CANTONEIROS
A pura simetria dos cantoneiros
concordes na sintonia clássica
da sua dança, no modo como desmantelam
a embriaguez, induzem o vómito a caixotes
ou dispõem de bolas de plástico
e as lançam para a baliza ruminativa
sem tempo para comemorarem os golos.
Pulgas da quietude,
industriosos entre o mar de detritos,
fosforescentes noctilucos,
espectros a céu aberto,
ídolos de montureiros,
aclarando das margens as nuvens rentes
sob aguaceiros desabridos.
Acrobatas da morosidade
fúnebre do seu curso,
a cidade ignora-os
ou execra aquele féretro deletério
se apanhada no cortejo de ocasião.
concordes na sintonia clássica
da sua dança, no modo como desmantelam
a embriaguez, induzem o vómito a caixotes
ou dispõem de bolas de plástico
e as lançam para a baliza ruminativa
sem tempo para comemorarem os golos.
Pulgas da quietude,
industriosos entre o mar de detritos,
fosforescentes noctilucos,
espectros a céu aberto,
ídolos de montureiros,
aclarando das margens as nuvens rentes
sob aguaceiros desabridos.
Acrobatas da morosidade
fúnebre do seu curso,
a cidade ignora-os
ou execra aquele féretro deletério
se apanhada no cortejo de ocasião.
OSSÉTIA
Ou como uma foto de Karpukhin
a Madonna ampara com o braço um
dos lados do triângulo
e deixa um derradeiro beijo escorrer por ele
até à cabeça morta
do seu menino no catre.
Uma cena difícil: a contenção
das sombras, do chiaroscuro,
o profundo luto quando a luta
cedeu a sua luz.
De preto ela
emoldurando a palidez do seu querido,
o crânio envolto numa ligadura,
halo de mártires.
O inconsolável.
O fotojornalismo
tem fortes influências da renascença.
Algo de terror.
Algo de Leonardo.
a Madonna ampara com o braço um
dos lados do triângulo
e deixa um derradeiro beijo escorrer por ele
até à cabeça morta
do seu menino no catre.
Uma cena difícil: a contenção
das sombras, do chiaroscuro,
o profundo luto quando a luta
cedeu a sua luz.
De preto ela
emoldurando a palidez do seu querido,
o crânio envolto numa ligadura,
halo de mártires.
O inconsolável.
O fotojornalismo
tem fortes influências da renascença.
Algo de terror.
Algo de Leonardo.
SPLEEN
Cemitério de todos os sóis
o mar, cinza
onde habita o beemote do tempo,
a grande baleia do oblívio
sob socalcos de aço,
na chapa recurva,
sucata de toda a metáfora.
Porquê dizê-lo?
Cansaço de o dizer…
O mar é uma maçada.
o mar, cinza
onde habita o beemote do tempo,
a grande baleia do oblívio
sob socalcos de aço,
na chapa recurva,
sucata de toda a metáfora.
Porquê dizê-lo?
Cansaço de o dizer…
O mar é uma maçada.
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