Poemas neste tema

Dor e Desespero

Adélia Prado

Adélia Prado

A Tristeza Cortesã Me Pisca Os Olhos

Eu procuro o mais triste, o que encontrado
nunca mais perderei, porque vai me seguir
mais fiel que um cachorro, o fantasma
de um cachorro, a tristeza sem verbo.
Eu tenho três escolhas: na primeira, um homem
que ainda está vivo à borda de sua cama me acena
e fala com seu tom mais baixo: ‘reza pra eu dormir, viu?’
Na outra, sonho que bato num menino. Bato, bato,
até apodrecer meu braço e ele ficar roxo. Eu bato mais
e ele ri sem raiva, ri pra mim que bato nele.
Na última, eu mesma engendro este horror:
a sirene apita chamando um homem já morto
e fica de noite e amanhece, ele não volta
e ela insiste e sua voz é humana.
Se não te basta, espia:
eu levanto o meu filho pelos órgãos sensíveis
e ele me beija o rosto.
1 425
Elielson Rodrigues

Elielson Rodrigues

Putrefação

Quando a putrefação
ultrapassa tua pele,
quando deixa teu coração
e toma conta de tudo.

Quando teu corpo apodrece
e todos olham sem fazer nada,
E você descobre que merece
tudo que acontece na tua vida.

Não há Mártir que aguente,
contemplar sua propria morte,
Ver seu corpo em correntes,
e esperar a sua sorte.

Sua vida acaba antes do meio,
e começa no seu fim,
Morte, vivo no teu seio,
me diz... o que farás de mim?

985
Vinicius de Moraes

Vinicius de Moraes

O Cadafalso

Eu caí de joelhos diante do amor transtornado do teu rosto
Estavas alta e imóvel — mas teus seios vieram sobre mim e me feriram os
olhos
E trouxeram sangue ao ar onde a tempestade agonizava.
Subitamente cresci e me multipliquei ao peso de tanta carne
Cresci sentindo que a pureza escorria de mim como a chuva dos galhos
E me deixava parado, vazio para a contemplação da tua face.
Longe do mistério do teu amor, curvado, eu fiquei ante tuas partes intocadas
Cheio de desejo e inquietação, com uma enorme vontade de chorar no teu
vestido.
Para desvendar as tuas formas nas minhas lágrimas
Agoniado abracei-te e ocultei o meu sopro quente no teu ventre
E logo te senti como um cepo e em torno a mim eram monges brancos em
ofício de mortos
E também — quem chorou? — vozes como lamentações se repetindo.
No horror da treva cravou-se em meus olhos uma estranha máscara de dois
gumes
E sobre o meu peito e sobre os meus braços, tenazes de fogo, e sob os meus
pés piras ardendo.
Oh, tudo era martírio dentro daquelas vozes soluçando
Tudo era dor e escura angústia dentro da noite despertada!
“Me salvem — gritei — me salvem que não sou eu!” — e as ladainhas
repetiam — me salvem que não sou eu!
E veio então uma mulher como uma visão sangrenta de revolta
Que com mão de gigante colheu o que de sexo havia em mim e o espremeu
amargamente
E que separou a minha cabeça violentamente do meu corpo.

Nesse momento eu tive de partir e todos fugiam aterrados

Porque misteriosamente meu corpo transportava minha cabeça para o
inferno...
1 087
Elielson Rodrigues

Elielson Rodrigues

Pobre Infeliz

As estrelas me espionam,
eu, reclusivo, grito!
quebro os preceitos que em atrito,
pream minhalma e me decepcionam.

A Noite é meu manto,
dentre a bruma secreto meu desejo,
meu sofrer me martiriza um santo,
mas como haríolo,não prevejo.

Mortos ressuscitam,
a lua ilumina, eles fitam...
Correm e bradam por vida,
e sua dor aumenta a ferida.

A Morte é imprevisível,
é petulante,
invisível,
corante, dos mares vis,
que ceifa a vida
do pobre infeliz.

822
Adélia Prado

Adélia Prado

De Profundis

Quando a noite vier e minh’alma ciclotímica
afundar nos desvãos da água sem porto,
salva-me.
Quando a morte vier, salva-me do meu medo,
do meu frio, salva-me,
ó dura mão de Deus com seu chicote,
ó palavra de tábua me ferindo no rosto.
1 284
João Airas de Santiago

João Airas de Santiago

Dizem-Mi a Mi Quantos Amigos Hei

Dizem-mi a mi quantos amigos hei
que nunca perderei coita d'amor,
se m'eu nom alongar de mia senhor;
e digo-lhis eu como vos direi:
       - Par Deus, sempr'eu alongado vevi
       dela e do seu bem, e nom vos perdi

coita d'amor. Pero dizem que bem
farei eu mia fazenda de viver
longi dela, que mi nom quer valer;
mais de tal guisa lhis dig'eu por en:
       - Par Deus, sempr'eu alongado vevi
       dela e do seu bem, e nom vos perdi

coita d'amor. Pero dizem que nom
poss'eu viver se me nom alongar
de tal senhor, que se nom quer nembrar
de mim; mais digo-lhis eu log'entom:
       - Par Deus, sempr'eu alongado vevi
       dela e do seu bem, e nom vos perdi

coita d'amor; nem alhur nem ali
nom lhi guarrei, ca muito lhi guari.
298
Emílio Moura

Emílio Moura

Toada dos que não Podem Amar

Os que não podem amar
estão cantando.
A luz é tão pouca, o ar é tão raro
que ninguém sabe como eles ainda vivem.
Os que não podem amar
estão cantando,
estão cantando,
e morrendo.

Ninguém ouve o canto que soluça
por detrás das grades.

1 332
Vinicius de Moraes

Vinicius de Moraes

A Música Das Almas

Le mal est dans le monde comme un esclave qui monte l’eau.
Claudel


Na manhã infinita as nuvens surgiram como a loucura numa alma
E o vento como o instinto desceu os braços das árvores que estrangularam a
terra...

Depois veio a claridade, o grande céu, a paz dos campos...
Mas nos caminhos todos choravam com os rostos levados para o alto
Porque a vida tinha misteriosamente passado na tormenta.
1 117
Emílio Moura

Emílio Moura

Mar Alto

Que hei de fazer, se não me encontro,
se há tanto tempo estou perdido?
É o mar, meu pai: é o mar! E o mar está crescendo.
O mar é fundo, o mar é frio.

Meu pai, que silêncio,
que grave silêncio!
Por que não sorris?

Meu pai, estou perdido:
há tantos caminhos
no fundo do mar.
Como hei de votar?

1 201
Charles Bukowski

Charles Bukowski

Ala Beneficente

e me jogaram num porão por 3 dias
e era um lugar muito escuro, e parecia que
todo mundo era louco lá embaixo e isso,
pelo menos, me mantinha feliz. mas volta e meia
um grande filho da mãe que se autodenominava
“Booboo Cullers, o grandão das Avenidas!”
vinha se meter, quero dizer ele saía de sua cama
e ele era enorme e doido e eu estava fraco, muito,
e ele batia nos outros pacientes com seus punhos,
mas eu sempre dava um jeito de rechaçá-lo
eu pegava meu jarro de água
levantava pra trás com a mão esquerda, praguejava fazendo mira.
Boo desistia.

depois de despacharem 6 mortos
um por causas naturais
5 pelas mãos do fabuloso Booboo Cullers
o grandão das Avenidas,
amarraram o enorme Booboo
com grande dificuldade,
e eu fiquei olhando enquanto os guardas batiam nele
no rosto e na barriga e na genitália até que ele
parou de gritar e cedeu
e eu sorri e me dei conta do que significava
a palavra Humanismo
apenas o máximo de conforto para o máximo número de humanos,
o que no meu entender era
muito bacana.
1 026
Adélia Prado

Adélia Prado

Episódio

Ele tinha o costume de gesticular seu pensamento,
de sorte que estar parado era já ter compreendido
ou não ter dúvidas. Foi um abalo enorme quando se deu
[o que conto,
porque ultimamente ocupava a compreensão em tomar
[os remédios,
não comer sal, medir cor e volume de sua urina difícil.
Sem que ninguém suspeitasse ficou em pé na sala
e começou a cantar, pondo e tirando da jarra o galhinho
[de flor,
a voz como antes, firme, alta, grossa, anterior
a qualquer debilidade do seu corpo.
Um susto às avessas do susto foi o nosso,
porque a barriga dele continuava altíssima e alagava a
[mina
rompida de sua perna. Fugimos como nas guerras.
Um de nós foi chorar na privada, outro no quintal,
eu inventei uma barata pra matar com um chinelo.
A alegria dele desertava, quase, do que fosse
uma alegria humana e não estávamos à altura de
[entendê-la.
Sofrer era muito mais fácil.
1 136
Vinicius de Moraes

Vinicius de Moraes

O Outro

Às vezes, na hora trêmula em que os espaços desmancham-se em neblina
E a gaze da noite se esgarça suspensa na bruma dormente
Eu sinto sobre o meu ser uma presença estranha que me faz despertar
angustiado
E me faz debruçar à janela sondando os véus que se emaranham dentre as
folhas...
Fico... e muita vez os meus olhos se desprendem misteriosamente das
minhas órbitas
E presos a mim vão penetrando a noite e eu vou me sentindo encher da
visão que os leva.
V ozes e imagens chegam a mim, mas eu inda sou e por isso não vejo
V ozes enfermas chegam a mim — são como vozes de mães e de irmãs
chorando
Corpos nus de crianças, seios estrangulados, bocas opressas na última
angústia
Mulheres passando atônitas, espectros confusos, diluídos como as visões
lacrimosas.
E de repente eu sou arrancado como um grito e parto e penetro em meus
olhos
E estou sobre o ponto mais alto, sobre o abismo que desce para a aurora que
sobe
Onde na hora extrema o rio humano se despeja vertiginosamente e de onde
surgirá
Lívido e descarnado, quando o pálido sangue do Sol morrendo escorrer da
face verde das montanhas.

Mas por que estranho desígnio foi diferente a angústia daquela manhã
tristíssima
Por que não vieram até mim as lamentações de todas as madrugadas
Por que quando eu caminhei para o sofrimento, foi o meu sofrimento que
[eu vi estendido sobre as coisas como a morte?
Ai de mim! a piedade ferira o meu coração e eu era o mais desamparado
O consolo estava nas minhas palavras e eu era o único inconsolável
A riqueza estivera nas minhas mãos e eu era pobre como os olhos dos
cegos...
Na solidão absoluta de mil léguas foi o meu corpo que eu vi acorrentado ao
pântano infinito
Foi a minha boca que eu vi se abrindo ao beijo da água ulcerada de flores
leprosas.
Dormiam sapos sobre a podridão das vitórias moribundas
E vapores úmidos subiam fétidos como as exalações dos campos de guerra.
Eu estava só como o homem sem Deus no meio do tempo e sobre minha
cabeça pairavam as aves da maldição
E a vastidão desolada era grande demais para os meus pobres gritos de
agonia.
De fora eu vi e senti medo — como que um ávido polvo me prendia os pés
ao fundo da lama
Eu gritei para o miserável que erguesse os braços e buscasse a
[música que estava no pântano e na pele desfeita das flores intumescidas
Mas ele já nada parecia ouvir — era como o mau ladrão crucificado.

Oh, não estivesse ele tão longe de meus pés e eu o calcaria como um verme
Não fosse minha náusea e eu o iria matar no seu martírio
Não existisse a minha incompreensão e eu lhe desfaria a carne entre meus
dedos.
Porque a sua vida está presa à minha e é preciso que eu me liberte
Porque ele é o desespero vão que mata a serenidade que quer brotar em
mim
Porque as suas úlceras doem numa carne que não é a dele.
Mas algum dia quando ele estiver dormindo eu esquecerei tudo e afrontarei
o pântano.
Mesmo que pereça eu o esmagarei como uma víbora e o afogarei na lama
podre
E se eu voltar eu sei que as visões passadas não mais povoarão os meus
olhos distantes
Eu sei que terei forças para comer a terra e ficar escorrendo em sangue

como as árvores
Parado diante da beleza, agasalhando os príncipes e os monges, na
contemplação da poesia eterna.
1 241
Esther Moura

Esther Moura

Piedosa Mutação

Pedi aos Deuses do fogo,
do Inferno e do Trovão,
queimassem os sonhos passados,
que estavam no coração.

Os Deuses tiveram dó,
e, vendo meu sofrimento,
queimaram os sonhos doridos,
no fogo mais violento!

As chamas subiram aos céus,
nas asas fortes do Vento!
São hoje rosas vermelhas,
brilhando no firmamento!

687
Adélia Prado

Adélia Prado

O Sonho

O reconheci na fração do meu nome,
me chamou como em vida,
a partir da tônica:
‘Délia, vem cá’.
Peguei nos pés do catre,
onde jazia sã sua cara doente,
e o fui arrastando por corredores cheios
de médicos, seringas e uniformes brancos.
Depois foi o dia inteiro o peito comprimido,
sua voz no meu ouvido, seus olhos
como só os dos mortos olham
e a esperança, em puro desconforto
e ânsia.
1 366
Herberto Helder

Herberto Helder

Três Canções do Epiro - Canção da Laranja Vermelha

Disseram-me que estás doente, laranja vermelha.
Estás doente da garganta, e eu estou mal da cabeça.
— Sobre as lajes em volta da igreja,
estavam sentadas três raparigas
atando os cabelos com fitas verdes.
Três túmulos se abriram e deles saíram
três belos rapazes.
Ó coração doloroso, consola-te a ti mesmo —
dores iguais a essas já o mundo viu muitas.
Coração doloroso que não estás só no mundo.
1 101
Adão Ventura

Adão Ventura

Para um negro

para um negro
a cor da pele
é uma sombra
muitas vezes mais forte
que um soco.

para um negro
a cor da pele
é uma faca
         que atinge
muito mais em cheio
         o coração.
1 283
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

Queda

Meus membros rotos
esta agulha de claridade
um nome de estrela
A terra não se abre ao segredo das noites
as árvores insurgiram-se nos olhos do meu amor
eu soluço à noite e não ouço o teu grito
Há terra fria em minhas mãos sem nervos
Um rochedo de força suspensa
vela enquanto tombo sobre o meu rosto
640
Martha Medeiros

Martha Medeiros

Hoje Me Desfiz Dos Meus Bens

hoje me desfiz dos meus bens
vendi o sofá cujo tecido desenhei
e a mesa de jantar onde fizemos planos


o quadro que fica atrás do bar
rifei junto com algumas quinquilharias
da época em que nos juntamos


a tevê e o aparelho de som
foram adquiridos pela vizinha
testemunha do quanto erramos


a cama doei para um asilo
sem olhar pra trás e lembrar
do que ali inventamos


aquele cinzeiro de cobre
foi de brinde com os cristais
e as plantas que não regamos


coube tudo num caminhão de mudança
até a dor que não soubemos curar
mas que um dia vamos
1 774
Sophia de Mello Breyner Andresen

Sophia de Mello Breyner Andresen

Néon

Luz descerrada e crua
Que não rodeia as coisas
Mas as desventra
De fora para dentro

Espaço de uma insónia sem refúgio

Tudo é como um interior violado
Como um quarto saqueado

Luz de máquina e fantasma
1 498
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

De Escadas Insubmissas

De escadas insubmissas
de fechaduras alerta
de chaves submersas
e roucos subterrâneos
onde a esperança enlouqueceu
de notas dissonantes
dum grito de loucura
de toda a matéria escura
sufocada e contraída
nasce o grito claro
1 331
Adélia Prado

Adélia Prado

A Serenata

Uma noite de lua pálida e gerânios
ele viria com boca e mão incríveis
tocar flauta no jardim.
Estou no começo do meu desespero
e só vejo dois caminhos:
ou viro doida ou santa.
Eu que rejeito e exprobo
o que não for natural como sangue e veias
descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos
a pele assaltada de indecisão.
Quando ele vier, porque é certo que vem,
de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?
A lua, os gerânios e ele serão os mesmos
— só a mulher entre as coisas envelhece.
De que modo vou abrir a janela, se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa?
1 274
Adélia Prado

Adélia Prado

Amor Violeta

O amor me fere é debaixo do braço,
de um vão entre as costelas.
Atinge o meu coração é por esta via inclinada.
Eu ponho o amor no pilão com cinza
e grão de roxo e soco. Macero ele,
faço dele cataplasma
e ponho sobre a ferida.
1 446
Donizete Galvão

Donizete Galvão

Ex-Voto

mercê de um celerado que consigo se desavinha e no meio do caminho

de sua vida achou-se em beco desprovido de fé e o corpo afligido por

dores padecendo de conturbação dos miolos pensar desembestado

visões de dilaceramento euforias desconformes desacorçôo venetas

arrepio de frio aguadilha na boca e estômago embrulhado e procurando

o não sabe o que veio dar em paragens del Rei e aqui se apegou no intento

embora baldado de que seu coração encontre a pacificação

1 131
Herberto Helder

Herberto Helder

Canção Escocesa

«Porque escorre o sangue pela tua espada,
Eduardo, Eduardo?
Porque escorre o sangue pela tua espada,
e porque estás tão triste, oh?»
«Oh, porque matei o meu melhor falcão,
minha mãe, minha mãe,
oh, porque matei o meu melhor falcão,
e no mundo não há outro nenhum assim, oh!>>

«O sangue do teu falcão não era assim tão vermelho,
Eduardo, Eduardo,
O sangue do teu falcão não era assim tão vermelho,
porque me mentes, oh?»
«Oh, porque matei o meu corcel ruão,
minha mãe, minha mãe,
oh, porque matei o meu corcel ruão,
que era delgado e tão ágil, oh!»

«Esse corcel era velho e possuis outros corcéis,
Eduardo, Eduardo,
esse corcel era velho e possuis outros corcéis,
porque me mentes, oh?»
«Oh, foi meu pai quem eu matei,
minha mãe, minha mãe,
oh, foi meu pai quem eu matei, que
a maldição me cubra para sempre, oh!»

«Que penitência farás pelo teu crime,
Eduardo, Eduardo?
Que penitência farás pelo teu crime,
dize-me, ó filho, oh?»
«Embarcarei para longe, bem longe,
minha mãe, minha mãe,
embarcarei para longe, bem longe,
irei por sobre as águas do mar, oh!»

«E os teus castelos e torres, que é que deles farás,
Eduardo, Eduardo?
E os teus castelos e torres, que é que deles farás,
que eram tão altos, tão belos, oh?»
«Que fiquem de pé, e que tombem depois,
minha mãe, minha mãe,
que fiquem de pé, e que tombem depois,
e no mundo não reste nenhum sinal, oh!»
«Que deixas ã tua mulher, e que deixas aos teus filhos,
Eduardo, Eduardo?
Que deixas ã tua mulher, e que deixas aos teus filhos,
se te aventuras ao mar, oh?»
«Deixo-lhes a terra toda para que nela mendiguem,
minha mãe, minha mãe,
deixo-lhes a terra toda para que nela mendiguem,
que nunca mais os verei, oh!»

«E que deixas tu à tua mãe extremosa,
Eduardo, Eduardo?
E que deixas tu à tua mãe extremosa,
que fica sem ti, oh?»
«A maldição do inferno, eis agora o que te deixo,
minha mãe, minha mãe,
a maldição do inferno, eis agora o que te deixo,
que o meu crime é o teu, oh!»
555