Poemas neste tema

Ciência e Razão

Adriana Sampaio

Adriana Sampaio

Rebelião

Rebelião

Se existem outras dimensões
Por que não em mim?
Absorventes, inerentes
Sem nenhuma proporção.

Não há dicotomia
Entre o fogo que sufoca
E o ar que oxigena
Quando um se espraia
Através da existência do outro.

Convivência,
Nem sempre tão passiva
Entre beatitude e depravação
Contradições complemmentares
De sentimento e razão.

Sintagmas e paradigmas
Tesão e tédio
Tudo passando por portas de comunicação,
Pelos dez por cento de mente
Que ansiando pela lógica
Permitem-nos transpassar desordenadamente
Ao menos três dimensões.
956
Castro Alves

Castro Alves

Aos Estudantes Voluntários

(RECITATIVO)

Poesia recitada no Teatro Santa Isabel
na noite do oferecimento da Academia.

O CÉU é alma... O relâmpago
É uma idéia de luz,
Que pelo crânio do espaço
Perpassa, brilha e reluz...
Depois o trovão — é o verbo.
Segue-o o raio — gládio acerbo,
Que se desdobra soberbo
Pelos páramos azuis.

Ação e idéia — são gêmeos,
Quem as pudera apartar?...
O fato — é a vaga agitada
Do pensamento — que é o mar...
Cisma o oceano curvado,
Mas da procela vibrado,
Solta as crinas indomado,
Parece o espaço escalar.

Assim sois vós!... Nem se pense
Que o livro enfraquece a mão.
Troca-se a pena com o sabre,
Ontem — Numa... Hoje — Catão...
É o mesmo... Se a pena é espada
Por mão de Homero vibrada,
Com o gládio — epopéia ousada
Traça mundos — Napoleão...

Que importa os raios trovejem
Nas florestas do existir
Parti, pois! Homens do livro!
Podeis ousados partir!
Pois sereis. . ., vindo com glória,
Ou morrendo na vitória...
Homens do livro da História
Dessa Bíblia do porvir!

1 899
Pablo Neruda

Pablo Neruda

Tarde - LIV

Esplêndida razão, demônio claro
do cacho absoluto, do reto meio-dia,
aqui estamos ao fim, sem solidão e sós,
longe do desvario da cidade selvagem.


Quando a linha pura rodeia sua pomba
e o fogo condecora a paz com seu sustento,
tu e eu erigimos este celeste efeito.
Razão e amor despidos vivem nesta casa.


Sonhos furiosos, rios de amarga certeza,
decisões mais duras que o sonho de um martelo
caíram na dúplice taça dos amantes.


Até que na balança se elevaram, gêmeos,
a razão e o amor como duas asas.
Assim se construiu a transparência.
1 043
Natália Correia

Natália Correia

Véspera do Prodígio

Além do
sol, além do Sete-Estrelo
Uma última Tule me subentende.
O caminho pra mim não sei. Sabe-lo
Será ciência que a morrer se aprende?

Passo ou sou? Deuses, quem quebra o selo?
Quando entro em mim outrem me surpreende
Que um génio zombador tem por modelo.
Onde o esquivo lar desse duende?

Seja quem for o eu que em mim recluso
Alheio fado cumpre, é vácuo o uso
Que do Dom de pensar em vão fazemos.

Melhor é ir. Atravessar o muro,
Seguir na barca que passa o golfo escuro
E ao Grande Enigma abandonar os remos.
1 959
Nuno Guimarães

Nuno Guimarães

Pela Escrita

Através dela somos divididos
E somos portadores da divisão.

Por ela aprendemos um país
Apreendido.

Dela passamos para nós:
Tornamo-nos, assim, subvertidos.

Por ela quebramos os limites
Do conhecimento.

Má consciência nas palavras.
E nos actos.

Do acto à escrita, intensidade:
A escrita é o acto mais atento.

1 269
Pablo Neruda

Pablo Neruda

A Viagem

Lavrei na face de um rápido estio a cruz transparente
de um floco de neve, foi uma viagem para a desmesura:
os atos humanos fizeram as coisas mais altas do orbe
e ali com o frio de meu território e o mar retilíneo
cheguei, sem saber, nem poder, nem cantar, porque pesa o racimo da multidão.

Se diz ou disseram ou disse eu que o bardo barbudo e arbóreo
de Brooklin ou Camden, o ferido da secessão divisória,
vivia talvez em mim mesmo estendendo raízes ou espadas ou trigo
ou ferruginosas palavras envolvidas em cal e formosura:
talvez, disse, eu, sem orgulho, porque se determina vivendo
que de uma maneira chuvosa ou metálica a sabedoria
dispôs seguir existindo ou morrendo entre as criaturas terrestres
e porque não és tu, não sou eu quem recebe o encargo escondido
e sem ver nem saber continua crescendo muito mais,
muito mais que tua vida ou minha vida.
757
Pablo Neruda

Pablo Neruda

Vii - Os Outros Homens

Em troca eu, pecador pescador,
ex-vanguardista já passado de moda,
daqueles anos mortos e remotos
hoje estou à entrada do milênio,
anarcopitalista furibundo,
disposto com as duas bochechas a morder
a maçã do mundo.
Idade mais florescente nem Florença
conheceu, mais florida que Florida,
mais Paraíso que Valparaíso.
Respiro a plenos pulmões
no jardim bancário deste século
que é por fim uma grande conta corrente
em que por sorte sou credor.
Graças à inversão e à subversão
faremos mais higiênica esta idade,
nenhuma guerra colonial terá esse nome
tão desacreditado e repetido,
a democracia pulverizadora
tomará a cargo o novo dicionário:
é belo este 2000 igual ao 1000:
os três zeros iguais nos resguardam
de toda insurreição desnecessária.
973
Pablo Neruda

Pablo Neruda

XVII

Percebeste que o outono
é como uma vaca amarela?

E como a besta outonal
é logo um escuro esqueleto?

E como o inverno acumula
tantos azuis lineares?

E quem pediu à primavera
sua monarquia transparente?
1 030
Padre Francisco de Faria

Padre Francisco de Faria

Soneto

Tal Inscrição, tal Prólogo fizestes,
tanto em ponto nenhum vos descuidasses;
que retocando a Lira pelos trastes
menos dissera Orfeu, do que dissesses.

Em tudo, o que dizer-nos entendesses,
tende a Glória, Tavares, que acertasses:
se jurista severo principiasses,
logo em toda Ciência provas destes.

Deixais à imitação tão novas formas,
que cessarão de todo os desconcertos,
se de Vós aprendermos as reformas.

Pondes ao mundo culto em tais apertos,
que, ou se hão de seguir as vossas normas,
ou ninguém poderá lograr acertos.

347
Pablo Neruda

Pablo Neruda

XX

É verdade que o âmbar contém
as lágrimas das sereias?

Como se chama uma flor
que voa de pássaro em pássaro?

Não é melhor nunca que tarde?

E por que o queijo se dispôs
a exercer proezas na França?
1 048
Pablo Neruda

Pablo Neruda

XXIII

Converte-se em peixe voador
se transmigra a borboleta?

Então não era verdade
que vivia Deus na lua?

De que cor é o olor
do pranto azul das violetas?

Quantas semanas tem um dia
e quantos anos tem um mês?
1 139
Ona Gaia

Ona Gaia

Cacófato Mental

Não importa a marca
semente com mente
não mente
semente sem mente
demente
semente demente
somente.

1 022
Pablo Neruda

Pablo Neruda

XXI

E quando se fundou a luz
isto sucedeu na Venezuela?

Onde está o centro do mar?
Por que ali não vão as ondas?

É certo que aquele meteoro
foi uma pomba de ametista?

Posso perguntar a meu livro
se é verdade que eu o escrevi?
1 268
Pablo Neruda

Pablo Neruda

L

Quem pode convencer o mar
para que seja razoável?

De que lhe serve demolir
âmbar azul, granito verde?

E para que tantas marcas
e tantos sulcos no rochedo?

Cheguei de detrás do mar
e onde vou quando me atalha?

Por que encerrei meu caminho
caindo no ardil do mar?
950
Oliveira Roma

Oliveira Roma

Ciência Humana

Sentindo quanto ardor um visionário sente,
Sonhando uma verdade ideal mas fugidia,
Segue o Homem, a lutar, por essa estranha via
Que liga o berço ansioso ao túmulo silente.

Perscruta, indaga, inquire e, dolorosamente,
Vacila a cada passo, e vaga em fantasia,
Pois a meta final é como a orla sombria
Do horizonte, que foge, inconstante, da gente.

Um momento parece alcançar o que quer;
Logo, porém, resvala, impróvido e impotente,
Num engano grosseiro e insólito qualquer.

E nessas mutações os dias se consomem...
Na dúvida consiste, inevitavelmente,
O resumo total de toda a ciência do Homem!

787
Ona Gaia

Ona Gaia

Quando a alma

Quando a alma
parece despedir-se
e o corpo ficar
no centro do mundo
tudo gira e passa
tudo é circular
e nada sai do lugar.

O que haverá de fazer-se
quando a razão é dúvida
e a emoção é turva ?

Para além das mil besteiras
que povoam cada instante
( infinito )
da perplexidade,
a ação é ativa.
A Era celerada
- os egos cotidianos
só entram pelo cano -
e o eterno tempo
desenham nuvens ao vento!

813
Pablo Neruda

Pablo Neruda

Viii - Os Materiais

O mundo se encheu de entretantos,
de infundados temores e dor,
mas tem-se de reconhecer que sobre o pão salobro
ou junto de tal ou qual iniquidade
os vegetais, quando não foram queimados,
continuaram florescendo e repartindo
e continuaram seu trabalho verde.


Não há dúvida que a terra
entregou a duras penas outras coisas
de seu baú que parecia eterno:
morre o cobre, soluça o manganês,
o petróleo é um último estertor,
o ferro se despede do carvão,
o carvão já fechou suas cavidades.


Agora este século deve assassinar
com outras máquinas de guerra, vamos
inaugurar a morte de outro modo,
mobilizar o sangue em outras naves.
987
José Castello

José Castello

Projeto literário é muito coerente e afinado

Pode-se não gostar de suas ficções, por vezes excessivamente cifradas e retorcidas, mas
jamais roubar-lhe a singularidade e a obstinação - ele tem a medida precisa das limitações
do fazer literário

Autran Dourado é um escritor imune às ilusões do tempo, aos apelos da moda e à voracidade dos críticos. Essa atitude solitária não significa, porém, desinteresse pela técnica e pela perfeição. Muito ao contrário. Talvez nenhum outros escritor brasileiro vivo tenha um projeto literário tão coerente e afinado quanto ele. Pode-se não gostar das ficções de Autran Dourado, por vezes excessivamente cifradas e retorcidas, mas jamais roubar-lhe a singularidade e a obstinação.
Há pouco tempo, Autran reescreveu seu primeiro romance, Tempo de Amar, de 1952. O resultado dessa viagem rumo a quarenta e tantos anos atrás, Ópera dos Fantoches, publicado no verão de 1995, é antes de tudo um atestado de que a literatura é, para ele, um ofício interminável, que não pode ser aferido pelas tabelas sensatas, mas inúteis, do tempo lógico.
Ópera dos Fantoches, a reprise moderna de Tempo de Amar, é ainda um romance imperfeito, que desperta ainda mais insatisfação e que, por isso mesmo, não cessa de desafiar seus leitores. Não se pode lê-lo distraidamente; ou o leitor se engaja, ou o deixa de lado. É, como todos os grandes livros, uma obra sem solução. O livro se torna um emblema da confiança que Autran Dourado deposita na imperfeição. O escritor perfeito, à moda dos pesadelos de Borges, é um homem eternamente insatisfeito, que se dedica a escrever uma obra sem fim, que ninguém lerá. A perfeição pertence à ordem do impossível. Transplantada para a realidade, ela se transforma, apenas, em uma muralha de vaidade e um obstáculo.
Autran Dourado, ao contrário, tem a medida precisa das limitações do fazer literário. Sabe que lida com um artifício e que escrever é, em última instância, falsificar. Suas ficções são, antes de tudo, respostas originais a questões técnicas que ele não se cansa de reformular. A cada livro, Autran constrói para si mesmo novos problemas e depois escreve para resolvê-los. Seus personagens, ele já disse isso uma vez, têm seus destinos ligados à solução dessas charadas teóricas. São filhos da técnica e, justamente por isso, conseguem tocar o humano.
Em Autran Dourado, a técnica é a grande protagonista. Com a postura de um vigia incansável, ele chega a comparecer pessoalmente à trama mascarado como João da Fonseca Nogueira, escritor como ele, personagem duplo e perigoso, que circula por livros como O Risco do Bordado, A Serviço Del-Rey e Um Artista Aprendiz. Nogueira, o lugar-tenente de Autran, tem porém a visão desfocada pelo moralismo, o que o distancia irremediavelmente de seu criador, um artista para quem a ficção é um universo sem limites que tem a técnica como única fronteira moral.
A leitura dos livros de Autran Dourado desmente os temores daqueles que julgam que a racionalidade vem apenas matar a imaginação. Seus livros comprovam que só sobre um forro lógico consistente, com suas leis espessas, valores firmes e limites, a imaginação pode de fato imperar. A imaginação pura não pode ser dita. Nenhum livro a comporta. Fosse o contrário, e todas as crianças seriam romancistas.

"in" O Estado de S. Paulo - Caderno 2

832
Sophia de Mello Breyner Andresen

Sophia de Mello Breyner Andresen

Vi. Navegavam Sem o Mapa Que Faziam

Navegavam sem o mapa que faziam

(Atrás deixando conluios e conversas
Intrigas surdas de bordéis e paços)

Os homens sábios tinham concluído
Que só podia haver o já sabido:
Para a frente era só o inavegável
Sob o clamor de um sol inabitável

Indecifrada escrita de outros astros
No silêncio das zonas nebulosas
Trémula a bússola tacteava espaços

Depois surgiram as costas luminosas
Silêncios e palmares frescor ardente
E o brilho do visível frente a frente
1979
3 108
Alexandre de Gusmão

Alexandre de Gusmão

A Júpiter Supremo Deus do Olimpo

Nume que tens do mundo o regimento,
Se amas o bem, se odeias a maldade,
Como deixas com prêmio a iniquidade,
E assoçobrado ao são entendimento?

Como hei de crer qu'um imortal tormento,
Castigue a uma mortal leviandade?
Que seja ciência, amor ou piedade
Expor-me ao mal sem meu consentimento?

Guerras cruéis, fanáticos tiranos,
Raios, tremores, e as moléstias tristes,
Enchem o curso de pesados anos;

Se és Deus, s'isto prevês, e assim persistes,
Ou não fazes apreço dos humanos,
Ou qual dizem não és; ou não existes.


Publicado no livro Coleção de vários escritos inéditos, políticos e literários (1841).

In: HOLANDA, Sérgio Buarque de. Antologia dos poetas brasileiros da fase colonial. São Paulo: Perspectiva, 1979. p.121. (Textos, 2
1 342
Murillo Mendes

Murillo Mendes

O Fósforo

Acendendo um fósforo
acendo Prometeu, o futuro, a liquidação dos falsos deuses,
o trabalho do homem.

o

O fósforo: tão rabbioso quanto secreto. Furioso, deli-
cado. Encolhe-se no seu casulo marrom; mas quando cha-
mado e provocado, polêmico estoura, esclarecendo tudo.
O século é polêmico.

o

O gás não funciona hoje. Temos greve dos gasistas. A
Itália tornou-se a Grevelândia. Mas preferimos essa semi-
-anarquia à "ordem" fascista.
O fósforo, hoje em férias, espera paciente no seu casulo
o dia de amanhã desprovido de greves. O dia racional, o
dia do entendimento universal, o dia do mundo sem classes,
o dia de Prometeu totalizado.

o

O fósforo é o portador mais antigo da tradição viva. Eu
sou pela tradição viva, capaz de acompanhar a correnteza
da modernidade. Que riquezas poderosas extraio dela!
Subscrevo a grande palavra de Jaures: "De l'autel des
ancêtres on doit garder non les cendres mais le feu."


Poema integrante da série Setor Micro-Lições de Coisas.

In: MENDES, Murilo. Poliedro: Roma, 1965/66. Pref. Eliane Zagury. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1972
2 216
Vitorino Nemésio

Vitorino Nemésio

Arte poética

A poesia do abstracto?
Talvez.
Mas um pouco de calor,
A exaltação de cada momento.
É melhor.
Quando sopra o vento
Há um corpo na lufada;
Quando o fogo alteou
A primeira fogueira,
Apagando-se fica alguma coisa queimada.
É melhor!
Uma ideia,
Só como sangue de problema;
No mais, não,
Não me interessa.
Uma ideia
Vale como promessa,
E prometer é arquear
A grande flecha.
O flanco das coisas só sangrando me comove,
E uma pergunta é dolorida
Quando abre brecha.
Abstracto!
O abstracto é sempre redução,
Secura.
Perde,
E diante de mim o mar que se levanta é verde:
Molha e amplia.
Por isso, não:
Nem o abstracto nem o concreto
são propriamente poesia.
Poesia é outra coisa.
Poesia e abstracto, não.
in A Perspectiva da Morte: 20 (-2) Poetas Portugueses do Século XX, seleção e prefácio de Manuel de Freitas.
1 855
Vitorino Nemésio

Vitorino Nemésio

Tubo de ensaio

Árvores do Canadá, uma por uma,
A caminho de Otawa, de autocarro,
Propõem seus galhos hibernais ainda
À minha angústia já primaveril.
Com tão pouca matéria a fotossíntese,
Que oxigénio de amor espero eu delas,
Com que carbono as poderei amar?
Porque, enfim, eu morrendo dou-me aos bosques,
A tal selva de Dante é a dor da espécie,
E o mezzo dei camin aqui passar.
Só é estranho que fracos pensamentos
Eu verta nestes tubos de ensaiar:
Eu, que, por causa de Escherichia Coli,
Quase não sei (como se diz?) — meiar...
A Poesia é um louco laboratório,
E eu dispo a bata para não chorar.

(Os 3 últimos poemas in Poesias de Vitorino Nemésio, por Maria Madalena Gonçalves. Lisboa: Comunicação, 1983.)

.
.
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1 454
Roberto Piva

Roberto Piva

Manifesto Utópico-Ecológico em Defesa da Poesia e do Delírio

Invocação
Ao Grande deus Dagon de olhos de fogo, ao deus da vegetação Dionisos, ao deus Puer que hipnotiza o Universo com seu ânus de diamante, ao deus Escorpião atravessando a cabeça do Anjo, ao deus Luper que desafiou as galáxias roedoras, a Baal deus da pedra negra, a Xangô deus-caralho fecundador da Tempestade.
Eu defendo o direito de todo ser Humano ao Pão & à Poesia
Estamos sendo destruídos em nosso núcleo biológico,
nosso espaço vital & dos animais está reduzido a
proporções ínfimas
quero dizer que o torniquete da civilização está
provocando dor no corpo & baba histérica
o delírio foi afastado da Teoria do Conhecimento
& nossas escolas estão atrasadas pelo menos cem anos
em relação às últimas descobertas científicas no
campo da física, biologia, astronomia, linguagem,
pesquisa espacial, religião, ecologia,
poesia-cósmica, etc.,
provocando abandono das escolas no vício de linguagem &
perda de tempo
em currículos de adestramento, onde nunca ninguém vai
estudar Einstein, Gerard de Nerval, Nietzsche,
Gilberto Freyre, J. Rostand, Fourier, W.
Heinsenberg, Paul Goodman, Virgílio, Murilo
Mendes, Max Born, Sousandrade, Hynek, G. Benn,
Barthes, Robert Sheckley, Rimbaud, Raymond
Roussel, Leopardi, Trakl, Rajneesh, Catulo, Crevel,
São Francisco, Vico, Darwin, Blake, Blavatsky,
Krucënych, Joyce, Reverdy, Villon, Novalis,
Marinetti, Heidegger & Jacob Boehme
& por essa razão a escola se coagulou em Galinheiro
onde se choca a histeria, o torcicolo & repressão
sexual,
não existindo mais saída a não ser fechá-la &
transformá-la em Cinema onde crianças &
adolescentes sigam de novo as pegadas da
Fantasia com muita bolinação no escuro.
Os partidos políticos brasileiros não têm nenhuma
preocupação em trazer a UTOPIA para o quotidiano.
Por isso em nome da saúde mental das novas gerações
eu reivindico o seguinte:
1 - Transformar a Praça da Sé em horta coletiva & pública.
2 - Distribuir obras dos poetas brasileiros entre os
garotos (as) da Febem, únicos capazes de
transformar a violência & angústia de suas almas
em música das esferas.
3 - Saunas para o povo.
4 - Construção urgente de mictórios públicos ( existem
pouquíssimos, o que prova que nossos políticos
nunca andam a Pé ) & espelhos.
5 - Fazer da Onça (pintada, preta & suçuarana) o
Totem da nacionalidade. Organizar grupos de
Proteção à Onça em seu habitat natural. Devolver
as onças que vivem trançadas em zoológicos às
florestas. Abertura de inscrições para voluntários
que queiram se comunicar telepaticamente com
as onças para sabermos de suas reais dificuldades.
Desta maneira as onças poderiam passar uma
temporada de 2 semanas entre os homens &
nesse período poderiam servir de guias &
professores na orientação das crianças cegas.
6 - Criação de uma política eficiente & com grande
informação ao público em relação aos
Discos-Voadores. Formação de grupos de contato
& troca de informação. Facilitar relações eróticas
entre terrestres & tripulantes dos OVNIS.
7 - Nova orientação dos neurônios através da
Gastronomia Combinada & da Respiração.
8 - Distribuição de manuais entre sexólogas (os)
explicando por que o coito anal derruba o Kapital
9 - Banquetes oferecidos à população pela Federação das Indústrias.
10 - Provocar o surgimento da Bossa-Nova Metafísica
& do Pornosamba.
O Estado mantém as pessoas ocupadas o tempo integral
para que elas NÃO pensem eroticamente,
libertariamente. Novalis, o poeta do romantismo
alemão que contemplou a Flor Azul, afirmou: "Quem
é muito velho para delirar evite reuniões juvenis. Agora
é tempo de saturnais literárias. Quanto mais variada a
vida tanto melhor ".

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