo
so
somos apenas actores dum sonho paralelo à paisagem
os lábios dela tremem ou sorriem
ele encolhe-se mais contra a parede
o silêncio ainda não os abandonou
ela espreita-o
ele desenha-se exacto no centro do écran
(de novo uma voz off)
um vento vertical adere à casa
onde as raízes dos cardos irrompem dos alicerces
e quando ela se vira para o interior das ruínas
prende-se-lhe o olhar num ponto inexistente
ele já ali não está
apenas a objectiva da câmara continua a segui-la
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Ruy Belo

Ruy Belo

A primeira palavra

Acompanhando a recente curvatura da terra
o primeiro olhar descreveu a sua órbita
sobre as oliveiras. Só mais tarde
a pomba roubaria o ramo
e iria de árvore em árvore propagar a primavera.
Foi então que os olhos se cruzaram
e estava dita a primeira palavra
a superfície do tempo.


Ruy Belo | "Obra Poética de Ruy Belo" - Vol. 1, pág. 22 | Editorial Presença Lda., 1984
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Mário-Henrique Leiria

Mário-Henrique Leiria

NOIVADO

Estendeu os braços carinhosamente
e avançou, de mãos abertas
e cheias de ternura.
- És tu Ernesto, meu amor?
Não era. Era o Bernardo.
Isso não os impediu
de terem muitos meninos
e não serem felizes.
É o que faz a miopia.
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Charles Bukowski

Charles Bukowski

A Dama do Castelo

ela morava numa casa
que parecia um
castelo
e quando você entrava
os tetos eram tão absolutamente
altos
e eu era pobre
e aquilo tudo
me fascinava
bastante.

ela
já não era
jovem
mas tinha
volumosos
cabelos
que praticamente
desciam até os
tornozelos
e
eu pensava em
como seria
estranho
transar
em meio a todo aquele
cabelo.

fui até lá
diversas vezes
no meu velho
carro
e ela tinha refinadas
bebidas para
servir
e ficávamos sentados
mas eu nunca
conseguia chegar efetivamente
perto dela
e embora eu não
forçasse
nada
algo na ideia de
não
nos conectarmos
de fato machucava o meu
ego
pois por mais feio que eu fosse
eu sempre havia
tido sorte com as
mulheres.

isso me confundia
e creio que
eu precisava
daquilo.

ela gostava de
falar sobre
as artes e
sobre
criação cinematográfica
e ouvir
tudo aquilo
só me fazia
beber
mais.

por fim
eu
simplesmente
desisti
dela
e um bom ano
ou algo assim
havia passado
quando
certa noite
o telefone
tocou: era a
dama.

“eu quero ir aí ver
você”, ela disse.

“estou escrevendo agora, pegando
fogo... não posso receber
ninguém...”

“eu só quero fazer uma
visita, não vou incomodar você,
vou só ficar no sofá,
vou dormir no sofá,
não vou incomodar você...”

“NÃO! MEU DEUS DO CÉU,
NÃO POSSO RECEBER NINGUÉM!”

eu desliguei.

a dama que estava efetivamente
no sofá
disse “ah, você está todo
MOLE agora!”

“é.”

“vem aqui...”

ela envolveu meu pênis
com a mão
botou a língua
para fora
e aí
parou.

“o que você está escrevendo?”

“nada... estou com bloqueio de
escritor...”

“só podia... seus canos estão
entupidos... você precisa de uma
esvaziada...”

então ela botou meu pau na
boca

e aí o telefone tocou
de novo...

furioso
eu corri até o
telefone
e
atendi.

era a dama do
castelo:

“escuta, não vou incomodar você,
você nem vai notar a minha
presença...”

“SUA PUTA, EU TÔ GANHANDO UM
BOQUETE!”

eu desliguei e
voltei.

a outra dama estava indo
em direção à
porta.

“qual é o problema?”, eu
perguntei.

“eu DETESTO essa
palavra!”

“que palavra?”

“BOQUETE!”, ela
gritou.

ela bateu a porta e
foi embora...

eu fui até onde estava
a máquina de escrever
coloquei uma folha nova
no rolo.
era uma
da manhã.

fiquei ali sentado e
bebi scotch e
cerveja pra tirar o gosto
fumei charutos
baratos.
3:15 da manhã
ainda estava sentado
ali
reacendendo velhos
tocos de charuto e
bebendo ale.

a folha
nova continuava
em branco.

eu desliguei as
luzes
me arrastei na direção
do quarto
tratei de me atirar na
cama
roupas ainda
no corpo

dava para ouvir a água da privada
correndo
mas eu não conseguia me levantar
para fechar a alavanca
e dar fim àquele
som

meus malditos canos estavam
entupidos.
1 307
Renato Russo

Renato Russo

Perdidos no Espaço

Escrevi prá você e você não respondeu
Também não respondi quando você me escreveu
Anotei seu telefone num pedaço de papel
E calculei seu ascendente no recibo do aluguel
Esqueci seu sobrenome, mas me lembro de você

E a rotina crescia como planta
E engulia a metade do caminho
E a mudança levou tempo por ser tão veloz
Enquanto estávamos a salvo
Ficamos suspensos
Perdidos no espaço

E era como se jogassem Space Invaders
Perdendo mais dinheiro de muitas maneiras
Vivendo num planeta perdido como nós
Quem sabe ainda estamos a salvo

Ficamos suspensos
Perdidos no espaço

797
Fernanda Benevides

Fernanda Benevides

Luzes do Silêncio

Tateava na escuridão do silêncio,
quando esbarrei em alguém.
Ah, és tu?!
As luzes ascenderam...

732
Francisco Luís Amaro

Francisco Luís Amaro

Retrato

Um silêncio, um olhar, uma palavra:
Nasceste assim na minha vida,
Inesperada flor de aroma denso,
Tão casual e breve...

Já te visionara no meu sonho,
Imagem de segredo, esparsa ao vento
Da noite rubra, delicada, intacta.
E pressentira teu hálito na sombra
Que minhas mãos desenham, inquietas.

Existias em mim. O teu olhar
Onde cintila, pura, a madrugada,
Guardara-o no meu peito, ó invisível,
Flutuante apelo das raízes
Que teimam em prender-te, minha vida!
827
D. Dinis

D. Dinis

Pera Veer Meu Amigo,

Pera veer meu amigo,
que talhou preito comigo,
       alá vou, madre.

Pera veer meu amado,
que mig'há preito talhado,
       alá vou, madre.

Que talhou preito comigo;
é por esto que vos digo:
       alá vou, madre.

Que mig'há preito talhado;
é por esto que vos falo:
       alá vou, madre.
544
D. Dinis

D. Dinis

U Noutro Dia Seve Dom Foam

U noutro dia seve Dom Foam
a mi começou gram noj'a crecer
de muitas cousas que lh'oí dizer.
Diss'el: "- Ir-m'-ei ca já se deitar ham".
       E dix'eu: "- Bõa ventura hajades,
       porque vos ides e me leixades".

E muit'enfadado de seu parlar
sevi gram peça, se mi valha Deus,
e tosquiavam estes olhos meus.
E quand'el disse "Ir-me quer'eu deitar",
       [lh]e dix'eu: "- Bõa ventura hajades,
       porque vos ides e me leixades".

El seve muit'e diss'e parfiou
e a mim creceu gram nojo por en
e nom soub'el se x'era mal se bem.
E quand'el disse "Já m'eu deitar vou",
       dixi-lh'eu: "- Bõa ventura hajades,
       porque vos ides e me leixades".
802
João Airas de Santiago

João Airas de Santiago

Amigo, Quando Me Levou

Amigo, quando me levou
mia madr', [a] meu pesar, daqui,
nom soubestes novas de mi,
e por maravilha tenho
por nom saberdes quando vou
nem saberdes quando venho.

Pero que vos [ch]amades meu
amigo, nom soubestes rem
quando me levarom daquém,
e maravilho-me ende
por nom saberdes quando m'eu
venh'ou quando vou daquende.

Catei por vós quand'a partir-
-m'houve daqui e pero nom
vos vi nem veestes entom,
e mui queixosa vos ando
por nom saberdes quando m'ir
quer'ou se verrei já quando.

E por amigo nom tenho
o que nom sabe quando vou
nem sabe quando me venho.
515
João Airas de Santiago

João Airas de Santiago

O Meu Amigo Nom Pod'haver Bem

O meu amigo nom pod'haver bem
de mi, amiga, vedes por que nom:
el nom mi o diz, assi Deus mi perdom,
nem lho dig'eu, e assi nos avém:
       el com pavor nom mi o ousa 'mentar;
       eu, amiga, non'o posso rogar.

E gram sazom há já, per bõa fé,
que el [o] meu bem podera haver
e jamais nunca mi o ousou dizer
e o preito direi-vos eu com'é:
       el com pavor nom mi o ousa 'mentar;
       eu, amiga, non'o posso rogar.

E gram temp'há que lh[o] eu entendi,
ca mi o disserom, mais houvi pavor
de mi pesar e, par Nostro Senhor,
prouguera-m'end'e [e]stamos assi:
       el com pavor nom mi o ousa 'mentar;
       eu, amiga, non'o posso rogar.

E o preito guisad'em se chegar
era, mais nom há quen'o começar.
508
João Airas de Santiago

João Airas de Santiago

Entend'eu, Amiga, Per Boa Fé

Entend'eu, amiga, per boa fé,
que havedes queixum', u al nom há,
de voss'amigo, que aqui está,
e el de vós, [e] nom sei por que é,
       mais quero-vos ora bem conselhar:
       fazed'i ambos o que eu mandar.

E, amiga, de pram, u nom jaz al,
este preito deve-se de fazer,
ca vos vejo del gram queixum'haver
e el de vós, e tenho que é mal;
       mais quero-vos ora bem conselhar:
       fazed'i ambos o que eu mandar.

Sanha d'amigos é, nom será bem,
e sei que faredes end'o melhor,
pero vejo-vos haver desamor
del, amiga, e esto nom convém;
       mais quero-vos ora bem conselhar:
       fazed'i ambos o que eu mandar.

E mal [l]h'en venh'a quem nom outorgar
antre vós ambos o que eu mandar.
646
João Airas de Santiago

João Airas de Santiago

Vai-S', Amiga, Meu Amigo Daqui

Vai-s', amiga, meu amigo daqui
triste, ca diz que nunca lhi fiz bem,
mais, se o virdes ou ante vós vem,
dizede-lhi ca lhi dig'eu assi:
       que se venha mui ced'e, se veer
       cedo, que será como Deus quiser.

Per bõa fé, nom lhi poss'eu fazer
bem, e vai triste no seu coraçom,
mais, se o virdes, se Deus vos perdom,
dizede-lhi que lhi mand'eu dizer
       que se venha mui ced'e, se veer
       cedo, que será como Deus quiser.

Queixa-s'el e diz que sempre foi meu,
e diz gram dereito, per bõa fé,
e nom lhi fiz bem, e tem que mal é,
mais dizede-lhi vós que lhi dig'eu
       que se venha mui ced'e, se veer
       cedo, que será como Deus quiser.

E nom se queixe, ca nom lh'há mester,
e filhe o bem quando lho Deus der.
501
Adélia Prado

Adélia Prado

Os Lugares Comuns

Quando o homem que ia casar comigo
chegou a primeira vez na minha casa,
eu estava saindo do banheiro, devastada
de angelismo e carência. Mesmo assim,
ele me olhou com olhos admirados
e segurou minha mão mais que
um tempo normal a pessoas
acabando de se conhecer.
Nunca mencionou o fato.
Até hoje me ama com amor
de vagarezas, súbitos chegares.
Quando eu sei que ele vem,
eu fecho a porta para a grata surpresa.
Vou abri-la como o fazem as noivas
e as amantes. Seu nome é:
Salvador do meu corpo.
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Adélia Prado

Adélia Prado

Enredo Para Um Tema

Ele me amava, mas não tinha dote,
só os cabelos pretíssimos e uma beleza
de príncipe de histórias encantadas.
Não tem importância, falou a meu pai,
se é só por isto, espere.
Foi-se com uma bandeira
e ajuntou ouro pra me comprar três vezes.
Na volta me achou casada com D. Cristóvão.
Estimo que sejam felizes, disse.
O melhor do amor é sua memória, disse meu pai.
Demoraste tanto, que... disse D. Cristóvão.
Só eu não disse nada,
nem antes, nem depois.
1 509
João Airas de Santiago

João Airas de Santiago

Amigas, o Que Mi Quer Bem

Amigas, o que mi quer bem
dizem-mi ora muitos que vem,
       pero non'o posso creer,
       ca tal sabor hei de o veer
       que o nom posso creer.

O que eu amo mais ca mim
dizem que cedo será aqui,
       pero non'o posso creer,
       ca tal sabor hei de o veer
       que o nom posso creer.

O que se foi daqui muit'há
dizem-mi que cedo verrá,
       pero non'o posso creer,
       ca tal sabor hei de o veer
       que o nom posso creer.

E nunca mi o farám creer
se mi o nom fezerem veer.
331
Vinicius de Moraes

Vinicius de Moraes

Soneto Simples

Chegara enfim o mesmo que partira: a porta aberta e o coração voando ao
encontro dos olhos e das mãos. Velhos pássaros, velhas criaturas, almas
cinzentas plácidas passando — somente a amiga é como o melro branco!

E enfim partira o mesmo que chegara; o horizonte transpondo o pensamento
e nas auroras plácidas passando o doce perfil da amiga adormecida. Desejo
de morrer de nostalgia da noite dos vales tristes e perdidos... (foi quando
desceu do céu a poesia como um grito de luz nos meus ouvidos...)
1 157
Sophia de Mello Breyner Andresen

Sophia de Mello Breyner Andresen

Vii. Outros Dirão Senhor As Singraduras

Outros dirão senhor as singraduras
Eu vos direi a praia onde luzia
A primitiva manhã da criação

Eu vos direi a nudez recém-criada
A esquiva doçura a leve rapidez
De homens ainda cor de barro que julgaram
Sermos seus antigos deuses tutelares
Que regressavam
1982
1 172
Maria Helena Nery Garcez

Maria Helena Nery Garcez

Triz

O telefone que soa no deserto.
O timbre que retine na casa de surdos.
O recado que a empregada não anota.
O nome que o adolescente não pergunta,
o pedido de casamento
nunca feito por haver visita
— a hora quebrada —
a pétala última que acabou sendo não.
O encontro que se combinou
esperou
preparou
e que,
na última das últimas,
gorou.
O galo teima em cantar anunciando a madrugada.
(Sempre, e em todo meu lugar, houve um galo a anunciar a madrugada.)
Ilusão de natureza
mesmo ao pé do Minhocão.
Quererá isto dizer
que a vida teima em continuar,
apesar de comermos ovos de granja?
Triz.
Tudo por um triz.
Por um fio a vida toda.
Muita vez, fio de telefone.


In: GARCEZ, Maria Helena Nery. Conta gotas. São Paulo: J. Scortecci, 1987
784
Carlos Drummond de Andrade

Carlos Drummond de Andrade

Fora de Hora

Entrega fora de hora
e posse fora de hora.
Quem mandou
você atrasar a hora,
você apressar a hora,
você aceitar a hora
não madurada
ou demasiado madura?

O tempo fora de hora
não é tempo nem é nada.
O amor fora de hora
é como rolar a escada.
1 353