Beleza
Luís Delfino
O Lago
Ao sol, e como a flor abre o seio esplendente;
Eu me banhava em ti desassombradamente,
Água, flor da manhã, branca flor da campina.
Dos pássaros em torno a canção matutina
Fazia rir de gozo e arfar de amor o ambiente;
Cantava pelo espaço a primavera olente,
Cantava a aura do céu, cantava a luz divina.
Mármore unido, que veia azul brando apenas,
Parecias ouvir, cismando, as cantilenas,
Que enchiam toda a veiga, abrasada de aurora.
O! lago, eu me banhava em ti; mas de improviso
Fui ao fundo, e no fundo achei o paraíso:
E onde o paraíso está, eu sei agora...
Publicado no livro Íntimas e Aspásias (1935). Poema integrante da série Íntimas.
In: DELFINO, Luiz. Os melhores poemas. Sel. Lauro Junkes. São Paulo: Global, 1991. p.94. (Os Melhores poemas, 23
Vinicius de Moraes
O Escândalo da Rosa
Assim carmesim
Quem te fez zelosa
O carme tão ruim?
Que anjo ou que pássaro
Roubou tua cor
Que ventos passaram
Sobre o teu pudor
Coisa milagrosa
De rosa de mate
De bom para mim
Rosa glamourosa?
Oh rosa que escarlate:
No mesmo jardim!
Vinicius de Moraes
Soneto de Quarta-Feira de Cinzas
Em tão doce surpresa conquistada
Por seres uma branca criatura
De uma brancura de manhã raiada
Por seres de uma rara formosura
Malgrado a vida dura e atormentada
Por seres mais que a simples aventura
E menos que a constante namorada
Porque te vi nascer de mim sozinha
Como a noturna flor desabrochada
A uma fala de amor, talvez perjura
Por não te possuir, tendo-te minha
Por só quereres tudo, e eu dar-te nada
Hei de lembrar-te sempre com ternura.
Rio, 1941
Neide Archanjo
Veio negra
Veio negra
lindíssima
como um lírio de Ofir
e habitou a tenda que armei
entre silêncios
do ócio mais ardente
alegria luminosa de carícias
coisas perfumadas trazidas de viagens
feitas por terra
e por mar.
Deitou seu corpo ao lado do meu.
Abrigou-se.
À nossa volta tudo foi
farto doce e santo
o verde o roxo o branco
mais uma ternura
que sabia ser volúpia
e quis ser encanto.
(Sentada
nua.
Um lenço cobre o bandó
desce pelas encostas
longas líbias escuras.
No chão os seus arreios
nos joelhos minha cabeça que descansa.
É tarde
um sol pequeno brota na janela:
meu poema e seus contornos
entre seus dedos
como os seus adornos.
Na voz uma canção nagô
falando de coisas estranhas
que devem ser de amor.
Em seu corpo esplêndido
suor e gozo
beijoim e hortelã
um silêncio roxo resplandece.
Reina Nanã.)
(...)
Poema integrante da série Sítio III.
In: ARCHANJO, Neide. Escavações. Pref. Carlos Felipe Moisés. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980. (Poiesis)
Neide Archanjo
A gota
se desloca do rio de gotas
e antes de mergulhar
ávida
na minha mão
recolhe um momento
de diamante ou de cristal.
Poema integrante da série Fragmentos.
In: ARCHANJO, Neide. Escavações. Pref. Carlos Felipe Moisés. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980. (Poiesis)
Maria Lucia Miranda Afonso
Delicadeza
Uma pessoa tão delicada...
como uma chuva de cristal caindo nas rochas:
inútil tentar segurá-la com as mãos,
inevitável que algumas gotas se despedacem...
Tenho compaixão por ela,
é tão delicado ser delicado!
É tão duro ser delicada consigo mesma
quando se é tão delicada...
É tão duro, e tão delicado!
Mirella Márcia
Quarto Soneto
Não sabem quando é noite ou quando é dia,
Nem sabem se é do sol ou do luar
A luz que os meus olhos extasia.
Os campos que me ouvem te chamar
Não lembram se é pranto ou melodia
Os sons que eu componho nesse mar
Remoto lá em minha fantasia.
De que valem todos esses campos?
De que vale no vale qualquer lírio,
Se não fia nem tece o teu rosto
Embuçado com os panos do delírio?
De que vale toda a natureza
Se eu já trago em mim tua beleza?
Vinicius de Moraes
Balada Das Meninas de Bicicleta
Que fagueiras pedalais
Quero ser vosso poeta!
Ó transitórias estátuas
Esfuziantes de azul
Louras com peles mulatas
Princesas da zona sul:
As vossas jovens figuras
Retesadas nos selins
Me prendem, com serem puras
Em redondilhas afins.
Que lindas são vossas quilhas
Quando as praias abordais!
E as nervosas panturrilhas
Na rotação dos pedais:
Que douradas maravilhas!
Bicicletai, meninada
Aos ventos do Arpoador
Solta a flâmula agitada
Das cabeleiras em flor
Uma correndo à gandaia
Outra com jeito de séria
Mostrando as pernas sem saia
Feitas da mesma matéria.
Permanecei! vós que sois
O que o mundo não tem mais
Juventude de maiôs
Sobre máquinas da paz
Enxames de namoradas
Ao sol de Copacabana
Centauresas transpiradas
Que o leque do mar abana!
A vós o canto que inflama
Os meus trint'anos, meninas
Velozes massas em chama
Explodindo em vitaminas.
Bem haja a vossa saúde
À humanidade inquieta
Vós cuja ardente virtude
Preservais muito amiúde
Com um selim de bicicleta
Vós que levais tantas raças
Nos corpos firmes e crus:
Meninas, soltai as alças
Bicicletai seios nus!
No vosso rastro persiste
O mesmo eterno poeta
Um poeta - essa coisa triste
Escravizada à beleza
Que em vosso rastro persiste,
Levando a sua tristeza
No quadro da bicicleta.
Mirella Márcia
Terceiro Soneto
Condenada na perdida Idade Média.
Dançando, meu amor foi p’ra fogueira,
Gozando nesta hora de tragédia.
O carrasco encantado com a surpresa
De tal riso dado em meio à agonia
Rezava pela bruxa sem certeza
Se o que via era fato ou fantasia.
Pelos tempos, o incêndio que ainda cresce
Vai queimando tão bela bailarina
Assistida pelo seu carrasco em prece
Que não entende que aquilo que a fascina
É na chama haver espelho que enternece
Pois o fogo tem um rosto de menina.
Angela Santos
Eros
face juvenil de Eros
levemente roça o corpo de Vénus
fundem-se nos olhos
e resplandecem
incêndios crepúsculos
nas bocas, nas mãos nos corações
frementes
E sempre, assim, acontece
no momento do encontro
nesse mágico instante
de dois olhares que atravessam
do que houver para atravessar
alma, mares, muros, espadas…
vencido o Amor não será
Como força que nasce
não se sabe bem de onde
como vaga que nos leva
à orla de um oceano
como vulcão que incendeia
o peito e o corpo todo,
assim Eros renascido
com seu rosto de menino
se roça em nós como em Vénus
E nada então é maior do que o amor
que em si junta beleza,
erotismo vida
no instante único em que o amor
se transmuda em amar!
Angela Santos
Amar é
(….amar
com sotaque)
Amar
dá sempre certo
mesmo que o objecto amado
se distancie na luz do nosso olhar…
amar dará certo,
porque certo é o amor
mais certo o amar…
amar dará certo,
sempre ganha o sujeito
mesmo quando o objecto
da sua vista se perde …
amar dá sempre certo...
pela beleza que empresta aos dias,
pela chama que acende nas noites,
pelo tremor de vulcão
que traz às nossas vidas…
Amar…amar é o mais certo
por nos fazer sentir vivas!
Vinicius de Moraes
O Poeta E a Lua
O poeta vai pela rua
Seus olhos verdes de éter
Abrem cavernas na lua.
A lua volta de flanco
Eriçada de luxúria
O poeta, aloucado e branco
Palpa as nádegas da lua.
Entre as esferas nitentes
Tremeluzem pelos fulvos
O poeta, de olhar dormente
Entreabre o pente da lua.
Em frouxos de luz e água
Palpita a ferida crua
O poeta todo se lava
De palidez e doçura.
Ardente e desesperada
A lua vira em decúbito
A vinda lenta do espasmo
Aguça as pontas da lua.
O poeta afaga-lhe os braços
E o ventre que se menstrua
A lua se curva em arco
Num delírio de volúpia.
O gozo aumenta de súbito
Em frêmitos que perduram
A lua vira o outro quarto
E fica de frente, nua.
O orgasmo desce do espaço
Desfeito em estrelas e nuvens
Nos ventos do mar perspassa
Um salso cheiro de lua
E a lua, no êxtase, cresce
Se dilata e alteia e estua
O poeta se deixa em prece
Ante a beleza da lua.
Depois a lua adormece
E míngua e se apazigua...
O poeta desaparece
Envolto em cantos e plumas
Enquanto a noite enlouquece
No seu claustro de ciúmes.
Angela Santos
Serenidade
areias finas
a deusa adormecida
lembra uma esfinge viva
serenamente abandonada
em seu sono
Indiferente
às tempestades de luz
que o seu sonho assaltam
a deusa toda se ilumina
com as odes de sol que
da alma emanam
E deitada
sobre areias brancas
serena, despertará
iluminada
Maria da Felicidade do Couto Browne
Que triste fim
Que triste fim, belas flores,
N’esse vaso vos espera?
Embora d’ouro cercadas;
Aqui não é vossa esfera!
Que dura mão, tão perfeitas
Vos foi no jardim cortar,
E a vossa curta existência
Inda mais acelerar?
Não tendes da terra sucos
Para vossa nutrição;
Nem da manhã o orvalho,
Nem da tarde a viração.
As luzes que vos rodeiam
Não têm do sol o calor;
Nem a água em que pousais
Entretém vosso verdor.
Angela Santos
Epifania
corre, expande-se significante
invade as horas e os murmúrios
enquanto o mundo
no inquietante da sua
fácies
se revela
Azuís
imensamente azuís
os olhos da menina
o quotidiano lodo atravessam
e um instante... um instante único
o imundo lava
nas águas do perfeito azul
de uns olhos de criança
Martins Napoleão
O Destino da Lira
— orvalho a gotejar de outras raízes...
Mas é tão doce a dor de o transformar num canto
Que console infelizes!...
O destino da Lira é como o das estrelas,
Belas e inúteis, aparentemente:
Mas a força vital infinita que há nelas
Faz brotar a semente.
O destino da Lira é o destino das rosas,
morrendo mas deixando o aroma que erra,
Ou no ar ou no esplendor das mulheres formosas,
Como um bem feito à terra.
Álvares de Azevedo
Passei ontem a noite
Do camarote a divisão se erguia
Apenas entre nós — e eu vivia
No doce alento dessa virgem bela...
Tanto amor, tanto fogo se revela
Naqueles olhos negros! Só a via!
Música mais do céu, mais harmonia
Aspirando nessa alma de donzela!
Como era doce aquele seio arfando!
Nos lábios que sorriso feiticeiro!
Daquelas horas lembro-me chorando!
Mas o que é triste e dói ao mundo inteiro
É sentir todo o seio palpitando...
Cheio de amores! E dormir solteiro!
Martins Napoleão
O Poema da Forma Eterna
O grande céu azul desfolhado no espaço!
O homem pequeno e louco
E o barro úmido às mãos do oleiro cego!)
Expressar cada um
O seu minuto culminante de beleza,
O seu instante de bondade extrema,
O seu momento de heroísmo,
Na subitânea íntegra pureza
De uma forma imperecível!
Como o coágulo de luz no diamante sem jaça,
Qual se a gota de orvalho, porventura,
Imagem matinal do sorriso da luz,
Se condenasse repentinamente.
Não a forma perfeita,
Porém aquela, exata e duradoura,
De um ápice de síntese.
Forma que se transfunda, num jato, a substância
De um momento imortal entre dois limites inúteis do tempo fugaz.
Uma forma que seja — nos limites do vário e mutável — perene.
E possa traduzir a integração, a plenitude e a culminância
Do glorioso momento da vida:
O desejo de fixar o efêmero para o tornar eterno.
Como o oleiro inocente, com as mãos carregadas de sonho,
Procurar transmitir ao barro paciente,
Numa manhã feliz em que os deuses se vestem de luz,
O movimento, a vida, a elástica e nervosa agilidade
Da asa de um pássaro voando...
E o pintor, com os olhos impregnados de cores viventes,
Anseia revelar, numa combinação imprevista de tintas,
Em que a luz e a névoa se misturem,
E a virgindade da manhã se case
À difusa tristeza do crepúsculo,
Num tom maravilhoso,
O úmido olhar do amor que pecou por prazer...
E o músico, de coração sangrante de harmonias,
Tenta subjugar, num acorde que encerre
O resumo de todas as únicas notas supremas
Arrancadas das cordas soluçantes
Dos violinos de todos os artistas
Que morreram em êxtase de sonho.
A expressão musical das primeiras estrelas
Que iluminam o silêncio da tarde,
Como lágrimas de adolescentes...
E o atleta, que tem o sentido dos ritmos nos músculos submissos,
Busca perpetuar, numa imagem que esplenda
Clara e vibrátil como uma ode pindárica,
E tenha a assustadora beleza da vitória sobre a morte,
Ao pasmo olhar da multidão de fôlego suspenso,
O salto sobre o abismo.
E o herói, que mede o valor da vida pela beleza oportuna da morte,
Ambiciona cunhar, numa imagem que ostente
O soberano orgulho do desprezo
E a coragem consciente do perigo,
O simbólico exemplo
Do primeiro soldado que tombou
Com um sorriso nos lábios e uma rosa de sangue no peito.
E o santo que transcende as leis humanas
Aspira a eternizar, numa imagem que seja,
A própria infinitude de todos os êxtases
E todas as bondades sem nenhuma recompensa
O gesto irrepetível
Do instante de humildade e de renúncia
Em que se debruçou para beijar o leproso na boca,
Como um lírio num charco...
E o poeta, flauta cheia do sopro divino
Quer reunir, a um acesso instintivo de forças genésicas
Num canto absoluto
o irrelevado espírito das coisas,
A harmonia que ninguém ousou captar,
A beleza invisível para os outros.
E o lavrador, que espera a bendição de Deus,
Deseja aprender, numa imagem que vibre
Como a entranha da agreste companheira
Sob as primícias da maternidade,
A alegria da terra,
Rasgando o próprio seio sem doer
Para as eclosões das primeiras sementes.
Como o oleiro o seu momento de inocência criadora,
E o pintor, o seu momento de domínio incomparável da matéria plástica,
E o músico o seu momento de cósmica integração,
E o atleta o seu momento de vitória espetacular,
E o santo o seu momento de êxtase supremo
E o lavrador, o seu momento de esperança milagrosa
E o poeta o momento de seu canto absoluto
Todos aspiram a perpetuar-se
Moldando o grande sonho em forma eterna.
Todos desejam essa alegria perfeita
Da forma em que se transfunda, num jato, a substância
Do momento imortal, único, entre os dois limites extremos e inúteis do tempo fugaz.
Angela Santos
Cismo
no ar
o arabesco das formas
e os olhares conduz
naquele compasso
Passa
e no esboço de dança
o insuspeito convite
deixa ao passar
Em seu manear
se lhe agita o corpo,
e a cada passo
treme o chão também,
como se intrépido
o magma subisse
de repente à boca
de um velho vulcão
Seu passo é dança
que o mundo sacode
não sabe a morena
que ligeira passa
do breve tremor
que ao peito propaga
cada passo seu.
Álvares de Azevedo
Terza Rima
Nas mãos do fumador um bom cigarro,
Sentir o fumo em névoas recendendo,
Do cachimbo alemão no louro barro
Ver a chama vermelha estremecendo
E até... perdoem... respirar-lhe o sarro!
Porém o que há mais doce nesta vida,
O que das mágoas desvanece o luto
E dá som a uma alma empobrecida,
Palavra d’honra, és tu, ó meu charuto!
Álvares de Azevedo
Pálida Inocência
Lamartine
Por que, pálida inocência,
Os olhos teus em dormência
A medo lanças em mim?
No aperto de minha mão
Que sonho do coração
Tremeu-te os seios assim?
E tuas falas divinas
Em que amor lânguida afinas
Em que lânguido sonhar?
E dormindo sem receio
Por que geme no teu seio
Ansioso suspirar?
Inocência! Quem dissera
De tua azul primavera
As tuas brisas de amor!
Oh! Quem teus lábios sentira
E que trêmulo te abrira
Dos sonhos a tua flor!
Quem te dera a esperança
De tua alma de criança,
Que perfuma teu dormir!
Quem dos sonhos te acordasse,
Que num beijo t’embalasse
Desmaiada no sentir!
Quem te amasse! E um momento
Respirando o teu alento
Recendesse os lábios seus!
Quem lera, divina e bela,
Teu romance de donzela
Cheio de amor e de Deus!
Dolores Duran
A noite do meu bem
E a primeira estrela que vier
Para enfeitar a noite do meu bem
Hoje eu quero a paz de criança dormindo
E o abandono das flores se abrindo
Para enfeitar a noite do meu bem
Quero a alegria de um barco voltando
Quero a ternura de mãos se encontrando
Para enfeitar a noite do meu bem
Ah! Eu quero o amor mais profundo
Eu quero toda a beleza do mundo
Para enfeitar a noite do meu bem
Ah! Como este bem demorou a chegar
Eu já nem sei se terei no olhar
Toda a ternura que eu quero lhe dar.
Hilda Hilst
Que este amor não me cegue nem me siga
E de mim mesma nunca se aperceba.
Que me exclua de estar sendo perseguida
E do tormento
De só por ele me saber estar sendo.
Que o olhar não se perca nas tulipas
Pois formas tão perfeitas de beleza
Vêm do fulgor das trevas.
E o meu Senhor habita o rutilante escuro
De um suposto de heras em alto muro.
Que este amor só me faça descontente
E farta de fadigas. E de fragilidades tantas
Eu me faça pequena. E diminuta e tenra
Como só soem ser aranhas e formigas.
Que este amor só me veja de partida.
António Lobo Antunes
Décimas para Gabriela
A tua cor de canela
Me traz impressionado,
São os teus lindos cabelos
Em que me trago amarrado.
GLOSA
Tu és uma flor galante
Do reino de Alexandria,
Esta tua simpatia
É um jardim elegante.
Estes teus olhos brilhantes
É uma flor das mais belas.
Minha querida donzela,
Consagro meu coração
À tua linda feição,
À tua cor de canela.
Tu és uma linda rosa,
Um lírio bem cacheado,
Parece um cravo encarnado
A tua boca mimosa.
Tua face cor-de-rosa
Parece um reino encantado.
Há muitos dias passados,
Que sofro tamanha dor,
Porque este tão grande amor
Me traz impressionado.
Tu és um belo jasmin,
Uma açucena doirada,
Uma lapela bordada,
Tu és um verde alecrim,
Cravo branco do jardim,
Tens a cor que mais desejo.
De perder-te tenho medo,
Porque és um amor sem fim
E o que mais te prende a mim
São os teus lindos cabelos.
De ti não posso esquecer,
Em ti penso noite e dia,
Minha maior alegria
É estar contigo ao meu lado,
Em nosso leito, deitado,
Te acariciando com amor,
Cheirando a ti como à flor,
Matando assim meus desejos,
Enroscado em teus cabelos
Em que me trago amarrado.
(Lavras - Ceará, 1959)