Corpo
Vinicius de Moraes
Poema Dos Olhos da Amada
Que olhos os teus
São cais noturnos
Cheios de adeus
São docas mansas
Trilhando luzes
Que brilham longe
Longe nos breus...
Ó minha amada
Que olhos os teus
Quanto mistério
Nos olhos teus
Quantos saveiros
Quantos navios
Quantos naufrágios
Nos olhos teus...
Ó minha amada
Que olhos os teus
Se Deus houvera
Fizera-os Deus
Pois não os fizera
Quem não soubera
Que há muitas eras
Nos olhos teus.
Ah, minha amada
De olhos ateus
Cria a esperança
Nos olhos meus
De verem um dia
O olhar mendigo
Da poesia
Nos olhos teus.
Everaldo Moreira Verás
Possessão
O quarto, no escuro, tinha sido a cela escolhida.
A madrugada branca nos disse
que nunca mais o dia raiava.
Aí,
te apertei contra mim,
o lençol quente nos uniu.
Na rua, a luz do poste marcava, no chão,
a hora estranha de esquecer a fuga.
Baixinho murmurei o teu segredo
e a voz era doce mentira de amor.
Então,
entrei no teu corpo virgem
a tua alma me possui depois,
quase chuvamente mulher.
Vinicius de Moraes
O Mergulhador
Leopardi
Como, dentro do mar, libérrimos, os polvos
No líquido luar tateiam a coisa a vir
Assim, dentro do ar, meus lentos dedos loucos
Passeiam no teu corpo a te buscar-te a ti.
És a princípio doce plasma submarino
Flutuando ao sabor de súbitas correntes
Frias e quentes, substância estranha e íntima
De teor irreal e tato transparente.
Depois teu seio é a infância, duna mansa
Cheia de alísios, marco espectral do istmo
Onde, a nudez vestida só de lua branca
Eu ia mergulhar minha face já triste.
Nele soterro a mão como a cravei criança
Noutro seio de que me lembro, também pleno...
Mas não sei... o ímpeto deste é doído e espanta
O outro me dava vida, este me mete medo.
Toco uma a uma as doces glândulas em feixes
Com a sensação que tinha ao mergulhar os dedos
Na massa cintilante e convulsa de peixes
Retiradas ao mar nas grandes redes pensas.
E ponho-me a cismar… - mulher, como te expandes!
Que imensa és tu! maior que o mar, maior que a infância!
De coordenadas tais e horizontes tão grandes
Que assim imersa em amor és uma Atlântida!
Vem-me a vontade de matar em ti toda a poesia
Tenho-te em garra; olhas-me apenas; e ouço
No tato acelerar-se-me o sangue, na arritmia
Que faz meu corpo vil querer teu corpo moço.
E te amo, e te amo, e te amo, e te amo
Como o bicho feroz ama, a morder, a fêmea
Como o mar ao penhasco onde se atira insano
E onde a bramir se aplaca e a que retorna sempre.
Tenho-te e dou-me a ti válido e indissolúvel
Buscando a cada vez, entre tudo o que enerva
O imo do teu ser, o vórtice absoluto
Onde possa colher a grande flor da treva.
Amo-te os longos pés, ainda infantis e lentos
Na tua criação; amo-te as hastes tenras
Que sobem em suaves espirais adolescentes
E infinitas, de toque exato e frêmito.
Amo-te os braços juvenis que abraçam
Confiantes meu criminoso desvario
E as desveladas mãos, as mãos multiplicantes
Que em cardume acompanham o meu nadar sombrio.
Amo-te o colo pleno, onda de pluma e âmbar
Onda lenta e sozinha onde se exaure o mar
E onde é bom mergulhar até romper-me o sangue
E me afogar de amor e chorar e chorar.
Amo-te os grandes olhos sobre-humanos
Nos quais, mergulhador, sondo a escura voragem
Na ânsia de descobrir, nos mais fundos arcanos
Sob o oceano, oceanos; e além, a minha imagem.
Por isso - isso e ainda mais que a poesia não ousa
Quando depois de muito mar, de muito amor
Emergindo de ti, ah, que silêncio pousa
Ah, que tristeza cai sobre o mergulhador!
Everaldo Moreira Verás
Descer
Tu sangravas o suor sedento
que vinha das entranhas de mim.
E a boca engolia o beijo
como se isso fosse o último adeus.
Os seios ardiam (pudins de morango)
e eu os devorei ansiosamente homem
temendo chegar a madrugada.
Percorri teu corpo quase em chamas
minha cabeça parecia um rolo compressor.
E fui descendo
descendo
descendo
até enlouquecer na entrada daquele túnel vivo.
Nunca, nunca um homem desceu tanto!
Fontoura Xavier
Pomo do Mal
Os filtros da lascívia e o sensualismo bruto!
Tudo que em ti revive é torpe e dissoluto,
Tu és a encarnação da síntese dos males.
No entanto, toda a vez que o seio te perscruto,
A transbordar de amor como o prazer de um cálix
Assalta-me um desejo, ó glória das Onfales!
— Morder-te o coração como se morde um fruto!
Então, se dentro dele um mal que à dor excite
Conténs de mais que o pomo estéril do Asfaltite,
Eu beberia a dor nos estos do delírio!...
E podias-me ouvir, excêntrico, medonho,
Como um canto de morte ao ritmo dum sonho,
O poema da carne a dobres de martírio!...
Vinicius de Moraes
Parte, E Tu Verás
Como as coisas que eram, não são mais
E o amor dos que te esperam
Parece ter ficado para trás
E tudo o que te deram
Se desfaz.
Parte, e tu verás
Como se quedam mudos os que ficam
Como se petrificam
Os adeuses que ficaram a te acenar no cais
E como momentos que passaram apenas
Perecem tempos imemoriais.
Parte, e tu verás
Como o que era real, resta impreciso
Como é preciso ir por onde vais
Com razão, sem razão, como é preciso
Que andes por onde estás.
Parte, e tu verás
Como insensivelmente esquecerás
Como a matéria de que é feito o tempo
Se esgarça, se dilui, se liquefaz
E qualquer novo sentimento
Te compraz
Repara como um novo sofrimento
Te dá paz
Repara como vem o esquecimento
E como o justificas
E como mentes insensivelmente
Porque és, porque estás
Ah, eterno limite do presente
Ah, corpo, cárcere, onde faz
0 amor que parte e sente
Saudade, e tenta, mas
Para viver, subitamente, mente
Que já não sabe mais
Vida, o presente; morte, o ausente -
Parte, e tu verás...
Flexa Ribeiro
Crucificação
Abertas num perfume, orquídeas solitárias.
Subindo em espiral, como o meu Sentimento,
duma caçoila estranha, as essências mais várias...
Quatro esfinges a olhar, vagas e funerárias...
Um Cristo de marfim, visionário e sangrento.
Quase apagado o som de aveludadas árias,
através dos cristais, trazidas pelo vento...
E de tons de violeta uma luz o ilumina:
ambiente sensual, espiritualizado
à emoção virginal que me prende e domina...
Sobre lâmina de ouro — em formato de lira —
se estende o Corpo em flor, macio e perfumado,
em que todo o meu ser se alucina e delira!
Nuno Júdice
Sob o tampo do poema
do cipreste. O vento frio puxava-lhe os cabelos para cima
do chapéu negro. Punha os óculos, apoiava-se ao muro.
Do outro lado um sinistro oceano impunha-lhe a vocação,
o sonho; bebia os pequenos barulhos terrestres
como quem se despede. Começou, finalmente, a reparar
na espessura das suas próprias mãos. O trabalho de segurar
a caneta sobre o papel gastara-lhes a pele. Levantou-as
à altura dos olhos e, através delas, viu o escuro traçado
do horizonte. Ficou assim, foi assim que o encontraram
os vorazes animais da morte. Mas a boca mexeu-se ainda
durante dias e noites sucessivas: "Poesia... poesia."
Nuno Júdice | "Obra poética:1972-1985", pág. 188 | Quetzal Editores, 1999
Nuno Júdice
O brilho das cinzas
O vento agita os ramos altos do cipreste;
no escuro mármore lê-se ainda o meu nome.
Morto, mas subitamente mais vivo,
ouço os vastos barulhos terrestres e o
anúncio subterrâneo da próxima catástrofe.
Rindo-me para os bichos de quem sou a fria
morada, abro e fecho os ossos do rosto
num esgar de gozo. "Em breve o meu corpo
regressará à superfície. Encontrar-me-eis,
ó gente humana, nas idênticas circunstâncias do Juízo." Nessa noite, os coveiros notaram
uma insólita agitação no fundo da terra.
Nuno Júdice | "Obra poética:1972-1985", pág. 157 | Quetzal Editores, 1999
Emiliano Perneta
De um Fauno
Juno! com seu andar de névoa que flutua,
Poder despi-la dessa túnica de linho...
E vê-la nua! Eu só compreendo estátua nua!
Nua! essa corça nua é branca, e é como a Lua...
Ser eu Apolo! embriagá-la do meu vinho!
Porém se estendo no ar os meus braços, recua,
Esquiva a dama apressa o passo miudinho...
A dama foge, não deseja que eu avance...
Meu desejo, porém, é um gamo. De relance,
Vendo-a, corre a querer sugar-lhe o claro mel...
Despe-a; carrega-a, assim, despida, para o leito...
E, nua, em flor, bem como um sátiro perfeito,
Sobre o feno viola essa Virgem cruel!
Manuel António Pina
Coração, sombras de quem?
e me falta sob as palavras
é o que me falta também onde
o coração verdadeiro falta?
A voz que fala,
a minha verdadeira voz de alguém,
é o silêncio que em
isto se cala?
E eu, ou quem?
O de mim, as palavras,
os gestos, o espaço?
Onde me pesas, cansaço?
Voz, a quem me falas?
Coração, sombras, de quem?
Manuel António Pina | "Todas as palavras - poesia reunida 1974-2011", pág. 114 | Assirio & Alvim, 2012
Nuno Júdice
Poema II
vidrada dos oblíquos idiomas do amor: as cinzas
de um pássaro refractam-te os cristais da
respiração, prendendo-me os olhos no sulco das cores
amargas da voz. Um eco de mar na concha dos lábios
anuncia o crepúsculo dos hemisférios, que uma
súbita dissolução de versos canta - rumor
que se perde no canto dos mapas, onde o rumo do corpo
se sobrepõe ao traçado de um continente sinuoso.
Colho as flores coaguladas dos sexos
abolidos. Misturo-as no fogo dos tampos arredondados
da manhã, quando o avermelhado silêncio das cigarras
se afoga num encrespar de charco. Bebo as
essências de um sonho cartulário, húmidas sombras
cuja mancha se inscreve na obscura alma. - Que
forma reproduzem? Traços da análoga caverna, peitos
marcados pelo chicote das viagens, im-
precações do rum na voz rouca dos faróis...
Só o que ouço subsiste ( - Mas que luzes
vacilam ainda na névoa da eternidade?)
Nuno Júdice | "Obra poética 1972 - 1985", pág. 297 | Quetzal Editores, 1999
Nuno Júdice
A tua mão
e ela resiste à mão que a desvia; mas
procuro acertar no seu ângulo, e entre-
ver a fresta por onde o amor corria.
Beijo essa mão e ela abre o caminho
para onde me encontro e me perco,
bebendo desse cálice o puro vinho
que me liberta sem sair do cerco.
Amo a tua mão que me guia e prende,
a doce mão de tão finos dedos
a que o meu desejo se rende;
e ao procurá-la, sabendo o que me faz,
deixo que me ensine os seus segredos,
e guardo-a na minha, quando ma dás.
José Miguel Silva
Não é tarde
onde o ar escasseia. Mas não te preocupes,
eu fecho mais a porta.
Gestos e paveias, acendalhas, o isqueiro
funciona! Poderoso combustível
é o corpo. Acende deste lado.
Ainda não é tarde, foi agora anunciado
pela rádio, são dezoito e vinte e cinco.
Respira-nos, repara, a ilusão de que a vida
não se esgota, como os saldos de Verão.
E a morte, à medida que te despes,
vai perdendo o nosso número de telefone.
Ieda Estergilda
Sensações
ternura e náusea
o que vai nascer soca
minhas entranhas e aumenta
as expectativas.
o que sei dele, do esperado
é meu corpo se abrindo para lhe dar lugar
pesando, com seu corpo dentro.
o que vai nascer vive
em leito de água e silêncio
nada sabe do que se fala e trama cá fora
o que vai nascer não sabe
forma-se a cada dia para o dia de ser entre nós.
José Miguel Silva
A caminho do fogão
o ar despenteado com que chegas a casa e me dizes:
outra vez sopa de nabos; adoro a impaciência com
que me arrancas aos diálogos com o nada, quando
me contas os teus feitos na república do frio; adoro
a tua insónia, os teus escrúpulos morais, a tua esponja
de banho, o teu espírito lavado por agudos desenganos;
outrossim acompanhar-te nas perguntas sublinhadas
pelo tempo, e o teu corpo possuído pela mágica
da música amorosa, quando dança seminu à minha
frente e eu só penso: que bem feito está o mundo.
Orlando Mendes
Noiva
para uma grinalda na carapinha desfrisada.
Eu te daria um colar de missangas coloridas
para uma cruz de outra carne a fogo marcada
sobre o seio esquerdo ao rasgar da virgindade.
Eu te daria um trevo de quatro folhas verdes
para que te nascesse o primeiro filho varão.
Eu te daria se não fosses a noiva de todos
fazendo bandeira com uma capulana garrida
às nove da noite naquela rua de areia
suburbana. Uma rosa encarnada se desfolha
na fonte do teu corpo em cada lua nova como
se fosses a virgem noiva a quem eu daria
flores de laranjeira, um colar e um trevo
que te darei talvez para usares quando não
puderes ser noiva de todos fazendo bandeira
às nove horas da noite naquela rua de areia.
Nuno Júdice
Leio o amor
da tua pele; demoro-me em cada
sílaba, no sulco macio
das vogais, num breve obstáculo
de consoantes, em que os meus dedos
penetram, até chegarem
ao fundo dos sentidos. Desfolho
as páginas que o teu desejo me abre,
ouvindo o murmúrio de um roçar
de palavras que se
juntam, como corpos, no abraço
de cada frase. E chego ao fim
para voltar ao princípio, decorando
o que já sei, e é sempre novo
quando o leio na tua pele.
João Quental
Cartas
1.
Tua rosa é rosa.
A nossa, quem poderá dizer?
Não é o problema: são as palavras.
2.
Algumas palavras são tão preciosas
como distinguir nosso nome
entre duas pessoas que murmuram.
3.
Frio é o lugar onde se forma o pensamento.
Entre gestos elementares, um jardim inacessível.
Frias eram as horas.
4.
É triste possuir um corpo e não possuí-lo.
Nevoada, triste quando você sorri.
E quando não.
5.
quando a noite estiver em minha memória
minha memória será noite]
6.
Uma mulher de noites.
Flutuar e escolher. Exí1io estranho.
7.
Golpeando à esmo - inadequada enquanto música.
(1987)
Al Berto
a noite chega-me
durmo sobre as águas e tenho medo
encolho-me no leito estreito, no fundo dele, onde o linho já não fulgura
queda a queda, voo
não consigo dormir com esta ferida
as máquinas sussuram, trepam pelas paredes, escancaram portas, invadem a casa, ocupam os sonhos
sirenes, alarmes lancinantes, cremalheiras da noite ressoando no limite do corpo
levanto-me e saio para a rua
caminho na chuva adocicada da manhã, as pedras acendem-se por dentro, reconhecem-me
uma voz líquida arrasta-se no interior dos meus passos, ecoa pelos recantos ainda vivos do teu corpo
em ti acostam os barcos e a sombra dos grandes navios do mundo
vive o peixe, agitam-se algas e medusas de mil desejos
em ti descansam os pássaros chegados doutras rotas
secam as redes, põe-se o sol
em ti se abandona a ressaca das ondas e o sal dos meus olhos
as árvores inclinadas, os frutos e as dunas
em ti pernoita a seiva cansada de palavras, o suco das ervas e o açúcar transparente das camarinhas
em ti cresce o precioso silêncio, as ostras doentes e as pérolas dos mares sem rumo
em ti se perdem os ventos, a solidão do mar e este demorado lamento
Manuel António Pina
Não o sonho
recordação de um sonho
de que alguém (talvez tu) acordou
(não o sonho, mas a recordação dele),
um sonho parado de que restam
apenas imagens desfeitas, pressentimentos.
Também eu não me lembro,
também eu estou preso nos meus sentidos
sem poder sair. Se pudesses ouvir,
aqui dentro, o barulho que fazem os meus sentidos,
animais acossados e perdidos
tacteando! Os meus sentidos expulsaram-me de mim,
desamarraram-me de mim e agora
só me lembro pelo lado de fora.
Al Berto
Os dias sem ninguém
pequeníssimos recados escritos à pressa
amachucados nos dedos
foi bela a madressilva
subindo pela noite da morada esquecida
pedras exactas poeiras perfumadas
bichos de lume dormitando na flexibilidade da argila
areias cobertas de insectos ossos dentes
e o rio por onde partem as noites de cansaço
luminosa floração luas ácidas despenhando-se
fendas de terra cidades costeiras pássaros
frágeis caminhos em pleno voo
durante a lucidez tremenda do sonho
restam-me os corredores de vidro
onde posso afagar os restos carbonizados do corpo
abro a porta que dava acesso ao rosto
desço os degraus musgosos do pátio
atravesso o jardim de alvenaria onde vivi
todo este tempo antes de me precipitar
Nuno Júdice
No barco
Do mesmo modo flutua a memória sobre a minha obscura alma,
e o seu desenho reflecte-se na atmosfera sombria
do entardecer. "Ficarei?", pergunto,
e sem esperar resposta olho a outra margem e o cais
a aproximar-se. Por fim, não desembarco. À espera do regresso
seguro-te as mãos, embora ninguém esteja comigo. Em silêncio
respiro o cheiro das máquinas; "para onde me conduzes,
ó infindável morte, por entre os vivos e as suas sombras", ouço-me
dizer-te. Para que não me respondas, deixando-me preso
a um banco de barco, sacudido pelos temporais, vendo a chuva cair
por detrás dos vidros.
Nuno Júdice | "Obra Poética" (1972 - 1985), pág. 92 | Quetzal Editores, 1999
Al Berto
Corpo
que te seja leve o peso das estrelas
e de tua boca irrompa a inocência nua
dum lírio cujo caule se estende e
ramifica para lá dos alicerces da casa
abre a janela debruça-te
deixa que o mar inunde os órgãos do corpo
espalha lume na ponta dos dedos e toca
ao de leve aquilo que deve ser preservado
mas olho para as mãos e leio
o que o vento norte escreveu sobre as dunas
levanto-me do fundo de ti humilde lama
e num soluço da respiração sei que estou vivo
sou o centro sísmico do mundo
(in "A Noite Progride Puxada à Sirga")