Poemas neste tema

Consciência e autoconhecimento

Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Quando te apertei a mão

Quando te apertei a mão
Ao modo de assim-assim,
Senti o meu coração
A perguntar-me por mim.
1 256
João Marcio Furtado Costa

João Marcio Furtado Costa

Gênero

Gênero

(11/96)
Não importa se acham que é bom
e muito menos se pensam que é mau
o que interessa é só o tom
usado pra elevar o moral

Quem procura e acha, pensa
que o achado o salvará
mas não vê que a recompensa
está mesmo é no alvará

Não concebo o descaso e espero
que venha, dos Deuses, a cólera
e desabe por sobre a cabeça
dos homens que permitem o cólera

Ao se pesar o passado
não é necessário fazer drama
vê-se logo que não tem tanto peso
se comparado ao grama

Vestidos de determinadas damas
me fazem perder os sentidos
o corpo consome-se em chamas
mesmo se dorme, a libido

Sabe o que penso do gênero?
é fundamental, pois a mensagem
pode ter sentido efêmero
se não incorporar a personagem

681
Manuel Bandeira

Manuel Bandeira

André

André, André, André,
O Bandeira o que é?
É poeta ou não é?
André, André, André,
E você o que é?
É André ou Tomé,
Homem de pouca fé?
1 055
João Marcio Furtado Costa

João Marcio Furtado Costa

Auto-Estima

Auto-Estima

(11/96)

Se não me perdôo,
por não ser perfeito,
não vou alçar vôo,
pode não ser direito

Se me cega, a miopia,
e a auto-crítica imputa,
de que vale, no peito,
bater "mea culpa"

Se pra todos entôo,
meu maior defeito,
pode ser de enjôo,
o derradeiro efeito

Se pra acertar o alvo,
é, me imposta, uma multa,
esperar ficar calvo,
é um preço que insulta

Se eu preciso paciência,
pra viver diferenças,
e o que sobra é carência,
paz encontro em minhas crenças

Mas no jogo da vida,
pra buscar o reverso,
e tê-la bem resolvida,
mais que apoio, é o verso

Que resgata da alma,
o que anima e ensina,
e regenera, na calma,
o vigor da auto-estima.

857
João Manuel Simões

João Manuel Simões

Diálogo Comigo

Falo comigo, falo.
Mas só me escuto quando,
em silêncio pensando,
me calo.

O que diz minha boca?
Mentira vã, sonora?
Tudo o que digo agora,
sufoca.

Ânsia íntima, larga,
de seguir só e mudo.
Tudo o que conto, tudo
amarga.

Minha voz de ontem brota
de um legendário hoje.
Subitamente foge,
ignota.

Quem serei? Desconheço.
Se chegar a sabê-lo,
a ninguém o revelo:
esqueço.

962
José Maria Nascimento

José Maria Nascimento

A Vergonha

Estou me procurando a cada sombra
deste contraditório desencanto.
Estas mornas lágrimas cintilam
um afeto ruidosamente indeciso.

Já não sei se hoje estou despido
ou se neste Vale encontrarei o Manto
com que haverei nas tardes de cobrir
a nudez da minha vergonha no Paraíso.

837
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

P-HÁ

Hoje, que sinto nada a vontade, e não sei que dizer,
Hoje, que tenho a inteligência sem saber o que querer,
Quero escrever o meu epitáfio: Álvaro de Campos jaz
Aqui, o resto a Antologia grega traz...
E a que propósito vem este bocado de rimas?
Nada... Um amigo meu, chamado (suponho) Simas,
Perguntou-me na rua o que é que estava a fazer,
E escrevo estes versos assim em vez de lho não saber dizer.
É raro eu rimar, e é raro alguém rimar com juízo.
Mas às vezes rimar é preciso.
Meu coração faz pá como um saco de papel socado
Com força, cheio de sopro, contra a parede do lado.
E o transeunte, num sobressalto, volta-se de repente
E eu acabo este poema indeterminadamente.
1 422
João Gulart de Souza Gomos

João Gulart de Souza Gomos

algaravia

o que se sabe de mim
é que roubo palavras ao vento
roubo horas ao tempo
e imagens à película:
sou um ladrão de cutículas
redentor de movimentos
coleciono momentos
em pequeninas partículas;
assalto estórias perdidas
e o que não sei, invento —
quixote e moinhos de vento
habitam-me alternados

caminheiro de atalhos
ignoro as desditas
e é o que basta dizer:
que componho versos sem métrica
e desconheço estilos
falo do que não entendo
e calo o que não consinto
aborreço o meu dia
e alimento a gaveta
de papéis escrevinhados
de outra tanta algaravia
que nos despe de encantos
e reclama melodia
noutro tempo, outro canto
e outro tanto se cria
ao falar velhas palavras

tédio... é meio-dia
quando os ponteiros se encontram
e príncipes desencantam
de coaxos já cansados
por beijos de lindas donzelas
... mas isto é já outro caso
(também de amor, mas sonhado)
que não nos compete falar.

tédio... é meia-noite
e lobisomens se encantam
de uivos agoniados
por pragas e maldições;
e a lua vai se deitar
em leitos de outros ladrões

Goulart Gomes, Salvador, BA

854
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Why do I desire

Why do I desire
What I do not need?
Why does my soul, like fire,
Or a hot abstract greed,
Seek all that is higher?

Why, if not because
It is a soul? (...)
Who can know the cause
When it lies in its whole
Hidden in (...) laws?

Yet this matters not.
What matters is pining
And that stress of thought
That comes of divining
What to wish that may not be got.
1 218
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

INTERVAL - 3

I could not be thou, being yet not thou
Were I not God; so to God my thoughts go
(To reach thee, to possess from within
To possess from being not from seeing)
Because, substance of substance, He alone
Can love being all things, and all in each one.
Thus is my love (...) religion.


And by being born, not born; by being love
None; and by being made move, not made to move,
But, indefinable and indistinct,
Wearing no form nor purpose nor precinct
Of use, it hangs, with my soul in its wake
An interval between me and thee, between
Ourselves and God, between thou being but seen
And being loved, abstract absance of place
(...) that
Life, substance of thou being a living thing
Where thought and will and feeling are one thing.


Of the two parts of love, becoming other
And unbecoming self, I do one choose —
The unbecoming, and the other lose.
Yet, as to unbecome must be becoming
Some other thing, as the end for roaming
Makes the thing found where will no matter binds,
The unbecoming of me sure love finds.
Yet if it finds the loved thing, yet not thee,
What thing finds it, that it sought not to be?
What but love's own abstraction, interval
Between souls. And as aether is purest of all
Where filling the mere spaces between things,
Because the more unmixed, the love that clings
To my large disembodiment is best,
Because no object, save love, limits its
(…)
But here not aether but consciousness is
The universal substance, so in this
Less difference between this substance and
God is there — so, if right I understand,
This love which to obtain thee loses thee
And which to complete me uncompletes me,
Which the mere interval doth occupy
Whether neither thy soul nor my soul doth lie,
To which my mere love's force abstractly sends
My void outgoing, and there my being ends,
And so the ends my being had in going
Equally endeth — this love thus foregoing
The object and the subject to be done
By missing into pure Relation;
This love finds God by its internal force,
For when all things are lost God is the loss.

See then how I, starting from me to thee,
Have like a sailor that sets out i' th' sea
For some shore, and the winds drive him away
And this chance casts him on some better bay
Than his intention had been to discover.
Yet if discovering were intended, ever
By what discovered is, where it not willed,
The purpose of discovering is filled,
And if the unwilled discovery is better,
The loss is gam, and that which seemed to fetter
The original purpose, the harsh wind,
Does lead the unled to where he best can find.

Yet this is not the journey's end, for whence
The sailor now arrived, to recommence
He may begin his voyage original
And from the better to the worse recall
For as the original purpose, better less,
Is in the found included, he may thence
His foiled task recompose and now to miss
The purpose that his (...)
So I, from God, the better may go out
To thee, and from within thee, not about
Thy presence, enter into thee and be
The very personality of thee.
1 581
João Marcio Furtado Costa

João Marcio Furtado Costa

Reflexão

Reflexão

(03/96)
Não procuro consolo,
A inocência se foi,
Se não fomos um todo,
Nada fomos depois.

Mas eu busco o resgate,
Digo não à razão,
Se cresci no vazio,
Ainda tenho o meu chão.

Nesse resto de estrada,
Se é a paixão quem conduz,
Atravesso o túnel,
Ao encontro da luz.

Quero crer na verdade,
Ressuscito o meu fogo,
Se é fato, a vontade,
Venceremos o jogo.

Recomêço e respeito,
O início, principia do fim.
Se abrires teu peito,
Então serás meu jardim.

Se eu paro e espero,
Vou querer respirar,
Mas se sei o que quero,
Por que não te encontrar?

Rasgo o orgulho, proponho,
Viverás só pra mim!
Instância, és de sonho,
Quando dizes que sim.

Pois mais vale a acolhida,
Que forneces ao par,
E anuncias a vida,
Se puderes me amar.

835
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Gela-me a ideia de que a morte seja

Gela-me a ideia de que a morte seja
O encontrar o mistério face a face
E conhecê-lo. For mais mal que seja
A vida e o mistério de a viver
E a ignorância em que alma vive a vida,
Pior me relampeja pela alma
A ideia de que enfim tudo será
Sabido e claro — e este mistério imenso,
Que não entendo já, do que é de grande
Para não ser sabido e adivinhado,
Me pesa n'alma, venha a ser sabido
E a realidade em todo o seu horror
Desabe sobre a minha consciência
Condenada ao horror de ser consciente.
Pudesse eu ter por certo que na morte
Me acabaria, me faria nada
E eu avançara para a morte, pávido,
Mas firme do seu nada.

Mas para este mistério do universo
Que solução de realidade outra
Que uma realidade enfim real
E terrível de real, e pavorosa
De ter de ser com consciência suportada?
1 194
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Meu coração, mistério batido pelas lonas dos ventos...

Meu coração, mistério batido pelas lonas dos ventos...
Bandeira a estralejar desfraldadamente ao alto,
Árvore misturada, curvada, sacudida pelo vendaval,
Agitada como uma espuma verde pegada a si mesma,
(...)
Para sempre condenada à raiz de não se poder exprimir!
Queria gritar alto com uma voz que dissesse!
Queria levar ao menos a um outro coração a consciência do meu!
Queria ser lá fora...
Mas o que Sou? O trapo que foi bandeira,
As folhas varridas para o canto que foram ramos,
As palavras socialmente desentendidas, até por quem as aprecia,
Eu que quis fora a minha alma inteira,
E ficou só a chapéu do mendigo debaixo do automóvel,
Estragado estragado,
E o riso dos rápidos Soou para trás na estrada dos felizes...
1 172
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

CORPOS

O meu corpo é o abismo entre eu e eu.

Se tudo é um sonho sob o sonho aberto
Do céu irreal, sonhar-te é possuir-te,
E possuir-te é sonhar-te de mais perto

As almas sempre separadas,
Os corpos são o sonho de uma ponte
Sobre um abismo que nem margens tem

Eu porque me conheço, me separo
De mim, e penso, e o pensamento é avaro

A hora passa. Mas meu sonho é meu.
2 161
Isabel Machado

Isabel Machado

Baratas freudianas

Falo que barata não é falo
ouso discordar do Freud-Deus
ao gerar polêmica, me calo!
Quem, perante Freud-Deus, sou eu?

Devo ter então medo de sexo
preciso ficar a meditar
Penso na barata e não tem nexo
mas insisto e volto a repensar...

Não devo berrar mais quando a vejo
nem com meu chinelo destruí-la.
Se a barata é meu puro desejo
devo então amá-la ou possuí-la...

Acho que é melhor eu consultar
quem melhor entende desse tema.
Ou profundamente pesquisar
a resposta desse vil dilema...

A resposta está profundamente
nas entranhas do meu "eu" profundo
que faz da barata, inconsciente,
o falo que mais amo nesse mundo!

1 063
Manuel Bandeira

Manuel Bandeira

Versos de Natal

Espelho, amigo verdadeiro,
Tu refletes as minhas rugas,
Os meus cabelos brancos,
Os meus olhos míopes e cansados.
Espelho, amigo verdadeiro,
Mestre do realismo exato e minucioso,
Obrigado, obrigado!

Mas se fosses mágico,
Penetrarias até ao fundo desse homem triste,
Descobririas o menino que sustenta esse homem,
O menino que não quer morrer,
Que não morrerá senão comigo,
O menino que todos os anos na véspera do Natal
Pensa ainda em pór os seus chinelinhos atrás da porta.

1939
2 342
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

DIAGNÓSTICO

DIAGNÓSTICO

Pouca verdade! Pouca verdade!
Tenho razão enquanto não penso.
Pouca verdade...
Devagar...
Pode alguém chegar à vidraça...
Nada de emoções!...
Cautela!
Sim, se mo dessem aceitaria...
Não precisas insistir, aceitaria...
Para quê?
Que pergunta! Aceitaria...
1 466
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Estou cheio de tédio, de nada. Em cima da cama

Estou cheio de tédio, de nada. Em cima da cama
Leio, com uma minuciosidade atómica,
Lentamente, com uma atenção sem chama,
A Nova Enciclopédia Maçónica.

Penso no que fui (não me escapam as entrelinhas),
E o que a minha alma quis e a minha vida fez.
Coube-me, como a uma senhora um carrinho de linhas,
No meio do Grau 32 do Rito Escocês.

O que quis do passado por brisas se esfolha,
O que pude de oculto teve a tempo medo;
E olho a sorrir o título no alto da folha:
Sublime Príncipe do Real Segredo...
1 317
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Pobre do pobre que é ele

Pobre do pobre que é ele
E não é quem se fingiu!
Por muito que a gente vele
Descobre que já dormiu.
1 465
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

CUL DE LAMPE

CUL DE LAMPE

Pouco a pouco,
Sem que qualquer coisa me falte,
Sem que qualquer coisa me sobre,
Sem que qualquer coisa esteja exactamente na mesma posição,
Vou andando parado,
Vou vivendo morrendo,
Vou sendo eu através de uma quantidade de gente sem ser.
Vou sendo tudo menos eu.
Acabei.

Pouco a pouco,
Sem que ninguém me falasse
(Que importa tudo quanto me tem sido dito na vida?),
Sem que ninguém me escutasse
(Que importa quanto disse e me ouviram dizer?)
Sem que ninguém me quisesse
(Que importa o que disse quem me disse que queria?),
Muito bem...
Pouco a pouco,
Sem nada disso,
Sem nada que não seja isso,
Vou parando,
Vou parar,
Acabei.

Qual acabei!
Estou farto de sentir e de fingir em pensar,
E não acabei ainda.
Ainda estou a escrever versos.
Ainda estou a escrever.
Ainda estou.

(Não, não vou acabar
Ainda...
Não vou acabar.
Acabei.)

Subitamente, na rua transversal, uma janela no alto e que vulto nela?
E o horror de ter perdido a infância em que ali não estive
E o caminho vagabundo da minha consciência inexequível.

Que mais querem? Acabei.
Nem falta o canário da vizinha ó manhã de outro tempo,
Nem som (cheio de cesto) do padeiro na escada
Nem os pregões que não sei já onde estão —
Nem o enterro (ouço as vozes) na rua,
Nem trovão súbito da madeira das tabuinhas de defronte no ar de verão
Nem... quanta coisa, quanta alma, quanto irreparável!
Afinal, agora tudo cocaína...
Meu amor infância!
Meu passado bibe!
Meu repouso pão com manteiga boa à janela!
Basta, que já estou cego para o que vejo!
Arre, acabei!
Basta!
997
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

28 - ISIS

In the cool pillared portico
That gives white entrance to her moods
Start-lovely stand in a mule row
The statues of her pulchritudes.

Twelve are they and the mind doth gather
Their separate seen lives to one sense;
The thirteenth, which is all together,
Means her soul and its confluence.

Five statues mean the senses five,
Seven are her mysteries of Thought.
The thirteenth seems somehow to live
Beside her life and know it not.

The summer lies outside her shades,
The breezes creep into her halls,
And from her windowed loss the glades
Are something that the soul recalls.

She built her house with heavenly types
Of building in her inner seeing.
The sun makes the long pillars stripes
On the cold hard floors of her being.

Yet she is absent and despairing,
Her statues await her New Hour,
And from the shadows of her hearing
The whisper of the drones doth flower.

This was not anyhow nor when.
All was as cool as dreams are cool
When breezes creep up to our pain
And we are laid beside a pool,

And a far larger pool arises
In our restored imagining,
And all our body's sense despises
Our innate lack of fin and wing.

Still by her portico I stopped.
The shadows there were clear and fast.
Slightly, as with a kiss, I hoped,
And Having, like a swallow passed.
4 615
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

26 - FEVER‑GARDEN

Red living flakes of demon snow
Poison-relate the sinning air
To atom-clear red sick flowers who
Rootless jut out of Night and There

Relation being itself a clutch
Upon the throbbing veins in seeing
So the surviving over-much
Is not contiguous to being

Yet philter-aureole or lay
Sung round the rites of altared vice
The poppies of o'er-memory may
Spin cobweb-circles lusting thrice

Around the phallic selfness stood
Midway from intellect to sense
Round whose void a tongued mist thrust-dense
To the cut lips gives conscious blood
4 155
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Ah, tudo é símbolo e analogia!

Ah, tudo é símbolo e analogia!
O vento que passa, a noite que esfria
São outra cousa que a noite e o vento —
Sombras de vida e de pensamento.

Tudo que vemos é outra cousa.
A maré vasta, a maré ansiosa,
É o eco de outra maré que está
Onde é real o mundo que há.

Tudo que temos é esquecimento.
A noite fria, o passar do vento
São sombras de mãos cujos gestos são
A ilusão mãe desta ilusão.
1 636
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

42 - THE FORESELF

I had a self and life
        Before this life and self.
When the moon makes woods rife
        With possible fay or elf,
There comes in me a dreaming
That is like a light gleaming
        Somewhere in me away,
On seas that I have known
And placeless lands that own
        Another kind of day.

I dream, and as a blast
        Fans into fire an ember,
My heart gleams with a past
        That I cannot remember.
And as the ember's glowing
Is not fire but fire's showing,
        I waste the empty pelf
Of my mute sense of me.
As rain within the sea
        I fade within myself.

There are mazes of I.
        I am my unknown being.
I have, I know not why,
        Another kind of seeing
(Other than this vain vision
That is my soul's division
        From what girds sight about)
Where to see is to know,
Whose life is faith, and woe
        Fled by the hand of Doubt.

My life has happy hours:
        'Tis when I feel not living;
And, as the scent of flowers
        Round flowers a flower‑soul weaving
That is a corporate spirit,
From myself I inherit,
        My soul's blood's spirit‑air,
A foreself and inself
Which is the being‑pelf
        That with God's loss I share.
1 578