Poemas neste tema
Desejo
Castro Alves
Rmorsos
Em que pensa Carlota após a valsa,
No tapete
Atirando o bournous quando descalça...
Ou melhor... quando rompe a luva, a fita,
Se a presilha, o colchete,
Em leve resistência a mão lhe irrita...
Em que pensa Carlota após a valsa?
Em que sonha Carlota à madrugada,
Quando aperta
Ao travesseiro a boca perfumada.
E afoga o seio sob a cruz de prata,
Pela camisa aberta,
Que um movimento lânguido desata...
Em que sonha Carlota à madrugada?
Com quem fala Carlota ao sol poente,
Na sombria alameda,
Quando os cisnes se arrufam na corente...
E o vento pelas grutas cochichando
Uns noivos arremeda,
Que estão como dois pombos arrulando...
Com quem fala Carlota ao sol poente?
Por que chora Carlota ao meio-dia,
Quando nua de adorno,
Cobrindo os pés... co’a trança luzidia,
Entrega o corpo ao vacilar da rede,
E olhando o campo morno,
Os lábios morde... pr’a matar a sede.
Por que chora Carlota oa meio-dia?
O que cisma, o que sente, por quem chora
A soberba Carlota?
A rainha das salas já descora...
Foge o cetro do leque aos dedos frouxos,
E a turba alegre nota
O fundo circ’lo de seus olhos roxos.
Que não diz o que cisma e porque chora...
Quem te mata, Carlota, são remorsos
De algum divino crime?
São ciúmes que escondem teus esforços?
Tens vergonha talvez deste rosário
Que tua mão comprime,
Porque um sopro roçou no relicário?
E desmaias, Carlota, de remorsos?!
Se é por isso não pises tanto os olhos...
Formosa criatura!
O mundo é um mar de pérfidos escolhos,
Quem te pode lançar primeiro a pedra?
Amor! e formosura!
Deus não corta a roseira porque medra...
Se é por isso não pises tanto os olhos!
Mas não! Chora! Teu mal é sem remédio...
Serás mártir sem palma,
Pregada numa cruz... na cruz do tédio!
Fria Carlota! Cobre-te de pejo...
Mataste à sede um’alma!
Fizeste o crime... de negar um beijo!
Chora! Que este remorso é sem remédio!!...
No tapete
Atirando o bournous quando descalça...
Ou melhor... quando rompe a luva, a fita,
Se a presilha, o colchete,
Em leve resistência a mão lhe irrita...
Em que pensa Carlota após a valsa?
Em que sonha Carlota à madrugada,
Quando aperta
Ao travesseiro a boca perfumada.
E afoga o seio sob a cruz de prata,
Pela camisa aberta,
Que um movimento lânguido desata...
Em que sonha Carlota à madrugada?
Com quem fala Carlota ao sol poente,
Na sombria alameda,
Quando os cisnes se arrufam na corente...
E o vento pelas grutas cochichando
Uns noivos arremeda,
Que estão como dois pombos arrulando...
Com quem fala Carlota ao sol poente?
Por que chora Carlota ao meio-dia,
Quando nua de adorno,
Cobrindo os pés... co’a trança luzidia,
Entrega o corpo ao vacilar da rede,
E olhando o campo morno,
Os lábios morde... pr’a matar a sede.
Por que chora Carlota oa meio-dia?
O que cisma, o que sente, por quem chora
A soberba Carlota?
A rainha das salas já descora...
Foge o cetro do leque aos dedos frouxos,
E a turba alegre nota
O fundo circ’lo de seus olhos roxos.
Que não diz o que cisma e porque chora...
Quem te mata, Carlota, são remorsos
De algum divino crime?
São ciúmes que escondem teus esforços?
Tens vergonha talvez deste rosário
Que tua mão comprime,
Porque um sopro roçou no relicário?
E desmaias, Carlota, de remorsos?!
Se é por isso não pises tanto os olhos...
Formosa criatura!
O mundo é um mar de pérfidos escolhos,
Quem te pode lançar primeiro a pedra?
Amor! e formosura!
Deus não corta a roseira porque medra...
Se é por isso não pises tanto os olhos!
Mas não! Chora! Teu mal é sem remédio...
Serás mártir sem palma,
Pregada numa cruz... na cruz do tédio!
Fria Carlota! Cobre-te de pejo...
Mataste à sede um’alma!
Fizeste o crime... de negar um beijo!
Chora! Que este remorso é sem remédio!!...
1 798
1
Eliana Mora
As portas do meu cofre
Insensata alma
às vezes presa por um fio
A conviver interpretar
como quizer
a luta e o delírio de morar
num corpo
que respira que se inspira
E permanece assim
calado
Como que a temer
os seus escritos
seu papel
algum teclado
E o desafio de morar
num bicho
um ente
que não retoca seus
segredos
[só os sente]
Em tolas gotas
de um secreto mal de amor
Que vivem presas
muito mais por que
trancaram-se
as portas de seu cofre
Do que por desistir
ou esquecer
de ter sonhado
Com o fascínio
e o sabor de certo
beijo
tom carmim
Que já não está
em tua boca
[cor marfim]
às vezes presa por um fio
A conviver interpretar
como quizer
a luta e o delírio de morar
num corpo
que respira que se inspira
E permanece assim
calado
Como que a temer
os seus escritos
seu papel
algum teclado
E o desafio de morar
num bicho
um ente
que não retoca seus
segredos
[só os sente]
Em tolas gotas
de um secreto mal de amor
Que vivem presas
muito mais por que
trancaram-se
as portas de seu cofre
Do que por desistir
ou esquecer
de ter sonhado
Com o fascínio
e o sabor de certo
beijo
tom carmim
Que já não está
em tua boca
[cor marfim]
823
1
Paul Verlaine
Moral abreviada
Uma nuca de loura e de graça inclinada,
Um colo que arrulha, belos, lascivos seios,
Com medalhões escuros na mama afogueada,
Esse busto se assenta em baixas almofadas
Enquanto entre duas pernas para o ar, vibrantes,
Uma mulher se ajoelha - ocupada com quê?
Amor o sabe - expondo aos deuses a epopéia
Singela de seu cu magnífico, um espelho
Límpido da beleza, que ali quer se ver
Pra crer. Cu feminino, que vence o viril
Serenamente - o de efebo e o infantil.
Ao cu feminino, supremo, culto e glória!
Um colo que arrulha, belos, lascivos seios,
Com medalhões escuros na mama afogueada,
Esse busto se assenta em baixas almofadas
Enquanto entre duas pernas para o ar, vibrantes,
Uma mulher se ajoelha - ocupada com quê?
Amor o sabe - expondo aos deuses a epopéia
Singela de seu cu magnífico, um espelho
Límpido da beleza, que ali quer se ver
Pra crer. Cu feminino, que vence o viril
Serenamente - o de efebo e o infantil.
Ao cu feminino, supremo, culto e glória!
1 254
1
Carlos Lúcio Gontijo
Oração dos casais
Meu bem, sei que Deus protege os casais
Semeia trigais de ternura na pele
Para que o amor sele as marcas da procura
Então, na hora em que a gente for dormir
Façamos jus aos cuidados do Senhor
Por favor, acenda-me quando apagar a luz!
Semeia trigais de ternura na pele
Para que o amor sele as marcas da procura
Então, na hora em que a gente for dormir
Façamos jus aos cuidados do Senhor
Por favor, acenda-me quando apagar a luz!
832
1
Marcia Agrau
Total
Eu te amo
Tanto amo teu olhar doce e inocente
como amo teu olhar insolente.
Amo tuas mãos suaves no afago
como amo aborrecidas no gesto de enfado.
Eu amo tua boca que geme de prazer
e amo tua boca xingando semquerer.
Eu amo teu muxoxo e amo o teu sorriso.
Tuas loucuras, teu sonho,teu juizo...
Amo teus braços me enlaçando carinhosos
e amo teus braços bradando furiosos.
Amo teus ombros fortes,protetores
onde chorei tanto minhas dores
e onde a tensão vejo acumular.
Amo tuas pernas fortes e pesadas
que cabelos escuros fazem amorenadas.
Amo teus pés de suave textura,
a marca do calção,tua eterna brancura
e amo,sobretudo, abaixo da cintura
teu falo imponente, fingindo-se inocente
que penetrando em mim,me transporta às alturas.
Eu te amo inteiramente todo,da cabeça aos pés.
E amo cá por fora e por dentro quem és
com as muitas qualidades e os defeitos teus
Que os limites que traço
vão de onde começa o desejo do abraço
até onde termina a alma, sabe Deus...
Tanto amo teu olhar doce e inocente
como amo teu olhar insolente.
Amo tuas mãos suaves no afago
como amo aborrecidas no gesto de enfado.
Eu amo tua boca que geme de prazer
e amo tua boca xingando semquerer.
Eu amo teu muxoxo e amo o teu sorriso.
Tuas loucuras, teu sonho,teu juizo...
Amo teus braços me enlaçando carinhosos
e amo teus braços bradando furiosos.
Amo teus ombros fortes,protetores
onde chorei tanto minhas dores
e onde a tensão vejo acumular.
Amo tuas pernas fortes e pesadas
que cabelos escuros fazem amorenadas.
Amo teus pés de suave textura,
a marca do calção,tua eterna brancura
e amo,sobretudo, abaixo da cintura
teu falo imponente, fingindo-se inocente
que penetrando em mim,me transporta às alturas.
Eu te amo inteiramente todo,da cabeça aos pés.
E amo cá por fora e por dentro quem és
com as muitas qualidades e os defeitos teus
Que os limites que traço
vão de onde começa o desejo do abraço
até onde termina a alma, sabe Deus...
1 123
1
Lília Chaves
Vem morrer vivendo nos meus braços
Vem morrer vivendo nos meus braços
Preenche com meu colo teus espaços
Do avesso do meu não, faz o teu sim
Vem poetar de amor dentro de mim
Grita o aroma rubro do desejo em flor
Perde teu gosto fulvo desta pele em cor
Pensa nas sombras de gemidos vãos
E faze de meus lábios tuas mãos
Sente meu toque no teu toque exangue
Vive meu gozo em teu próprio sangue
Dá-me teu beijo para que eu afague
Dá-me teus olhos para que eu me afogue
Teu pensamento onde minhalma cabe
E que meu corpo no teu corpo acabe
Preenche com meu colo teus espaços
Do avesso do meu não, faz o teu sim
Vem poetar de amor dentro de mim
Grita o aroma rubro do desejo em flor
Perde teu gosto fulvo desta pele em cor
Pensa nas sombras de gemidos vãos
E faze de meus lábios tuas mãos
Sente meu toque no teu toque exangue
Vive meu gozo em teu próprio sangue
Dá-me teu beijo para que eu afague
Dá-me teus olhos para que eu me afogue
Teu pensamento onde minhalma cabe
E que meu corpo no teu corpo acabe
849
1
Age de Carvalho
Vermelho
Tua,
de seda e feno
no transe da metáfora
a fenda soletrada-sol,
vala de luz, vocabulário
Tua, folhagem. O
olho
alcança o Olho,
desce aos infernos:
sonha o cabelo da urna,
o vermelho
da cifra, a ferida
no centro da fogueira
Tua, tua
de seda e feno
no transe da metáfora
a fenda soletrada-sol,
vala de luz, vocabulário
Tua, folhagem. O
olho
alcança o Olho,
desce aos infernos:
sonha o cabelo da urna,
o vermelho
da cifra, a ferida
no centro da fogueira
Tua, tua
736
1
Carlos Eduardo Armando
Quero beijar sua boca
quero beijar sua boca
1
com volúpia, com tesão
com saudade de mil anos
e a forca da solidão
fechar meus braços suados
sobre seu corpo arrepio
lambe-la feito cachorro
lambe uma fêmea no cio.
2
tarde vermelha se esgarça
perto das seis horas
começa a ave maria
noite colcha de éter
cai indiferente
sobre a terra fria.
3
quando te perder
pro tempo
quando te entregar
ao pó
quero que
o sol brilhe forte
vapor do solo
te agasalhe
energia de estrela
te alimente
na jornada
para onde fores.
1
com volúpia, com tesão
com saudade de mil anos
e a forca da solidão
fechar meus braços suados
sobre seu corpo arrepio
lambe-la feito cachorro
lambe uma fêmea no cio.
2
tarde vermelha se esgarça
perto das seis horas
começa a ave maria
noite colcha de éter
cai indiferente
sobre a terra fria.
3
quando te perder
pro tempo
quando te entregar
ao pó
quero que
o sol brilhe forte
vapor do solo
te agasalhe
energia de estrela
te alimente
na jornada
para onde fores.
1 015
1
Manuela Amaral
Posse intemporal
Fazer amor contigo
não é espelhar teu corpo nu
no vítreo do meu espaço
não é sentir-me possuída
ou possuir-te
É ir buscar-te
ao abismo de milénios de existência
e trazer-te livre.
não é espelhar teu corpo nu
no vítreo do meu espaço
não é sentir-me possuída
ou possuir-te
É ir buscar-te
ao abismo de milénios de existência
e trazer-te livre.
1 688
1
Bruno Kampel
Mulher
Não quero uma mulher
Que seja gorda ou magra
Ou alta ou baixa
Ou isto e aquilo.
Não quero uma mulher
Mas sim um porto, uma esquina
Onde virar a vida e olhá-la
De dentro para fora.
Não espero uma mulher
Mas um barco que me navegue
Uma tempestade que me aflija
Uma sensualidade que me altere
Uma serenidade que me nine.
Não sonho uma mulher
Mas um grito de prazer
Saindo da boca pendurada
No rosto emoldurado
No corpo que se apoie
Nas pernas que me abracem.
Não sonho nem espero
Nem quero uma mulher
Mas exijo aos meus devaneios
Que encontrem a única
Que quero sonho e espero
Não uma, mas ela.
E sei onde se esconde
E conheço-lhe as senhas
Que a definem. O sexo
Ardente, a volúpia estridente
A carência do espasmo
O Amor com o dedo no gatilho.
Só quero essa mulher
Com todos seus desertos
Onde descansar a minha pele
Exausta e a minha boca sedenta
E a minha vontade faminta
E a minha urgência aflita
E a minha lágrima austera
E a minha ternura eloquente.
Sim, essa mulher que me excite
Os vinte e nove sentidos
A única a saber
O que dizer
Como fazer
Quando parar
Onde Esperar.
Essa a mulher que espero
E não espero
Que quero e não quero
Essa mulherportoesquina
Que desejo e não desejo
Que outro a tenha.
Que seja alta ou baixa
Isto ou aquilo
Mas que seja ela
Aquela que seja minha
E eu seja dela
Que seja eu e ela
Euela eu lá nela
Que sejamos ela.
E eu então terei encontrado
A mulher que não procuro
O barco, a esquina, Você.
Sim, você, que espreita
Do outro lado da esquina, no cais,
A chegada do marinheiro
Como quem apenas me espera.
Então nos amarraremos sem vergonha
À luz dos holofotes dos teus olhos,
E procriaremos gritos e gemidos
Que iluminarão todas as esquinas.
Será o momento de dizer
Achei/achamos amei/amamos
E por primeira vez vocalizar o
Somos, pluralizando-nos
Na emoção do encontro.
Essa a mulher
que não procuro
nem espero.
Você, viu? Você!
Que seja gorda ou magra
Ou alta ou baixa
Ou isto e aquilo.
Não quero uma mulher
Mas sim um porto, uma esquina
Onde virar a vida e olhá-la
De dentro para fora.
Não espero uma mulher
Mas um barco que me navegue
Uma tempestade que me aflija
Uma sensualidade que me altere
Uma serenidade que me nine.
Não sonho uma mulher
Mas um grito de prazer
Saindo da boca pendurada
No rosto emoldurado
No corpo que se apoie
Nas pernas que me abracem.
Não sonho nem espero
Nem quero uma mulher
Mas exijo aos meus devaneios
Que encontrem a única
Que quero sonho e espero
Não uma, mas ela.
E sei onde se esconde
E conheço-lhe as senhas
Que a definem. O sexo
Ardente, a volúpia estridente
A carência do espasmo
O Amor com o dedo no gatilho.
Só quero essa mulher
Com todos seus desertos
Onde descansar a minha pele
Exausta e a minha boca sedenta
E a minha vontade faminta
E a minha urgência aflita
E a minha lágrima austera
E a minha ternura eloquente.
Sim, essa mulher que me excite
Os vinte e nove sentidos
A única a saber
O que dizer
Como fazer
Quando parar
Onde Esperar.
Essa a mulher que espero
E não espero
Que quero e não quero
Essa mulherportoesquina
Que desejo e não desejo
Que outro a tenha.
Que seja alta ou baixa
Isto ou aquilo
Mas que seja ela
Aquela que seja minha
E eu seja dela
Que seja eu e ela
Euela eu lá nela
Que sejamos ela.
E eu então terei encontrado
A mulher que não procuro
O barco, a esquina, Você.
Sim, você, que espreita
Do outro lado da esquina, no cais,
A chegada do marinheiro
Como quem apenas me espera.
Então nos amarraremos sem vergonha
À luz dos holofotes dos teus olhos,
E procriaremos gritos e gemidos
Que iluminarão todas as esquinas.
Será o momento de dizer
Achei/achamos amei/amamos
E por primeira vez vocalizar o
Somos, pluralizando-nos
Na emoção do encontro.
Essa a mulher
que não procuro
nem espero.
Você, viu? Você!
1 521
1
J. G. de Araújo Jorge
Razões de amor
I
Gosto desse teu ar tristonho,
desse olhar de melancolia,
mesmo nos momentos de prazer e de sonho,
ou nos instantes de amor e de alegria...
Gosto dessa tua expressão de ternura
tão suave e feminina,
desse olhar de ventura
com um brilho úmido a luzir num profundo langor...
Desse teu olhar de meiguice que me cativa e domina,
tu que dás sempre a impressão de quem precisa
de proteção e amor...
Desse teu ar de menina, desse teu ar
que te faz mais mulher
ao meu olhar...
Gosto de tua voz, tranqüila, do tom manso
com que falas, como se acariciasses
até as palavras que dizes;
de tua presença, que é assim como um quieto remanso,
um pedaço de sombra onde me abrigo
quando somos felizes...
Gosto desse teu jeito calmo, sossegado,
com que te encostas em meu peito
e te deixas ficar
entre ternuras e embaraços,
como se tudo ficasse, de repente, parado,
e teu mundo pudesse ser delimitado
pelos meus braços...
Gosto de ti assim, pequenina, macia,
quando te aperto contra mim e te sinto
minha
(inteiramente nua)
e tens um ar abandonado, como quem caminha
sonâmbula, por um estranho caminho
feito de céu e de lua...
II
Gosto de ti
desesperadamente:
dos teus cabelos de tarde
onde mergulho o rosto,
dos teus olhos de remanso
onde me morro e descanso;
dos teus seios de ambrósias,
brancos manjares trementes
com dois vermelhos morangos
para as minhas alegrias;
de teu ventre – uma enseada
– porto sem cais e sem mar –
branca areia à espera da onda
que em vaivém vai se espraiar;
de teus quadris, instrumento
de tantas curvas, convexo,
de tuas coxas que lembram
as brancas asas do sexo;
– do teu corpo só de alvuras
– das infinitas ternuras
de tuas mãos, que são ninhos
de aconchegos e carinhos,
mãos angorás, que parecem
que só de carícias tecem
esses desejos da gente...
Gosto de ti
desesperadamente;
gosto de ti, toda, inteira
nua, nua, bela, bela,
dos teus cabelos de tarde
aos teus pés de Cinderela,
(há dois pássaros inquietos
em teus pequeninos pés)
– gosto de ti, feiticeira,
tal como tu és...
Gosto desse teu ar tristonho,
desse olhar de melancolia,
mesmo nos momentos de prazer e de sonho,
ou nos instantes de amor e de alegria...
Gosto dessa tua expressão de ternura
tão suave e feminina,
desse olhar de ventura
com um brilho úmido a luzir num profundo langor...
Desse teu olhar de meiguice que me cativa e domina,
tu que dás sempre a impressão de quem precisa
de proteção e amor...
Desse teu ar de menina, desse teu ar
que te faz mais mulher
ao meu olhar...
Gosto de tua voz, tranqüila, do tom manso
com que falas, como se acariciasses
até as palavras que dizes;
de tua presença, que é assim como um quieto remanso,
um pedaço de sombra onde me abrigo
quando somos felizes...
Gosto desse teu jeito calmo, sossegado,
com que te encostas em meu peito
e te deixas ficar
entre ternuras e embaraços,
como se tudo ficasse, de repente, parado,
e teu mundo pudesse ser delimitado
pelos meus braços...
Gosto de ti assim, pequenina, macia,
quando te aperto contra mim e te sinto
minha
(inteiramente nua)
e tens um ar abandonado, como quem caminha
sonâmbula, por um estranho caminho
feito de céu e de lua...
II
Gosto de ti
desesperadamente:
dos teus cabelos de tarde
onde mergulho o rosto,
dos teus olhos de remanso
onde me morro e descanso;
dos teus seios de ambrósias,
brancos manjares trementes
com dois vermelhos morangos
para as minhas alegrias;
de teu ventre – uma enseada
– porto sem cais e sem mar –
branca areia à espera da onda
que em vaivém vai se espraiar;
de teus quadris, instrumento
de tantas curvas, convexo,
de tuas coxas que lembram
as brancas asas do sexo;
– do teu corpo só de alvuras
– das infinitas ternuras
de tuas mãos, que são ninhos
de aconchegos e carinhos,
mãos angorás, que parecem
que só de carícias tecem
esses desejos da gente...
Gosto de ti
desesperadamente;
gosto de ti, toda, inteira
nua, nua, bela, bela,
dos teus cabelos de tarde
aos teus pés de Cinderela,
(há dois pássaros inquietos
em teus pequeninos pés)
– gosto de ti, feiticeira,
tal como tu és...
2 685
1
Sophia de Mello Breyner Andresen
Corpo
Corpo serenamente construído
Para uma vida que depois se perde
Em fúria e em desencontro vivido
Contra a pureza inteira dos teus ombros.
Pudesse eu reter-te no espelho
Ausente e mudo a todo outro convívio
Reter o claro nó dos teus joelhos
Que vão rasgando o vidro dos espelhos.
Pudesse eu reter-te nessas tardes
Que desenhavam a linha dos teus flancos
Rodeados pelo ar agradecido.
Corpo brilhante de nudez intensa
Por sucessivas ondas construído
Em colunas assente como um templo.
Para uma vida que depois se perde
Em fúria e em desencontro vivido
Contra a pureza inteira dos teus ombros.
Pudesse eu reter-te no espelho
Ausente e mudo a todo outro convívio
Reter o claro nó dos teus joelhos
Que vão rasgando o vidro dos espelhos.
Pudesse eu reter-te nessas tardes
Que desenhavam a linha dos teus flancos
Rodeados pelo ar agradecido.
Corpo brilhante de nudez intensa
Por sucessivas ondas construído
Em colunas assente como um templo.
2 400
1
Liz Christine
Passional
Seu olhar me desconcerta
Penetrante Inquietante
O prazer que em mim desperta
Inquietante Deslumbrante
Ter você sob as cobertas
Deslumbrante Fascinante
O fascínio do teu corpo
Me perco em suas curvas
Em cada esquina deste corpo
Você é minha perdição
Ao mesmo tempo é a razão
Da escrita com paixão
Observo contemplando
Esperando
Sua ação
Faça comigo o que desejar
Sei que vou gostar
Não quer escrever?
Não. Quero apenas você
Linda envolvente
Eterna adolescente
De beleza incandescente
Sua sensualidade latejando
Seus olhos convidam
Todo meu corpo desejando
Você me acariciando
Acabo por escrever
sobre a intensidade
De te querer
Inteligência provocante
A libido reclama
sufocante
Presença fascinante
Em minha cama
Ou banheiro, cozinha, chão
Só importa nossa paixão
Penetrante Inquietante
O prazer que em mim desperta
Inquietante Deslumbrante
Ter você sob as cobertas
Deslumbrante Fascinante
O fascínio do teu corpo
Me perco em suas curvas
Em cada esquina deste corpo
Você é minha perdição
Ao mesmo tempo é a razão
Da escrita com paixão
Observo contemplando
Esperando
Sua ação
Faça comigo o que desejar
Sei que vou gostar
Não quer escrever?
Não. Quero apenas você
Linda envolvente
Eterna adolescente
De beleza incandescente
Sua sensualidade latejando
Seus olhos convidam
Todo meu corpo desejando
Você me acariciando
Acabo por escrever
sobre a intensidade
De te querer
Inteligência provocante
A libido reclama
sufocante
Presença fascinante
Em minha cama
Ou banheiro, cozinha, chão
Só importa nossa paixão
1 038
1
Liz Christine
Orgasmo
Sexo
adorável
palavra
Ato
delicioso
incansável
Corpo
curvas derrapantes
maravilhoso
Você
estou condenada
você é a culpada
De desejos ardentes
Noite gelada
Inverno na madrugada
Parece verão
Corpo febril
Culpa da paixão
Seu rosto infantil
Sorrindo
Não pare...
Estou quase atingindo.
adorável
palavra
Ato
delicioso
incansável
Corpo
curvas derrapantes
maravilhoso
Você
estou condenada
você é a culpada
De desejos ardentes
Noite gelada
Inverno na madrugada
Parece verão
Corpo febril
Culpa da paixão
Seu rosto infantil
Sorrindo
Não pare...
Estou quase atingindo.
1 166
1
Fernando Correia Pina
Lamentação da beata
Catorze quecas me deu
o padre da minha aldeia
no tempo que decorreu
entre o jantar e a ceia.
Fosse a sua parenética
igual à sua tesão
e adeus ó fé soviética,
adeus Marx, adeus Islão.
Porém a língua lhe fica
presa num tom de falsete
porque só a lubrifica
com o óleo do minete.
Perdeu-se assim um Vieira
por ponderosas razões -
maior que o peso da alma
foi o peso dos colhões.
Foi em vão todo o trabalho
do seminário contra o vício,
marcou um ponto o caralho
na peida do Santo Ofício.
o padre da minha aldeia
no tempo que decorreu
entre o jantar e a ceia.
Fosse a sua parenética
igual à sua tesão
e adeus ó fé soviética,
adeus Marx, adeus Islão.
Porém a língua lhe fica
presa num tom de falsete
porque só a lubrifica
com o óleo do minete.
Perdeu-se assim um Vieira
por ponderosas razões -
maior que o peso da alma
foi o peso dos colhões.
Foi em vão todo o trabalho
do seminário contra o vício,
marcou um ponto o caralho
na peida do Santo Ofício.
1 395
1
Caetano Veloso
Tigresa
Uma tigresa de unhas negras e íris cor de mel
Uma mulher, uma beleza que me aconteceu
Esfregando sua pele de ouro marrom do seu corpo contra o meu
Me falou que o mal é bom e o bem cruel
Enquanto os pelos dessa deusa tremem ao vento ateu
Ela me conta, sem certeza, tudo que viveu
Que gostava de política em mil novecentos e setenta e seis
E hoje dança no Frenetic Dancing Days
Ela me conta que era atriz e trabalhou no "Hair"
Com alguns homens foi feliz, com outros foi mulher
Que tem muito ódio no coração, que tem dado muito amor
E espalhado muito prazer e muita dor
Mas ela ao mesmo tempo diz que tudo vai mudar
Porque ela vai ser o que quis, inventando um lugar
Onde a gente e a natureza feliz vivam sempre em comunhão
E a tigresa possa mais do que um leão
As garras da felina me marcaram o coração
Mas as besteiras de menina que ela disse não
E eu corri para o violão, num lamento, e a manhã nasceu azul
Como é bom poder tocar um instrumento
Uma mulher, uma beleza que me aconteceu
Esfregando sua pele de ouro marrom do seu corpo contra o meu
Me falou que o mal é bom e o bem cruel
Enquanto os pelos dessa deusa tremem ao vento ateu
Ela me conta, sem certeza, tudo que viveu
Que gostava de política em mil novecentos e setenta e seis
E hoje dança no Frenetic Dancing Days
Ela me conta que era atriz e trabalhou no "Hair"
Com alguns homens foi feliz, com outros foi mulher
Que tem muito ódio no coração, que tem dado muito amor
E espalhado muito prazer e muita dor
Mas ela ao mesmo tempo diz que tudo vai mudar
Porque ela vai ser o que quis, inventando um lugar
Onde a gente e a natureza feliz vivam sempre em comunhão
E a tigresa possa mais do que um leão
As garras da felina me marcaram o coração
Mas as besteiras de menina que ela disse não
E eu corri para o violão, num lamento, e a manhã nasceu azul
Como é bom poder tocar um instrumento
2 322
1
Sophia de Mello Breyner Andresen
Em Minha Frente Caminhas
Em minha frente caminhas
Pesado do teu desejo,
Pesado da tua graça,
E as tuas mãos tocam as coisas que hão-de vir
E a sua sombra cobre a tua face.
E em tua frente estou suplicante e exausta
Pois a tua vinda apaga
Os meus frágeis gestos de alegria.
E em tua frente estou suplicante e exausta
Pois a tua vinda quebra
A minha vida.
Às vezes todo o dia o teu sorriso
Está presente em cada coisa:
No fundo dos espelhos e nos vidros,
No vermelho das rosas e nos astros.
E através dessa presença caminho em delírio
Para o grande cintilar dos teus desastres
Onde me quero destruir.
Pesado do teu desejo,
Pesado da tua graça,
E as tuas mãos tocam as coisas que hão-de vir
E a sua sombra cobre a tua face.
E em tua frente estou suplicante e exausta
Pois a tua vinda apaga
Os meus frágeis gestos de alegria.
E em tua frente estou suplicante e exausta
Pois a tua vinda quebra
A minha vida.
Às vezes todo o dia o teu sorriso
Está presente em cada coisa:
No fundo dos espelhos e nos vidros,
No vermelho das rosas e nos astros.
E através dessa presença caminho em delírio
Para o grande cintilar dos teus desastres
Onde me quero destruir.
2 016
1
Paul Groussac Mendes
Sua vulva freme
(para Maria Teresa)
Sua vulva freme
de desejo
pois vejo
que treme
Sentindo o cheiro
de minha pele que enlaço
pois faço
de teu corpo faceiro
o meu porto
que me deixa
com teu olhar de gueixa
de tesão quase morto...
Sua vulva freme
de desejo
pois vejo
que treme
Sentindo o cheiro
de minha pele que enlaço
pois faço
de teu corpo faceiro
o meu porto
que me deixa
com teu olhar de gueixa
de tesão quase morto...
974
1
Henry Corrêa de Araújo
Olho a olho
procuro
onde teu corpo
no escuro
frente a frente
concentro
onde melhor
te adentro
palmo a palmo
penetro
onde animal
te adestro
corpo a corpo
te sugo
onde mulher
o teu suco
pouco a pouco
retorno
à condição
vegetal.
onde teu corpo
no escuro
frente a frente
concentro
onde melhor
te adentro
palmo a palmo
penetro
onde animal
te adestro
corpo a corpo
te sugo
onde mulher
o teu suco
pouco a pouco
retorno
à condição
vegetal.
1 204
1
Augusto dos Anjos
A Fome e o Amor A um Monstro Fome!
E, na ânsia voraz que, ávida, aumenta,
Receando outras mandíbulas a esbangem,
Os dentes antropófagos que rangem,
Antes da refeição sanguinolenta!
Amor! E a satiríasis sedenta,
Rugindo, enquanto as almas se confrangem,
Todas as danações sexuais que abrangem
A apolínica besta famulenta!
Ambos assim, tragando a ambiência vasta,
No desembestamento que os arrasta,
Superexcitadíssimos, os dois
Representam, no ardor dos seus assomos
A alegoria do que outrora fomos
E a imagem bronca do que inda hoje sois!
Receando outras mandíbulas a esbangem,
Os dentes antropófagos que rangem,
Antes da refeição sanguinolenta!
Amor! E a satiríasis sedenta,
Rugindo, enquanto as almas se confrangem,
Todas as danações sexuais que abrangem
A apolínica besta famulenta!
Ambos assim, tragando a ambiência vasta,
No desembestamento que os arrasta,
Superexcitadíssimos, os dois
Representam, no ardor dos seus assomos
A alegoria do que outrora fomos
E a imagem bronca do que inda hoje sois!
3 178
1
Leila Mícollis
Poema para o namorado
Teu lado feminino me erotiza:
são belos, sensuais e muito caros
certos instantes gostosos, em que te encaro
menos como homem e mais como menina:
quando passas teus cremes para a pele,
ou pões o avental pra cozinhar,
ou quando em mim te esfregas
até gozar os teus gozos sem fim,
ou quando tuas mãos, leves e lésbicas,
desabam como plumas sobre mim.
são belos, sensuais e muito caros
certos instantes gostosos, em que te encaro
menos como homem e mais como menina:
quando passas teus cremes para a pele,
ou pões o avental pra cozinhar,
ou quando em mim te esfregas
até gozar os teus gozos sem fim,
ou quando tuas mãos, leves e lésbicas,
desabam como plumas sobre mim.
1 470
1
Ildásio Tavares
Soneto da posse
Amar é possuir. Não mais que o gozo
quero. Não sei porque desejas tanto
escravizar-me; escravizar-te. Quanto
menos me tens, mais me terás. Gostoso
é ser-me livre, alegre, escandaloso –
o peito aberto pra cantar meu canto;
os olhos claros pra ver todo encanto;
as mãos aladas, pássaros sem pouso.
Abre-me o corpo, vem dá-me o teu vale,
e a esconsa flor que ocultas hesitante,
pois o que falo o falo sem que fale
em tom de amor. Quero vaivem, espasmo -
um corpo a corpo num só corpo palpitante,
dois no galope até o sol de um só orgasmo.
quero. Não sei porque desejas tanto
escravizar-me; escravizar-te. Quanto
menos me tens, mais me terás. Gostoso
é ser-me livre, alegre, escandaloso –
o peito aberto pra cantar meu canto;
os olhos claros pra ver todo encanto;
as mãos aladas, pássaros sem pouso.
Abre-me o corpo, vem dá-me o teu vale,
e a esconsa flor que ocultas hesitante,
pois o que falo o falo sem que fale
em tom de amor. Quero vaivem, espasmo -
um corpo a corpo num só corpo palpitante,
dois no galope até o sol de um só orgasmo.
1 204
1
Fernando Correia Pina
Esse cu que deu brado
Esse cu que deu brado e que foi musa
de versos ímpios e desejos escandalosos
chora agora sob o shador da blusa
lamentando seu passado em ais gasosos.
Não fora tanto gozo e tanta tusa,
tantos metros de picha bem gostosos
e talvez que essa peida que se escusa
ainda brilhasse entre os traseiros famosos.
Porém, choveu sobre ela a celulite
e esse cu que era pura dinamite
hoje é cu de esconder, não de mostrar...
cuidai-vos, pois, que o prazer tem um limite
e se bem que esta verdade nos irrite,
cu não é pra foder, é pra cagar.
de versos ímpios e desejos escandalosos
chora agora sob o shador da blusa
lamentando seu passado em ais gasosos.
Não fora tanto gozo e tanta tusa,
tantos metros de picha bem gostosos
e talvez que essa peida que se escusa
ainda brilhasse entre os traseiros famosos.
Porém, choveu sobre ela a celulite
e esse cu que era pura dinamite
hoje é cu de esconder, não de mostrar...
cuidai-vos, pois, que o prazer tem um limite
e se bem que esta verdade nos irrite,
cu não é pra foder, é pra cagar.
1 686
1
Tatiana V. Mattos
Tu
Ah, se tu estivesse aqui neste momento...
Deixaria teus braços enlaçarem meu corpo,
tua boca vir de encontro à minha,
teus olhos me guiarem.
Seria tua da maneira que quisesses,
da maneira que desejasses.
Porque só tu és capaz de fazer sonhar,
tua imagem me enfeitiça.
Sou capaz de ceder à todas as suas
vontades sem questioná-las,
porque perto de ti
não sou dona de mim,
sou simplesmente tua.
Deixaria teus braços enlaçarem meu corpo,
tua boca vir de encontro à minha,
teus olhos me guiarem.
Seria tua da maneira que quisesses,
da maneira que desejasses.
Porque só tu és capaz de fazer sonhar,
tua imagem me enfeitiça.
Sou capaz de ceder à todas as suas
vontades sem questioná-las,
porque perto de ti
não sou dona de mim,
sou simplesmente tua.
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