Poemas neste tema

Desejo

Virgínia Schall

Virgínia Schall

Beijo

sua boca
uva rubra
roça meus lábios
e por segundos
somos murmúrios úmidos
seiva cósmica
de línguas
púrpuras

1 025
Stela Fonseca

Stela Fonseca

Desejo

Diante de mim
o seu corpo
belo
firme
quase nu
com cheiro
de mar
e de amor.
Diante dele
o meu querer
o meu desejo
intenso
inteiro
integral
indescritível
de tocar
cheirar
sentir
aquele corpo
aquele homem
aquele amigo
desejo.

746
Carlos Alberto Pessoa Rosa

Carlos Alberto Pessoa Rosa

Raízes

enfio
meu pau em sua vagina
enraízo
sou falo
és a terra de minhas raízes
a nutrir o gozo
sou tronco
enfiado na terra de seu corpo
sou raiz
és o solo
eu apenas o agregado
és chupa
onde deposito minhas sementes
vestígios
que escoam na geratriz

938
Adolfo Capella

Adolfo Capella

Menina, mulher amante

Menina, mulher amante,
com seus olhos brilhantes,
quero ter você por um instante,
e beber teu prazer constante...
Beijar o teu corpo gostoso,
lamber seu pescoço,
e ser grudento aos poucos...
Se te quero tanto assim,
nesta ilusão tão ruim,
é porque para mim,
és um castigo sem fim...
Na minha serra querida,
tu és a minha guia,
te quero nua de dia,
nem que seja por fantasia...

1 581
Aléxandros Papadópoulos Evremídis

Aléxandros Papadópoulos Evremídis

Sinal de vida

De costas
Deitada
E entreaberta
Fantasia a fluir
Dedo no
Grelo e lábios
A bulir

Até ...

Muco produzir

Depois ...

Dedo na boca introduzir
Para o sabor sentir
Bem
Que gosto muco tem?
Suco
De fruta do Além...

997
Adélia Prado

Adélia Prado

Rute No Campo

No quarto pequeno
onde o amor não pode nem gemer
admiro minhas lágrimas no espelho, sou humana,
quero o carinho que à ovelha mais fraca se dispensa.
Não parecem ser meus meus pensamentos.
Alguns versos restam inaproveitáveis,
belos como relíquias de ouro velho quebrado,
esquecidas no campo à sorte de quem as respigue.
A nudez apazigua porque o corpo é inocente,
só quer comer, casar, só pensa em núpcias,
comida quente na mesa comprida
pois sente fome, fome, muita fome.
1 231
Camila Sintra

Camila Sintra

Arrepios

o beijo nos lábios
arrepia o pescoço

a mão nas tetas
arrepia os mamilos

a língua no grelo
arrepia a espinha

o dedo no cu
arrepia o ventre

o pau na boceta
arrepia até a alma

e teu olhar no meu
arrepia-me como mais nada...

1 032
Stela Fonseca

Stela Fonseca

Deleite

Doce homem
meu amado
meu amor.
Que êxtase
ver seus olhos
se abrirem em
raios de luz
seu corpo
desmanchar-se
em iluminado prazer
e seu sexo alçar vôo
nas vezes em que
minha boca viaja
na sua anatomia.

1 043
Desconhecido

Desconhecido

O que é, o que é?

Pode ser grosso ou comprido
fino e delicado
mas anda sempre escondido
quando não é procurado

É um objeto roliço
que serve para gozar
está sempre a serviço
tendo a mão para segurar

Após ser introduzido
em uma fenda rosada
sai sempre diminuído
trazendo a ponta molhada

Certa moça que conheço
bonita, formosa e bela
pediu-me com olhos travessos
que encostasse o meu no dela

De três sílabas se compõe
e com sete letras só
começa com a letra "c"
termina com a letra "o"

Se pensa que é saliência
ao julgar o que lhes narro
descanse sua consciência
isto é apenas um...

1 157
Natália Correia

Natália Correia

Mocinhas gráceis

Mocinhas gráceis, fungíveis
Mimosas de carne aérea
Que pela erecção dos centauros
Trepais como doida hera!
Por ardentes urdiduras
De Afrodite que abonais
Passais como queimaduras
E tudo em fogo deixais.

Ofegar de onda retida
Na ocupação epidérmica
De serdes a exactidão
Florida da primavera,
Todas de luz invadidas,
Soi, porém, as irreiais
Bonecas de sol sumidas
No fulgor com que alumbrais.

Lá no fundo dos desejos
Chegais macias e quentes
Com violas nos cabelos,
Nas ancas, quartos crescentes;
Nas pernas, esguios confeitos,
Na frescura o vermelhão
De uma alvorada que rompe
Em seios de requeijão.

Enleais, mas de enleadas,
Ó volúveis, ó felinas!
Saltais fazendo tinir
Risadas de turmalinas;
E com as asas do segredo
Que vos faz misteriosas
– Pois sendo divinas, sois
Do breve povo das rosas –,
Adejais de beijo em beijo
Já que para gerar assombros
Vicejam as folhas verdes
Que vos farfalham nos ombros.

Ó doçaria que em línguas
Acres sois torrões de mel,
Quando idoneamente ninfas
Vos vestis da vossa pele!
Se a olhares venéreos furtar-vos
Em roupas não vale a pena,
Pois mesmo vestidas estais
Nuinhas de graça plena,
De esbelta nudez plantai
Róseos calcanhares nos dias
Fugazes, não vá Vulcano
Levar-vos para sombras frias;
Não sequem os anos corpinhos
De aragem que os deuses sopram,
Que os anos são os malignos
Sinos que pela morte dobram.

Mocinhas fúteis que sois
Da vida as espumas altas
Leves de não vos pesar
O peso de terdes almas;
Que essa força de encantar,
Ó belas! cria, não pensa.
Ser perdidamente corpo
É a vossa transparência.
2 120
Adélia Prado

Adélia Prado

Aqui, Tão Longe

Neste bairro pobre todos têm um real
para comprar as frutas
do caminhão de São Paulo.
Homens não pagam às mulheres.
Todas da vida, dão de comer e comem
coisas, de si, agradecidas.
Só morrem os muito velhinhos
que pedem pra descansar.
Pais e mães vão-se às camas
pra fazerem seus filhinhos,
cadelas e cães à rua
fazerem seus cachorrinhos.
Ao crepúsculo me visita
essa memória dourada,
mentira meio existida,
verdade meio inventada.
O sol da tarde finando-se,
ao cheiro de lenha queimada
todos se vão à fogueira
dançar em volta das chamas
para um deus ainda sem nome,
um medo lhes protegendo,
um ritmo lhes ordenando,
jarro, caneca, bacia,
cama, coberta, desejo
que amanhã seja outro dia,
igual a este dia, igual,
igual a este dia, igual.
1 165
Eduardo Durso

Eduardo Durso

Erótica

amar-te, ter-te em segredo
lamber-te, sugar teu grelo
gravar meus dentes em tua carne
cravar-me intenso, em ti, inteiro
sensação, sentir o teu cheiro
levar-nos, leve, a paixão
levar-me, elevar-me
enlear-me em teus enlevos
ler e reler teu corpo
saborear teu enredo
arredio, rumino e rio
num rasgo, rodopio e arrepio
aí rimo teu nome com desejo
sonho, com tua saia, teu seio
e seja o que for, com teu beijo
delírio, quente, febril
imagino, morro, desvio
de tudo, meu desvario
devaneio, louco, atrevido
me entrego, para ti, me deixo
em ti, e tu, rouca
embriaga-se com meu leite
e abate-se sobre o meu leito

946
Cristiane Neder

Cristiane Neder

Águas de Forestier


O vinho que toca seus lábios
desperta o pecado
em um pobre pagão
que sonha com o paraíso,
onde todas as águas
se transformam em vinho,
dos rios, lagos, marés e cachoeiras,
salgadas, doces, porém todas vermelhas.
Lavando seus pés,
molhando os seus seios,
escorrendo sobre todo seu corpo
o doce veneno,
que nos embriaga a sede de outras paixões.
Pequenos Bacos
brincando de serem anões,
e todo pecado será desculpado
por todo motivo impulsionado por prazer.
Toda musa será deusa,
todo ateu será josé,
e o pecado é não beber
da fonte das águas de Forestier.

925
Maria Rachel Lopes

Maria Rachel Lopes

Compasso

Te quero aqui comigo
Agora
Sem medo de mim
Ou da hora
Quero teu corpo
No meu corpo
Meus cabelos
No teu rosto
E no abraço
O compasso
Curto
Urgente
Pra gente ser verso
Até amanhã
Até de manhã

768
Adélia Prado

Adélia Prado

A Noiva

Meu bem supremo é o lugar
onde sonhar é a máxima vigília.
Em qualquer reluzente coisa eu o procuro,
bem que só a mim servirá,
os sapatos da Cinderela.
Talismã ou relíquia,
seu ouro me apela às núpcias,
por orgulho meu de pobreza
sempre procrastinadas.
Mas chega a hora e é esta
em que se não o acolher
o noivo se irá desesperado de mim
morar com outra menina
na reluzente montanha.
1 150
Patrícia Clemente

Patrícia Clemente

Máquina

o ronco de seus motores
me acende
te sinto aquecer a pele
nos dentes
chama
quem chama
a máquina de chama
a máquina me acende
máquina do gozo.
nos dentes.

963
Adélia Prado

Adélia Prado

Branco E Branco

Fervor, afoiteza, beco estreito,
menino com menina,
flores chamadas lírios,
dente novo mordendo talo verde,
como se o sangue deles fosse branco.
1 170
Fernando Correia Pina

Fernando Correia Pina

Entardecer

Sentada na soleira do portado,
gozando a doce calma, estava a bela
com seu longo cabelo descuidado,
a saia recuada, a perna à vela.

O sol poente, viscoso e descarado,
pintou o fim da tarde em aguarela
e foi beijar-lhe a púbis, delicado,
qual brisa aflorando negra vela.

Cheio de tesão, ergui-me e avancei
feito a lançar a mão sobre o que olhei,
alinhavando umas desculpas toscas.

Porém, ao alcancar-lhe a poejeira,
lamentei amargamente aquela asneira
pois não eram pintelhos mas, sim, moscas.

1 234
Mariana Ferreira

Mariana Ferreira

Sonho e poesia

Te vendo ali deitado
tão calmo e sereno
tive vontade de deitar
ao teu lado...

Como sentindo o meu olhar
distante, observando teu
corpo nu, sorriu suavemente
abrindo os olhos a me fitar...

Como num sonho suave de
amor fui andando lentamente
em tua direção fitando teus
olhos a me esperar...

Te vendo ali deitado tão
perto e tão longe...tive
vontade de jogar-me
nos teus braços...

Como que sentindo o
meu desejo saltitante
e me sentindo tão sua,
foi calmamente me abrindo teus
braços...

Como num sonho suave
de amor, fui me entregando aos
desejos nos teus olhos,
fui me deixando abraçar
pelo teu corpo...

E ali deitada em teus
braços fui sentindo o
calor dos teus lábios,
a doçura das tuas mãos,
a firmeza do teu corpo...

E ali deitada ardendo em
desejos, te amo calma e feroz,
tomando o teu corpo no meu,
sentindo teu coração disparar
querendo-me tua...

E ali deitada confundindo
nossos corpos, te sinto por
inteiro, sem medo e sem pudor
te aconchego suavemente e em
movimentos lentos e ritmados
te levo a loucura e me deixo levar...

E ali deitada entre beijos
e sorrisos, entre desejos e carinhos,
sou tua... e sentindo meu corpo
desfalecer, me inunda de vida e amor...

Me faz sorrir e até chorar,
me faz amar!

1 127
Jorge Lúcio de Campos

Jorge Lúcio de Campos

A origem do mundo

(a Gustave Courbet)

Há uma doença qualquer tagarela
nesse buço de quasares negros

ao meu lado; aqui comigo a carne
ferve aos poucos – cortes lentos

Mas por que não regurgita agora
a vulva cáqui linguaruda

sob a luz desenroscada
da manhã?

936
Geraldo Ângelo Rasputim

Geraldo Ângelo Rasputim

Púbis carente

Púbis carente
Saudades
Momentos contentes
gozo,
êxtases
suspiros

Gemidos
Gritos.

Pecado
Volúpia
Boca molhada
Pêlos molhados
Suor
pecados
Líquido salgado

Saudades
Púbis carente

904
Pedro Miranda

Pedro Miranda

Paraíso

(Dedicado a minha mulher, Inês)

Como é lindo o Paraíso
melhor apreciado
de olhos fechados
cheira a flor
sabor de néctar
brisa quente corpo ardente
parece que vôo
parece que sonho.

Sossegai minha doce Inês
este lindo Paraíso não é a morte que me trás
sou eu a lamber-te por trás.

1 056
Patrícia Clemente

Patrícia Clemente

Devoção

Molhados um do outro nossos corpos são,
Cansada, nos teus braços, queres me fazer dormir.
Não quero.
Não quero que se esfrie o meu suor no teu.
Não quero que se perca o teu cheiro em mim.
Entende, meu Senhor, eu não sou nada.
Mesmo que o queiras, nunca igual a ti.

Eu limpo em minhas roupas o suor do teu corpo,
Cuidadosa, seco o que deixei em ti,
Parte a parte tiro-te o suor do corpo,
Meu vestido enxuga o dorso, teus cabelos,
Tuas coxas, tuas pernas, teus quadris.
A calcinha limpa o teu sexo.

Depois me visto.
Com tua permissão me retiro
Levando teu cheiro em mim.

981
Carlos Alberto Pessoa Rosa

Carlos Alberto Pessoa Rosa

Orgasmo

beijo seus pêlos
até um pentelho descansar entredentes
chupo seu clitóris
com sabor de licor de chocolate
enfio meu gozo dentro de seu poço
e relaxo
língua com língua

1 239