Poemas neste tema
Corpo
Fernando Correia Pina
Inter pudenda
Naquela estreita, deserta região
sempre assolada pelos temporais
que entre cona e cu, em depressão,
geram grossa chuva e vendavais,
naquele curto istmo que medeia,
abandonado, entre ânus e vagina,
nessa ponte que afasta e aproxima
da fecal matéria a seminal ideia
perde-se um homem olhando o escuro
e diz para consigo – onde é que eu furo? –
e, geralmente, fura mais acima
vencida a humana incerteza,
porque da cona lhe pode vir merda
mas do cu lhe virá merda com certeza.
sempre assolada pelos temporais
que entre cona e cu, em depressão,
geram grossa chuva e vendavais,
naquele curto istmo que medeia,
abandonado, entre ânus e vagina,
nessa ponte que afasta e aproxima
da fecal matéria a seminal ideia
perde-se um homem olhando o escuro
e diz para consigo – onde é que eu furo? –
e, geralmente, fura mais acima
vencida a humana incerteza,
porque da cona lhe pode vir merda
mas do cu lhe virá merda com certeza.
1 055
Marisa Monte
Beija eu
Seja eu,
Seja eu,
Deixa que eu seja eu.
E aceita
o que seja seu.
Então deira e aceita eu.
Molha eu,
Seca eu,
Deixa que eu seja o céu.
E receba
o que seja seu.
Anoiteça e amanheça eu.
Beija eu,
Beija eu,
Beija eu, me beija.
Deixa
o que seja ser.
Então beba e receba
Meu corpo no seu corpo,
Eu no meu corpo.
Deixa,
Eu me deixo.
Anoiteça e amanheça.
Seja eu,
Deixa que eu seja eu.
E aceita
o que seja seu.
Então deira e aceita eu.
Molha eu,
Seca eu,
Deixa que eu seja o céu.
E receba
o que seja seu.
Anoiteça e amanheça eu.
Beija eu,
Beija eu,
Beija eu, me beija.
Deixa
o que seja ser.
Então beba e receba
Meu corpo no seu corpo,
Eu no meu corpo.
Deixa,
Eu me deixo.
Anoiteça e amanheça.
2 048
Padre Braz C. de Mendonça
Adeus Senhora que eu parto
Glosa
Nize, ouço as tuas razões,
Porém, não sei que te diga
Entra a doer-me a barriga
Temo cagar os calções.
Procurarei ocasiões
Em que não venha de parto;
Perdoa se assim me aparto,
Mais não posso demorar-me;
Ai, ai, ai que entro a alagar-me,
Adeus, Senhora que eu parto.
2.
Mas se hei-de ir por mim cagando,
ou tendo dores a fio,
Vou aqui ao teu bacio,
Tu vai daqui conversando:
Deixa-me ir espeidorrando,
Que a merda já vem atrás;
Caga tu, Nize, e verás
O cagar que gosto tem,
Porque, em tu cagando bem,
Descançada ficarás
3.
Conversemos. Sem razão
Maltratas a quem te adora;
Lá vão dois peidos agora,
Lá vai mais um cagalhão.
Que grande consolação
É esta de despejar!
Em casa é bom; mas ao ar
é melhor; mas toma tento,
Põe tu, Nize, o cu ao vento,
Se algum dia te lembrar.
4.
Por ora tenho cagado,
Mas fico em desconfiança
Que esta contínua cagança
Mate teu rigor cansado.
Mas se o que até aqui hei cagado
Nenhum abalo em ti faz,
As tripas cagar verás,
Cagar a alma, e o teu amor,
A ver se, por tal fedor,
Compaixão de mim terás.
Nize, ouço as tuas razões,
Porém, não sei que te diga
Entra a doer-me a barriga
Temo cagar os calções.
Procurarei ocasiões
Em que não venha de parto;
Perdoa se assim me aparto,
Mais não posso demorar-me;
Ai, ai, ai que entro a alagar-me,
Adeus, Senhora que eu parto.
2.
Mas se hei-de ir por mim cagando,
ou tendo dores a fio,
Vou aqui ao teu bacio,
Tu vai daqui conversando:
Deixa-me ir espeidorrando,
Que a merda já vem atrás;
Caga tu, Nize, e verás
O cagar que gosto tem,
Porque, em tu cagando bem,
Descançada ficarás
3.
Conversemos. Sem razão
Maltratas a quem te adora;
Lá vão dois peidos agora,
Lá vai mais um cagalhão.
Que grande consolação
É esta de despejar!
Em casa é bom; mas ao ar
é melhor; mas toma tento,
Põe tu, Nize, o cu ao vento,
Se algum dia te lembrar.
4.
Por ora tenho cagado,
Mas fico em desconfiança
Que esta contínua cagança
Mate teu rigor cansado.
Mas se o que até aqui hei cagado
Nenhum abalo em ti faz,
As tripas cagar verás,
Cagar a alma, e o teu amor,
A ver se, por tal fedor,
Compaixão de mim terás.
984
Ferreira Gullar
Um sorriso
Quando
com minhas mãos de labareda
te acendo e em rosa
embaixo
te espetalas
quando
com o meu aceso archote e cego
penetro a noite de tua flor que exala
urina
e mel
que busco eu com toda essa assassina
fúria de macho?
que busco eu
em fogo
aqui embaixo?
senão colher com a repentina
mão do delírio
uma outra flor: a do sorriso
que no alto o teu rosto ilumina?
com minhas mãos de labareda
te acendo e em rosa
embaixo
te espetalas
quando
com o meu aceso archote e cego
penetro a noite de tua flor que exala
urina
e mel
que busco eu com toda essa assassina
fúria de macho?
que busco eu
em fogo
aqui embaixo?
senão colher com a repentina
mão do delírio
uma outra flor: a do sorriso
que no alto o teu rosto ilumina?
4 314
Gastão de Holanda
Nota biográfica
Na leitura do abismo e seus açores
Teci a minha vida, entre moinhos
Atirei-me à ventura dos caminhos
E neles cultivei as mores dores.
Jamais ultrapassei os domadores
De outra profissão senão de espinhos,
Não apurei o faro dos focinhos
Mas despertei o mito dos amores.
Embora da maldade dos tiranos
Compusesse uma ópera canina,
Eu tive a recompensa do teu ânus.
Tesão com castidade não combina
Nem fodas retardadas pelos anos:
Ser puto de mulher, eis minha sina.
Teci a minha vida, entre moinhos
Atirei-me à ventura dos caminhos
E neles cultivei as mores dores.
Jamais ultrapassei os domadores
De outra profissão senão de espinhos,
Não apurei o faro dos focinhos
Mas despertei o mito dos amores.
Embora da maldade dos tiranos
Compusesse uma ópera canina,
Eu tive a recompensa do teu ânus.
Tesão com castidade não combina
Nem fodas retardadas pelos anos:
Ser puto de mulher, eis minha sina.
861
Manuela Amaral
Grito erótico
Caluniaste o meu corpo
ao longo dos teus gestos
sem medida
Desde a palavra exacta
do meu sexo
e soletraste-me puta
Puta
Puta
Angustiosamente erótica
abri-me em coxas
e penetrei-te na minha fauna aquática
Grito marinho
a escorrer nas algas
do meu ventre
Puta
Puta.
ao longo dos teus gestos
sem medida
Desde a palavra exacta
do meu sexo
e soletraste-me puta
Puta
Puta
Angustiosamente erótica
abri-me em coxas
e penetrei-te na minha fauna aquática
Grito marinho
a escorrer nas algas
do meu ventre
Puta
Puta.
2 150
Eunice Arruda
Tema
Deliberadamente
utilizamos
todas as zonas erógenas
submissos
aos animais
que transitavam a pele
submissos
a nossa disponibilidade
imerecida
sacudida
por buzinas
chuvas repentinas confundindo
as marcas de um caminho já
percorrido
Deliberadamente
entre suor e grunhido
molhado
o ritual foi cumprido
Só então nos devolvemos
utilizamos
todas as zonas erógenas
submissos
aos animais
que transitavam a pele
submissos
a nossa disponibilidade
imerecida
sacudida
por buzinas
chuvas repentinas confundindo
as marcas de um caminho já
percorrido
Deliberadamente
entre suor e grunhido
molhado
o ritual foi cumprido
Só então nos devolvemos
897
Armando Freitas Filho
Mademoiselle furta cor
Por esta fresta te espreito
Por esta fresta te desvendo
Por esta fresta
cravo
sonda contra esponja,
e babo
e te penetro
teso e reto, e por inteiro
ó seu corpo se entreabre:
porta e perna, caixa e coxa.
Por esta fenda
tenda
de pele que se franze,
e rasga
eu me adentro
feito de espera e de esperma:
e espremo - te aperto - e exprimo
toda a cor da carne do amor que escrevo.
Por esta fresta me espreito
Por esta fenda me desvendo
Por esta fresta te desvendo
Por esta fresta
cravo
sonda contra esponja,
e babo
e te penetro
teso e reto, e por inteiro
ó seu corpo se entreabre:
porta e perna, caixa e coxa.
Por esta fenda
tenda
de pele que se franze,
e rasga
eu me adentro
feito de espera e de esperma:
e espremo - te aperto - e exprimo
toda a cor da carne do amor que escrevo.
Por esta fresta me espreito
Por esta fenda me desvendo
1 861
Manuela Amaral
Auto de fé
Não me arrependo dos amores que tive
dos corpos de mulher por quem passei
a todos fui fiel
a todos eu amei
Não me arrependo dos dias e das noites
em que o meu corpo herói ganhou batalhas
A um palmo do umbigo eu fui primeira
a divina
a deusa
a verdadeira mulher – sem rival.
Amei tantas mulheres de que nem sei o nome
eu só me lembro apenas
de abraços
de pernas
de beijos
e orgasmos
E no amor que dei
e no Amor que tive
eu fui toda mulher – fui vertical
Eu fui mulher em espanto
fui mulher em espasmo
fui o canto proibido e solitário
Só tenho um itinerário: Amor-Mulher.
dos corpos de mulher por quem passei
a todos fui fiel
a todos eu amei
Não me arrependo dos dias e das noites
em que o meu corpo herói ganhou batalhas
A um palmo do umbigo eu fui primeira
a divina
a deusa
a verdadeira mulher – sem rival.
Amei tantas mulheres de que nem sei o nome
eu só me lembro apenas
de abraços
de pernas
de beijos
e orgasmos
E no amor que dei
e no Amor que tive
eu fui toda mulher – fui vertical
Eu fui mulher em espanto
fui mulher em espasmo
fui o canto proibido e solitário
Só tenho um itinerário: Amor-Mulher.
1 898
António Lobo de Carvalho
Soneto VI
A certa Messalina dos nossos tempos, a quem se pode aplicar o que Juvenal dizia da romana
Essa altiva mulher, cara de borra,
Alta, magra, amarela, tola e feia,
Casada com um ourives que laureia,
Ténue dote comendo à tripa-forra:
Também ninguém duvida que Ihe escorra
Pelas pemas humor de gonorreia;
É tão puta, que diz à boca cheia
Que jamais se acolheu farta de porra:
Se a não fartou do Braga um caralhote
De vinte, nem do Arrobas um caralho
Nem outras porras mil, todas de lote;
Como há-de saciá-la o seu paspalho,
Qus tendo uma barriga como um pote,
Tem piça menor que um dente de alho?
Essa altiva mulher, cara de borra,
Alta, magra, amarela, tola e feia,
Casada com um ourives que laureia,
Ténue dote comendo à tripa-forra:
Também ninguém duvida que Ihe escorra
Pelas pemas humor de gonorreia;
É tão puta, que diz à boca cheia
Que jamais se acolheu farta de porra:
Se a não fartou do Braga um caralhote
De vinte, nem do Arrobas um caralho
Nem outras porras mil, todas de lote;
Como há-de saciá-la o seu paspalho,
Qus tendo uma barriga como um pote,
Tem piça menor que um dente de alho?
1 197
Flávio Villa-Lobos
Passeio público
Esguio, um corpo flutua
acima do bem e do mal
em noites de lua
cheia, roçando a pele morena
no vestido molhado
em tafetá.
Balançando vagarosamente
a favor do vento
- a favor de tudo que transcende a natureza
do belo -
caminha em direção
à praça Visconde de Irajá,
num andar cadenciado
que ateia fogo em apaixonadas
retinas,
inspira poetas instantâneos
- rimadores de ocasião -
ao mesmo tempo em que desapruma
olhares enfeitiçados
num gozo coletivo
que vai
explodindo em surdina.
O calor da noite evapora
sonhos
e desejos
assim que o doce
bailar da menina
desaparece sob uma chuva de pálpebras
se fechando,
- ulular de machos
inquietos -
rastreando
o cheiro da fêmea
que indiferente ao movimento
vai-se embora,
sumindo por aquela impassível
esquina.
acima do bem e do mal
em noites de lua
cheia, roçando a pele morena
no vestido molhado
em tafetá.
Balançando vagarosamente
a favor do vento
- a favor de tudo que transcende a natureza
do belo -
caminha em direção
à praça Visconde de Irajá,
num andar cadenciado
que ateia fogo em apaixonadas
retinas,
inspira poetas instantâneos
- rimadores de ocasião -
ao mesmo tempo em que desapruma
olhares enfeitiçados
num gozo coletivo
que vai
explodindo em surdina.
O calor da noite evapora
sonhos
e desejos
assim que o doce
bailar da menina
desaparece sob uma chuva de pálpebras
se fechando,
- ulular de machos
inquietos -
rastreando
o cheiro da fêmea
que indiferente ao movimento
vai-se embora,
sumindo por aquela impassível
esquina.
729
Fernando Correia Pina
Na breve arquitectura de um soneto
Na breve arquitectura de um soneto,
em seus catorze versos de harmonia,
tentava ela celebrar um preto
que lhe enchia as noites de alegria.
No rosto começou. Em quatro estrofes
os beiços lhe cantou e o vasto peito,
sereno espelho de ébano perfeito,
mar embalado na maré dos bofes.
Passou depois às coxas e joelhos,
cantou-lhe o negro aço dos pintelhos
e ia já no mastro duro e liso
quando notou que fechar num terceto
quase dois palmos de caralho preto
era coisa de quem não tem juízo.
em seus catorze versos de harmonia,
tentava ela celebrar um preto
que lhe enchia as noites de alegria.
No rosto começou. Em quatro estrofes
os beiços lhe cantou e o vasto peito,
sereno espelho de ébano perfeito,
mar embalado na maré dos bofes.
Passou depois às coxas e joelhos,
cantou-lhe o negro aço dos pintelhos
e ia já no mastro duro e liso
quando notou que fechar num terceto
quase dois palmos de caralho preto
era coisa de quem não tem juízo.
1 198
Marcela Collins
El obsexeo
EL OBSEXEO QUE ERECTA MI PENSARTE
Llamas de sangre. Tajos de fuego.
Juegos morbosos en mi cuerpo.
Risas morbosas en mi llanto.
Ellos se excitan. Ellos no entienden.
EL OBSEXEO QUE ERECTA MI PENSARTE.
Cae un diente quebrado sin clavar.
Cae una lengua rota en el vacío.
No hay efecto especial
que no fracase. Seduciendo.
No hay iluminador
que yo no apague. Seduciendo.
No hay otra conmoción que mí con yo.
Seduciendo.
Caricias clandestinas a
mis perversiones.
(EL OBSEXEO)
Escupo alguna sonrisa
(QUE ERECTA)
me sacudo algunas babas
(MI PENSARTE)
me saco algunos ojos.
Tanto hombre disecado por ignorancia
Y
EL OBSEXEO QUE ERECTA MI PENSARTE
se atrofia en tu silencio.
Llamas de sangre. Tajos de fuego.
Juegos morbosos en mi cuerpo.
Risas morbosas en mi llanto.
Ellos se excitan. Ellos no entienden.
EL OBSEXEO QUE ERECTA MI PENSARTE.
Cae un diente quebrado sin clavar.
Cae una lengua rota en el vacío.
No hay efecto especial
que no fracase. Seduciendo.
No hay iluminador
que yo no apague. Seduciendo.
No hay otra conmoción que mí con yo.
Seduciendo.
Caricias clandestinas a
mis perversiones.
(EL OBSEXEO)
Escupo alguna sonrisa
(QUE ERECTA)
me sacudo algunas babas
(MI PENSARTE)
me saco algunos ojos.
Tanto hombre disecado por ignorancia
Y
EL OBSEXEO QUE ERECTA MI PENSARTE
se atrofia en tu silencio.
1 038
José Eduardo Mendes Camargo
Prazer
Não sei o que é mais gostoso:
E expectativa e a ansiedade
da ante-véspera do amor,
O colorido e o abandono
do momento cósmico do orgasmo
ou a lassidão e os espasmos de prazer
no repouso de teus braços.
E expectativa e a ansiedade
da ante-véspera do amor,
O colorido e o abandono
do momento cósmico do orgasmo
ou a lassidão e os espasmos de prazer
no repouso de teus braços.
956
Manuela Amaral
Teu corpo de agosto
Teu corpo é agosto
Tu cheiras a verão
por baixo das veias
Tu cheiras a quente
Tu cheiras à febre
do sangue maduro
Teu ventre de orgia
teu cheiro a sodoma
aroma-mulher
Teu corpo de agosto
tem cheiro a setembro
Tu cheiras a verão
por baixo das veias
Tu cheiras a quente
Tu cheiras à febre
do sangue maduro
Teu ventre de orgia
teu cheiro a sodoma
aroma-mulher
Teu corpo de agosto
tem cheiro a setembro
1 803
Afonso Henriques Neto
Uma menina
água, tua música de pele
e cheiro fluindo de florações
impalpáveis, chuva acesa
no centro do abismo, onde flutuam
manhãs
terra, teus passos tua voz teus
ruídos de amor e um gozo
além das cordilheiras do sonho
tecendo galáxias, vertiginosa
raiz
ar, teu gesto marinho, olhos
feitos do arremesso do mar
e a centelha invisível a mover
os labirintos do vento, cósmica
serpente
fogo, teu corpo de medusas
e feridas vivas, vulcões,
planeta todo luz, talvez paixão,
pássaro tatuado nas estrelas,
coração
e cheiro fluindo de florações
impalpáveis, chuva acesa
no centro do abismo, onde flutuam
manhãs
terra, teus passos tua voz teus
ruídos de amor e um gozo
além das cordilheiras do sonho
tecendo galáxias, vertiginosa
raiz
ar, teu gesto marinho, olhos
feitos do arremesso do mar
e a centelha invisível a mover
os labirintos do vento, cósmica
serpente
fogo, teu corpo de medusas
e feridas vivas, vulcões,
planeta todo luz, talvez paixão,
pássaro tatuado nas estrelas,
coração
880
Fernando Py
Após o banho, nua
Após o banho, nua
ainda, o corpo úmido
ao meu encontro, visão,
relembro, cálido êxtase,
os seios entrevistos
no decote frouxo, agora, nua,
toalha molhando-se, ressurgem
após o banho,
fremindo, suave embalo, avidez
de língua e mãos, nua, vens,
perfume, sulcos na pele,
ansiada espera, curvas, a entrega
ao meu olhar, bocas, rosa
túmida, pétala, sucção, espuma,
resplandeces para mim, nua,
após o banho.
ainda, o corpo úmido
ao meu encontro, visão,
relembro, cálido êxtase,
os seios entrevistos
no decote frouxo, agora, nua,
toalha molhando-se, ressurgem
após o banho,
fremindo, suave embalo, avidez
de língua e mãos, nua, vens,
perfume, sulcos na pele,
ansiada espera, curvas, a entrega
ao meu olhar, bocas, rosa
túmida, pétala, sucção, espuma,
resplandeces para mim, nua,
após o banho.
1 324
Gisela Rao
Motel Paradise
- Oi, eu sou o Adão...
- Adão?
- É, Adão, o Peladão...
- Ah, sei, já ouvi falar...
Eu sou a Eva...
- Minha costela tá doendo...
- Heim?
- Nada não, deixa para lá...
- Bom: vamos começar, né?
- Claro...
O que que eu faço?
- Ele não te ensinou?
- Nem...
- Ah, sei lá...
Eu acho que você põe a mão nesses dois
montinhos bicudos aqui em cima...
- Assim?
- É... Mas pode largar a maçã, se quiser...
- Ah, é, desculpe... Tô um pouco nervoso... E agora?
- Não tenho certeza, mas acho que você gruda o lugar
com que você fala no meu e mete esse negócio
vermelho molão lá dentro...
- Achim?
- Credo! Que bafo de onça...
- Desculpe... Peraí que eu vou mastigar umas pétalas de flor...
Nham, nham, nham... Melhorou?
- Melhorou...
- E agora?
- Sei lá... Tem certeza que Ele
não te disse?
- Disse... Disse que era para
você fazer carinho nesse treco
pendurado aqui que ele cresce...
- Nem morta! Eu tenho nojo...
Além do mais, eu também tenho medo. Sei lá de que
tamanho fica esse bicho...
- Precisa ficar com medo, não... Aposto que é menor
que certas coisinhas que você já viu por aí...
- Tá insinuando o que, heim, moleque?!?
- Tô falando dessa cobra asquerosa que não larga do
teu pé...
- Vai catar coquinho, cabeça de melão...
- Escuta aqui, ô, Maria Costela... Vamos começar
logo o serviço porque eu não tô a fim de agüentar
piripaque de mina fresca.
- Maria Costela é esse buraquinho que você tem aí atrás...
- Vai, abre logo essas pernas...
- Vê lá como fala, heim, Zé Parreira...
- Peraí... Peraí... Ó, o bicho cresceu, viu?
- Olha só... quem diria... E ficou duro pacas...
Ai... E se doer?
- Não dói, não...
- Tá bom, então manda pau...
- Taí, gostei... Vamos chamar o treco pendurado de pau!
- Legal... E ela?
- O buracão?
O buracão a gente chama de caverna peluda...
- Muito romântico...
- Arghhh!!!!
- Que foi?
- Tá tudo melado aí dentro!!!
Não vou meter meu "pau" aí nem que a
vaca tussa...
- Saco!
Vou reclamar com Ele..
Aliás, sabe o que eu acho? Acho que você é um
tremendo gayzão!!!
- Gayzão? Que que é isso?
- É homem que gosta de homem...
- Cadê o outro homem, burra?
- É mesmo, fica difícil ser gay por aqui...
- Nossa! Olha aquilo!!!
- O que?
Clunca!
- Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!!!! Cafajeste!
Doeu viu...
- Relaxa, benzinho...
O pior já passou...
Olha, faz assim: quando eu for para cá,
você vai para lá... Quando eu for pra lá, você vem pra cá...
Tá bom?
- Tá...
- Então, vamos! Um, dois e...
Balança, balança, balança...
- Ai, Adão... Assim tá gostoso...
- Yes! Yes! Yes!
Hei! Para que serve esse negocinho aí em cima do
cavernão peludo?
- Não sei, mexe para ver...
Clica! Clica! Clica!
- Ai, mexe mais...
Não para! Não para! Não para!!!!!!!!!
- Não vo...vo... vo... vou... pa.. pa... pa...rar...
- Aaa...
Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
- Ooo...
Ohhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
Pausa
- Ai, meu Deus do Céu... O que foi isso?
- Não sei, mas para mim foi bom demais...
Foi bom para você?
- Se foi...
Senti uma coisa estranha...
- Como o que?
Como se estivesse... no PARAÍSO...
- Pode crê!
- Adão?
- É, Adão, o Peladão...
- Ah, sei, já ouvi falar...
Eu sou a Eva...
- Minha costela tá doendo...
- Heim?
- Nada não, deixa para lá...
- Bom: vamos começar, né?
- Claro...
O que que eu faço?
- Ele não te ensinou?
- Nem...
- Ah, sei lá...
Eu acho que você põe a mão nesses dois
montinhos bicudos aqui em cima...
- Assim?
- É... Mas pode largar a maçã, se quiser...
- Ah, é, desculpe... Tô um pouco nervoso... E agora?
- Não tenho certeza, mas acho que você gruda o lugar
com que você fala no meu e mete esse negócio
vermelho molão lá dentro...
- Achim?
- Credo! Que bafo de onça...
- Desculpe... Peraí que eu vou mastigar umas pétalas de flor...
Nham, nham, nham... Melhorou?
- Melhorou...
- E agora?
- Sei lá... Tem certeza que Ele
não te disse?
- Disse... Disse que era para
você fazer carinho nesse treco
pendurado aqui que ele cresce...
- Nem morta! Eu tenho nojo...
Além do mais, eu também tenho medo. Sei lá de que
tamanho fica esse bicho...
- Precisa ficar com medo, não... Aposto que é menor
que certas coisinhas que você já viu por aí...
- Tá insinuando o que, heim, moleque?!?
- Tô falando dessa cobra asquerosa que não larga do
teu pé...
- Vai catar coquinho, cabeça de melão...
- Escuta aqui, ô, Maria Costela... Vamos começar
logo o serviço porque eu não tô a fim de agüentar
piripaque de mina fresca.
- Maria Costela é esse buraquinho que você tem aí atrás...
- Vai, abre logo essas pernas...
- Vê lá como fala, heim, Zé Parreira...
- Peraí... Peraí... Ó, o bicho cresceu, viu?
- Olha só... quem diria... E ficou duro pacas...
Ai... E se doer?
- Não dói, não...
- Tá bom, então manda pau...
- Taí, gostei... Vamos chamar o treco pendurado de pau!
- Legal... E ela?
- O buracão?
O buracão a gente chama de caverna peluda...
- Muito romântico...
- Arghhh!!!!
- Que foi?
- Tá tudo melado aí dentro!!!
Não vou meter meu "pau" aí nem que a
vaca tussa...
- Saco!
Vou reclamar com Ele..
Aliás, sabe o que eu acho? Acho que você é um
tremendo gayzão!!!
- Gayzão? Que que é isso?
- É homem que gosta de homem...
- Cadê o outro homem, burra?
- É mesmo, fica difícil ser gay por aqui...
- Nossa! Olha aquilo!!!
- O que?
Clunca!
- Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!!!! Cafajeste!
Doeu viu...
- Relaxa, benzinho...
O pior já passou...
Olha, faz assim: quando eu for para cá,
você vai para lá... Quando eu for pra lá, você vem pra cá...
Tá bom?
- Tá...
- Então, vamos! Um, dois e...
Balança, balança, balança...
- Ai, Adão... Assim tá gostoso...
- Yes! Yes! Yes!
Hei! Para que serve esse negocinho aí em cima do
cavernão peludo?
- Não sei, mexe para ver...
Clica! Clica! Clica!
- Ai, mexe mais...
Não para! Não para! Não para!!!!!!!!!
- Não vo...vo... vo... vou... pa.. pa... pa...rar...
- Aaa...
Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
- Ooo...
Ohhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
Pausa
- Ai, meu Deus do Céu... O que foi isso?
- Não sei, mas para mim foi bom demais...
Foi bom para você?
- Se foi...
Senti uma coisa estranha...
- Como o que?
Como se estivesse... no PARAÍSO...
- Pode crê!
953
Leila Mícollis
Voyeurismo
Te olho
me molho
me molho
1 383
Eugénia Tabosa
Sentidos
Meus dedos
lentos
percorrendo
a medo
teu corpo
aberto
oferto.
Meus dedos
surpresos
soltando
o calor
o cheiro
de teu corpo
descoberto.
Meus dedos
olhos
trazendo
imagens
mensagens
ao meu corpo
trémulo.
…
Esqueci
teu nome
teu rosto
o quando
e o porquê
Só existes
em meus dedos
lentos
percorrendo
a medo
teu corpo
aberto
oferto.
Meus dedos
surpresos
soltando
o calor
o cheiro
de teu corpo
descoberto.
Meus dedos
olhos
trazendo
imagens
mensagens
ao meu corpo
trémulo.
…
Esqueci
teu nome
teu rosto
o quando
e o porquê
Só existes
em meus dedos
1 316
Afonso Félix de Sousa
Aves sem pouso
Percorro o território do teu corpo
e um ninho, um pouso busca a boca cega
salivando saliências e reentrâncias
que dás e negas, tão cheia de graça,
e és tão cheia de ninhos, só que pairas
em páramos que esboças pelo teto
quando descerro as portas que me trancam
o coração, e o coração já voa
também por outros páramos, por onde
como soltos no espaço nós soltamos
essas aves que em vão buscam um pouso.
e um ninho, um pouso busca a boca cega
salivando saliências e reentrâncias
que dás e negas, tão cheia de graça,
e és tão cheia de ninhos, só que pairas
em páramos que esboças pelo teto
quando descerro as portas que me trancam
o coração, e o coração já voa
também por outros páramos, por onde
como soltos no espaço nós soltamos
essas aves que em vão buscam um pouso.
996
William Dumbar
Xi! fez ela com alegre gargalhada
Seja meu bezerro e minha mamada
Meu pequeno chorão com gana
E toda alegria que meu corpo reclama
Meu doce rapaz, solitária ceia
Homem algum amei esta semana
Como é bom ver sua cara feia.
Ele disse: minha alegria e minha queixa
minha sopa de carneiro, meu doce de ameixa
Não seja dura com seu Joãozinho
Tenha coração quente e não mauzinho
Seu pescoço branco como osso de baleia
faz uma ereção no meu pintinho
Você quebre meu coração e meus ossos incendeia.
Meu pequeno chorão com gana
E toda alegria que meu corpo reclama
Meu doce rapaz, solitária ceia
Homem algum amei esta semana
Como é bom ver sua cara feia.
Ele disse: minha alegria e minha queixa
minha sopa de carneiro, meu doce de ameixa
Não seja dura com seu Joãozinho
Tenha coração quente e não mauzinho
Seu pescoço branco como osso de baleia
faz uma ereção no meu pintinho
Você quebre meu coração e meus ossos incendeia.
671
Artur Gomes
Galope
com espada
em riste
galopamos
pradarias
e lutamos
ferozmente
por dois segundos
e meio
tua fúria era louca
que agarrei-me
em tuas crinas
pra não cair na lama
mas o amor era tanto
e tanto era o prazer
que quando fomos pra cama
não tinha mais o que fazer.
em riste
galopamos
pradarias
e lutamos
ferozmente
por dois segundos
e meio
tua fúria era louca
que agarrei-me
em tuas crinas
pra não cair na lama
mas o amor era tanto
e tanto era o prazer
que quando fomos pra cama
não tinha mais o que fazer.
664
Joél Gallinati Heim
Desejo e prazer
Meu corpo junto ao seu te aquece
Braços te envolvem com firmeza
Mãos percorrem sua pele macia
Línguas provam nossos sabores
Seu corpo se entrega ao prazer
Bem suave te penetro lentamente
Deslizando avanço toco seu íntimo
Um calafrio de tesão te percorre e
Você geme com uma volúpia intensa
Derramo meu leite num gozo pleno
Um instante a saborear o momento
Seu rosto iluminado com um sorriso
Vejo o desejo de quem quer mais
Então prometo ser seu para sempre.
Braços te envolvem com firmeza
Mãos percorrem sua pele macia
Línguas provam nossos sabores
Seu corpo se entrega ao prazer
Bem suave te penetro lentamente
Deslizando avanço toco seu íntimo
Um calafrio de tesão te percorre e
Você geme com uma volúpia intensa
Derramo meu leite num gozo pleno
Um instante a saborear o momento
Seu rosto iluminado com um sorriso
Vejo o desejo de quem quer mais
Então prometo ser seu para sempre.
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