Dor e Desespero
Fernando Pessoa
Ninguém compreende o meu sofrer
Nem compreende porque não compreende.
Filipa Leal
A recusa do amor
Não temos uma arma apontada à cabeça,
dizias-me. Mas era impossível que não visses,
impossível. Eu ao teu lado com aquela dor
no pescoço, imóvel, cuidadosa, o cano frio
na minha testa, a vida a estoirar-me
a qualquer momento. Era impossível que não visses
o revólver que levava sempre comigo. Por isso dormia
virada para o outro lado, não era por me dar mais jeito
aquele lado, era por me dar mais jeito
não morrer quando nos víamos,
era para dormir contigo só mais esta vez,
sempre só mais esta vez,
sempre com o meu amor a virar-se de costas,
sempre com o teu amor apontado à cabeça.
Manuel Bandeira
Uma Face na Escuridão
Eu estava tão presa a ti, que não sabia
Onde acabava eu e começavas tu.
Mas ela mesma, a vida, a borbulhar selvagem
No uivo dos animais, no viço da folhagem
— Em tudo, no teu corpo e no meu corpo nu —
Ela mesma nos separou. As cordilheiras
Afundaram no oceano. As vozes derradeiras
Dos bichos que no abismo iam todos morrer,
Enchiam-me de assombro... E conheci na treva
A maior dor, a dor da força que me leva
Para longe de ti. Meu ser pelo teu ser
Clamou... Clamou debalde. Em mim subitamente
Tudo descorou, tudo envelheceu. Ao quente
Meu coração de outrora, hoje tarde reflui
Um sangue pobre em que já não palpita nada.
Como a planta sem ar, murchei. Branca e gelada,
Não sou mais do que uma lembrança do que fui.
Embora! Testemunhei eu só, aquela
Que trouxe a vida em si mais luminosa e bela
Do que nunca a sonhaste, a glória deste amor.
Terás em mim, a que foi tua, ora uma estranha,
A única face que te observa e té acompanha
Da funda escuridão cada dia maior...
* Poema desentranhado de uma página em prosa da escritora Dinah Silveira de Queiroz.
Fernando Pessoa
Campina e trigo, campina,
Campina e trigo.)
Como ao som de uma marcha ao mesmo tempo marcial e fúnebre,
[...] e alegria e temor
Rompem...
A vida é antagonismo, [...]?
Queda de impérios, tudo a fugir... sangue, ruídos... tumultos
Amontoamentos de coisas pilhadas num saque,
Despensas junto das cidades, entre casas caídas,
Choros, raivas, inferno de som,
A vida e a sua tragédia toda vivida num dia, numa hora...
Todo o mistério e horror de nos acontecerem coisas
Todo o horror de quem vive sossegado e de repente vê a morte
Vê o inferno, [...]
(Pobre de [...]!)
Tudo quebrado, tudo ferido, tudo diverso de quando era normal a vida...
(Ditosos os que morrem logo depois de nascer
E para quem a luz da vida não é mais do que um relâmpago no horizonte!)
(Poder pensar claro neste assunto!
Poder ver bem e sem sofrer ser outro o que é isto!
Ah quem me dera ter o coração ampliado e arrumado
Como um interior de casa de família de gente que tem com que viver!)
E o ruído dos saques, o fragor das batalhas, os choros, as mágoas, os (...)
Os choques dos homens
São um mar de confusão onde a nossa lucidez se afunda.
Perco-me de compreender...
Apanho-me nessa tragédia de pasmo humanitário.
Fernando Pessoa
Monólogo na Noite
Sou um símbolo encarnado em dor e ódio
Pedaço d’alma de possível Deus
Arremessado para o mundo
Com a saudade pávida da pátria
A cujo horror tremo ao pensar voltar
Mas sem nada da (...) e da ilusão
Para viver neste desterro. Amor,
Paz, amizade, tudo quanto ajuda
A viver a mentira do universo
Falha-me e eu (...)
Ó sistema mentido do universo
Estrelas-nadas, sóis irreais
Oh com que ódio carnal e estonteante
Meu ser de desterrado vos odeia.
Eu sou o inferno. Sou o Cristo negro
Pregado na cruz ígnea de mim mesmo
Sou o saber que ignora;
Sou a insânia da dor e do pensar
Sobre o livro de horror do mundo.
Por que fui eu, amaldiçoado horror
Que me fizeste ser e que eu nem posso
Pensar para te amaldiçoar, ou crer
Em ti, tão cheio do consciente e mensurante
Que o ódio me não cegue para ver
Que não sei que tu és para saber
Se sequer poderei pensar odiar-te.
Fernando Pessoa
Paro, escuto, reconheço-me!
O som da minha voz caiu no ar sem vida.
Fiquei o mesmo, tu estás morto, tudo é insensível...
Saudar-te foi um modo de eu querer animar-me,
Para que te saudei sem que me julgue capaz
Da energia viva de saudar alguém!
Ó coração por sarar! quem me salva de ti?
Charles Bukowski
Reviravolta
eu me escoro contra o para-choque de meu carro.
ela está bêbada e seus olhos estão molhados de lágrimas:
“seu filho da puta, você trepou comigo quando não
estava a fim. disse pra eu continuar ligando,
disse pra eu me mudar pra perto da cidade,
e então me disse pra deixar você em paz.”
tudo muito dramático e eu gostando daquilo.
“claro, bem, o que você quer?”
“quero falar com você. quero ir pra sua
casa e falar com você...”
“estou com alguém agora. ela foi buscar um
sanduíche.”
“quero falar com você... demora um pouco pra
superar as coisas. preciso de mais tempo.”
“claro. espere até que ela saia. não somos
desumanos. podemos tomar um drinque juntos.”
“merda,” ela disse, “oh, merda!”
pulou dentro do carro e arrancou.
a outra apareceu: “quem era aquela?”
“uma ex-amiga.”
agora ela se foi e estou aqui sentado e bêbado
e meus olhos parecem molhados de lágrimas.
está tudo muito silencioso e sinto como se um arpão
estivesse atravessado no meio das minhas tripas.
caminho até o banheiro e vomito.
piedade, eu penso, será que a raça humana não sabe nada
sobre piedade?
Amália Bautista
Conheci um dia um homem tão estranho
Conheci um dia um homem tão estranho
que continuo a recordá-lo. Disse
que estava condenado para sempre
a suportar o peso de uma enorme
pedra sobre os seus ombros, e que nunca
a levaria até ao seu destino.
Contive a vontade de lhe dizer
“que achas que faço eu com estes fios?”
João Peres de Aboim
Nostro Senhor, que mi a mim faz amar
a melhor dona de quantas El fez
e mais fremosa e de melhor prez
e a que fez mais fremoso falar,
El me dê dela bem, se lhe prouguer,
ou mia morte (se m'aquesto nom der)
me dê, por me de gram coita quitar.
E se m'El aquesto nom quiser dar,
que Lh'hoj'eu rogo, rogar-Lh'-ei assi:
que lhe possa, com'ela quer a mi, querer;
ca esto me pode guardar
da mui gram coita que eu hei d'amor.
E se m'esto nom der Nostro Senhor,
por que me fez El tal senhor filhar?
Ben'o sei eu: fez-mi-o por se vengar
de mi, per esto e nom per outra rem;
se Lh'algum tempo fiz pesar, por en
me leix'assi desemparad'andar
e nom me quer contra ela valer;
por me fazer maior coita sofrer
me faz tod'est'e nom me quer matar.
Amália Bautista
Que fazes aqui?
Pensava que te tinha dito adeus,
um adeus contundente, ao deitar,
quando pude enfim fechar os olhos
e esquecer-me de ti e das tuas manhas,
da tua insistência, do teu fito mau,
da tua força para vencer-me.
Pensava que te tinha dito adeus
de todo e para sempre, e acordo
e vejo-te de novo junto a mim,
dentro de mim, cingindo-me, colada a mim,
invadindo-me, afogando-me, diante
dos olhos, frente à minha vida,
sob a minha sombra, nas minhas entranhas,
no pulsar do meu sangue, entrando-me
pelo nariz quando respiro, vendo
por minhas pupilas, atiçando fogo
às palavras que deito pela boca.
E agora, que é que eu faço? como poderia
desterrar-te de mim ou acostumar-me
a viver contigo? Vamos lá começar
por caprichar nos modos.
Bom dia, tristeza.
Fernando Pessoa
FAUSTO: Reza por mim Maria
Reza por mim Maria
MARIA:
(Rezo por ti? Sim rezarei. Mas o que tens?)
FAUSTO:
Reza por mim e diz a Deus (...)
Reza por mim, Maria, e eu sentirei
Uma calma d'amor sobre o meu ser,
Como o luar sobre um lago estagnado,
A fazê-lo um milagre de beleza.
Reza por mim e diz: Oh Deus, meu Deus,
Fazei-o inda feliz esse a quem amo
(Se é que me amas...).
MARIA:
Inda duvidas, meu amor?
FAUSTO:
Dize: Fazei feliz esse a quem amo
E que, qual condenado pela vida,
Arrasta a grilheta da dor,
Cujos olhos não choram por não ter
Na alma já lágrimas p'ra chorar,
Que, tendo erguido o seu pensar ao cume
Do humano pensar... Não, não importa,
Não digas nada, reza e que a tua alma,
Compadecendo-se de mim encontre
Os termos, as palavras que na prece
Murmurará... Choras? Fiz-te chorar?
MARIA:
Sim... Não... Eu choro apenas de te ver
Triste e (...) sem que eu compreenda
Tua tristeza, meu amor. Vem ela
De alguma dor — oh dize-me, partilha
Comigo a tua dor que eu te darei
O meu carinho, porque te amo tanto...
FAUSTO:
Tu amas-me, tu amas-me, Maria?
MARIA:
Ah, tu duvidas? Meu amor, duvidas?
Temes talvez que o meu acanhamento,
Que vem d'amor, eu não sei como, seja
Indiferença... Não... ah não o creias!
Eu não tenho a viveza, nem a ardência
Que algumas têm, tremo de mim mesma
Do meu amor, mas eu não sei por quê...
Mas amo-te... Se te amo, porque hás-de
Tu duvidar de mim?
Ah, se palavras
Podem levar a alma nelas, Fausto,
Se o amor, este amor como eu sinto,
Pode dizer-se sem o duvidar
Se o que eu sinto em minha alma quando te vejo
Quando sinto o teu passo, quando penso
Em ti, amor, em ti, se olhares, beijos
Podem mostrar o amor, todo o amor —
Crê que as minhas palavras, os meus beijos,
O meu olhar têm esse amor.
Se eu não posso
Gritar:amor, amor, ardentemente
E desmedidamente, e a voz em fogo,
É que em mim mesmo, nasce-me um pudor
De o dizer muito alto (mas não creias
Que é por amar-te pouco, que só é
De amar-te muito e amar-te como te amo)
Se isto não faço, não duvides, não...
Eu não sei dizer mais; não aprendi
Como o amor fala não, não aprendi,
Porque o amor não fala, não pode
Dizer-se todo, senão não seria
Amor, ao menos este amor que eu sinto.
Não sei, não sei dizer-te... Não duvides!
Eu pareço talvez fria aos teus olhos;
Não duvides que eu sofra muito, muito
Por duvidares
E eu amo-te... Meu Deus, como eu te amo!
FAUSTO (aparte):
Como eu sinto de ouvi-la e de sentir
(Sentir pelo meu pensamento) quanto
É aquele amor e como ele é amor,
Minha alma fria, meu coração frio!
Aquilo é amor... Eu, pois, nunca amarei...
Que ela fala e eu compreendo (se compreendo!
Quanto ela ama, como ela fala amor).
Nada sinto em mim que nasça, surja
E vá de encontro ao seu amor. Não posso
Fazer erguer em mim um sentimento
Que dê as mãos àquele. E, de o não poder,
Eu mais frio me sinto, mais pesado
N'alma, na minha desconsolação.
Como me sinto falso, falso a mim mesmo,
Falso à existência, falso à vida, ao amor!
(alto)
Perdoa, amor
(aparte)
Amor! Como me amarga
De vazia em meu ser esta palavra!
Como de isso assim ser me encolerizo!
(alto)
Perdoa, meu amor!
Cedo aprendi a duvidar de tudo
Por duvidar de mim, sem o querer,
Sem razão de o querer ou de o pensar
Durante em honras, amor, felicidade...
Em tudo... Mas eu creio em ti, Maria,
Eu creio em ti... Como és bela! Não, não chores,
Quero falar ternura e não o sei;
Tenho a alma fria — oh raiva! é impossível.
Amália Bautista
Enigma
No primeiro dia que saí contigo
disseste que o teu trabalho que era estranho.
Mais nada. Todavia, eu sentia
a pele a rasgar-se como trapos
de cada vez que me tocavas com a mão.
E os teus olhos pareciam-me punhais
a fazer-me doer os meus.
Daí para a frente foi sempre a mesma coisa:
tu orgulhavas-te da tua arte,
mais subtil e directo em cada dia
e eu nunca percebia nada.
Mas agora sei. Já conheço o teu ofício:
Atirador de facas. A mais certeira
atiraste-ma ao coração.
Fernando Pessoa
0 pensamento é enterrado vivo
No mundo e ali sufoca.
Sufoco em pensamento ao existir.
Oh, horror! Oh inferno verdadeiro
Passado no frio âmago desta alma
Que se encolhe e arrepia de pavor
Como querendo desaparecer
E é consciente sempre de ter vulto
Para o pavor tomar. Oh sumo horror
Que o universo (...)
Sufoco em alma! Suma-se-me a vida
E a consciência e eu deixe de pensar
De fitar o mistério e sem querer
Compreender-lhe o horror! Abra-me o sonho
Ou a loucura a tenebrosa porta
Que a treva é menos negra que esta luz.
O terror desvaria-me, o terror
De me sentir vivo e ter o mundo
Fechado a laços de compreensão
Na minha alma gelada de pavor.
Fernando Pessoa
Num atordoamento e confusão
Arde-me a alma, sinto nos meus olhos
Um fogo estranho, de compreensão
E incompreensão urdido, enorme
Agonia e anseio de existência
Horror e dor, [agonia] sem fim!
Amália Bautista
Dragões
Chegou a hora de matar o dragão,
de acabar para sempre com este monstro
de fauces terríveis e olhos de fogo.
Há que matar este dragão e todos
que à sua volta se reproduzem.
O dragão da culpa e o do espanto,
o do remorso estéril, o do ódio,
o que sempre devora a esperança,
o do medo, do frio, da angústia.
Há que matar também o que nos esmaga
de bruços contra o chão,
imóveis, cobardes, quebrados, sem raízes.
Que o sangue de todos inunde
cada parte da casa
até nos chegar à cinta.
E quando essa pilha de monstros
for só um monte de vísceras
e olhos abertos para o vazio,
enfim poderemos trepar, montar-nos sobre eles,
chegar às janelas, abri-las ou quebrá-las,
deixar entrar a luz, a chuva, o vento
e tudo o que estava retido
atrás dos vidros.
Amália Bautista
Agora
Agora que o caminho que devo percorrer
é uma passagem elevada sobre uma estrada
que dá medo olhar, porque
me chama o abismo implacável.
Agora que a esperança está morta
como um pássaro atirado do ninho
por irmãos mais fortes.
Agora que é noite todo o dia,
inverno todo o ano
e as semanas só têm segundas,
onde olhar, onde pôr os olhos,
que não encontre os olhos da morte?
Amália Bautista
A mulher de lot
Ainda ninguém nos esclareceu
se a mulher de Lot foi transformada
em estátua de sal como castigo
pela curiosidade irreprimível
e pela desobediência apenas,
ou se ela se voltou pois no meio
de todo aquele incêndio pavoroso
ardia o coração que mais amava.
Charles Bukowski
Ela Saiu do Banheiro Com Sua Cabeleira Ruiva Flamejante E Disse...
um cara que tentou me estuprar.
perdi outra vez a chave do meu carro; tenho
a que abre a porta, mas não a que dá partida na
ignição.
essas pessoas estão tentando tirar minha filha de mim,
mas eu não vou deixar.
Rochelle quase tomou uma overdose, então foi até o
Harry com um bagulho, e ele a pegou de jeito.
ela teve as costelas fissuradas, você sabe,
e uma delas lhe perfurou o pulmão. ela
está no hospital conectada a uma máquina.
onde está meu pente?
o seu está sempre imundo.
eu lhe disse,
eu não vi o seu
pente.
Fernando Pessoa
Sucata de alma vendida pelo peso do corpo,
Se algum guindaste te eleva é para te despejar...
Nenhum guindaste te eleva senão para te baixar.
Olho analiticamente sem querer, o que romantizo sem querer...
Fernando Pessoa
Uma voz como um suspiro:
Não é mais profundo
Do que o pensamento
O enigma do mundo!
Quem sabe, quem sabe!
Horror, ai horror!
Se também ser basta,
Voraz pensador!
Mais frio, mais doido
O mistério será
Do que tu achaste!
Se ainda haverá,
Além do Além,
Horror mais horror!
Também deliraste,
Oh monstro de Dor!
Depressa, depressa,
Lembremos enfim:
Pensar é viver,
Mistérios e dor,
Sonhar e descrer
Horror, tudo horror!
Numa noite sem fim.
Fernando Pessoa
Filho das trevas,
Não fites a luz
Ai de ti, se te elevas,
Tu apenas te elevas
Aos braços de uma cruz.
Filho das trevas!
Filho da noite,
A manhã não se afoite
Nunca, nunca se afoite.
Toda a esperança é vã,
Filho da noite!
Fernando Pessoa
Ânsia infinda
De reaver o direito à sensação,
Que é humano em mim e que esquecido tinha;
Ânsia de vã paixão que muito parte
Do (...) desesperado sofrimento;
Ânsia de sentir e (...)
E antes de ser amado que de amar.
Mas ah, não sei se já — estranho ser (
Volver eu posso à vida, pois me sinto
Estranho ao mundo, à vida e aos olhares,
Um Incapaz de ser irmão. Dum salto
Queria reaver meu natural
Como homem. E depois? Depois não sei.
Ah, nem no sonho, forte pensamento,
Me deixas, seco e argumentador.
É necessário pois não pensar mais.
Mas não; não pode ser, a abdicação.
Mas o quê — abdicar do pensamento
Em proveito da mera sensação?
Rui Costa
Medo
Furo-te os olhos com os dedos magoados
como-te
torpor de medo as luas verdes
mordem-me a boca
do teu peito sobe o halo nacarado
a essência fútil das flores mortas
e novamente o medo
de nunca mais voltar a ser perfeito
Antero de Quental
Consolai
Aos flagelados e desiludidos,
Que sobre a Terra os grandes bens perdidos
São a posse da luz resplancente.
A dor mais rude, a mágoa mais pungente,
Os soluços, os prantos, os gemidos
Entre as almas são louros repartidos
Muito longe da Terra impenitente.
Oh! se eu pudesse, iria em altos brados
Libertar corações escravizados
Sob o guante de enigmas profundos!
Mas, dizei-lhes, ó vós que estais na Terra,
Que a luz espiritual da dor encerra
A ventura imortal de outros mundos!