Poemas neste tema
Corpo
Luiz Cavalini Jr.
No capim
roça a barriga na grama
com graça
coça o corpo
esmaga o mato no peito
curvada na relva quente
abana os insetos impertinentes
e se entrega de quatro, aberta, alerta
moita de desejos, de clorofila, de espermas
com graça
coça o corpo
esmaga o mato no peito
curvada na relva quente
abana os insetos impertinentes
e se entrega de quatro, aberta, alerta
moita de desejos, de clorofila, de espermas
1 054
Paulo Netho
Permuta
Você coloca
seu riso terno
na minha boca
enquanto eu coloco
nas suas coxas
meu gozo fraterno.
seu riso terno
na minha boca
enquanto eu coloco
nas suas coxas
meu gozo fraterno.
1 150
Carlos Alberto Pessoa Rosa
Seda
enquanto nascem
pêlos
mulheres tecem a lã
e cabelos
disfarce táctil
fácil
escondem gozos
uma tênue como seda
esconde o pecado.
pêlos
mulheres tecem a lã
e cabelos
disfarce táctil
fácil
escondem gozos
uma tênue como seda
esconde o pecado.
879
Fernando Correia Pina
Shemale
(para o Luís Meneses)
Essa mulher que olhei como os parolos,
em plena rua, descaradamente,
essa fonte de incontáveis torcicolos,
loira explosão de desejo urgente,
engatei-a com papas e com bolos
ou seja – notas, resumidamente,
e na cama a meti entre dois golos
de uma rara e velhíssima aguardente.
Despiu-se então ela à minha frente,
da cintura para cima e, de repente,
já não cabia em si meu duro malho.
Porém, logo murchou apavorado
ao ver sob as cuecas enrolado,
entre negros colhões, viril caralho.
Essa mulher que olhei como os parolos,
em plena rua, descaradamente,
essa fonte de incontáveis torcicolos,
loira explosão de desejo urgente,
engatei-a com papas e com bolos
ou seja – notas, resumidamente,
e na cama a meti entre dois golos
de uma rara e velhíssima aguardente.
Despiu-se então ela à minha frente,
da cintura para cima e, de repente,
já não cabia em si meu duro malho.
Porém, logo murchou apavorado
ao ver sob as cuecas enrolado,
entre negros colhões, viril caralho.
1 248
João dos Sonhos
A arte nobilitante
É preciso fazer do amor
um uso imediato e corrente
a arte nobilitante
de atravessar os dias com a luz
dos corpos enleados,
devorados na lenta florescência
de invisiveis lâmpadas,
ofegantes na lida (na pequisa)
de bocas fulgurantes,
do sabor das ancas contornadas
com dedos de zimbro
e de hortelã,
enfebrecidos sempre
e fascinados
na voragem do púbis levitado
pela língua do fauno
que o levanta.
um uso imediato e corrente
a arte nobilitante
de atravessar os dias com a luz
dos corpos enleados,
devorados na lenta florescência
de invisiveis lâmpadas,
ofegantes na lida (na pequisa)
de bocas fulgurantes,
do sabor das ancas contornadas
com dedos de zimbro
e de hortelã,
enfebrecidos sempre
e fascinados
na voragem do púbis levitado
pela língua do fauno
que o levanta.
959
Levi Bucalem Ferrari
Afeto
Como demonstrar afeto no espaço contido?
É preciso muita sutileza
Olhares vagos
Palavras tímidas
Gestos quase gestos
E no entanto
Há um intenso
Por enquanto tenso
Olhar imenso
Infelizmente imerso
No universo
Do contido
O grito litro de sangue do afeto perdido
O leite derramado no leito solitário
A pele atrai a pele
Como o olhar o olhar
Enquanto desce o decote
Lentamente
Discretamente
Infelizmente
A vida é mente
A vida mente
Avidamente
E a morte vence
No espaço do contido
Obviamente
É preciso muita sutileza
Olhares vagos
Palavras tímidas
Gestos quase gestos
E no entanto
Há um intenso
Por enquanto tenso
Olhar imenso
Infelizmente imerso
No universo
Do contido
O grito litro de sangue do afeto perdido
O leite derramado no leito solitário
A pele atrai a pele
Como o olhar o olhar
Enquanto desce o decote
Lentamente
Discretamente
Infelizmente
A vida é mente
A vida mente
Avidamente
E a morte vence
No espaço do contido
Obviamente
828
Paulo Netho
Olhos nus
Seu corpo nu
meus olhos vestidos
seu corpo nu
meus olhos enlouquecidos
seu corpo vestido
meus olhos nus.
meus olhos vestidos
seu corpo nu
meus olhos enlouquecidos
seu corpo vestido
meus olhos nus.
1 073
Camila Sintra
Geometria dos corpos
A menor distância
entre dois pontos
está na conjunção
de nossos corpos
que se atraem na razão inversa
da razão e do verso.
Beija meus senos
percorre minha hipotenusa
para te perderes no triângulo
molhado sob minhas bermudas
e descobrir minhas incógnitas
me rasgando com teu cateto.
Encaixa teu cilindro
em meu cone que te precisa
e acha, usa e abusa,
descobre o meu ponto G...
Encontra a quadratura do círculo
na curva de meus quadris.
entre dois pontos
está na conjunção
de nossos corpos
que se atraem na razão inversa
da razão e do verso.
Beija meus senos
percorre minha hipotenusa
para te perderes no triângulo
molhado sob minhas bermudas
e descobrir minhas incógnitas
me rasgando com teu cateto.
Encaixa teu cilindro
em meu cone que te precisa
e acha, usa e abusa,
descobre o meu ponto G...
Encontra a quadratura do círculo
na curva de meus quadris.
1 158
Allen Ginsberg
Poema de amor sobre um tema de Whitman
Entrarei silencioso no quarto de dormir e me deitarei
entre noivo e noiva,
esses corpos caídos do céu esperando nus em sobressalto,
braços pousados sobre os olhos na escuridão,
afundarei minha cara em seus ombros e seios, respirarei tua pele
e acariciarei e beijarei a nuca e a boca e mostrarei seu traseiro,
pernas erguidas e dobradas para receber,
caralho atormentado na escuridão, atacando,
levantado do buraco até a cabeça pulsante,
corpos entrelaçados nus e trêmulos,
coxas quentes e nádegas enfiadas uma na outra
e os olhos, olhos cintilando encantadores,
abrindo-se em olhares e abandono,
e os gemidos do movimento, vozes, mãos no ar, mãos entre as coxas,
mãos, na umidade de macios quadris, palpitante contração de ventres
até que o branco venha jorrar no turbilhão dos lençóis
e a noiva grite pedindo perdão
e o noivo se cubra de lágrimas de paixão e compaixão
e eu me erga da cama saciado de últimos gestos íntimos
e beijos de adeus –
tudo isso antes que a mente desperte,
atrás das cortinas e portas fechadas da casa escurecida
cujos habitantes perambulam insatisfeitos pela noite,
fantasmas desnudos buscando-se no silêncio.
entre noivo e noiva,
esses corpos caídos do céu esperando nus em sobressalto,
braços pousados sobre os olhos na escuridão,
afundarei minha cara em seus ombros e seios, respirarei tua pele
e acariciarei e beijarei a nuca e a boca e mostrarei seu traseiro,
pernas erguidas e dobradas para receber,
caralho atormentado na escuridão, atacando,
levantado do buraco até a cabeça pulsante,
corpos entrelaçados nus e trêmulos,
coxas quentes e nádegas enfiadas uma na outra
e os olhos, olhos cintilando encantadores,
abrindo-se em olhares e abandono,
e os gemidos do movimento, vozes, mãos no ar, mãos entre as coxas,
mãos, na umidade de macios quadris, palpitante contração de ventres
até que o branco venha jorrar no turbilhão dos lençóis
e a noiva grite pedindo perdão
e o noivo se cubra de lágrimas de paixão e compaixão
e eu me erga da cama saciado de últimos gestos íntimos
e beijos de adeus –
tudo isso antes que a mente desperte,
atrás das cortinas e portas fechadas da casa escurecida
cujos habitantes perambulam insatisfeitos pela noite,
fantasmas desnudos buscando-se no silêncio.
3 508
Levi Bucalem Ferrari
Vagas estrelas do vídeo
Vera tira a blusa atira a tiara na cara vira abusa da bunda deveras abundante paraíso vem para isso virada vem sem anda devora vara vera de tantas taras odaras que adoras por isso para com isso deusmônio atômico me veja atônito vera tônico tonico apara os cabelos de vera viagem astronteante neón de galáxias sem órbitas senhora de oras bolas argolas colchões de molas viche viajantes nas eras errantes teus lábios teus dentes por lares nunca dantes novelados se eras distante hera do húmus do hímem da terra do homem navegante pelos pelos de vera gata vera mata maltrata na terra na mata no anúncio da lata vera deusa latejante de tantas e várias varas vorazes e vídeos cacetes e ais austrais ai de quem jaz atrás de retos atrozes elegantes retro escavadeiras elefantes toda tua nudez será lambida gigantemente lambuzada vai irmão toma esse avião no chão no meio do salão dentro do seu coração na mão na mente ilusão panta fatal fantasia ponta cruel de ir ou não ia ai nave do sonho vera fraulein antes que algum verdureiro alface faça na face da vera no meio do seio de fada faminta aventura vício ventura virtude fortuna delícia de cio ciciando eine kleine fishermusik de pé de ré sem dó vera devoramifasolasi.
822
Carlos Alberto Pessoa Rosa
Morrer
língua
não rima com nádega
mas desliza
saliva
escorre vadia
lambe a maçã do amor
línguas
se enrolam úmidas
aflitas
são engolidas
em desejos movediços
seu corpo oscila
pêndulo
a movimentar segundos
ponteiros
deslizar de seios
ressoam
gritos-gemidos
meu falo abraçado
corpo inteiro
sugado
suado de prazeres
fragrâncias
que impregnaram o quarto
chuleio com os dedos
suas pregas
as nádegas
num remanso molhado
calado
corpos decantados
espraiados
ouço ruído
de navio que parte
pássaros arrebentam-se
na janela
gozam a primavera
morremos para o mundo...
não rima com nádega
mas desliza
saliva
escorre vadia
lambe a maçã do amor
línguas
se enrolam úmidas
aflitas
são engolidas
em desejos movediços
seu corpo oscila
pêndulo
a movimentar segundos
ponteiros
deslizar de seios
ressoam
gritos-gemidos
meu falo abraçado
corpo inteiro
sugado
suado de prazeres
fragrâncias
que impregnaram o quarto
chuleio com os dedos
suas pregas
as nádegas
num remanso molhado
calado
corpos decantados
espraiados
ouço ruído
de navio que parte
pássaros arrebentam-se
na janela
gozam a primavera
morremos para o mundo...
897
Niandra LaDez
Erótico puritano
As pontas dos meus seios apontam para o céu
inchados e duros
pequenos e brancos
reluzem e gritam
enquanto as estrelas queimam e umedecem
meus santos orifícios
com seus toques inesperados.
sou cega, muda, espasmódica.
pernas abertas por um mundo melhor.
inchados e duros
pequenos e brancos
reluzem e gritam
enquanto as estrelas queimam e umedecem
meus santos orifícios
com seus toques inesperados.
sou cega, muda, espasmódica.
pernas abertas por um mundo melhor.
779
Asta Vonzodas
Som de mulher
Os olhos são o espelho da alma.
E se isso, verdade é,
deixe-os serem a janela,
e veja por um instante
minha alma de mulher.
Vê a borboleta
que em doces volteios
acaricia suave, seus cabelos?
São meus dedos.
Feche os olhos e sinta.
Ao som suave da brisa,
minhas carícias que
vão lhe envolvendo.
Sinta o toque na pele,
que traçando seu rosto
vai descendo mansinho
em direção ao seu peito.
São meus beijos.
Sente o roçar pela cintura,
como asas de libélula voejando?
É minha língua.
Vou adentrando.
Das vestes, já liberto,
sinta o tempo de agosto
que vai molhando seu corpo.
Estou provando seu gosto.
Segure de leve, pressionando,
minhas ancas
transformadas em rédeas,
enquanto vou cavalgando.
Fica assim...
Parado a sentir
o veludo úmido lhe envolvendo.
Você está dentro de mim.
Rápido...
Vem comigo!
Vamos chegar ao fim...
Agora abra lentamente seus olhos.
Sinta a vida transformada
em seiva que de seu corpo flui.
Não me procure.
Como a tarde dessa primavera
Eu já fui...
E se isso, verdade é,
deixe-os serem a janela,
e veja por um instante
minha alma de mulher.
Vê a borboleta
que em doces volteios
acaricia suave, seus cabelos?
São meus dedos.
Feche os olhos e sinta.
Ao som suave da brisa,
minhas carícias que
vão lhe envolvendo.
Sinta o toque na pele,
que traçando seu rosto
vai descendo mansinho
em direção ao seu peito.
São meus beijos.
Sente o roçar pela cintura,
como asas de libélula voejando?
É minha língua.
Vou adentrando.
Das vestes, já liberto,
sinta o tempo de agosto
que vai molhando seu corpo.
Estou provando seu gosto.
Segure de leve, pressionando,
minhas ancas
transformadas em rédeas,
enquanto vou cavalgando.
Fica assim...
Parado a sentir
o veludo úmido lhe envolvendo.
Você está dentro de mim.
Rápido...
Vem comigo!
Vamos chegar ao fim...
Agora abra lentamente seus olhos.
Sinta a vida transformada
em seiva que de seu corpo flui.
Não me procure.
Como a tarde dessa primavera
Eu já fui...
1 145
Roberta Cazal
Aquela noite
Naquela noite eu disse: eu te amo
E acordei suada
Tua saliva pelo corpo
Mente nublada de sono
E levantei curada
Das marcas que deixaste em mim
Mas não sei bem se despertei feliz
Me encostei amuada
No teu peito e repeti: Eu te amo, eu te amo!
Naquela noite eu sonhei em preto e branco
E acordei suada
Tua saliva pelo corpo
Mente nublada de sono
E levantei curada
Das marcas que deixaste em mim
Mas não sei bem se despertei feliz
Me encostei amuada
No teu peito e repeti: Eu te amo, eu te amo!
Naquela noite eu sonhei em preto e branco
886
Ernesto de Melo e Castro
Hermafrodita
De Hermes e de Afrodite o filho esbelto e amado,
de Salmacis oscula o corpo melodioso,
e a ninfa treme e ondeia o moço deslumbrado,
com um prazer que chega até a ser doloroso...
Ela – dócil, a arfar, como, ao vento, as searas...
Ele – forte, a arquejar, como, com cio, um touro...
O cabelo da ninfa inunda as duas caras,
e há beijos musicais sob essa chuva de ouro...
Enleandos um ao outro, a asa de uma mosca
não caberia não! entre esses corpos belos,
que se enroscam, sensuais, febris, como se enrosca
no tronco a vide em flor, e a hera nos castelos.
Dos dois corpos a união, entre lascivos ais,
cada vez, cada vez se torna mais completa,
e aquelas coxas cada vez se agitam mais:
uma brancas, de luar, outras rijas, de atleta...
Num doido frenesi, entrar parecem querer
ela – no corpo dele, ele – no corpo dela!
Choram, gemem, dão ais... e no auge do prazer,
começam a gritar para o céu que se estrela:
– «Ó deuses! atendei esta súplica ardente:
se é verdade que ouvis as vozes que vos chamam,
os nossos corações, fundi-os num somente,
fundi num corpo só nossos corpos que se amam!»
Chegou ao vasto Olimpo a rogativa louca;
e Zeus, o grande Zeus, cuja força é infinita,
as duas bocas transformou numa só boca,
e dos dois corpos fez um só: HERMAFRODITA!
de Salmacis oscula o corpo melodioso,
e a ninfa treme e ondeia o moço deslumbrado,
com um prazer que chega até a ser doloroso...
Ela – dócil, a arfar, como, ao vento, as searas...
Ele – forte, a arquejar, como, com cio, um touro...
O cabelo da ninfa inunda as duas caras,
e há beijos musicais sob essa chuva de ouro...
Enleandos um ao outro, a asa de uma mosca
não caberia não! entre esses corpos belos,
que se enroscam, sensuais, febris, como se enrosca
no tronco a vide em flor, e a hera nos castelos.
Dos dois corpos a união, entre lascivos ais,
cada vez, cada vez se torna mais completa,
e aquelas coxas cada vez se agitam mais:
uma brancas, de luar, outras rijas, de atleta...
Num doido frenesi, entrar parecem querer
ela – no corpo dele, ele – no corpo dela!
Choram, gemem, dão ais... e no auge do prazer,
começam a gritar para o céu que se estrela:
– «Ó deuses! atendei esta súplica ardente:
se é verdade que ouvis as vozes que vos chamam,
os nossos corações, fundi-os num somente,
fundi num corpo só nossos corpos que se amam!»
Chegou ao vasto Olimpo a rogativa louca;
e Zeus, o grande Zeus, cuja força é infinita,
as duas bocas transformou numa só boca,
e dos dois corpos fez um só: HERMAFRODITA!
1 786
Lúcia Afonso
Não há partes prediletas
Não há partes prediletas de teu corpo
que me excitem os sentidos
e me façam
as pupilas e a vagina mais molhadas,
como pedaços de um ícone quebrado.
Te quero pleno, inteiro e articulado
se enroscando em meus pedaços, a dar-me
uma visão inteira de mim mesma,
no espelho abissal de teu abraço.
Não há partes prediletas de teu corpo,
pois o que seria de mim, sob teu peso,
ao sentir teu pênis meu e teso
sem, antes, um afago nos cabelos?
Não há partes no todo predileto
de teu corpo, lábios, nuca,
a pequena marca sobre o peito,
mamilos, calcanhares, a garganta.
Partes...
e inteiro
me ficas, predileto,
no teu cheiro espalhado sobre a cama.
que me excitem os sentidos
e me façam
as pupilas e a vagina mais molhadas,
como pedaços de um ícone quebrado.
Te quero pleno, inteiro e articulado
se enroscando em meus pedaços, a dar-me
uma visão inteira de mim mesma,
no espelho abissal de teu abraço.
Não há partes prediletas de teu corpo,
pois o que seria de mim, sob teu peso,
ao sentir teu pênis meu e teso
sem, antes, um afago nos cabelos?
Não há partes no todo predileto
de teu corpo, lábios, nuca,
a pequena marca sobre o peito,
mamilos, calcanhares, a garganta.
Partes...
e inteiro
me ficas, predileto,
no teu cheiro espalhado sobre a cama.
884
Carlos Alberto Pessoa Rosa
Sumo
tê-la inteira
na sensação palmar
dos seus seios;
deixar eriçados
os desejos,
borbulhante a paixão.
em seu suculento
momento
sou suco-sumo,
um corpo friável,
deslizante sensual.
e você
folheia Joyce
na manhã em que
escuros
deixam claros
gozos,
ecoados na
escuridão do quarto.
na sensação palmar
dos seus seios;
deixar eriçados
os desejos,
borbulhante a paixão.
em seu suculento
momento
sou suco-sumo,
um corpo friável,
deslizante sensual.
e você
folheia Joyce
na manhã em que
escuros
deixam claros
gozos,
ecoados na
escuridão do quarto.
1 005
Djalma Filho
Entre lençóis
Envoltos pela névoa de linho
os amantes se olham
indescobertos...
Envoltos por sins e temores
os amantes se tocam
cautelosamente...
Envoltos por olhos ardentes...
os amantes se desejam
misteriosamente...
Envoltos... no quarto fechado
há um não sobrar de
espaço para dois
As palavras sussurram delicadamente
prazeres inconfessáveis e não ditos
Mãos espalmadas em busca de espaço
desafiando as leis da física...
Pernas, ora trançadas ora retesadas...
querendo quebrar todos os limites
Bocas em beijos, em cada milímetro...
engolindo toda a possível resistência
Entre lençóis,
os amantes se esquecem
eternamente do tempo ...
Para quê tempo?
se, entre lençóis, eles
vivem tão intensamente?...
E... bem cá entre nós
- Para quê mais os lençóis?...
os amantes se olham
indescobertos...
Envoltos por sins e temores
os amantes se tocam
cautelosamente...
Envoltos por olhos ardentes...
os amantes se desejam
misteriosamente...
Envoltos... no quarto fechado
há um não sobrar de
espaço para dois
As palavras sussurram delicadamente
prazeres inconfessáveis e não ditos
Mãos espalmadas em busca de espaço
desafiando as leis da física...
Pernas, ora trançadas ora retesadas...
querendo quebrar todos os limites
Bocas em beijos, em cada milímetro...
engolindo toda a possível resistência
Entre lençóis,
os amantes se esquecem
eternamente do tempo ...
Para quê tempo?
se, entre lençóis, eles
vivem tão intensamente?...
E... bem cá entre nós
- Para quê mais os lençóis?...
931
Léa Waider
Gozo
Viro, reviro,
Revido.
Torço
Abraço
Atiro
Me afasto.
Grito
Afago
Aninho.
Me deito
Te agarro
Nos mordemos
Nos amamos.
Num impulso
te expulso.
Me seguras,
Penetras,
Me apertas
Te enlouqueço
Gozamos.
Eita, doidera boa!
Revido.
Torço
Abraço
Atiro
Me afasto.
Grito
Afago
Aninho.
Me deito
Te agarro
Nos mordemos
Nos amamos.
Num impulso
te expulso.
Me seguras,
Penetras,
Me apertas
Te enlouqueço
Gozamos.
Eita, doidera boa!
1 304
Nálu Nogueira
Espera
1.
A pele anseia o toque, arrepia,
transbordando desejos. Lábios e
língua antecipam o beijo esperado
olhos semicerrados
boca entreaberta
(delírios!)
Sobre os lençóis em desalinho,
ela espera
(seios que se oferecem,
coxas que se contraem)
espera.
O corpo dela exala as secreções
mais belas
ancas de acasalar
(tortura!)
a mão passeia lânguida no lento
passar das horas, como a confortar
pele, púbis, pêlos,
os dedos procuram consolo, não quer
espera.
Ainda que a noite esteja deixando
seus olhos, espera; ainda que o fogo
da lareira se apague, espera.
2.
Esta noite quer apenas o homem
que espera, entregar-se a ele,
amá-lo por toda a noite como a
ninguém, antes. Olhá-lo do modo
lindo que inventou,
então espera.
(O desejo a consome, o contato
dos lençóis na pele nua, as mãos
tocando displicentemente os
mamilos à luz amarela e frágil
da lareira que ilumina o corpo
em torturante expectativa)
Guarda-se pare ele. Espera.
Porque seu desejo só se realiza
no desejo dele, na cumplicidade dos dois
fundindo-se, ardentes, executando
o mais belo e primitivo ballet
3.
(sôfregos, lindos, dançando
lentos, girando,
bocas, línguas, mãos, suores,
girando
o corpo dela em movimentos
sensuais de amores
ele dentro dela, delírios,
para sempre dentro dela
a alma o corpo, o amor o olhar
lindo que ela inventou
paixão, ternura, naqueles olhos tudo
o corpo dele sobre o dela
o seu beijo
a língua
a pele
as mãos)
imagens que ela inventa
antes de adormecer.
A pele anseia o toque, arrepia,
transbordando desejos. Lábios e
língua antecipam o beijo esperado
olhos semicerrados
boca entreaberta
(delírios!)
Sobre os lençóis em desalinho,
ela espera
(seios que se oferecem,
coxas que se contraem)
espera.
O corpo dela exala as secreções
mais belas
ancas de acasalar
(tortura!)
a mão passeia lânguida no lento
passar das horas, como a confortar
pele, púbis, pêlos,
os dedos procuram consolo, não quer
espera.
Ainda que a noite esteja deixando
seus olhos, espera; ainda que o fogo
da lareira se apague, espera.
2.
Esta noite quer apenas o homem
que espera, entregar-se a ele,
amá-lo por toda a noite como a
ninguém, antes. Olhá-lo do modo
lindo que inventou,
então espera.
(O desejo a consome, o contato
dos lençóis na pele nua, as mãos
tocando displicentemente os
mamilos à luz amarela e frágil
da lareira que ilumina o corpo
em torturante expectativa)
Guarda-se pare ele. Espera.
Porque seu desejo só se realiza
no desejo dele, na cumplicidade dos dois
fundindo-se, ardentes, executando
o mais belo e primitivo ballet
3.
(sôfregos, lindos, dançando
lentos, girando,
bocas, línguas, mãos, suores,
girando
o corpo dela em movimentos
sensuais de amores
ele dentro dela, delírios,
para sempre dentro dela
a alma o corpo, o amor o olhar
lindo que ela inventou
paixão, ternura, naqueles olhos tudo
o corpo dele sobre o dela
o seu beijo
a língua
a pele
as mãos)
imagens que ela inventa
antes de adormecer.
1 087
Bernardo Guimarães
A origem do mênstruo
De uma fábula de Ovídio achada nas escavações de Pompéia e
vertida em latim vulgar por Simão de Nuntua.
Stava Vênus gentil junto da fonte
fazendo o seu pentelho,
com todo o jeito, pra que não ferisse
das cricas o aparelho.
Tinha que dar o cu naquela noite
ao grande pai Anquises,
o qual, com ela, se não mente a fama,
passou dias felizes...
Rapava bem o cu, pois, resolvia
na mente altas idéias:
– ia gerar naquela heróica foda
o grande e pio Enéias.
Mas a navalha tinham o fio rombo,
e a deusa, que gemia,
arrancava os pentelhos e peidando,
caretas mil fazia!
Nesse entretanto, a ninfa Galatéia,
acaso ali passava, e vendo a deusa assim tão agachada,
julgou que ela cagava...
Essa ninfa travessa e petulante
era de gênio mau,
e por pregar um susto à mãe do Amor,
atira-lhe um calhau...
Vênus se assusta. A branca mão mimosa
se agita alvoroçada,
e no cono lhe prega (oh! caso horrendo!)
tremenda navalhada.
Da nacarada cona, em sutil fio,
corre purpúrea veia,
e nobre sangue do divino cono
as águas purpureia...
(É fama que quem bebe dessas águas
jamais perde a tesão
e é capaz de foder noites e dias,
até no cu de um cão!)
– "Ora porra!" – gritou a deusa irada,
e nisso o rosto volta...
E a ninfa, que conter-se não podia,
uma risada solta.
A travessa menina mal pensava
que, com tal brincadeira,
ia ferir a mais mimosa parte
da deusa regateira...
– "Estou perdida!" – trêmula murmura
a pobre Galatéia,
vendo o sangue correr do róseo cono
da poderosa déia...
Mas era tarde! A Cípira, furibunda,
por um momento a encara,
e, após instantes, com severo acento,
nesse clamor dispara:
"Vê! Que fizeste, desastrada ninfa,
que crime cometeste!
Que castigo há no céu, que punir possa
um crime como este?
Assim, por mais de um mês inutilizas
o vaso das delícias...
E em que hei de gastar das longas noites
as horas tão propícias?
Ai! Um mês sem foder! Que atroz suplício...
Em mísero abandono,
que é que há de fazer, por tanto tempo,
este faminto cono?
Ó Adonis! Ó Jupiter potentes!
E tu, mavorte invito!
E tu, Aquiles! Acudi de pronto
da minha dor ao grito!
Este vaso gentil que eu tencionava
tornar bem fresco e limpo
para recreio e divinal regalo
dos deuses do Alto Olimpo,
Vede seu triste estado, ó! Que esta vida
em sangue já se esvai-me!
Ó Deus, se desejais ter foda certa
vingai-vos e vingai-me!
Ó ninfa, o teu cono sempre atormente
perpétuas comichões,
e não aches quem jamais nele queira
vazar os seus colhões...
Em negra, podridão imundos vermes
roam-te sempre a crica,
e à vista dela sinta-se banzeira
a mais valente pica!
De eterno esquentamento flagelada,
verta fétidos jorros,
que causem tédio e nojo a todo mundo,
até mesmo aos cachorros!"
Ouviu-lhe estas palavras piedosas
do Olimpo o Grão-Tonante,
que em pívia ao sacana do Cupido
comia nesse instante...
Comovido no íntimo do peito,
das lástimas que ouviu,
manda ao menino que, de pronto, acuda
à puta que o pariu...
Ei-lo que, pronto, tange o veloz carro
de concha alabastrina,
que quatro aladas porras vão tirando
na esfera cristalina
Cupido que as conhece e as rédeas bate
da rápida quadriga,
coa voz ora as alenta, ora coa ponta
das setas as fustiga.
Já desce aos bosques onde a mãe, aflita,
em mísera agonia,
com seu sangue divino o verde musgo
de púrpura tingia...
No carro a toma e num momento chega
à olímpica morada,
onde a turba dos deuses, reunida,
a espera consternada!
Já Mercúrio de emplastros se aparelha
para a venérea chaga,
feliz porque aquele curativo
espera certa a paga...
Vulcano, vendo o estado da consorte,
mil pragas vomitou...
Marte arranca um suspiro que as abóbadas
celestes abalou...
Sorriu a furto a ciumenta Juno,
lembrando o antigo pleito,
e Palas, orgulhosa lá consigo,
resmoneou: – "Bem-feito"!
Coube a Apolo lavar dos roxos lírios
o sangue que escorria,
e de tesão terrível assaltado,
conter-se mal podia!
Mas, enquanto se faz o curativo,
em seus divinos braços,
Jove sustém a filha, acalentando-a
com beijos e com abraços.
Depois, subindo ao trono luminoso,
com carrancudo aspecto,
e erguendo a voz troante, fundamenta
e lavra este DECRETO:
– "Suspende, ó filha, os lamentos justos
por tão atroz delito,
que no tremendo Livro do Destino
de há muito estava escrito.
Desse ultraje feroz será vingado
o teu divino cono,
e as imprecações que fulminaste
agora sanciono.
Mas, inda é pouco: – a todas as mulheres
estenda-se o castigo
para expiar o crime que esta infame
ousou para contigo...
Para punir tão bárbaro atentado,
toda humana crica,
de hoje em diante, lá de tempo em tempo,
escorra sangue em bica...
E por memória eterna chore sempre
o cono da mulher,
com lágrimas de sangue, o caso infando,
enquanto mundo houver..."
Amém! Amém! como voz atroadora
os deuses todos urram!
E os ecos das olímpicas abóbadas,
Amém! Amém! sussurram...
vertida em latim vulgar por Simão de Nuntua.
Stava Vênus gentil junto da fonte
fazendo o seu pentelho,
com todo o jeito, pra que não ferisse
das cricas o aparelho.
Tinha que dar o cu naquela noite
ao grande pai Anquises,
o qual, com ela, se não mente a fama,
passou dias felizes...
Rapava bem o cu, pois, resolvia
na mente altas idéias:
– ia gerar naquela heróica foda
o grande e pio Enéias.
Mas a navalha tinham o fio rombo,
e a deusa, que gemia,
arrancava os pentelhos e peidando,
caretas mil fazia!
Nesse entretanto, a ninfa Galatéia,
acaso ali passava, e vendo a deusa assim tão agachada,
julgou que ela cagava...
Essa ninfa travessa e petulante
era de gênio mau,
e por pregar um susto à mãe do Amor,
atira-lhe um calhau...
Vênus se assusta. A branca mão mimosa
se agita alvoroçada,
e no cono lhe prega (oh! caso horrendo!)
tremenda navalhada.
Da nacarada cona, em sutil fio,
corre purpúrea veia,
e nobre sangue do divino cono
as águas purpureia...
(É fama que quem bebe dessas águas
jamais perde a tesão
e é capaz de foder noites e dias,
até no cu de um cão!)
– "Ora porra!" – gritou a deusa irada,
e nisso o rosto volta...
E a ninfa, que conter-se não podia,
uma risada solta.
A travessa menina mal pensava
que, com tal brincadeira,
ia ferir a mais mimosa parte
da deusa regateira...
– "Estou perdida!" – trêmula murmura
a pobre Galatéia,
vendo o sangue correr do róseo cono
da poderosa déia...
Mas era tarde! A Cípira, furibunda,
por um momento a encara,
e, após instantes, com severo acento,
nesse clamor dispara:
"Vê! Que fizeste, desastrada ninfa,
que crime cometeste!
Que castigo há no céu, que punir possa
um crime como este?
Assim, por mais de um mês inutilizas
o vaso das delícias...
E em que hei de gastar das longas noites
as horas tão propícias?
Ai! Um mês sem foder! Que atroz suplício...
Em mísero abandono,
que é que há de fazer, por tanto tempo,
este faminto cono?
Ó Adonis! Ó Jupiter potentes!
E tu, mavorte invito!
E tu, Aquiles! Acudi de pronto
da minha dor ao grito!
Este vaso gentil que eu tencionava
tornar bem fresco e limpo
para recreio e divinal regalo
dos deuses do Alto Olimpo,
Vede seu triste estado, ó! Que esta vida
em sangue já se esvai-me!
Ó Deus, se desejais ter foda certa
vingai-vos e vingai-me!
Ó ninfa, o teu cono sempre atormente
perpétuas comichões,
e não aches quem jamais nele queira
vazar os seus colhões...
Em negra, podridão imundos vermes
roam-te sempre a crica,
e à vista dela sinta-se banzeira
a mais valente pica!
De eterno esquentamento flagelada,
verta fétidos jorros,
que causem tédio e nojo a todo mundo,
até mesmo aos cachorros!"
Ouviu-lhe estas palavras piedosas
do Olimpo o Grão-Tonante,
que em pívia ao sacana do Cupido
comia nesse instante...
Comovido no íntimo do peito,
das lástimas que ouviu,
manda ao menino que, de pronto, acuda
à puta que o pariu...
Ei-lo que, pronto, tange o veloz carro
de concha alabastrina,
que quatro aladas porras vão tirando
na esfera cristalina
Cupido que as conhece e as rédeas bate
da rápida quadriga,
coa voz ora as alenta, ora coa ponta
das setas as fustiga.
Já desce aos bosques onde a mãe, aflita,
em mísera agonia,
com seu sangue divino o verde musgo
de púrpura tingia...
No carro a toma e num momento chega
à olímpica morada,
onde a turba dos deuses, reunida,
a espera consternada!
Já Mercúrio de emplastros se aparelha
para a venérea chaga,
feliz porque aquele curativo
espera certa a paga...
Vulcano, vendo o estado da consorte,
mil pragas vomitou...
Marte arranca um suspiro que as abóbadas
celestes abalou...
Sorriu a furto a ciumenta Juno,
lembrando o antigo pleito,
e Palas, orgulhosa lá consigo,
resmoneou: – "Bem-feito"!
Coube a Apolo lavar dos roxos lírios
o sangue que escorria,
e de tesão terrível assaltado,
conter-se mal podia!
Mas, enquanto se faz o curativo,
em seus divinos braços,
Jove sustém a filha, acalentando-a
com beijos e com abraços.
Depois, subindo ao trono luminoso,
com carrancudo aspecto,
e erguendo a voz troante, fundamenta
e lavra este DECRETO:
– "Suspende, ó filha, os lamentos justos
por tão atroz delito,
que no tremendo Livro do Destino
de há muito estava escrito.
Desse ultraje feroz será vingado
o teu divino cono,
e as imprecações que fulminaste
agora sanciono.
Mas, inda é pouco: – a todas as mulheres
estenda-se o castigo
para expiar o crime que esta infame
ousou para contigo...
Para punir tão bárbaro atentado,
toda humana crica,
de hoje em diante, lá de tempo em tempo,
escorra sangue em bica...
E por memória eterna chore sempre
o cono da mulher,
com lágrimas de sangue, o caso infando,
enquanto mundo houver..."
Amém! Amém! como voz atroadora
os deuses todos urram!
E os ecos das olímpicas abóbadas,
Amém! Amém! sussurram...
1 776
Naâmir
Égua
Égua
légua
correndo
deitada
é regra
é régua
de mão
mede anca
ânsia
seio
suor
cone
ciclone
indefeso
indeciso
entra
vem
sai
vai
cai
no poço
lodo
no visgo
de todas
as bocas
frouxas
força
na coxa
de louça
mordido
beiço
pêlo
lambido
agora
é mera
Mula
turra
nua
curra
surra
de porra
caldo
deitado
no rego
sebo
seco
nau
de carne
a pique
cozendo
no sal
da entranha:
sopa
de sexo
légua
correndo
deitada
é regra
é régua
de mão
mede anca
ânsia
seio
suor
cone
ciclone
indefeso
indeciso
entra
vem
sai
vai
cai
no poço
lodo
no visgo
de todas
as bocas
frouxas
força
na coxa
de louça
mordido
beiço
pêlo
lambido
agora
é mera
Mula
turra
nua
curra
surra
de porra
caldo
deitado
no rego
sebo
seco
nau
de carne
a pique
cozendo
no sal
da entranha:
sopa
de sexo
460
Cristiane Neder
Olhar consumista
Nestes nus
que tento seduzir
meus olhos ficam vazios
de tanto te invadir.
Os teus olhos
que saem da platéia
chegam a me contaminar
estragando
minhas idéias velhas,
que eu tinha no lugar
e pensava que eram valiosas
como um quadro de Picasso.
Todo amor
tem seu traço aberto
na hora ága de se apagar.
Minha vida consumista
faz do amor
um objeto vulgar,
cheio de coisas novas
numa vitrine sem par,
e meus olhos
cheios de desejo
querem te consumir
a qualquer preço.
que tento seduzir
meus olhos ficam vazios
de tanto te invadir.
Os teus olhos
que saem da platéia
chegam a me contaminar
estragando
minhas idéias velhas,
que eu tinha no lugar
e pensava que eram valiosas
como um quadro de Picasso.
Todo amor
tem seu traço aberto
na hora ága de se apagar.
Minha vida consumista
faz do amor
um objeto vulgar,
cheio de coisas novas
numa vitrine sem par,
e meus olhos
cheios de desejo
querem te consumir
a qualquer preço.
874
Mônica Banderas
Benditas mães de meus amantes
Marcar com ferro em brasa
as nádegas
das vacas parideiras,
leiteiras,
que amamentam homens
para serem amantes
e jorrarem leite
criando mais homens
para deitar comigo
todos os dias
um para cada dia...
as nádegas
das vacas parideiras,
leiteiras,
que amamentam homens
para serem amantes
e jorrarem leite
criando mais homens
para deitar comigo
todos os dias
um para cada dia...
889