Poemas neste tema

Beleza

Natália Correia

Natália Correia

Auto-retrato

Espáduas brancas palpitantes:
asas no exílio dum corpo.
Os braços calhas cintilantes
para o comboio da alma.
E os olhos emigrantes
no navio da pálpebra
encalhado em renúncia ou cobardia.
Por vezes fêmea. Por vezes monja.
Conforme a noite. Conforme o dia.
Molusco. Esponja
embebida num filtro de magia.
Aranha de ouro
presa na teia dos seus ardis.
E aos pés um coração de louça
quebrado em jogos infantis.

5 716
Affonso Romano de Sant'Anna

Affonso Romano de Sant'Anna

A Bela do Avião

Mereço tocar em teus cabelos,
loira e anelada mulher
que não me conheces
e estás sentada a dois metros de mim neste avião.
Te contemplo com intimidade. Sei
teus contornos e perfumes.
Reclinas teu assento para dormir
e fechados os olhos viajas
para alguém que te espera, ou não,
sem saber que eu merecia tocar em teus cabelos,
em tua boca perfeita,
teu sublime nariz,
sem saber que conheço teu corpo
com uma intimidade absoluta.
Estou te vendo, com extremado pudor,
em peças íntimas no quarto,
sei da ponta de teus seios
e do grito que lanças ao gozar.
Como deve ser importuno
carregar continuamente
essa beleza
publicamente cobiçada!
Poderia te falar
mas te sentirias imediatamente punida
por seres linda.
Vai, colhe poemas, cobiças e suspiros
à tua passagem,
pois carregas o fastio da beleza
esse ornamento difícil de ostentar.
Nunca saberás que um poeta
assim te contemplou.
Nunca saberás que estás aqui descrita.
Nunca poderás te valer destes meus versos,
quando, sendo bela, chorares como as feias
e aviltada quiseres morrer
na hora da traição.
1 167
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

A Mulher Que Medita Aérea

Esparsa e prateada com a palma erguida
aérea e vagarosa no sono cintilante
em que medita a nudez de ser como uma lâmpada
até ao fundo em nostalgia ondeia
e a claridade irisa e abre-se ao silêncio.

Ilumina-se no círculo de um mistério verde.
É livre no ligeiro equilíbrio de um vigor
que vem das folhas e do ar e quase voa
em reverência ardente ao que está sendo
em transparência nua e em arcos de frescura.

Demora inclinada sobre as águas incandescentes
numa alegria branca e grita inteiramente.
Demora e respira a brisa que inebria
e limpa. Pelo espaço alarga a sua esfera
e decanta na penumbra a paz que se aclara.
1 041
Pero da Ponte

Pero da Ponte

Marinha Foça Quis Saber

Marinha Foça quis saber
como lh'ia de parecer;
e fui-lh'eu log'assi dizer,
tanto que m'ela preguntou:
- Senhor, nom houver'a nacer
       quem vos viu e vos desejou!

E bem vos podedes gabar
que vos nom sab'hoj'home par,
enas terras, de semelhar;
de mais diss'um, que vos catou,
que nom s'houver'a levantar
       quem vos viu e vos desejou!

E pois parecedes assi,
tam negra ora vos eu vi,
que o meu cor sempre des i
nas vossas feituras cuidou;
e mal dia naceu por si
       quem vos viu e vos desejou!

Mais que fará o pecador
que viu vós e vossa coor
e vos nom houv'a seu sabor?
Dizer-vo-lo-ei já, pois me vou:
irad'houve Nostro Senhor
       quem vos viu e vos desejou!
428
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

Na Transparência da Sombra

Dorme na transparência da sombra ignorante
de ser a própria fonte inebriante e a área
que é um estremecimento do centro até ao círculo.
Vê-la é ver do fundo olvido a nudez ardente.
Ilumina-se um sabor e a inteligência é de vento.

Que volúvel é o brilho de tudo quanto vê!
Contempla em vivas curvas a liberdade do fogo.
Forma o mundo de si, no seu vagar maravilhoso.
Está feliz vendo e em cada coisa repousando
cada vez mais terra numa inocência vegetal.

Andar com ela será ser a transparência intacta
ou sereno errar num espaço de atenção.
Em torno dela o mundo é um pomar unânime.
Quem se abre mais imóvel mais fluido
à magnífica ubiquidade do seu silêncio?
981
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

Maravilha Breve

Exala um odor a ervas e a lâmpadas.
Sabe à luz e ao voo de uma nuvem cintilante.
Por ela vemos um mundo de água clara
e a melancolia de uma memória amante.
Com ela o instante é a maravilha breve

em que a nudez sorri. Simplicidade completa
e a frescura frágil. O movimento doce
com que se inclina é onde o azul começa.
Ela estremece como uma lâmpada entre as folhas.
As suas mãos irradiam sombras ou carícias.

Que sabor a folhas do mar, que sabor a brisa
quando flutuando os nomes inebria
e os levanta e limpa com a sombra
através do silêncio do deserto
na claridade de um puro nascimento.
1 114
Nuno Júdice

Nuno Júdice

O movimento da mulher quando anda

"... uma jovem mulher com sua harpa de sombra..."
Herberto Helder

O movimento da mulher quando anda
desenha-se no próprio ar, deixando um sulco que
agita os ramos em que ainda sobram algumas
flores. Posso compará-lo com um rasto de onda
que rebentou, sobrando só essa espuma quase
transparente que o sol atravessa; mas a mulher
quando anda tem a densidade do mármore
de uma antiga estátua, embora o seu corpo se
molde à resistência do sol que, ao incidir na sua
pele, solta os brilhos que ela afasta com os
braços, em busca de sombra. É assim, digo, que
o movimento da mulher quando anda transforma
o seu corpo em aresta de luz, por entre as cores
e as formas que o prendem, e de que as suas
pernas se libertam quando saltam a vedação
e pousam na terra, do outro lado, como harpa
num instante de repouso.


Nuno Júdice | "A pura inscrição do amor", pág. 63 | Publicações Dom Quixote, 1ª. edição. Jan. 2018
2 263
José Bonifácio de Andrada e Silva

José Bonifácio de Andrada e Silva

Sonetos

Eu vi Narcina um dia, que folgava
Na fresca borda de uma fonte clara:
Os peitos, em que Amor brinca e se ampara,
Com aljofradas gotas borrifava.

O colo de alabastro nu mostrava
A meu desejo ardente a incauta avara.
Com ponteagudas setas, que ela ervara,
Bando de Cupidinhos revoava.

Parte da linda coxa regaçado
O cândido vestido descobria;
Mas o templo de amor ficou cerrado:

Assim eu vi Narcina. — Outra não cria
O poder da Natura, já cansado;
E se a pode fazer, que a faça um dia.


Publicado no livro Poesias Avulsas de Américo Elísio (1825).

In: BONIFÁCIO, José. Poesias. Edição fac-similar da principe, de 1825, extremamente rara; com as poesias ajuntadas na edição de 1861, muito rara; com uma contribuição inédita. Rio de Janeiro: Publicações da Academia Brasileira, 1942. p.77. (Coleção Afrânio Peixoto
1 639
Affonso Romano de Sant'Anna

Affonso Romano de Sant'Anna

Se Eu Dissesse

Se eu dissesse que o crepúsculo está coalhado de sangue
diriam que isto é uma banalidade
que só um mau poeta ousa escrever.
E, no entanto, o crepúsculo está coalhado de sangue.
Não só o crepúsculo, também a alvorada.
E quanto a isto não há muito que se possa fazer.
1 191
Nuno Júdice

Nuno Júdice

Um lírio no vale

Nua, encosta-se ao que pode ser uma parede
de pano, com erupções líquidas, uma doçura
de musgo, e a cor branca da primavera.
A mão, displicente, apoia-se na anca, numa
impaciência que transparece nos cabelos
soltos de uma noite de amor. A outra
mão, porém, segura um lírio sobre o seio;
e o olhar desce na sua direcção, como
se quisesse saborear o gesto em que uma
falsa timidez se manifesta. Há quanto
tempo está ali? Quem a deixou entregue
ao abandono da sua sombra?
No entanto, com um sorriso irónico,
convida-nos a entrar; e talvez
nos diga o que espera ainda, enquanto
o tempo passa pelo rio do seu corpo.


Nuno Júdice | "A pura inscrição do amor", pág. 64 | Publicações Dom Quixote, 1ª. edição. Jan. 2018
1 313
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

Extremamente Nua

Extremamente nua. E através dela a sombra
luminosa, a mais íntima coisa e a mais externa,
que aflora em ondas e folhas vulneráveis,
exposta como a lua na sua incerta malícia.
Ela é a ilusão essencial e completamente física

entre nuvens e árvores, entre pedras e ondas.
Quando a conhecemos dir-se-ia que anoitece
e que na escuridão entramos, num turbilhão de espuma.
São dela as imaculadas sílabas, o frágil timbre
cristalino, a delícia subtil dos lábios e do sexo.

Tocá-la é concebê-la na indolência perfeita
e com as palavras do mundo dizer a vida do mundo.
O real é uma invenção deste opaco amplexo
em que o prodígio é a simplicidade e a opulência
de uma ignorância que habita a medula dos sentidos.
1 069
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

O Efémero Paraíso

Um mundo onde a ignorância é primavera
onde a alegria estremece deslumbrada
por um país que é um efémero paraíso
que se demora até ao fundo de uma esfera
por onde tudo se liberta com o vento e aclara.

O inalterável resplandece numa concha cristalina.
O próprio sopro é o movimento e as torrentes vibram.
Tudo se completa na unidade do silêncio.
Respira-se a folhagem com uma inteligência nova.
As linhas íntimas brilham na sombra do ar.

Um campo intenso recebe a grande luz. As sombras
cintilam na lucidez do repouso. A página abre-se.
Por graciosos canais circula o sentido iminente.
Uma única sílaba se respira ágil e leve.
Uma árvore marinha dá a resposta branca.
1 120
Affonso Romano de Sant'Anna

Affonso Romano de Sant'Anna

Debruçado Sobre o Mistério

Não sou o primeiro a debruçar-me sobre o mistério.
Ovídio perscrutava as estações,
Leopardi tinha um pacto com estrelas.
Outros, deixando à parte os instrumentos
humildes e perplexos se renderam.
Não há como ao mistério decifrá-lo.
É próprio dos mistérios serem opacos.
Entrego o pasmo à sua sorte.
Passeio calmo em seus arcanos
aspiro aromas, vejo cores, toco formas
e me dissolvo extasiado nessa aura.
1 040
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

O Corpo Na Folhagem

O corpo está na folhagem, na difusa
madurez. Conhece a alegria da argila
e os violinos verdes da terra. Entre a luz antiga
e a sombra, está na paz que ilumina os nomes.
Ouve os rumores confusos que tornam a solidão feliz.

Com o vento oscilam os vestígios ilegíveis.
Uma porta sempre fresca abre-se continuamente.
Como é suave a cinza do seu olhar na brisa!
Toca a pedra e ela responde com um sortilégio limpo.
Escreve com a brancura das pálpebras dos pássaros.

Não, tu não existes e existes, ó vivo ser!
Giras como os amantes em luminosos anéis.
Nas mãos o impalpável, as minúsculas estrelas de pólen.
A realidade é um bosque onde estremece a tua ausência.
Tu és o pássaro que atravessa a pedra opaca.
976
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

Eu Vi o Corpo Em Fogo

Eu vi o ouro e o desenho de água que vibrava
em suaves membros, em veios de alegria,
e numa trança cintilante e curva. Vi o corpo em fogo
e vi a sua música, a transparência ardente e alta,
as suas sílabas fulvas, as suas lâmpadas verdes.

Era um incêndio claro e uma vertigem lenta
e uma melodia vagarosa, aérea
e um riso da folhagem e uma coluna transparente.
Não era a cinza trémula, nem uma obscura pomba.
Era uma lisura de estar nos seus contornos leves

e um ardor feliz de lâmpada que descia
num gracioso vagar uma colina repousada.
Acendia-se o lugar que somos na matéria amorosa
e as nascentes jorravam num delírio de brancura.
As palavras renasciam nas sílabas vermelhas.
940
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

A quem a Natureza não fez belo

A quem a Natureza não fez belo
Com seu corpo lhe disse: Tu não ames!
A fealdade é o destinado selo
Com que uma alma é votada à solidão.
1 413
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

Em Todo o Corpo Lúcido

Em todo o corpo lúcido
a luz e a música
com o brilho da brisa
e os véus vegetais.
897
Nuno Júdice

Nuno Júdice

O repouso do modelo

A tela prolonga-se para o lado em que ela olha,
seguindo as notas como se as visse ao mesmo
tempo que as ouve. Uma harmonia entre o traço que
envolve o seu corpo, nítido e forte como a tarde
que se faz na rua, e o olhar que o acompanha,
inscreve-se no intervalo entre as teclas, como
se os seus dedos a procurassem, daí nascendo
a música. Por vezes, uma indecisão prende-lhe
os ombros, como se uma renda de lágrimas
lhe descesse sobre as costas, ocultando-as (mas
logo as mãos substituem a fragilidade da alma,
obrigando-a a voltar ao ritmo inicial). E nada
a interrompe, para que não se volte, e o seu
rosto não venha apagar, com o brilho dos
olhos, a luz obscura que nasce deste lugar.


Nuno Júdice | "A pura inscrição do amor", pág. 72 | Publicações Dom Quixote, 1ª. edição. Jan. 2018
1 047
Fontoura Xavier

Fontoura Xavier

Roast-Beef

A Artur Azevedo


Ela tem a beleza, a flácida estrutura,
Os contornos viris, geométricos, altivos,
A branca carnação dos bons modelos vivos
Do mágico buril dos Fídias da escultura.

Ressumbra-lhe a epiderme — alvíssima textura —
Os filtros sensuais, os tóxicos lascivos,
Que aos mártires da Fé, aos crentes primitivos,
Serviram de adoçar o cálix da amargura.

Ao vê-la, não cobiço os ócios dum nababo,
Nem penso num cavalo elástico do Cabo
Para furtá-la às mãos de um Jônatas patife.

Ouço um coro ideal e harmônico de beijos!
E sinto fervilhar-me o pego dos desejos
De um Tântalo faminto em face de um roast-beef!


In: XAVIER, Fontoura. Opalas. Apres. Regina Zilberman. 5.ed. Porto Alegre: Centro de Pesquisas Literárias - PUCRS, 1984. p.53. Poema integrante da série Clowns.

NOTA: Cabo = cidade da África do Sul. Jônatas = filho do rei Saul e amigo de Davi. Tântalo = na mitologia greco-romana, personagem condenado ao suplício de viver num lago sem poder beber nem come
1 753
Nuno Júdice

Nuno Júdice

Acordar

Terá chegado a dormir? Os olhos não
o mostram; e as mãos, agarradas
à almofada, debaixo da cabeça, procuram
um apoio para o vazio em que mergulha. No
entanto, a linha paralela dos braços,
que a empurra para fora do quadro, é
contrariada pelo triângulo que se constrói a
partir dos vértices, doces e fundos,
dos mamilos e do umbigo. Algures,
num espaço em que o olhar se perde,
um mar sem fim convida à navegação
do amor, sem rumo nem porto à vista.
E limito-me a desenhar, mentalmente,
o triângulo invisível, hermético,
simétrico desse que o
lençol esconde. Então, peço-lhe
que feche os olhos e entreabra os lábios,
para que o desejo se solte do seu corpo,
como pássaro, e voe para o dia.


Nuno Júdice | "A pura inscrição do amor", pág. 66 | Publicações Dom Quixote, 1ª. edição. Jan. 2018
1 418
Nuno Júdice

Nuno Júdice

Rapariga lendo

Entre o livro e a laranja, uma sombra.
Entre os lábios e as pálpebras, uma cor.
Entre os braços e os seios, o branco.

Na flor que os dedos prendem, um perfume.
No risco dos cabelos, uma luz.
No ar com que sonha, um lume.

Na página que lê, um desenho.
Na testa descoberta, um sonho.
E na cabeça, o que só ela sabe.



Nuno Júdice | "A pura inscrição do amor", pág. 70 | Publicações Dom Quixote, 1ª. edição. Jan. 2018
1 152
Nuno Júdice

Nuno Júdice

Jane com uma boneca japonesa

Entre o escuro das meias e o branco
da combinação, a coxa de Jane situa-se
no enfiamento dos ombros, ao contrário
do seu olhar de perfil, fixo na boneca
japonesa que ela se prepara para limpar
com o algodão seguro nos dedos. Há
algo de decidido no seu gesto, que
contrasta com a fita cor de rosa da
combinação, caída sobre a cadeira
de verga. A esse abandono contrapõem-se,
porém, os pés calçados, como se
tivesse interrompido a toilete para
se ocupar da boneca. Terá acabado
o seu dia? Ou limita-se a olhar a figura
de porcelana, com que ainda brincou, sem
reparar que um caracol se soltou do
cabelo para pontuar o início
do seio com uma interrogação
que oferece a quem, de súbito,
descobre a linha perfeita da perna
que as meias escondem, e revelam?
1 114
Nuno Júdice

Nuno Júdice

Um retrato de mulher com vestido branco

É o teu rosto que eu destaco sobre a pose
convencional e uma expressão de indiferença
ou cansaço, que as mãos presas uma na outra
sublinham. O cabelo cortado, de onde sobressai
a orelha; e os lábios cor de vida, que
bebem o brilho nascido dos teus olhos. Queria
tirar-te daí, e ver-te rir; ou ouvir o
teu desabafo, libertando-te da figura
de velho que te olha da tela pendurada
na parede. No fundo, já não estás aí;
e o teu pensamento viaja no sentido
oblíquo onde fica uma janela, uma porta,
qualquer saída para a perfeição do teu gesto.
Mas continuas imóvel, obedecendo
ao pintor; e é a tua ausência
que eu vejo, por dentro do vestido branco
onde secaram já todas as flores da primavera.
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Affonso Romano de Sant'Anna

Affonso Romano de Sant'Anna

Arqueologia

Já sei o bastante sobre a infelicidade de meu vizinho
para poder dedicar-me melhor
a salvar a vida dos extintos etruscos.
Pelo meu vizinho
pouco posso fazer mais do que faço.
Mas pelos etruscos, posso ajudá-los
quando Furio Camillo
vier saqueá-los em 396.
Salvarei aquele vaso de alabastro de Volterra,
aquela cabeça feminina, em mármore, em Selinunte,
o sarcófago de Vila Giulia
com o relevo dos esposos nus se amando.
Os pobres e miseráveis
sempre os tendes convosco,
mas a beleza é rara e avara.
Se eu não a resgatar em mim
não poderei cuidar do meu vizinho
quando vier a peste negra de 1348.
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