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Ruy Espinheira Filho

Ruy Espinheira Filho

Poema

A que morreu às portas de Madrid,
Com uma praga na boca
E a espingarda na mão,
Teve a sorte que quis,
Teve o fim que escolheu.
Nunca, passiva e aterrada, ela rezou.
E antes de flor, foi, como tantas, pomo.
Ninguém a virgindade lhe roubou
Depois dum saque — antes a deu
A quem lha desejou,
Na lama dum reduto,
Sem náusea mas sem cio,
Sob a manta comum,
A pretexto do frio.
Não quis na retaguarda aligeirar,
Entre champanhe, aos generais senis,
As horas de lazer.
Não quis, ativa e boa, tricotar
Agasalhos pueris,
No sossego dum lar.
Não sonhou minorar,
Num heroísmo branco,
De bicho de hospital,
A aflição dos aflitos.

Uma noite, às portas de Madrid,
Com uma praga na boca
E a espingarda na mão,
À hora tal, atacou e morreu.

Teve a sorte que quis.
Teve o fim que escolheu.

1 140
Manuel da Fonseca

Manuel da Fonseca

Estradas

Não era noite nem dia.
Eram campos campos campos
abertos num sonho quieto.
Eram cabeços redondos
de estevas adormecidas.
E barrancos entre encostas
cheias de azul e silêncio.
Silêncio que se derrama
pela terra escalavrada
e chega no horizonte
suando nuvens de sangue.
Era hora do poente.
Quase noite e quase dia.

E nos campos campos campos
abertos num sonho quieto
sequer os passos de Nena
na branca estrada se ouviam.
Passavam árvores serenas,
nem as ramagens mexiam,
e Nena, pra lá do morro,
na curva desaparecia.

Já de noite que avançava
os longes escureciam.
Já estranhos rumores de folhas
entre as esteveiras andavam,
quando, saindo um atalho,
veio à estrada um vulto esguio.
Tremeram os seios de Nena
sob o corpete justinho.
E uma oliveira amarela
debruçou-se da encosta
com os cabelos caídos!
Não era ladrão de estradas,
nem caminheiro pedinte,
nem nenhum maltês errante.
Era António Valmorim
que estava na sua frente.

— Ó nena de Montes Velhos,
se te quisessem matar
quem te haverá de acudir?

Sob este corpete justinho
uniram-se os seios de Nena.

— Vai te António Valmorim.
Não tenho medo da morte,
só tenho medo de ti.

Mas já noite fechava
a saída dos caminhos.
Já do corpete bordado
os seios de Nena saíam
— como duas flores abertas
por escuras mãos amparadas!
Aí que perfume se eleva
do campo de rosmaninho!
Aí como a boca de Nena
se entreabre fria fria!
Caiu-lhe da mão o saco
junto ao atalho das silvas
e sobre a sua cabeça
o céu de estrelas se abriu!

Ao longe subiu a lua
como um sol inda menino
passeando na charneca…
Caminhos iluminados
eram fios correndo cerros.
Era um grito agudo e alto
que uma estrela cintilou.
Eram cabeços redondos
de estevas surpreendidas.
Eram campos campos campos
abertos de espanto e sonho…

2 745
Millôr Fernandes

Millôr Fernandes

Gato ao Crepúsculo

Poeminha de louvor ao pior inimigo do cão

Gato manso, branco,
Vadia pela casa,
Sensual, silencioso, sem função.

Gato raro, amarelado,
Feroz se o irritam,
Suficiente na caça à alimentação.

Gato preto, pressago,
Surgindo inesperado
Das esquinas da superstição.

Cai o sol sobre o mar.

E nas sombras de mais uma noite,
Enquanto no céu os aviões
Acendem experimentalmente suas luzes verde-vermelho-verde,
Terminam as diferenças raciais.

Da janela da tarde olho os banhistas tardos
Enquanto, junto ao muro do quintal,
Os gatos todos vão ficando pardos.

1 193
Maria Fernanda Mendonça Costa

Maria Fernanda Mendonça Costa

Casa mal-assombrada

Eu vi
Monstros, morcegos e vampiros!
Lá tem um
velho vampiro
e sua mulher.
Bem de noite
ouvi um choro
e me levantei
Percebi que era um
nenê: a vampira teve bebê

1 866
Machado de Assis

Machado de Assis

Flor da Mocidade

Eu conheço a mais bela flor;
És tu, rosa da mocidade,
Nascida aberta para o amor.
Eu conheço a mais bela flor.
Tem do céu a serena cor,
E o perfume da virgindade.
Eu conheço a mais bela flor,
És tu, rosa da mocidade.

Vive às vezes na solidão,
Como filha da brisa agreste.
Teme acaso indiscreta mão;
Vive às vezes na solidão.
Poupa a raiva do furacão
Suas folhas de azul celeste.
Vive às vezes na solidão,
Como filha da brisa agreste.

Colhe-se antes que venha o mal,
Colhe-se antes que chegue o inverno;
Que a flor morta já nada val.
Colhe-se antes que venha o mal.
Quando a terra é mais jovial
Todo o bem nos parece eterno.
Colhe-se antes que venha o mal,
Colhe-se antes que chegue o inverno.

1 608
Mário Dionísio

Mário Dionísio

Elegia ao Companheiro Morto

Meu companheiro morreu às cinco da manhã
Foi de noite ao fim da noite às cinco em ponto da manhã

Ah antes fosse noite noite apenas noite
sem a promessa da manhã

Ah antes fosse noite noite noite apenas noite
e não houvesse em tudo a promessa da manhã

Deitado para sempre às cinco da manhã

Agora que sabia olhar os homens com força
e ver nas sombras que até aí não via a promessa risonha da manhã

Mas quem se vai interessar amigos quem
por quem só tem o sonho da manhã?

E uma vez de noite ao fim da noite mesmo ao cabo da noite
meu companheiro ficou deitado para sempre
e com a boca cerrada para sempre
e com os olhos fechados para sempre
e com as mãos cruzadas para sempre
imóvel e calado para sempre

E era quase manhã E era quase amanhã

2 470
Mendes de Carvalho

Mendes de Carvalho

S Romão

S. Romão é a terra e o mar
T. o vento o luar a noite total e o sol.
Em S. Romão cada um é rei de si mesmo
e lá os reis a valer não têm qualquer realidade
Em S. Romão podemos ficar ao sol
podemos perder-nos dentro da noite
podemos não fazer coisíssima nenhuma
podemos erguer um hino à preguiça
podemos ficar budamente de mãos na barriga
podemos ter poesia que não venha nos livros
podemos ter um cão nosso conhecido
sem nunca nos ter sido apresentado
um cão sem coleira que ladra à lua
livremente cão esquecido do fisco.

O nome deste lugar anfíbio é fictício
para que não o descubram os turistas
que andam sempre com o nariz no ar
e não seja enviado em cartaz para o estrangeiro
e nem sequer o descubra o Manuel Bandeira
que é amigo do rei de Pasárgada
e este não sabe andar sem comitiva
para que nenhum americano vá construir uma pousada
para week-end vinícola.

Em S. Romão não há pintores paisagistas
nem hoteleiros
nem urbanistas.

Em S. Romão ninguém pensa salvar o mundo
o que só acontece às pessoas perdidas de todo
e aos escritores neorealísticamente locais
que conhecem todas as misérias por fora.

S. Romão não é porto de abrigo
Desde já aviso à navegação.
Não há faroleiro os rochedos são perigosos
o mar sem distância é aventura
promessa de peixe
certeza de fome.
906
Mário Dionísio

Mário Dionísio

Memória dum Pintor Desconhecido

Os presos contam os dias
eu as horas
nesta prisão maior onde um olhar ficou boiando
e uma voz um som de passos perseguidos
na sombra perseguindo a segurança
fugidia

Na cidade que amo e a sós comigo
é talvez só futuro ou já saudade
com alma bem nascida entre o fragor de máquinas, cimento e energia
atômica indefeso entre irmãos de cárcere demando
a voz que foge os irmãos que não vejo
o brando olhar que guarda o meu desejo
e só consigo
ver o gomoso arrastar das horas e das horas
tantas horas
à baioneta marcadas por uma sentinela
aos quatro cantos da janela
gradeada
do dia-
a-dia onde não há
mais nada

Que nada são os dias e os anos
para um tão grande amor que vou pintando
com o próprio sangue os meus e teus enganos
que há de nascer que há de florir que há de
e há de e há de
quando?

1 626
Sérgio Mattos

Sérgio Mattos

Imagem Pura

Num mundo indiferente e sem formas,
uma obsessão inacabada,
emergindo de uma pálida significação,
se alinhava em meu espírito
em busca duma imagem pura:

757
Marta Gonçalves

Marta Gonçalves

Palavras

O vegetal que me cerca e envolve meu corpo arreia as correntes dos braços. Deixaremos vidros quebrados nas manhãs e o sol brotará sementes de milho. Chegará a época de recriarmos o solo da terra, de aleitarmos a infância. Deve existir uma mudança cósmica neste pó que habitamos. Sorveremos água das pedras e as montanhas que nos cercam perderão a chave. Ao abrir as portas, a palavra chegará na ponta do mar. A areia quente das praias vai sorver borboletas. Descobrirão que a poesia chega no vento. Ela precisa de olhos além do infinito. O poeta não deve sair de sua solidão. Quieto em seu canto, armazena a alquimia. Existem palavras que são lâminas cortando veias. E essas veias sangrarão as faces nodosas. Destruiremos o lodo, mas a erva continuirá crescendo nas noites. Jogaremos margaridas brancas, poucos estenderão as mãos para colhê-las.

962
José Joaquim Medeiros e Albuquerque

José Joaquim Medeiros e Albuquerque

Soneto Decadente

Morria rubro o sol e mansa, mansamente...
sombras baixando em flocos, lentas, pelo espaço...
Um morrer pungitivo e calmo de inocente:
doces, as ilusões fanadas no regaço.

Passa um cicio leve e suave... Num traço,
ave rápida passa súbita e tremente...
A tristeza, que vem, cinge como um baraço
a garganta: o soluço estaca ali fremente...

Lembranças de pesar... Navio que na curva
do mar, de água pesada e funda e escura e turva,
some-se de vagar das ondas ao rumor...

Ó crepúsculos sós! os exilados sentem
a angústia sem igual de amantes que pressentem
o derradeiro adeus do derradeiro amor!

1 163
Manuel Geraldo

Manuel Geraldo

Memória II

E à tarde
Os soldados voltavam

Traziam feridas
E balas a menos
Traziam memórias
De sonhos traídos
Traziam fadigas
De corpos caídos

Nos sacos e rostos
Traziam o regresso
Traziam memórias

Soldados sem armas
Voltavam em transe
Não eram os mesmos

991
Sérgio Mattos

Sérgio Mattos

Sinfonia do Amor

Há pássaros noturnos que cantam
no alto das casas.
Há nuvens brancas na noite
no alto dos céus.
Há braços e pernas que dançam
sob uma luz de sombras
e um murmúrio de lágrimas:
— A dança do amor é densa.

863
Mário Donizete Massari

Mário Donizete Massari

Arabela

A TARDE É BELA
A VIDA É BELA
ARABELA É BELA

Um velho leva a vela
Arabela é ainda mais bela
com o rosto iluminado
pela vela

Um velho leva a vela
no enterro de Arabela

1 138
Manuel Botelho de Oliveira

Manuel Botelho de Oliveira

Rosa, e Anarda

Rosa da formosura, Anarda bela
igualmente se ostenta como a rosa;
Anarda mais que as flores é formosa,
mais formosa que as flores brilha aquela.

A rosa com espinhos se desvela,
arma-se Anarda espinhos de impiedosa;
na fronte Anarda tem púrpura airosa,
a rosa é dos jardins purpúrea estrela.

Brota o carmim da rosa doce alento,
respira olor de Anarda o carmim breve,
ambas dos olhos são contentamento:

mas esta diferença Anarda teve:
que a rosa deve ao sol seu luzimento,
o sol seu luzimento a Anarda deve.

3 073
Mário Hélio

Mário Hélio

25-V(A angústia)

a angústia é um barco
a angústia é um porto

a angústia é uma semente
na mente da carne do homem
louco que morre sem saber

a angústia é um homem
excessivamente morto

556
Mário Donizete Massari

Mário Donizete Massari

Dimensão das horas

Dimensão das horas
nos caminhos do homem

fogo nas retinas
paixões, fadiga . . .

"a vida tragada e
consumida em
memoráveis porres
de melancolia . . ."

cinzas na avenida
e o homem caminha

Flutua no ar
qual bêbado no seu
mundo
por que não dizer lindo,
pois qualquer mundo é lindo
quando se é livre e
não lhe cobram por isso.

E a vida se molda
na dimensão das horas
vadias . . .

879
Marcelo Almeida de Oliveira

Marcelo Almeida de Oliveira

Ária para Ariano

Salve guerreiro!
vejo que o tempo
não secou tua alma,
continua ela molhada,
como a verde lama
do mangue cinzento
onde tens morada.

Ferozmente guarda a nascente,
cristalina progenitora,
semente já fora,
agora é raiz;
onde banhava nossos pais,
e onde todos devemos.

Salve irmão!
Continua na luta,
e saibas que
Tu és sua sina
e salvação.
Tu és uno!
Tu és una!

870
Manuel da Fonseca

Manuel da Fonseca

Poema da Menina Tonta

A menina tonta passa metade do dia
a namorar quem passa na rua,
que a outra metade fica
pra namorar-se ao espelho.

A menina tonta tem olhos de retrós preto,
cabelos de linha de bordar,
e a boca é um pedaço de qualquer tecido vermelho.

A menina tonta tem vestidos de seda
e sapatos de seda,
é toda fria, fria como a seda:
as olheiras postiças de crepe amarrotado,
as mãos viúvas entre flores emurchecidas,
caídas da janela,
desfolham pétalas de papel...

No passeio em frente estão os namorados
com os olhos cansados de esperar
com os braços cansados de acenar
com a boca cansada de pedir...

A menina tonta tem coração sem corda
a boca sem desejos
os olhos sem luz...

E os namorados cansados de namorar...
Eles não sabem que a menina tonta
tem a cabeça cheia de farelos.

3 270
Sérgio Mattos

Sérgio Mattos

Beijo

Teu beijo
mm sabor de vida
e cheiro de madrugada.
Teu beijo é terno,
me aquece.
Teu beijo é inspiração,
me enlouquece.
Teu beijo é descoberta
e criação.
Teu beijo merece
muito mais que uma simples poesia.

1 080
Mário Donizete Massari

Mário Donizete Massari

Infância

Pés no chão
alma descalça . . .

A vida passa
os pés se calçam
a alma se veste

Os pés são os mesmos,
os caminhos segredos,
chega o medo . . .

A escuridão
ilusão . . .

Da infância resta
o chão
— e os pés a fugir
da solidão.

882
Micheliny Verunschk

Micheliny Verunschk

Rápido Monólogo do Caçador Com Sua Caça

Trago
Pardos
Os olhos
De cobiça
Que atiro
Sobre ti,
Teu verbo/teu sexo:

Tua presa
de
marfim.

1 175
Manoel Andrade Silva

Manoel Andrade Silva

O Mar se Apaixona

O Mar se Apaixona...

Desde a agitação das águas
Ao beijar suas areias
A doce jovem que se banhava,
Fez o Poeta descrever sua beleza,
Por ver que o próprio mar
Por ela também se apaixonava.

Vendo a eclipsá-la as fúrias de sua espuma,
Via o abismo da morte
Quando o mar se enfurecia.
E o mar bravio quase absorvia,
Lançando-lhe as suas águas,
Como quem lança um verde manto,
Louco, apaixonadamente lhe cobria.

E ela enfrenta alegremente as ondas,
E o mar apertando-lhe apaixonadamente,
Se inflamava ferozmente e torturado,
Como quem encontrou sua própria amada...
O mar achava que tinha todo o seu direito
Deixando-me inquieto e com receio
Porque era em suas águas que banhava
Suas nádegas, seu corpo e seus lindos seios!

Aí eu gritei, Mar!!!
Quantas figuras peregrinas
Vejo banhar-se no teu vasto leito,
Exceto esta, sem alcançar no entanto
O verde cristalino destea enorme manto,
Diferente repleto de ternura,
Vou retirar de sua imensidão esta beleza,
Que embebebou-o e alimentou este seu sonho,
De um mar manso, transformou-se em mar medonho!

O mar responde:

- Minha linfa e cristalina,
Falando ao surgir das ondas,
Tua deusa, tua musa, tua beleza
Foi Deus quem fez, com sua pureza...
Quero levar comigo, longe, às profundezas,
E retirar-lhe deste mundo de maldades,
Guardando-lhe para toda a eternidade,
Na calmaria da imensidão de minha grandeza!

- Não Mar! Gritei novamente,
Isto não é verdade, estás doente!
Querer levar contigo e matar,
É sacrilégio, é praticar crime profano;
Aplacar, por ser poderoso, é ser vesano!
Deus te fez assim para uma eternidade,
Estás sonhando um sonho de verdade;
Fostes criado para banhar a humanidade,
Por milênios de anos e mais anos;
Se levares muitos inocente, com maldade,
Nunca passarás de um enorme oceano!

Depois que falei como um poeta apaixonado,
o mar responde novamente:

- Poeta, encontraste esta eloqüência
Em minha beleza, em minha amplidão?
Retrocedo pela sua emoção!
Diga a esta divindade e beleza,
Se encontrares no seu corpo impureza,
Não tenho culpa, condene esta humanidade,
Por lançarem em minhas águas seus detritos,
Sem respeito, ignorância e maldade!
Vou seguir meu destino apaixonado e aflito,
Deus me fez grandioso e infinito,
Vou obedecer a lei da eternidade!

Chorando agradecido, responde o Poeta:

- Obrigado, obrigado Oceano!
Deus o fez com todo seu poder
Por sua criatividade e por ser soberano;
Criou-te para banhar toda a humanidade,
És lindo, grandioso de verdade!
Perdoaste minha musa cheio de mágoa,
Mas prometo-lhe por esta linda luz
Deste sol que hoje nos clareia,
Que trarei por muitas vezes,
Minha musa, minha sereia,
Para banhar-se em suas águas
E beijar suas areias!

988
Marcus Accioly

Marcus Accioly

Érato

"por detrás o prazer é diferente
do gozo pela frente" (diz) e a boca
suplica ("mais") aí toda a carne é pouca
para todo o desejo (pela frente
o amor no Próprio amor se satisfaz)
mas é diverso o coito por detrás
da fêmea (é como os animais copulam)
existe um cio por detrás (um jeito
de pegar os cabelos quando ondulam
suas crinas) que o gozo insatisfeito
precisa de mais gozo para ser
em sua plenitude ou gozar mais
(se uma só vez o amor acontecer
é preciso que seja por detrás)

1 792